{"id":1690374,"date":"2022-10-30T15:34:34","date_gmt":"2022-10-30T15:34:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1690374"},"modified":"2022-10-30T15:34:34","modified_gmt":"2022-10-30T15:34:34","slug":"dialogos-de-uma-podre-de-rica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/10\/dialogos-de-uma-podre-de-rica\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logos de uma podre de rica"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p><em><strong>Por Guilherme Maia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif; font-size: medium;\">Rolavam garrafas de Jerob\u00e3o Veuve pela ampla sala, tilintavam ao encontro dos p\u00e9s dos m\u00f3veis Lu\u00eds XVI, aqueles que Apol\u00f4nio, o falecido, trouxera de sua estadia em Saint-Paul-de-Vence. Coitado, ela lembrava, tivera febre em um inverno fora do comum para aquelas bandas e, imediatamente, para recuperar-se, foi para Cancun de jatinho.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aristela Matozinhos ao mesmo tempo que lembrava de seu finado marido, dava-se por satisfeita por poder ser livre sem a sombra daquele velho coronel que fez fortuna traficando entorpecentes do Caribe para a Fran\u00e7a. Era um homem empreendedor ao passo em que cultivava uma f\u00e9 crist\u00e3 \u00e0 beira da beatitude: caridoso, repartia o lucro que obtinha com a coca\u00edna com obras sociais dos Filhos do Salvador.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Assim passava suas madrugadas bolsonarianas: olhos injetados pela coca\u00edna, velho v\u00edcio, garrafas do <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Chanpange<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> de quatro sal\u00e1rios m\u00ednimos a garrafa; um pegnoir velho e gasto de seu tempo de Miss Copacabana \u201954 \u2013 Oh, -pensava, &#8211; Como tudo mudou com Apol\u00f4nio em minha vida.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Alcan\u00e7ar os Dois Irm\u00e3os com sua m\u00e3o embriagada sempre foi a alucina\u00e7\u00e3o que o psicotr\u00f3pico lhe causava quando j\u00e1 estava pelas tabelas \u00e0s cinco da manh\u00e3. Estendia a m\u00e3o como se fosse um el\u00e1stico e via como um cip\u00f3 quilom\u00e9trico seu bra\u00e7o esticado. Assim corriam as \u00faltimas horas da madrugada e Aristela enfeiti\u00e7ada pela impon\u00eancia do Morro que se projeta das favelas para a Vieira Soto, compactava toda aquela massa c\u00f4ncava de terra e pedra atrav\u00e9s de suas vastas janelas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nisso, surge Leopoldo, o mordomo, com passadas deslizantes como a flutuar pelo Carrara do ch\u00e3o. Vulto discreto, aprendera a ser servi\u00e7al \u00e0 sua dona desde o falecimento de Apol\u00f4nio, &#8211; quando deixou de ser a bonequinha do velho e passou a ser o Tarzan da patroa.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Acerca-se sutilmente de Aristela, abra\u00e7ando-a, recolhendo sua flacidez com o punho das m\u00e3os para, com isso, provocar um sentimento de acolhimento terno e compreensivo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esse \u00e9 o cen\u00e1rio do di\u00e1logo que iniciou entre o lacaio e sua possuidora: carreiras de coca\u00edna espalhadas por mesas da realeza a ser guilhotinada da Fran\u00e7a; janelas amplas, panor\u00e2micas que abrangem do Arpoador aos dois Irm\u00e3os; vento cortante da madrugada carioca e Jerob\u00f5es Veuves a rolar pelo ch\u00e3o.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ao som, \u00e9 claro, de Tony Milagres, o mais novo fen\u00f4meno gospel de S\u00e3o Fid\u00e9lis.