{"id":2593797,"date":"2025-03-30T11:29:26","date_gmt":"2025-03-30T10:29:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=2593797"},"modified":"2025-03-30T11:31:50","modified_gmt":"2025-03-30T10:31:50","slug":"podera-uma-outra-globalizacao-nos-livrar-do-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2025\/03\/podera-uma-outra-globalizacao-nos-livrar-do-capitalismo\/","title":{"rendered":"Poder\u00e1 uma outra globaliza\u00e7\u00e3o nos livrar do capitalismo?"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mb-30\">\n<h4><span style=\"font-size: 16px;\">Em crise profunda, os neoliberais contorcem-se, mordem o pr\u00f3prio rabo e adotam um protecionismo tacanho. Nos EUA, os magnatas j\u00e1 exercem o poder diretamente. Mas, em seu impulso de integra\u00e7\u00e3o, talvez a humanidade j\u00e1 tenha encontrado uma alternativa&#8230;<\/span><\/h4>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12 mb-30 \">\n<div class=\"post-info\">\n<div class=\"first-line img-item\">\n<div class=\"channel\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"author\">por\u00a0<a title=\"Posts de Paulo Fleury Teixeira\" href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/paulofleury\/\" rel=\"author\">Paulo Fleury Teixeira<\/a> (*) em <strong class=\"text-outraspalavras\">Outras<\/strong>Palavras<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>1. Os bilion\u00e1rios no poder nos EUA e o sentido desta mudan\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p>No curso da grande crise econ\u00f4mica em que estamos mergulhados, era previsto que a ideologia liberal se radicalizasse em sua origem e condi\u00e7\u00e3o de classe, e que redobrasse suas apostas na concentra\u00e7\u00e3o de riqueza nas m\u00e3os dos capitalistas, em detrimento da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora em geral. A ideologia, neste momento, apela ainda mais para \u201co esp\u00edrito animal\u201d do empres\u00e1rio, aumentando a ideia de valor e poder dos l\u00edderes empresariais vitoriosos na competi\u00e7\u00e3o do mercado. Nada pode ter mais valor ideol\u00f3gico para o capitalismo do que a vis\u00e3o do vitorioso, os l\u00edderes empresariais, vistos como condutores natos da produ\u00e7\u00e3o e, portanto, da vida social. Isso parece natural, no sentido de que, seja como for, tiveram o suposto m\u00e9rito de vencer no cen\u00e1rio da mais intensa competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem muitas raz\u00f5es para que seja assim. Estamos em processo de socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da vida social como um todo. Todas as grandes certezas do liberalismo ou, mais objetivamente, do capitalismo liberal, foram derrotadas na hist\u00f3ria. Por\u00e9m os processos hist\u00f3ricos n\u00e3o s\u00e3o lineares \u2013 mas desenvolvem-se em ondas. Podemos, portanto, reconhecer um processo hist\u00f3rico de socializa\u00e7\u00e3o no sistema que, no entanto, tome, em alguns momentos, o sentido oposto: o da acentua\u00e7\u00e3o do liberalismo na economia, na vida real, no mundo todo. Estamos justamente no fim de um destes momentos de acentua\u00e7\u00e3o do capitalismo em sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p>Neste momento, os capitalistas e seus representantes, no que toca \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da riqueza e do poder, redobram a aposta na liberdade e poder ilimitados do mercado, dos capitalistas e de seus l\u00edderes. \u00c9 realmente peculiar que agora sejam os pr\u00f3prios capitalistas a exercer diretamente o poder nos EUA. Nada mais evidente. Estamos no \u00e1pice da crise e os atores principais n\u00e3o podem e n\u00e3o querem mais deixar o poder nas m\u00e3os de seus representantes profissionais. Acumularam tanto poder e est\u00e3o t\u00e3o ligados ao Estado americano que n\u00e3o precisam e n\u00e3o querem mais ocult\u00e1-lo.