{"id":1667378,"date":"2022-09-26T16:57:12","date_gmt":"2022-09-26T15:57:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1667378"},"modified":"2022-09-26T17:38:34","modified_gmt":"2022-09-26T16:38:34","slug":"os-impactos-da-mineracao-na-vida-das-mulheres-atingidas-por-barragens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/09\/os-impactos-da-mineracao-na-vida-das-mulheres-atingidas-por-barragens\/","title":{"rendered":"Os impactos da minera\u00e7\u00e3o na vida das mulheres atingidas por barragens"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">MINERA\u00c7\u00c3O<\/span><\/h5>\n<p><em><strong>Por Jacqueline Melo e Michele Marinho<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h1 style=\"text-align: center;\">Relatos incluem desde doen\u00e7as de pele, ansiedade e depress\u00e3o at\u00e9 a perda de vontade de viver.\u00a0Quem s\u00e3o as mulheres v\u00edtimas da minera\u00e7\u00e3o,\u00a0e como a atividade alterou seus modos de vida\u00a0e de exist\u00eancia?<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cQuando um crime desse porte acontece, n\u00e3o h\u00e1 outro grupo mais afetado, com dimens\u00f5es t\u00e3o mais dram\u00e1ticas, do que as mulheres\u201d, aponta Leila Regina da Silva, analista da ger\u00eancia de Socioeconomia e Cultura do N\u00facleo de Assessoria \u00e0s Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab), com sede no munic\u00edpio de Vi\u00e7osa e atua\u00e7\u00e3o em diversas cidades mineiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estado de Minas Gerais sofreu nos \u00faltimos anos com dois desastres-crimes de grandes dimens\u00f5es: o rompimento da barragem do Fund\u00e3o, em Mariana (2015), que foi o maior desastre ambiental do Brasil, e o rompimento da barragem do C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho (2019), considerado o de maior impacto social da nossa hist\u00f3ria. Os danos decorrentes desses crimes ambientais ainda afetam a vida de milhares de mulheres, mesmo as que vivem a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de onde a lama alcan\u00e7ou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de a minera\u00e7\u00e3o ser respons\u00e1vel por cerca de 8% do PIB estadual, com receitas bilion\u00e1rias \u2013 em 2021, somente a Vale teve lucro recorde de R$ 121 bilh\u00f5es \u2014, os\u00a0 efeitos da instala\u00e7\u00e3o dessas atividades nos territ\u00f3rios gera altera\u00e7\u00f5es muito significativas nos modos de vida e de sustento das comunidades como um todo, por\u00e9m com danos mais graves para as mulheres atingidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 o caso da vendedora Fernanda, de 42 anos de idade, ex-funcion\u00e1ria do Shopping da Minhoca, regi\u00e3o comercial de itens para pesca, \u00e0s margens da BR-040, no munic\u00edpio de Caetan\u00f3polis, Minas Gerais. Ela conta que, desde fevereiro de 2019, ap\u00f3s o desastre-crime de Brumadinho, a pesca est\u00e1 proibida no rio. Com a falta de clientes no local, Fernanda, assim como outros funcion\u00e1rios, foram demitidos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667428\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667428\" class=\"wp-image-1667428 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fernanda-Soares_Shopping-das-Minhocas_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fernanda-Soares_Shopping-das-Minhocas_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg 627w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Fernanda-Soares_Shopping-das-Minhocas_Foto-de-Jacqueline-Melo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667428\" class=\"wp-caption-text\">Fernanda Soares, vendedora do Shopping da Minhoca, em Caetan\u00f3polis\/MG<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu chego hoje em dia bem abalada, porque ainda tomo v\u00e1rios tipos de medicamentos, antidepressivos, para transtorno de p\u00e2nico, para controle de ansiedade. Inclusive, no decorrer desse tempo, eu ganhei f\u00e1cil uns 25, 30 quilos. \u00c9 quest\u00e3o de muita ansiedade, eu j\u00e1 cheguei a passar mal, a ficar sem comer, e ainda assim engordar devido ao meu grau de ansiedade.\u201d, diz Fernanda Soares.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cDe uma hora pra outra eles [os pescadores] come\u00e7aram a sumir, porque n\u00e3o tinha mais sentido voc\u00ea ir relaxar na beira de um rio em que voc\u00ea n\u00e3o podia mais ter acesso. [&#8230;]\u00a0 Que alegria voc\u00ea tinha de ir pra beira de um rio, que voc\u00ea via com a \u00e1gua l\u00edmpida, para v\u00ea-lo totalmente polu\u00eddo? Isso \u00e9 uma facada no cora\u00e7\u00e3o de qualquer pessoa que t\u00e1 acostumada com aquilo ali\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Fernanda faz parte da Comiss\u00e3o de Atingidos do Shopping da Minhoca, e diz que o recebimento das primeiras parcelas do Programa de Transfer\u00eancia de Renda da Vale (PTR), em abril deste ano, foi fruto de muita luta e reconhecimento dos trabalhadores como &#8220;povos e comunidades tradicionais&#8221;. O rio Paraopeba est\u00e1 a mais de um quil\u00f4metro dessa regi\u00e3o comercial, e por isso a comunidade n\u00e3o era reconhecida como atingida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAo contr\u00e1rio do que muita gente pensa, n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o fomos alcan\u00e7ados literalmente pela lama que a gente n\u00e3o \u00e9 atingido, mas fomos atingidos na nossa dignidade, porque o Shopping da Minhoca \u00e9 uma comunidade que se auto sustentava. Fomos atingidos neste ponto, a partir do momento que muita gente se endividou e est\u00e1 assim at\u00e9 hoje\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667449\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667449\" class=\"wp-image-1667449 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Loja-da-Mariliey-Shopping-das-Minhocas-Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Loja-da-Mariliey-Shopping-das-Minhocas-Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg 627w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Loja-da-Mariliey-Shopping-das-Minhocas-Foto-de-Jacqueline-Melo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667449\" class=\"wp-caption-text\">&#8220;Barraca da Marilei&#8221; no Shopping da Minhoca, Caetan\u00f3polis\/MG<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s n\u00e3o somos prejudicados com a lama do lado de fora, mas vai sentar e conversar com cada pessoa dali daquele cantinho, que voc\u00eas v\u00e3o ver. A lama de fora n\u00e3o tem nada, mas em compensa\u00e7\u00e3o, por dentro, a lama tomou conta\u201d, conta a vendedora.