{"id":1759269,"date":"2023-08-13T00:34:10","date_gmt":"2023-08-12T23:34:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1759269"},"modified":"2023-08-13T00:34:10","modified_gmt":"2023-08-12T23:34:10","slug":"china-o-fascinante-voo-do-dragao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2023\/08\/china-o-fascinante-voo-do-dragao\/","title":{"rendered":"China, o fascinante voo do drag\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Como a emerg\u00eancia de um pa\u00eds que rejeita dogmas neoliberais, e est\u00e1 construindo o Comum, pode sacudir um Ocidente \u00e0s voltas com desigualdade, estancamento econ\u00f4mico, devasta\u00e7\u00e3o ambiental e fascismo.<\/em><\/p>\n<p>por <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/author\/antoniomartins\/\">Antonio Martins<\/a><\/p>\n<p>Cravada a 2,4 mil quil\u00f4metros de Pequim, mas a apenas duzentos da fronteira com o Vietn\u00e3, a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nanning_railway_station\">esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria de Nanning<\/a> \u00e9 um das joias de infraestrutura que povoam a paisagem chinesa. Inaugurada em 1951, dois anos ap\u00f3s o revolu\u00e7\u00e3o liderada por Mao Zedong, ela foi reconstru\u00edda por inteiro em 2013. A \u00e1rea de seu sagu\u00e3o principal equivale \u00e0 de seis campos de futebol, com p\u00e9 direito de 48 metros. Agora, por l\u00e1 passam tamb\u00e9m algumas das linhas da maior rede de trens de alta velocidade do mundo, que tem 35 mil quil\u00f4metros \u00e9 e <a href=\"https:\/\/viatrolebus.com.br\/2020\/09\/as-10-maiores-redes-de-trens-de-alta-velocidade-do-mundo\/\">duas vezes mais extensa<\/a> que todas as outras somadas.<\/p>\n<p>Mas o gigantismo n\u00e3o ofusca a delicadeza. Os passageiros aguardam os trens em poltronas confort\u00e1veis \u2013 boa parte delas com massageador. O acesso \u00e0s composi\u00e7\u00f5es, que partem do andar subterr\u00e2neo, se d\u00e1 por meio de port\u00f5es de embarque semelhantes aos dos aeroportos, por\u00e9m silenciosos. H\u00e1 restaurantes e lojas, mas nenhum painel publicit\u00e1rio. A <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Nanning_East_railway_station\">arquitetura inspira-se<\/a> nas varandas da regi\u00e3o de Guangxi. O ar \u00e9 ameno. Apesar do imenso volume da estrutura, os ver\u00f5es ind\u00f3ceis da cidade (a temperatura pode chegar a 39\u00baC e a umidade produz sensa\u00e7\u00e3o permanente de estufa) s\u00e3o suavizados por um sistema que combina ar condicionado e cortinas eletr\u00f4nicas de vento. Duas linhas de metr\u00f4 ligam a esta\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade. A energia \u00e9 fornecida por pain\u00e9is fotovoltaicos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fora da esta\u00e7\u00e3o, tudo parece novo em Nanning: os pr\u00e9dios \u2013 alguns muito altos \u2013 de apartamentos ou escrit\u00f3rios, o transporte p\u00fablico, os <a href=\"http:\/\/en.people.cn\/n3\/2021\/1025\/c90000-9911256.html\">sistemas<\/a> que mant\u00eam limpas as \u00e1guas do largo rio Yong, o asfalto das ruas e at\u00e9 parte das \u00e1rvores, escoradas por estacas que indicam plantio recente. A reurbaniza\u00e7\u00e3o da cidade \u2013 tinha 1 milh\u00e3o de habitantes em 2002 e atingiu 8,5 milh\u00f5es no ano passado \u2013 \u00e9 uma pequena parte do movimento que livrou da pobreza, nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o equivalente a tr\u00eas Brasis.