<\/p>\n<p>A crise j\u00e1 se arrasta pelo menos desde 2007 \u2013 e o que fazem? Apostam em maior concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder para dar solu\u00e7\u00e3o \u00e0 crise que foi causada por maior ac\u00famulo e concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder. Correlativamente, produzem empobrecimento, relativo e at\u00e9 mesmo absoluto, das massas trabalhadoras nos grandes pa\u00edses da economia ocidental, da Europa e dos EUA.<\/p>\n<p>A necessidade econ\u00f4mica, por seu lado, indica que teremos que superar esta onda, que promoveu a intensa concentra\u00e7\u00e3o das riquezas, no mundo todo, dos EUA \u00e0 China. E, de fato, j\u00e1 estamos andando neste sentido. A desigualdade parou de crescer desde 2014 na China. E, recentemente, t\u00ednhamos alguma tend\u00eancia positiva nos pr\u00f3prios EUA. No entanto, agora, Washington optou por guinada liberal extrema. Est\u00e3o dispostos a fazer a massa trabalhadora aceitar, temporariamente, ainda mais perda de servi\u00e7os e de renda, de recursos e de dignidade. V\u00e3o tomar recursos das classes m\u00e9dias e das j\u00e1 empobrecidas, enxugando ainda mais os servi\u00e7os p\u00fablicos e adotando medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00fastria local, em detrimento da competi\u00e7\u00e3o e da integra\u00e7\u00e3o produtiva mundial. Isto, com certeza, aumenta as press\u00f5es inflacion\u00e1rias e de desaceleramento da economia, nos EUA e mundo afora.<\/p>\n<p>A guerra comercial que os EUA lan\u00e7aram contra a China e que agora se intensifica, com grandes aumentos de tarifas de importa\u00e7\u00e3o, \u00e9 caracter\u00edstica deste per\u00edodo de grande crise econ\u00f4mica e de grande mudan\u00e7a na hegemonia, no centro de poder capitalista mundial.<\/p>\n<p>Em qualquer outra situa\u00e7\u00e3o ter\u00edamos justamente o inverso, o centro do poder no sistema capitalista mundial deve ser expansivo e liberalizante; deve fazer o que for necess\u00e1rio, incluindo levar adiante guerras, em favor da liberdade de com\u00e9rcio e empreendimento, mas n\u00e3o impor-lhes barreiras e restri\u00e7\u00f5es. As guerras do \u00f3pio do s\u00e9culo XIX foram realizadas para liberalizar o mercado da China para o com\u00e9rcio ingl\u00eas. J\u00e1 a guerra do \u00f3pio atual, a guerra do fentanil, que por enquanto ainda \u00e9 apenas comercial, est\u00e1 sendo realizada para fechar o mercado americano para os produtos chineses. \u00c9 um longo ciclo que se fecha. Em ambos os casos o \u00f3pio era e \u00e9 apenas uma marca, um pretexto emblem\u00e1tico, para se abrir ou fechar mercados.<\/p>\n<p>O liberalismo, chegado neste extremo da crise, vai negar de bom grado todos os seus dogmas, como j\u00e1 fez antes, vai defender o protecionismo, vai defender as restri\u00e7\u00f5es ao livre com\u00e9rcio e a expans\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial, vai se tornar nacionalista e vai, ao fim, buscar a guerra como solu\u00e7\u00e3o. S\u00f3 um dogma n\u00e3o pode ser contestado pelo liberal, o ideal do livre exerc\u00edcio do poder econ\u00f4mico capitalista. At\u00e9 o limite de tentar tomar, diretamente em suas m\u00e3os, o poder pol\u00edtico do estado, como est\u00e1 acontecendo agora nos EUA.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>2. A demonstra\u00e7\u00e3o de que o planejamento precisa se impor \u00e0 cegueira dos mercados<\/strong><\/h2>\n<p>Mais empobrecimento, mais imperialismo e mais guerra ou desenvolvimento humano global?<\/p>\n<p>Tudo isto j\u00e1 aconteceu antes na hist\u00f3ria do sistema capitalista contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A onda liberal atual, iniciada na transi\u00e7\u00e3o dos anos 1970 para os 80, chegou ao seu limite e est\u00e1 em crise desde a segunda metade da primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo. A resposta \u00e9, como foi antes, redobrar a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder nas m\u00e3os dos capitalistas e numa correspondente vis\u00e3o e atua\u00e7\u00e3o imperialista mais expl\u00edcita no cen\u00e1rio mundial.