{"id":2645730,"date":"2025-10-16T18:32:23","date_gmt":"2025-10-16T17:32:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=2645730"},"modified":"2025-10-17T17:44:50","modified_gmt":"2025-10-17T16:44:50","slug":"acabou-a-ordem-internacional-e-agora-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2025\/10\/acabou-a-ordem-internacional-e-agora-brasil\/","title":{"rendered":"Acabou a ordem internacional. E agora, Brasil?"},"content":{"rendered":"<p>A oportunidade de uma nova pol\u00edtica externa brasileira diante dos escombros de Gaza<\/p>\n<p>Em entrevista a uma TV brasileira, horas ap\u00f3s o ataque ilegal e n\u00e3o provocado dos EUA \u00e0s instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas, o ex-ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores do Brasil, ex-ministro da defesa e atual assessor especial da presid\u00eancia para assuntos internacionais, <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/10\/10\/amorim-diz-que-nobel-para-corina-priorizou-politica-mas-espera-que-nao-facilite-intervencao-na-venezuela\/\">Celso Amorim<\/a>, decretou, em tom agitado, incomum para sua personalidade: \u201cAcabou a ordem internacional! Seja do ponto de vista do com\u00e9rcio, seja do ponto de vista da paz e seguran\u00e7a. Vamos ter de nos adaptar a isso, e n\u00e3o vai ser f\u00e1cil.\u201d<\/p>\n<p>Quando lan\u00e7ou essa sombria reflex\u00e3o ao vivo na TV, Amorim n\u00e3o imaginava que o Brasil seria uma das pr\u00f3ximas v\u00edtimas do \u201cfim da ordem internacional\u201d. Dias depois do criminoso ataque ao Ir\u00e3, no primeiro dia da C\u00fapula do Rio, Trump amea\u00e7ou os pa\u00edses membros do Brics com tarifas extras de 10% caso estes se envolvessem em supostas \u201ciniciativas anti-estadunidenses\u201d, sem esclarecer de que iniciativas se tratava.<\/p>\n<p>O ataque trumpista garantiu manchetes em todo o mundo para uma c\u00fapula cuja import\u00e2ncia vinha sendo questionada pela m\u00eddia corporativa ocidental, que costuma subestimar o grupo, sobretudo pela aus\u00eancia de alguns dos principais chefes de estado, como Xi Jinping, Vladimir Putin e Masoud Pezeshkian. Mas, para v\u00e1rios analistas, a amea\u00e7a da Trump foi um sinal de que os avan\u00e7os do Brics \u2013 ainda que limitados \u2013 preocupam a Casa Branca.<\/p>\n<p>Dois dias ap\u00f3s o fim da c\u00fapula, Trump voltou seu \u201ccanh\u00e3o tarif\u00e1rio\u201d para Bras\u00edlia. Apesar de os EUA terem obtido um super\u00e1vit com o Brasil de cerca de US$ 410 bilh\u00f5es nos \u00faltimos 15 anos \u2013 o que desarma o argumento recorrente de que Washington est\u00e1 impondo tarifas para reverter d\u00e9ficits comerciais \u2013, Trump imp\u00f4s tarifas de 50% sobre os produtos brasileiros.<\/p>\n<p>A esta altura, por\u00e9m, j\u00e1 est\u00e1 claro que Trump est\u00e1 usando as tarifas para atacar o presidente Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF), em um c\u00e1lculo que leva em conta as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2026. Washington tamb\u00e9m invocou a Lei Magnitsky, que prev\u00ea san\u00e7\u00f5es a indiv\u00edduos ligados ao tr\u00e1fico de drogas e terrorismo, para punir alguns membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil.<\/p>\n<p>O presidente dos EUA exp\u00f4s as principais raz\u00f5es para seu ataque ao Brasil: ele exige que Lula suspenda o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de pris\u00e3o por organizar uma tentativa de golpe de Estado em janeiro de 2023, como se a presid\u00eancia tivesse autoridade sobre o STF.