{"id":1633866,"date":"2022-07-29T20:43:13","date_gmt":"2022-07-29T19:43:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1633866"},"modified":"2022-07-29T20:43:13","modified_gmt":"2022-07-29T19:43:13","slug":"a-nova-onda-progressista-moderada-e-uma-direita-mais-intolerante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/07\/a-nova-onda-progressista-moderada-e-uma-direita-mais-intolerante\/","title":{"rendered":"A nova onda progressista moderada e uma direita mais intolerante"},"content":{"rendered":"<h4 style=\"padding-left: 40px;\"><em>Existe uma crise de governan\u00e7a democr\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina ou \u00e9 um reflexo do que tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo em grande parte do mundo?<\/em><\/h4>\n<p>Entre 1999 e 2005, surgiram governos progressistas na Venezuela, Argentina, Brasil, Uruguai, Equador e Bol\u00edvia, em alguns casos ap\u00f3s ciclos de lutas populares de rua que romperam a governan\u00e7a neoliberal focada na privatiza\u00e7\u00e3o de empresas estatais.<\/p>\n<p>Agora est\u00e1 surgindo uma segunda onda que enfrenta um cen\u00e1rio muito diferente, talvez mais dif\u00edcil, onde n\u00e3o se fala mais em democracia participativa ou no empoderamento dos pobres como sujeitos (e n\u00e3o meros objetos) da pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Existe uma crise de governan\u00e7a democr\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina ou \u00e9 um reflexo do que tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo em grande parte do mundo? A verdade \u00e9 que h\u00e1 um fundo que se move, estimulado pela fome e pelo desemprego, que ficou muito evidente desde as grandes manifesta\u00e7\u00f5es de junho de 2013 no Brasil e as longas dez revoltas, revoltas e protestos que atravessaram a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa ingovernabilidade engloba governos de direita e de esquerda. O problema de alguns progressistas, talvez por influ\u00eancia da social-democracia europeia que financia alguns de seus projetos, \u00e9 que procuram resolv\u00ea-lo virando-se para o centro e tamb\u00e9m para a direita, o que p\u00f5e em d\u00favida qualquer possibilidade de mudan\u00e7a, que parece migrar das festas para a rua, para as desordens sociais que, em geral, s\u00e3o violentamente reprimidas por quem est\u00e1 no poder.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio termo &#8220;progressismo&#8221; n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o un\u00edvoca, aparece como uma leve variante da velha esquerda. Os progressismos, na aus\u00eancia de um nome mais consensual que englobe movimentos pol\u00edticos t\u00e3o diversos quanto o lulismo, o chavismo ou o kirchnerismo, surgiram como rea\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas neoliberais dos anos 1990, que adiavam os gastos sociais, desmantelavam o tecido industrial e privatizavam as empresas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Os &#8220;progressistas&#8221; s\u00e3o um grupo muito heterog\u00eaneo, onde a qualifica\u00e7\u00e3o de &#8220;nacional popular&#8221; \u2013 usada sobretudo na Argentina, Bol\u00edvia e no governo de Pepe Mujica no Uruguai \u2013 n\u00e3o pode ser generalizada, nem a &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cidad\u00e3&#8221; no Equador . com Rafael Correa. Eles se autodenominam \u201cprogressistas\u201d, e que at\u00e9 mant\u00eam uma internacional latino-americana progressista; e defender programas com maior presen\u00e7a estatal e reivindicar justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>Mas s\u00e3o tratadas diferentes concep\u00e7\u00f5es sobre pol\u00edtica, economia e desenvolvimento. As diferen\u00e7as n\u00e3o foram pequenas. Para ilustr\u00e1-las, na Bol\u00edvia e no Equador foram modificados os regimes tribut\u00e1rios sobre os hidrocarbonetos, o que nunca aconteceu no Brasil; na Argentina, os impostos eram aplicados \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os, mas n\u00e3o no Uruguai. E h\u00e1 diferen\u00e7as not\u00e1veis entre os progressismos sucessivos dentro do mesmo agrupamento partid\u00e1rio e no mesmo pa\u00eds, como quando se comparam Alberto Fern\u00e1ndez com N\u00e9stor Kirchner, ou Luis Arce com Evo Morales.