{"id":1839920,"date":"2024-04-21T16:29:40","date_gmt":"2024-04-21T15:29:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1839920"},"modified":"2024-04-21T22:26:05","modified_gmt":"2024-04-21T21:26:05","slug":"entrevista-com-vasco-esteves-um-sonho-que-nao-foi-completamente-realizado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/04\/entrevista-com-vasco-esteves-um-sonho-que-nao-foi-completamente-realizado\/","title":{"rendered":"Entrevista com Vasco Esteves: Um sonho n\u00e3o completamente realizado"},"content":{"rendered":"<p><em>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c<strong>5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!<\/strong>\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024.<br \/>\nA\u00a0<strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d 1974-75<\/strong>\u00a0trouxe aos portugueses a liberdade ap\u00f3s 48 anos de fascismo, e \u00e0s col\u00f3nias portuguesas de \u00c1frica a independ\u00eancia ap\u00f3s 500 anos de dom\u00ednio imperial. <\/em><em>E foi, n\u00e3o por \u00faltimo, uma experi\u00eancia \u00fanica de socialismo de base durante um ano e meio, um horizonte de esperan\u00e7as para o povo portugu\u00eas que nunca mais se esquecer\u00e1!<\/em><em><br \/>\n<\/em><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/03\/serie-da-pressenza-sobre-portugal-50-anos-depois-viva-a-revolucao-dos-cravos\/\"><strong><em>Aqui podem ser lidos todos os artigos desta s\u00e9rie publicados at\u00e9 hoje!<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Vasco Esteves sobre os anos 68 e a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal.<br \/>\nUma viagem abortada para a liberdade<\/h2>\n<p><em>A entrevista que reproduzimos a seguir foi conduzida pelo jornalista <strong>Peter Steiniger <\/strong>e est\u00e1 ligada a <\/em><em>uma<\/em><em> s\u00e9rie de eventos &#8220;<\/em><a href=\"https:\/\/www.muenzenbergforum.de\/veranstaltung\/portugal-74\/\"><strong><em>A Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos &#8211; Cr\u00f3nica de um Despertar para a Liberdade, o Progresso e a Democracia<\/em><\/strong><\/a><em>&#8221; <\/em><em>que se realizar\u00e3o em Berlim entre 25 de Abril e 2 de Junho de 2024<\/em>. <em>A entrevista foi tamb\u00e9m publicada (ligeiramente encurtada) <strong><a href=\"https:\/\/www.nd-aktuell.de\/artikel\/1181633.portugal-ein-uneingeloester-traum.html\">no di\u00e1rio alem\u00e3o nd (neues deutschland)<\/a><\/strong>. Aqui pode ser lida a entrevista completa.<\/em><\/p>\n<p><strong>(Peter Steiniger) Quando \u00e9 que come\u00e7ou a envolver-se na pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>(Vasco Esteves)<\/strong> De 1965 a 1968, estudei engenharia eletrot\u00e9cnica no Instituto Superior T\u00e9cnico (IST) de Lisboa, e em 1968 fui eleito para a dire\u00e7\u00e3o da &#8220;Associa\u00e7\u00e3o de Estudantes&#8221;. Organiz\u00e1mos protestos e ocupa\u00e7\u00f5es. Quer\u00edamos obter subs\u00eddios estatais para a nossa cantina, que era autogerida. Mas claro que tamb\u00e9m t\u00ednhamos inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, quer\u00edamos um confronto com o Estado fascista.<\/p>\n<p><strong>O sucessor de Salazar tinha anunciado reformas\u2026<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o acredit\u00e1vamos nisso, por isso quer\u00edamos testar o novo governo. O nosso protesto foi a primeira contesta\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a tomada de posse de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Marcello_Caetano\">Marcello Caetano<\/a>, no Outono de 1968 e, logo em Dezembro, ele j\u00e1 tinha encerrado o nosso Instituto e suspendido e processado os organizadores dos protestos.<\/p>\n<p><strong>Que consequ\u00eancias \u00e9 que isso teria para si?<\/strong><\/p>\n<p>Isso conduziria a que eu fosse expulso da universidade. E, sem permiss\u00e3o para estudar, iria ser imediatamente incorporado no ex\u00e9rcito. Eu era absolutamente contra as guerras coloniais portuguesas, e n\u00e3o queria morrer, ainda por cima por uma causa errada. E, na guerra, mandavam sempre as pessoas conhecidas da oposi\u00e7\u00e3o para as miss\u00f5es mais perigosas da frente de batalha. Nessa altura, o servi\u00e7o militar durava quatro anos, dois dos quais tinham de ser cumpridos na guerra.