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Meu querido Tarzan&#8230; \u2013 Sussurra Aristela sem entender bem onde est\u00e1 (em que \u00e9poca, a que horas&#8230;) \u2013 Segura a sua Chita, faz ela feliz&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Mim estar aqui para fazer Chita feliz! \u2013 Tonitruou Leopoldo, mesmo em tom grave mantendo aquela necess\u00e1ria subservi\u00eancia (o governo j\u00e1 n\u00e3o segurava a infla\u00e7\u00e3o e precisava manter a barra de tr\u00eas filhos na Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aristela muda de humor conforme a flu\u00eancia do <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>junkie<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> lhe joga, agora levanta r\u00e1pida, mas atabalhoada pelas pelancas que a puxam em sentido inverso devido \u00e0 velocidade que imprime ao seu movimento.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Posta-se afrente de seu mordomo e, inquisidora, coage-o a responder suas perguntas:<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Diz, seu porco, voc\u00ea n\u00e3o tacava uma bomba at\u00f4mica ali \u2013 aponta para o Vidigal e suas luzes fulgurantes. \u2013 Cercava com um murro gigante aqueles vagalumes; numerava todo mundo para controle de massas e ia, depois, eliminando por meio de ordens num\u00e9ricas? \u2013 Diz meu porquinho&#8230;. Voc\u00ea n\u00e3o faria isso?<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aquelas palavras causavam asco em Leopoldo, porque aquele era seu mundo e, em sua vis\u00e3o, tudo devia ter um limite; mesmo ele que entendia que o ser humano tem que se virar com o que tem, tem que conquistar o que chega ao seu alcance (era um liberal econ\u00f4mico que n\u00e3o aceitava a permissividade com que homens sa\u00edam de m\u00e3os dadas na orla de Ipanema); mas n\u00e3o era nazista&#8230; O nazismo, ensinaram-lhe os filmes da Sess\u00e3o da Tarde, era algo de ruim, que reduz as pessoas a objetos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; N\u00e3o! Seu porquinho entende que vossa Excel\u00eancia n\u00e3o pode lan\u00e7ar uma bomba at\u00f4mica naquela comunidade onde a maioria esmagadora \u00e9 de pessoas que constroem esse ch\u00e3o onde pisa, esse palacete de propriedades horizontais onde vive. Sem eles n\u00e3o teria nnda aqui: tudo foi constru\u00eddo com as m\u00e3os que acendem as luzes que a incomodam tanto&#8230; \u2013 Tentou chamar \u00e0 raz\u00e3o a velha cocain\u00f4mana.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Tanto esfor\u00e7o deve estar cansando meu subalterno&#8230;. Tantas palavras ditas assim em seguida devem tomar todo o f\u00f4lego do \u201cFome Zero\u201d, do \u201cBolsa Fam\u00edlia\u201d a\u00ed. Voc\u00ea n\u00e3o passa de um criado, seu negro, e d\u00ea gra\u00e7as a Deus de eu e meu falecido Apol\u00f4nio termos pago pelos seus servi\u00e7os!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">De repente, a coca\u00edna parecia ter dilu\u00eddo seu efeito e Aristela pensava como uma predestinada deslumbrada mais uma vez. Aquilo provocava mais revolta no \u00edntimo de Leopoldo e suas necessidades sempre falavam alto. Sorriu amarelo para sua dona e mais uma vez tentou trazer alguma raz\u00e3o \u00e0quele pandem\u00f4nio aben\u00e7oado das madrugadas da Vieira Soto.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Amanh\u00e3 tenho que acordar \u00e0s quatro horas da tarde para encontrar com as Irm\u00e3s do Senhor Salvador, por favor limpe as aleias do meu nariz n\u00e3o posso aparecer com p\u00f3 escorrendo como da \u00faltima vez, isso chama a aten\u00e7\u00e3o!