{"id":2550049,"date":"2024-09-26T14:09:45","date_gmt":"2024-09-26T13:09:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=2550049"},"modified":"2024-09-27T01:45:32","modified_gmt":"2024-09-27T00:45:32","slug":"a-historia-escondida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria escondida"},"content":{"rendered":"<p>Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos mostram o que aconteceu entre um tempo e outro, a passagem de um mundo de riscos materiais, para outro de riscos subjetivos. Nara nasceu um pouco antes da morte do bisav\u00f4, mas ouviu e aprendeu de outras pessoas suas hist\u00f3rias por ter sido sempre um ouvido atento e ser uma boa contadora de casos. Parece que esta aten\u00e7\u00e3o aos talentos natos das crian\u00e7as e o est\u00edmulo familiar e comunit\u00e1rio a estes n\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e1tica t\u00e3o antiga. Sem d\u00favida foi a concep\u00e7\u00e3o, hoje t\u00e3o comum, de que cada pessoa vem servir ao mundo com seus talentos, que fez Nara ser escolhida ainda menina para contar hist\u00f3rias que evidenciam a linhagem de cada pessoa e da comunidade.<\/p>\n<p>O bisav\u00f4 Ant\u00f4nio viveu no tempo do colapso, entre os anos 2020 e 2040 e j\u00e1 era parte de uma comunidade vision\u00e1ria quando a grande debacle aconteceu. Ele saiu da cidade grande com amigas e amigos para fundar a comunidade da Serra enquanto a maioria das pessoas ainda estava imersa no produtivismo e consumismo, cega ao que estava por vir. Eram chamados de ecovileira.os estas pessoas esquisitas que abra\u00e7avam o desconsumo, abandonavam as cidade para construir pequenas aldeias ecol\u00f3gicas, se propondo a viver de modo ancestral. Ant\u00f4nio ergueu com suas pr\u00f3prias m\u00e3os \u2013 e a de todes da comunidade \u2013 o armaz\u00e9m que guardava a comida produzida por elas e eles: comida s\u00e3, sem veneno nem manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, produzida de maneira restaurativa, em diferentes modalidades de agroflorestas. Cultivavam comida e \u00e1rvores ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>J\u00e1 seu av\u00f4 Fernando, filho de Ant\u00f4nio e \u00c1urea e nascido neste mundo s\u00e3o, contou-lhe como estranhava as pessoas que ainda viviam nas cidades comendo veneno e vivendo uma vida psicologicamente envenenada. \u00a0Foi com muito medo que viu por tr\u00eas vezes a comunidade da Serra ser invadida por hordas de famintos vindos de todos os lados para pilhar o armaz\u00e9m. Ele era crian\u00e7a e n\u00e3o fez parte dos combates, apenas da reconstru\u00e7\u00e3o. O v\u00f4 Ant\u00f4nio tinha dito a Fernando que na primeira invas\u00e3o a comunidade n\u00e3o reagiu porque estava penalizada com o estado daquelas pessoas esfomeadas. Na segunda vez eles tiveram que reagir, pois houve viol\u00eancia. Na terceira perceberam que nem poderiam mais plantar, pois o armaz\u00e9m seria invadido quando estivesse cheio novamente e assim combateram ferozmente os invasores.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve uma quarta vez, pois a comunidade da Serra subiu mais a montanha em dire\u00e7\u00e3o a um lugar que a protegeu por mais de meio s\u00e9culo. A Serra da Serra. Nara nascera aqui, em 2112, j\u00e1 em tempo de paz e prosperidade. Sua m\u00e3e, Mariana, filha de Fernando e Anita e neta de Ant\u00f4nio e \u00c1urea, foi a \u00faltima guardi\u00e3 da hist\u00f3ria antes dela, tamb\u00e9m j\u00e1 tinha nascido em tempos de paz, mas a m\u00e3e de sua m\u00e3e, Anita, companheira do vov\u00f4 Fernando e do vov\u00f4 Adolfo vivera com eles tempos dif\u00edceis na consolida\u00e7\u00e3o da Serra da Serra. Ap\u00f3s terem fugido da comunidade que tinham feito prosperar em comida, floresta, gente e recursos em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o do mundo, viveram tempos materialmente duros e subjetivamente ricos: a solid\u00e3o comunit\u00e1ria dos altos da serra.<\/p>\n<p>Toda a comunidade, aos poucos, migrou para um lugar escondido, t\u00e3o inacess\u00edvel que ficaram desconectados &#8211; e assim protegidos &#8211; nos tempos mais duros dos tempos duros. O casal Ant\u00f4nio e Flor estavam entre os primeiros a migrar.