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cFomos particularmente inspirados pelo movimento do Maio de 68 em Fran\u00e7a\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A que corrente da oposi\u00e7\u00e3o pertencia?<\/strong><\/p>\n<p>Eu era independente. At\u00e9 hoje, nunca pertenci a uma organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria. Como a maioria dos estudantes da minha universidade e de muitas outras universidades na altura, eu estava \u00e0 esquerda do Partido Comunista. Alguns eram mao\u00edstas, outros eram do Partido Comunista, mas n\u00e3o faz\u00edamos grandes distin\u00e7\u00f5es entre n\u00f3s: \u00e9ramos todos antifascistas.<\/p>\n<p>A luta antifascista nas universidades foi muito forte desde o final da d\u00e9cada de 1950. E as v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de estudantes iam virando cada vez mais para a esquerda. Nos anos 60, a influ\u00eancia do Partido Comunista no meio acad\u00e9mico foi ultrapassada pela dos radicais de esquerda. Havia tamb\u00e9m alguns socialistas, mas eram exce\u00e7\u00f5es absolutas.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que os protestos em Portugal se interligaram com o cen\u00e1rio internacional?<\/strong><\/p>\n<p>Fomos particularmente inspirados pelo movimento do Maio de 68 em Fran\u00e7a. Cultural e politicamente, est\u00e1vamos muito orientados por eles. L\u00edamos tudo o que havia em franc\u00eas, literatura, jornais&#8230;. Sent\u00edamos que pertenc\u00edamos ao mesmo movimento que se levantava contra o autoritarismo e a guerra do Vietname, e sent\u00edamo-nos reconhecidos por isso. Para n\u00f3s, a nossa luta contra o fascismo e o colonialismo, era a mesma luta.<\/p>\n<p><strong>Mas as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram muito mais duras do que numa democracia?<\/strong><\/p>\n<p>Lut\u00e1vamos diretamente contra o fascismo, mas indiretamente tamb\u00e9m contra o capitalismo, que \u00e9 apenas a face mais toler\u00e1vel do mesmo sistema. Tamb\u00e9m estamos a assistir a isso agora, com a ascens\u00e3o da extrema-direita como um subproduto do neoliberalismo.<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 que saiu de Portugal naquela altura<\/strong>?<\/p>\n<p>Inicialmente, eu queria fugir para a Fran\u00e7a. Mas depois recebi uma bolsa de estudos da Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert, na Alemanha. O SPD de Willy Brandt queria ajudar os socialistas em Portugal. Estes ainda n\u00e3o tinham um partido, mas a Ac\u00e7\u00e3o Socialista Portuguesa (ASP) de M\u00e1rio Soares. A este grupo de Soares foram oferecidas cinco bolsas para estudantes que fossem perseguidos pelo fascismo. No entanto, os socialistas eram apenas um pequeno clube de intelectuais da alta burguesia &#8211; advogados, docentes, catedr\u00e1ticos &#8211; e n\u00e3o conseguiram recrutar os tais cinco jovens nas suas pr\u00f3prias fileiras. Por isso, pediram ajuda a outros grupos pol\u00edticos. Os cinco bolseiros rapidamente se encontraram, e a Funda\u00e7\u00e3o ficou assim feliz, na convic\u00e7\u00e3o de que a ASP estava firmemente ancorada na juventude portuguesa. Iniciei ent\u00e3o um curso de Matem\u00e1ticas em Estugarda, e terminei-o em Frankfurt am Main.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cA revolu\u00e7\u00e3o foi espont\u00e2nea e teve origem no povo. Foi um verdadeiro movimento popular, o processo n\u00e3o foi organizado de cima para baixo\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Foi grande a sua surpresa com a queda do regime a 25 de Abril de 1974?<\/strong><\/p>\n<p>Completamente! Na pr\u00e1tica, foi uma surpresa para toda a sociedade civil portuguesa. De in\u00edcio, o 25 de Abril foi apenas uma opera\u00e7\u00e3o militar: &#8220;Temos de derrubar o nosso governo, porque as nossas guerras em \u00c1frica n\u00e3o podem ser ganhas. Precisamos de uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, porque s\u00f3 podemos perder contra as guerrilhas&#8221;. E, na Guin\u00e9-Bissau, os militares portugueses j\u00e1 estavam definitivamente a perder desde 1973. O 25 de Abril foi apenas um golpe de Estado do MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas), n\u00e3o uma revolu\u00e7\u00e3o. Esta n\u00e3o estava planeada.<\/p>\n<p><strong>Porque \u00e9 que a Revolu\u00e7\u00e3o, mesmo assim, aconteceu?