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o tornou-se intensa a partir de 2015. Vizinha \u00e0 pr\u00f3spera Guangdong \u2013 fulcro da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Viagem_de_Deng_Xiaoping_ao_Sul\">grande abertura da economia chinesa<\/a>, em 1992 \u2013 a prov\u00edncia de Guangxi havia ficado para tr\u00e1s. L\u00e1, 32% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 de origem <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zhuang_people\">zhuang<\/a> (a maior minoria \u00e9tnica do pa\u00eds) e 44% viviam <a href=\"https:\/\/www.statista.com\/statistics\/1088875\/china-urban-and-rural-population-by-region-province\/\">na zona rural.<\/a> Seu PIB per capita equivalia a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/List_of_Chinese_administrative_divisions_by_GDP_per_capita\">apenas 60%<\/a> da m\u00e9dia nacional; 10,5% (ou 6,4 milh\u00f5es de pessoas) <a href=\"https:\/\/www.worldbank.org\/en\/news\/feature\/2021\/08\/09\/supporting-institutional-innovations-in-poverty-reduction-in-guangxi\">viviam na pobreza<\/a>. \u00c0 \u00e9poca, Xi Jinping enunciava o objetivo de \u201cprosperidade comum\u201d, que revia, ao menos em parte, o padr\u00e3o de desenvolvimento at\u00e9 ent\u00e3o vigente.<\/p>\n<p>A base para o resgate de Guangxi foi o investimento p\u00fablico maci\u00e7o, que se estendeu muito al\u00e9m da transforma\u00e7\u00e3o urbana. O Estado lan\u00e7ou um esfor\u00e7o meticuloso para identificar os focos e causas de <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/Downloads\/Industries%20like%20tea,%20Chinese%20herbal%20medicines%20and%20fruits%20plantations%20have%20developed%20rapidly%20in%20poverty-ridden%20villages,%20creating%20job%20opportunities%20for%20farmers%20to%20boost%20their%20income%20and%20growth%20momentum%20for%20impoverished%20areas%20to%20develop%20further\">pobreza rural<\/a> \u2013 muitas vezes oculta em rinc\u00f5es remotos \u2013 e um movimento peculiar para super\u00e1-la, que examinaremos em detalhe mais tarde. Preservou-se a pequena propriedade camponesa. Estimulou-se entre outras atividades, em Guangxi, o processamento do ch\u00e1, de ervas da medicina chinesa e de frutas. Cinco anos mais tarde, o processo estava conclu\u00eddo em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A for\u00e7a do drag\u00e3o chin\u00eas \u00e9 conhecida. A partir de 1977, a economia viveu um processo sem precedentes de industrializa\u00e7\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o e avan\u00e7o tecnol\u00f3gico. O pa\u00eds tornou-se a grande f\u00e1brica do mundo, e evoluiu da produ\u00e7\u00e3o de t\u00eaxteis e bugigangas eletr\u00f4nicas baratas para bens e servi\u00e7os sofisticados. Suas exporta\u00e7\u00f5es s\u00e3o quase 50% superiores \u00e0s dos EUA e o triplo das japonesas. A produ\u00e7\u00e3o de riquezas materiais, quando medida pelo PIB, passou de menos de 3% a mais de 20% do total mundial e superou a dos Estados Unidos, segundo o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Purchasing_power_parity\">crit\u00e9rio que despreza<\/a> a valoriza\u00e7\u00e3o artificial das moedas e considera a <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Purchasing_power_parity\">produ\u00e7\u00e3o real<\/a>.