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Claro, senhora! <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Afinal, do p\u00f3 viemos e ao p\u00f3 voltaremos&#8230; hahahaha- come\u00e7ou a rir histericamente como um vampiro da Central do Brasil a dondoca da Vieira. \u2013 Eu sou uma cidad\u00e3 de bem, meu caro, por isso fa\u00e7o o que quiser; sou aben\u00e7oada pelo direito divino de fazer o que quiser! \u2013 Em tom nost\u00e1lgico: &#8211; Lembra daquela vez que joguei ovos nos pe\u00f5es que chegavam para construir o pr\u00e9dio aqui do lado&#8230;. Como era bom ver a rea\u00e7\u00e3o deles e saber que iam suar embalsamados no que o c\u00fa da galinha nos proporciona&#8230; Hahaha \u2013 De novo o Dr\u00e1cula do Campo de Santana tomava conta daquele corpo carcomido pelas drogas e a fadiga de quem j\u00e1 fora salvo desde a cria\u00e7\u00e3o pelo Deus de Calvino e isso sobrepunha a raz\u00e3o humana \u00e0quela mulher.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Minha Senhora, pe\u00e7o que pondere e se acalme&#8230; vamos dormir, \u00e9 o que pede a sua sa\u00fade. Venha, vou lhe fazer cafun\u00e9 e chuparei o seu grelo. \u2013 Tentava Leopoldo garantir seu tempo de sono ap\u00f3s a Desgra\u00e7ada dormir.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; N\u00e3o! Eu quero jogar sacos de merda nos \u201cproletas\u201d que passam l\u00e1 embaixo quando chega seis da matina&#8230;. \u00c9 o pessoal que eu gosto mais de escrachar. At\u00e9 parece que os travecos t\u00eam concorr\u00eancia, esses riem do castigo que eu, predestinada de deus, inflijo a eles; imagina que outro dia, eu jogava minhas fezes em sacos pl\u00e1sticos na cal\u00e7ada e um desses \u201cinvertidos\u201d que nunca alcan\u00e7ar\u00e3o a gra\u00e7a de deus vinha passando; ele pegou o saco estourado com as fezes, olhou para cima e mandou um beijo daqueles molhados, crispou aqueles l\u00e1bios carnudos e estalou para mim uma bitoca como se fosse amor m\u00e1rtir voltado para mim. Enojada, sumi nas sombras de minha mans\u00e3o horizontal.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Voc\u00ea sabe que Apol\u00f4nio come\u00e7ou sua fortuna dominando o suprimento aqui para Copacabana e acabou por ser o grande fornecedor da Europa Ocidental, ele sabia o que fazer porque era um self-made man. E cresceu enfrentando todas as for\u00e7as contr\u00e1rias; conseguiu seus contatos no Congresso, conseguiu comunica\u00e7\u00e3o com o Senado dos States. Era um her\u00f3i da mediocridade popular brasileira.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Ah&#8230; se Apol\u00f4nio tivesse conseguido o apoio necess\u00e1rio para explodir a Adutora do Guandu, mas seus companheiros eram fracos e n\u00e3o tiveram coragem de acompanhar a deten\u00e7\u00e3o de dois coitados que ap\u00f3s receberem uns cruzeiros aceitaram participar do atentado e depois arregraram para pol\u00edcia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E continuou como hipnotizada pelo infinito do amor-pr\u00f3prio: <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Aliciar policiais dos Estados sempre foi a t\u00e1tica do candidato da mil\u00edcia, filhinha querida dos esquadr\u00f5es da Morte, agora isso o estava desgastando. Fui eu quem falei para focar na seguran\u00e7a comunit\u00e1ria dos bairros da Tijuca e do Est\u00e1cio.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Minha boneca, meu v\u00edcio \u00e9 voc\u00ea \u2013 Afirmava Leopoldo com contida repugn\u00e2ncia (Aristela lembrava sua av\u00f3, tinha o mesmo arqueio de sobrancelhas e linhas dos l\u00e1bios); por\u00e9m, n\u00e3o podia perder a deixa para adular sua patroa, era em momentos assim de autocomisera\u00e7\u00e3o que ela ficava sugestiva. Tomando um ar de canastr\u00e3o de novela das oito entonou a voz: &#8211; Sou eu que fingi me enganar, cansei de beijar outras mulheres pensando em ti, meu amor.