{"id":1836528,"date":"2024-04-04T15:58:38","date_gmt":"2024-04-04T14:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1836528"},"modified":"2024-04-04T15:58:38","modified_gmt":"2024-04-04T14:58:38","slug":"entrevista-o-coronel-matos-gomes-sobre-a-revolucao-dos-cravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/04\/entrevista-o-coronel-matos-gomes-sobre-a-revolucao-dos-cravos\/","title":{"rendered":"Entrevista: o Coronel Matos Gomes sobre a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos"},"content":{"rendered":"<p><em>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c<strong>5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!<\/strong>\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024.<br \/>\nA\u00a0<strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d 1974-75<\/strong>\u00a0trouxe aos portugueses a liberdade ap\u00f3s 48 anos de fascismo, e \u00e0s col\u00f3nias portuguesas de \u00c1frica a independ\u00eancia ap\u00f3s 500 anos de dom\u00ednio imperial.<\/em><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/03\/serie-da-pressenza-sobre-portugal-50-anos-depois-viva-a-revolucao-dos-cravos\/\"><strong><em>Aqui podem ser lidos todos os artigos desta s\u00e9rie publicados at\u00e9 hoje!<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><em>(Foto do blog ttps:\/\/medium.com\/@cmatosgomes46)<\/em><br \/>\n<strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1785218\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Carlos-Matos-Gomes-300x241.jpg\" alt=\"\" width=\"219\" height=\"176\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Carlos-Matos-Gomes-300x241.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Carlos-Matos-Gomes.jpg 605w\" sizes=\"auto, (max-width: 219px) 100vw, 219px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/gl.wikipedia.org\/wiki\/Carlos_de_Matos_Gomes\">Carlos Matos Gomes\u00a0<\/a><\/strong><strong>\u00e9 um dos mais conceituados militares e historiadores da guerra colonial. Nasceu em 1946 no Ribatejo\/Portugal. A sua carreira militar iniciou-se em 1963. Cumpriu comiss\u00f5es durante a guerra colonial em Mo\u00e7ambique, em Angola e na Guin\u00e9, nas tropas especiais dos Comandos. Na Guin\u00e9 foi um dos fundadores do Movimento dos Capit\u00e3es e participou na primeira Comiss\u00e3o Coordenadora do Movimento das For\u00e7as Armadas (MFA). Militar no ativo at\u00e9 2003, \u00e9 atualmente Coronel na situa\u00e7\u00e3o de reserva. Desenvolveu tamb\u00e9m a partir de 1982 uma carreira liter\u00e1ria, com o pseud\u00f3nimo de Carlos Vale Ferraz. <\/strong>Matos Gomes escreve regularmente <a href=\"https:\/\/medium.com\/@cmatosgomes46\">neste blog<\/a>.<br \/>\nNa entrevista que deu \u00e0 PRESSENZA a 28\/3\/2024 por ZOOM, apreciei os seus profundos conhecimentos do 25 de Abril e da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, mas tamb\u00e9m a forma calma e diplom\u00e1tica como aborda mesmo os mais dif\u00edceis e controversos temas.<br \/>\nO texto da entrevista, apresentado a seguir, foi ligeiramente encurtado nalgumas partes. A entrevista completa pode ser vista em v\u00eddeo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=80aPs1O5F_w\">aqui<\/a>, ou no final deste artigo.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A quest\u00e3o colonial no centro do golpe militar do 25 Abril 1974<\/strong><\/h3>\n<p>(<strong>PRESSENZA<\/strong>) <em>A quest\u00e3o colonial esteve no centro do golpe de Estado do 25 de Abril de 1974 contra o regime fascista em Portugal, pois os militares sabiam melhor do que ningu\u00e9m que n\u00e3o podiam ganhar as guerras contra os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o de Angola, Mo\u00e7ambique e Guin\u00e9-Bissau.<br \/>\nEntre os nossos leitores, h\u00e1 muitos humanistas e pacifistas. Eu pr\u00f3prio, no fim dos anos 60, fugi de Portugal como refrat\u00e1rio, isto \u00e9, como objetor de consci\u00eancia, porque recusei juntar-me \u00e0s tropas portuguesas que, em \u00c1frica, defendiam o colonialismo.<br \/>\nPergunta: Como \u00e9 que um militar como o Sr. Coronel, que na altura combatia na Guin\u00e9 como Capit\u00e3o, se \u201cmudou para o campo contr\u00e1rio\u201d assim dum dia para o outro e passou de defensor para opositor a esse mesmo colonialismo, tendo ajudado a preparar e a executar o golpe do 25 de Abril e feito parte do MFA (Movimento das For\u00e7as Armadas, que fez o golpe de Estado e dirigiu por v\u00e1rios anos o pa\u00eds)?