<\/p>\n<p>Mas, previsivelmente, quase n\u00e3o se fala sobre o novo voo do drag\u00e3o \u2013 aquele que poderia inspirar um Ocidente \u00e0s voltas com m\u00faltiplas crises e acossado pelo fascismo. A elimina\u00e7\u00e3o da pobreza, as transforma\u00e7\u00f5es como a de Guangxi, os novos saltos na Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancia ou os \u00eaxitos no combate \u00e0 polui\u00e7\u00e3o e na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o se devem apenas do crescimento do PIB. Derivam de uma virada pol\u00edtica, que colocou a China na contram\u00e3o da ortodoxia neoliberal e lhe permitiu evitar a <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/dowbor-assim-o-rentismo-se-tornou-doutrina\/\">armadilha rentista<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da crise global dos mercados financeiros em 2008 \u2013 e em especial ap\u00f3s o in\u00edcio do mandato de Xi Jinping, quatro anos depois \u2013 Pequim iniciou uma nova flex\u00e3o em seu projeto. A mudan\u00e7a pode tornar-se, ao longo do tempo, t\u00e3o profunda e relevante quanto a comandada, ap\u00f3s 1978, por Deng Hsiaoping. Mas o sentido \u00e9 distinto. Numa economia ent\u00e3o estatizada, Deng liderou a abertura \u00e0s l\u00f3gicas de mercado, \u00e0 empresa privada e \u00e0s corpora\u00e7\u00f5es transnacionais. A atitude salvou o pa\u00eds do colapso que p\u00f4s fim ao \u201csocialismo real\u201d. O novo giro, ao contr\u00e1rio, reverte o peso das rela\u00e7\u00f5es mercantis como for\u00e7a dirigente da economia e das rela\u00e7\u00f5es sociais. Enfatiza, em vez disso, a necessidade de construir o Comum, com base numa a\u00e7\u00e3o incisiva do Estado para promover a igualdade e a prosperidade de todos. E estabelece mecanismos de planejamento e dire\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica inovadores, por n\u00e3o se basearem na estatiza\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica que caracterizou a experi\u00eancia sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>O giro de Xi n\u00e3o significa uma ruptura radical em rela\u00e7\u00e3o ao de Deng. A China n\u00e3o quer se desfazer do capital externo ou das empresas privadas. O Estado continua a atra\u00ed-las e estimul\u00e1-las. Mas as duas marcas principais do processo de desenvolvimento agora s\u00e3o outras. A primeira \u00e9 o investimento p\u00fablico maci\u00e7o voltado ao bem-estar das maiorias. Ele eclipsa, em boa medida, a reprodu\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas. Porque produz, ao contr\u00e1rio destas, igualdade e desmercantiliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil compreender. Quando as pol\u00edticas de Sa\u00fade do Estado, por exemplo, apostam em seguros privados, o acesso aos servi\u00e7os m\u00e9dicos passa a ser mediado pelo dinheiro e se torna, por isso, desigual. Cada indiv\u00edduo obt\u00e9m aquilo que pode comprar \u2013 de hospitais com hotelaria cinco estrelas a cl\u00ednicas populares prec\u00e1rias. Mas se o mesmo Estado oferece a todos redes p\u00fablicas de m\u00e9dicos de fam\u00edlia e hospitais de excel\u00eancia, ele garante acesso igualit\u00e1rio e desconstr\u00f3i a prote\u00e7\u00e3o privada \u2013 pois a torna sup\u00e9rflua.<\/p>\n<p>O investimento p\u00fablico chin\u00eas \u00e9 complementado pelo novo planejamento \u2013 ou <a href=\"file:\/\/\/home\/pia\/Descargas\/77609-Texto%20do%20Artigo-282130-1-10-20201103-1.pdf\">projetamento<\/a>, como preferem denomin\u00e1-los autores como Elias Jabbour. Mesmo nos momentos de maior abertura, o Estado chin\u00eas n\u00e3o deixou de definir condi\u00e7\u00f5es gerais para atua\u00e7\u00e3o da empresa privada. Mas a partir de Xi esta a\u00e7\u00e3o tornou-se mais intensa \u2013 inclusive porque, numa sociedade mais rica, cresce a for\u00e7a dos grandes grupos privados e das rela\u00e7\u00f5es capitalistas. Parte da a\u00e7\u00e3o estatal tem sentido defensivo. Ao contr\u00e1rio do que ocorre no Ocidente, as Big