{"id":267476,"date":"2016-01-16T12:06:52","date_gmt":"2016-01-16T12:06:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?p=267476"},"modified":"2016-01-16T12:06:52","modified_gmt":"2016-01-16T12:06:52","slug":"a-sociedade-tem-o-direito-de-escolher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2016\/01\/a-sociedade-tem-o-direito-de-escolher\/","title":{"rendered":"A sociedade tem o direito de escolher"},"content":{"rendered":"<p>O ajuste neoliberal consiste em demolir o que foi conquistado para instituir o retrocesso como limite do poss\u00edvel e a exclus\u00e3o como sin\u00f4nimo estabilidade.<\/p>\n<p>por: Saul Leblon<\/p>\n<p>Bastou a primeira semana \u00fatil de 2016 para a desordem mundial envelhecer miseravelmente o rosto do novo calend\u00e1rio.<\/p>\n<p>Apesar de operar formalmente a pleno emprego \u2013sem considerar o imenso contingente do \u2018precariado\u2019, a recupera\u00e7\u00e3o norte-americana exp\u00f4s sua paradoxal fragilidade: principais Bolsas do \u2018pa\u00eds fecharam a \u00faltima 6\u00aa feira em baixa, na pior 1\u00aa semana do ano de toda a hist\u00f3ria de Wall Street.<\/p>\n<p>Vinte e quatro horas antes, a cong\u00eanere chinesa havia registrado o preg\u00e3o mais curto de sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em apenas 30 minutos, quatro dias ap\u00f3s cravar uma queda de 7% (2\u00aa feira. 04\/01), a sess\u00e3o teve que ser interrompida ao replicar o mesmo recorde de baixa. <\/p>\n<p>S\u00e3o acomoda\u00e7\u00f5es restritas \u2018apenas\u2019 \u00e0s duas maiores economias da terra?<\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p>As vendas do varejo na Europa declinaram em dezembro.<\/p>\n<p>A FAO informa que em 2015, pelo 4\u00ba ano seguido, os pre\u00e7os mundiais dos alimentos fecharam em queda, de quase 20%.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os do petr\u00f3leo na primeira semana do ano recuaram abaixo dos US$ 34 o barril.<\/p>\n<p>O Banco Mundial reviu suas previs\u00f5es para 2016 cortando para 2,9% a proje\u00e7\u00e3o para o crescimento mundial. <\/p>\n<p>Foi assim a primeira semana do ano novo.<\/p>\n<p>Por que isso n\u00e3o merece a aten\u00e7\u00e3o do colunismo embarcado nos departamentos de an\u00e1lise econ\u00f4mica dos bancos? <\/p>\n<p>A indiferen\u00e7a jornal\u00edstica diante das determina\u00e7\u00f5es globais que dificultam a transi\u00e7\u00e3o de ciclo do desenvolvimento brasileiro tem raz\u00f5es estrat\u00e9gicas. <\/p>\n<p>O v\u00e9u espesso lan\u00e7ado pelo notici\u00e1rio cuida de sonegar aos brasileiros a gravidade do desequil\u00edbrio mundial para enfatizar a tese do &#8216;desgoverno petista\u2019 e da inexorabilidade  do arrocho prescrito pela gororoba neoliberal.<\/p>\n<p>Sem esse truque religiosamente alimentado pelas manchetes, escaladas e colunas da m\u00eddia isenta, o poder de convencimento do discurso conservador perderia muito de sua efic\u00e1cia nos dias que correm.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 sabido. <\/p>\n<p>O que intriga \u00e9 que o governo endosse o filtro em vez de rompe-lo, com serenidade, mas com o desassombro que a encruzilhada brasileira requer.<\/p>\n<p>Ter a vis\u00e3o integral do jogo \u00e9 decisivo para poder venc\u00ea-lo.<\/p>\n<p>A narrativa justa das causas que dificultam a retomada do crescimento do pa\u00eds \u2013seu componente interno e externo&#8211; \u00e9 crucial para arregimentar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as necess\u00e1ria a uma repactua\u00e7\u00e3o progressista do desenvolvimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de um vi\u00e9s ideol\u00f3gico; \u00e9 um fato objetivo: todos os mercados globais abriram 2016 em transe &#8212; a\u00e7\u00f5es, moedas e commodities.