\u00a0 Ele carpinteiro e guarda do armaz\u00e9m e ela agricultora e bi\u00f3loga foram inventar a vida na Serra da Serra com mais dois casais. Os filhos foram um pouco depois, quando as casas estavam constru\u00eddas e as hortas produzindo. Todos sabiam que era necess\u00e1rio sair aos poucos para n\u00e3o chamar a aten\u00e7\u00e3o e se manterem protegidos. J\u00e1 viviam um pouco isolados pois as pessoas da regi\u00e3o ainda estavam hipnotizadas pelo consumo e busca obsessiva de sucesso material, enquanto aquela gente da Serra vivia para a terra, a comunidade, o autoconhecimento e a celebra\u00e7\u00e3o da Vida e da Natureza. Assim, quando tudo colapsou, eles tinham o mais importante: comida, \u00e1gua, casas frescas e vizinhan\u00e7a solid\u00e1ria, mas estavam arrodeados de desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ecovila da Serra era muito querida pela gente da regi\u00e3o, que a protegeu o quanto pode, mas eles eram os \u201cricos\u201d em meio ao caos e assim a comunidade foi visada, a princ\u00edpio por famintos, depois por criminosos. Eles tinham sua pr\u00f3pria \u00e1gua, sua pr\u00f3pria energia, seu pr\u00f3prio combust\u00edvel, sua comida nutritiva e saborosa. Eram pessoas criativas e independentes, que passavam horas em reuni\u00f5es estranhas, cheias de flores, incensos, c\u00e2nticos e sil\u00eancios para decidirem o que iam plantar, quem fazia o qu\u00ea, quem seria parte do pr\u00f3ximo grupo dirigente. Tanta beleza nos encontros e m\u00e9todos para acalmar os \u00e2nimos eram necess\u00e1rios pois naquele bando de gente alternativa cada pessoa tinha suas pr\u00f3prias ideias sobre como fazer as coisas. E as reuni\u00f5es tinham momentos lindos e harmoniosos, mas tamb\u00e9m eram cheias de momentos de desentendimentos e arroubos pessoais onde se dizia \u201cvou me embora daqui, n\u00e3o aguento mais\u201d.<\/p>\n<p>Mas iam ficando, segundo contaram a Nara. Fora uns que partiam e outros que chegavam, a comunidade na quarta d\u00e9cada do s\u00e9culo passado se manteve com uns 80 adultos e seus filhos que iam crescendo sabendo que viviam um mundo diferente. Quando come\u00e7aram a ser invadidos, os conflitos escassearam e uma urg\u00eancia de defender o que tinham criado imp\u00f4s uma paz interna que nunca tinha sido t\u00e3o grande. O plano coletivo de ir embora veio na \u00faltima invas\u00e3o, mas tamb\u00e9m quando os sinais de colapso j\u00e1 eram di\u00e1rios. Depois da inunda\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, em 2024, nada mais foi igual. Apesar da loucura de alguns que persistiram na nega\u00e7\u00e3o do \u00f3bvio, a ideia de que nada mais era seguro em termos ambientais foi tomando corpo. Como sempre, a in\u00e9rcia dos modos de vida s\u00f3 \u00e9 sacudida pelas cat\u00e1strofes. Foi assim com o grande inc\u00eandio da regi\u00e3o da Serra, que abrangeu quase toda a Chapada Diamantina.<\/p>\n<p>Aqueles vision\u00e1rios e vision\u00e1rias eram gente bem-informada e bem formada, com profissionais vindos de diferentes campos. Tinham fundado a Serra no in\u00edcio do mil\u00eanio por n\u00e3o suportarem mais viver um mundo sem sa\u00edda e queriam construir algo novo. Prepararam-se para o que ia vir em todas as frentes. Tornaram-se aut\u00f4nomos no essencial e sabiam dos riscos dos inc\u00eandios que come\u00e7aram a ocorrer com frequ\u00eancia ainda no in\u00edcio de sua instala\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. Cercaram suas terras com plantas suculentas que continham muita \u00e1gua e assim os protegia, n\u00e3o completamente, claro, dos inc\u00eandios que cresciam em intensidade e \u00e1rea atingida a cada ano. No ano do grande inc\u00eandio, a Chapada Diamantina quase inteira queimou, os fogos em diferentes pontos foram se encontrando num braseiro inimagin\u00e1vel em pleno abril, \u00e9poca em que a chuva normalmente j\u00e1 come\u00e7ou. Ela tardou daquela vez e tudo estava muito, muito seco, sem ver \u00e1gua significativa desde novembro do ano anterior.<\/p>\n<p>O inc\u00eandio foi combatido por brigadas profissionais e volunt\u00e1rias por dias e dias, sem sucesso. Os avi\u00f5es n\u00e3o paravam de jogar \u00e1gua no fogo em voos intermin\u00e1veis e reabastecimento ininterrupto. As brigadas estavam exaustas, os pilotos tamb\u00e9m. As pessoas entravam em choque a cada not\u00edcia de cidades queimando, de casas sendo destru\u00eddas&#8230; e o medo de serem as pr\u00f3ximas v\u00edtimas ia crescendo. As lavouras, j\u00e1 muito secas, foram arrasadas pelo fogo. A solu\u00e7\u00e3o veio de uma chuva absolutamente anormal para aquele per\u00edodo do ano. Uma \u201ctrovoada\u201d hist\u00f3rica, como uma provid\u00eancia divina, que choveu em toda a Chapada como s\u00f3 acontece nos meses de novembro, dezembro e janeiro. Era t\u00e3o milagroso que as manifesta\u00e7\u00f5es de agradecimento aos diferentes santos e santas da regi\u00e3o foram organizadas espontaneamente e carregaram centenas de milhares de pessoas para as ruas em um gesto de f\u00e9 nunca visto antes. Crentes e n\u00e3o crentes acreditaram que foram salvos pela gra\u00e7a divina.