<\/em><\/p>\n<p>(<strong>Matos Gomes<\/strong>) Muito obrigado pela oportunidade de falar do 25 de Abril em Portugal e tamb\u00e9m sobre as grandes transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, estrat\u00e9gicas e sociais em Portugal, mas que ocorreram tamb\u00e9m no mundo por efeito desse golpe de Estado dos capit\u00e3es portugueses. A quest\u00e3o colonial \u00e9 uma quest\u00e3o central na pol\u00edtica portuguesa desde o s\u00e9culo XIX aquando dos Acordos de Coloniza\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Confer\u00eancia_de_Berlim\">Confer\u00eancia de Berlim 1884-85<\/a> [onde foi feita a divis\u00e3o da \u00c1frica entre as pot\u00eancias europeias]. O colonialismo esteve no centro das pol\u00edticas europeias desde essa altura at\u00e9 \u00e0 II Guerra Mundial. A descoloniza\u00e7\u00e3o processa-se apenas ap\u00f3s a derrota da Europa nessa Guerra Mundial. Portugal era a \u00fanica pot\u00eancia colonialista que n\u00e3o era ao mesmo tempo pot\u00eancia industrial, por isso usava as col\u00f3nias apenas com os seus valores de soberania e de troca, como \u201cmat\u00e9ria-prima\u201d, nas suas rela\u00e7\u00f5es internacionais, sobretudo em momentos de dificuldades. O nosso regime sentia necessidade de manter as col\u00f3nias mas, por outro lado, havia o direito geral dos povos \u2013 reconhecido ap\u00f3s a II Guerra Mundial \u2013 de escolherem os seus pr\u00f3prios destinos. A tomada de consci\u00eancia por parte da minha gera\u00e7\u00e3o e dos capit\u00e3es de Abril, foi um processo cont\u00ednuo de aprendizagem, que acompanhou de perto a tomada de consci\u00eancia da sociedade em geral. <strong>Houve mais de 1 milh\u00e3o de jovens portugueses que fugiu \u00e0 guerra colonial, o que nos fez perceber a inutilidade da mesma.<\/strong><\/p>\n<p><em>Isso mostra que as pessoas n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 boas ou m\u00e1s, mas que tamb\u00e9m aprendem. Mas, essa mudan\u00e7a de atitude dos militares de Abril, foi uma coisa mais racional, isto \u00e9 por acharem que n\u00e3o conseguiriam ganhar as guerras, ou tamb\u00e9m uma coisa emocional, porque decidiram ser solid\u00e1rios com a causa dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o em luta pela independ\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Foi uma tomada de consci\u00eancia acima de tudo racional. Os militares, quando fazem a guerra, tomam as suas decis\u00f5es racionalmente. Irracionais eram as tomadas de posi\u00e7\u00e3o do regime. E tamb\u00e9m foi racional a decis\u00e3o dos Capit\u00e3es de Abril em derrubar esse regime e a prepara\u00e7\u00e3o do mesmo derrube.<\/p>\n<p><em>Mas tamb\u00e9m j\u00e1 estava inicialmente previsto pelos Capit\u00e3es dar a independ\u00eancia \u00e0s col\u00f3nias, ou queriam apenas resolver o problema da guerra, isto \u00e9 parar a guerra, arranjar um compromisso qualquer?<\/em><\/p>\n<p>O Movimento militar que desencadeou o golpe, n\u00e3o era um movimento unit\u00e1rio nos seus objetivos e na a\u00e7\u00e3o. Era resultado da alian\u00e7a de duas vis\u00f5es distintas: por um lado, a do grupo que eu designaria de \u201cspinolista\u201d (\u00e0 volta do general <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ant\u00f3nio_de_Sp\u00ednola\">Ant\u00f3nio Sp\u00ednola<\/a> e do seu livro \u201cPortugal e o Futuro\u201d) que, relativamente \u00e0 quest\u00e3o colonial, tinha a vis\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o duma Comunidade de Estados de l\u00edngua portuguesa; e havia a linha do Movimento dos Capit\u00e3es, que era a de integrar Portugal no movimento descolonizador que j\u00e1 tinha sido feito pelas outras pot\u00eancias coloniais europeias, e isso passava claramente pelo reconhecimento das independ\u00eancias (no caso da Guin\u00e9, cuja independ\u00eancia j\u00e1 tinha sido declarada em 1973) e pela negocia\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia com os movimentos armados de guerrilha que tinham feito a guerra em Angola (MPLA, FNLA, UNITA) e em Mo\u00e7ambique (FRELIMO).<\/p>\n<p><em>Mas, mesmo depois da declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia da Guin\u00e9-Bissau, o Sr. Coronel (que na altura ainda era Capit\u00e3o e estava estacionado precisamente na Guin\u00e9) ainda continuou l\u00e1 a lutar pelos portugueses para manter essa col\u00f3nia!