<\/p>\n<p>O sentido de paz com que os EUA acenam hoje para o caso da Ucr\u00e2nia \u00e9 circunstancial. O direcionamento dos EUA para a guerra ser\u00e1 inevit\u00e1vel, na medida que a crise se aprofunde e ela s\u00f3 pode se aprofundar com o aprofundamento da receita liberal.<\/p>\n<p>\u00c9 at\u00e9 curioso e realmente absurdo que hoje sejam a Inglaterra, a Fran\u00e7a e outros pa\u00edses da Europa (os que mais perderam economicamente com o conflito, depois da pr\u00f3pria Ucr\u00e2nia) que defendam aguerridamente a continuidade da guerra. Mas basta olhar para os \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico destas economias para termos uma pista de por que est\u00e3o tomando decis\u00f5es t\u00e3o enlouquecidas. A crise econ\u00f4mica est\u00e1 atr\u00e1s destas sandices, assim como na resposta muito disfuncional \u00e0 pandemia, no mundo ocidental. Quando nada mais anda, fazer andar a economia da guerra, da destrui\u00e7\u00e3o e da morte pode parecer um \u00f3timo neg\u00f3cio para pol\u00edticos e setores empresariais. \u00c9 assim que pensam hoje os poderes nos grandes pa\u00edses da Europa, acreditando que v\u00e3o pelo menos manter, pelo terror, parte do seu poder imperial no mundo, que, obviamente, decai a cada dia.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos tomar qualquer est\u00e1gio da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica como um par\u00e2metro preciso para os per\u00edodos seguintes, mas podemos reconhecer, na estrutura de um sistema, em sua din\u00e2mica hist\u00f3rica, as ondula\u00e7\u00f5es que se repetem com certa regularidade. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o poder\u00edamos analisar os processos hist\u00f3ricos, apenas narr\u00e1-los.<\/p>\n<p>Pode-se reconhecer pelo menos duas tend\u00eancias expansionistas evidentes, dentro do desenvolvimento hist\u00f3rico do sistema capitalista mundial. A tend\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o dos empreendimentos e do mercado; \u00e0 mundializa\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, da finan\u00e7a e da produ\u00e7\u00e3o e, reciprocamente, do consumo, da cultura, a integra\u00e7\u00e3o mundial e, por conseguinte, a mundializa\u00e7\u00e3o das pessoas e do pr\u00f3prio mundo. E a tend\u00eancia ao desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o em massa e da ci\u00eancia produtiva em todas as \u00e1reas, sempre revolucionando a si mesma.<\/p>\n<p>Obviamente, estas e outras grandes tend\u00eancias est\u00e3o interligadas e s\u00e3o interdependentes. \u00c9 razo\u00e1vel dizer que a partir da revolu\u00e7\u00e3o industrial estas caracter\u00edsticas e tend\u00eancias se mostraram t\u00e3o vitoriosas, t\u00e3o dominantes no mundo em geral, que vivemos todos, desde ent\u00e3o, em um sistema capitalista mundial.<\/p>\n<p>Estas for\u00e7as s\u00e3o maiores que todas as contratend\u00eancias do pr\u00f3prio capitalismo. A hist\u00f3ria mostrou, at\u00e9 agora, que n\u00e3o existe limite econ\u00f4mico absoluto para a reprodu\u00e7\u00e3o da economia capitalista; e tamb\u00e9m parece ter mostrado que o proletariado industrial n\u00e3o \u00e9 o condutor hist\u00f3rico da supera\u00e7\u00e3o do sistema capitalista. Ao ponto, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, ele ter perdido boa parte do seu grande papel pol\u00edtico anterior, com o desenvolvimento inevit\u00e1vel e progressivo dos sistemas automatizados de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mundo anda por caminhos surpreendentes, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico e a integra\u00e7\u00e3o mundial continuar\u00e3o. Isto est\u00e1 no cerne da l\u00f3gica \u201ccega\u201d do sistema capitalista e tamb\u00e9m no cerne da evolu\u00e7\u00e3o consciente, planejada, do socialismo. Estamos em uma encruzilhada extrema, onde o principal pa\u00eds socialista do mundo tem a economia de mercado mais florescente do mundo, enquanto aqueles que defendiam a liberaliza\u00e7\u00e3o da economia mundial voltam-se para a vis\u00e3o regressiva, imperialista e fascista, de defesa da economia e do Estado nacional