{"id":1576717,"date":"2022-05-03T05:12:26","date_gmt":"2022-05-03T04:12:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1576717"},"modified":"2022-05-03T02:14:47","modified_gmt":"2022-05-03T01:14:47","slug":"a-atualidade-do-pensamento-e-da-obra-de-milton-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/05\/a-atualidade-do-pensamento-e-da-obra-de-milton-santos\/","title":{"rendered":"A atualidade do pensamento e da obra de Milton Santos"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 40px;\">Nesta ter\u00e7a-feira, 3 de maio, Milton Santos completaria 96 anos de idade. O pensamento desse intelectual negro brasileiro, nascido na Bahia, \u00e9 mais necess\u00e1rio do que nunca, dado o avan\u00e7o do neoliberalismo em n\u00edvel global, que tem devastado quase tudo o que encontra pela frente. Apesar de ter forma\u00e7\u00e3o em Letras e em Direito, Santos era apaixonado pela Geografia e, para ele, esta ci\u00eancia somente poderia ser compreendida a partir de um panorama econ\u00f4mico, pol\u00edtico e social. Em sua vis\u00e3o, o dinheiro e as coisas n\u00e3o deveriam suplantar o valor do ser humano.<\/p>\n<p>Milton Santos nasceu em Brotas de Maca\u00fabas, uma cidade baiana localizada na Chapada Diamantina, a cerca de 600 km da capital Salvador, onde atualmente vivem pouco mais de 10 mil habitantes (conforme o IBGE). Ele era filho de docentes, de quem, provavelmente, herdou essa voca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Santos foi professor no Gin\u00e1sio Municipal de Ilh\u00e9us, no Sul da Bahia. Lecionou tamb\u00e9m na Faculdade Cat\u00f3lica de Filosofia, na capital baiana. Durante sua vida passou por diversas instiui\u00e7\u00f5es unversit\u00e1rias, a exemplo da Columbia University de Nova York, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Foi tamb\u00e9m Doutor <em>Honoris Causa<\/em> por vinte institui\u00e7\u00f5es, a exemplo da Universidad de Buenos Aires (UBA), Universidad Complutense de Madrid (UCM), Universidade Federal de Sergipe (UFS) e Universidade Federal da Bahia (UFBA).<\/p>\n<p>Embora bacharel em Ci\u00eancias e Letras, e tamb\u00e9m em Direito, Milton Santos \u00e9 conhecido por seus estudos em Geografia, \u00e1rea na qual doutorou-se pela Universit\u00e9 de Strasbourg, na Fran\u00e7a, em 1958. Segundo sua concep\u00e7\u00e3o, a Geografia deve dialogar com todos os ramos do saber que contribuam \u00e0 compreens\u00e3o geogr\u00e1fica dos fatos. Em sua obra, Milton Santos prop\u00f5e analisar o espa\u00e7o considerando toda a sua din\u00e2mica, pois, para ele, o espa\u00e7o geogr\u00e1fico \u00e9 elemento determinante no contexto social.<\/p>\n<p>Intelectual progressista, pr\u00f3ximo a setores de esquerda, mas que, sobretudo, era um livre pensador, convencido de que a realidade social pode ser transformada a partir da a\u00e7\u00e3o das pessoas sobre o espa\u00e7o, Santos foi mais um dos tantos alvos da intoler\u00e2ncia e da trucul\u00eancia do regime ditatorial implementado no Brasil em 1964, que n\u00e3o admitia \u201cpessoas com ideias\u201d. Em consequ\u00eancia dessa persegui\u00e7\u00e3o passou 13 anos no ex\u00edlio, havendo vivido em v\u00e1rios pa\u00edses, entre eles, Canad\u00e1, Tanz\u00e2nia, Fran\u00e7a e Venezuela.<\/p>\n<p>Em 1994 Milton Santos recebeu o pr\u00eamio Vautrin Lud, concedido anualmente, desde 1991, e outorgado no Festival Internacional de Geografia, na cidade de Saint-Di\u00e9-des-Vosges, Fran\u00e7a. At\u00e9 hoje \u00e9 o \u00fanico latino-americano a conquistar essa distin\u00e7\u00e3o, considerada uma esp\u00e9cie de pr\u00eamo Nobel da Geografia. Autor de mais de 40 livros, Santos foi um cr\u00edtico voraz do capitalismo, e da globaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>\u201cTirania do dinheiro e da informa\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Das diversas obras desse te\u00f3rico mundialmente conhecido, uma que considero imprescind\u00edvel para compreendermos o mundo no qual vivemos \u00e9 <em>Por uma outra globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 do pensamento \u00fanico \u00e0 consci\u00eancia universal<\/em>. Nela, Santos apresenta uma reflex\u00e3o acerca das sociedades globalizadas e ressalta como essa forma de organiza\u00e7\u00e3o se materializa na produ\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, depredadora e, por sua vez, na escassez de bens b\u00e1sicos para uma parcela consider\u00e1vel das pessoas em todo o mundo.