<\/p>\n<p>Fernando era menino e contou \u00e0 neta Nara, 70 anos depois, como tinha ficado aliviado de ver sua ecovila e planta\u00e7\u00f5es completamente salvas em meio \u00e0 devasta\u00e7\u00e3o. Ant\u00f4nio, o pai dele explicara que a comunidade tinha ficado \u00e0 salvo do fogo por ter aumentado a umidade com um n\u00famero significativo de pequenos e grandes tanques de \u00e1gua e com as florestas regeneradas e agroflorestas que tinham criado. Mais tamb\u00e9m pelas grossas planta\u00e7\u00f5es de cact\u00e1ceas nas cercas da propriedade coletiva, e a estrada que contornava quase toda a \u00e1rea. \u00c9 verdade que o vento tamb\u00e9m ajudou, n\u00e3o empurrando muito o fogo para a dire\u00e7\u00e3o da Serra, j\u00e1 que alguns vizinhos tinham sido atingidos. Com as colheitas perdidas e o dinheiro escasso, as pessoas da regi\u00e3o passaram por momentos desesperadores e de muita migra\u00e7\u00e3o em busca de possibilidades em outros lugares, mas o caos estava se instalando por todo lado.<\/p>\n<p>Depois desta experi\u00eancia, Fernando passou um tempo de maravilhamento com os super-her\u00f3is da Serra que mantiveram a comunidade a salvo do fogo. Entretanto, ap\u00f3s a primeira invas\u00e3o e o roubo dos armaz\u00e9ns, ele se sentiu desprotegido por sentir fome, como nunca experimentara. N\u00e3o era exatamente uma fome de n\u00e3o ter nada para comer, era uma fome de comer a mesma coisa insossa todo dia, j\u00e1 que s\u00f3 as ra\u00edzes e os vegetais verdes tinham sobrado da primeira invas\u00e3o e tiveram que comer isto at\u00e9 a nova colheita. Replantaram tudo, reconstru\u00edram tudo, at\u00e9 serem novamente invadidos. Os m\u00e9todos foram outros, muito mais organizados e violentos neste segundo evento, assim como no terceiro. N\u00e3o era mais poss\u00edvel ficar ali.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a pra Serra da Serra foi planejada minunciosamente. Vendiam o que era poss\u00edvel, levaram ferramentas e v\u00edveres e se deram o tempo, atrav\u00e9s das fundadoras e fundadores, de conhecerem e constru\u00edrem as condi\u00e7\u00f5es de vida naquele universo pedregoso, lindo e molhado do alto das serras. Como conseguiram deslocar cerca de 80 pessoas entre adultos e crian\u00e7as paro o alto da serra com todas as suas tralhas para viver sem que ningu\u00e9m descobrisse \u00e9 at\u00e9 hoje um mist\u00e9rio, sobretudo nas condi\u00e7\u00f5es em que o fizeram: a p\u00e9, subindo escarpas espantosas. Muita solidariedade foi necess\u00e1ria para levar os velhos e as crian\u00e7as menores. O medo e a esperan\u00e7a lhes empurravam, pois em torno deles a devasta\u00e7\u00e3o do fogo e do caos social mostravam que n\u00e3o haveria mais vida poss\u00edvel onde estavam. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas j\u00e1 teriam sido suficientes para aniquilar um modo de viver, mas a estupidez humana fez com que uma guerra mundial se estabelecesse ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Na verdade, poucos pa\u00edses entraram em guerra realmente: aqueles que lutavam pela supremacia. A velha supremacia guerreava com a nova, mas todas as na\u00e7\u00f5es foram afetadas com a guerra. O com\u00e9rcio internacional praticamente parou, as institui\u00e7\u00f5es se fragilizaram em todo o mundo, os esfor\u00e7os de guerra fizeram crescer absurdamente a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais para produzir armas, tanques, sat\u00e9lites, drones, e n\u00e3o comida. Junto com a imprevisibilidade e mudan\u00e7as no clima, a agricultura foi se tornando invi\u00e1vel, os pre\u00e7os crescendo e a fome rondando. A Europa, mais uma vez, foi o palco principal da guerra e o extremo oriente o palco secund\u00e1rio. Com os EUA e a China envolvidos na guerra at\u00e9 o pesco\u00e7o, as ind\u00fastrias que abasteciam o mundo foram parando e a tralharia consumista que circundava os mares deixou de navegar.<\/p>\n<p>Enquanto o velho mundo desmoronava, ele engendrava um herdeiro monstruoso: a vida sint\u00e9tica. Os centros de pesquisa da internet e da intelig\u00eancia artificial se multiplicavam e funcionavam a todo o vapor e a guerra cibern\u00e9tica era t\u00e3o ou mais importante que os campos de batalha. Quando um centro destes era destru\u00eddo pelo fogo inimigo, ele transferia automaticamente suas pesquisas aos demais numa perfeita rede de coopera\u00e7\u00e3o. A tecnologia dava passos largos em meio \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o e a automa\u00e7\u00e3o substitu\u00eda os humanos na guerra e na produ\u00e7\u00e3o, gerando artificialmente o que a Natureza tinha produzido mil\u00eanios \u00e0 fio: comida sint\u00e9tica, c\u00f4njuges sint\u00e9ticos, casas sint\u00e9ticas que davam a sensa\u00e7\u00e3o a quem vivia em 40 m2, de viver em 200. Para fugir da guerra, das cat\u00e1strofes clim\u00e1ticas e do caos, uma parte significativa da humanidade ficou presa a um mundo inventado.