{"id":1560559,"date":"2022-04-07T21:51:21","date_gmt":"2022-04-07T20:51:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1560559"},"modified":"2022-04-07T21:51:21","modified_gmt":"2022-04-07T20:51:21","slug":"de-donbass-contra-a-guerra-sim-mas-de-que-tipo-de-paz-estamos-falando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/04\/de-donbass-contra-a-guerra-sim-mas-de-que-tipo-de-paz-estamos-falando\/","title":{"rendered":"De Donbass, contra a guerra, sim. Mas, de que tipo de paz estamos falando?"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 40px;\">Oleg Yasinsky \u00e9 um jornalista que atualmente encontra-se em Donbass. Atrav\u00e9s de seu testemunho comovente, Oleg nos chama a aten\u00e7\u00e3o para as informa\u00e7\u00f5es enganosas divulgadas pela m\u00eddia ocidental. Ele nos convida a desconfiar enfaticamente de uma suposta &#8220;paz&#8221;, que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Oleg coloca a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica atual no centro dos verdadeiros desafios humanos, econ\u00f4micos e culturais.<\/p>\n<p>Um viajante que atravessar a vastid\u00e3o das estepes do sudeste europeu, que um dia j\u00e1 pertenceram \u00e0 extinta Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS), n\u00e3o diferenciaria a parte russa da parte ucraniana, seja pela paisagem natural, seja pela paisagem humana. O nome dessas terras, Donbass, \u00e9 uma abrevia\u00e7\u00e3o de &#8220;Bacia de Donets&#8221;, em fun\u00e7\u00e3o do rio que corta a regi\u00e3o, que \u00e9 um territ\u00f3rio de minera\u00e7\u00e3o, tem uma zona industrial, dep\u00f3sitos de carv\u00e3o de enormes propor\u00e7\u00f5es e um centro hist\u00f3rico da ind\u00fastria metal\u00fargica. Isso nos tempos em que a Ucr\u00e2nia sovi\u00e9tica era o principal produtor de a\u00e7o da Europa.<\/p>\n<p>Se nos aprofundarmos no curso da hist\u00f3ria, observaremos nessas terras as marcas deixadas pela cavalaria que lutou na guerra civil travada entre os ex\u00e9rcitos Branco e Vermelho, h\u00e1 pouco mais de um s\u00e9culo. Voltando um pouco mais no tempo, poderemos at\u00e9 ouvir os gritos e os c\u00e2nticos dos cossacos que, cumprindo a vontade da czarina Catarina, a Grande, em troca de sua promessa de liberdade e autonomia, deixaram a rep\u00fablica rebelde de Zaporozhskaya Sech (atualmente a Ucr\u00e2nia) para o norte do C\u00e1ucaso, para se encarregar da defesa da fronteira sul do imp\u00e9rio russo. Foi justo nessa regi\u00e3o que houve a divis\u00e3o geogr\u00e1fica no interior da cultura cossaca, o que representa mais um exemplo da enorme proximidade entre esses dois povos vizinhos. Embora os do lado ucraniano e os do lado russo sejam chamados de &#8220;cossacos&#8221;, cada um a seu jeito, eles s\u00e3o unidos pelas mesmas palavras, as mesmas can\u00e7\u00f5es e pelas mesmas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>O passado mais recente de Donbass, o da Segunda Guerra Mundial, que para n\u00f3s ser\u00e1 sempre a Grande Guerra da P\u00e1tria, est\u00e1 associado \u00e0 hist\u00f3ria da &#8220;Jovem Guarda&#8221;, uma organiza\u00e7\u00e3o juvenil comunista clandestina que resistiu \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o nazista e, no final da guerra, foi denunciada, seus membros presos e, ap\u00f3s torturas brutais, fuzilados.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma terra infinita, pac\u00edfica, de m\u00faltiplas cores e temperaturas, aberta aos ventos, que parece exercer uma atra\u00e7\u00e3o pelas suas riquezas e pela sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, e que \u00e9 atraente para todos.<\/p>\n<p>Hoje em dia, a palavra Donbass \u00e9 repetida na m\u00eddia, s\u00f3 que, dessa vez, como o nome do epicentro de uma guerra no cora\u00e7\u00e3o da Europa. A parte principal da Bacia de Donets j\u00e1 foi parte do territ\u00f3rio da Ucr\u00e2nia. No entanto, quase toda sua popula\u00e7\u00e3o vem de fam\u00edlias russas ou da \u00e1rea onde os ucranianos sempre falaram russo e culturalmente t\u00eam pouco a ver com as regi\u00f5es ocidentais do pa\u00eds. Quando a Ucr\u00e2nia era um pa\u00eds bil\u00edngue e pac\u00edfico, quando era uma das rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas e at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas de sua independ\u00eancia, ningu\u00e9m aqui se preocupava em analisar os mapas e rever fronteiras hist\u00f3ricas. Em meio \u00e0 enorme diversidade cultural, lingu\u00edstica e religiosa que reinava no interior das ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, todos entendemos que havia muito mais la\u00e7os que nos uniam e que n\u00e3o havia povos mais pr\u00f3ximos no mundo do que o russo e o ucraniano, que v\u00e1rios consideravam partes insepar\u00e1veis de um mesmo povo. A regi\u00e3o de Donbass era a \u00faltima fronteira e o ponto de conflu\u00eancia entre as duas partes.