{"id":1722560,"date":"2023-03-05T22:02:17","date_gmt":"2023-03-05T22:02:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1722560"},"modified":"2023-03-05T22:12:05","modified_gmt":"2023-03-05T22:12:05","slug":"chomsky-em-busca-da-paz-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2023\/03\/chomsky-em-busca-da-paz-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Chomsky em busca da paz na Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"row\">\n<div id=\"single-the-title\" class=\"column large-12 small-12 text-center mb-30\">\n<h3><em><span style=\"font-size: 16px;\">Putin entrou em cilada armada pelos EUA, diz o grande pensador \u2014 e agora Washingnton quer prolongar a guerra ao m\u00e1ximo, para poder anular a R\u00fassia. Riscos de conflagra\u00e7\u00e3o global crescem e \u00e9 preciso que ressurja um movimento pacifista.<\/span><\/em><\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row row-small\">\n<div class=\"column large-12 small-12 mb-30 \">\n<div class=\"post-info\">\n<hr \/>\n<p class=\"first-line\"><em>Aos 94 anos, o famoso pensador estadunidense analisa com rara lucidez as quest\u00f5es pol\u00edticas, de seguran\u00e7a e ecol\u00f3gicas do conflito na Ucr\u00e2nia. Uma aula coletiva de geopol\u00edtica sem jarg\u00f5es nem demagogias.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<p><em>Ele \u00e9 um dos maiores intelectuais do mundo. Um dos poucos cujo nome est\u00e1 indissoluvelmente associado \u00e0 sua disciplina, a lingu\u00edstica, da qual \u00e9 uma figura de destaque. Mas ele \u00e9 mais conhecido por seu compromisso pol\u00edtico. Nascido em 1928 na Filad\u00e9lfia, no seio de uma fam\u00edlia de imigrantes judeus, de pai de origem ucraniana e m\u00e3e belarussa, Noam Chomsky \u00e9 tamb\u00e9m um ativista, \u201canarquista socialista\u201d, como ele mesmo se descreve. \u00c0 esquerda da esquerda americana.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00cdcone em seu pa\u00eds, admirado nos pa\u00edses do Sul, surpreendentemente menos conhecido na Fran\u00e7a, ele \u00e9 um grande cr\u00edtico da pol\u00edtica externa estadunidense. J\u00e1 em 1967, ele se op\u00f4s \u00e0 Guerra do Vietn\u00e3 com a publica\u00e7\u00e3o do artigo \u201cAs responsabilidades dos intelectuais\u201d, onde se dedicou a revelar as fontes ocultas da pol\u00edtica externa das grandes pot\u00eancias. Ele tamb\u00e9m denuncia as interven\u00e7\u00f5es de seu pa\u00eds na Am\u00e9rica Latina e no Oriente M\u00e9dio.<\/em><\/p>\n<p><em>Assim como o grande fil\u00f3sofo alem\u00e3o J\u00fcrgen Habermas, 93 anos, que escreveu uma coluna em 22 de fevereiro de 2023, Noam Chomsky, 94 anos, pede a abertura urgente de negocia\u00e7\u00f5es para acabar com a guerra na Ucr\u00e2nia, para acabar com o massacre e evitar uma conflagra\u00e7\u00e3o geral. E, acima de tudo, permitir que o mundo finalmente se concentre na extraordin\u00e1ria crise clim\u00e1tica que deve enfrentar. Antes que seja tarde demais.<\/em><\/p>\n<p><em>De barba branca, sentado em frente a uma enorme biblioteca, Noam Chomsky responde \u00e0s perguntas de La Vie (entrevista feita por <strong>Anne Guion<\/strong>, no\u00a0La Vie, com tradu\u00e7\u00e3o no\u00a0IHU) de sua casa no Arizona, Estados Unidos. Animado e determinado, sempre com a mesma radicalidade.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>A R\u00fassia invadiu a Ucr\u00e2nia h\u00e1 um ano. Qual \u00e9 a sua an\u00e1lise geral deste conflito?