{"id":2595975,"date":"2025-04-07T21:26:27","date_gmt":"2025-04-07T20:26:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=2595975"},"modified":"2025-04-07T21:26:27","modified_gmt":"2025-04-07T20:26:27","slug":"ainda-estou-aqui-nao-e-apenas-um-filme-e-um-hino-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2025\/04\/ainda-estou-aqui-nao-e-apenas-um-filme-e-um-hino-a-democracia\/","title":{"rendered":"&#8220;Ainda estou aqui&#8221; n\u00e3o \u00e9 apenas um filme, \u00e9 um hino \u00e0 democracia"},"content":{"rendered":"<p>De domingo 3 de mar\u00e7o para segunda feira n\u00e3o dormi para acompanhar a cerim\u00f4nia de entrega do Pr\u00eamio \u00d3scar. Nada f\u00e1cil foi aguentar o esbanjo do luxo, a frivolidade do mundo de celuloide, a idiotice do apresentador, as afirma\u00e7\u00f5es banais dos comentaristas italianos. A raz\u00e3o que me levou a assistir a um evento t\u00e3o f\u00fatil foi o desejo de ver como o filme <em>Ainda estou aqui<\/em> seria recebido e julgado. Quando come\u00e7aram a circular not\u00edcias sobre o longa-metragem, a chamar minha aten\u00e7\u00e3o foi o fato que \u00e9 baseado na vida da advogada Eunice Paiva. Eu n\u00e3o a conheci pessoalmente, mas seu nome est\u00e1 indissoluvelmente ligado \u00e0 luta dos ind\u00edgenas brasileiros pela defesa de seus direitos. De imediato, o envolvimento dela e meu na mesma causa, suscitou o desejo de assistir ao filme.<\/p>\n<p>Nos anos noventa, eu li o livro <em>Ua:brari<\/em>, de Marcelo Rubens Paiva. Gostei tanto que traduzi um trecho para o italiano e o inseri no livro de contos <em>Amazzonia portatile<\/em>, publicado em 2003. Por\u00e9m, s\u00f3 em agosto de 2015, navegando pela Internet, soube que Marcelo ficou tetrapl\u00e9gico aos vinte anos de idade ap\u00f3s saltar de uma pedra em um lago raso; que o pai foi sequestrado, torturado e morto por militares em 1971; que \u00e9 filho da advogada Eunice. A estreia de <em>Ainda estou aqui<\/em> aconteceu no Festival de Veneza, no primeiro dia de setembro de 2024, tendo sido aplaudido por dez minutos consecutivos pelo p\u00fablico, que tamb\u00e9m aclamou \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da atriz Fernanda Torres. No p\u00f4ster utilizado em Veneza aparece Marcelo Paiva, assim soube que \u00e9 o autor do livro que inspirou o filme. De imediato, a not\u00edcia se tornou uma raz\u00e3o a mais para eu querer assistir ao longa. Em novembro de 2024, de Boa Vista viajei para Bras\u00edlia, tendo uma ideia fixa e clara na cabe\u00e7a: a primeira coisa que por l\u00e1 faria seria ir ao cinema.<\/p>\n<p>Qualquer que seja o evento do qual participo, sempre gosto de chegar com anteced\u00eancia. Esperando a sala cinematogr\u00e1fica abrir, passei um tempinho batendo autorretratos na frente do manifesto de <em>Ainda estou aqui<\/em>, almejando que pelo menos um prestasse. A primeira vez que se assiste a um filme, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel captar todas suas nuances, suas mensagens subliminares.<\/p>\n<blockquote><p>Durante a proje\u00e7\u00e3o, aquilo que mais chamou minha aten\u00e7\u00e3o foi que n\u00e3o aparecem militares, armas, torturas. A cruenta ditadura brasileira, entre as mais longas da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 denunciada atrav\u00e9s da ang\u00fastia do grupo familiar retratado; os horrores perpetrados na \u00e9poca s\u00e3o enunciados atrav\u00e9s do sil\u00eancio, do extravio existencial, do sofrimento, das dificuldades enfrentadas pelos componentes de uma fam\u00edlia que era muito unida, muito alegre, muito hospitaleira.