<\/p>\n<p>Trump tamb\u00e9m acusa o STF de desrespeitar a \u201cliberdade de express\u00e3o\u201d de empresas e indiv\u00edduos estadunidenses, uma vez que o Judici\u00e1rio brasileiro tem buscado legitimamente regulamentar as plataformas de redes sociais. Em ambos os casos, o ministro do Supremo Alexandre de Moraes est\u00e1 liderando o processo e se tornou o maior alvo das san\u00e7\u00f5es estadunidenses. H\u00e1 tamb\u00e9m rumores de que Trump estaria buscando atingir os principais pa\u00edses do Brics para enfraquecer o grupo e estaria de olho na segunda maior reserva de terras raras do mundo, localizada no Brasil. Esses ataques teriam, portanto, o objetivo de abrir negocia\u00e7\u00f5es com o governo brasileiro sobre quest\u00f5es que ainda n\u00e3o foram divulgadas.<\/p>\n<p>Trata-se do maior ataque p\u00fablico dos EUA \u00e0 soberania brasileira, pois transcende o conflito comercial e faz uso das tarifas como arma pol\u00edtica para interfer\u00eancia nos sistemas pol\u00edtico, judici\u00e1rio e financeiro do pa\u00eds. Na pr\u00e1tica, Washington imp\u00f4s san\u00e7\u00f5es ao Brasil. Inacreditavelmente, a articula\u00e7\u00e3o de tais ataques contou com a participa\u00e7\u00e3o p\u00fablica do deputado federal Eduardo Bolsonaro \u2013 filho do ex-presidente \u2013 que fugiu para os EUA com medo de ser processado e tem se reunido com autoridades do entorno de Trump para conspirar contra o pr\u00f3prio pa\u00eds. Essa manobra estadunidense convocou a uma mudan\u00e7a de rumo da pol\u00edtica externa brasileira e obrigou o presidente Lula e o Itamaraty a reposicionarem-se diante do cen\u00e1rio geopol\u00edtico global.<\/p>\n<p><strong>Por que o Brasil ainda n\u00e3o voltou para o palco central da geopol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p>O retorno de Lula da Silva ao poder em 2023 gerou uma grande expectativa da retomada da ousadia que caracterizou sua pol\u00edtica externa nos dois primeiros mandatos. Logo ap\u00f3s ser eleito em outubro de 2022, Lula anunciou: \u201cO Brasil voltou\u201d, querendo dizer que est\u00e1vamos de volta ao jogo da pol\u00edtica global. Contudo, isso n\u00e3o vinha acontecendo at\u00e9 agora, por diversas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, vivemos um cen\u00e1rio global cada vez mais turbulento, com a escalada dos ataques ocidentais contra a China e a R\u00fassia \u2013 por meio de san\u00e7\u00f5es, guerra midi\u00e1tica e uma guerra quente \u2013, o genoc\u00eddio perpetrado pelos sionistas na Palestina, e apoiado pelos EUA, al\u00e9m de uma profunda polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Am\u00e9rica Latina e no Caribe com a ascens\u00e3o da extrema direita \u2013 fortemente conectada aos interesses de Washington. Um cen\u00e1rio muito diferente dos governos Lula e Dilma Rousseff (2003-2016).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa do terceiro mandato de Lula foi apelidada de \u201cn\u00e3o alinhamento ativo\u201d e buscava marcar uma \u201cequidist\u00e2ncia\u201d entre as duas maiores pot\u00eancias globais, EUA e China. Ela vinha se caracterizando por 1) postura defensivo-reativa e passos cautelosos, 2) incapacidade \u2013 at\u00e9 agora \u2013 de liderar uma efetiva reorganiza\u00e7\u00e3o das duas principais plataformas regionais (Unasul e Celac) que Bras\u00edlia ajudou a criar nos anos 2000, 3) uma t\u00edmida participa\u00e7\u00e3o no Brics \u2013 do qual havia sido protagonista nos primeiros anos de sua exist\u00eancia \u2013 e 4) uma dificuldade de propor parcerias estrat\u00e9gicas que trouxessem benef\u00edcios econ\u00f4micos e pol\u00edticos para o Brasil.