<\/span><\/p>\n<h3><b>Quem s\u00e3o as mulheres atingidas?\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s estamos falando de mulheres que s\u00e3o negras, jovens. Falamos de camadas de vulnerabilidade, de viola\u00e7\u00f5es. \u00c9 importante olhar para cada uma delas nesse lugar. Porque mesmo quando falamos de mulheres, n\u00e3o falamos de forma homog\u00eanea. Falamos dessas diversidades, das facetas. Uma coisa \u00e9 falar de uma mulher branca, outra coisa \u00e9 falar de uma mulher negra\u201d, explica Leila Regina da Silva, analista da Ger\u00eancia de Socioeconomia e Cultura do N\u00facleo de Assessoria \u00e0s Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Entre junho e agosto de 2021, foi feita pela primeira vez uma pesquisa espec\u00edfica para entender os danos \u00e0s mulheres. O <\/span><a href=\"https:\/\/nacab.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Boletim-Mobilizacao-06-Ser-mulher-atingida.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cBoletim Mobiliza\u00e7\u00e3o: ser mulher atingida\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, foi realizado pela Assessoria T\u00e9cnica Independente (ATI) do Nacab.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Leila Regina, apesar de as fam\u00edlias estarem devastadas, s\u00e3o as mulheres quem mais sofrem, porque \u201cpassam a segurar uma press\u00e3o muito maior, dentro da dimens\u00e3o do cuidado, que socialmente \u00e9 designada \u00e0 mulher. Os homens e filhos est\u00e3o mais presentes dentro de casa, dobrando a demanda de trabalho da mulher, se \u00e9 ela que est\u00e1 no cuidado da casa. S\u00e3o mais horas gastas com arruma\u00e7\u00e3o e limpeza, nesse processo de adoecimento\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na mesma pesquisa, foram entrevistadas 1084 pessoas, moradores da denominada regi\u00e3o 3. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667472\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667472\" class=\"wp-image-1667472 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-nacab.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"470\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-nacab.jpg 610w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-nacab-300x231.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667472\" class=\"wp-caption-text\">Munic\u00edpios da Regi\u00e3o 3 da Bacia do Rio Paraopeba &#8211; Fonte: Nacab<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O boletim aponta que, do total dos atingidos, 47,8% s\u00e3o mulheres, 57,3% se autodeclaram negras, 47,8% t\u00eam idade adulta e produtiva (entre 30 e 59 anos) e possuem baixa escolaridade, sendo que 34,8% t\u00eam ensino fundamental incompleto.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda e autonomia, o boletim aponta um endividamento de 20,2% das mulheres da regi\u00e3o 3, al\u00e9m do aumento significativo em despesas b\u00e1sicas como sa\u00fade (44,2%), transporte (37,5%) e alimenta\u00e7\u00e3o (58,2%).\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Cerca de um quarto dessas mulheres perderam o trabalho (22,8%), enquanto a maior parte delas teve parte da renda reduzida (52,2%), passando a depender do pagamento emergencial da Vale. A maioria delas n\u00e3o \u00e9 atendida por pol\u00edticas p\u00fablicas ou programas sociais (74,4%).\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quase metade dessas mulheres (45,7%) passaram a ter contato direto com poeira e lama, aumentando a carga de trabalho na limpeza e na manuten\u00e7\u00e3o do lar.\u00a0 Mais de 40% das mulheres perceberam o aumento do fluxo de estranhos na vizinhan\u00e7a, o que ocasionou inseguran\u00e7a e medo de situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio e outras viol\u00eancias.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667498\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667498\" class=\"wp-image-1667498 size-large\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20_Maria-de-Lourdes-Honorato_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-820x461.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20_Maria-de-Lourdes-Honorato_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-820x461.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20_Maria-de-Lourdes-Honorato_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/20_Maria-de-Lourdes-Honorato_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_.jpg 1366w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667498\" class=\"wp-caption-text\">Maria de Lourdes Honorato, cabeleireira e cozinheira, moradora de Taquaras, MG.- Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu tomo rem\u00e9dio anti-depressivo, n\u00e3o durmo direito. O meu estabelecimento fica na avenida. Os caminh\u00f5es descem e sobem, e tem aquela poeira que voc\u00ea fica respirando. N\u00e3o \u00e9 como antes minha respira\u00e7\u00e3o.. [&#8230;] Antes do rompimento da Vale a gente tinha um lugar, era tudo mais natural para n\u00f3s. Hoje n\u00e3o, voc\u00ea caminha insegura, porque sabe que est\u00e1 se alimentando de uma poeira quimica\u201d, diz Maria Lourdes Honorato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Natural de Belo Horizonte, Maria de Lourdes decidiu se mudar para a comunidade de Taquaras, no munic\u00edpio de Esmeraldas, regi\u00e3o metropolitana da capital mineira, em busca de qualidade de vida. Ela trabalhou como cabeleireira por 28 anos e, durante a pandemia, decidiu migrar de ramo: abriu seu pr\u00f3prio restaurante, onde cozinha e vende quitutes produzidos no local.