Techs chinesas s\u00e3o controladas. Em 2021, o <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Alipay\">Grupo Alibaba<\/a> foi impedido de lan\u00e7ar o que poderia vir a ser uma moeda digital pr\u00f3pria, capaz de submeter as rela\u00e7\u00f5es sociais a sua pr\u00f3pria l\u00f3gica. Em 2022, o Estado extinguiu o neg\u00f3cio, ent\u00e3o disseminado e exuberante, das aulas privadas de refor\u00e7o escolar. Considerou que elas davam vantagens aos filhos das fam\u00edlias mais ricas, no acesso \u00e0s melhores institui\u00e7\u00f5es de ensino p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O aspecto principal do projetamento, contudo, \u00e9 induzir os agentes econ\u00f4micos. Marx chamou de \u201c<a href=\"https:\/\/cebes.org.br\/a-anarquia-da-producao-e-as-origens-da-crise-economica\/6308\/\">anarquia da produ\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d ao caos que inevitavelmente se produz quando os capitalistas, movidos por seus interesses particulares, investem em atividades que tendem a ser destrutivas, social e ambientalmente. Na China, as empresas privadas est\u00e3o em toda parte. Respondem por 80% do emprego urbano. Mas o Estado age para conduzi-las, por meio de um feixe de mecanismos como o cr\u00e9dito (concentrado em bancos p\u00fablicos), os tributos, a cria\u00e7\u00e3o de infraestrutura e a a\u00e7\u00e3o das estatais, dominantes nos setores estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Um dos resultados \u00e9 limitar a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. O sal\u00e1rio m\u00e9dio por hora na ind\u00fastria chinesa <a href=\"https:\/\/valor.globo.com\/mundo\/noticia\/2017\/02\/26\/salario-medio-da-industria-da-china-supera-o-do-brasil-e-do-mexico.ghtml\">triplicou entre 2005 e 2016<\/a>, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho e atingiu US$ 3,60. Segue em alta (veja gr\u00e1fico abaixo, da mesma fonte, para o per\u00edodo 2008-2022). J\u00e1 era, h\u00e1 sete anos, 33% maior que no Brasil e 71% superior ao do M\u00e9xico. A melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida e a transforma\u00e7\u00e3o da infraestrutura, resultados do novo voo do drag\u00e3o, espalham-se pela paisagem chinesa e ser\u00e3o examinados em detalhe, em textos futuros. Vale a pena apontar de relance, desde j\u00e1, os efeitos do mesmo movimento num ponto determinante do debate pol\u00edtico atual: as rela\u00e7\u00f5es entre o ser humano e o ambiente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1759270 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/230809-Salarios.png\" alt=\"\" width=\"708\" height=\"941\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/230809-Salarios.png 708w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/230809-Salarios-226x300.png 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 708px) 100vw, 708px\" \/><\/p>\n<p>Os anos da grande abertura econ\u00f4mica produziram, na China um aumento da contamina\u00e7\u00e3o e das emiss\u00f5es de CO\u00b2. O uso do carv\u00e3o, base hist\u00f3rica da matriz energ\u00e9tica, intensificou-se. O pa\u00eds tornou-se conhecido por imagens de cidad\u00e3os mascarados e aflitos, sob os c\u00e9us sempre turvos de Pequim ou Shangai. Eclodiram <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2666498419300018\">desastres ecol\u00f3gicos<\/a> como a contamina\u00e7\u00e3o dos solos, a desertifica\u00e7\u00e3o, secas e inunda\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias em grandes rios como o Yangtze e o Amarelo.