<\/p>\n<p>A maior aposta do governo, at\u00e9 ent\u00e3o, tem sido o Acordo de Livre Com\u00e9rcio Mercosul-Uni\u00e3o Europeia, que in\u00fameros analistas s\u00e9rios no pa\u00eds \u2013 como Paulo Nogueira Batista Jr. \u2013 j\u00e1 demonstraram que beneficiar\u00e1 muito mais a ind\u00fastria europeia do que as economias do Mercosul e, sobretudo, prejudicar\u00e1 os esfor\u00e7os de reindustrializa\u00e7\u00e3o do Brasil. Em in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, o governo sempre insiste na \u201cimport\u00e2ncia geopol\u00edtica\u201d desse acordo, mas costuma se esquivar de debater seu car\u00e1ter econ\u00f4mico, no m\u00ednimo, controverso. At\u00e9 mesmo o ministro da economia, Fernando Haddad, j\u00e1 afirmou que n\u00e3o v\u00ea grandes vantagens econ\u00f4micas no acordo.<\/p>\n<p>H\u00e1 outros elementos objetivos e subjetivos que explicam a mudan\u00e7a de car\u00e1ter da pol\u00edtica externa brasileira de \u201cLula 3\u201d. Comecemos pelos subjetivos. Diferente dos mandatos anteriores de Lula e Dilma Roussef (2003-2016), nos quais o PT \u2013 inclinado \u00e0 integra\u00e7\u00e3o latino-americana e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do Brics \u2013 possu\u00eda um peso maior na dire\u00e7\u00e3o do governo, o atual mandato de Lula se constituiu como uma \u201cfrente ampla\u201d para derrotar a extrema-direita nas elei\u00e7\u00f5es de 2022, incluindo partidos de centro-direita com liga\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e prefer\u00eancias ideol\u00f3gicas pelos EUA e Europa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o presidente Lula n\u00e3o conta mais com dois brilhantes quadros de sua pol\u00edtica externa no passado: Marco Aur\u00e9lio Garcia, assessor especial de rela\u00e7\u00f5es internacionais da presid\u00eancia (mesmo cargo atual de Celso Amorim) e Samuel Pinheiro Guimar\u00e3es, ex-secret\u00e1rio-geral do Itamaraty, ambos falecidos recentemente. Marco Aur\u00e9lio tinha uma vantagem importante: n\u00e3o era um quadro do Itamaraty, ent\u00e3o podia atuar como \u201calgu\u00e9m de fora\u201d. Em situa\u00e7\u00f5es politicamente mais complexas, tinha mais autonomia para atuar. Ele foi secret\u00e1rio de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais do Partido dos Trabalhadores por muito tempo \u2013 contava com a total confian\u00e7a de Lula e Dilma \u2013 e carregava consigo uma vasta rede de rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, especialmente na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Ainda temos Celso Amorim, conhecido como ex\u00edmio negociador, um dos arquitetos da forma\u00e7\u00e3o do Brics e hoje um dos protagonistas n\u00e3o s\u00f3 da pol\u00edtica externa brasileira, mas de todo o Sul Global. No entanto, o \u201ctrio dos sonhos\u201d \u2013 comandado pelo chanceler Amorim no passado \u2013 faz falta na constru\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia do presidente Lula, e em sua opera\u00e7\u00e3o cotidiana.<\/p>\n<p>E quanto aos aspectos objetivos das mudan\u00e7as da pol\u00edtica externa de Lula 3?<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o se faz pol\u00edtica externa s\u00f3 com o gog\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>Por seu car\u00e1ter de maior pot\u00eancia regional, representando cerca de 40% da economia da regi\u00e3o, a prioridade da pol\u00edtica externa brasileira s\u00f3 pode ser a integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe. Por isso, durante os governos de Lula e Dilma, Bras\u00edlia dedicou muita energia \u00e0 articula\u00e7\u00e3o da Unasul e da CELAC, uma alternativa \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos, controlada por Washington h\u00e1 d\u00e9cadas e que serviu de instrumento legitimador de in\u00fameros golpes de estado apoiados pelos EUA. Um dos elementos que possibilitou a CELAC foi a afinidade pol\u00edtico-ideol\u00f3gica da chamada \u201conda rosa\u201d dos governos progressistas da Am\u00e9rica Latina dos anos 2000: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Venezuela, Bol\u00edvia, Equador e Cuba formaram um bloco hegem\u00f4nico, que ajudava a trazer governos mais \u00e0 direita, como Chile, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico.<\/p>\n<p>Mas pol\u00edtica externa n\u00e3o se faz s\u00f3 com discursos e afinidades ideol\u00f3gicas, \u00e9 preciso materialidade. Por isso, o Brasil contribuiu com recursos significativos para a pol\u00edtica de integra\u00e7\u00e3o latino-americana e caribenha. Fomos respons\u00e1veis por uma esp\u00e9cie de \u201cmini Nova Rota da Seda avant la lettre\u201d, com uma metodologia similar \u00e0quela que a China viria a executar de forma t\u00e3o bem-sucedida anos depois (com cem vez mais recursos). Ou seja, tratava-se de uma pol\u00edtica externa extremamente inovadora no Sul Global.<\/p>\n<p>Por um lado, entre 2007 e 2015, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) foi respons\u00e1vel por mais de US$ 10 bilh\u00f5es em financiamentos de projetos de infraestrutura em in\u00fameros pa\u00edses da regi\u00e3o (Argentina, Venezuela, Peru, Uruguai, Rep\u00fablica Dominicana, Equador, Cuba, Guatemala, M\u00e9xico, Paraguai, Honduras, Costa Rica) \u2014 al\u00e9m de Angola, Gana e Mo\u00e7ambique. Por outro lado, portos, ferrovias, aeroportos, estradas, gasodutos, metr\u00f4s, eram todos constru\u00eddos pelas grandes construtoras brasileiras. Dessa forma, o Brasil n\u00e3o apenas pregava a integra\u00e7\u00e3o, mas a praticava, melhorando a infraestrutura da regi\u00e3o, ao mesmo tempo em que acumulava capital pol\u00edtico e garantia lucros para suas empresas.<\/p>\n<p>Mas foram justamente essas construtoras \u2013 al\u00e9m da Petrobr\u00e1s, a maior estatal brasileira \u2013 os maiores alvos da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, que investigou casos de corrup\u00e7\u00e3o e causou um terremoto pol\u00edtico no Brasil, resultando na pris\u00e3o de in\u00fameros pol\u00edticos e empres\u00e1rios, criando as condi\u00e7\u00f5es para o golpe parlamentar da presidenta Dilma Rousseff e a pris\u00e3o do presidente Lula e sua exclus\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es de 2018, para a qual era favorito. Sob pretexto do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o \u2014 o que ningu\u00e9m pode ser contra \u2014, e articulada com a grande m\u00eddia corporativa, a Lava Jato, ao inv\u00e9s de somente punir os diretores e donos das mega construtoras brasileiras, resolveu destruir aquelas empresas que eram instrumentos estrat\u00e9gicos tanto para a economia brasileira, como para sua pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Passado o tsunami pol\u00edtico, e com in\u00fameras investiga\u00e7\u00f5es ainda em andamento, hoje \u00e9 plenamente documentado que a Lava Jato \u2014 sob lideran\u00e7a do ent\u00e3o juiz e hoje senador S\u00e9rgio Moro \u2014 foi um instrumento de lawfare, que contou com a dire\u00e7\u00e3o e apoio do FBI e do Departamento de Justi\u00e7a dos EUA, atendendo aos interesses imperialistas de Washington.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa brasileira, \u201caltiva e ativa\u201d, que come\u00e7ava a elevar o Brasil a uma in\u00e9dita lideran\u00e7a na regi\u00e3o, e o projetava globalmente como protagonista da ascens\u00e3o do Sul Global, desagradou profundamente \u00e0 Casa Branca, que v\u00ea a regi\u00e3o como seu quintal. Se, por um lado, as construtoras brasileiras, que j\u00e1 ganhavam a concorr\u00eancia com seus pares estadunidenses, foram destru\u00eddas, por outro, o BNDES precisava ser neutralizado. Quando assumiu a presid\u00eancia ap\u00f3s o golpe contra Dilma, o vice-presidente Michel Temer enviou projeto para o Congresso Nacional proibindo o BNDES de financiar projetos no exterior. Ficava assim inviabilizada, juridicamente, a continuidade da \u201cmini Nova Rota da Seda\u201d brasileira, dando adeus \u00e0 materialidade da pol\u00edtica externa de Lula e Dilma.