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Desde o desastre-crime de Brumadinho, o Rio Paraopeba, que fica a menos de um quil\u00f4metro de sua casa, foi contaminado, alterando toda a din\u00e2mica de vida da comunidade, especialmente a das mulheres.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cHoje o que eu vejo \u00e9 as mulheres de Taquara dentro de casa, porque elas eram pescadoras. Hoje elas vivem em casa depressivas, j\u00e1 n\u00e3o v\u00eam mais no sal\u00e3o fazer o cabelo como antes. \u00c0s vezes tamb\u00e9m porque n\u00e3o tem mais recurso, que vinha dos peixes. Vivem \u00e0 base de rem\u00e9dio, tomando em casa. Eu vejo as mulheres de Taquara doentes, porque n\u00f3s n\u00e3o temos lazer, n\u00e3o temos nada\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Maria de Lourdes vive numa ch\u00e1cara e relata que as frutas e verduras que cultiva est\u00e3o apodrecendo e n\u00e3o amadurecem mais. \u201cAntigamente eu n\u00e3o comprava verduras, elas eram colhidas aqui. Tudo o que eu me alimentava era puro, n\u00e3o tinha qu\u00edmica nenhuma\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667518\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667518\" class=\"wp-image-1667518 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/aria-de-Lourdes-Honorato-segurando-frutas-que-nao-vingam_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"682\" height=\"384\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/aria-de-Lourdes-Honorato-segurando-frutas-que-nao-vingam_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg 682w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/aria-de-Lourdes-Honorato-segurando-frutas-que-nao-vingam_Taquaras-2022_Foto-de-Jacqueline-Melo-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 682px) 100vw, 682px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667518\" class=\"wp-caption-text\">Maria de Lourdes Honorato segurando frutas que n\u00e3o vingam, Taquaras 2022 &#8211; Foto de Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela conta que, em janeiro de 2022, a enchente que atingiu o Rio Paraopeba causou danos mais extensos \u00e0 comunidade do que o rompimento de Brumadinho. \u201cA beira do rio hoje ficou t\u00e3o perigosa. Tem um lugar onde atingiu mais, em que as casas ca\u00edram, onde a enchente passou e pegou aquele rejeito com areia, com tudo. Quando voc\u00ea chega nesse local, que \u00e9 perto da minha casa, a sua tristeza \u00e9 total. S\u00e3o mans\u00f5es, casas lindas, jardins, e hoje voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea mais nada\u201d.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1667539\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667539\" class=\"wp-image-1667539 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/faixa-na-casa-.jpg\" alt=\"\" width=\"599\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/faixa-na-casa-.jpg 599w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/faixa-na-casa--300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667539\" class=\"wp-caption-text\">Protesto de uma fam\u00edlia que teve sua propriedade prejudicada pelo rompimento da Barragem de Brumadinho em Taquaras, MG &#8211; Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><b>O crescimento da minera\u00e7\u00e3o e a exporta\u00e7\u00e3o de commodities\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A \u00e1rea minerada no Brasil em 2020 foi seis vezes maior do que a reportada em 1985, passando de 31 mil para 206 mil hectares, representando um aumento de 600% nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas e meia. Os dados s\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o MapBiomas, coletados por imagens de sat\u00e9lite, utilizando a intelig\u00eancia artificial.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1667560\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667560\" class=\"wp-image-1667560 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapabiomas.jpg\" alt=\"\" width=\"596\" height=\"356\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapabiomas.jpg 596w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapabiomas-300x179.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 596px) 100vw, 596px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667560\" class=\"wp-caption-text\">Projeto MapBiomas: mapeamento da superf\u00edcie de minera\u00e7\u00e3o industrial e garimpo no Brasil. Fonte: MapBiomas.org<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De acordo com o mapeamento, o Estado ocupa o segundo lugar em \u00e1rea total minerada, totalizando 33.432 mil hectares. O min\u00e9rio de ferro, principal item de exporta\u00e7\u00e3o estadual, representa 1\/4 do total dos minerais extra\u00eddos no Brasil.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos t\u00eam impulsionado a produtividade do min\u00e9rio de ferro. De janeiro a dezembro de 2021, Minas Gerais foi respons\u00e1vel por 41% das vendas externas brasileiras desse min\u00e9rio, com arrecada\u00e7\u00e3o de US$15 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A grande demanda por min\u00e9rio de ferro motivou o aumento na produ\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o de barragens de conten\u00e7\u00e3o de rejeitos, erguidas frequentemente com o uso de m\u00e9todos que n\u00e3o garantem seguran\u00e7a ao ecossistema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O estudo do MapBiomas aponta ainda o crescimento da atividade de garimpo, muitas vezes realizada de forma clandestina, com o uso de metais potencialmente t\u00f3xicos. Com a\u00a0 flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental nos \u00faltimos anos, este tipo de garimpo tem avan\u00e7ado sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas e unidades de conserva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Comunidade tradicional Garimpeira<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma outra forma de garimpagem, de leito de rio, feita de forma artesanal e tradicional, muito comum em regi\u00f5es como no munic\u00edpio de Ant\u00f4nio Pereira, no distrito de Ouro Preto.