{"id":1835619,"date":"2024-03-30T10:31:53","date_gmt":"2024-03-30T10:31:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1835619"},"modified":"2024-03-30T10:31:53","modified_gmt":"2024-03-30T10:31:53","slug":"entrevista-o-que-mudou-no-ensino-em-portugal-desde-25-4-1974","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/03\/entrevista-o-que-mudou-no-ensino-em-portugal-desde-25-4-1974\/","title":{"rendered":"Entrevista: O que mudou no Ensino em Portugal desde 25\/4\/1974?"},"content":{"rendered":"<p><em>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c<strong>5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!<\/strong>\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024.<br \/>\nA\u00a0<strong>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o dos Cravos\u201d 1974-75<\/strong>\u00a0trouxe aos portugueses a liberdade ap\u00f3s 48 anos de fascismo, e \u00e0s col\u00f3nias portuguesas de \u00c1frica a independ\u00eancia ap\u00f3s 500 anos de dom\u00ednio imperial.<\/em><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2024\/03\/serie-da-pressenza-sobre-portugal-50-anos-depois-viva-a-revolucao-dos-cravos\/\"><strong><em>Aqui podem ser lidos todos os artigos desta s\u00e9rie publicados at\u00e9 hoje!<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2><strong>Entrevista com\u00a0Pedro Esteves<\/strong><\/h2>\n<p>Pedro Esteves \u00e9 formado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior T\u00e9cnico de Lisboa. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal, entre 1979 e 2010, lecionou jovens e adultos nas cidades de Almada, Lisboa, Portim\u00e3o e Seixal. O seu tema profissional foi principalmente a Matem\u00e1tica. Preocupou-se sempre com as ra\u00edzes culturais da educa\u00e7\u00e3o, tendo por isso entrado v\u00e1rias vezes em conflito com os curr\u00edculos oficiais.<\/p>\n<p>Em 2023, foi editado o seu livro \u201c<strong>O conflito sobre as escolas: Participa\u00e7\u00e3o\u00a0versus Hierarquiza\u00e7\u00e3o \u2013 Testemunho dum professor<\/strong>\u201d.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2023\/06\/educacao-em-portugal-nos-ultimos-50-anos-luta-da-participacao-versus-hierarquizacao\/\">A PRESSENZA publicou na hora uma apresenta\u00e7\u00e3o desse livro<\/a>. Hoje, na data em que recordamos a Revolu\u00e7\u00e3o do Cravos, ocorrida h\u00e1 50 anos, entrevistamos aqui o autor, para melhor compreendermos o que mudou no Ensino em Portugal desde ent\u00e3o, e porqu\u00ea.<\/p>\n<hr \/>\n<p>(Pressenza:) <em>Pedro, podes explicar-nos, brevemente, como era o Ensino em Portugal antes do 25 de Abril de 1974?<\/em><\/p>\n<p>(Pedro Esteves:) Eu n\u00e3o sou especialista da educa\u00e7\u00e3o. Fui aluno, fui professor e, como tal, procurei compreender (e influenciar) o contexto em que estudei e trabalhei. \u00c9 essa a fonte do meu conhecimento, um permanente e interativo processo de a\u00e7\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo aluno, apenas conheci as escolas anteriores \u00e0 mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico, ocorrida em 1974. Cada escola tinha um reitor, a esmagadora maioria dos alunos limitava-se a estudar durante 4 anos (e muitos nem os terminavam, ou, sequer, iniciavam), os professores eram quase exclusivamente expositivos (embora alguns fossem pedagogicamente interessantes), poucas ou nenhumas atividades havia para al\u00e9m das aulas. T\u00ednhamos escolas para meninas, e escolas para meninos, e a interven\u00e7\u00e3o dos pais nelas era praticamente nula.<br \/>\nNo final dos anos 60 houve algumas iniciativas para melhorar a filosofia curricular, umas vindas do pr\u00f3prio regime pol\u00edtico, outras vindas de grupos de professores. No entanto, as mudan\u00e7as ocorridas em 1974 vieram reequacionar globalmente o contexto em que essas iniciativas decorriam, tendo as que vinham de cima perdido a legitimidade.<\/p>\n<p><em>E que mudou, e porqu\u00ea, nos tempos que imediatamente se seguiram \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Pouca coisa mudou de um dia para o outro. O mais importante foi lento, porque tinha de o ser.