<\/p>\n<p>Fomos alvo de uma das maiores opera\u00e7\u00f5es de guerra h\u00edbrida da hist\u00f3ria, operada pelo governo Obama-Biden, que nos custou muito caro, econ\u00f4mica e politicamente. Na pol\u00edtica, abriu espa\u00e7o para a ascens\u00e3o da extrema-direita e a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro em 2018, absolutamente subserviente aos interesses de Washington, simbolizado na famosa cena em que o ex-presidente bateu contin\u00eancia para a bandeira estadunidense. Bolsonaro devastou o estado brasileiro com sua pol\u00edtica hiper neoliberal e o Brasil se tornou um an\u00e3o na pol\u00edtica externa. Para Washington, miss\u00e3o cumprida. Mas note-se que levou anos \u2013 e o hackeamento de uma conta de Telegram do chefe dos procuradores da Lava-Jato \u2013 para que se tornasse evidente o envolvimento dos EUA na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. Nesse sentido, a pol\u00edtica externa democrata Neocon se mostrou sofisticada e eficiente, ao contr\u00e1rio da atual estrat\u00e9gia trumpista, que n\u00e3o disfar\u00e7a sua voca\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p><strong>O tiro no p\u00e9 de Trump e a virada da pol\u00edtica externa brasileira<\/strong><\/p>\n<p>A recente ofensiva de Trump contra o Brasil mudou completamente as pe\u00e7as do tabuleiro brasileiro. A defesa da soberania nacional \u2014 e das institui\u00e7\u00f5es brasileiras \u2014 virou um ponto de honra para o governo e Lula passou a apostar em discursos quase cotidianos de enfrentamento \u00e0s agress\u00f5es estadunidenses. Em um dos seus discursos mais contundentes, disse que \u201cTrump foi eleito para ser presidente dos EUA, ele n\u00e3o foi eleito para ser imperador do mundo\u201d. Poucas coisas deixam Lula mais \u00e0 vontade politicamente do que um advers\u00e1rio para confrontar. Desde ent\u00e3o, sua popularidade, que vinha caindo lentamente, voltou a subir, no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Foi capa do New York Times, como \u201co homem que est\u00e1 enfrentando Donald Trump\u201d. Bras\u00edlia, que vinha tentando manter uma certa \u201cequidist\u00e2ncia\u201d entre EUA e China, e preferia n\u00e3o apostar tantas fichas no Brics como no passado, passou a ter uma postura muito mais proativa e reaproximou-se do grupo que ajudou a fundar em 2009. O Brics parece estar voltando a ser prioridade do governo de novo. Lula fez in\u00fameros telefonemas a Xi, Putin e Modi e articulou uma rara c\u00fapula online do grupo para discutirem respostas aos ataques da Casa Branca.<\/p>\n<p>Apesar das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras para os EUA s\u00f3 representarem hoje 12% do nosso com\u00e9rcio internacional, eles s\u00e3o ainda o maior destino de nossas manufaturas e nossa maior fonte de Investimento Estrangeiro Direto, com quase 30% do estoque total de investimentos. Trump diminuiu de 50% a 10% as tarifas de cerca de 700 produtos, incluindo suco de laranja, celulose, fertilizantes, aeronaves e suas pe\u00e7as (da Embraer) e produtos metal\u00fargicos intermedi\u00e1rios. Segundo estimativas do governo, apenas cerca de 36% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras ser\u00e3o afetadas pela tarifa m\u00e1xima. Por um lado, Bras\u00edlia mant\u00e9m a linha de propor negocia\u00e7\u00f5es com Washington.