aut\u00e1rquico<\/p>\n<p>Seria inteligente que os anarquistas, os comunistas, os socialistas at\u00e9 mesmo os social-democratas assum\u00edssemos fortemente estas duas tend\u00eancias expansionistas como nossas bandeiras, nossos ideais imediatos e diretos, corrigindo assim alguns erros hist\u00f3ricos. Quem quer o cont\u00ednuo desenvolvimento e a expans\u00e3o da ci\u00eancia e da tecnologia, a integra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e da vida social em todo o mundo somos n\u00f3s. Capitalismo e capitalistas podem apenas serem instrumentos, relativamente cegos, relativamente est\u00fapidos e perversos, destes des\u00edgnios e escolhas.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o e a situa\u00e7\u00e3o atual do socialismo na China. Dos anos 1980 para c\u00e1 o pa\u00eds viveu um desenvolvimento econ\u00f4mico e social acelerado. Este desenvolvimento foi acompanhado por algo pouco conhecido: l\u00e1 surgiram mais bilion\u00e1rios que em qualquer outro pa\u00eds nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Mas, ao mesmo tempo, a China foi o pa\u00eds que mais prendeu, ou colocou em reformat\u00f3rios, os seus bilion\u00e1rios. O sistema financeiro continua sob controle direto do governo e o desenvolvimento da economia atende a um \u201cplanejamento estrat\u00e9gico\u201d p\u00fablico e n\u00e3o apenas \u00e0s for\u00e7as do mercado e ao poder dos ricos. Houve desenvolvimento social intenso, porque o desenvolvimento econ\u00f4mico foi acelerado e porque o poder p\u00fablico dirigiu a economia no sentido da melhora consistente da qualidade de vida das massas.<\/p>\n<p>Na Europa em geral, e nos EUA, o aumento da desigualdade progrediu apesar da crise e continuou crescendo desde 2007, at\u00e9 pelo menos o per\u00edodo da pandemia. De l\u00e1 para c\u00e1 n\u00e3o existe uma tend\u00eancia consistente ainda, mas podemos antever uma nova rodada de perda para os trabalhadores locais, com as a\u00e7\u00f5es protecionistas atuais dos EUA e com aumento dos gastos militares na Europa.<\/p>\n<p>A grande crise econ\u00f4mica do sistema capitalista no s\u00e9culo passado come\u00e7ou em 1913 e s\u00f3 foi se resolver a partir de 1945. Neste per\u00edodo ocorreu uma grande depress\u00e3o econ\u00f4mica mundial e, tamb\u00e9m, duas grandes guerras \u201cmundiais\u201d e uma pandemia que resultaram em mais de 150 milh\u00f5es de mortes, em uma popula\u00e7\u00e3o de 2 milhares de milh\u00f5es. A melhora, absoluta e relativa, da renda, dos recursos e servi\u00e7os, em geral, nas m\u00e3os das classes trabalhadoras e m\u00e9dias marcou o fim dos anos 1940 e das tr\u00eas d\u00e9cadas seguintes. A social-democracia emergiu como a principal for\u00e7a pol\u00edtica e ideol\u00f3gica do p\u00f3s-guerra, at\u00e9 encontrar seus limites e ser superada pela nova onda liberal no come\u00e7o dos anos 1980 do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>A crise atual come\u00e7ou em 2007 e, at\u00e9 agora, s\u00f3 n\u00e3o se manifestou com o mesmo terror do s\u00e9culo passado porque foi sabiamente contida com os recursos contrac\u00edclicos largamente utilizados, com trilh\u00f5es e trilh\u00f5es de d\u00f3lares jogados nos mercados e nas m\u00e3os da popula\u00e7\u00e3o, para manter a economia em funcionamento. Mas, sem a redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza esta crise est\u00e1 condenada a persistir, protra\u00edda, controlada, mas sempre a\u00ed, mordendo os calcanhares e os bolsos das classes m\u00e9dias e pobres.<\/p>\n<p>Estamos no \u00e1pice da crise. Ainda teremos algumas d\u00e9cadas nesta etapa derradeira da onda neoliberal. Neste per\u00edodo a tend\u00eancia \u00e0 solu\u00e7\u00e3o pela guerra, absurda e alucinante, jamais estar\u00e1 ausente ou distante. Continuar\u00e1 na ordem do dia por longos anos.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>3. Uma grande depress\u00e3o econ\u00f4mica e guerras mundiais s\u00e3o inevit\u00e1veis?