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667580\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667580\" class=\"wp-image-1667580 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ivone-ouro-preto.jpg\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ivone-ouro-preto.jpg 592w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/ivone-ouro-preto-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667580\" class=\"wp-caption-text\">Entrevista na casa da garimpeira Ivone Zacarias, em Ant\u00f4nio Pereira, no distrito de Ouro Preto\/MG. Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a garimpeira Ivone Pereira Zacarias, a atividade n\u00e3o \u00e9 prejudicial ao meio ambiente, &#8220;porque n\u00f3s n\u00e3o trabalhamos com maquin\u00e1rio, nem com merc\u00fario [&#8230;], porque polui o rio, acaba com a natureza, com os peixes e com a nossa sa\u00fade. O merc\u00fario \u00e9 um veneno. O que causa mesmo danos \u00e9 a mineradora, porque \u00e9 maquin\u00e1rio, \u00e9 buraco, \u00e9 poeira acabando com as plantas&#8221;.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nascida e criada em Ant\u00f4nio Pereira, Ivone, de 52 anos, aprendeu a garimpar aos 11 anos de idade com os pais, e ensinou o mesmo of\u00edcio aos filhos e aos netos, como uma garantia de subsist\u00eancia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No m\u00eas de maio, os garimpeiros da regi\u00e3o foram detidos e tiveram suas ferramentas apreendidas por uma opera\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal, a mando da Vale. Desde ent\u00e3o eles est\u00e3o impedidos de trabalhar.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cVoc\u00ea n\u00e3o tira muito ouro no garimpo, voc\u00ea n\u00e3o vai ficar rica. Mas voc\u00ea vai de manh\u00e3, e de tarde j\u00e1 tem um pouquinho de ouro pra comprar um pacote de feij\u00e3o, fub\u00e1, arroz, biscoito, leite, que\u00a0 \u00e0s vezes o seu filho pede e voc\u00ea n\u00e3o tem. E o que a Vale est\u00e1 querendo? Que todo mundo da nossa comunidade vire bandido?&#8221;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667592\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667592\" class=\"wp-image-1667592 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Ivone-Pereira-Zacarias_Ouro-Preto_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"627\" height=\"418\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Ivone-Pereira-Zacarias_Ouro-Preto_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg 627w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Ivone-Pereira-Zacarias_Ouro-Preto_Foto-de-Jacqueline-Melo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 627px) 100vw, 627px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667592\" class=\"wp-caption-text\">Ivone Zacarias, na sua \u00e1rea de garimpo em Ant\u00f4nio Pereira, no distrito de Ouro Preto\/MG. Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ivone conta que os empreendimentos miner\u00e1rios est\u00e3o presentes na regi\u00e3o onde vive h\u00e1 mais de 20 anos. E destaca que o munic\u00edpio tem sofrido com a &#8220;lama invis\u00edvel&#8221;, devido ao medo de rompimento da Barragem Doutor, da mineradora Vale.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Porque a Vale pode minerar, acabar com nosso min\u00e9rio, nosso ouro, e n\u00f3s, que somos do lugar, n\u00e3o podemos garimpar?[&#8230;]. Ela n\u00e3o est\u00e1 nos matando com lama, como fez em Brumadinho, por enquanto, pois a barragem n\u00e3o rompeu. Mas est\u00e1 nos matando de depress\u00e3o, estamos todos doentes aqui. Tem idoso tomando medicamento, crian\u00e7a com problema grav\u00edssimo, e essa coceira que temos no corpo, desse p\u00f3, desse rejeito\u201d, relata a garimpeira.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para La\u00eds Jabace, coordenadora do processo de cadastramento dos atingidos da C\u00e1ritas em Mariana, a garimpagem de leito \u00e9 um complemento de renda ou uma renda central para v\u00e1rias fam\u00edlias, e \u00e9 uma atividade que tem uma rela\u00e7\u00e3o profunda com o ambiente e com a comunidade no entorno. A C\u00e1ritas \u00e9 uma confedera\u00e7\u00e3o internacional humanit\u00e1ria da Igreja Cat\u00f3lica, que promove a\u00e7\u00f5es de solidariedade \u00e0s comunidades afetadas por desastres socioambientais ou em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA economia que gira em torno dessa garimpagem \u00e9 local, desde o maquin\u00e1rio que eles usam, os instrumentos que s\u00e3o feitos, constru\u00eddos e comprados ali. [&#8230;] Essa popula\u00e7\u00e3o compra e consome na regi\u00e3o, o que \u00e9 completamente diferente da minera\u00e7\u00e3o de uma grande corpora\u00e7\u00e3o. Tanto em termos de insumos para a atividade, quanto em termos de para onde v\u00e3o os recursos. O lucro, o faturamento, n\u00e3o \u00e9 reinvestido na regi\u00e3o, mesmo que tenha como parte dos processos poss\u00edveis descontos em impostos para pol\u00edticas de responsabilidade social\u201d, diz La\u00eds.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>A exporta\u00e7\u00e3o de commodities<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a advogada popular Larissa Vieira, integrante do Coletivo Margarida Alves de assessoria popular e da Rede Nacional dos Advogadas e Advogados Populares (Renap), o estado de Minas Gerais vive atualmente um acirramento dos empreendimentos miner\u00e1rios devido \u00e0 escolha por um modelo essencialmente minerador e exportador de commodities.