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a \u201cqu\u00edmica\u201d do breve encontro de Lula e Trump na ONU, seguido de in\u00fameras negocia\u00e7\u00f5es de bastidores, em canais formais e informais, o presidente estadunidense parece ter recuado e deve se reunir com Lula em breve. Na disputa interna em Washington, o pragm\u00e1tico homem de neg\u00f3cios que tem a confian\u00e7a de Trump, Richard Gellner, parece ter ganhado temporariamente a queda de bra\u00e7o com o truculento secret\u00e1rio de estado Marco Rubio, que v\u00ea Lula como um advers\u00e1rio ideol\u00f3gico. Por outro lado, a ordem agora \u00e9 acelerar a diversifica\u00e7\u00e3o das parcerias econ\u00f4micas, para diminuir a influ\u00eancia dos EUA. Como disse Celso Amorim recentemente, \u201ca diversifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o novo nome da independ\u00eancia\u201d. O Brasil aumentou suas exporta\u00e7\u00f5es para a China e busca se aproximar de outros parceiros do Brics.<\/p>\n<p>No final de outubro, Lula deve fazer uma in\u00e9dita visita de estado \u00e0 Indon\u00e9sia e, em seguida, participar, pela primeira vez, da C\u00fapula da ASEAN, na Mal\u00e1sia. Ali\u00e1s, l\u00e1 pode acontecer a reuni\u00e3o com Trump. Segundo uma fonte, que testemunhou a visita de estado do presidente indon\u00e9sio Prabowo Subianto dois dias ap\u00f3s a C\u00fapula do Rio de Janeiro, houve um \u201cmatch\u201d entre ambos e a parceria entre a s\u00e9tima e a oitava maiores economias do mundo (pela paridade do poder de compra) poderia deslanchar ap\u00f3s essa visita. Nas \u00faltimas semanas, o Brasil tamb\u00e9m anunciou importantes acordos econ\u00f4micos com o M\u00e9xico, fruto de uma visita de v\u00e1rios ministros liderados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin \u00e0 segunda maior economia da regi\u00e3o, que tamb\u00e9m vem sofrendo ataques dos EUA. Lula tamb\u00e9m foi convidado \u00e0 \u00cdndia e deve visitar Narendra Modi em fevereiro, mercado uma aproxima\u00e7\u00e3o in\u00e9dita com Nova Delhi \u2013 a quem cabe a presid\u00eancia do Brics no ano que vem. Ali\u00e1s, somente a \u00cdndia recebeu tarifas (ou san\u00e7\u00f5es) e ataques p\u00fablicos de autoridades estadunidenses t\u00e3o agressivos quantos os do Brasil, por comprar petr\u00f3leo russo (algo que a UE, a China e a Turquia tamb\u00e9m fazem, sem, no entanto, serem punidas pela Casa Branca). O rapprochement entre Nova Delhi e Pequim foi, at\u00e9 agora, a mais relevante consequ\u00eancia dos ataques estadunidenses ao seu hist\u00f3rico parceiro sul-asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>Na din\u00e2mica atual da disputa geopol\u00edtica cada vez mais acirrada, quando Trump parte para o ataque a outros pa\u00edses, ele enfraquece os setores da elite local aliados aos EUA e fortalece os setores cujos interesses se ligam \u00e0 China, \u00e0 R\u00fassia, ou ao Brics. Trata-se de um movimento semelhante ao ocorrido na China (desde 2017) e na R\u00fassia (desde 2014 e, mais ainda, desde 2022), no qual setores locais pr\u00f3-Ocidente se viram enfraquecidos gra\u00e7as \u00e0s agress\u00f5es estadunidenses. Por isso, quando Trump iniciou a \u201cGuerra Comercial\u201d e inaugurou as primeiras san\u00e7\u00f5es contra o setor de alta tecnologia do pa\u00eds asi\u00e1tico (Huawei e ZTE) em seu primeiro mandato, ele ganhou um apelido na China.<\/p>\n<p>Tal ofensiva mostrou ao governo e ao povo chin\u00eas que os EUA deixavam de ser um parceiro confi\u00e1vel, come\u00e7avam a se tornar um advers\u00e1rio e que, portanto, era preciso acelerar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico do pa\u00eds, que n\u00e3o poderia mais depender de produtos de alta tecnologia de empresas estadunidenses, como os chips, por exemplo. Os chineses passaram a cham\u00e1-lo de Chuan Ji\u00e0n Gu\u00f3. Chuan \u00e9 a pron\u00fancia chinesa para Trump, Ji\u00e0n significa \u201cconstrutor\u201d e Gu\u00f3 \u00e9 \u201cna\u00e7\u00e3o\u201d. Ou seja, \u201cTrump, construtor da na\u00e7\u00e3o\u201d\u2026chinesa!