<\/em><\/p>\n<p>Nessa altura, as tropas na Guin\u00e9 combatiam, n\u00e3o para ganhar a guerra, mas para n\u00e3o a perder. Isto \u00e9, para ganhar tempo de modo a que o poder pol\u00edtico pudesse encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para a guerra. Que uma guerra deste tipo n\u00e3o se vencia, isso j\u00e1 fazia parte da doutrina militar portuguesa. Segundo o manual das guerras subversivas, elaborado a partir das experi\u00eancias dos franceses e dos ingleses, as guerras subversivas eram definidas como iminentemente pol\u00edticas. E da\u00ed que as a\u00e7\u00f5es para as resolver tivessem de ser pol\u00edticas. A rutura entre os militares e o poder pol\u00edtico portugu\u00eas, d\u00e1-se porque o poder pol\u00edtico n\u00e3o se mostrou capaz de vir a encontrar solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, pode-se dizer que a independ\u00eancia por assim dizer \u201cprematura\u201d da Guin\u00e9 em 1973, precipitou de certa forma o golpe de Estado do 25 de Abril de 1974 em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>A decis\u00e3o pol\u00edtica do PAIGC [Partido de Liberta\u00e7\u00e3o da Guin\u00e9 e de Cabo-Verde] de declarar a independ\u00eancia, refor\u00e7ou a posi\u00e7\u00e3o militar que o PAIGC j\u00e1 tinha conseguido impor na Guin\u00e9 em1973, depois de ter atacado e ocupado duas guarni\u00e7\u00f5es, uma a Norte e outra a Sul do pa\u00eds. A partir da\u00ed (em Maio de 1973), Portugal j\u00e1 tinha, s\u00f3 na Guin\u00e9, cerca de 70 mortos, o que era uma enormidade e nunca tinha acontecido at\u00e9 a\u00ed. Era uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil de gerir em termos de opini\u00e3o p\u00fablica. E, por outro lado, ap\u00f3s essa declara\u00e7\u00e3o unilateral de independ\u00eancia por parte do PAIGC, o novo pa\u00eds foi reconhecido por cerca de 80 pa\u00edses da comunidade internacional. <strong>Para os militares portugueses no terreno est\u00e1vamos, pois, numa situa\u00e7\u00e3o de \u201cpr\u00e9-derrota\u201d no terreno, e a sermos vistos como for\u00e7as ocupantes dum outro territ\u00f3rio. Isso criou, evidentemente, uma press\u00e3o muito maior sobre os jovens capit\u00e3es para for\u00e7arem uma solu\u00e7\u00e3o que o regime n\u00e3o era capaz de encontrar.<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_1836589\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1836589\" class=\" wp-image-1836589\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Matos-Gomes-na-Guine-Bissau-10-Jun-1973-foto-do-entrevistado-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"652\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Matos-Gomes-na-Guine-Bissau-10-Jun-1973-foto-do-entrevistado-300x214.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Matos-Gomes-na-Guine-Bissau-10-Jun-1973-foto-do-entrevistado-820x584.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Matos-Gomes-na-Guine-Bissau-10-Jun-1973-foto-do-entrevistado.jpg 989w\" sizes=\"auto, (max-width: 652px) 100vw, 652px\" \/><p id=\"caption-attachment-1836589\" class=\"wp-caption-text\"><em>Matos Gomes na Guin\u00e9-Bissau a 10 Junho 1973 (\u00e0 esquerda. Foto do entrevistado)<\/em><\/p><\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, pelo povo, come\u00e7ou logo no pr\u00f3prio dia 25 Abril 1974<\/strong><\/h3>\n<p><em>Hoje em dia, celebra-se o 25 de Abril apenas como a liberta\u00e7\u00e3o do povo portugu\u00eas do fascismo, e omite-se a dimens\u00e3o anticolonialista do mesmo. O 25 de Abril foi uma liberta\u00e7\u00e3o dupla! E tamb\u00e9m se omite a dimens\u00e3o genuinamente socialista da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, desencadeada depois e que se estendeu at\u00e9 ao dia 25 de Novembro de 1975. Portanto, tivemos at\u00e9 uma dimens\u00e3o tripla!<br \/>\nDuma forma sucinta, o que foi para si a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal? Foi aquilo a que o Sr. Coronel, na altura ainda capit\u00e3o, chamou de \u201cdescoloniza\u00e7\u00e3o interna\u201d, em compara\u00e7\u00e3o com a \u201cdescoloniza\u00e7\u00e3o externa\u201d das col\u00f3nias?<\/em><\/p>\n<p><strong>O 25 de Abril teve esse tema geral dos tr\u00eas \u201cD\u201ds: \u201cDescolonizar, Democratizar e Desenvolver\u201d<\/strong>.<br \/>\nA descoloniza\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, e est\u00e1 associada ao conceito geral de Liberdade. A Liberdade era essencial para os povos das col\u00f3nias escolherem o seu destino, e era tamb\u00e9m essencial para que os portugueses pudessem decidir sobre um modelo de sociedade onde pudessem viver melhor do que antes \u2013 o que est\u00e1 ligado ao Desenvolvimento.<br \/>\nO 25 de Abril surgiu numa \u00e9poca da hist\u00f3ria da Europa e do mundo que era a da implementa\u00e7\u00e3o do neoliberalismo, e foi assim completamente \u201ccontra-corrente\u201c relativamente \u00e0s modas do \u201claissez-faire, laissez-passer\u201d, do individualismo, da diminui\u00e7\u00e3o do poder do Estado e tamb\u00e9m do papel do Estado na sociedade. E \u00e9 este modelo que est\u00e1 hoje em vigor e que \u00e9 reproduzido, projetado e vendido pelas grandes m\u00e1quinas de produ\u00e7\u00e3o do pensamento. De maneira que, hoje em dia, o pensamento \u00fanico \u00e9 centrado na quest\u00e3o da Liberdade. <strong>O 25 de Abril tem um papel decisivo na quest\u00e3o da dignidade, quer dos portugueses quer dos povos africanos, mas tem tamb\u00e9m o grande papel \u2013 muitas vezes esquecido \u2013 de ter trazido Portugal para a modernidade.