<\/strong><\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia foi um ato de agress\u00e3o criminosa, semelhante \u00e0 invas\u00e3o americana e brit\u00e2nica do Iraque, \u00e0 invas\u00e3o da Pol\u00f4nia por Hitler ou a outros crimes semelhantes. Uma agress\u00e3o desse tipo s\u00f3 pode ser resolvida de duas maneiras: ou um dos beligerantes destr\u00f3i o outro, ou com a interven\u00e7\u00e3o de um acordo diplom\u00e1tico negociado. Os Estados Unidos, agora uma parte importante do conflito, decidiram que a guerra deve continuar para enfraquecer severamente a R\u00fassia. O que significa que eles n\u00e3o querem um acordo diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Como resultado, praticamente todas as discuss\u00f5es, tanto nos Estados Unidos como na Europa, s\u00e3o sobre quais medidas tomar para intensificar a guerra. Quanto mais o conflito se alongar, mais devastada a Ucr\u00e2nia ficar\u00e1. A guerra tem efeitos colaterais em todo o mundo, e h\u00e1 uma amea\u00e7a crescente de guerra nuclear. Acima de tudo, e n\u00e3o falamos muito sobre isso, a guerra anulou os esfor\u00e7os, ainda que limitados, que haviam sido empreendidos para resolver a extraordin\u00e1ria crise do aquecimento global. Estamos inclusive regredindo!<\/p>\n<p>Agora, novas jazidas de combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e3o sendo exploradas. Eles estar\u00e3o em produ\u00e7\u00e3o por v\u00e1rias d\u00e9cadas. Na verdade, \u00e9 uma senten\u00e7a de morte para a esp\u00e9cie humana. N\u00f3s temos, portanto, uma escolha: continuar a intensificar a guerra ou buscar um acordo diplom\u00e1tico. Devo dizer que, entre as grandes personalidades do mundo, Emmanuel Macron foi quase o \u00fanico a assumir o que me parece ser a posi\u00e7\u00e3o mais racional: avan\u00e7ar para as negocia\u00e7\u00f5es. \u00c9 tamb\u00e9m o caso, nos Estados Unidos, do general Mark Milley, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, principal l\u00edder militar. Isso \u00e9 muito raro nas classes pol\u00edticas dos dois lados do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p><strong>Como explica a rea\u00e7\u00e3o un\u00e2nime e determinada da Uni\u00e3o Europeia ap\u00f3s a invas\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Quando Vladimir Putin cometeu a agress\u00e3o criminosa contra a Ucr\u00e2nia, ele tamb\u00e9m cometeu um ato est\u00fapido. Emmanuel Macron manteve contato regular com ele alguns dias antes da invas\u00e3o. O presidente franc\u00eas apresentou v\u00e1rias propostas para evitar a guerra. Mas Putin n\u00e3o deu aten\u00e7\u00e3o a isso. Ele at\u00e9 acabou rejeitando as propostas com total desprezo, dizendo que queria ir jogar h\u00f3quei no gelo\u2026<\/p>\n<p>O que conseguiu foi dar aos Estados Unidos o seu maior presente: deu-lhes a Europa numa bandeja de prata. Durante a Guerra Fria, houve um s\u00e9rio questionamento sobre o estatuto da Europa: seguiria ela um caminho independente, tornando-se o que se convencionou chamar de terceira for\u00e7a, ou se subordinaria aos Estados Unidos no quadro da OTAN? Charles de Gaulle era o l\u00edder da primeira op\u00e7\u00e3o. Willy Brandt, com sua\u00a0<em>Ostpolitik,<\/em>\u00a0assumiu a mesma posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ganhou destaque quando a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica entrou em colapso. Mikhail Gorbachev prop\u00f4s ent\u00e3o o que chamou de \u201ccasa comum europeia\u201d, de Lisboa a Vladivostok. Para a Europa, a R\u00fassia \u00e9 o parceiro comercial mais natural. A R\u00fassia \u00e9 rica e tem recursos de que os europeus precisam desesperadamente: minerais, g\u00e1s, petr\u00f3leo, etc. Ent\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o muito natural. Os Estados Unidos se op\u00f5em veementemente.