<\/p>\n<p>Enquanto isto, do outro lado da vida real, principalmente nas \u00e1reas mais perif\u00e9ricas do mundo, o cotidiano quase voltava \u00e0 era pr\u00e9-industrial. Voltava-se a produzir alimento de verdade nos quintais e \u00e1reas vazias das cidades, a cozinhar com lenha, ao escambo de materiais, a construir tudo com materiais locais, a usar animais para o transporte&#8230;s\u00f3 a internet continuava realmente dispon\u00edvel, mesmo que com grandes solavancos. A comunidade da Serra da Serra estava neste lado da realidade e a antena que tinham instalado no alto do alto da serra servia a lhes manter \u2013 quando queriam &#8211; informados sobre o mundo apesar de estar fora dele. Nara, como guardi\u00e3 do passado, n\u00e3o se interessava muito pelo presente, mas seu irm\u00e3o Artur era parte da equipe de conex\u00e3o.<\/p>\n<p>O milagre destes tempos foi o acordo de n\u00e3o uso de armas nucleares. Negociadores de ambos os lados passaram tanto tempo juntos para chegarem a um acordo para que o nuclear ficasse fora da guerra que foi a confian\u00e7a que constru\u00edram entre si que garantiu o respeito \u00e0 regra. L\u00f3gico, e o medo do fim de tudo. Ficaram amigos e amigas e deram suas palavras. Foram estas for\u00e7as aparentemente t\u00e3o fr\u00e1geis, a amizade e a palavra, que garantiram que a guerra n\u00e3o acabasse a humanidade subitamente, como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas estavam fazendo aos poucos.<\/p>\n<p>Para Antonio e Anita e os dois outros casais fundadores da Serra da Serra, o tempo de instala\u00e7\u00e3o foi extremamente duro. Viviam em um lugar encantador, mas selvagem e que n\u00e3o oferecia condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de subsist\u00eancia. Trouxeram ferramentas, mantimentos e sementes e tiveram que construir n\u00e3o s\u00f3 uma casa para si, mas uma casa comunit\u00e1ria para os que vieram em seguida e planta\u00e7\u00f5es para dar comida a todo mundo. Assim foi o procedimento: cada grupo chegava tendo um lugar para morar e constru\u00eda a resid\u00eancia dos pr\u00f3ximos. Com pedra e madeira, abundantes na regi\u00e3o, em um ano j\u00e1 havia quatro casas e 26 pessoas, assim como hortas, pomares e planta\u00e7\u00f5es de cereais. As placas solares vieram logo e aos poucos voltaram a ter o conforto da energia el\u00e9trica, inclusive para acesso \u00e0 internet. Mas trazer as instala\u00e7\u00f5es diversas, desde a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel para as m\u00e1quinas \u00e0s engrenagens que facilitavam o dia a dia comunit\u00e1rio foi uma verdadeira epopeia.<\/p>\n<p>Os desafios eram tr\u00eas: desmontar tudo em pe\u00e7as pequenas, migrar desapercebidos pela vizinhan\u00e7a e subir a escarpa da alta serra carregados com tantas tralhas. Tiveram que estabelecer um acampamento de descanso, uma engenharia discreta e potente para i\u00e7ar elementos sem serem percebidos. As crian\u00e7as eram outro desafio: curiosas e alegres, faziam muito barulho, muitas perguntas e arriscavam colocar tudo a perder. Mas eram tamb\u00e9m o motivo pelo qual todes queriam migrar: proteg\u00ea-las, criar um mundo bom e seguro para elas. Fernando estava entre as crian\u00e7as que migraram primeiro e constru\u00edram um modo de vida infantil l\u00e1 naquelas alturas permitindo que as demais crian\u00e7as se adaptassem facilmente.<\/p>\n<p>O modo meio isolado com que a comunidade da Serra viveu ajudou muito a manter a ordem e a discri\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de transfer\u00eancia. Elas e eles n\u00e3o tinham pessoas empregadas vindas de fora, apenas ajuda ocasional em tempos de maior trabalho.\u00a0 Eram extremamente organizados em sua autonomia, portanto, a governan\u00e7a da transfer\u00eancia se deu sem traumas, com cada grupo esperando sua hora definida coletivamente segundo crit\u00e9rios aprovados por todes. Diziam aos vizinhos que as pessoas da comunidade estavam desistindo de viver em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o dif\u00edceis e estavam voltando para as cidades grandes de origem e assim explicavam o esvaziamento da ecovila. E assim a Serra ia se despovoando e a Serra da Serra ia se povoando. Deslocaram-se aos poucos e carregaram consigo um modo de vida s\u00f3brio, cooperativo, ecol\u00f3gico e trabalhador.<\/p>\n<p>Nos altos da serra o trabalho era duro, mas a intera\u00e7\u00e3o com o mundo externo que existia em baixo foi substitu\u00edda por um aprofundamento do modo de vida \u201cn\u00e3o material\u201d na Serra da Serra. O mundo de desconsumo e poucas coisas que tinham constru\u00eddo na Serra, evoluiu por um mundo com ainda menos coisas e ainda mais busca cultural e espiritual. J\u00e1 a segunda gera\u00e7\u00e3o de moradores de Serra da Serra tinha habilidades n\u00e3o convencionais muito superiores aos pais. Livres da escola tradicional e das distra\u00e7\u00f5es do velho mundo, as crian\u00e7as eram educadas para o Bem Viver: a afetividade, o autoconhecimento, a conduta altru\u00edsta, as decis\u00f5es e tarefas partilhadas, os rituais de conex\u00e3o com a Natureza. Assim, desenvolviam seus potenciais criativos e intuitivos, permitindo at\u00e9 o desenvolvimento primitivo da telepatia, por exemplo, como novo modo de comunica\u00e7\u00e3o entre elas.