<\/strong> O fascismo, o salazarismo era um regime beato, retr\u00f3grado, e quase medieval. Mas, depois do 25 de Abril, os jovens portugueses come\u00e7aram a relacionar-se com os jovens europeus, e os trabalhadores portugueses com os trabalhadores do resto da Europa. Portanto, o 25 de Abril rompeu com uma tradi\u00e7\u00e3o de 500 anos em Portugal &#8212; a tradi\u00e7\u00e3o de 500 anos fora da Europa &#8212; e reintroduziu Portugal na Europa.<br \/>\nE teve tamb\u00e9m um outro papel importante, que \u00e9 o de ter proporcionado a liberta\u00e7\u00e3o de outras duas ditaduras que ainda existiam: a ditadura espanhola e a ditadura grega. Como veio a ter tamb\u00e9m, mais tarde, um papel muito importante na aboli\u00e7\u00e3o do Apartheid na \u00c1frica do Sul. <strong>E teve um papel \u00fanico, que \u00e9 silenciado deliberadamente, que foi o facto de as for\u00e7as armadas (um dos aparelhos mais fortes de repress\u00e3o social que h\u00e1), num determinado momento da hist\u00f3ria, terem passado da defesa dos grupos olig\u00e1rquicos que dominavam desde sempre os Estados, para a defesa dos grupos populares. Ningu\u00e9m quer falar nisso.<\/strong><\/p>\n<p><em>Isso foi uma coisa \u00fanica na hist\u00f3ria, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Absolutamente!<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>A inger\u00eancia das pot\u00eancias estrangeiras a partir de 11 Mar\u00e7o 1975<\/strong><\/h3>\n<p><em>A Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos foi, em si, uma revolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. Gosto de acentuar isto, porque temos muitos pacifistas na PRESSENZA\u2026 Nas revolu\u00e7\u00f5es, acontece muitas vezes (ali\u00e1s, quase sempre) que pot\u00eancias estrangeiras se intrometem. Que nos pode contar concretamente sobre a interven\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos da Am\u00e9rica, da Alemanha, e tamb\u00e9m da ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, nesse processo revolucion\u00e1rio em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Um dos fatores de sucesso do golpe de Estado do 25 de Abril, foi o facto de \u2013 ao contr\u00e1rio do que era habitual aqui em Portugal \u2013 este ter sido um golpe exclusivamente militar, isto \u00e9, n\u00e3o houve a interven\u00e7\u00e3o de grupos civis como tinha acontecido com as tentativas de golpe de Estado de Humberto Delgado ou outras em Portugal a seguir \u00e0 II Guerra Mundial. O programa de a\u00e7\u00e3o foi definido em segredo por um grupo restrito de militares, e \u00e9 isso que permitiu desencadear a a\u00e7\u00e3o militar sem o conhecimento dos grupos pol\u00edticos \u2013 e logo das pot\u00eancias estrangeiras a que estavam ligados. <strong>Tivemos uma grande liberdade de a\u00e7\u00e3o nos tempos iniciais do 25 de Abril, at\u00e9 ao dia 11 de Mar\u00e7o de 1975. Nesse dia foram decididas: a nacionaliza\u00e7\u00e3o da banca (o que era uma heresia na Europa, e que por isso se tornou inaceit\u00e1vel); e uma tentativa de Reforma Agr\u00e1ria num pa\u00eds que tinha a agricultura completamente arruinada. E \u00e9 nestas coisas que a Europa sentiu a necessidade de intervir, para cortar as possibilidades do chamado poder popular, das organiza\u00e7\u00f5es de base, quer nas f\u00e1bricas quer nos campos ou nas escolas.<\/strong><br \/>\n<strong>Essas press\u00f5es externas v\u00e3o ter o seu culminar na Confer\u00eancia sobre Seguran\u00e7a e Coopera\u00e7\u00e3o na Europa (CSCE) que se realizou em Hels\u00ednquia no Ver\u00e3o de 1975. A\u00ed j\u00e1 foram as grandes pot\u00eancias que decidiram o que iria ser a Revolu\u00e7\u00e3o portuguesa.<\/strong> Foi a\u00ed que se constituiu um Grupo de Acompanhamento da Revolu\u00e7\u00e3o portuguesa, formado por Willy Brandt (Alemanha), Giscard d\u2019Estaing (Fran\u00e7a) e James Callaghan (Reino Unido), que representavam as tr\u00eas grandes pot\u00eancias europeias, e \u00e9 a\u00ed tamb\u00e9m que o papel da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica \u00e9 negociado com o presidente Gerald Ford (EUA). Acabaram todos por dizer mais ou menos isto: \u201cBom, Portugal tem que ter um modelo pol\u00edtico id\u00eantico ao dos outros pa\u00edses europeus\u201d. <strong>E \u00e9 esta recomposi\u00e7\u00e3o o que ocorre com o golpe do dia 25 de Novembro de 1975, uma esp\u00e9cie de nos meterem \u00e0 for\u00e7a num fato \u201cpronto-a-vestir\u201d. Nesse dia houve um recentrar da situa\u00e7\u00e3o, como consequ\u00eancia da interven\u00e7\u00e3o internacional.