<\/p>\n<p>Mas esta nova subordina\u00e7\u00e3o a Washington coloca agora os europeus em grave perigo, porque n\u00e3o se trata apenas da Europa: os Estados Unidos est\u00e3o praticamente em guerra com a China. Eles querem impedir que Pequim tenha acesso a tecnologias de ponta \u2013 principalmente semicondutores, que s\u00e3o usados para desenvolver chips de computador, cujos principais produtores s\u00e3o os Pa\u00edses Baixos. Os Estados Unidos, portanto, querem for\u00e7ar a Holanda a parar de fornecer \u00e0 China essas tecnologias avan\u00e7adas e, assim, perder seu principal mercado. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o tentando fazer o mesmo com a Coreia do Sul\u2026<\/p>\n<p>A Europa e partes da \u00c1sia ter\u00e3o que tomar uma decis\u00e3o: queremos declinar tamb\u00e9m porque os Estados Unidos est\u00e3o fazendo de tudo para manter seu imp\u00e9rio decadente? Ou vamos seguir um caminho independente para n\u00f3s mesmos? At\u00e9 agora, as elites europeias disseram: vamos colapsar e nos subordinar ao senhor\u2026 O destino da Europa ser\u00e1 muito atormentado.<\/p>\n<p><strong>Por que Putin deu esse presente aos Estados Unidos?<\/strong><\/p>\n<p>Por estupidez! Foi um ato ainda mais est\u00fapido porque n\u00e3o devemos esquecer que a esp\u00e9cie humana como um todo vive uma crise muito grave. Se n\u00e3o enfrentarmos a crise ambiental, logo nada mais importar\u00e1. Estamos caminhando para um ponto de n\u00e3o retorno. A partir da\u00ed, o futuro s\u00f3 pode ser desastroso.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a grave amea\u00e7a de uma guerra nuclear. Diante desses perigos, as grandes pot\u00eancias \u2013 Estados Unidos, China, R\u00fassia, \u00cdndia \u2013 ter\u00e3o que trabalhar juntas. Quando Emmanuel Macron diz que a R\u00fassia deve ser integrada a um sistema maior, incluindo a Europa, ele \u00e9 criticado, quando tem toda a raz\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 apenas o que deve ser feito, \u00e9 uma necessidade hoje! Se nenhum compromisso for encontrado, sucumbiremos todos juntos.<\/p>\n<p><strong>A quantidade de ajuda militar dos EUA \u00e9 enorme \u2013 cerca de 60 mil milh\u00f5es de US$. Como explica isso?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma maneira ruim de ver as coisas. Como v\u00e1rios analistas apontaram, essa quantia \u00e9 um pecadilho para os Estados Unidos. Com uma fra\u00e7\u00e3o muito pequena do seu colossal or\u00e7amento militar (858 mil milh\u00f5es de euros para 2023, um aumento de 8% em rela\u00e7\u00e3o a 2022,\u00a0<em>nota do editor<\/em>), os Estados Unidos s\u00e3o capazes de desgastar e destruir uma parte substancial da for\u00e7a militar do seu advers\u00e1rio. Por que eles est\u00e3o gastando esse dinheiro? Conhe\u00e7a uma grande pot\u00eancia que n\u00e3o tentou vencer uma guerra\u2026<\/p>\n<p><strong>Como acabar com esta guerra? Moscou e Kiev ainda podem negociar?<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 mar\u00e7o de 2022, houve negocia\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sabemos exatamente quais, j\u00e1 que o governo dos Estados Unidos se op\u00f4s \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es.