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ap\u00f3s ter assistido ao filme comecei a divulga-lo sistematicamente. Nunca me conformei ao fato que no Brasil jamais houve julgamento e puni\u00e7\u00e3o das pessoas que cometeram crimes durante a ditadura. A\u00a0Lei da Anistia, denomina\u00e7\u00e3o popular dada \u00e0 Lei n\u00b0 6.683, foi sancionada pelo ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Batista Figueiredo em 28 de agosto de 1979, quando ainda vigia a ditadura militar. Entre os beneficiados da anistia estavam o soci\u00f3logo Herbert Jos\u00e9 de Souza (o Betinho), o jornalista Fernando Gabeira, os intelectuais Darcy Ribeiro e Paulo Freire, os governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes, o ex-vereador Ant\u00f4nio Losada.\u00a0Essa mesma lei, por\u00e9m, concedeu perd\u00e3o tamb\u00e9m a todos os envolvidos em \u201ccrimes pol\u00edticos ou conexos\u201d, incluindo agentes da repress\u00e3o que realizaram torturas, assassinatos e desaparecimentos de corpos de presos pol\u00edticos at\u00e9 1979. A lei vigora ainda e isso significa que a brecha da impunidade continua aberta para quem conspira contra a democracia. A reda\u00e7\u00e3o original do Projeto de Lei n\u00b0 14 de 1979-CN \u00e9 a seguinte:<\/p>\n<p>\u201cArt. 1\u00ba \u00c9 concedida anistia a todos quantos, no per\u00edodo compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes pol\u00edticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos pol\u00edticos suspensos e aos servidores da Administra\u00e7\u00e3o Direta e Indireta, de funda\u00e7\u00f5es vinculadas ao poder p\u00fablico, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judici\u00e1rio, aos militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares e outros diplomas legais.\u201d<\/p>\n<p>O trecho final, onde se l\u00ea \u201ce outros diplomas legais\u201d, foi vetado por orienta\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o presidente Jo\u00e3o Batista Figueiredo em mensagem apresentada \u00e0 sess\u00e3o conjunta do congresso nacional em 22 de agosto de 1979.<\/p>\n<p>O\u00a0impeachment\u00a0de Dilma Rousseff, durante seu segundo mandato como presidente da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, foi um golpe, sim. O processo foi jur\u00eddico, pol\u00edtico e sobretudo midi\u00e1tico. O Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o decidiu que Dilma \u00e9 inocente da acusa\u00e7\u00e3o que teria praticado \u201cpedaladas fiscais\u201d; acusa\u00e7\u00e3o farta e falsamente utilizada por deputados e senadores para a cassa\u00e7\u00e3o de seu mandato no processo de impeachment de 2016. O impeachment abriu caminho para a extrema direita que, em 2018, elegeu presidente o Bostanaro, um ser ign\u00f3bil do qual me recuso at\u00e9 de escrever o nome. Como bosta em portugu\u00eas significa merda, modificando seu verdadeiro nome eu o chamo Bostanaro. Este energ\u00fameno nega que teve ditadura no Brasil e seus her\u00f3is s\u00e3o hediondos ditadores latino-americanos; ele levou sua campanha eleitoral se exibindo no obsceno gesto de apontar a m\u00e3o como fosse um revolver; vomitou palavr\u00f5es contra mulheres, homossexuais, negros, \u00edndios; nos minist\u00e9rios colocou seres ignorantes, obtusos, retr\u00f3grados; como presidente da rep\u00fablica falou a toa ofendendo mulheres de presidentes de outros Pa\u00edses e filhos de personalidades assassinadas durante as ditaduras militares latino-americanas. Seus discursos de \u00f3dio, naturalmente, incentivaram a viol\u00eancia contra as minorias sobre citadas, especialmente contra os ind\u00edgenas que t\u00eam preservado intacta a floresta amaz\u00f4nica at\u00e9 os nossos dias. Ele \u00e9 capit\u00e3o do Exercito, seu vice foi o general Ant\u00f4nio Hamilton Martins Mour\u00e3o, sete de seus ministros eram militares, dois dos quais trabalharam diretamente com ele. Acerca de cem pessoas provenientes das For\u00e7as Armadas ocuparam cadeiras no segundo e terceiro escal\u00e3o de minist\u00e9rios e \u00f3rg\u00e3os federais.