<br \/>\nA mudan\u00e7a mais r\u00e1pida foi a da organiza\u00e7\u00e3o das escolas, por iniciativa dos professores e dos alunos. Passou a haver democracia, sobretudo participativa. Mas, ao fim de dois anos, as press\u00f5es vindas de cima reduziram essa organiza\u00e7\u00e3o a uma democracia meramente representativa, come\u00e7ando ent\u00e3o a surgir tens\u00f5es entre as diversas maneiras de pensar na escola, a que n\u00e3o foram alheias as op\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de cada um.<br \/>\nA mais vis\u00edvel das mudan\u00e7as foi a das iniciativas extracurriculares: dos professores e dos alunos surgiram clubes de todo o tipo; publicaram-se jornais de escola, de turma, de grupo; sa\u00eda-se da escola, e convidava-se para a escola; organizavam-se torneios e concertos. Mas essas iniciativas dependiam muito de quem estava em cada escola e da boa ou m\u00e1 vontade de quem havia sido eleito para a gerir.<br \/>\nMais lentamente, come\u00e7ou a crescer a consci\u00eancia entre os professores de que as aulas deveriam decorrer de modo diferente de outrora, sobretudo aceitando e favorecendo a plena participa\u00e7\u00e3o dos alunos na sua aprendizagem e mobilizando maior diversidade de ferramentas para que eles o pudessem fazer. Estavam a chegar os computadores em formato acess\u00edvel, mas os instrumentos mais mobilizados foram, no caso da Matem\u00e1tica, os chamados materiais manipul\u00e1veis. Houve muitas iniciativas individuais e de grupo nessa dire\u00e7\u00e3o, embora pouco conhecidas, pois os inovadores t\u00eam um dilema: se o s\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam tempo para divulgar; e se divulgam, n\u00e3o t\u00eam tempo para inovar.<\/p>\n<p><em>Que melhorias houve por exemplo ao n\u00edvel dos \u00edndices de escolariza\u00e7\u00e3o e de alfabetiza\u00e7\u00e3o, que eram francamente baixos antes de 1974? Tens n\u00fameros sobre isso?<\/em><\/p>\n<p>Sim, tenho alguns n\u00fameros.<br \/>\nNo in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 havia pouco mais de um milh\u00e3o de jovens matriculados nas nossas escolas de ensino n\u00e3o superior; passados trinta anos, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, eles j\u00e1 tinham ultrapassado os dois milh\u00f5es. Mas, deste grande salto, a maior fatia aconteceu depois do 25 de Abril: em 1976, as crian\u00e7as inscritas no pr\u00e9-escolar eram 7,4 % de todas as que tinham idade para nele estar, e em 1991eram 47,1 %; no 1\u00ba Ciclo, passou-se de 87,7 % para 100 %; no 2\u00ba Ciclo, de 33,5 % para 71,7 %; no 3\u00ba Ciclo de 24,8 % para 58,3 %; e no Secund\u00e1rio de 9,2 % para 31 %.<br \/>\nEm 2001 o acesso \u00e0 escola ainda continuava a crescer, tendo chegado a 74,8 % no pr\u00e9-escolar, a 87 % no 2\u00ba e no 3\u00ba Ciclo e a 62,5 % no Secund\u00e1rio.<\/p>\n<p><em>E que mais mudan\u00e7as houve no\u00a0Ensino em Portugal desde\u00a0os primeiros tempos a seguir ao 25 de Abril<\/em>\u00a0<em>at\u00e9 hoje? Que agentes ou fatores foram mais determinantes nessa evolu\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu iniciei-me como professor em 1979. Quando deparei com as minhas primeiras turmas constatei duas grandes mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o aos tempos em que eu pr\u00f3prio fora aluno: mi\u00fadas e mi\u00fados estudavam na mesma escola; e em grande parte descendiam de pais que, no seu tempo, tinham abandonado cedo os estudos.<br \/>\nAssim, durante toda a d\u00e9cada de 80 e parte da de 90, o sistema escolar esteve sob a press\u00e3o de dar resposta a esta enorme e heterog\u00e9nea entrada de alunos. Por um lado, o Estado teve de dar prioridade \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de mais escolas e \u00e0 admiss\u00e3o de mais professores, muitos deles, como eu, sem uma prepara\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica pr\u00e9via (ao ensinarmos, aprend\u00edamos a ensinar). Por outro, foram sobretudo os professores que tinham acabado de chegar que se sensibilizaram para a necessidade de alterar os m\u00e9todos de ensino e de aprendizagem (n\u00e3o estavam muito deformados pelas pedagogias conservadoras, e sentiam os ventos de mudan\u00e7a que ainda sopravam vindos do 25 de Abril).