<\/strong><\/p>\n<p><em>Portanto, existiu aqui uma conjura das pot\u00eancias europeias entre si, e destas com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica! Mas a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica estava mesmo de facto de acordo que Portugal se integrasse na Europa ocidental, capitalista e neoliberal?<\/em><\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, como qualquer superpot\u00eancia, regia-se por raz\u00f5es estrat\u00e9gicas e n\u00e3o por doutrinas. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de f\u00e9, nem de bondade ou de maldade, a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 compagin\u00e1vel com a moral. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica sabia claramente que Portugal era a fronteira ocidental da Europa, que era uma base dos EUA. E, o que estava a ser negociado em 1975, era um Tratado de Coopera\u00e7\u00e3o e de boas rela\u00e7\u00f5es entre os dois grandes blocos. Por isso, nem os EUA, nem a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, queriam arriscar uma crise mundial por causa de um pequeno pa\u00eds como Portugal. E da\u00ed que tenham encontrado no 25 de Novembro um compromisso do tipo \u201cvamos manter uma democracia burguesa e neoliberal em Portugal\u201d, n\u00e3o assustemos a Espanha (que j\u00e1 era uma pot\u00eancia de m\u00e9dia dimens\u00e3o na Europa), e vamos manter Portugal \u201csob uma camp\u00e2nula\u201d para evitar que o \u201cv\u00edrus\u201d portugu\u00eas se espalhe para a Espanha e porventura pelo resto da Europa.<\/p>\n<div id=\"attachment_1836587\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1836587\" class=\" wp-image-1836587\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Coronel-Matos-Gomes-durante-a-entrevista-com-a-PRESSENZA-Screenshot-300x174.png\" alt=\"\" width=\"569\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Coronel-Matos-Gomes-durante-a-entrevista-com-a-PRESSENZA-Screenshot-300x174.png 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Coronel-Matos-Gomes-durante-a-entrevista-com-a-PRESSENZA-Screenshot-820x477.png 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/Coronel-Matos-Gomes-durante-a-entrevista-com-a-PRESSENZA-Screenshot.png 1111w\" sizes=\"auto, (max-width: 569px) 100vw, 569px\" \/><p id=\"caption-attachment-1836587\" class=\"wp-caption-text\"><em>Coronel Matos Gomes durante a entrevista com a PRESSENZA (Screenshot)<\/em><\/p><\/div>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>O contra-golpe (a conspira\u00e7\u00e3o) do 25 Novembro 1975<\/strong><\/h3>\n<p><em>Ent\u00e3o o golpe do 25 de Novembro, que representou por assim dizer \u201ca contra-revolu\u00e7\u00e3o\u201d que termina com a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, foi o resultado dum conluio ou complot internacional para definir o rumo de Portugal! Por consequ\u00eancia, acabaram por n\u00e3o serem os portugueses que decidiram sobre o seu pr\u00f3prio destino \u2013 \u00e9 verdade?<\/em><\/p>\n<p>O que h\u00e1 \u00e9 uma conjuga\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os entre as novas for\u00e7as pol\u00edticas que se desenvolveram aqui em Portugal ap\u00f3s o 25 de Abril, e as for\u00e7as internacionais \u00e0s quais elas estavam ligadas. Isto \u00e9 claro em rela\u00e7\u00e3o ao Partido Socialista de M\u00e1rio Soares, ao Partido Comunista, e a Freitas do Amaral e S\u00e1 Carneiro (ligados \u00e0s Democracias Crist\u00e3s e aos partidos conservadores da Europa, na altura de menor import\u00e2ncia em Portugal).<br \/>\n<strong>O grande esfor\u00e7o que \u00e9 feito por todas essas for\u00e7as, j\u00e1 a partir do Ver\u00e3o de 1975, \u00e9 a de \u201cpartidarizarem\u201d toda a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, isto \u00e9, destru\u00edrem todas as estruturas ou possibilidades de representa\u00e7\u00e3o popular direta, e oficializarem a representa\u00e7\u00e3o em exclusividade dos partidos pol\u00edticos, que s\u00e3o m\u00e1quinas facilmente control\u00e1veis, ao passo que os movimentos populares s\u00e3o mais espont\u00e2neos e portanto mais imprevis\u00edveis. E \u00e9 esta conjuga\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m at\u00e9 aos nossos dias<\/strong>: at\u00e9 \u00e0 integra\u00e7\u00e3o europeia; \u00e0 representa\u00e7\u00e3o de Portugal nos grandes conflitos internacionais; \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em grandes organiza\u00e7\u00f5es como as Na\u00e7\u00f5es Unidas, a OTAN e, mais tarde, a Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p><em>E o 25 de Novembro, esse golpe que foi feito para isolar a extrema-esquerda (situada \u00e0 esquerda do PCP, Partido Comunista Portugu\u00eas), foi uma coisa montada, e n\u00e3o um golpe para abortar \u2013 como se dizia na altura \u2013 um outro golpe que estaria a ser preparado por essa mesma extrema-esquerda para tomar o poder por inteiro?