<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o foi espont\u00e2nea e teve origem no povo. Foi um verdadeiro movimento popular, o processo n\u00e3o foi organizado de cima para baixo. Acima de tudo, eram as classes populares que estavam envolvidas.<\/p>\n<p><strong>Simultaneamente, a economia entrou em decl\u00ednio. <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em 1974, pouco depois do 25 de Abril, havia not\u00edcias sobre fugas de capital para o estrangeiro. Os oligarcas e os representantes do antigo regime estavam aterrorizados. Receavam ser expropriados ou presos se os seus atos sujos viessem um dia ao de cima. Alguns grandes propriet\u00e1rios e empres\u00e1rios fugiram com o dinheiro, deixando para tr\u00e1s as suas propriedades e f\u00e1bricas. E ent\u00e3o dizia-se: \u201cPortugal est\u00e1 \u00e0 beira do abismo\u201d! No entanto, n\u00e3o foi a revolu\u00e7\u00e3o que causou essas dificuldades, mas sim o comportamento dos donos do capital e dos velhos fascistas.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que as massas populares poderiam conseguir nesta situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores n\u00e3o aceitaram ficar desempregados, mas disseram a si pr\u00f3prios: &#8220;Sabemos como produzir, vamos continuar a produzir n\u00f3s pr\u00f3prios&#8221;. Come\u00e7aram a ocupar f\u00e1bricas ou herdades. Sobretudo a sul, no Alentejo, onde reinam os grandes latifundi\u00e1rios: Eles s\u00f3 davam trabalho aos camponeses na altura das colheitas, os camponeses n\u00e3o tinham seguro de Sa\u00fade nem de Reforma. Por vezes, eram parcialmente pagos em g\u00e9neros. No Norte do pa\u00eds, predominam os pequenos agricultores com terra pr\u00f3pria, esses n\u00e3o entraram em crise.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cTamb\u00e9m em muitos outros dom\u00ednios da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos surgiram modelos de autogest\u00e3o totalmente livres: na cultura, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Mas n\u00e3o se tratava apenas duma quest\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 verdade. Em muitos outros dom\u00ednios, surgiram tamb\u00e9m modelos de autogest\u00e3o totalmente livres: na cultura, nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, na educa\u00e7\u00e3o. Os professores foram deixados \u00e0 sua sorte e os antigos livros escolares e curr\u00edculos n\u00e3o podiam mais ser usados. Mas, como se pretendia erradicar o elevado n\u00edvel de analfabetismo, o n\u00famero de alunos rapidamente duplicou. Assim, eram necess\u00e1rios mais professores, alguns dos quais n\u00e3o tinham qualquer forma\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica ou ainda n\u00e3o tinham sequer conclu\u00eddo os seus estudos. As necessidades das pessoas tornaram-nas criativas.<\/p>\n<p><strong>E que papel desempenhou o MFA nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o popular radicalizou o MFA, sobretudo (mas n\u00e3o s\u00f3) nos escal\u00f5es inferiores. Os militares tamb\u00e9m n\u00e3o queriam uma crise econ\u00f3mica, mas n\u00e3o sabiam gerir empresas nem tinham dinheiro para dar ao povo. Por isso, diziam aos ocupantes: &#8220;Fa\u00e7am isso! N\u00f3s damo-vos uma carta a dizer que podem usar este terreno e que pagam ao antigo propriet\u00e1rio uma renda simb\u00f3lica de, digamos, 30 escudos por m\u00eas. Podem l\u00e1 instalar um centro de sa\u00fade e um jardim de inf\u00e2ncia, podem empregar pessoas e comercializar os produtos\u201d. Apenas uma breve carta, e a ocupa\u00e7\u00e3o estava legalizada.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o os partidos foram muitas vezes deixados de fora?<\/strong><\/p>\n<p>Os partidos pol\u00edticos, que querem sempre ter o controlo de tudo, n\u00e3o gostaram disso. O mesmo se aplica ao Partido Comunista, que inicialmente era contra as ocupa\u00e7\u00f5es de terras. Os comunistas queriam mostrar que tamb\u00e9m eram parceiros s\u00e9rios e fi\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>No entanto, a reforma agr\u00e1ria foi mais tarde fortemente impulsionada pelo PCP.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, o PCP mudou de rumo mais tarde, n\u00e3o queria perder o barco. Mas planeavam tudo um pouco como na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Depois surgiram cooperativas mais viradas para o PCP, sobretudo onde o partido tinha muita influ\u00eancia local, no Alentejo.