\u00a0Boris Johnson, que ainda era o primeiro-ministro brit\u00e2nico, viajou a Kiev para informar aos ucranianos que os Estados Unidos e a Gr\u00e3-Bretanha n\u00e3o eram a favor. Ele foi seguido por\u00a0Lloyd Austin, o secret\u00e1rio de Defesa dos Estados Unidos. N\u00e3o sabemos exatamente o que ele disse, mas provavelmente transmitiu sua mensagem habitual de que a guerra deve continuar para enfraquecer a R\u00fassia, o que \u00e9 muito bom para os Estados Unidos. As negocia\u00e7\u00f5es fracassaram e a guerra prosseguiu.<\/p>\n<p>Naturalmente, quanto mais o conflito se estende, mais as posi\u00e7\u00f5es de ambos os lados se endurecem\u2026 No entanto, ainda podem haver oportunidades. Na edi\u00e7\u00e3o de janeiro de 2023 do Le Monde Diplomatique, h\u00e1 um artigo de dois analistas finlandeses, Tapio Kanninen e Keiki Patom\u00e4ki, que sugerem a\u00e7\u00f5es a serem tomadas. Estes s\u00e3o pequenos passos para estabelecer uma base de compromisso que pode levar a um novo acordo pol\u00edtico. \u00c9 poss\u00edvel? S\u00f3 h\u00e1 uma maneira de descobrir, e \u00e9 tentando. Mas a posi\u00e7\u00e3o das elites americana e europeia \u00e9 justamente a de que n\u00e3o devemos tentar.<\/p>\n<p><strong>Alguns acordos de paz \u00e0s vezes cont\u00eam as sementes de futuros conflitos\u2026 O que seria uma \u201cboa paz\u201d para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Todos os acordos deixam em aberto a possibilidade de um futuro conflito, a menos que uma das partes seja totalmente destru\u00edda! Um acordo de paz \u00e9 imperfeito por defini\u00e7\u00e3o; baseia-se no que cada parte est\u00e1 disposta a aceitar. Esta \u00e9 a natureza da diplomacia. Se voc\u00ea n\u00e3o quer isso, ent\u00e3o fa\u00e7a a guerra e destruam-se mutuamente! A diplomacia pode conseguir qualquer coisa.<\/p>\n<p>Em Versalhes, o advers\u00e1rio derrotado, a Alemanha, foi esmagado. Alguns anos depois tivemos o nazismo e uma guerra mundial. Vale a pena poupar a R\u00fassia de uma forma ou de outra, seguindo o exemplo dos estadistas do Concerto da Europa. Se, ao contr\u00e1rio, as elites ocidentais quiserem adotar a posi\u00e7\u00e3o de Versalhes, sabemos o que vai acontecer, e ser\u00e1 ainda pior: ser\u00e1 uma cat\u00e1strofe global por n\u00e3o conseguir lidar com problemas avassaladores que n\u00e3o podem ser colocados de lado. Porque o aquecimento global n\u00e3o vai esperar\u2026<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o punir a R\u00fassia? Isso n\u00e3o seria uma forma de injusti\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Os Estados Unidos foram punidos por invadir o Iraque, por invadir a S\u00edria, por destruir a\u00a0 Indochina? A Marinha dos EUA acaba de encomendar seu mais recente navio de assalto anf\u00edbio, chamado USS Fallujah. Fallujah (1) foi um dos crimes mais atrozes cometidos pelos Estados Unidos no Iraque. Os jornalistas iraquianos est\u00e3o gritando nos telhados, mas quem vai ouvi-los? Ent\u00e3o, acabamos de nomear este navio em mem\u00f3ria de um dos piores e mais monstruosos crimes no Iraque.<\/p>\n<p>Vou lhe dar outro exemplo. A Universidade Harvard, a mais popular do mundo, acaba de realizar um debate sobre se a invas\u00e3o do Iraque \u2013 eles a chamam de interven\u00e7\u00e3o \u2013 foi uma interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Voc\u00ea pode imaginar um debate na Universidade de Moscou sobre se a invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria? Como reagir\u00edamos? Quando acontece em Harvard, n\u00f3s elogiamos!