<\/strong><\/h2>\n<p>A grande crise econ\u00f4mica do sistema capitalista mundial est\u00e1 sendo controlada por mecanismos antic\u00edclicos limitados e sob constante press\u00e3o. Esta crise coincide com o fim de uma grande hegemonia no sistema capitalista mundial. Em fun\u00e7\u00e3o da ascens\u00e3o chinesa, estamos no fim do imp\u00e9rio a e da grande alian\u00e7a mundial de poder estabelecida pelos EUA.<\/p>\n<p>A simples afirma\u00e7\u00e3o de que estes s\u00e3o processos capitalistas, do sistema capitalista mundial, j\u00e1 significa que s\u00e3o, inerentemente, muito violentos e irracionais. Isto \u00e9 parte da pr\u00f3pria l\u00f3gica do sistema econ\u00f4mico operado pelo mercado.<\/p>\n<p>O processo de socializa\u00e7\u00e3o chin\u00eas mant\u00e9m os capitais privados sob planejamento e controle p\u00fablicos fortes. Define a distribui\u00e7\u00e3o dos recursos sociais, financeiros e materiais entre os diversos setores e classes da economia, permitindo que a empresa privada funcione \u201clivremente\u201d apenas dentro de marcos e limites estruturais socializados.<\/p>\n<p>Se os indicadores atuais se mantiverem, tudo indica que a China j\u00e1 colocou foco no aumento do consumo das massas, com ganho relativo de renda para estas. E n\u00e3o parece haver qualquer questionamento ao sistema de planejamento estrat\u00e9gico p\u00fabico da economia socialista no pa\u00eds. Contudo, a ideologia liberal tem penetra\u00e7\u00e3o na sociedade chinesa atual e o conflito em torno do controle do sistema financeiro e produtivo estar\u00e1 sempre em jogo nos pr\u00f3ximos anos e d\u00e9cadas \u2013 tanto l\u00e1 como aqui.<\/p>\n<p>No entanto, continuaremos, por tempo relativamente longo, sob alto risco de grandes guerras mundiais, por estarmos na conflu\u00eancia de dois grandes movimentos hist\u00f3rico-sociais no sistema capitalista mundial \u2013 a crise de fim da onda neoliberal e a crise do fim da hegemonia norte-americana. Ambos movimentos s\u00e3o costumeiramente acompanhados de grandes guerras e crises sociais no interior das na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O simples, no entanto, de se tratar de um sistema mundializado e muito mais integrado do que h\u00e1 100 anos, nos protege da fatalidade de termos que repetir os mesmos processos da crise anterior, ainda que estejamos sob as mesmas press\u00f5es.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o da economia mundial torna mais dif\u00edceis e irracionais as grandes guerras. Sua absurda destrutividade mostra-se tanto mais inaceit\u00e1vel quanto mais o mundo estiver integrado produtiva socialmente. Parece mais irrazo\u00e1vel, agora, destruir o sistema mundial para n\u00e3o ceder parcelas do poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico, nacional e empresarial. Vamos ser levados, contudo, ao limite.<\/p>\n<p>O fato da grande pot\u00eancia emergente ser a China socialista \u00e9 ao mesmo tempo um resultado e uma provid\u00eancia dos processos hist\u00f3ricos. A China tem sido seguramente, entre os pa\u00edses poderosos, o mais disciplinado e aderente \u00e0s decis\u00f5es e ao sentido geral do sistema ONU; e o que mais tem investido na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar, dada a converg\u00eancia de princ\u00edpios do socialismo com o internacionalismo e o desenvolvimento da consci\u00eancia, da intelig\u00eancia, da seguran\u00e7a e da governan\u00e7a mundiais. Isto \u00e9 tranquilizador, quando sabemos que ela ser\u00e1 a na\u00e7\u00e3o mais provocada e atacada pela alian\u00e7a norte-americana nos pr\u00f3ximos anos e d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u00c9 improv\u00e1vel que o aprendizado hist\u00f3rico seja completamente in\u00fatil agora, permitindo que as grandes cat\u00e1strofes econ\u00f4micas e sociais das crises passadas se repitam. Ainda que muitos sinais e tend\u00eancias neste sentido estejam presentes, eles parecem ser, ao fim, mais fracos do que os mecanismos regulat\u00f3rios e de prote\u00e7\u00e3o social que j\u00e1 foram postos em movimento.