<\/p>\n<p>Os governos progressistas devolveram o protagonismo ao Estado e defenderam projetos nacionais \u2013 al\u00e9m da subordina\u00e7\u00e3o imperialista aos EUA \u2013, apostando na integra\u00e7\u00e3o regional com um impulso determinado para o Mercosul, e novas iniciativas como a Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas (Unasul), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e o Banco do Sul.<\/p>\n<p>Houve um esfor\u00e7o concentrado para desfazer as rotinas e legitimidades da estrutura econ\u00f4mica latino-americana, baseada em uma alian\u00e7a multiclasse. Mas, para muitos analistas, o evolucionismo progressista ficou em crise, sem expectativas al\u00e9m das configura\u00e7\u00f5es e promessas dispon\u00edveis ao mercado.<\/p>\n<p>A nova onda na Am\u00e9rica Latina difere substancialmente da anterior. Projeta-se mais moderadamente e parece apostar mais no pragmatismo do que na afinidade ideol\u00f3gica. Prioriza mais o di\u00e1logo com as grandes pot\u00eancias. N\u00e3o s\u00e3o tempos de vacas gordas e em muitos casos n\u00e3o t\u00eam maioria esmagadora nos \u00f3rg\u00e3os legislativos. J\u00e1 n\u00e3o anunciam planos refundacionais, mas reformas sob as regras do chamado &#8220;jogo democr\u00e1tico&#8221;, na armadilha da democracia representativa de que fala Joe Biden.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a das condi\u00e7\u00f5es internacionais em 2015-2016, com a queda do pre\u00e7o das <em>commodities<\/em>, foi a oportunidade de dizer, com o apoio da imprensa hegem\u00f4nica e das redes sociais e a aus\u00eancia fundamental de uma pol\u00edtica de comunica\u00e7\u00e3o, que a esquerda era um fracasso. Foi assim que se deu a restaura\u00e7\u00e3o conservadora, \u00e0s vezes por m\u00e9todos n\u00e3o democr\u00e1ticos como no Brasil e na Bol\u00edvia, com trai\u00e7\u00e3o no Equador e fraude democr\u00e1tica e aplica\u00e7\u00e3o do lawfare para perseguir l\u00edderes progressistas.<\/p>\n<p>Para os governos de direita, a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como um grande mercado. Ou seja, n\u00e3o cabe a eles ter cidad\u00e3os latino-americanos, mas apenas consumidores.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que o exerc\u00edcio do poder se desgasta, especialmente se faltam estruturas organizacionais e program\u00e1ticas, e que muitos dos antigos l\u00edderes ou caudilhos n\u00e3o permitiram a mudan\u00e7a geracional e persistem em linguagens e constru\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ultrapassadas, al\u00e9m de fazendo todo o poss\u00edvel para evitar o di\u00e1logo com seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>A nova onda<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2018, progressistas de diferentes tamanhos chegaram \u00e0 Presid\u00eancia: Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador no M\u00e9xico, Alberto Fern\u00e1ndez na Argentina, Luis Arce na Bol\u00edvia, Pedro Castillo no Peru, Xiomara Castro em Honduras, Gabriel Boric no Chile e Gustavo Petro na Col\u00f4mbia. Nos casos dessas segundas ondas progressivas, os triunfos na Bol\u00edvia e na Argentina s\u00e3o diferentes, depois das experi\u00eancias anteriores de N\u00e9stor e Cristina Kirchner e Evo Morales.