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s sabemos que, na pol\u00edtica, n\u00e3o h\u00e1 acasos e n\u00e3o h\u00e1 improvisos. <strong>O processo que levou ao 25 de Novembro e as justifica\u00e7\u00f5es que foram dadas, s\u00e3o curiosamente as mesmas justifica\u00e7\u00f5es que foram sempre dadas para as interven\u00e7\u00f5es do Ocidente, neste caso dos EUA, durante a guerra-fria, que \u00e9 atribu\u00edrem a todos aqueles que n\u00e3o est\u00e3o de acordo com a linha oficial o carimbo de \u201ccomunista\u201d ou de estar a servir os comunistas, mesmo que isso fosse completamente falso.<\/strong> Isso aconteceu por exemplo com a Rep\u00fablica Dominicana, com os gregos ligados \u00e0 Jugosl\u00e1via, com l\u00edderes africanos como no Congo que apenas lutavam pela independ\u00eancia e que por isso foram substitu\u00eddos, etc. O \u201cpap\u00e3o comunista\u201d \u00e9 um modo de propaganda, que tamb\u00e9m foi usado aqui em Portugal, e que n\u00e3o tem nada de novo. Mas que, mais uma vez, funcionou nos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o social, que s\u00e3o meios de manipula\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o duma opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p><em>Antes do 25 de Novembro, n\u00e3o estava portanto planeado qualquer golpe da extrema-esquerda?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o havia nenhum comando ou diret\u00f3rio, nem um plano, e muito menos uma sa\u00edda de tropas para realizarem um tal golpe. Foram coisas que nunca existiram!<\/p>\n<p><em>Tratou-se, pois, duma coisa forjada\u2026<\/em><\/p>\n<p>\u2026 forjada claramente, quando o Chefe de estado-maior da For\u00e7a A\u00e9rea em Portugal reuniu todos os avi\u00f5es da For\u00e7a A\u00e9rea numa \u00fanica base da OTAN, na base de Cortega\u00e7a (Ovar) entre Aveiro e o Porto, e tamb\u00e9m quando foi feita a contrata\u00e7\u00e3o de tropas para os Comandos (velhos combatentes da guerra colonial, que foram os que executaram a parte mais vis\u00edvel do 25 de Novembro).<\/p>\n<p><em>Essa<\/em><em> t\u00e1tica foi usada sistematicamente naquela altura: houve 3 situa\u00e7\u00f5es similares, durante o per\u00edodo revolucion\u00e1rio, em que direita &#8212; e em parte a extrema-direita &#8212; inventou um alegado \u201cgolpe de Estado\u201d planeado pela esquerda para poder intervir militarmente contra a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos: foi a 28 de Setembro de 1974 (atrav\u00e9s de Sp\u00ednola), foi a 11 de Mar\u00e7o de 1975 (de novo atrav\u00e9s de Sp\u00ednola), e foi o 25 de Novembro de 1975 (atrav\u00e9s da ala mais moderada do MFA e dos pol\u00edticos na altura com mais liga\u00e7\u00f5es internacionais). \u00c9 verdade?<\/em><\/p>\n<p>Penso que essa \u00e9 a vis\u00e3o correta do processo pol\u00edtico portugu\u00eas do 25\/4\/74 a 25\/11\/75. <strong>Do 25 de Novembro para c\u00e1, estejamos integrados na ala mais conservadora \u2013 ou mais seguidista \u2013 das pol\u00edticas econ\u00f3micas e financeiras, e tamb\u00e9m sociais da Europa.<\/strong><\/p>\n<p><em>E quem \u00e9 que organizou, no Ver\u00e3o quente de 1975, os ataques incendi\u00e1rios a sedes do PCP por todo o pa\u00eds?<\/em><\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o desses movimentos de terrorismo \u2013 como o MDLP (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Movimento_Democr\u00e1tico_de_Liberta\u00e7\u00e3o_de_Portugal\">Movimento Democr\u00e1tico de Liberta\u00e7\u00e3o de Portugal<\/a>) &#8212; serviu para desestabilizar um processo. Eles tiveram internamente o apoio da Igreja Cat\u00f3lica e de antigos membros da Uni\u00e3o Nacional [partido \u00fanico no tempo do fascismo] colonialistas, e foram tamb\u00e9m derrotados no 25 de Novembro. Esses movimentos come\u00e7aram a aparecer j\u00e1 nos finais de Setembro de 1974, ap\u00f3s a resigna\u00e7\u00e3o de Sp\u00ednola, e curiosamente contavam com a ajuda das ditaduras da Espanha e do Brasil. Dentro do pa\u00eds, o apoio ideol\u00f3gico, log\u00edstico e organizativo veio da Igreja Cat\u00f3lica no Norte do pa\u00eds e, em termos financeiros, dos grandes banqueiros portugueses, nomeadamente do Ant\u00f3nio Champalimaud. O