<\/p>\n<p>E o que \u00e9 mais importante para  a discuss\u00e3o do passo seguinte do pa\u00eds: na raiz da crise global est\u00e1 o excesso de capacidade produtiva desprovida de demanda em cada na\u00e7\u00e3o e no conjunto das na\u00e7\u00f5es, motivo das desvaloriza\u00e7\u00f5es cambiais em marcha.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso diz\u00ea-lo com todas as letras: esse \u00e9 o legado de um desequil\u00edbrio estrutural instaurado por quarenta anos de hegemonia neoliberal, obra que o conservadorismo quer replicar agora no Brasil.<\/p>\n<p>A diluviana sobra de capitais decorrente desse ciclo de fast\u00edgio das finan\u00e7as e depaupera\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho, explica, num primeiro momento, a valoriza\u00e7\u00e3o despropositada das bolsas em economias rastejantes.<\/p>\n<p>Explica, agora, a ressurg\u00eancia das respectivas bolhas que come\u00e7aram a estourar, de Pequim a Nova Iorque.<\/p>\n<p>A fuga para frente do capital fict\u00edcio explica tamb\u00e9m a emerg\u00eancia de novas irrup\u00e7\u00f5es  especulativas, a exemplo da representada pela exuber\u00e2ncia irracional do mercado de futebol na China.<\/p>\n<p>A nova especiaria  amplifica um ponto de fuga antes concentrado em obras de arte, para arrematar jogadores em bases contratuais inalcan\u00e7\u00e1veis pela maioria dos clubes profissionais do mundo.<\/p>\n<p>A rapinagem da bola, de ind\u00fastrias, servi\u00e7os, moeda etc  \u00e9 quase sempre encarada como uma trag\u00e9dia grega, algo que se abate sobre as na\u00e7\u00f5es sem que se saiba de onde vem e contra o a qual a  resist\u00eancia apenas imp\u00f5e maior sofrimento&#8230;<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno, como resumiu exemplarmente Zygmunt  Bauman em entrevista ao El Pa\u00eds esta semana, inaugurou uma era em que a pol\u00edtica teve as m\u00e3os decepadas.<\/p>\n<p>Ou seja, subtraiu-se do Estado o poder de agir ao anular a efic\u00e1cia das solu\u00e7\u00f5es nacionais para desafios que foram globalizados.<\/p>\n<p>A crise do Estado-na\u00e7\u00e3o est\u00e1 na raiz do descr\u00e9dito na democracia, sintetizou o fil\u00f3sofo polon\u00eas. E vice-versa.<\/p>\n<p>\u00c9 esse conjunto de bloqueios que cerceia o passo seguinte da hist\u00f3ria brasileira nesse momento.<\/p>\n<p>Explicit\u00e1-lo \u00e9 um requisito para o discernimento necess\u00e1rio ao seu enfrentamento.<\/p>\n<p>A \u00fanica fatia restante da soberania nacional \u00e9 a repactua\u00e7\u00e3o da sociedade e do seu desenvolvimento em escrut\u00ednios de amplitude democr\u00e1tica renovada.<\/p>\n<p>Sem recorrer a esse trunfo derradeiro o governo ficar\u00e1 escravo das receitas e ajustes que agravam a sua fragilidade e aprofundam o seu descr\u00e9dito.<\/p>\n<p>O rame-rame do ajuste neoliberal consiste nisso: demolir o que foi conquistado para instituir o retrocesso como limite do poss\u00edvel e a exclus\u00e3o como sin\u00f4nimo estabilidade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontece na China, na Europa, nos EUA , a dificuldade estrutural da economia brasileira hoje n\u00e3o  \u00e9 o excesso de capacidade, mas a car\u00eancia de investimento para atender a uma demanda ascendente. <\/p>\n<p>Aqui a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 investir, n\u00e3o arrochar.