<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os ataques atuais do presidente dos EUA ajudar\u00e3o a construir a na\u00e7\u00e3o brasileira, ou mesmo o Brics? Como dizia uma frase atribu\u00edda a Napole\u00e3o, \u201cn\u00e3o se deve interromper um inimigo quando ele est\u00e1 cometendo um erro\u201d. Por\u00e9m, os desafios do Brasil para a retomada de uma pol\u00edtica externa \u201caltiva e ativa\u201d ainda s\u00e3o enormes, conforme mencionado acima. Por exemplo, seria necess\u00e1rio reconstruir nossa capacidade de financiar e construir projetos de infraestrutura na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. Com tamanha polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na regi\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica ter\u00e1 um papel ainda mais importante, e talvez seja a \u00fanica forma realista de retomar o fio hist\u00f3rico interrompido da integra\u00e7\u00e3o regional.<\/p>\n<p>O presidente Lula j\u00e1 enviou um projeto de lei ao Congresso para que o BNDES possa retomar o financiamento de projetos no exterior. No entanto, as outrora poderosas construtoras brasileiras ainda n\u00e3o se recuperaram e agora ter\u00e3o que competir com suas contrapartes chinesas. Acima de tudo, nos falta um projeto nacional popular, capaz de selar um pacto estrat\u00e9gico entre setores da elite interessados na reindustrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e setores populares, mediados por um estado que seja capaz de liderar um projeto de desenvolvimento soberano.<\/p>\n<p>Ao fim e ao cabo, independente do resultado das eventuais negocia\u00e7\u00f5es entre Brasil e EUA, o poderoso discurso do presidente Lula na <a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/09\/23\/acompanhe-lula-e-o-primeiro-a-discursar-na-80a-assembleia-geral-da-onu\/\">80\u00b0 Assembleia Geral da ONU<\/a> fez ecoar no mundo inteiro uma frase perturbadora: \u201cAli (em Gaza), sob toneladas de escombros, est\u00e3o enterradas dezenas de milhares de mulheres e crian\u00e7as inocentes.\u00a0Ali tamb\u00e9m est\u00e3o sepultados o Direito Internacional Humanit\u00e1rio e o mito da superioridade \u00e9tica do Ocidente\u201d. Que pol\u00edtica externa brasileira (e do Sul Global) vai surgir diante dessa verdade irrefut\u00e1vel? Essa talvez seja a pergunta geopol\u00edtica mais importante do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>*Marco Fernandes \u00e9 membro do Conselho Popular do Brics, analista geopol\u00edtico do Brasil de Fato, editor da revista Wenhua Zongheng Internacional. Mora em Moscou.<\/p>\n<p>Publica\u00e7\u00e3o conjunta entre o Valdai Club e o Brasil de Fato<\/p>\n<blockquote><p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A oportunidade de uma nova pol\u00edtica externa brasileira diante dos escombros de Gaza Em entrevista a uma TV brasileira, horas ap\u00f3s o ataque ilegal e n\u00e3o provocado dos EUA \u00e0s instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas, o ex-ministro das rela\u00e7\u00f5es exteriores do Brasil,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":44,"featured_media":2645731,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,165,111],"tags":[2744,107038],"class_list":["post-2645730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-opiniao","category-politica-pt-pt","tag-brasil","tag-luis-ignacio-da-silva-pt-pt"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Acabou a ordem internacional. 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