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o ser\u00e1 socializante, como no s\u00e9culo passado. No cen\u00e1rio mundial, novas estruturas de decis\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e governan\u00e7a ter\u00e3o que ser desenvolvidas mais intensamente do que no s\u00e9culo passado, correspondendo ao n\u00edvel mais desenvolvido da economia mundial e da sociedade mundiais. Certamente precisaremos avan\u00e7ar muito al\u00e9m dos limites e das contradi\u00e7\u00f5es do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas e de Bretton Woods, rumo a uma verdadeira governan\u00e7a global.<\/p>\n<p>Os EUA mostram reconhecer sua perda relativa de poder e reagem a isto violentamente, tentando resgatar seu imp\u00e9rio. Tudo isto ocorre tardiamente, quando um movimento econ\u00f4mico e social real j\u00e1 solapou as bases da hegemonia decadente. Tudo o que ent\u00e3o se fa\u00e7a, em nome de preservar e restabelecer esta hegemonia, termina por ajudar a conduzir ao seu fim. Toda tentativa de demonstra\u00e7\u00e3o de for\u00e7a por parte do imp\u00e9rio termina por revelar a sua verdadeira fraqueza. Exemplos categ\u00f3ricos s\u00e3o a derrota da OTAN na guerra da Ucr\u00e2nia e o resultado, nulo, ou inverso, das san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia e \u00e0 China. Certamente est\u00e3o acelerando a supera\u00e7\u00e3o do poder da alian\u00e7a constitu\u00edda em torno dos EUA, em vez de fortalec\u00ea-la. As for\u00e7as econ\u00f4micas e sociais j\u00e1 se desenvolveram e transformaram neste sentido, a ponto de n\u00e3o ter mais retorno. A hegemonia e o imperialismo dos EUA no sistema capitalista mundial terminar\u00e1 e levar\u00e1 junto consigo os resqu\u00edcios coloniais do imperialismo europeu que persistem ainda hoje.<\/p>\n<p>Algo central neste processo de aprendizado e desenvolvimento hist\u00f3rico \u00e9 que as medidas, as a\u00e7\u00f5es, as interven\u00e7\u00f5es sociais que anteriormente foram adotadas apenas depois do pior, agora devem ser tomadas antes. Antes das grandes crises catastr\u00f3ficas, como foi a depress\u00e3o mundial dos anos 1930, as medidas antic\u00edclicas e de prote\u00e7\u00e3o social j\u00e1 est\u00e3o, em parte ao menos, em jogo. Precisamos avan\u00e7ar, ainda mais decidida e intensivamente, no sentido da socializa\u00e7\u00e3o do sistema econ\u00f4mico mundial. E, antes das grandes guerras mundiais, precisamos da reconstitui\u00e7\u00e3o e desenvolvimento dos sistemas de decis\u00e3o e governan\u00e7a mundiais.<\/p>\n<p>\u00c9 um processo que demorar\u00e1 tempo e se realizar\u00e1 com grande dificuldade. Imagine, por um minuto, como ser\u00e1 custoso eliminar todas as bases militares internacionais dos EUA. S\u00e3o mais de 800 e continuam aumentando. O mundo \u00e9 ocupado militarmente pelos EUA. Isso ter\u00e1 que ser eliminado ou submetido a uma verdadeira governan\u00e7a mundial. Ser\u00e1 um processo longo e dif\u00edcil. Enquanto isto, podemos reivindicar a ideia de cidadania mundial. Ainda que ela esteja, do mesmo modo, distante no horizonte atual, \u00e9 certamente o que nos interessa, correspondendo \u00e0 integra\u00e7\u00e3o do sistema produtivo social mundial. Somos mundiais e queremos ser mundiais.<\/p>\n<div id=\"outra-76755106\" class=\"outra-depois-do-conteudo\">\n<div id=\"outra-1584311048\">\n<p>(*) <strong>Paulo Fleury Teixeira: <\/strong>M\u00e9dico e Fil\u00f3sofo. Especialista em Medicina Preventiva e Social e em Filosofia Social. Especialista em Medicina Canabinoide e pioneiro no tratamento de autismo com cannabis.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"post-content--author\">\n<div>\n<hr \/>\n<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/podera-a-globalizacao-nos-livrar-do-capitalismo\/\">Artigo original publicado aqui<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em crise profunda, os neoliberais contorcem-se, mordem o pr\u00f3prio rabo e adotam um protecionismo tacanho. Nos EUA, os magnatas j\u00e1 exercem o poder diretamente. 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