<\/p>\n<p>O roteiro \u00e9 um cl\u00e1ssico. Da Inglaterra no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX \u00e0 \u00cdndia e ao Vietn\u00e3 contempor\u00e2neos, a industrializa\u00e7\u00e3o foi sempre marcada por uma rela\u00e7\u00e3o alienada, que v\u00ea a natureza como \u201crecurso\u201d a ser domado e explorado. As causas variam: da falta de consci\u00eancia ecol\u00f3gica \u00e0 chantagem do capital \u2013 que aceita deslocar suas ind\u00fastrias, desde que contemplado com regras ambientais frouxas.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o est\u00e1 no script \u00e9 um pa\u00eds do Sul Global assumir lideran\u00e7a na despolui\u00e7\u00e3o de sua sociedade e na convers\u00e3o para energias limpas. Os primeiros sinais de preocupa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica na China v\u00eam do <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2666498419300018\">in\u00edcio dos anos 1970<\/a>, com pol\u00edticas internas limitadas e participa\u00e7\u00e3o t\u00edmida na Confer\u00eancia de Estocolmo sobre Meio Ambiente, da ONU (1972) e na Rio-92. A mudan\u00e7a significativa come\u00e7a h\u00e1 pouco mais de dez anos, j\u00e1 no per\u00edodo de Xi Jinping. Em 2012, o 18\u00ba congresso do Partido Comunista Chin\u00eas <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ecological_civilization\">afirma<\/a> que construir uma \u201cciviliza\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d, \u00e9 um dos cinco \u201cobjetivos do desenvolvimento nacional\u201d.<\/p>\n<p>Outra vez, os resultados s\u00e3o obtidos por meio de investimento p\u00fablico e a condu\u00e7\u00e3o, pelo Estado, dos agentes privados. No primeiro trimestre de 2023, a capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia solar na China atingiu 228Gw \u2013 equivalente a dezesseis usinas de Itaipu, e <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2023\/jun\/29\/china-wind-solar-power-global-renewable-energy-leader\">mais que a de todos<\/a> os outros pa\u00edses do mundo somados, segundo a organiza\u00e7\u00e3o norte-americana <a href=\"https:\/\/globalenergymonitor.org\/\">Global Energy Monitor<\/a>. Mais 379Gw est\u00e3o sendo instalados. A gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2023\/jun\/29\/china-wind-solar-power-global-renewable-energy-leader\">ultrapassou 310Gw<\/a>, o dobro de 2017 e o equivalente \u00e0 soma dos sete pa\u00edses seguintes juntos. Em 2022, o pa\u00eds fabricou 80% dos pain\u00e9is solares e 57,4% dos ve\u00edculos el\u00e9tricos do mundo.<\/p>\n<p>Os resultados pol\u00edticos do investimento p\u00fablico em favor do bem-estar chamam aten\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um vasto debate a ser feito sobre os sistemas institucionais do Ocidente e da China. O que se dir\u00e1 a seguir n\u00e3o \u00e9 uma tentativa simplista de apresentar as formas de governo chinesas como superiores \u2013 e este tema ser\u00e1 retomado. Mas \u00e9 preciso deixar que os fatos falem. Em mar\u00e7o deste ano, a funda\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.allianceofdemocracies.org\/\">Alian\u00e7a de Democracias (AoD)<\/a> sondou, em 53 pa\u00edses, a percep\u00e7\u00e3o de suas popula\u00e7\u00f5es a respeito do car\u00e1ter dos regimes pol\u00edticos respectivos. A<a href=\"https:\/\/www.justsecurity.org\/87071\/2023-democracy-perception-index-a-wake-up-call-for-us-eu\/\"> pesquisa<\/a> denomina-se \u201c<a href=\"https:\/\/www.justsecurity.org\/87071\/2023-democracy-perception-index-a-wake-up-call-for-us-eu\/\">\u00cdndice de Percep\u00e7\u00e3o de Domocracia<\/a>\u201d. Fundada por Anders Rasmussen, at\u00e9 h\u00e1 pouco secret\u00e1rio-geral da OTAN, a AoD \u00e9 abertamente pr\u00f3-ocidental. Mas a enquete revelou que 73% dos chineses consideram seu pa\u00eds \u201cdemocr\u00e1tico\u201d, enquanto o percentual cai para 54% nos EUA, 53% na Holanda e 49% na Fran\u00e7a. Uma das causas centrais parece estar no fato de que 58% dos norte-americanos acreditam que seu sistema pol\u00edtico serve \u201c\u00e0 minoria\u201d. Na China, s\u00e3o apenas 10%.