{"id":25782,"date":"2012-11-26T23:12:31","date_gmt":"2012-11-26T23:12:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/?p=25782"},"modified":"2012-11-27T02:23:55","modified_gmt":"2012-11-27T02:23:55","slug":"impressoes-de-uma-visita-a-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/","title":{"rendered":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza"},"content":{"rendered":"<p>Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade ferozes e arbitr\u00e1rias puni\u00e7\u00f5es, cujo prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o humilhar e rebaixar a popula\u00e7\u00e3o palestina e ulteriormente garantir tanto o esmagamento das esperan\u00e7as de um futuro decente quanto a nulidade do vasto apoio internacional para um acordo diplom\u00e1tico que sancione o direito a essas esperan\u00e7as. <strong>O artigo \u00e9 de Noam Chomsky, publicado pela Carta Maior.<\/strong><\/p>\n<p>Uma noite encarcerado \u00e9 o bastante para que se conhe\u00e7a o sabor de estar sob total controle de uma for\u00e7a externa. E dificilmente demora mais de um dia em Gaza para que se comece a perceber como \u00e9 tentar sobreviver na maior pris\u00e3o a c\u00e9u aberto do mundo. Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade ferozes e arbitr\u00e1rias puni\u00e7\u00f5es, cujo prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o humilhar e rebaixar a popula\u00e7\u00e3o palestina e ulteriormente garantir tanto o esmagamento das esperan\u00e7as de um futuro decente quanto a nulidade do vasto apoio internacional para um acordo diplom\u00e1tico que sancione o direito a essas esperan\u00e7as.<\/p>\n<p>O comprometimento a isso por parte das lideran\u00e7as pol\u00edticas israelenses foi ilustrado expressivamente nos \u00faltimos dias, quando eles advertiram que \u2018enlouqueceriam\u2019 se os direitos palestinos fossem reconhecidos, mesmo que limitadamente, pela ONU. Essa postura n\u00e3o \u00e9 nova. A amea\u00e7a de \u2018enlouquecer\u2019 (<em>\u2018nishtagea\u2019<\/em>) tem ra\u00edzes profundas, l\u00e1 nos governos trabalhistas dos anos 1950 e em seus respectivos \u201ccomplexos de Sans\u00e3o\u201d: \u201cse nos contrariarem, implodimos as paredes do Templo \u00e0 nossa volta\u201d. \u00c0 \u00e9poca, essa amea\u00e7a era in\u00fatil; hoje n\u00e3o \u00e9 mais.<\/p>\n<p>A humilha\u00e7\u00e3o deliberada tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nova, apesar de adquirir novas formas constantemente. H\u00e1 trinta anos, l\u00edderes pol\u00edticos, inclusive alguns dos mais not\u00f3rios \u2018falc\u00f5es\u2019 (sionistas mais conservadores), apresentaram ao primeiro-ministro um relato detalhado de como colonos regularmente violavam palestinos da forma mais vil e com total impunidade. A proeminente analista Yoram Peri notou com repugn\u00e2ncia que a tarefa do ex\u00e9rcito n\u00e3o \u00e9 a de defender o Estado, mas de \u201cacabar com os direitos de pessoas inocentes somente porque s\u00e3o\u00a0<em>araboushim<\/em>\u00a0(uma ofensa racial) vivendo numa terra que Deus nos prometeu\u201d.<\/p>\n<p>O povo de Gaza foi selecionado para puni\u00e7\u00f5es particularmente cru\u00e9is. \u00c9 quase miraculoso que eles suportem tal exist\u00eancia. Raja Shehadeh descreveu como eles o fazem num eloquente livro de mem\u00f3rias,\u00a0<em>A Terceira Via<\/em>, escrito h\u00e1 30 anos. O texto relata seu trabalho como advogado empenhado na tarefa de tentar proteger direitos elementares num sistema legal feito para ser insuficiente, al\u00e9m de sua experi\u00eancia como um resistente que v\u00ea sua casa tornar-se uma pris\u00e3o por ocupantes violentos e nada pode fazer al\u00e9m de \u201caguentar\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piorou