<br \/>\nPortanto, enquanto o Estado orquestrava a resposta ao \u00abacesso de todos \u00e0 escola\u00bb, uns tantos professores ensaiavam respostas a um outro desafio, o do \u00absucesso escolar para todos\u00bb.<br \/>\nMas, no final da d\u00e9cada de 80, surgiram tr\u00eas outros fen\u00f3menos que viriam a marcar os anos 90 e a ter efeitos duradouros nas escolas. Um deles foi o associativismo dos diversos intervenientes na Educa\u00e7\u00e3o (alunos, professores, funcion\u00e1rios, pais, investigadores); outro foi a consolida\u00e7\u00e3o de Departamentos de Educa\u00e7\u00e3o no Ensino Superior e, sobretudo ao longo da d\u00e9cada de 90 e depois dela, o surgimento de uma grande diversidade de parceiros das escolas; e o terceiro foi a reformula\u00e7\u00e3o de todo o sistema escolar, por iniciativa do Estado, que para tal lan\u00e7ou um conjunto de reformas que visavam definir o estatuto de cada ator, instalar uma nova organiza\u00e7\u00e3o nas escolas e modernizar os curr\u00edculos.<br \/>\nEste conjunto de fatores tornou a d\u00e9cada de 90 profundamente contradit\u00f3ria. Com a rede de escolas a estabilizar-se, as aten\u00e7\u00f5es de todos os envolvidos na Educa\u00e7\u00e3o concentraram-se no desafio do sucesso escolar. Para os professores mais ousados, agora inspirados pelo seu recente associativismo, foi um tempo de projetos, que chegaram a abarcar v\u00e1rias escolas e a esbo\u00e7ar redes para al\u00e9m da sua regi\u00e3o. Mas, na segunda metade desta d\u00e9cada, o papel dos atores externos \u00e0s escolas, apoiados em sucessivas altera\u00e7\u00f5es \u00e0s reformas que tinham sido antes iniciadas, come\u00e7ou a tornar-se dominante.<\/p>\n<p><em>Essas\u00a0reformas\u00a0a partir dos anos 90 foram consequ\u00eancia da entrada de Portugal em 1986 na Uni\u00e3o Europeia (que na altura se chamava ainda CEE, Comunidade Econ\u00f3mica Europeia), isto \u00e9, resultado da press\u00e3o\u00a0uniformizadora da Europa? D\u00e1-nos alguns exemplos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Um dos nossos principais investigadores, Ant\u00f3nio N\u00f3voa, resumiu assim as sucessivas influ\u00eancias externas sobre o nosso sistema educativo: nos anos 60, elas vinham da OCDE; a seguir ao 25 de Abril, do Banco Mundial; e, a partir dos anos 80, predominaram as influ\u00eancias europeias (pelo menos at\u00e9 \u00e0 altura em que ele o escreveu, em 2005).<br \/>\nOra, a Lei de Bases do Sistema Educativo \u2014 ainda hoje, apesar de alguns retoques, ela \u00e9 a nossa principal refer\u00eancia legal \u2014 foi aprovada precisamente em 1986. \u00c9 pois bem poss\u00edvel que ela tenha resultado da influ\u00eancia dos nossos futuros parceiros europeus.<br \/>\nMais recentemente, tamb\u00e9m o FMI exerceu fortes press\u00f5es sobre aspetos chave do nosso sistema educativo. E surgiram outras influ\u00eancias, nomeadamente vindas das institui\u00e7\u00f5es que organizam os estudos comparativos internacionais, como o PISA.<\/p>\n<div id=\"attachment_1833872\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1833872\" class=\" wp-image-1833872\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Pedro1-breit-mit-Farbe-c-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"763\" height=\"402\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Pedro1-breit-mit-Farbe-c-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Pedro1-breit-mit-Farbe-c.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 763px) 100vw, 763px\" \/><p id=\"caption-attachment-1833872\" class=\"wp-caption-text\"><em>Pedro Esteves (Foto disponibilizada pelo entrevistado)<\/em><\/p><\/div>\n<p><em>E\u00a0como\u00a0evoluiu o Ensino em Portugal mais tarde, desde os anos 2000 at\u00e9 hoje?<\/em><\/p>\n<p>A primeira d\u00e9cada deste s\u00e9culo foi um tempo de violentos confrontos, desencadeados com o objetivo de controlar, a partir de cima, tudo quanto se passava nas escolas: os curr\u00edculos foram blindados com m\u00faltiplos dispositivos t\u00e9cnicos, afastando a criatividade dos professores; a progress\u00e3o profissional destes foi congelada; e a gest\u00e3o das escolas passou a estar nas m\u00e3os de diretores, que s\u00e3o uma reincarna\u00e7\u00e3o dos reitores de antes do 25 de Abril. Como consequ\u00eancia, os debates p\u00fablicos, al\u00e9m de minorarem persistentemente a imagem dos professores, foram-se centrando na avalia\u00e7\u00e3o dos alunos e das escolas e nos nossos resultados nos estudos internacionais.