<\/p>\n<p>Em 2022 Bostanaro n\u00e3o foi reeleito. Enquanto escrevo, est\u00e1 sendo julgado pela tentativa de golpe ocorrida no dia 8 de janeiro de 2023; com ele est\u00e3o sendo julgados seus aliados e os alucinados seguidores respons\u00e1veis por atos terroristas e depredat\u00f3rios de bens p\u00fablicos. Sabem qual \u00e9 a palavra-chave com a qual estes safados tentam se subtrair \u00e0 justi\u00e7a? Anistia.<\/p>\n<blockquote><p>O filme <em>Ainda estou aqui <\/em>desencadeou uma potente reflex\u00e3o sobre ditadura, tortura, desaparecimento de corpos, impunidade dos respons\u00e1veis. O perigo de novos golpes continuar\u00e1 sendo real se a verdade n\u00e3o for gritada, se a mem\u00f3ria n\u00e3o for resgatada, se os culpados n\u00e3o forem punidos, se a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o for educada e informada.\u00a0 Divulgando o filme, eu quis chamar a aten\u00e7\u00e3o sobre a impunidade de torturadores e assassinos, sobre a vergonhosa lei que os ampara; quis chamar a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica sobre os riscos que a democracia corre ainda em nossos dias; quis fazer minha parte para contribuir na sensibiliza\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p><\/blockquote>\n<p>A intensa atividade de promo\u00e7\u00e3o do filme, incansavelmente levada pelos atores principais e pelo diretor, contribuiu para dar visibilidade \u00e0 obra, que ganhou pr\u00eamios e reconhecimentos no mundo inteiro. Mas foi a maci\u00e7a, apaixonada divulga\u00e7\u00e3o feita pelo p\u00fablico que levou a obra \u00e0s indica\u00e7\u00f5es ao Pr\u00eamio \u00d3scar: Fernanda Torres, j\u00e1 agraciada com o Globo de Ouro, foi indicada como Melhor Atriz, enquanto que o longa concorreu como Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Duvido mesmo que o filme teria sido levado em considera\u00e7\u00e3o dependendo apenas dos gringos; avaliei tamb\u00e9m que os caub\u00f3is n\u00e3o deixariam levar dois \u00d3scar. Portanto, eu torci para que a ganhar n\u00e3o fosse apenas o brilho de uma atriz, mas fosse o filme como um todo, com seu conte\u00fado, hist\u00f3ria, mensagens; isso at\u00e9 porque o verdadeiro brilho \u00e9 aquele espalhado pela resili\u00eancia e ativismo de Eunice Paiva, a verdadeira protagonista do filme. Quando anunciaram que <em>Ainda estou aqui<\/em> ganhou o \u00d3scar como Melhor Filme Internacional, eu me surpreendi com minhas pr\u00f3prias rea\u00e7\u00f5es, me vendo pular de alegria e sentindo o cora\u00e7\u00e3o acelerar pela emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Sempre pensei que arte e poesia s\u00e3o mais eficazes de ci\u00eancia e pol\u00edtica: o filme de Walter Salles conseguiu aquilo que os pol\u00edticos de v\u00e1rios partidos n\u00e3o souberam, n\u00e3o quiseram fazer at\u00e9 hoje: questionar a impunidade e a indec\u00eancia da Lei da Anistia atrav\u00e9s de um amplo debate popular.<\/p><\/blockquote>\n<p>Rubens Beyrodt Paiva (Santos, 26-12-29\/Rio de Janeiro, entre 20 e 22-01-71) era formado em engenharia. Em 1962 foi eleito deputado federal pelo PTB \u2013 Partido Trabalhista Brasileiro.\u00a0 Ap\u00f3s o golpe de 1964, foi cassado pelo Ato Institucional N\u00famero Um e se auto-exiliou. Ao retornar ao Brasil, voltou a exercer a engenharia, mas manteve contato com exilados. Em v\u00e3o ele se op\u00f4s \u00e0 ditadura. Em janeiro de 1971 foi sequestrado. Sequestraram tamb\u00e9m a filha Eliana, que ficou presa por vinte e quatro horas, e a esposa Eunice, que foi submetida a interrogat\u00f3rios durante doze dias. Rubens foi torturado e assassinado nos por\u00f5es do DOI-CODI \u2013 Destacamento de Opera\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00f5es &#8211; Centro de Opera\u00e7\u00f5es de Defesa Interna; seu corpo foi enterrado e desenterrado diversas vezes por agentes da repress\u00e3o e enfim foi jogado ao mar, na costa do Rio de Janeiro, dois anos ap\u00f3s o assassinato.