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMesmo diante do contexto em que a gente vive, de fal\u00eancia desse modelo, a partir do rompimento de duas barragens de rejeitos, gerando preju\u00edzos e danos de grandes propor\u00e7\u00f5es para essa popula\u00e7\u00e3o, vemos que o estado nem assim recuou, em termos de tentar buscar alternativas econ\u00f4micas para o nosso estado\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Larissa aponta que a legisla\u00e7\u00e3o ambiental estadual foi flexibilizada, mesmo ap\u00f3s o rompimento da Barragem do Fund\u00e3o, em 2015. \u201cIsso \u00e9 um fator muito agravante, que faz com que a entrada dos empreendimentos seja facilitada, muitas vezes a custo de violar direitos das comunidades, de n\u00e3o ouvir a popula\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o ao que a popula\u00e7\u00e3o considera importante, em termos de modelos de desenvolvimento&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Sa\u00fade e Justi\u00e7a Reprodutiva<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Justi\u00e7a Reprodutiva \u00e9 uma ferramenta para a garantia da cidadania e dos direitos das mulheres e de suas comunidades, pois focaliza a vida sexual e reprodutiva atrav\u00e9s das lentes da justi\u00e7a social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O conceito de Justi\u00e7a Reprodutiva foi desenvolvido em 1994, no contexto da Confer\u00eancia de Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, realizada no Cairo, considerada um marco para a defini\u00e7\u00e3o internacional dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Na pr\u00e1tica, a Justi\u00e7a Reprodutiva \u00e9 uma ferramenta para a garantia da cidadania e dos direitos das mulheres e de suas comunidades, pois focaliza a vida sexual e reprodutiva atrav\u00e9s das lentes da justi\u00e7a social.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como explica a professora da Universidade Federal de Goi\u00e1s, Mariana Prandini Assis, &#8220;mulheres negras se mobilizaram para denunciar que a l\u00f3gica individualista da escolha subjacente \u00e0 demanda por direitos sexuais e reprodutivos era insuficiente para responder \u00e0s injusti\u00e7as que marcavam suas vidas. E por isso reivindicaram o direito de ter filhos, de n\u00e3o ter filhos, mas tamb\u00e9m o direito de criar seus filhos em comunidades sadias e sustent\u00e1veis, com dignidade e respeito&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo a advogada Larissa Vieira, a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> no\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a Reprodutiva &#8220;traz a perspectiva de corpos livres, de pessoas livres para escolher sobre o seu destino, com autonomia, dignidade corporal, que inclusive nunca vai ser alcan\u00e7ada nesse contexto dos grandes empreendimentos. O pr\u00f3prio estudo de impacto ambiental n\u00e3o pensa nas mulheres. \u00c0s vezes at\u00e9 detecta que vai ter um impacto para elas, mas n\u00e3o \u00e9 pensada nenhuma medida alternativa para isso&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Territ\u00f3rios e Ecossistemas: Justi\u00e7a Reprodutiva Ambiental<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Justi\u00e7a Reprodutiva abrange uma vis\u00e3o ampla sobre o meio ambiente, incluindo algumas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que as pessoas possam tomar\u00a0 decis\u00f5es: sal\u00e1rios adequados, acesso \u00e0 sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o de qualidade, habita\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a, entre outras.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O acesso \u00e0s condi\u00e7\u00f5es materiais e socioecon\u00f4micas \u00e9 necess\u00e1rio para que as mulheres tenham dignidade sobre as suas escolhas, como a de ter ou n\u00e3o ter filhos, e como cuidar destes em comunidades sustent\u00e1veis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dessa forma, a Justi\u00e7a Reprodutiva pode ser pensada de forma territorializada, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s lutas que acontecem nos territ\u00f3rios. Segundo a professora Mariana Prandini Assis, nos \u00faltimos anos vem ganhando for\u00e7a, a partir da elabora\u00e7\u00e3o dos movimentos ind\u00edgenas das Am\u00e9ricas, a no\u00e7\u00e3o de Justi\u00e7a Reprodutiva Ambiental, integrando paradigmas da justi\u00e7a reprodutiva e da justi\u00e7a socioambiental.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a professora, esse novo olhar requer <\/span><a href=\"https:\/\/coletivomargaridaalves.org\/dignidade-de-corpos-comunidades-e-territorios-justica-reprodutiva-no-contexto-de-grandes-empreendimentos\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;avaliar os impactos socioambientais de modo a incluir tamb\u00e9m os danos aos processos, sujeitos, elementos e espa\u00e7os de reprodu\u00e7\u00e3o da vida, isto \u00e9, os corpos individuais e coletivos, a cultura e os s\u00edmbolos sociais, a sexualidade e a reprodu\u00e7\u00e3o, e a capacidade de indiv\u00edduos e comunidades exercerem sua liberdade reprodutiva com dignidade&#8221;.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Como viver sem o rio?<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No contexto dos grandes empreendimentos, como as mineradoras, todo o ecossistema, incluindo as formas de vida humanas e as n\u00e3o-humanas, \u00e9 impactado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leandra Moreira, de 25 anos, \u00e9 pescadora e moradora do Retiro dos Moreira, povoado com cerca de 200 habitantes, em Fortuna de Minas (MG), que foi reconhecido h\u00e1 dois anos como comunidade remanescente de quilombo. Ela relata as mudan\u00e7as ambientais e sociais ocorridas no seu territ\u00f3rio ap\u00f3s a contamina\u00e7\u00e3o do rio Paraopeba.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cN\u00f3s t\u00ednhamos muitos pescadores aqui, e isso fazia um movimento enorme na comunidade. Os pescadores vinham e davam peixes pra gente, quando n\u00e3o dava pra irmos no rio. Minha casa \u00e9 uma das mais pr\u00f3ximas [do rio], ent\u00e3o eles compravam ovo, galinha, verduras. Traziam coisas pra gente tamb\u00e9m da cidade quando vinham\u201d, diz Leandra. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667604\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667604\" class=\"wp-image-1667604 size-large\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/16_Leandra-Moreira-Vieira_Quilombo-Retiro-dos-Moreiras_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-820x461.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/16_Leandra-Moreira-Vieira_Quilombo-Retiro-dos-Moreiras_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-820x461.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/16_Leandra-Moreira-Vieira_Quilombo-Retiro-dos-Moreiras_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/16_Leandra-Moreira-Vieira_Quilombo-Retiro-dos-Moreiras_Foto-de-Jacqueline-Melo_Pressenza.com_.jpg 1366w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667604\" class=\"wp-caption-text\">Leandra Moreira, moradora do quilombo Retiro dos Moreira, em Fortuna de Minas\/MG &#8211; Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leandra comenta que a degrada\u00e7\u00e3o do rio levou \u00e0 perda de um espa\u00e7o essencial para a divers\u00e3o e a sociabilidade da comunidade. \u201cLazer aqui era divino! Final de semana era certeiro, estavam todos no rio. Seja pra poder pescar, nadar. \u00c0s vezes a gente ia s\u00f3 pra sentar na beira do rio e comer uma farofa, ou ent\u00e3o pescar um peixe e comer ali na hora\u201d.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667625\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667625\" class=\"wp-image-1667625 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Margens-do-Rio-Paraopeba_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"591\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Margens-do-Rio-Paraopeba_Foto-de-Jacqueline-Melo.jpg 591w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/Margens-do-Rio-Paraopeba_Foto-de-Jacqueline-Melo-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 591px) 100vw, 591px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667625\" class=\"wp-caption-text\">Margens do rio Paraopeba, em Retiro dos Moreira, munic\u00edpio de Fortuna de Minas\/MG &#8211; Foto: Jacqueline Melo<\/p><\/div>\n<h2><\/h2>\n<blockquote>\n<h3 style=\"text-align: left;\">&#8220;Ser uma mulher atingida num lugar desse \u00e9 complicado. Porque quem tem voz s\u00e3o os homens.\u00a0N\u00f3s mulheres somos as \u00faltimas a serem ouvidas.\u00a0Se a gente n\u00e3o se unir, a gente n\u00e3o consegue nada\u201d.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Leandra relata que, antes do rompimento, as mulheres costumavam sair, e agora passam os dias dentro de casa. &#8220;E se \u00e9 uma mulher que n\u00e3o gosta de ir pro bar? Que gosta de pescar, igual muitas aqui na comunidade. Muitos a\u00e7udes que t\u00eam peixes est\u00e3o dentro de fazendas. N\u00e3o s\u00e3o todos que podemos chegar e pescar, tem que ter autoriza\u00e7\u00e3o. E o rio n\u00e3o, o rio \u00e9 livre. Perdemos esse cantinho das mulheres\u201d.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>E<\/b><b>cotecnologias: \u00e9 poss\u00edvel pensar na retirada da lama dos rios?<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sobretudo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o vem depositando no leito dos rios grandes volumes de metais potencialmente t\u00f3xicos, contaminando as \u00e1guas e os animais, tornando-os impr\u00f3prios para o usufruto e consumo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Professora da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e coordenadora do Laborat\u00f3rio de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental e Pesquisa (Lauepas), a arquiteta e urbanista Dulce Maria Pereira defende a retirada da lama pelas empresas mineradoras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cElas [Vale e Samarco] bateram o p\u00e9 dizendo que n\u00e3o iam retirar a lama porque poderia fazer mais mal pro rio. N\u00e3o \u00e9 verdade, porque a lama fica l\u00e1 por um tempo indefinido. [&#8230;] Voc\u00ea tem mudan\u00e7as terr\u00edveis, principalmente com o ars\u00eanio, que provoca muta\u00e7\u00f5es em peixes. Tem um &#8216;casamento&#8217; desses materiais e metal\u00f3ides com o material inorg\u00e2nico do fundo do rio, e v\u00e3o se criando mudan\u00e7as muito grandes nesse habitat ao deixar a lama no local\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A professora reconhece que os processos necess\u00e1rios para a retirada da lama poderiam causar danos, mas defende que o rio, infelizmente, j\u00e1 est\u00e1 &#8220;praticamente morto&#8221; pela lama. &#8220;Ent\u00e3o voc\u00ea retira, deixa o rio em paz, que ele vai se recuperando lentamente num prazo de muitos anos. Daqui a 30 anos n\u00f3s vamos olhar os problemas da lama, mas\u00a0 poder\u00edamos olhar para um rio renascendo\u201d, compara Dulce, defendendo o potencial da ecotecnologia \u2013 ci\u00eancia que integra os campos da ecologia e tecnologia, com foco em solu\u00e7\u00f5es sustent\u00e1veis, procurando reduzir os impactos ambientais.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Em vez de retirar as pessoas do contato com o metal potencialmente t\u00f3xico, poderiam retirar o metal dos locais onde est\u00e3o as pessoas. Isso entra nas<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">ecotecnologias<\/span><b>. <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Uma mineradora do tamanho da BHP, Vale e Samarco dizer que n\u00e3o consegue retirar a lama&#8230; Isso seria o &#8216;Elementar, meu caro Watson&#8217; que deveria ter acontecido e ponto&#8221;, avalia Dulce Maria Pereira.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3><b>&#8220;As corpora\u00e7\u00f5es, do tamanho que s\u00e3o,\u00a0<\/b><b>conseguiram aspirar isso [a lama] de olhos fechados.\u00a0<\/b><b>Voc\u00eas sabem que eu sou dessas \u00e1reas t\u00e9cnicas,\u00a0<\/b><b>ent\u00e3o eu chamo o que se pratica de necroengenharia,\u00a0<\/b><b>engenharia da morte, que \u00e9 igual a necropol\u00edtica.