<\/p>\n<p><em>There is no alternative<\/em>, disse Margareth Thatcher, e cunhou a frase que se tornou emblema do neoliberalismo. Pode haver, em meio \u00e0 crise civilizat\u00f3ria em que mergulhou o planeta, um pa\u00eds onde as maiorias acreditam que o Estado age em seu favor \u2013 e em que esta op\u00e7\u00e3o \u00e9 bem sucedida?<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, a lideran\u00e7a chinesa soube tirar proveito das ideias vindas do exterior, sempre que as julgou adequadas a seu projeto. Num mundo id\u00edlico, livre da luta de classes e de suas mis\u00e9rias, as solu\u00e7\u00f5es chinesas seriam agora examinadas pelas elites ocidentais com aten\u00e7\u00e3o e interesse; e em seguida adaptadas e incorporadas, ao menos em parte.<\/p>\n<p>H\u00e1 um motivo para que isso n\u00e3o ocorra. A China avan\u00e7a sobretudo porque contraria os dogmas que mant\u00eam em p\u00e9 o edif\u00edcio ideol\u00f3gico neoliberal; e em especial, por ter evitado o <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/o-ocaso-do-capitalismo-segundo-ladislau-dowbor\/\">rentismo<\/a>, a forma ultraparasit\u00e1ria de captura da riqueza coletiva que caracteriza o capitalismo contempor\u00e2neo. A riqueza coletiva que l\u00e1 assume a forma de investimentos p\u00fablicos, moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura, valoriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios ou transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, aparece no Ocidente transmutada em m\u00faltiplas demonstra\u00e7\u00f5es de fausto individual e regalias. Mas expressa-se sobretudo na \u201cexuber\u00e2ncia irracional\u201d dos mercados financeiros; nos <a href=\"https:\/\/newrepublic.com\/article\/165623\/blackrock-vanguard-ubs-climate\">mega-fundos globais de investimento<\/a>, que acumulam patrim\u00f4nio superior ao PIB dos EUA; nos <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/sem-categoria\/muito-mais-que-bucolicos-paraisos\/\">para\u00edsos fiscais<\/a> onde os muito ricos mant\u00eam seu dinheiro para se livrar de impostos; na corrup\u00e7\u00e3o permanente do sistema pol\u00edtico pelo poder econ\u00f4mico, raiz da crise que consome a democracia.<\/p>\n<p>Aprender com a China significaria, para a classe rentista que passou a governar o capitalismo, abrir m\u00e3o de seus privil\u00e9gios e desconstruir a si mesma. Por isso, ao inv\u00e9s de olhar para a experi\u00eancia chinesa, fazem-se curiosos esfor\u00e7os para evitar que ela seja examinada. Busca-se isol\u00e1-la; bloquear os caminhos por onde avan\u00e7a; se poss\u00edvel, provocar seu fim.