<\/p>\n<p>Atrelar o pa\u00eds \u00e0 l\u00f3gica mundial do neoliberalismo  \u2013como apregoa o conservadorismo&#8211; significa corroer 12 anos de esfor\u00e7os distributivos e sacrificar um dos maiores mercados de massa do planeta, para abra\u00e7ar uma receita rentista que est\u00e1 na raiz dos abalos registrados na primeira semana do ano.  <\/p>\n<p>Quatro d\u00e9cadas de neoliberalismo esfarelaram a classe m\u00e9dia dos EUA e desmontaram o estado do Bem-Estar  europeu.<\/p>\n<p>A renda real da outrora afluente classe m\u00e9dia norte-americana encontra-se estagnada no n\u00edvel de 1977, mesmo tendo o PIB crescido 50% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Nunca a desigualdade foi t\u00e3o extremada como agora na sociedade mais rica da terra.<\/p>\n<p>Para recorrer novamente a   Bauman,  a tese neoliberal de que a concentra\u00e7\u00e3o em  cima,  vazaria a riqueza por gravidade para baixo, \u2019comprovou-se uma mentira\u2019.<\/p>\n<p>A fatia da renda nas m\u00e3os dos 20% mais ricos nos EUA  hoje chega a 55%; declinando na base da pir\u00e2mide.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 menos regressivo o quadro europeu.<\/p>\n<p>Segundo a soci\u00f3loga portuguesa Raquel Varela, entrevistada por Carta Capital,  a diferen\u00e7a entre um rico e um pobre na sociedade europeia era de 1 para 12, em 1945.  Em 1980, passou a 1 para 82. Hoje, ap\u00f3s o desmonte das bases econ\u00f4micas da democracia social, atinge a desconcertante vastid\u00e3o de 1 para 530.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a disputa presidencial  entre democratas e republicanos nos EUA este ano rep\u00f5e em cores ainda mais vivas o confronto entre pol\u00edticas fiscais para engordar os ricos ou investimentos p\u00fablicos para resgatar os pobres.<\/p>\n<p>Quem considera simplismo descrever assim a polaridade incrustrada pelo neoliberalismo  na carne das na\u00e7\u00f5es, talvez mude de opini\u00e3o diante das estat\u00edsticas divulgadas em 2014  pela consultoria Wealthx, de Cingapura (http:\/\/www.wealthx.com\/home\/). <\/p>\n<p>A especialidade da Wealthx \u00e9 prestar servi\u00e7os aos super-endinheirados supranacionais.<\/p>\n<p>Ao mapear o calibre de sua clientela ela concluiu: <\/p>\n<p>&#8211;185.759 endinheirados dos quatro continentes det\u00e9m uma fortuna calculada em US$ 25 trilh\u00f5es, nada menos que 40% do PIB mundial;<\/p>\n<p>&#8212; o seleto clube comporta acentuada divis\u00e3o interna de camarotes: o n\u00edvel A \u00e9  ocupado por  1.235 mega-ricos que controlam uma dinheirama quase igual a dois PIBs brasileiros: US$ 4, 2 trilh\u00f5es. <\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o da riqueza nunca foi o forte do  capitalismo. <\/p>\n<p>Mas as \u00faltimas d\u00e9cadas de  supremacia das finan\u00e7as desreguladas conseguiram dar envergadura in\u00e9dita \u00e0 palavra desigualdade.<\/p>\n<p>Quarenta anos de arrocho sobre o rendimento do trabalho nas principais economias ricas, associados a mimos tribut\u00e1rios que promoveram o fast\u00edgio dos endinheirados, premiaram o capital celibat\u00e1ria que se autorreplica na especula\u00e7\u00e3o, sem agregar riqueza real \u00e0 sociedade.<\/p>\n<p>O conjunto enlouqueceu a engrenagem da desigualdade. <\/p>\n<p>Portanto, n\u00e3o foi a crise que gerou o desfibramento das fam\u00edlias assalariadas, hoje principal obst\u00e1culo \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o da economia mundial, oito anos ap\u00f3s o colapso de 2008.<\/p>\n<p>O desmonte do mundo do trabalho e a desigualdade decorrente do desmanche de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e trabalhistas \u00e9 que explicam a singularidade da mais lenta e an\u00eamica convalescen\u00e7a de uma crise capitalista desde o s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>A ordem dos fatores altera a agenda futuro.