muito desde o texto de Shehadeh. Os acordos de Oslo, celebrados com muita cerim\u00f4nia em 1993, determinaram que Gaza e a Cisjord\u00e2nia eram uma s\u00f3 entidade territorial. Os EUA e Israel puseram sua estrat\u00e9gia de separ\u00e1-los para funcionar j\u00e1 naquela \u00e9poca, de forma a barrar um acordo diplom\u00e1tico e punir os araboushim em ambos os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A puni\u00e7\u00e3o aos moradores de Gaza tornou-se ainda mais severa em janeiro de 2006, quando eles cometeram um crime hediondo: votaram no \u201clado errado\u201d na primeira elei\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe, elegendo o Hamas. Demonstrando seu amor pela democracia, os EUA e Israel, apoiados pela t\u00edmida Uni\u00e3o Europeia, impuseram um s\u00edtio brutal e ataques militares ostensivos logo de cara. Os norte-americanos tamb\u00e9m imediatamente recorreram ao procedimento operacional padr\u00e3o para momentos em que popula\u00e7\u00f5es desobedientes elegem o governo errado: prepararam um golpe militar para restabelecer a ordem.<\/p>\n<p>O povo de Gaza cometeu um crime ainda pior um ano depois. Barraram a tentativa de golpe, levando a uma forte escalada do s\u00edtio e das ofensivas militares. Isso culminou, no inverno de 2008-9, na Opera\u00e7\u00e3o Chumbo Fundido, um dos mais covardes e perversos exerc\u00edcios de poder militar na mem\u00f3ria recente, na qual uma popula\u00e7\u00e3o civil sem defesa e enclausurada ficou sujeita \u00e0 implac\u00e1vel ofensiva de um dos mais avan\u00e7ados sistemas militares do mundo, que conta com o apoio das armas e da diplomacia estadunidense. Um testemunho inesquec\u00edvel do mortic\u00ednio \u2013 infantic\u00eddio, nas palavras deles \u2013 \u00e9 o livro\u00a0<em>Eyes in Gaza<\/em>, de dois corajosos doutores noruegueses, Mads Gilbert e Erik Fosse, que \u00e0 \u00e9poca trabalhavam no principal hospital de Gaza.<\/p>\n<p>O Presidente Obama n\u00e3o foi capaz de dizer uma palavra al\u00e9m de reiterar sua sincera simpatia pelas crian\u00e7as sob ataque \u2013 na cidade israelense de Sderot. A investida minuciosamente planejada foi levada a cabo justamente antes do empossamento de Barack, assim ele p\u00f4de dizer que era hora de vislumbrar o futuro, n\u00e3o o passado.<\/p>\n<p>Obviamente, havia pretextos \u2013 sempre h\u00e1. O de costume, apresentado assim que necess\u00e1rio, \u00e9 a \u201cseguran\u00e7a\u201d: neste caso, os foguetes caseiros de Gaza. Como de costume, tamb\u00e9m, o pretexto carecia de credibilidade. Em 2008, estabeleceu-se uma tr\u00e9gua entre Israel e o Hamas. E o governo israelense reconheceu formalmente que o Hamas cumpriu a tr\u00e9gua. Nenhuma bomba do Hamas foi disparada at\u00e9 que Israel rompeu a tr\u00e9gua encoberto pelas elei\u00e7\u00f5es presidenciais norte-americanas de 4 de novembro de 2008, invadindo Gaza por motivos rid\u00edculos e matando meia-d\u00fazia de membros do Hamas. O governo de Israel foi aconselhado por suas mais altas autoridades de intelig\u00eancia de que a tr\u00e9gua poderia ser retomada por suavizar o bloqueio criminoso e acabar com as ofensivas militares. Mas o governo de Ehud Olmert, por reputa\u00e7\u00e3o um \u201cpombo\u201d (termo para os sionistas \u201cmoderados\u201d), preferiu rejeitar estas op\u00e7\u00f5es e lan\u00e7ar m\u00e3o de sua enorme vantagem no quesito viol\u00eancia: a Opera\u00e7\u00e3o Chumbo Fundido.<\/p>\n<p>O modelo de bombardeio da Opera\u00e7\u00e3o Chumbo Fundido foi analisado cuidadosamente pelo respeitado defensor dos direitos humanos Raji Sourani, natural de Gaza. Ele aponta que o bombardeio concentrou-se ao norte, mirando civis indefesos nas \u00e1reas de maior densidade populacional, sem qualquer desculpa do ponto de vista militar. O objetivo, ele sugere, talvez tenha sido mover a popula\u00e7\u00e3o intimidada para o sul, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com o Egito. Mas, apesar da avalanche terrorista, os resistentes n\u00e3o se moveram.