<\/p>\n<p>Os obst\u00e1culos enfrentados pelos progressistas n\u00e3o s\u00e3o fruto de uma conjuntura, mas de longos processos incubados nas ditaduras dos anos 70 e 80, revitalizados na democracia sob o modelo extrativista ou acumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o, e parece que vieram para ficar, mesmo com governos progressistas.<\/p>\n<p>Eduardo Gudynas identifica duas tend\u00eancias: uma corresponde \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de Gustavo Petro e ao programa de governo do Pacto Hist\u00f3rico na Col\u00f4mbia e a outra \u00e0s rea\u00e7\u00f5es \u00e0s ideias expressas por Lula da Silva do Brasil, e que fazem parte dos progressismos convencionais que governou na \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Em seu discurso de vit\u00f3ria, Petro prop\u00f4s ao &#8220;progressismo latino-americano&#8221; &#8220;parar de pensar em justi\u00e7a social, redistribui\u00e7\u00e3o de riqueza e um futuro sustent\u00e1vel baseado em petr\u00f3leo, carv\u00e3o e g\u00e1s&#8221;. Sua ideia n\u00e3o era nova, pois alguns meses antes ele convocou seus \u201caliados ideol\u00f3gicos\u201d, incluindo Lula da Silva, a se unirem em uma \u201cgrande coaliz\u00e3o\u201d para deixar para tr\u00e1s a depend\u00eancia do petr\u00f3leo e passar para uma economia descarbonizada.<\/p>\n<p>Gustavo Petro prometeu \u201cdesmantelar pacificamente o narcotr\u00e1fico\u201d, mas n\u00e3o diz como pretende faz\u00ea-lo se os Estados Unidos se opuserem (Deixem-no governar!). Mesmo que Lula ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es de outubro, o bolsonarismo continuar\u00e1 vivo e constituir\u00e1 um grande obst\u00e1culo para seu governo, j\u00e1 que cerca de 25 milh\u00f5es de brasileiros com valores de extrema direita, fan\u00e1ticos estar\u00e3o com Bolsonaro na oposi\u00e7\u00e3o. Para evitar o caos pol\u00edtico, Lula faz alian\u00e7as com o grande capital e a direita disfar\u00e7ada de centro.<\/p>\n<p>Para superar essa realidade herdada (n\u00e3o apenas gerenci\u00e1-la), os governos progressistas devem construir for\u00e7as sociais organizadas e contundentes, capazes de neutralizar as novas for\u00e7as de direita que os desestabilizam e bloqueiam mudan\u00e7as, superando o esbanjamento do entusiasmo popular de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s. o apoio \u00e9 interpretado por alguns mais como uma rejei\u00e7\u00e3o da extrema direita do que um endosso de seus programas.<\/p>\n<p>A convers\u00e3o do progressismo em conservadorismo est\u00e1 arrastando para baixo grande parte dos movimentos sociais, principalmente os mais vis\u00edveis e institucionalizados. O mais grave \u00e9 que ter\u00e1 consequ\u00eancias desastrosas sobre o esp\u00edrito coletivo emancipat\u00f3rio, isolando os setores mais consistentes e firmes que, na Am\u00e9rica Latina, s\u00e3o os mais punidos pelo modelo extrativista, como os ind\u00edgenas e negros, os camponeses e os pobres, da cidade e do campo, diz Ra\u00fal Zibechi.<\/p>\n<p>Em muitas an\u00e1lises superficiais, eles deixam de considerar que algumas vit\u00f3rias eleitorais progressistas s\u00e3o presidenciais, mas as maiorias parlamentares n\u00e3o s\u00e3o alcan\u00e7adas, em sociedades profundamente divididas, onde a direita se fortaleceu a ponto de poder vetar mudan\u00e7as no Congresso. Outra realidade \u00e9 que muitos dos que se descrevem como progressistas carecem de propostas (ou coragem) adequadas para mudar a realidade de seus pa\u00edses, modificando as regras do jogo.<\/p>\n<p>Mas os novos governos progressistas \u2013 ao contr\u00e1rio dos de quinze anos atr\u00e1s \u2013 devem conviver com as novas realidades e limita\u00e7\u00f5es da crise global e da globaliza\u00e7\u00e3o, bem como com a atual crise de civiliza\u00e7\u00e3o, o crescente confronto entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia com a R\u00fassia e China, situa\u00e7\u00f5es em que governos progressistas n\u00e3o parecem confort\u00e1veis.