<br \/>\nOutro exemplo completamente diferente \u00e9 o da ocupa\u00e7\u00e3o da herdade &#8220;Torre Bela&#8221; em 1975, no Ribatejo. Aqui, o grupo de esquerda radical LUAR foi quem fez de parteiro. Trata-se de um grupo que tinha efetuado opera\u00e7\u00f5es armadas contra o antigo regime fascista. O alem\u00e3o Thomas Harlan realizou por assim dizer \u201cao vivo\u201d um document\u00e1rio sobre a ocupa\u00e7\u00e3o e a funda\u00e7\u00e3o dessa cooperativa.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cO perigo de uma guerra civil vinha claramente da direita\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>No &#8220;ver\u00e3o quente&#8221; de 1975, cheirava a guerra civil. <\/strong><\/p>\n<p>Houve ataques terroristas em particular no norte do pa\u00eds. Eram dirigidos especificamente contra as sedes do PCP, porque era a maior e mais bem organizada for\u00e7a da esquerda, tinha muita experi\u00eancia e um aparelho ilegal constru\u00eddo ao longo de d\u00e9cadas. Os terroristas recebiam dinheiro de oligarcas ligados ao Estado Novo, como o industrial Ant\u00f3nio Champalimaud, e apoio organizativo da Igreja particularmente conservadora do Norte do pa\u00eds. O general Sp\u00ednola, que tinha fugido para o estrangeiro, tentou comprar armas para iniciar uma contrarrevolu\u00e7\u00e3o em Portugal, como revelou uma investiga\u00e7\u00e3o secreta do jornalista alem\u00e3o G\u00fcnter Wallraff. O perigo de uma guerra civil vinha, portanto, claramente da direita.<\/p>\n<p><strong>O Ocidente estava sobretudo preocupado com a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos.<\/strong><\/p>\n<p>A Fran\u00e7a, a Alemanha e o Reino Unido, mas tamb\u00e9m os EUA, exerceram press\u00e3o sobre n\u00f3s. Portugal \u00e9 totalmente importante do ponto de vista geoestrat\u00e9gico. Quanto mais n\u00e3o seja por causa dos A\u00e7ores. \u00c9 o flanco ocidental da OTAN na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1839923\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1839923\" class=\" wp-image-1839923\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Vasco-Esteves-Foto-de-Peter-Steiniger-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"670\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Vasco-Esteves-Foto-de-Peter-Steiniger-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Vasco-Esteves-Foto-de-Peter-Steiniger-820x547.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Vasco-Esteves-Foto-de-Peter-Steiniger.jpg 1800w\" sizes=\"auto, (max-width: 670px) 100vw, 670px\" \/><p id=\"caption-attachment-1839923\" class=\"wp-caption-text\"><em>Vasco Esteves (Foto de Peter Steiniger)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Quando \u00e9 que surgiu o ponto de viragem para si?<\/strong><\/p>\n<p>A partir de 1975, deram-me autoriza\u00e7\u00e3o para me deslocar a Portugal. Juntamente com milhares de outros objetores de consci\u00eancia ou desertores, fui amnistiado no Natal de 1974. Eu estava em Lisboa quando o PS organizou um grande com\u00edcio em Lisboa, no in\u00edcio do ver\u00e3o de 75: Tratava-se da luta pela democracia e por elei\u00e7\u00f5es, que queriam exigir. Acima de tudo, queriam distanciar-se dos comunistas e dos outros partidos de esquerda: estes queriam continuar a revolu\u00e7\u00e3o, mas o PS e os partidos conservadores queriam seguir o caminho dos outros Estados da Europa Ocidental. Para o PS, o PCP era o advers\u00e1rio mais perigoso. Ainda n\u00e3o se sabia muito bem para onde o PCP queria ir. O partido adotou uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia: revolu\u00e7\u00e3o, por um lado, e a burguesia e a democracia, por outro. Eles n\u00e3o queriam de forma alguma ser exclu\u00eddos do processo.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cO 25 de Novembro n\u00e3o foi a preven\u00e7\u00e3o dum golpe de extrema-esquerda (que n\u00e3o estava previsto), mas sim um golpe de direita no seio das for\u00e7as armadas para impor uma democracia burguesa baseada no capitalismo\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Em 25 de Novembro de 1975, com a neutraliza\u00e7\u00e3o dos militares de esquerda, foi posto termo \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. Alegadamente para impedir um golpe da extrema-esquerda. Como \u00e9 que v\u00ea isso? <\/strong><\/p>\n<p>O 25 de Novembro n\u00e3o foi a preven\u00e7\u00e3o dum golpe de extrema-esquerda (que n\u00e3o estava previsto), mas sim um golpe de direita no seio das for\u00e7as armadas para impor uma democracia burguesa baseada no capitalismo. No entanto, seriam tamb\u00e9m conceb\u00edveis outros modelos de democracia, por exemplo modelos baseados num regime socialista.