<\/p>\n<p>Outro objetivo provavelmente era mov\u00ea-los para l\u00e1 da fronteira. Desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o sionista dizia-se que os \u00e1rabes n\u00e3o tinham motivo para estar na Palestina. Eles podiam continuar felizes noutro lugar e deveriam ser \u201ctransferidos\u201d de maneira educada, sugeriam os pombos. Esta, que claramente n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o menor do governo eg\u00edpcio, talvez seja a raz\u00e3o pela qual o Egito n\u00e3o abre sua fronteira seja para civis, seja para os suprimentos dos quais o pa\u00eds necessita desesperadamente.<\/p>\n<p>Sourani e outras fontes dignas de reconhecimento notam que a disciplina dos resistentes oculta um barril de p\u00f3lvora que pode explodir inesperadamente, como aconteceu na primeira Intifada em Gaza em 1989, ap\u00f3s anos de repress\u00e3o indigna de qualquer interesse ou nota.<\/p>\n<p>S\u00f3 para mencionar um dos inumer\u00e1veis casos, pouco antes da eclos\u00e3o da Intifada, uma menina palestina, Intissar al-Atar, foi assassinada no p\u00e1tio da escola pelo morador de um assentamento judeu pr\u00f3ximo. Ele era um dos milhares de colonos israelenses trazidos para Gaza, o que violava leis internacionais, sob prote\u00e7\u00e3o da enorme presen\u00e7a de um ex\u00e9rcito que assumiu o controle das terras e da escassa \u00e1gua da Faixa. O assassino da estudante, Shimon Yifrah, foi preso. No entanto, foi solto rapidamente quando o tribunal determinou que \u201co delito n\u00e3o foi severo o suficiente\u201d para justificar a deten\u00e7\u00e3o. O juiz comentou que Yifrah s\u00f3 pretendia assustar a garota por atirar na dire\u00e7\u00e3o dela, n\u00e3o mat\u00e1-la, assim, \u201co caso n\u00e3o \u00e9 o de um criminoso que deve ser punido com um aprisionamento\u201d. Yifrah recebeu uma pena suspensa de 7 meses, o que levou os outros colonos presentes \u00e0 sala de tribunal a dan\u00e7ar e cantar. E o sil\u00eancio, pra variar, reinou. Afinal, a rotina \u00e9 essa.<\/p>\n<p>Assim que Yifrah foi libertado, a imprensa israelense reportou que uma patrulha armada atirou no p\u00e1tio de um col\u00e9gio para meninos de 6 a 12 anos num campo de refugiados da Cisjord\u00e2nia, ferindo cinco crian\u00e7as. O ataque s\u00f3 pretendia \u201cassust\u00e1-los\u201d. N\u00e3o houve puni\u00e7\u00f5es e o evento, para variar, n\u00e3o atraiu aten\u00e7\u00e3o. Era s\u00f3 mais um epis\u00f3dio do programa de \u201canalfabetismo como puni\u00e7\u00e3o\u201d, disse a imprensa israelense, programa que inclu\u00eda o fechamento de escolas, uso de bombas de g\u00e1s, espancamento de estudantes a coronhadas, bloqueio de aux\u00edlio m\u00e9dico para v\u00edtimas; e para al\u00e9m das escolas predominou a mesma brutalidade, que at\u00e9 asseverou-se durante a Intifada, sob ordens do Ministro da Defesa Yitzhak Rabin, outro bem conceituado \u201cpombo\u201d.<\/p>\n<p>Minha impress\u00e3o inicial, depois de uma visita de alguns dias, foi de admira\u00e7\u00e3o ao povo palestino. N\u00e3o s\u00f3 pela habilidade de levar a vida, mas tamb\u00e9m pela vitalidade da juventude, particularmente a universit\u00e1ria, com a qual eu passei um bom tempo numa confer\u00eancia internacional. Mas tamb\u00e9m fui capaz de perceber que a press\u00e3o pode tornar-se grande demais. Relatos apontam que entre a popula\u00e7\u00e3o masculina jovem h\u00e1 uma frustra\u00e7\u00e3o crescente e o reconhecimento de que, sob comando dos EUA e de Israel, o futuro n\u00e3o \u00e9 promissor.