<\/p>\n<p>O ex-presidente equatoriano Rafael Correa destaca que o progressismo \u201cagora \u00e9 uma esquerda mais leve, que fala com menos clareza. O confronto est\u00e1 sendo evitado e para remediar realidades t\u00e3o injustas como a da Am\u00e9rica Latina, \u00e9 preciso enfrentar a democracia do consenso, lutar contra essa exclus\u00e3o sistem\u00e1tica de grupos como os povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica Latina. Eu me pergunto se Lincoln poderia ter libertado os escravos sem confrontar os traficantes. Voc\u00ea tem que enfrent\u00e1-los.&#8221;<\/p>\n<p>Ele acrescenta que essa realidade \u00e9 a Am\u00e9rica Latina, onde h\u00e1 explorados, h\u00e1 exploradores, e para mudar essa explora\u00e7\u00e3o temos que enfrentar. \u201cOs sistemas falharam, apenas excluem. S\u00e3o sistemas perversos, tremendamente injustos e antidemocr\u00e1ticos que beneficiaram apenas alguns. E eles t\u00eam que enfrentar para mudar isso. N\u00e3o ou\u00e7o isso, vejo uma esquerda muito mais leve. Sinceramente, acho que \u00e9 um erro.&#8221;<\/p>\n<p>E nisso de evitar o confronto, o Vaticano tamb\u00e9m participa. Em outubro de 2014, realizou-se em Roma o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, convocado pelo Papa Francisco, que n\u00e3o se limitou a criticar a economia, mas exortou-os a contentar-se \u201ccom promessas ilus\u00f3rias, desculpas ou \u00e1libis. Tampouco esperam de bra\u00e7os cruzados ajuda de ONGs, planos assistenciais ou solu\u00e7\u00f5es que nunca chegam.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea nunca sai de uma crise igual, voc\u00ea n\u00e3o sai sozinho, voc\u00ea sai arriscando e pegando a m\u00e3o do outro. Ou sa\u00edmos todos ou nenhum de n\u00f3s sai&#8221;, disse Francisco, que interveio numa reaproxima\u00e7\u00e3o &#8220;cat\u00f3lica&#8221; entre o presidente norte-americano Joe Biden, o economista Joseph Stiglitz e o ministro argentino da Economia, Mar\u00edn Guzm\u00e1n, onde o vencedor foi o Internacional Fundo Monet\u00e1rio.<\/p>\n<p>A realidade que a segunda onda do progressismo enfrenta um direito mais preparado. H\u00e1 cinco d\u00e9cadas eles n\u00e3o tinham discurso nem articula\u00e7\u00e3o, estavam atordoados, mas isso acabou em 2014, quando passaram a ter articula\u00e7\u00e3o nacional e internacional, recursos infinitos, articula\u00e7\u00e3o com grupos de extrema direita nos Estados Unidos e na Europa.<\/p>\n<p>Correa destaca que o pr\u00f3ximo passo, caso Lula fosse eleito no Brasil, seria formar um bloco para criar uma uni\u00e3o monet\u00e1ria. Acrescenta que a pol\u00edtica latino-americana \u00e9 visceral, n\u00e3o cerebral, o que \u00e9 muito grave: \u201cO desenvolvimento \u00e9 um processo pol\u00edtico; a pol\u00edtica \u00e9 indispens\u00e1vel para o desenvolvimento. A principal causa do nosso subdesenvolvimento \u00e9 a m\u00e1 pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Medo do que os EUA v\u00e3o dizer<\/strong><\/p>\n<p>O que se destaca s\u00e3o sobretudo as atitudes duvidosas e temerosas de provocar atritos com o governo dos Estados Unidos: o progressismo atual est\u00e1 preso por contradi\u00e7\u00f5es que aparentemente os paralisam, diz Ra\u00fal Zibechi. Os governos da regi\u00e3o precisam negociar com a China, j\u00e1 que geralmente \u00e9 seu principal parceiro comercial, mas continuam a olhar para os Estados Unidos como uma refer\u00eancia com a qual, com exce\u00e7\u00e3o da Venezuela, Nicar\u00e1gua e Bol\u00edvia, n\u00e3o querem tem problemas.