<\/p>\n<p>Nessa obra, Milton Santos critica, entre outras quest\u00f5es, o fato de o capitalismo nessa fase globalizante nos levar a um processo desenfreado de competitividade destrutiva, assim como \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novos totalitarismos. De acordo com ele, esse modelo de sociabilidade proposto pela globaliza\u00e7\u00e3o atual tem criado sucessivas crises <em>\u2013 <\/em>agora estamos viveciando mais uma de muitas <em>\u2013<\/em>, as quais se apresentam tanto em formato global como tamb\u00e9m em particulariza\u00e7\u00f5es. E, segundo ele, por serem estruturais, essas crises somente poder\u00e3o ser solucionadas atrav\u00e9s de medidas igualmente estruturais.<\/p>\n<p>Conforme o ge\u00f3grafo, a globaliza\u00e7\u00e3o na sua estrutura atual nos fez passar de um \u201cuso imperialista\u201d dos sistemas t\u00e9cnicos hegem\u00f4nicos (segundo os continentes e lugares), \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o destes em todos os pa\u00edses, gra\u00e7as ao papel unificante desempenhado pelas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o. Ele ressalta que, por for\u00e7a desse modelo, o manuseio das t\u00e9cnicas escapa do dom\u00ednio da pol\u00edtica e torna-se subserviente ao mercado.<\/p>\n<p>Nessa obra o ge\u00f3grafo afirma que, apesar de vivermos crises econ\u00f4mica, social, pol\u00edtica e moral, a \u00fanica que os poderosos desejam eliminar \u00e9 a crise financeira, cuja solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 diretamente relacionada aos interesses dos setores hegem\u00f4nicos. Ele ressalta a \u201ctirania do dinheiro\u201d como um dos pilares fundamentais dessa sociabilidade globalizada. De fato, quando observamos, grupos financeiros como JP Morgan, City Group, Goldman Sacs Group, Santander, Bilbao Viscaya <em>\u2013<\/em> ou Ita\u00fa\/Unibanco para citar um exemplo nacional <em>\u2013<\/em>, nos damos conta de que Santos estava absolutamente correto nesta afirma\u00e7\u00e3o. A crise financeira ocorrida h\u00e1 14 anos, e a pandemia da Covid-19 ainda em curso mostram que, enquanto milh\u00f5es de trabalhadoras e trabalhadores em todo o mundo ficaram sem emprego e\/ou sem moradia, os bancos foram resgatados pelos governos dos seus respectivos pa\u00edses.<\/p>\n<p>A inje\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es e milh\u00f5es de euros pelo Banco de Espanha (o equivalente ao nosso Banco Central) para salvar as entidades financeiras na crise de 2008 foi um exemplo. Dez anos depois, o mesmo banco afirmou s\u00f3 haver recuperado 10% desse total. Nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, em 2020 o Banco Central do Brasil disponibilizou 1,2 trilh\u00e3o de reais para combater os efeitos negativos da pandemia de Covid-19 sobre o sistema financeiro. Criou tamb\u00e9m o Fundo Garantidor de Opera\u00e7\u00f5es (FGO), para injetar recursos p\u00fablicos e garantir riscos referentes \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito dos bancos. Tudo isso para salvar o banqueiros, enquanto o desemprego, o subemprego e a pauperiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora s\u00f3 se acentuam.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m da \u201ctirania do dinheiro\u201d, Milton Santos tamb\u00e9m se refere \u00e0 \u201ctirania da informa\u00e7\u00e3o\u201d, que, segundo ele, juntamente com a primeira constitui o suporte fundamental do capitalismo globalizado. Para Santos, as informa\u00e7\u00f5es conhecidas majoritariamente pela humanidade est\u00e3o manipuladas e, em lugar de explicar, confundem; o que, conforme ressalta, \u00e9 extremamente prejudicial, j\u00e1 que informa\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental. \u201cFalsificam-se os eventos, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 propriamente o fato o que a m\u00eddia nos d\u00e1, mas uma interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, critica.