<\/p>\n<p>A Faixa de Gaza parece uma t\u00edpica sociedade de terceiro mundo, com bols\u00f5es de riqueza rodeados por uma pobreza medonha. N\u00e3o \u00e9, entretanto, um lugar \u201csubdesenvolvido\u201d. Na verdade, \u00e9 \u201cdes-desenvolvido\u201d, e de maneira muito sistem\u00e1tica, pegando emprestado um termo de Sara Ray, a maior especialista acad\u00eamica em Gaza. Gaza poderia ter se tornado uma regi\u00e3o mediterr\u00e2nea pr\u00f3spera, com rica agricultura, uma promissora ind\u00fastria pesqueira, praias maravilhosas e, como descobriu-se h\u00e1 dez anos, a perspectiva de uma extensa reserva de g\u00e1s natural dentro dos limites de suas \u00e1guas. Coincidentemente ou n\u00e3o, foi h\u00e1 uma d\u00e9cada que Israel intensificou seu bloqueio naval, levando navios pesqueiros em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa.<\/p>\n<p>As perspectivas favor\u00e1veis foram frustradas em 1948, quando a Faixa tornou-se abrigo da enxurrada de refugiados palestinos que fugiram ou foram expulsos \u00e0 for\u00e7a do que hoje \u00e9 Israel.<\/p>\n<p>Na verdade, eles continuaram sendo expulsos quatro anos depois, como informou no peri\u00f3dico Ha\u2019aretz (25.12.2008) o estudioso Beni Tziper. Ele afirma que, j\u00e1 em 1953, \u201cavaliava-se necess\u00e1rio varrer os \u00e1rabes da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Isso foi em 1953, quando a necessidade de militariza\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se insinuava. As conquistas israelenses de 1967 ajudaram a administrar os golpes posteriores. Vieram ent\u00e3o os terr\u00edveis crimes j\u00e1 mencionados, que continuam at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil notar os sinais de tais crimes, mesmo numa visita breve. Num hotel perto da costa pode-se ouvir as metralhadoras israelenses empurrando pescadores para fora das \u00e1guas de Gaza, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria costa. Assim, eles s\u00e3o levados a pescar em \u00e1guas que est\u00e3o poluid\u00edssimas porque norte-americanos e israelenses n\u00e3o permitem a reconstru\u00e7\u00e3o dos sistemas de esgoto e energia que eles pr\u00f3prios destru\u00edram.<\/p>\n<p>Os Acordos de Oslo planejavam duas usinas de dessaliniza\u00e7\u00e3o, imprescind\u00edveis em fun\u00e7\u00e3o da aridez da regi\u00e3o. Uma, instala\u00e7\u00e3o muito avan\u00e7ada, foi constru\u00edda \u2013 em Israel. A segunda \u00e9 em Khan Yunis, sul da Faixa de Gaza. O engenheiro encarregado de tentar obter \u00e1gua pot\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o explicou que essa usina foi projetada de forma tal que \u00e9 incapaz de usar \u00e1gua do mar, ela depende de reservas subterr\u00e2neas, um sistema mais barato que, no entanto, degrada o aqu\u00edfero j\u00e1 deficiente. Mesmo assim, a \u00e1gua \u00e9 limitad\u00edssima. A Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados da Palestina (UNRWA), que cuida dos refugiados (mas n\u00e3o dos outros moradores de Gaza), recentemente lan\u00e7ou um relat\u00f3rio advertindo que os danos ao aqu\u00edfero podem em breve tornar-se \u201cirrevers\u00edveis\u201d, e que, sem a\u00e7\u00f5es reparadoras, Gaza talvez deixe de ser um \u201clocal habit\u00e1vel\u201d em 2020.<\/p>\n<p>Israel permite a entrada de concreto para projetos da UNRWA, mas n\u00e3o para os palestinos comprometidos com as enormes necessidades de reconstru\u00e7\u00e3o. O equipamento pesado permanece ocioso a maior parte do tempo, j\u00e1 que Israel n\u00e3o permite materiais para reparo. Tudo isso \u00e9 parte do programa descrito por Dov Weisglass, conselheiro do primeiro-ministro Ehud Olmert, depois de os palestinos terem deixado de seguir certas ordens na elei\u00e7\u00e3o de 2006: \u201ca ideia\u201d, disse ele, \u201c\u00e9 aplicar uma dieta aos palestinos, mas n\u00e3o deix\u00e1-los morrer de fome\u201d. N\u00e3o seria de bom tom.