<\/p>\n<p>Rubens era casado com Eunice Facciolla, filha de migrantes italianos que no final de 1800 deixaram a cidade de Polignano a Mare, beijada pelo mar Adri\u00e1tico, para se mudar no Brasil. Com o desaparecimento do esposo e com cinco filhos dos quais cuidar, Eunice precisou se reinventar. Do Rio de Janeiro a fam\u00edlia se mudou de volta para S\u00e3o Paulo. Em 1973, Eunice Paiva ingressou na Universidade Mackenzie e iniciou o curso de direito, formando-se aos quarenta e seis anos. Incansavelmente atuou na busca por informa\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro de seu marido e pelo reconhecimento da responsabilidade do Estado na morte dele. Ela liderou campanhas pela abertura de arquivos sobre v\u00edtimas do regime militar e tornou-se s\u00edmbolo da luta contra a ditadura.\u00a0 Com sua milit\u00e2ncia e cr\u00edtica ao regime ditatorial arriscou sua pr\u00f3pria vida, como mostraram os documentos do SNI \u2013\u00a0Servi\u00e7o Nacional de Intelig\u00eancia que vieram a p\u00fablico em 2013; documentos que revelaram, por exemplo, que tanto ela quanto os filhos foram vigiados por agentes militares de 1971 at\u00e9 1984. A for\u00e7a de press\u00e3o canalizada por Eunice Paiva, culminou com a promulga\u00e7\u00e3o da Lei n\u00b0 9.140\/95, que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas em raz\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o em atividades pol\u00edticas durante a ditadura. Eunice foi a \u00fanica parente de desaparecido convidada a assistir \u00e0 solenidade em que o ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso\u00a0assinou a lei. \u00a0Depois de vinte e cinco anos de luta por verdade, mem\u00f3ria e justi\u00e7a, em fevereiro de 1996 Eunice recebeu a certid\u00e3o de \u00f3bito do marido Rubens Paiva.<\/p>\n<blockquote><p>No filme n\u00e3o foi contemplada a atua\u00e7\u00e3o da advogada Eunice em prol das etnias brasileiras, e esta \u00e9 mais uma raz\u00e3o que me levou a escrever o presente texto. \u00a0Durante a ditadura, o governo militar perseguiu ind\u00edgenas, expulsou milhares de suas terras, colocou centenas em campos de trabalho for\u00e7ado e pris\u00f5es. Em meio \u00e0 angustiante dor da perda do marido, Eunice Paiva estudou direito e se especializou na defesa jur\u00eddica dos povos ind\u00edgenas. Enquanto buscava respostas para o desaparecimento do esposo, colaborou intensamente com a luta de l\u00edderes ind\u00edgenas, assinando pareceres judiciais, buscando indeniza\u00e7\u00f5es e demarca\u00e7\u00f5es de terras, publicando artigos e livros que contribu\u00edram para as discuss\u00f5es em torno do direito dos povos ind\u00edgenas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Eunice foi ganhando cada vez mais notoriedade por conta da sua seriedade e comprometimento. Dedicou-se \u00e0 causa ind\u00edgena atuando contra a viol\u00eancia e expropria\u00e7\u00e3o indevidas de terras. Em outubro de 1983, com a antrop\u00f3loga Manuela Carneiro da Cunha, assinou o artigo &#8220;Defendam os patax\u00f3s&#8221;, que foi publicado na se\u00e7\u00e3o &#8220;Tend\u00eancias e Debates&#8221; da Folha; o artigo foi um marco na luta ind\u00edgena e serviu de modelo para outros povos, inclusive africanos, americanos e esquim\u00f3s. \u00a0Indicada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia, Eunice atuou como perita na a\u00e7\u00e3o judicial da FUNAI na demarca\u00e7\u00e3o da Terra Ind\u00edgena Krikati. Comentando uma foto de 1985, nestes dias um l\u00edder Krikati escreveu: &#8230;..Somos gratos por ter tido ela como advogada em defesa de nosso territ\u00f3rio.