<br \/>\nIsso foi poss\u00edvel porque o Estado estabeleceu uma alian\u00e7a com importantes sectores de especialistas, de modo que estes elaboram para ele as principais medidas e, depois, legitimaram-nas publicamente com as suas pr\u00f3prias opini\u00f5es. Pass\u00e1mos a estar num sistema profundamente hierarquizado, em que as institui\u00e7\u00f5es internacionais definem o rumo, o nosso Estado contrata quem lhe fa\u00e7a as propostas (organizacionais, curriculares, avaliativas), alguns dos mais fortes parceiros (funda\u00e7\u00f5es, empresas privadas, munic\u00edpios) candidatam-se a apoi\u00e1-las (e a ser financiados) com os seus projetos e, em cada escola, o diretor evita que as coisas saiam deste caminho.<br \/>\n\u00c9 assim que a nossa Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1, cinquenta anos depois do 25 de Abril.<\/p>\n<p><em>Olhemos agora para o futuro: quais s\u00e3o os desafios mais importantes que o Ensino em Portugal enfrenta hoje ou enfrentar\u00e1 num futuro pr\u00f3ximo?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o me parece que aquilo que se passa em Portugal seja muito diferente do que se passa noutros pa\u00edses ocidentais. Por um lado, a Educa\u00e7\u00e3o sempre esteve mais ou menos em crise, em qualquer pa\u00eds, apesar de curtos per\u00edodos em que parece n\u00e3o o estar. Por outro, h\u00e1 hoje, em todo o mundo, fortes queixas acerca do que est\u00e1 a acontecer, presumivelmente como consequ\u00eancia da influ\u00eancia exercida pela filosofia neoliberal.<br \/>\nOs desafios que o futuro da Educa\u00e7\u00e3o coloca s\u00f3 podem ser formulados como oposi\u00e7\u00e3o a essa influ\u00eancia. Mas tamb\u00e9m t\u00eam de ser formulados tendo em conta o paradoxo que \u00e9 bem vis\u00edvel no nosso pa\u00eds: o desafio do \u00absucesso escolar para todos\u00bb foi razoavelmente resolvido, pois hoje h\u00e1 muito mais jovens a concluir os 12 anos de escolaridade obrigat\u00f3ria e a inscrever-se no Ensino Superior; no entanto o mal-estar entre os alunos e os professores persiste; e h\u00e1 imensos jovens que, terminada a escolaridade obrigat\u00f3ria, s\u00f3 encontram trabalho prec\u00e1rio e mal remunerado, sendo muitos deles obrigados a emigrar. Em minha opini\u00e3o, este paradoxo resulta de se ter confundido \u00absucesso escolar\u00bb com \u00absucesso educativo\u00bb: o primeiro pode ser encarado tecnicamente, o segundo s\u00f3 pode ser encarado socialmente.<br \/>\nH\u00e1, no entanto, desafios mais imediatos, sendo um deles a crescente falta de professores nas escolas, ou porque as condi\u00e7\u00f5es do seu exerc\u00edcio deixaram de ser atrativas, ou at\u00e9 porque se tem propagandeado que os professores de carne e osso ir\u00e3o ser parcialmente substitu\u00eddos por professores digitais.<br \/>\nDepois h\u00e1 desafios mais filos\u00f3ficos, como o do significado da Educa\u00e7\u00e3o que, em vez de ser cient\u00edfica e tecnocraticamente fundamentada, como \u00e9 hoje, tem de regressar \u00e0 matriz antropol\u00f3gica que foi h\u00e1 muito esbo\u00e7ada pelos seus melhores pensadores: a intera\u00e7\u00e3o social, a inser\u00e7\u00e3o numa cultura.<br \/>\nE, por fim, h\u00e1 desafios de car\u00e1cter pol\u00edtico, como o da necessidade de uma dr\u00e1stica redu\u00e7\u00e3o das hierarquias, de modo a libertar a criatividade dos diversos atores e a facilitar a sua articula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Que diferen\u00e7as positivas ou negativas tem o Ensino em Portugal, em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses da\u00a0Uni\u00e3o Europeia?