<\/p>\n<p>O plano est\u00e1 sendo seguido conscienciosamente. Sara Roy nos d\u00e1 vasta evid\u00eancia disso em seus estudos. Recentemente, ap\u00f3s anos de esfor\u00e7os, a Gisha, organiza\u00e7\u00e3o israelense pelos direitos humanos, conseguiu obter uma ordem judicial exigindo que o governo divulgue os planos da \u201cdieta\u201d. Jonathan Cook, jornalista em Israel, assim os resume: \u201coficiais de sa\u00fade forneceram c\u00e1lculos do n\u00famero m\u00ednimo de calorias que Gaza precisa para que os 1.5 milh\u00e3o de habitantes n\u00e3o fiquem desnutridos. Esse n\u00famero traduziu-se no n\u00famero de caminh\u00f5es de comida que Israel supostamente permite a cada dia, uma m\u00e9dia de apenas 67 caminh\u00f5es \u2013 bem menos do que a metade do requerido. E que se compare com isso os 400 caminh\u00f5es di\u00e1rios de antes do bloqueio\u201d. Segundo relat\u00f3rios da ONU, mesmo essas estimativas s\u00e3o bastante generosas.<\/p>\n<p>O resultado da imposi\u00e7\u00e3o da dieta, observa o especialista em Oriente M\u00e9dio Juan Cole, \u00e9 que \u201ccerca de 10% das crian\u00e7as palestinas com menos de cinco anos tiveram seu crescimento atrofiado pela desnutri\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a anemia hoje afeta dois ter\u00e7os das crian\u00e7as mais jovens, 58,6% das crian\u00e7as em idade escolar e mais de um ter\u00e7o das gr\u00e1vidas\u201d. Os EUA e Israel querem ter certeza de que nada al\u00e9m da mera sobreviv\u00eancia seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u201cO que devemos ter em mente\u201d, diz Raji Sourani, \u201c\u00e9 que a ocupa\u00e7\u00e3o e o encerramento absoluto \u00e9 um ataque em andamento contra a dignidade humana do povo de Gaza em particular, e contra os palestinos em geral. \u00c9 degrada\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o, isolamento e fragmenta\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do povo palestino\u201d. Essa conclus\u00e3o \u00e9 confirmada por muitas outras fontes. Em um dos mais importantes peri\u00f3dicos m\u00e9dicos do mundo,\u00a0<em>The Lancet<\/em>, um f\u00edsico de Stanford, horrorizado com o que viu, descreveu a Faixa de Gaza como um tipo de \u201claborat\u00f3rio de observa\u00e7\u00e3o da completa aus\u00eancia de dignidade\u201d, condi\u00e7\u00e3o que tem efeitos \u201cdevastadores\u201d sobre o bem-estar f\u00edsico, mental e social da popula\u00e7\u00e3o. \u201cA constante vigil\u00e2ncia vinda do c\u00e9u, puni\u00e7\u00f5es coletivas por bloqueios e isolamentos, invas\u00e3o de lares e de sistemas de comunica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de restri\u00e7\u00f5es aos que tentam viajar, casar ou trabalhar, tornam dif\u00edcil viver de maneira digna em Gaza\u201d.<\/p>\n<p>Havia esperan\u00e7as de que o novo governo eg\u00edpcio de Mohammed Mursi, menos servil \u00e0 Israel do que a ditadura de Mubarak, pudesse abrir a Travessia de Rafah, \u00fanica sa\u00edda de Gaza que n\u00e3o est\u00e1 sujeita a controle israelense direto. At\u00e9 houve uma pequena abertura. A jornalista Leila el-Haddad escreve que a reabertura sob Mursi \u201c\u00e9 simplesmente um retorno ao status quo de anos anteriores: somente os palestinos portadores de identidades de Gaza aprovadas por Israel podem usar a Travessia\u201d, o que exclui inclusive a fam\u00edlia da jornalista.