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Ai, Leopoldo, &#8211; derretida, fala Aristela: &#8211; Que o orgulho n\u00e3o mate nossos sonhos de amor&#8230;. Olha, meu fiel servo&#8230; seu gostoso hi,hi,hi&#8230; Estou encharcada e chapada, o amor refor\u00e7a a coca\u00edna. \u2013 Mudando de humor como uma esquizofr\u00eanica em surto na Uruguaiana: &#8211; Me bate, Leopoldo! Me arrebenta! Hahaha!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Naquele momento o mordomo servil sentiu assomar em seu \u00edntimo toda a amargura do enclave dos desprovidos da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o \u2013 aquele grito de concreto que joga na cara do Leblon o Brasil e sua violenta exclus\u00e3o, &#8211; era um sentimento ancestral contra Casas-Grandes e imp\u00e9rios; encarnava \u00edndios e negros e gays e mulheres: com tudo isso, sentou um forte espalmado tapa na cara daquela mulher, s\u00edmbolo da opress\u00e3o de seu povo e de seu pa\u00eds.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aristela deu duas voltas antes de bater com a cabe\u00e7a na quina da mesa central de Jacarand\u00e1 (traficado da Amaz\u00f4nia por um antigo general conhecido de Apol\u00f4nio).<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sem respira\u00e7\u00e3o ou batimentos card\u00edacos: Est\u00e1 morta, gritou abafado o servo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Agravava aquela situa\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida aquele sorriso de gozo extasiado que imprimia Aristela em sua face. Morta com todo o prazer&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Essa desgra\u00e7ada morreu! Eu n\u00e3o queria, n\u00e3o entendo o que se apossou de mim, aquele \u00f3dio todo, aquelas imagens estranhas de escravos em cal\u00e7as brancas iguais \u00e0s figuras de meus livros de Hist\u00f3ria do tempo de escola; homens horrorosos e deformados humilhando mulheres submissas; \u00edndios queimados e devorados pelos portugueses e espanh\u00f3is do tempo da coloniza\u00e7\u00e3o. \u2013 Aturdido considerava a realidade da morte \u00e0 sua frente.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Leopoldo transido pela culpa sentou numa cadeira estilo Tudor, apoiando sua cabe\u00e7a no recosto de entalhes t\u00e3o rococ\u00f3s que lhe furavam a nuca. Vinha do corpo inerte um cheiro acre de fezes, nada incomodava o assassino pois estava ensimesmado e se punha a recorda\u00e7\u00f5es de Aristela.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Seu merda! \u2013 Vinha na mente do lacaio a voz de sua dona, envolvida em lembran\u00e7as de um tempo de maltrato e humilha\u00e7\u00f5es, tempo anterior ao seu envolvimento sexual com a velha morta; tempos em que tinha que comer o velho Apol\u00f4nio, o traficante cidad\u00e3o de bem e pretenso terrorista de matiz bolsonarista.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E continuava ribombando a voz da morta: &#8211; Voc\u00ea \u00e9 um merda de servo! Sabe que meu Jerob\u00e3o Veuve tem que estar a 12 graus cent\u00edgrados e as minhas carreiras de coca\u00edna s\u00e3o cheias no meio; e canudos de notas de cem d\u00f3lares sempre! Mais um erro desse e eu te meto a porrada com minha bengala!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Mas, minha senhora, como poderia prever isso? Ao menos preciso de orienta\u00e7\u00f5es, certo? \u2013 Redarguia Leopoldo submisso.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Cala a boca, seu negro pobre! Voc\u00ea me pertence e bico calado, voc\u00ea usufrui da fortuna a que meu Apol\u00f4nio foi aben\u00e7oado pela predestina\u00e7\u00e3o sagrada dos aben\u00e7oadas de deus&#8230;. Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 escolhido, voc\u00ea \u00e9 subalterno espiritual aos ungidos e isso est\u00e1 em Romanos 8:28-30 e Ef\u00e9sios 1:4-5, ignorante. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Soli Deo Glori<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, servo! Agora enche essa travessa de ouro com as fileiras de coca, r\u00e1pido!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Leopoldo punha em xeque sua recrimina\u00e7\u00e3o: &#8211; Ela mereceu meu tapa? Ela foi horr\u00edvel, enriqueceu com o tr\u00e1fico de coca\u00edna, vivia em orgias, pensava em tacar uma bomba at\u00f4mica no Vidigal e, por isso, votou no Cara de Frango Louco desde o in\u00edcio de sua carreira e, pior, o marido falecido queria envenenar as adutoras do Guandu junto com o Cara de Frango&#8230;. S\u00e3o horr\u00edveis: s\u00e3o a elite brasileira!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por outro lado, sua moral de cristianismo plebeu o recriminava: ningu\u00e9m al\u00e9m de deus poderia tirar a vida de um ser humano.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Animal imundo, sempre deixe as janelas abertas \u00e0 noite! Gosto de me refrescar de madrugada enquanto penso numa forma de eliminar aquelas luzes dos vagabundos no entorno do Dois Irm\u00e3os! \u2013 Mais falas perdidas de um passado nazifascista que tomou conta da vida de Leopoldo por causa de sua necessidade, de seus filhos e de sua esposa&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Morra, sua vaca nazista! \u2013 Esbravejou com esta \u00faltima lembran\u00e7a. Aquela velha era o v\u00edcio, o mal, encarnado: que morresse a desgra\u00e7ada!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Naquele momento a velha come\u00e7ou a mexer a ponta dos dedos e a balbuciar grunhidos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Leopoldo sentindo o poder por que a quase-morte da maldita lhe conferia soube que naquele momento a \u201cfor\u00e7a estava com ele\u201d, ele matava de vez ou n\u00e3o aquela podre criatura.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Pensou em sua necessidade, em seus filhos e esposa; pensou na precariedade da Cruzada S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Mas, sobretudo, pensou nas palavras incisivas da velha (agora entre a vida e a morte). Pensou no nazismo tropical, t\u00e3o dilu\u00eddo, t\u00e3o hip\u00f3crita, que mal se percebia. Ela resumia a maldosa exclus\u00e3o brasileira&#8230;. Mas ser bom, ser correto, \u00e9 o objetivo do bom crist\u00e3o, daquele que se guia pelo amor e a solidariedade (assim lhe foi ensinado nos tempos de catequese no col\u00e9gio) !<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">-Mato ou n\u00e3o mato essa escrota? <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Aristela j\u00e1 reunia for\u00e7as suficientes para virar sua cabe\u00e7a numa inspira\u00e7\u00e3o inata de sobreviv\u00eancia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Leopoldo desferiu um chute na cara da velha. O seu remorso era o do povo brasileiro, faminto e marginalizado por ricos traficantes permissiosos como aquela mulher.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8211; Morra! \u2013 Tartamudeava para convencer-se \u2013 N\u00e3o! Voc\u00ea ficar\u00e1 bem! \u2013 Logo em seguida, recompunha sua base moral de crist\u00e3o plebeu.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Leopoldo se levantou; recolheu Aristela em seus bra\u00e7os e chamou o Doutor Furingo, o m\u00e9dico dela.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA Por Guilherme Maia &nbsp; Rolavam garrafas de Jerob\u00e3o Veuve pela ampla sala, tilintavam ao encontro dos p\u00e9s dos m\u00f3veis Lu\u00eds XVI, aqueles que Apol\u00f4nio, o falecido, trouxera de sua estadia em Saint-Paul-de-Vence. 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