<\/p>\n<p>E lan\u00e7a um alerta ao presente brasileiro.<\/p>\n<p>A crise mundial n\u00e3o \u00e9 passageira, nem admite solu\u00e7\u00e3o estritamente financeira.<\/p>\n<p>A democracia ter\u00e1 que intervir contra o despotismo do capital para devolver \u00e0 sociedade o comando do seu destino e redefinir o destino do seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Regular a redistribui\u00e7\u00e3o do excedente econ\u00f4mico, ferozmente concentrado nas \u00faltimas d\u00e9cadas na base do morde e assopra &#8211;arrocho de um lado, cr\u00e9dito e endividamento suicida do outro, falindo fam\u00edlias e governos\u2014 \u00e9 uma quest\u00e3o de vida ou morte.<\/p>\n<p>Se quiser refor\u00e7ar as imunidades do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a uma crise mundial, assentada em boa parte no definhamento do poder de compra dos assalariados, o governo Dilma ter\u00e1 que repactuar a travessia em conversa\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas com toda a sociedade. <\/p>\n<p>N\u00e3o apenas tentando \u2018acalmar\u2019 os rentistas. <\/p>\n<p>A tentativa atual em todo o mundo de &#8216;limpar o rescaldo&#8217; de 2008 passando uma m\u00e3o de verniz nas ru\u00ednas &#8211;ou seja, sancionando novas bolhas e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres&#8211; \u00e9 mais uma forma de perpetuar a ess\u00eancia do problema  do que enfrentar as suas causas. <\/p>\n<p>Pior. <\/p>\n<p>Preservar o modelo, agora com arrocho do cr\u00e9dito antes abundante &#8211;como se tentou na Europa, por exemplo&#8211;   implica uma carnificina econ\u00f4mica e social. <\/p>\n<p>Estamos falando da l\u00f3gica que n\u00e3o saciar\u00e1 enquanto n\u00e3o abater, eviscerar e desossar integralmente o espa\u00e7o do desenvolvimento e da soberania democr\u00e1tica no s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Reduzir essa conflagra\u00e7\u00e3o de interesses  a um \u2018esgotamento do desenvolvimentismo\u2019, ou , mais rastejante ainda, \u2018aos erros da nova macroeconomia lulopopulista\u2019, como quer o soci\u00f3logo FHC, pouco agrega \u00e0 agenda do desassombro requerida pela encruzilhada brasileira.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, insista-se \u00e0 exaust\u00e3o, est\u00e1 diante de provas cruciais.<\/p>\n<p>Suas implica\u00e7\u00f5es para o presente e o futuro s\u00e3o avassaladoras. <\/p>\n<p>Elas condicionam as escolhas que o Brasil ter\u00e1 que fazer, comprometem o destino da gera\u00e7\u00e3o presente e da qualidade da cidadania futura.<\/p>\n<p>Um governo democr\u00e1tico e progressista n\u00e3o pode se acoelhar diante do extraordin\u00e1rio na hist\u00f3ria de uma na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobretudo, n\u00e3o pode privar o discernimento popular da integral compreens\u00e3o de suas implica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Transformar as escolhas do desenvolvimento em mat\u00e9ria da soberania pol\u00edtica da sociedade \u00e9 um requisito para devolver \u00e0 democracia o poder de dizer n\u00e3o ao mercado.<\/p>\n<p>Fonte: Carta Maior<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ajuste neoliberal consiste em demolir o que foi conquistado para instituir o retrocesso como limite do poss\u00edvel e a exclus\u00e3o como sin\u00f4nimo estabilidade. por: Saul Leblon Bastou a primeira semana \u00fatil de 2016 para a desordem mundial envelhecer 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