<\/p>\n<p>Ademais, continua Leila, \u201cRafah n\u00e3o leva \u00e0 Cisjord\u00e2nia e n\u00e3o permite o transporte de bens, restrito \u00e0s travessias controladas por Israel e sujeito \u00e0s proibi\u00e7\u00f5es a materiais de constru\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o\u201d. A restri\u00e7\u00e3o \u00e0 Travessia de Rafah n\u00e3o muda o fato, tamb\u00e9m, de que \u201cGaza permanece sob apertado s\u00edtio mar\u00edtimo e a\u00e9reo e fechada para qualquer capital cultural, econ\u00f4mico ou acad\u00eamico que venha do resto dos territ\u00f3rios palestinos, o que viola as obriga\u00e7\u00f5es dos EUA e de Israel segundo o Acordo de Oslo\u02dc.<\/p>\n<p>Os efeitos disso s\u00e3o dolorosamente evidentes. No hospital de Khan Yunis, o diretor, que tamb\u00e9m \u00e9 cirurgi\u00e3o-chefe, descreve enfurecido tanto a falta de rem\u00e9dios para aliviar o sofrimento dos pacientes quanto a dos equipamentos cir\u00fargicos mais simples.<\/p>\n<p>Relatos pessoais d\u00e3o vivacidade \u00e0 corrente avers\u00e3o \u00e0 obscenidade da ocupa\u00e7\u00e3o. Um exemplo \u00e9 o testemunho de uma jovem que desesperou-se quando seu pai, que se orgulharia ao saber que sua filha foi a primeira mulher do campo de refugiados a receber um diploma avan\u00e7ado, \u201cfaleceu ap\u00f3s seis meses de luta contra o c\u00e2ncer, aos 60 anos. A ocupa\u00e7\u00e3o israelense negou que ele fosse aos hospitais de Israel para tratar-se. Eu tive de suspender meus estudos, meu trabalho e minha vida para ficar ao lado de sua cama. Todos n\u00f3s, incluindo meu irm\u00e3o e minha irm\u00e3, sentamo-nos ao lado de meu pai, assistindo seu sofrimento impotentes e sem esperan\u00e7a. Ele morreu durante o desumano bloqueio a Gaza no ver\u00e3o de 2006, com pouqu\u00edssimo acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade. Sentir-se impotente e sem esperan\u00e7a \u00e9 o sentimento mais terr\u00edvel que algu\u00e9m pode ter. \u00c9 um sentimento que mata o esp\u00edrito e quebra o cora\u00e7\u00e3o. Podemos lutar contra a ocupa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o podemos lutar contra o sentimento de impot\u00eancia. N\u00e3o se pode nem dissolver esse sentimento\u201d.<\/p>\n<p>Avers\u00e3o \u00e0 obscenidade combinada com culpa: n\u00f3s podemos acabar com esse sofrimento e permitir aos resistentes a vida de paz e dignidade que eles merecem.<\/p>\n<p><em>(*) Noam Chomsky visitou a Faixa de Gaza nos dias 25 a 30 de outubro.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade ferozes e arbitr\u00e1rias puni\u00e7\u00f5es, cujo prop\u00f3sito n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o humilhar e rebaixar a popula\u00e7\u00e3o palestina&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":823,"featured_media":25783,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[112,42,165,108,1257],"tags":[],"class_list":["post-25782","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura-pt-pt","category-internacional-2","category-opiniao","category-oriente-medio","category-paz-desarmamento"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Impress\u00f5es de uma visita a Gaza<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"http:\/\/facebook.com\/paulogenovese\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2012-11-26T23:12:31+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2012-11-27T02:23:55+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"470\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"238\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Paulo Genovese\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@PauloGenovese\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Paulo Genovese\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\"},\"author\":{\"name\":\"Paulo