<\/p>\n<h3><strong>Supera\u00e7\u00e3o desse modelo<\/strong><\/h3>\n<p>Nunca, como hoje, essa \u201ctirania da informa\u00e7\u00e3o\u201d esteve t\u00e3o vigente, e eficaz. Nesta dita \u201csociedade da informa\u00e7\u00e3o\u201d<em>, <\/em>apesar do desenvolvimento desenfreado das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o, assim como do \u201cbombardeio\u201d de comunica\u00e7\u00e3o ao qual estamos expostas e expostos, as informa\u00e7\u00f5es realmente \u00fateis n\u00e3o alcan\u00e7am a todas as pessoas, dada a concentra\u00e7\u00e3o cada vez mais escandalosa da propriedade dos meios de difus\u00e3o. E\u00a0 isso, como sabemos, favorece o controle do fluxo informacional, e, sobretudo, do tipo de conte\u00fado que circula majoritariamente. Isso vemos diariamente no mundo e no Brasil.<\/p>\n<p>Aqui em nosso pa\u00eds, por exemplo, na ocasi\u00e3o em que se colocava em pauta a Reforma Trabalhista, quase nunca eram expostas opini\u00f5es que se opunham a essa iniciativa. Elas eram ofuscadas, invisibilizadas, ou mesmo exclu\u00eddas. Houve um \u201cbombardeio informativo\u201d com discursos favor\u00e1veis \u00e0 reforma, sobretudo atrav\u00e9s dos\/das \u201cespecialistas\u201d que n\u00e3o se cansavam de repetir \u201cos benef\u00edcios\u201d daquela iniciativa. As opini\u00f5es contr\u00e1rias n\u00e3o apareciam nesses \u201cdebates\u201d, a ponto de muitas\/muitos trabalhadoras\/trabalhadores terem apoiado a redu\u00e7\u00e3o de seus direitos arduamente conquistados. Hoje, por\u00e9m, vemos como a classe trabalhadora se v\u00ea profundamente prejudicada com os efeitos dessa que foi uma das maiores usurpa\u00e7\u00f5es de direito dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Mas nem tudo \u00e9 negativo na obra <em>Por uma outra globaliza\u00e7\u00e3o \u2013 do pensamento \u00fanico \u00e0 consci\u00eancia universal. <\/em>Nela, Milton Santos ressalta a possibilidade de revers\u00e3o dessa engrenagem, classificada por ele como \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o perversa\u201d, apresentada a n\u00f3s como \u201cf\u00e1bula\u201d. Ele afirma que esse modelo pode ser superado e ressalta um conjunto de fatores que podem levar a essa supera\u00e7\u00e3o, a exemplo das rela\u00e7\u00f5es inst\u00e1veis de trabalho, do crescente desemprego e da queda do sal\u00e1rio m\u00e9dio, que contrastam com a amplia\u00e7\u00e3o dos bens e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Apesar de haver sido publicado h\u00e1 22 anos, esse livro de Milton Santos parece estar descrevendo os nossos dias atuais. Basta vermos a deterioriza\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, inclusive das classes m\u00e9dias; os \u00edndices de desemprego; a informaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e a chamada \u201cuberiza\u00e7\u00e3o\u201d. Todos esses fatores nos t\u00eam levado a exatamente esse cen\u00e1rio descrito pelo ge\u00f3grafo, j\u00e1 que, enquanto tudo isso acontece, n\u00e3o paramos de ver como\u00a0 est\u00e3o sendo ampliadas as ofertas de produtos e servi\u00e7os pelo mercado. A cada dia a maioria da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora v\u00ea sua condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia se deteriorar, sua capacidade de consumir bens (inclusive essenciais) cada vez menor.<\/p>\n<p>Quando acompanhamos os balan\u00e7os apresentados, vemos nitidamente esse cen\u00e1rio: o empobrecimento ainda maior dos setores mais pobres das sociedades e, pelo contr\u00e1rio, o aumento da riqueza dos mais endinheirados, que formam \u201cum punhado de gente\u201d. Por exemplo, estudo da Oxfam, divulgado no in\u00edcio deste ano de 2022, mostra que a pandemia da Covid-19 adicionou aos bilion\u00e1rios mais 5 trilh\u00f5es de d\u00f3lares \u00e0s suas fortunas, enquanto empurrou milh\u00f5es de pessoa \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de pobreza.<\/p>\n<p>De acordo com Milton Santos, nesse livro, o empobrecimento torna o acesso a bens e servi\u00e7os quase imposs\u00edvel, e, inclusive, o pr\u00f3prio consumo corriqueiro vai se tornando inacess\u00edvel a uma importante fra\u00e7\u00e3o da sociedade, o que se configura em uma contradi\u00e7\u00e3o entre aquilo que a publicidade mostra e o que a vida real oferece.