\u00a0<\/b><b>Porque? Porque n\u00e3o \u00e9 uma engenharia para a vida\u201d. <\/b><\/h3>\n<\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A necroengenharia mencionada pela professora diz respeito \u00e0 engenharia de baixa qualidade, que causa riscos vis\u00edveis e grotescos no tratamento do ambiente e das riquezas locais. A partir do uso de tecnologias inadequadas, portanto, a necroengenharia vai de contram\u00e3o \u00e0s possibilidades tecnol\u00f3gicas existentes na engenharia contempor\u00e2nea.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><b>Neoxtrativismo e Racismo Ambiental<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O processo de extrativismo mineral surge em um contexto de conquista e coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, e se consolida com a globaliza\u00e7\u00e3o do capital. &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O extrativismo e o neoextrativismo s\u00e3o insepar\u00e1veis do capitalismo, \u00e9 uma caracter\u00edstica estrutural. E junto com essa caracter\u00edstica vem somada a pr\u00f3pria l\u00f3gica colonialista, racista, patriarcal&#8221;, aponta a advogada Larissa Vieira.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;O modelo extrativista estimula a domina\u00e7\u00e3o, esse processo de aliena\u00e7\u00e3o, a partir do momento que ele desconsidera, desumaniza as pessoas dos territ\u00f3rios&#8221;, acrescenta a advogada.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a professora Dulce Maria Pereira, o processo de extra\u00e7\u00e3o mineral \u00e9 permeado por uma \u201cperversidade extraordin\u00e1ria de racismo ambiental\u201d, utilizado para dividir as comunidades. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;As casas que tiveram menos investimentos da empresa, a falta de \u00e1gua, tudo isso \u00e9 pior para as popula\u00e7\u00f5es negras. Fora as comunidades de matrizes africanas, que perderam literalmente toda a base natural dos fundamentos. \u00c9 uma perda imaterial imensa. A \u00e1gua, a erva, a planta, o ar, que \u00e9 como se organiza o material utilizado para o contato e para as rela\u00e7\u00f5es espirituais\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Eles n\u00e3o retiraram a lama do rio, o que j\u00e1 \u00e9 p\u00e9ssimo, mas porque n\u00e3o removeram a lama dos quintais? \u00c9 geralmente nos quintais negros que tem a lama&#8221;, questiona a professora.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667636\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667636\" class=\"wp-image-1667636 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-racismo-ambiental-em-mariana-e-barralonga.jpg\" alt=\"\" width=\"925\" height=\"684\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-racismo-ambiental-em-mariana-e-barralonga.jpg 925w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-racismo-ambiental-em-mariana-e-barralonga-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/mapa-racismo-ambiental-em-mariana-e-barralonga-820x606.jpg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 925px) 100vw, 925px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667636\" class=\"wp-caption-text\">Racismo Ambiental em Mariana e Barra Longa. Fonte: PEREIRA, Dulce Maria (org). PERDAS ECOSSIST\u00caMICAS: Barra Longa atingida pela ruptura da barragem de Fund\u00e3o da SAMARCO\/VALE\/BHP BILLITON<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Simone Silva, 44 anos de idade, \u00e9 moradora de Barra Longa, a 60 km de Mariana. Ela \u00e9 professora de artes e tem uma filha, Sofia, de 7 anos de idade, que foi contaminada pelos rejeitos t\u00f3xicos aos 9 meses de vida. Em 2015, como Simone jamais vai se esquecer, o munic\u00edpio foi tomado pela lama do rompimento da barragem do Fund\u00e3o, em Mariana.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<h3>\u201cEnquanto eu tiver vida, vou continuar nessa luta e resist\u00eancia, que \u00e9 dar voz ao meu povo sofrido,\u00a0aos atingidos por barragens, principalmente as mulheres negras.\u00a0Se eu posso ocupar um espa\u00e7o de fala hoje, numa sala de aula como professora negra, \u00e9 porque outras vieram antes de mim e fizeram essas lutas.\u00a0Quantas gotas de sangue, quantas carnes\u00a0foram retalhadas em pra\u00e7a p\u00fablica para que eu pudesse falar hoje? Isso n\u00e3o veio de m\u00e3o beijada&#8221;.<\/h3>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Simone <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">se tornou militante do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) ap\u00f3s o crime da Samarco, Vale e BHP. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Sua causa \u00e9 a luta pelo tratamento de sa\u00fade da filha e de toda a sua comunidade. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o milita s\u00f3 por voc\u00ea. Existem outras Sofias ao longo da bacia do Rio Doce&#8221;. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1667647\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1667647\" class=\"wp-image-1667647 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/barralonga.jpg\" alt=\"\" width=\"897\" height=\"593\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/barralonga.jpg 897w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/barralonga-300x198.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/barralonga-820x542.jpg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 897px) 100vw, 897px\" \/><p id=\"caption-attachment-1667647\" class=\"wp-caption-text\">Barra Longa (MG) &#8211; Rio Gualaxo do Norte, ap\u00f3s a trag\u00e9dia do rompimento da Barragem de Fund\u00e3o, da mineradora Samarco (FONTE: Jos\u00e9 Cruz\/Ag\u00eancia Brasil. 