MDLP tinha como objetivo a restaura\u00e7\u00e3o do colonialismo portugu\u00eas e o apoio ao apartheid na \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong>Alternativas desperdi\u00e7adas<\/strong><\/h3>\n<p><em>\u00c9 pena que Portugal tenha ficado limitado a essa alternativa da Europa. Pois, at\u00e9 ao 25 de Abril de 1974, Portugal estava predominantemente virado para o Ultramar, era um pa\u00eds mar\u00edtimo. Tinha ainda as col\u00f3nias, mas tamb\u00e9m o Brasil que j\u00e1 era h\u00e1 muito independente. Com o 25 de Abril, Portugal implodiu literalmente e, depois, em vez de manter ou reatar as rela\u00e7\u00f5es com as ex-col\u00f3nias para construir um espa\u00e7o econ\u00f3mico e culturalmente falante do portugu\u00eas por todo o mundo, acabou por se limitar a entrar neste \u201clar da velhice\u201d onde est\u00e3o abrigadas todas as ex-pot\u00eancias colonialistas da Europa!<\/em><\/p>\n<p><strong>O medo que as elites portuguesas tiveram do mundo, que era fundamentalmente o medo que essas elites tiveram dos portugueses, fez com que elas procurassem ser os serventu\u00e1rios dos grandes espa\u00e7os, em primeiro lugar do espa\u00e7o norte-americano, e depois do espa\u00e7o europeu.<\/strong> E isso fez com que o resto do mundo, que n\u00e3o est\u00e1 subordinado a esta ordem, tivesse conclu\u00eddo que Portugal j\u00e1 n\u00e3o representava nada de espec\u00edfico \u2013 e por isso deixou de contar com Portugal para as suas pol\u00edticas. Porque haver\u00e1 Angola ou o Brasil de ter uma rela\u00e7\u00e3o privilegiada com Portugal, se a nossa pol\u00edtica externa \u00e9 a dos EUA, nomeadamente em rela\u00e7\u00e3o aos grandes conflitos?\u00a0 Foi assim na S\u00e9rvia, no Iraque, na L\u00edbia, e est\u00e1 a ser assim na Ucr\u00e2nia e em Gaza, e tamb\u00e9m est\u00e1 a ser assim no Mali onde Portugal representa apenas os interesses da Fran\u00e7a e da Uni\u00e3o Europeia. Todos esses pa\u00edses t\u00eam linhas diretas para se relacionarem com os centros do Mundo, seja em Washington seja em Bruxelas, e Portugal \u00e9 um pequeno pe\u00e3o sem qualquer valor especial nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. <strong>Eu digo \u00e0s vez que h\u00e1 2 minist\u00e9rios que em Portugal s\u00e3o perfeitamente dispens\u00e1veis: o Minist\u00e9rio dos Neg\u00f3cios Estrangeiros e o Minist\u00e9rio da Defesa Nacional. Qualquer Secret\u00e1rio poderia resolver os assuntos por telefone: para os assuntos de pol\u00edtica externa, fa\u00e7am o favor de se dirigir aos EUA ou a Bruxelas e, para quest\u00f5es de Defesa, fa\u00e7am o favor de se dirigir diretamente ao Quartel-Geral da OTAN!<\/strong><\/p>\n<p><em>O MFA decidiu &#8212; conscientemente! &#8212; n\u00e3o perseguir, n\u00e3o prender e n\u00e3o p\u00f4r em tribunal os chefes do antigo Estado Novo fascista, tendo preferido mand\u00e1-los para o ex\u00edlio e guardar sil\u00eancio sobre os seus crimes. Tamb\u00e9m nunca pusemos a funcionar em Portugal, como o fez mais tarde a \u00c1frica do Sul ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o do Apartheid, uma qualquer \u201cComiss\u00e3o da Verdade e da Reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d\u2026 Essa falta de discuss\u00e3o p\u00fablica sobre o passado, essa falta de tratamento dos traumas provocados pelo fascismo, n\u00e3o ter\u00e1 facilitado, mais tarde, que a extrema-direita em Portugal se tenha podido levantar de novo sem grandes dificuldades, como ali\u00e1s j\u00e1 se viu j\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es do m\u00eas passado?<\/em><\/p>\n<p>Eu defendi que se deveria ter procedido como se procedeu. <strong>Porque n\u00e3o acredito nos julgamentos da Hist\u00f3ria: o julgamento da Hist\u00f3ria \u00e9 sempre o julgamento do vencedor sobre o vencido, e n\u00e3o altera nada, isto \u00e9, desprestigia sempre a Justi\u00e7a.<\/strong> Os julgamentos de N\u00fcrnberg n\u00e3o tiveram qualquer relevo no p\u00f3s-guerra; at\u00e9 o julgamento dos nazis pelos judeus, tamb\u00e9m n\u00e3o alterou nada a estrutura do pensamento do Estado de Israel, n\u00e3o diminuiu a viol\u00eancia, como ali\u00e1s temos visto. H\u00e1 qualquer coisa na natureza humana que faz com que os grupos sociais atuem de acordo com os seus interesses circunstanciais. A Justi\u00e7a \u00e9 sempre circunstancial. N\u00f3s deveremos \u00e9 estudar as situa\u00e7\u00f5es, mas devidamente enquadradas e contextualizadas. E isso \u00e9 feito atrav\u00e9s da Educa\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as concretas das pol\u00edticas. P\u00f4r os antigos dirigentes em tribunal, seria uma coisa muito exaltante e rent\u00e1vel para a