<\/p>\n<p>Na esfera econ\u00f4mica, os EUA e seus aliados fazem-no por meio de uma <a href=\"https:\/\/www.piie.com\/blogs\/trade-and-investment-policy-watch\/trumps-trade-war-timeline-date-guide\">guerra comercial<\/a> que <a href=\"https:\/\/www.economist.com\/leaders\/2023\/08\/10\/joe-bidens-china-strategy-is-not-working\">nega a globaliza\u00e7\u00e3o<\/a> \u2013 seu projeto mais caro por d\u00e9cadas \u2013 para tentar evitar que Pequim tenha acesso aos chips mais avan\u00e7ados e possa assumir lideran\u00e7a tamb\u00e9m em tecnologias como a intelig\u00eancia artificial. No plano geopol\u00edtico, os EUA mergulharam, desde Barack Obana, em <a href=\"https:\/\/www.cfr.org\/project\/us-pivot-asia-and-american-grand-strategy\">um giro para a \u00c1sia<\/a>. Para isso, aceitaram abrir m\u00e3o de controlar o Oriente M\u00e9dio \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o seu objetivo estrat\u00e9gico central. O movimento acirrou-se sob Donald Trump e n\u00e3o refluiu com Joe Biden. Em seu movimento mais recente, Washington tenta atrair a China, em Taiwan, para <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/eua-x-china-o-caso-do-balao-espiao\/\">uma cilada semelhante<\/a> \u00e0 que armou para a R\u00fassia na Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 no terreno da luta de ideias que a ofensiva anti-Pequim torna-se intensa e quotidiiana. E surge uma virada reveladora. A China foi, durante muitos anos, enaltecida pelos pol\u00edticos e ide\u00f3logos do establishment ocidental. Milton Friedman e Margareth Thatcher visitaram-na e se entusiasmaram. Na narrativa dos neoliberais, o pa\u00eds era visto como prova da inevitabilidade do capitalismo. A Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ca\u00edra. A abertura chinesa \u00e0 empresa privada supostamente confirmava que era in\u00fatil e tolo desafiar a supremacia dos mercados. O Partido Comunista governava, \u00e9 verdade. Mas o fim deste resqu\u00edcio mao\u00edsta e a emerg\u00eancia de uma democracia liberal eram apenas quest\u00e3o de tempo. Al\u00e9m de tudo, os chineses usavam seus super\u00e1vits comerciais gigantescos para financiar, com compras maci\u00e7as de treasuries, o d\u00e9ficit comercial dos Estados Unidos\u2026<\/p>\n<p>A lua-de-mel azedou quando ficou claro que a China n\u00e3o tencionava submeter-se \u2013 e tinha outro projeto. Agora, voltam \u00e0 cena as armas conhecidas da demoniza\u00e7\u00e3o. Para que suas pol\u00edticas antineoliberais n\u00e3o \u201ccontaminem\u201d o debate pol\u00edtico, Pequim \u00e9 apresentada nas m\u00eddias do Ocidente como uma esp\u00e9cie de mundo inferior, incomunic\u00e1vel. Dados como os vistos acima, sobre o aumento expressivo dos sal\u00e1rios reais e o avan\u00e7o da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, causariam impacto, se fizessem parte do debate corrente. Para bloquear este risco, mobilizam-se os preconceitos. O pa\u00eds \u00e9 apresentado como uma ditadura autorit\u00e1ria, em que a popula\u00e7\u00e3o trabalha sem direitos, n\u00e3o desfruta das liberdades b\u00e1sicas e \u00e9 obrigada a engolir ordens impostas de cima.<\/p>\n<p>Livros como o recente <a href=\"https:\/\/www.boitempoeditorial.com.br\/produto\/como-a-china-escapou-da-terapia-de-choque-1320\"><em>Como a China escapou da terapia de choque<\/em><\/a>, de Isabella Weber, descrevem as pol\u00eamicas intensas e \u00e0s vezes prolongadas que precedem, em Pequim, a tomada de decis\u00f5es cruciais. Quem l\u00ea os jornais e os artigos dos thinktanks chineses dispon\u00edveis em ingl\u00eas d\u00e1-se conta de como s\u00e3o tratados, aberta e extensamente, problemas como desemprego juvenil, a redu\u00e7\u00e3o do crescimento econ\u00f4mico p\u00f3s-pandemia ou os riscos \u00e0 privacidade representados pelo <a href=\"https:\/\/www.globaltimes.cn\/page\/202308\/1295885.shtml\">reconhecimento facial<\/a>. De nada serve: para as m\u00eddias ocidentais, a China continua a ser o deserto de debate de ideias.