<\/p>\n<p>Eram como novas tribos ind\u00edgenas, carregando o melhor das popula\u00e7\u00f5es \u201ccivilizadas\u201d: o respeito \u00e0 individualidade e \u00e0s escolhas de cada pessoa, a igualdade de g\u00eanero e a escuta aos jovens, o conhecimento de t\u00e9cnicas e ferramentas que facilitam a vida, a governan\u00e7a participativa onde todes tinham lugar e n\u00e3o apenas os mais velhos. Este renascer para a vida tribal em comunidade na Natureza guardava o positivo de dois mundos e a comunidade de Serra da Serra sabia disto, preparando-se para, em algum momento, quando a paz e estabilidade voltassem, partilhar ao vivo com comunidades externas o que tinham aprendido nesta fus\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia um cacique, mas lideran\u00e7as de servi\u00e7o circulares e grupos de trabalho, e c\u00edrculos de discuss\u00e3o por tema entre pessoas mais afins com determinados assuntos essenciais ligados \u00e0 vida cotidiana. A assembleia comunit\u00e1ria era sempre assessorada por quem dedicava \u00e0 vida a determinadas tarefas: como educar as crian\u00e7as, melhorar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, manter a sa\u00fade das pessoas, resolver conflitos internos, partilhar os recursos e planejar o futuro, por exemplo. N\u00e3o havia um paj\u00e9, mas diversos tipos de s\u00e1bias e s\u00e1bios que serviam \u00e0 comunidade e tinham autoridade em seu servi\u00e7o ao coletivo. A hist\u00f3ria da tribo era contada oralmente e por escrito pela guardi\u00e3 da Hist\u00f3ria, hoje o lugar que Nara ocupa, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais e rituais eram organizadas pelas pessoas que manifestavam talento para isto desde cedo. Cada pessoa que nascia era celebrada no servi\u00e7o que prestaria e na forma de Vida que possu\u00eda, cada pessoa que morria tinha o agradecimento de todes e se despedia para se encontrar depois, em outros mundos, como acreditavam.<\/p>\n<p>O primeiro s\u00e9culo do terceiro mil\u00eanio tinha assim sido turbulento e destrutivo, mas tinha engendrado uma nova civiliza\u00e7\u00e3o em bols\u00f5es perdidos no planeta, como na Serra da Serra.\u00a0 Enquanto o velho mundo vivia a pen\u00faria, a separa\u00e7\u00e3o e a guerra, estes novos mundos aprendiam a viver em paz, com a firme convic\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 conectado e que cada gesto individual pesa no todo. A ci\u00eancia mais avan\u00e7ada do mil\u00eanio concordava com as tradi\u00e7\u00f5es ancestrais, dizendo que tudo vibra e interfere no todo vibrat\u00f3rio, construindo assim a vida material. O povo da Serra da Serra estava atento aos pr\u00f3prios pensamentos e sentimentos tanto quanto \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es, para que a clareza, a paz e a harmonia conseguida no campo sutil se refletissem no mundo material que estavam construindo.<\/p>\n<p>Outras comunidades ao redor do mundo tamb\u00e9m viviam este paradigma emergente, t\u00e3o mais feminino e colaborativo, t\u00e3o mais espiritualizado e inteligente: um mundo de igualdade e senso de prop\u00f3sito, um mundo mais adulto onde cada pessoa buscava fazer sua parte para construir o Todo conectado. O panorama do velho mundo mostrava a enormidade do problema criado pelo paradigma infantil da separa\u00e7\u00e3o: salvadores da p\u00e1tria se sucediam prometendo resolver os problemas clim\u00e1ticos e da guerra, em disputas intestinas pelo poder e resultados p\u00edfios. As \u201cmassas\u201d viviam na ilus\u00e3o de que algu\u00e9m resolveria seus enormes problemas e se refugiava no fanatismo religioso e nas ilus\u00f5es criadas pela intelig\u00eancia artificial, particularmente os mundos ilus\u00f3rios de felicidade imagin\u00e1ria e de culpados malvados perseguidos e presos. Ao n\u00e3o se responsabilizar sobre seu destino, ficavam presas na roda infantil da depend\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas cada vez mais gente questionava este estado de coisas, se rebelava, se afastava desta realidade dura e fantasiosa ao mesmo tempo. As mentes se rebelavam contra a ditadura da raz\u00e3o e percebiam que a sabedoria dos mitos era t\u00e3o explicativa dos mundos, quanto a f\u00edsica qu\u00e2ntica ou a f\u00edsica multiverso. E queriam mais intui\u00e7\u00e3o e arte. As emo\u00e7\u00f5es permitiam a liberta\u00e7\u00e3o pela clareza de que tristeza fabricava tristeza, opress\u00e3o fabricava maldade, baixa estima fabricava doen\u00e7a, vazio fabricava superficialidade, \u00f3dio fabricava guerra. E queriam mais alegria e amor. Os corpos ensinavam que o que se come, o que se sente, onde se vive, como se move, como se dorme e respira determinam a sa\u00fade ou a doen\u00e7a. E queriam leveza, Natureza e afetividade. E a alma ensina que sem perceber que tudo est\u00e1 interligado no cont\u00ednuo vibrat\u00f3rio que anseia por evoluir cada pessoa n\u00e3o encontra seu lugar na teia do mundo onde cada uma e cada um tem seu prop\u00f3sito e lugar sagrados.