<\/p>\n<p>Por um lado, o bloqueio de Washington contra Caracas, que tem enormes consequ\u00eancias econ\u00f4micas, pode estar funcionando como um fator disciplinador para o progressismo. Por outro lado, as equipes de governo progressistas parecem estar desorientadas diante da gravidade da crise global, que n\u00e3o souberam antecipar e n\u00e3o encontraram uma forma de se posicionar como na\u00e7\u00f5es, acrescenta o analista uruguaio.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia, o papel da China e dos Estados Unidos, a crise energ\u00e9tica e alimentar global e suas consequ\u00eancias t\u00eam diferentes interpreta\u00e7\u00f5es no progressismo. A presidenta de Honduras, Xiomara Castro, reverteu o estabelecimento de rela\u00e7\u00f5es com a China, para mant\u00ea-las com Taiwan, como exigem os Estados Unidos.<\/p>\n<p>O mexicano Andr\u00e9s Manuel L\u00f3pez Obrador fala sobre a integra\u00e7\u00e3o americana (n\u00e3o a Am\u00e9rica Latina e o Caribe), o chileno Gabriel Boric critica frontalmente a Venezuela e a Nicar\u00e1gua, enquanto o presidente eleito colombiano Gustavo Petro promove o restabelecimento das rela\u00e7\u00f5es com Caracas, mas n\u00e3o acha &#8220;prudente&#8221; que Nicol\u00e1s Maduro compare\u00e7a \u00e0 sua posse em 7 de agosto.<\/p>\n<p>Correa insiste que \u00e9 preciso mudar a rela\u00e7\u00e3o de poder e lembra que a pandemia de Covid-19 deu certo com a necessidade do Estado, da a\u00e7\u00e3o coletiva, de garantir direitos, para coisas que n\u00e3o s\u00e3o mercadorias como a sa\u00fade, a necessidade de coordenar esfor\u00e7os para realizar pesquisas.<\/p>\n<p>\u201cA Am\u00e9rica Latina teve que se ajoelhar implorando por vacinas. Somos 600 milh\u00f5es, somos 9% da popula\u00e7\u00e3o mundial e temos que implorar por vacinas porque n\u00e3o somos capazes de produzir tecnologia que salva vidas para nosso povo. Se a crise nos mostrou alguma coisa, \u00e9 que devemos marchar com os pr\u00f3prios p\u00e9s\u201d, aponta.<\/p>\n<p><strong>A nova direita, a militariza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma limita\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o afetou a primeira onda progressista, \u00e9 a crescente militariza\u00e7\u00e3o de nossas sociedades, que se intensificou desde a crise capitalista de 2008. Sendo a Am\u00e9rica Latina o continente mais desigual do mundo, a interven\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas e policiais no controle populacional procura congelar esta situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No Chile, Gabriel Boric fez campanha, prometendo a desmilitariza\u00e7\u00e3o de Wall Mapu, mas voltou a declarar estado de emerg\u00eancia na regi\u00e3o, enviando mais militares uniformizados e blindados do que o neoliberal Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era. A militariza\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio mapuche \u00e9 uma quest\u00e3o estrutural, que atravessa governos de todas as cores, assim como a ditadura ou a democracia.<\/p>\n<p>Um aspecto central da militariza\u00e7\u00e3o \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de grupos ilegais formados por ex-militares e policiais, dedicados a controlar a popula\u00e7\u00e3o e fazer neg\u00f3cios com suas necessidades b\u00e1sicas, como transporte, acesso a g\u00e1s e internet.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 se formando uma nova direita que n\u00e3o tem escr\u00fapulos em se mostrar racista e antifeminista. Por muito tempo a esquerda, os sindicatos e os movimentos populares tiveram o monop\u00f3lio das ruas e pra\u00e7as, mas desde a crise de 2008 a direita passou a ocup\u00e1-las quase permanentemente.