<\/p>\n<p>Nos s\u00e9culos XVI e XVII, os mission\u00e1rios jesu\u00edtas que foram \u00e0 China <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Matteo_Ricci\">trouxeram ao Ocidente<\/a> o pensamento de Conf\u00facio. Traduziram-no e o publicaram. Julgaram que, por defender uma \u00e9tica sem deus e sem fantasias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vida p\u00f3s-morte, o fil\u00f3sofo n\u00e3o concorria com as cren\u00e7as crist\u00e3s. Suas ideias, imaginaram, podiam ser incorporadas \u00e0 doutrina hegem\u00f4nica, que se tornaria mais rica. No s\u00e9culo XXI, um neoliberalismo convertido em dogma n\u00e3o \u00e9 capaz de fazer o mesmo com as sa\u00eddas chinesas para a crise global\u2026<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A po\u00e9tica pol\u00edtica que a China projeta tamb\u00e9m incomoda \u00e0 esquerda, quando esta \u00e9 rom\u00e2ntica. Pequim parece-lhe impura: aceitou a l\u00f3gica suja dos mercados, quando isso lhe indispens\u00e1vel. E mesmo hoje, quando \u00e9 um n\u00edtido contraponto ao credo capitalista, o processo chin\u00eas n\u00e3o cabe no figurino das velhas ideias de revolu\u00e7\u00e3o. Xi Jinping parece simp\u00e1tico e bem humorado. Mas como compar\u00e1-lo, segundo certa est\u00e9tica, a L\u00eanin e Trotsky, <a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/pos-capitalismo\/o-ultimo-combate-de-lenin-e-o-maior-erro-de-trotsky\/\">celebrando no <em>Smolny<\/em><\/a> a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o; ou a Fidel e o Che, em meio a guerrilhas, charutos, salsa e rum?<\/p>\n<p>A ilus\u00e3o rom\u00e2ntica tem um pre\u00e7o. Mais de trinta anos ap\u00f3s o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a esquerda no Ocidente n\u00e3o foi capaz de formular um projeto alternativo. E quase nunca reconhece que ele \u00e9 necess\u00e1rio, diante das imensas mudan\u00e7as operadas, desde o p\u00f3s-II Guerra, na produ\u00e7\u00e3o e captura das riquezas, na estrutura de classes, na natureza e composi\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico e nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Divide-se entre um pragmatismo eleitoral cego e uma nostalgia diante de uma classe oper\u00e1ria que j\u00e1 n\u00e3o existe e das revolu\u00e7\u00f5es que ficaram para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>A po\u00e9tica chinesa, ao contr\u00e1rio, \u00e9 antropof\u00e1gica. Parece n\u00e3o crer em ideal. Deglute e transforma o que lhe serve. N\u00e3o se v\u00ea como modelo. Reconhece o experimento e o erro. Sua trajet\u00f3ria est\u00e1 transformando o mundo. Por desprezar a perfei\u00e7\u00e3o, \u00e9 um convite fascinante \u00e0 cria\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Visitei Pequim e a regi\u00e3o de Guangxi entre 12 e 26 de julho, a convite da embaixada chinesa em Bras\u00edlia e do Grupo Internacional de Comunica\u00e7\u00f5es da China. Este \u00e9 o primeiro de uma s\u00e9rie de textos originados da viagem e de um longo acompanhamento da realidade do pa\u00eds, que segue em curso. O objetivo pol\u00edtico \u00e9 expl\u00edcito: verificar de que forma as pol\u00edticas chinesas podem ser contraponto \u00e0 onda de regress\u00e3o e pessimismo que marca o Ocidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como a emerg\u00eancia de um pa\u00eds que rejeita dogmas neoliberais, e est\u00e1 construindo o Comum, pode sacudir um Ocidente \u00e0s voltas com desigualdade, estancamento econ\u00f4mico, devasta\u00e7\u00e3o ambiental e fascismo. por Antonio Martins Cravada a 2,4 mil quil\u00f4metros de Pequim, 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