<\/p>\n<p>E assim, quem buscava alternativa acabava por encontrar caminhos pr\u00f3prios e at\u00e9 mesmo estas experi\u00eancias inovadoras, as comunidades que se escondiam para sobreviver. Encontrar um mundo assim, inteiro e real funcionando de forma t\u00e3o simples, pac\u00edfica e alegre era um b\u00e1lsamo para quem tinha a felicidade de tal encontro. Era um renascer de esperan\u00e7as, era um portal de possibilidades. E a comunidade de Serra da Serra sabia disto. Assim como muitas outras. Estavam esperando h\u00e1 muito tempo o momento certo para se mostrarem e agora que o mundo externo em decl\u00ednio j\u00e1 n\u00e3o era t\u00e3o grande amea\u00e7a, chegava a hora. J\u00e1 tinham tentado muitas vezes, de modo isolado, mas recuaram em nome da pr\u00f3pria seguran\u00e7a. Agora, preparavam-se para agir em conjunto, inundando o mundo com verdades simples que testemunhavam no cotidiano: a vida \u00e9 muito mais que mat\u00e9ria; o amor se constr\u00f3i em cada gesto; a Natureza \u00e9 a M\u00e3e Sagrada; o feminino e o masculino s\u00e3o almas complementares que se manifestam muito al\u00e9m do g\u00eanero biol\u00f3gico; a diversidade \u00e9 a fonte de toda riqueza&#8230; e tantas coisas \u00f3bvias assim&#8230;<\/p>\n<p>A conex\u00e3o entre as comunidades alternativas e tribais sempre existira na grande rede virtual de informa\u00e7\u00f5es, mas sem se mostrar ao grande p\u00fablico. Nas camadas profundas da internet, pessoas renovavam rela\u00e7\u00f5es que um dia tinham existido de forma real antes do colapso, ou nutriam rela\u00e7\u00f5es novas, tecidas virtualmente ao longo das d\u00e9cadas. O comit\u00ea de conex\u00e3o era uma realidade em quase todas as comunidades, aperfei\u00e7oando tecnologias, avaliando riscos de serem descobertos e assim perseguidos e at\u00e9 destru\u00eddos. A comunica\u00e7\u00e3o virtual era uma face material de uma comunica\u00e7\u00e3o mais profunda, de certa forma telep\u00e1tica, de valores, modos de vida, aprendizados, conta\u00e7\u00f5es de hist\u00f3rias, e at\u00e9 hist\u00f3rias de amor. Fora assim que Artur conhecera Nzumba, virtualmente, e que o romance se desenvolveu de modo rocambolesco, entre dois membros de equipes de conex\u00e3o de uma comunidade brasileira e outra angolana.<\/p>\n<p>Artur partilhava com a rede de comunidades alternativas as hist\u00f3rias contadas por Nara sobre sua pr\u00f3pria comunidade, al\u00e9m de tratar das quest\u00f5es t\u00e9cnicas da conex\u00e3o em rede na internet profunda. Nzumba era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria de sua comunidade Malungo e, ao contr\u00e1rio de Nara, era tamb\u00e9m apaixonada por tecnologia. Com Artur contando as hist\u00f3rias da irm\u00e3, a paix\u00e3o virtual se estabeleceu entre os dois e fez Artur atravessar o oceano &#8211; apesar de todos os perigos e dificuldades destes tempos &#8211; para encontr\u00e1-la e traz\u00ea-la para a Serra da Serra. Ap\u00f3s perip\u00e9cias dram\u00e1ticas e toques rom\u00e2nticos eles hoje, juntos no Brasil, avaliavam no horizonte o momento de trazer ao mundo a exist\u00eancia quase m\u00edtica destas comunidades do Bem Viver. Malungo e Serra da Serra, como milhares de outros ajuntamentos humanos tinham inventado modos exc\u00eantricos de vida, t\u00e3o diversificados e t\u00e3o iguais em sua ess\u00eancia de serem alternativa \u00e0 guerra e ao colapso clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>De modo afetuoso, as comunidades regenerativas buscavam contatos com os rebeldes que ainda viviam no velho mundo e se empenhavam em construir alternativas ali mesmo onde viviam. De modo articulado elas escreviam suas hist\u00f3rias de resist\u00eancia, num grande bordado de criatividade humana em face \u00e0 barb\u00e1rie que precisava ser conhecido para desmascarar a mentira de uma realidade fake criada para iludir. De modo cooperativo elas teciam la\u00e7os econ\u00f4micos e culturais de forma discreta e cont\u00ednua para se refor\u00e7arem mutuamente. De modo virtual elas ajustavam seus planos de \u201cinvadir\u201d o velho mundo a um s\u00f3 tempo, de modo que a sua exist\u00eancia m\u00faltipla e esperan\u00e7osa n\u00e3o deixasse d\u00favida de que era real. De modo concreto elas se preparavam para receber com asa e comida aqueles que quisessem vir refor\u00e7ar a grande reconstru\u00e7\u00e3o e testemunhar que outro mundo era poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O grande teatro multil\u00edngue e multicor estreou no mundo no