comunica\u00e7\u00e3o social, mas n\u00e3o teria nenhuma efic\u00e1cia a n\u00e3o ser a de, passados anos, essas pessoas virem a apresentar-se ainda como v\u00edtimas. \u00c9 o que est\u00e1 a acontecer agora com estes movimentos populistas. Os movimentos populistas n\u00e3o emergem do facto de n\u00e3o percebermos o que tinha acontecido no nazismo: o que est\u00e1 a acontecer, \u00e9 uma repeti\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es para que determinados grupos sociais entrem em fases de desespero e de irracionalidade. O tratamento destes novos movimentos \u00e9 dif\u00edcil, e a sociedade dos democratas tem que os enfrentar \u2013 mas n\u00e3o com a ideia de que eles surgem porque os av\u00f3s deles n\u00e3o foram julgados. (\u2026) H\u00e1 felizmente muitos trabalhos publicados sobre os crimes passados, mas infelizmente h\u00e1 muito poucos leitores para esses trabalhos, h\u00e1 pouca rece\u00e7\u00e3o para os mesmos: <strong>h\u00e1 grupos sociais a seguir \u00e0 nossa gera\u00e7\u00e3o que se desligaram da Hist\u00f3ria e que est\u00e3o a viver o seu presente como se n\u00e3o tivesse havido passado e tamb\u00e9m n\u00e3o houvesse futuro. Essa \u00e9 que \u00e9 a quest\u00e3o que me preocupa mais: a do repentismo e do imediatismo das pessoas.<\/strong><\/p>\n<p><em>Derradeira pergunta: Em 1975, pouco antes das \u00faltimas col\u00f3nias portuguesas terem declarado a independ\u00eancia, houve cerca de meio-milh\u00e3o de &#8220;retornados&#8221; (pessoas sobretudo de origem portuguesa) que voltaram de \u00c1frica para Portugal, por terem na altura optado por conservar a nacionalidade portuguesa em vez de adquirir uma nova nacionalidade africana. Como \u00e9 que esses retornados vieram, mais tarde, a influenciar a sociedade portuguesa, tanto positiva como negativamente?<\/em><\/p>\n<p>Alguns deles n\u00e3o eram sequer retornados, nunca tinham estado em Portugal antes\u2026<br \/>\nQuando come\u00e7ou a guerra em Angola, existiam l\u00e1 apenas cerca de 80.000 colonos de origem portuguesa, e cerca de 35.000 em Mo\u00e7ambique. E s\u00f3 durante a guerra \u00e9 que aumentou sensivelmente esse n\u00famero de colonos, portanto estes \u00faltimos eram maioritariamente de origem recente e tinham ra\u00edzes ainda muito superficiais naquelas terras. Por isso, quando regressaram a Portugal, trouxeram consigo uma experi\u00eancia de rein\u00edcio de vida que foi muito importante, eles foram reproduzir nesse regresso a experi\u00eancia que tinham adquirido quando tinham ido para as col\u00f3nias. E foram introduzir aqui em Portugal novos fatores de dinamiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, e at\u00e9 de comportamentos.<br \/>\nMas h\u00e1 tamb\u00e9m um outro aspeto importante, que \u00e9 o do ressentimento: eles tinham tido a esperan\u00e7a de reiniciar uma vida melhor nas col\u00f3nias, e essa esperan\u00e7a foi truncada com a descoloniza\u00e7\u00e3o, portanto eles tiveram a tend\u00eancia de culpar o regime (que havia permitido as independ\u00eancias) pelas suas perdas ideais e materiais. E da\u00ed terem reagido apoiando movimentos que de algum modo estavam a favor do colonialismo. Julgo, no entanto, que os fen\u00f3menos atuais de radicalismo de extrema-direita em Portugal, n\u00e3o se baseiam nesses grupos, at\u00e9 porque j\u00e1 passaram uma a duas gera\u00e7\u00f5es. A gera\u00e7\u00e3o dos retornados integrou-se relativamente bem na sociedade portuguesa.<br \/>\n<strong>A emerg\u00eancia e o desenvolvimento de movimentos da extrema-direita, deve-se hoje em dia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o interna da Europa, e tamb\u00e9m dos Estados-Unidos. Tem a ver com o facto de n\u00e3o haver esperan\u00e7a, de n\u00e3o haver uma utopia pela qual valha a pena lutar. As pessoas fecham-se sobre elas pr\u00f3prias e procuram o ref\u00fagio nas suas comunidades e naquilo que elas conhecem melhor, que \u00e9 o conservadorismo: o medo do outro, o medo da abertura, o medo do risco. Digamos que s\u00e3o movimentos de \u201ccobardia\u201d!<\/strong><\/p>\n<p><em>Muito obrigado, Sr. Coronel, por esta interessante entrevista!<\/em><\/p>\n<p>O prazer foi todo meu!<\/p>\n<hr \/>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: center;\">V\u00eddeo (50 min.) com a entrevista completa da PRESSENZA ao Coronel Matos Gomes:<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Entrevista com o Coronel Matos Gomes a 28\/3\/2024 sobre a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal.\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/80aPs1O5F_w?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024. 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