Genovese\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/13329ac0aa553fef9bedd73ebc643c7c\"},\"headline\":\"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza\",\"datePublished\":\"2012-11-26T23:12:31+00:00\",\"dateModified\":\"2012-11-27T02:23:55+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\"},\"wordCount\":3003,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg\",\"articleSection\":[\"Cultura e M\u00eddia\",\"Internacional\",\"Opini\u00e3o\",\"Oriente M\u00e9dio\",\"Paz e Desarmamento\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\",\"name\":\"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg\",\"datePublished\":\"2012-11-26T23:12:31+00:00\",\"dateModified\":\"2012-11-27T02:23:55+00:00\",\"description\":\"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg\",\"width\":\"470\",\"height\":\"238\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/13329ac0aa553fef9bedd73ebc643c7c\",\"name\":\"Paulo Genovese\",\"description\":\"Pressenza editor in Portuguese. Member of the Humanist Movement and the Centre of Studies of the Park of Study and Reflection, Caucaia, Brazil\",\"sameAs\":[\"http:\/\/facebook.com\/paulogenovese\",\"https:\/\/x.com\/PauloGenovese\"],\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/paulo-genovese\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza","description":"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza","og_description":"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_author":"http:\/\/facebook.com\/paulogenovese","article_published_time":"2012-11-26T23:12:31+00:00","article_modified_time":"2012-11-27T02:23:55+00:00","og_image":[{"width":470,"height":238,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Paulo Genovese","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@PauloGenovese","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"Paulo Genovese","Tempo estimado de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/"},"author":{"name":"Paulo Genovese","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/13329ac0aa553fef9bedd73ebc643c7c"},"headline":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza","datePublished":"2012-11-26T23:12:31+00:00","dateModified":"2012-11-27T02:23:55+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/"},"wordCount":3003,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg","articleSection":["Cultura e M\u00eddia","Internacional","Opini\u00e3o","Oriente M\u00e9dio","Paz e Desarmamento"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/","name":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg","datePublished":"2012-11-26T23:12:31+00:00","dateModified":"2012-11-27T02:23:55+00:00","description":"Na Faixa de Gaza, a \u00e1rea de maior densidade populacional do planeta, um milh\u00e3o e meio de pessoas est\u00e3o constantemente sujeitas a eventuais e ami\u00fade","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/foto_mat_39043.jpg","width":"470","height":"238"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2012\/11\/impressoes-de-uma-visita-a-gaza\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Impress\u00f5es de uma visita a Gaza"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/13329ac0aa553fef9bedd73ebc643c7c","name":"Paulo Genovese","description":"Pressenza editor in Portuguese. Member of the Humanist Movement and the Centre of Studies of the Park of Study and Reflection, Caucaia, Brazil","sameAs":["http:\/\/facebook.com\/paulogenovese","https:\/\/x.com\/PauloGenovese"],"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/paulo-genovese\/"}]}},"place":"","original_article_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/823"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25782\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}