<\/em><\/p>\n<p>Excetuando Portugal, e um pouco da Alemanha, tenho pouco conhecimento direto do que se passa, hoje, na Europa. Portanto, n\u00e3o sei se me posso apoiar no que de vez em quando leio sobre um ou outro pa\u00eds europeu. Por exemplo: agradam-me a maior diversidade curricular, a menor obsess\u00e3o com os exames e o reconhecimento p\u00fablico da autonomia dos professores. E tamb\u00e9m, como parece acontecer nos pa\u00edses n\u00f3rdicos, que se atribua, nos primeiros anos de escolaridade, uma maior import\u00e2ncia ao bem-estar dos alunos, em detrimento do seu desempenho curricular.<\/p>\n<p><em>H\u00e1 algo que tu achas ser particularmente espec\u00edfico do Ensino em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o deve haver na Europa dos \u00faltimos cinquenta anos muitos exemplos semelhantes ao que te descrevi sobre as nossas escolas nos primeiros tempos a seguir ao 25 de Abril. Infelizmente, os seus efeitos libertadores apenas se estenderam at\u00e9 meados dos anos 90.<br \/>\nPor isso, em minha opini\u00e3o, a comemora\u00e7\u00e3o dos cinquenta anos que se passaram desde 1974, deveria limitar-se a evocar a necessidade de regressarmos ao seu esp\u00edrito inicial.<\/p>\n<p><em>Vamos\u00a0dar agora um salto:\u00a0sabes algo sobre as diferen\u00e7as entre o ensino em Portugal e noutros pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa como o Brasil, Cabo-Verde ou Angola?<\/em><\/p>\n<p>Apenas conhe\u00e7o o pensamento do Paulo Freire e o do Ubiratan de Ambr\u00f3sio, ambos brasileiros, que s\u00e3o inspiradores em qualquer lado do mundo. E sei que em Cabo Verde a popula\u00e7\u00e3o \u00e9, em geral, bastante escolarizada.<br \/>\nSeria muito interessante conhecermo-nos todos melhor, pois falamos a mesma l\u00edngua!<\/p>\n<p><em>Uma pergunta de ordem pessoal: das tuas pr\u00f3prias experi\u00eancias como professor do Ensino\u00a0B\u00e1sico em Portugal, quais te marcaram mais positivamente?<\/em><\/p>\n<p>Como experi\u00eancia de escola, talvez a Ludoteca que criei e animei durante quase quinze anos. N\u00e3o era s\u00f3 um espa\u00e7o de jogo, pois foi tamb\u00e9m a\u00ed que se deram os primeiros passos do Laborat\u00f3rio de Matem\u00e1tica da minha escola, talvez o primeiro a renascer ap\u00f3s o 25 de Abril (d\u00e9cadas antes j\u00e1 tinha havido alguns, que depois desapareceram). A Ludoteca era sobretudo uma oportunidade de encontro entre alunos e entre eles e os adultos respons\u00e1veis por esse espa\u00e7o. Alguns alunos at\u00e9 iam para l\u00e1 estudar quando lhes faltava um professor, e a auxiliar educativa que l\u00e1 se encontrava apoiava-os.<br \/>\nHouve ainda a experi\u00eancia associativa. Nos seus primeiros anos, ela levou alguns professores a compreender que a constru\u00e7\u00e3o de uma profiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 algo que seja dado, mas sim um longo e por vezes conflituoso processo coletivo. Nos anos 90, sem os colegas da minha escola e de outras situadas nas proximidades, o nosso N\u00facleo Associativo n\u00e3o teria sido capaz de imaginar os projetos interescolas que ent\u00e3o conseguimos concretizar. Hoje esse esp\u00edrito acabou.<\/p>\n<p><em>E sobre o livro que publicaste o ano passado: a quem \u00e9 ele dirigido, e qual a sua mensagem principal?<\/em><\/p>\n<p>Qualquer pessoa que se interesse pela Educa\u00e7\u00e3o, em qualquer parte do mundo, pode encontrar nesse livro um testemunho fundamentado sobre os problemas que as escolas enfrentam hoje e sobre os desafios que o futuro lhes coloca.<br \/>\nEscrevi-o para que n\u00e3o fosse esquecido o que pode ter sido a experi\u00eancia profissional mais importante de um grande grupo de professoras e de professores, quer pela positiva, quer pela negativa.<br \/>\nEstou agora a pormenorizar e a interpretar esse testemunho como um contributo para a explicita\u00e7\u00e3o dos saberes e dos valores que est\u00e3o envolvidos na constru\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o docente. E que, acredito, ter\u00e3o muito em comum com os saberes e os valores de qualquer outra profiss\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo faz parte da s\u00e9rie \u201c5o anos depois: VIVA a REVOLU\u00c7\u00c3O DOS CRAVOS!\u201d que a PRESSENZA est\u00e1 a publicar desde meados de Mar\u00e7o 2024. 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