mesmo dia, ao cair da tarde, em diferentes horas nos cinco continentes. A comunidade de Serra da Serra desceu das alturas em pequenos grupos para estrear em diferentes cidades: m\u00fasica, dan\u00e7a, alegria, figurinos, sorrisos. Em muitos lugares da Terra estes exc\u00eantricos vieram mostrar o que tinham constru\u00eddo ao longo de um s\u00e9culo de retiro. Era o dia 18 de agosto de 2146: no inverno do Sul e no ver\u00e3o do Norte a festa foi inesquec\u00edvel. As cenas inesperadas de simples alegria, autenticidade e cor, em teatros narrando as perip\u00e9cias de cada comunidade para sobreviver e prosperar mostrava ao mundo que a busca evolutiva humana nunca tinha desaparecido. Que retirar-se do mundo tinha sido uma for\u00e7a construtiva permitindo que outras realidades se desenvolvessem. No tempo em que o mundo tradicional se digladiava e refugiava-se na realidade fake em face \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o, os mundos novos estavam se gestando na Natureza regenerada, nas rela\u00e7\u00f5es igualit\u00e1rias e amorosas, no poder partilhado, necessidades b\u00e1sicas garantidas a todes.<\/p>\n<p>A receptividade calorosa das pessoas que enfrentavam o velho mundo de dentro dele permitiu que a festa se expandisse rapidamente em todo lugar do pequeno grupo original vindo de fora para atingir mais e mais pessoas curiosas, espantadas e encantadas. A not\u00edcia correu o mundo com imagens e hist\u00f3rias t\u00e3o diversificada quanto iguais. A aflu\u00eancia da juventude foi espantosa: de onde saiam estes anjos ca\u00eddos que mostravam portas de diferentes c\u00e9us na terra? Como n\u00e3o se empolgar com tanta alegria s\u00e3, com tanta autenticidade e beleza? Como nos tempos em que os circos carregavam com eles novos sonhadores e artistas, as caravanas voltavam pros seus ninhos cheios de novos membros que queriam descobrir o jeito de viver que transbordava arte, leveza e partilha junto ao trabalho duro de se responsabilizar por seu pr\u00f3prio seu sustento, pela realiza\u00e7\u00e3o de seus pr\u00f3prios sonhos. Neste dia, em que o velho mundo j\u00e1 claudicava em suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es e fragilidades, a esperan\u00e7a que germinava e prosperava h\u00e1 d\u00e9cadas carregou multid\u00f5es.<\/p>\n<p>Pouca coisa ser\u00e1 um conto de fadas a partir daqui, mesmo com as comunidades refor\u00e7adas em gente e ideias novas que resistir\u00e3o aos esfor\u00e7os de aniquila\u00e7\u00e3o at\u00e9 vencer completamente. Nara, a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria de Serra da Serra contar\u00e1 aos seus filhos e netos a coragem da sua linhagem de recome\u00e7ar e com isto mostrar\u00e1 o caminho para quem vir\u00e1 depois. Outras tantas e tantos guardi\u00f5es ao redor do mundo continuar\u00e3o contando os antecedentes de 2146 e de como a hist\u00f3ria se desenrolar\u00e1 a partir do grande teatro mambembe planet\u00e1rio de hoje. De agora em diante as hist\u00f3rias da resist\u00eancia e regenera\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7ar\u00e3o definitivamente: j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o comunidades alternativas isoladas, mas uma teia de muito sonhos constru\u00eddos coletivamente e mais do que nunca conectados. Trazem consigo a grande for\u00e7a que move a engrenagem evolutiva do mundo: a busca de coer\u00eancia, amor e alegria. Coer\u00eancia entre o que se diz, o que se sente e o que se faz. Alegria de ser inteiro. E de serem assim junto a outros e outras, amorosamente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos mostram o que aconteceu entre um tempo e outro, a passagem de um mundo&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1580,"featured_media":2550050,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,112],"tags":[75238,74030,55697],"class_list":["post-2550049","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-cultura-pt-pt","tag-caderno-de-cultura","tag-ecovilas","tag-futuro-pt-pt"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A hist\u00f3ria escondida<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A hist\u00f3ria escondida\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/profdeboranunes\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-09-26T13:09:45+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-09-27T00:45:32+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"683\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"D\u00e9bora Nunes\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"D\u00e9bora Nunes\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\"},\"author\":{\"name\":\"D\u00e9bora Nunes\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/80597de412a9944f90f2fdd104876abf\"},\"headline\":\"A hist\u00f3ria