\u201d Em 1986, quando Eunice chegou ao caso Zor\u00f3, fazia um ano que a ditadura havia acabado, mas o desmatamento seguia a pleno vapor. Ela elaborou um parecer jur\u00eddico analisando os argumentos favor\u00e1veis ao reconhecimento da \u00e1rea Zor\u00f3 como terra ind\u00edgena. Finalizando o documento, foi categ\u00f3rica: &#8220;Nada impede a demarca\u00e7\u00e3o da \u00c1rea Ind\u00edgena Zor\u00f3. Os direitos dos \u00edndios \u00e0 posse de suas terras s\u00e3o direitos indispon\u00edveis e que n\u00e3o podem ser negociados, inexistindo qualquer impugna\u00e7\u00e3o v\u00e1lida capaz de anular, restringir, extinguir ou modificar os direitos da comunidade Zor\u00f3 sobre a terra que \u00e9 o seu &#8216;habitat&#8217; natural&#8221;. O parecer da advogada Eunice ajudou a evitar a extin\u00e7\u00e3o deste povo. Em 1987, com outros parceiros, ela fundou o IAMA \u2013 Instituto de Antropologia e Meio Ambiente, ONG que atuou at\u00e9 2001 na defesa e autonomia dos povos ind\u00edgenas. Em 1988, foi consultora da Assembleia Nacional Constituinte, que escreveu a Constitui\u00e7\u00e3o Federal onde artigos importantes asseguram direitos territoriais e culturais aos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<h3>\u00c1guas de mar\u00e7o<\/h3>\n<p>Antes de fechar este texto, o Supremo Tribunal Federal tornou o ex-presidente Bostanaro e um grupo de militares de alta patente r\u00e9us por tentativa do golpe de Estado ocorrido em 8 de janeiro de 2023. \u00a0Pela primeira vez no Brasil, militares s\u00e3o julgados por um tribunal civil. \u00a0Eunice Paiva, a advogada que lutou para o Brasil n\u00e3o perder a mem\u00f3ria, morreu em S\u00e3o Paulo no dia 13 de dezembro de 2018, aos 89 anos, depois de quinze anos vivendo com Alzheimer. Hoje, dia 30 de mar\u00e7o, em v\u00e1rias cidades, o povo foi manifestar nas ruas exigindo que n\u00e3o seja concedida anistia aos golpistas e que sejam devidamente punidos. A hist\u00f3ria da advogada Eunice Paiva foi honrada, a mem\u00f3ria hist\u00f3rica do Brasil resgatada, o que n\u00e3o pode parar \u00e9 o comprometimento de cada um de n\u00f3s na manuten\u00e7\u00e3o da democracia e na conscientiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p><em>Eunice Paiva: uma Ant\u00edgona brasileira na defesa dos direitos humanos para al\u00e9m da\u00a0finda-linha<\/em>, Mariana Rodrigues Festucci Ferreira, <a href=\"http:\/\/analytics.scielo.org\/?journal=2316-5197&amp;collection=psi\">SciELO Analytics<\/a>, <a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_serial&amp;pid=2316-5197&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\">Analytica: Revista de Psican\u00e1lise<\/a>, vers\u00e3o\u00a0On-line\u00a0ISSN 2316-5197, Analytica\u00a0vol.7\u00a0no.12\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei\u00a0jan.\/jun.\u00a02018.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2316-51972018000100003\">http:\/\/pepsic.bvsalud.org\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2316-51972018000100003<\/a><\/p>\n<p><em>Nome e sobrenome de quem destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia<\/em>, Loretta Emiri, janeiro de 2022.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/10xQZlgO6d3lLdH-UdpvEC3_MSkGwLGBK\/view\">https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/10xQZlgO6d3lLdH-UdpvEC3_MSkGwLGBK\/view<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De domingo 3 de mar\u00e7o para segunda feira n\u00e3o dormi para acompanhar a cerim\u00f4nia de entrega do Pr\u00eamio \u00d3scar. 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