<\/p>\n<p><strong>Existe o risco de uma conflagra\u00e7\u00e3o generalizada?<\/strong><\/p>\n<p>Na verdade, o Ocidente est\u00e1 fazendo uma aposta perigosa com o futuro da Ucr\u00e2nia. Sua posi\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: vamos continuar a guerra, mas de forma controlada. N\u00e3o vamos escalar muito rapidamente para a R\u00fassia recorrer a armas nucleares, mas vamos apenas dar \u00e0 Ucr\u00e2nia ajuda suficiente para expulsar os russos do territ\u00f3rio ucraniano. Talvez consigam este objetivo, mas \u00e9 improv\u00e1vel\u2026<\/p>\n<p>Os ocidentais tamb\u00e9m parecem apostar que, se a R\u00fassia for derrotada, Vladimir Putin far\u00e1 as malas e fugir\u00e1 discretamente\u2026 Mas ele pode facilmente usar todas as armas convencionais \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para devastar a Ucr\u00e2nia, da mesma forma que os Estados Unidos e a Gr\u00e3-Bretanha destru\u00edram o Iraque, da mesma forma que atacaram a S\u00e9rvia e assim por diante.<\/p>\n<p>Para os ucranianos, esta aposta \u00e9 devastadora porque s\u00e3o eles que mais sofrem com a guerra. A R\u00fassia, os pa\u00edses do Sul, a Europa tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo. Mas n\u00e3o os Estados Unidos, que s\u00e3o o pa\u00eds vencedor: os lucros de suas empresas de combust\u00edveis f\u00f3sseis est\u00e3o disparando e os da ind\u00fastria militar est\u00e3o aumentando vertiginosamente!<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea acha que isso \u00e9 algum tipo de choque de \u201cciviliza\u00e7\u00e3o\u201d contra os valores do Ocidente?<\/strong><\/p>\n<p>Quando os ocidentais evocam os \u201cvalores ocidentais\u201d, eles se tornam rid\u00edculos aos olhos de outros pa\u00edses ao redor do mundo. Os valores do Ocidente foram claramente expressos h\u00e1 250 anos pelo \u00edcone fundador do capitalismo moderno, Adam Smith, que condenou amargamente o que chamou de \u201ca injusti\u00e7a selvagem dos europeus\u201d. Isso \u00e9 exatamente o que s\u00e3o os \u201cvalores ocidentais\u201d para quase todos no mundo. Talvez esse discurso sobre \u201cvalores ocidentais\u201d possa passar entre os intelectuais europeus, mas n\u00e3o para o resto do mundo.<\/p>\n<p><strong>Em janeiro de 2023, comemoramos o 50\u00ba anivers\u00e1rio dos Acordos de Paris, prel\u00fadio do fim da Guerra do Vietn\u00e3. Voc\u00ea estava muito empenhado contra esta guerra. Voc\u00ea v\u00ea paralelos entre esses dois conflitos?<\/strong><\/p>\n<p>A Guerra do Vietn\u00e3 foi incomparavelmente pior. Mas, ao longo dos \u00faltimos 50 anos, nos Estados Unidos, ela n\u00e3o foi alvo de nenhuma cr\u00edtica, nem nos coment\u00e1rios do\u00a0<em>mainstream<\/em>, nem na imprensa\u2026 A cr\u00edtica mais dura que se ouve \u00e9: \u201cFoi um erro\u201d. Portanto, os Estados Unidos teriam feito esfor\u00e7os desastrados para fazer o bem, mas estavam errados!<\/p>\n<p>Na verdade, toda a natureza da Guerra do Vietn\u00e3 foi reescrita para faz\u00ea-la parecer uma guerra defensiva: os Estados Unidos teriam defendido o Vietn\u00e3 do Sul, v\u00edtima da agress\u00e3o do Norte. Isso \u00e9 obviamente uma mentira total. Foi uma guerra de invas\u00e3o travada contra os camponeses sul-vietnamitas, a esmagadora maioria da popula\u00e7\u00e3o. O Norte foi atacado para impedi-lo de apoiar a resist\u00eancia sul-vietnamita \u00e0 invas\u00e3o estadunidense.