31\/10\/2017)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;A justi\u00e7a \u00e9 uma m\u00e1quina de fazer dinheiro para os assassinos e os criminosos. Mas, para as v\u00edtimas, n\u00e3o: a justi\u00e7a s\u00f3 existe para retirar direitos e puni-las. Porque nesse processo das mineradoras, as v\u00edtimas passam a ocupar o lugar do bandido, e as mineradoras, como a v\u00edtima. Os pap\u00e9is s\u00e3o invertidos nesse processo de ser atingido por mineradoras&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu at\u00e9 espero que se chegue \u00e0 empresa pedir perd\u00e3o para as pessoas, num processo desses. Isso vai aliviar a alma de um monte de gente. S\u00f3 isso, \u00e9 uma coisa fundamental. Olha a forma como essas pessoas s\u00e3o tratadas pelas empresas, pelos seus advogados, por todo mundo. [&#8230;] E h\u00e1 a desqualifica\u00e7\u00e3o. Eu estive em v\u00e1rias audi\u00eancias p\u00fablicas que eu vi como desqualificavam as pessoas. E isso \u00e9 bastante s\u00e9rio\u201d.<\/span><\/p>\n<h3><b>O futuro das mulheres atingidas\u00a0<\/b><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem limites, do ponto de vista das suas estrat\u00e9gias. Por exemplo, n\u00e3o \u00e9 por acaso que raramente se contratam pessoas da mesma cidade onde se est\u00e1 fazendo a minera\u00e7\u00e3o, para que elas n\u00e3o tenham conhecimento dos processos da realidade, e menos ainda do que se projeta para o futuro [&#8230;].\u00a0 H\u00e1 o exerc\u00edcio de uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">manu militari,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de um poder t\u00e9cnico e tecnicista que desqualifica os poderes locais. E promessas, sedu\u00e7\u00e3o, que hoje a gente falaria na <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fake news<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> da minera\u00e7\u00e3o.\u00a0 As pessoas ficam muito inebriadas com a possibilidade de um desenvolvimento que nunca vem\u201d, avalia a professora Dulce Maria Pereira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo ela, os direitos constitu\u00eddos t\u00eam sido retirados, como o direito \u00e0 \u00e1gua, \u00e0 repara\u00e7\u00e3o, ao tratamento de sa\u00fade e \u00e0 moradia. Ela acredita que se houver uma a\u00e7\u00e3o s\u00e9ria do Estado e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos atingidos, com engajamento de intelectuais e ambientalistas, \u201chaver\u00e1 uma possibilidade de retomada do territ\u00f3rio, com t\u00e9cnicas e pr\u00e1ticas ambientalmente muito mais adequadas\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A cabeleireira Maria de Lourdes, fala sobre seus desejos a curto e longo prazo para a sua Taquaras. \u201cEu queria que n\u00f3s volt\u00e1ssemos a ser felizes de novo. Queria que eles trouxessem recursos para n\u00f3s, uma academia ao ar livre para as mulheres. Um posto de sa\u00fade que n\u00e3o temos na nossa comunidade. Aqui, se adoecer algu\u00e9m, ou socorre com o vizinho mais pr\u00f3ximo ou vai morrer&#8221;, diz.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Moradora de Barra Longa, Simone Silva diz que pouco foi feito nos \u00faltimos anos como medidas de repara\u00e7\u00e3o e acredita que o cen\u00e1rio atual do pa\u00eds contribui para essa situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Sete anos depois, o que mudou? O que aconteceu? Mudou alguma coisa nesse cen\u00e1rio? N\u00e3o. S\u00f3 mudou a maneira, as formas, as viola\u00e7\u00f5es de direitos, as retiradas de direitos&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua vis\u00e3o, tamb\u00e9m falta reconhecimento da pr\u00f3pria sociedade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luta dos atingidos por barragens. &#8220;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">As pessoas n\u00e3o entendem o que \u00e9 milit\u00e2ncia, o que \u00e9 movimento social, pra muita gente \u00e9 s\u00f3 bando de v\u00e2ndalos, essas coisas. Porque o olhar que as pessoas t\u00eam do movimento infelizmente \u00e9 esse, ainda mais nesse per\u00edodo que estamos vivendo do Brasil. Ent\u00e3o o movimento, hoje, \u00e9 mais vandalizado e mal visto&#8221;.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A garimpeira Ivone Pereira tamb\u00e9m fala tamb\u00e9m sobre a retirada de direitos de quem vive em sua comunidade. \u201cEu queria que a Vale tivesse miseric\u00f3rdia de n\u00f3s. O que est\u00e1 faltando agora ela fazer \u2013 porque j\u00e1 tirou nossos direitos todos \u2013 \u00e9 mandar passar um helic\u00f3ptero e jogar uma bomba para acabar conosco de vez.\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a pescadora quilombola Leandra Moreira, as empresas mineradoras deveriam ter mais considera\u00e7\u00e3o pelas pessoas e as comunidades atingidas. Ela sonha com op\u00e7\u00f5es de lazer para sua comunidade, al\u00e9m de um campo de futebol para os meninos, aulas de costura e pintura, cursos de tratorista, de plantio, de horta e &#8220;de fazer doce&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Para fazer justi\u00e7a, eles tem que conhecer onde erraram. Muitas vezes a Vale nem sabe, falam uma coisa pra um, outra coisa pra outro. Pra fazer justi\u00e7a na minha comunidade, eles teriam que vir aqui e ver o que estamos passando. Vir e trazer \u00e1gua para todos, para o gado de todos. Trazer um espa\u00e7o de lazer para a comunidade. J\u00e1 que eles destru\u00edram o rio, poderiam tentar melhorar o conv\u00edvio e o ambiente aqui dentro\u201d, completa Leandra.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar de ainda muito abalada, a vendedora do Shopping da Minhoca, Fernanda Soares, fala sobre a import\u00e2ncia da esperan\u00e7a de um futuro melhor para os atingidos e as atingidas. &#8220;N\u00f3s temos pelo menos a esperan\u00e7a de sonhar que um dia vai ter uma recupera\u00e7\u00e3o [do rio], se n\u00e3o total, porque \u00e9 quase imposs\u00edvel, mas pelo menos um pouco, mas se a gente largar de m\u00e3o, a\u00ed \u00e9 que n\u00e3o teremos nada. [&#8230;] Porque sonhar \u00e9 gratuito\u201d.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MINERA\u00c7\u00c3O Por Jacqueline Melo e Michele Marinho &nbsp; Relatos incluem desde doen\u00e7as de pele, ansiedade e depress\u00e3o at\u00e9 a perda de vontade de viver.\u00a0Quem s\u00e3o as mulheres v\u00edtimas da minera\u00e7\u00e3o,\u00a0e como a atividade alterou seus modos de vida\u00a0e de 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