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o aconteceu apenas no Brasil, mas tamb\u00e9m na Argentina, Chile, Peru e Equador. Essa presen\u00e7a n\u00e3o apenas limita as for\u00e7as progressistas e de esquerda, mas muitas vezes as confunde e desmobiliza. Essa nova direita reage ao protagonismo das mulheres, grupos LGTBQ, ind\u00edgenas e negros, que considera como amea\u00e7as ao lugar de privil\u00e9gio ocupado pelas minorias brancas da classe m\u00e9dia urbana.<\/p>\n<p>A m\u00eddia hegem\u00f4nica e as plataformas digitais criam uma necessidade psicol\u00f3gica e os pol\u00edticos de extrema direita ou libert\u00e1rios da nega\u00e7\u00e3o, vendem drogas aos consumidores com todos os ingredientes reacion\u00e1rios como seguran\u00e7a, imediatismo, vitimiza\u00e7\u00e3o. Algumas alucina\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o antigas quanto a Teoria do genoc\u00eddio branco, inventada no s\u00e9culo 19, quando os negros se tornaram cidad\u00e3os, quase seres humanos, diz Jorge Majfud.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica de nega\u00e7\u00e3o aprofunda e limita a discuss\u00e3o de pol\u00edticas identit\u00e1rias (como a nega\u00e7\u00e3o do racismo; a nega\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de gays e l\u00e9sbicas) ao silenciar matrizes como a exist\u00eancia de uma luta de classes e qualquer forma de autoimperialismo. Se isso n\u00e3o for falado, isso n\u00e3o existe. Esse \u00e9 o trabalho da m\u00eddia nas m\u00e3os das grandes empresas, disseminadoras do credo de extrema-direita.<\/p>\n<p>Majfud indica que essa direita estagnada, rejuvenescida pela for\u00e7a da cirurgia, \u00e9 t\u00e3o libert\u00e1ria que s\u00f3 pro\u00edbe algo quando os de baixo amea\u00e7am obter ou preservar algum direito. Sempre em nome da Lei e da Ordem. Como disse Anatole France, &#8220;a Lei, em sua magn\u00edfica equanimidade, pro\u00edbe tanto os ricos como os pobres de dormir debaixo das pontes, de mendigar nas ruas e de roubar o p\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Para Zibechi, Col\u00f4mbia e Brasil t\u00eam sido os pa\u00edses onde tem tido mais sucesso. Na Col\u00f4mbia, resultou na vit\u00f3ria do N\u00e3o no plebiscito que aprovaria os acordos de paz entre o governo e as FARC, em outubro de 2016. No Brasil, ficou vis\u00edvel no apoio maci\u00e7o a Jair Bolsonaro, em uma sociedade com raiva e desorienta\u00e7\u00e3o que permitiu a um personagem sem escr\u00fapulos subir \u00e0 Presid\u00eancia&#8230; e amea\u00e7a repetir.<\/p>\n<p>Esses novos direitos forjaram uma alian\u00e7a com as igrejas evang\u00e9licas, com forte presen\u00e7a nos bairros populares, mas tamb\u00e9m com os militares, policiais e grupos paramilitares que compartilham sua rejei\u00e7\u00e3o visceral \u00e0 esquerda e \u00e0 agenda dos direitos, \u00e0 qual deve ser adicionado o papel do narcotr\u00e1fico, e outros neg\u00f3cios ilegais, na configura\u00e7\u00e3o de for\u00e7as pol\u00edticas com apoio social que desdenham os valores democr\u00e1ticos alardeados.<\/p>\n<p>O que resta hoje? \u00c9 in\u00fatil assumir o governo se n\u00e3o houver um plano de governo vi\u00e1vel. E menos ainda, sem saber o que fazer com o governo, por excesso de entusiasmo ou caciquismo e falta de ideias e programas. A travessia de alguns progressistas para o conservadorismo arrasta boa parte dos movimentos sociais, j\u00e1 penetrados por seus patrocinadores, as ONGs europeias e americanas, cujos slogans repetem, esquecendo suas pr\u00f3prias lutas e reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Verbena C\u00f3rdula<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma crise de governan\u00e7a democr\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina ou \u00e9 um reflexo do que tamb\u00e9m est\u00e1 acontecendo em grande parte do mundo? 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