<\/p>\n<h3><strong>\u201cRebeldia\u201d para uma \u201csolidariedade org\u00e2nica\u201d<\/strong><\/h3>\n<p>Entretanto, todo esse cen\u00e1rio de incertezas e instabilidades \u00e9, na vis\u00e3o de Milton Santos, favor\u00e1vel a outras constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas. Conforme o te\u00f3rico, podemos delinear outros futuros, com arranjos e resultados diferentes, atrav\u00e9s de articula\u00e7\u00f5es capazes de superar esses obst\u00e1culos, \u201cpermitindo contrariar a for\u00e7a das estruturas dominantes\u201d. Isto porque, segundo ele, essas crises pelas quais passamos \u2013 n\u00e3o somente no Brasil, mas em diferentes pa\u00edses e continentes \u2013 denotam n\u00e3o apenas a crueldade da globaliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m sua fraqueza.<\/p>\n<p>Milton Santos defende a constru\u00e7\u00e3o de um modelo (pol\u00edtico, econ\u00f4mico e social) diferente, pautado na solidariedade, no qual a humanidade possa reconhecer-se como um todo, numa combina\u00e7\u00e3o entre t\u00e9cnica e pol\u00edtica que nos fa\u00e7a superar a supervaloriza\u00e7\u00e3o do dinheiro e das coisas. Ele diz que a desilus\u00e3o produzida pelas demandas n\u00e3o satisfeitas pode nos levar a outros caminhos.<\/p>\n<p>Segundo ele, essas dificuldades pelas quais passa a maior parte da popula\u00e7\u00e3o qui\u00e7\u00e1 funcione como despertadoras para uma rea\u00e7\u00e3o. Ressalta que, em um primeiro, devido \u00e0 falta de uma vis\u00e3o mais ampla da situa\u00e7\u00e3o geral, provocada principalmente pelo ofuscamento causado pela publicidade\/propaganda, que faz escapar aos pobres o entendimento sist\u00eamico do mundo, nos cheguem apenas fragmentos deste mundo que funcionem como \u201cuma semente\u201d plantada para o passo seguinte, que seria o florescimento da inconformidade.\u00a0 E, \u201ctalvez, da rebeldia\u201d.<\/p>\n<p>As in\u00fameras iniciativas coletivas de combate \u00e0 pobreza, atrav\u00e9s da promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento local, com base na economia solid\u00e1ria (cooperativas, sistemas locais de trocas, banco solid\u00e1rio, entre outras) s\u00e3o exemplos dessa \u201crebeldia\u201d que, na medida em que possam ser ampliadas \u2013\u00a0 e isso se consegue com conscientiza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o \u2013 , podem ser o come\u00e7o do processo de revers\u00e3o desse individualismo cruel e devastador que impera.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Santos \u2013 com a qual compartilho \u2013, podemos redirecionar nossas a\u00e7\u00f5es \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais humanizado. \u201cBasta que complementem as duas grandes muta\u00e7\u00f5es em gesta\u00e7\u00f5es: a muta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e a muta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica da esp\u00e9cie humana\u201d, ressalta o ge\u00f3grafo. Ele nos fala da possibilidade de transformarmos a nossa exist\u00eancia em algo mais significativo. Santos nos prop\u00f5e uma reinven\u00e7\u00e3o do mundo, a partir da qual possamos construir uma \u201csolidariedade org\u00e2nica\u201d, constitu\u00edda por rela\u00e7\u00f5es horizontais, rec\u00edprocas, baseadas em a\u00e7\u00f5es exercidas em um territ\u00f3rio comum, indissoci\u00e1vel, cont\u00ednuo, a partir de valores que viabilizem a exist\u00eancia coletiva de forma integrada.<\/p>\n<p>Por essas e outras quest\u00f5es considero imprescind\u00edveis aos dias atuais as reflex\u00f5es contidas nesse livro, dado que partem da an\u00e1lise das estruturas que constituem o mundo no qual vivemos, forjadas a partir de fundamentos que t\u00eam transformado o Planeta cada vez mais in\u00f3spito para a maioria de n\u00f3s e de outros seres vivos. Por isso, conhecer, compreender e, sobretudo, colocar em pr\u00e1tica a \u201crebeldia\u201d sobre a qual nos fala Milton Santos nos ajudaria no processo \u00e1rduo e demorado de transforma\u00e7\u00f5es que devemos implementar, sob pena de sacrificarmos a nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia como esp\u00e9cie.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta ter\u00e7a-feira, 3 de maio, Milton Santos completaria 96 anos de idade. 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