escondida\",\"datePublished\":\"2024-09-26T13:09:45+00:00\",\"dateModified\":\"2024-09-27T00:45:32+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\"},\"wordCount\":5014,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg\",\"keywords\":[\"caderno de cultura\",\"ecovilas\",\"futuro\"],\"articleSection\":[\"\u00c1m\u00e9rica do Sul\",\"Cultura e M\u00eddia\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\",\"name\":\"A hist\u00f3ria escondida\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg\",\"datePublished\":\"2024-09-26T13:09:45+00:00\",\"dateModified\":\"2024-09-27T00:45:32+00:00\",\"description\":\"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg\",\"width\":1024,\"height\":683},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A hist\u00f3ria escondida\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/80597de412a9944f90f2fdd104876abf\",\"name\":\"D\u00e9bora Nunes\",\"description\":\"D\u00e9bora Nunes es doctora en Urbanismo, con tres post doctorados en torno a temas vinculados a la acci\u00f3n de la sociedad civil y del gobierno participativo. Participa de la red internacional Di\u00e1logos en humanidad y es coordinadora de la Escuela de Sustentabilidad Integral, que se basa en metodolog\u00edas integradoras y en el paradigma cu\u00e1ntico-hol\u00edstico-ecol\u00f3gico. Es profesora titular de la Universidad del Estado de Bahia, en el Curso de Urbanismo. esideboranunes@gmail.com\",\"sameAs\":[\"http:\/\/cirandas.net\/deboranunes\/\",\"https:\/\/www.facebook.com\/profdeboranunes\/\"],\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/debora-nunes\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A hist\u00f3ria escondida","description":"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A hist\u00f3ria escondida","og_description":"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/profdeboranunes\/","article_published_time":"2024-09-26T13:09:45+00:00","article_modified_time":"2024-09-27T00:45:32+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":683,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"D\u00e9bora Nunes","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@PressenzaIPA","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"D\u00e9bora Nunes","Tempo estimado de leitura":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/"},"author":{"name":"D\u00e9bora Nunes","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/80597de412a9944f90f2fdd104876abf"},"headline":"A hist\u00f3ria escondida","datePublished":"2024-09-26T13:09:45+00:00","dateModified":"2024-09-27T00:45:32+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/"},"wordCount":5014,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg","keywords":["caderno de cultura","ecovilas","futuro"],"articleSection":["\u00c1m\u00e9rica do Sul","Cultura e M\u00eddia"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/","name":"A hist\u00f3ria escondida","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg","datePublished":"2024-09-26T13:09:45+00:00","dateModified":"2024-09-27T00:45:32+00:00","description":"Nara, desde jovem, era a guardi\u00e3 da hist\u00f3ria da comunidade da Serra, como em outros tempos seu bisav\u00f4 Antonio foi o guardi\u00e3o do armaz\u00e9m. Estes t\u00edtulos","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/2150694201.jpg","width":1024,"height":683},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/09\/a-historia-escondida\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A hist\u00f3ria escondida"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/80597de412a9944f90f2fdd104876abf","name":"D\u00e9bora Nunes","description":"D\u00e9bora Nunes es doctora en Urbanismo, con tres post doctorados en torno a temas vinculados a la acci\u00f3n de la sociedad civil y del gobierno participativo. Participa de la red internacional Di\u00e1logos en humanidad y es coordinadora de la Escuela de Sustentabilidad Integral, que se basa en metodolog\u00edas integradoras y en el paradigma cu\u00e1ntico-hol\u00edstico-ecol\u00f3gico. Es profesora titular de la Universidad del Estado de Bahia, en el Curso de Urbanismo. esideboranunes@gmail.com","sameAs":["http:\/\/cirandas.net\/deboranunes\/","https:\/\/www.facebook.com\/profdeboranunes\/"],"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/debora-nunes\/"}]}},"place":"Bahia, Brasil","original_article_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2550049","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1580"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2550049"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2550049\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2550050"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2550049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2550049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2550049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}