<\/p>\n<p>Curiosamente, a Guerra do Iraque\u00a0tamb\u00e9m foi completamente reescrita, apresentada como uma esp\u00e9cie de miss\u00e3o misericordiosa para defender os sofridos iraquianos do jugo de um ditador perverso. Saddam Hussein era de fato um personagem muito mau. Mas ent\u00e3o tratava-se principalmente de apagar o fato de que praticamente todos os seus crimes, incluindo os piores, foram fortemente apoiados pelos Estados Unidos. Foi praticamente uma hist\u00f3ria de amor. Um romance t\u00e3o forte que quando o presidente George H. W. Bush, o primeiro dos Bush, chegou ao poder, convidou engenheiros nucleares iraquianos aos Estados Unidos para treinamento avan\u00e7ado na produ\u00e7\u00e3o de armas nucleares.<\/p>\n<p>E de repente, os Estados Unidos protegem o povo do Iraque do ditador perverso que os Estados Unidos apoiaram apaixonadamente durante seus piores crimes! Essas duas guerras foram reescritas para fazer parecer que os Estados Unidos est\u00e3o sempre do lado certo e da justi\u00e7a. Em seu discurso de recebimento do Pr\u00eamio Nobel em 2005, o escritor brit\u00e2nico Harold Pinter fez alguns coment\u00e1rios muito bons sobre isso. Ele disse que os Estados Unidos usam um sistema doutrin\u00e1rio t\u00e3o poderoso que quando as coisas acontecem, de fato, n\u00e3o acontecem\u2026<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea est\u00e1 com 94 anos; voc\u00ea j\u00e1 pensou que veria um conflito dessa magnitude novamente em solo europeu?<\/strong><\/p>\n<p>Francamente, n\u00e3o pensei que n\u00f3s, humanos, sobreviver\u00edamos tanto tempo. Tenho idade suficiente para me lembrar do 6 de agosto de 1945 (bombardeio at\u00f4mico sobre Hiroshima) com muita clareza. Muito claramente\u2026 Meu sentimento na \u00e9poca era que era uma senten\u00e7a de morte para a esp\u00e9cie humana. Alguns anos depois, em 1952, quando os Estados Unidos e depois a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica detonaram armas termonucleares, alcan\u00e7amos a capacidade tecnol\u00f3gica de destruir tudo. Desde ent\u00e3o, estamos por um fio, em tempo emprestado. J\u00e1 chegamos muito perto da destrui\u00e7\u00e3o total. Muitas vezes fomos salvos quase por acidente.<\/p>\n<p>Mas os milagres n\u00e3o podem acontecer sempre. N\u00f3s nem percebemos que uma nova era geol\u00f3gica, o Antropoceno, em que as atividades humanas devastam o meio ambiente, estava come\u00e7ando. Em 24 de janeiro de 2023, o Bulletin of the Atomic Scientists publicou a \u00faltima configura\u00e7\u00e3o do rel\u00f3gio do Ju\u00edzo Final: estamos a 90 segundos da meia-noite, do fim. Penso que ainda podemos chegar um pouco mais perto do abismo. E depois\u2026 Isso \u00e9 o que toda pessoa racional espera desde 1945.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>(1) Em artigo de Tariq Ali publicado no London Review of Books, escreve: \u201cNo Iraque, sabemos que foram os EUA a utilizar \u201cf\u00f3sforo branco\u201d em\u00a0Fallujah, em 2004 (n\u00e3o havia \u201clinhas-limites\u201d exceto aquelas tra\u00e7adas no ch\u00e3o por sangue iraquiano)\u201d.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Putin entrou em cilada armada pelos EUA, diz o grande pensador \u2014 e agora Washingnton quer prolongar a guerra ao m\u00e1ximo, para poder anular a R\u00fassia. Riscos de conflagra\u00e7\u00e3o global crescem e \u00e9 preciso que ressurja um movimento pacifista. 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