<br \/>\nO comando militar COPCON, que foi eliminado a 25 de Novembro, era a ala mais radical e revolucion\u00e1ria do MFA. Grupos deste tipo existiam tamb\u00e9m noutros quart\u00e9is. No ver\u00e3o de 75, j\u00e1 se tinham verificado rebeli\u00f5es no seio das for\u00e7as armadas, mas estas provinham geralmente da direita, de oficiais que recusavam as ordens dos seus chefes quando eles eram de esquerda: depois da linha do MFA se ter deslocado progressivamente para a esquerda, outros sectores das for\u00e7as armadas e da sociedade civil n\u00e3o queriam aderir.<\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a de rumo preconizada no &#8220;Documento dos Nove&#8221;, no in\u00edcio de Agosto de 75, foi apoiada por muitos oficiais.<\/strong><\/p>\n<p>Esse &#8220;Grupo dos Nove&#8221; dentro do MFA, representava posi\u00e7\u00f5es moderadas. No dia 25 de Novembro, saiu em princ\u00edpio vitorioso. Mas recusou-se a proibir o PCP depois disso. No entanto, nem os radicais de esquerda do COPCON nem o PCP tinham planeado qualquer tipo de golpe para essa altura. O golpe de 25 de Novembro foi mais uma esp\u00e9cie de acordo. O Grupo dos Nove falou com o pessoal do COPCON, liderado por Otelo, da seguinte forma: &#8220;Camaradas, n\u00e3o queremos ir na dire\u00e7\u00e3o de Cuba, n\u00f3s vamos impedir isso, sen\u00e3o vai tudo abaixo!&#8221;. Portanto, n\u00e3o foram os esquerdistas que se quiseram impor \u00e0 for\u00e7a, mas sim os outros. O pessoal do COPCON n\u00e3o queria um banho de sangue, por isso cedeu e aceitou o golpe do 25 de Novembro. Perceberam que n\u00e3o tinham qualquer hip\u00f3tese, sobretudo contra a NATO.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o eles eram revolucion\u00e1rios com sentido da realidade<\/strong>?<\/p>\n<p>A esquerda militar demitiu-se praticamente por raz\u00f5es de bom senso, renunciando \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o das suas pol\u00edticas. O pensamento deles era: &#8220;Est\u00e1 bem, ent\u00e3o vamos salvar pelo menos uma parte das conquistas. Preferimos ir para uma sociedade burguesa, sen\u00e3o terminamos com um regime ainda pior ou com uma guerra civil. N\u00e3o queremos isso, o pre\u00e7o \u00e9 demasiado elevado&#8221;.<\/p>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong>\u201cAp\u00f3s o fim da revolu\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 com os socialistas no governo, as velhas elites puderam regressar\u201d<\/strong><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Quanto \u00e9 que ainda resta hoje do esp\u00edrito de Abril em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>Fiz a mesma pergunta este ano a muitas pessoas em Portugal.<br \/>\nPara os da minha gera\u00e7\u00e3o que eu entrevistei, e que tinham todos combatido o fascismo na sua juventude, foi tudo um sonho muito bonito, com ideais que s\u00f3 foram realizados em pequena escala. Ap\u00f3s o fim da revolu\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 com os socialistas no governo, as velhas elites puderam regressar. Atualmente, reina a liberdade burguesa e, naturalmente, uma maior prosperidade, o que tranquiliza muita gente. No entanto, os pre\u00e7os e as rendas de casa est\u00e3o a aumentar e os sal\u00e1rios continuam a ser muito baixos.<br \/>\nQuanto aos jovens que entrevistei, queixam-se atualmente sobretudo de estarem a ser gravemente negligenciados. Os jovens portugueses sofrem muito com o trabalho prec\u00e1rio, n\u00e3o conseguem encontrar emprego ou apenas empregos tempor\u00e1rios, ou empregos com o sal\u00e1rio m\u00ednimo, que s\u00e3o pouco mais de 800 euros por m\u00eas. Por isso, uma boa parte dos jovens emigram, inclusive muitos com boa forma\u00e7\u00e3o, porque podem ganhar bastante mais no estrangeiro.<br \/>\nO que falta, na minha opini\u00e3o, \u00e9 sobretudo a igualdade social. Continuam a existir ricos e pobres. Atualmente, temos um sistema que \u00e9 t\u00e3o corrupto e ganancioso como qualquer outro no Ocidente. N\u00e3o era isto que quer\u00edamos com a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024. 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