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1556099 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_15.jpeg\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_15.jpeg 1440w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_15-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_15-768x1024.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\" \/><\/p>\n<p>Tudo mudou em fevereiro de 2014. O golpe de Estado na capital ucraniana, Kiev, divulgado mundialmente como a &#8220;Revolu\u00e7\u00e3o de Maidan\u201d (tamb\u00e9m conhecida como \u201cEuromaidan\u201d, a \u201cRevolu\u00e7\u00e3o da Dignidade\u201d ou a \u201cPrimavera Ucraniana\u201d), conduziu as for\u00e7as da extrema direita nacionalista ao poder. O projeto das novas autoridades era impor sua agenda \u00fanica antirrussa, pr\u00f3\u2011ocidental e extremamente anticomunista a todos e a todo custo, de modo que qualquer um que discordasse era declarado traidor, separatista ou agente a servi\u00e7o de Putin. Diante da desobedi\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o de Donbass \u00e0s ordens do novo governo de Kiev e do descaso maci\u00e7o por sua legitimidade, ocorreu uma verdadeira rebeli\u00e3o civil (uma esp\u00e9cie de &#8220;antiMaidan&#8221;). O governo nacionalista de Kiev, em 14 de abril de 2014, iniciou a &#8220;Opera\u00e7\u00e3o Antiterrorista&#8221; atacando os territ\u00f3rios rebeldes com todo seu poderio militar. A popula\u00e7\u00e3o de Donbass, da melhor forma que conseguiu, com e sem a ajuda militar e log\u00edstica russa, resistiu. Duas rep\u00fablicas populares independentes foram proclamadas: Donetsk e Lugansk, cujos nomes v\u00eam de suas capitais municipais. At\u00e9 22 de fevereiro de 2022, a R\u00fassia n\u00e3o reconheceu a independ\u00eancia dessas rep\u00fablicas, dando ao governo ucraniano a oportunidade de integr\u00e1-las ao pa\u00eds, em conformidade com os termos dos acordos de Minsk, assinados pela Ucr\u00e2nia em 2014, que previam uma solu\u00e7\u00e3o para o conflito armado sem que houvesse a perda desses territ\u00f3rios. A possibilidade de autonomia cultural foi planejada, devolvendo o russo ao status de l\u00edngua de Estado nessa regi\u00e3o, que \u00e9 a l\u00edngua materna de todos: russos, ucranianos, judeus e dezenas de outras nacionalidades.<\/p>\n<p>Durante quase oito anos de guerra em Donbass, que oscilou entre per\u00edodos \u201cquentes\u201d e \u201cfrios\u201d, v\u00e1rios organismos de direitos humanos permaneceram surdos e cegos para centenas de den\u00fancias por parte das rep\u00fablicas rebeldes sobre as mortes e torturas de milhares de civis pelo ex\u00e9rcito ucraniano. E muito mais que o ex\u00e9rcito regular, os semeadores do terror foram os batalh\u00f5es paramilitares da extrema direita ucraniana, cito os &#8220;Azov&#8221;, &#8220;Aydar&#8221;, &#8220;Dnepr&#8221; e outros.<\/p>\n<p>Do paramilitarismo urbano, dos tempos revolucion\u00e1rios de Maidan, eles se tornaram parte do minist\u00e9rio de Defesa ucraniano e passaram a ser os principais grupos de choque das For\u00e7as Armadas ucranianas em Donbass. Nos territ\u00f3rios sob controle ucraniano, eles criaram verdadeiros campos de concentra\u00e7\u00e3o e centros de tortura para rebeldes presos e civis suspeitos de serem simpatizantes da R\u00fassia.<\/p>\n<p>Quando os combates em Donbass puseram fim aos acordos de Minsk, que, diga-se de passagem, nunca foram honrados pela Ucr\u00e2nia, as partes beligerantes chegaram a uma linha de divis\u00e3o armada na regi\u00e3o de Donetsk e Lugansk. Embora as capitais regionais e \u00e1reas circunvizinhas estivessem sob controle rebelde, quase 2\/3 do territ\u00f3rio de Donbass ucraniano passou a ser controlado pelo governo e pelas for\u00e7as militares de Kiev, que eram apoiadas pelos batalh\u00f5es de extrema-direita e que ali permaneceram instalados como um ex\u00e9rcito de ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesses quase oito anos, as rep\u00fablicas independentes, apesar de todo o apoio da R\u00fassia (algo que o governo ucraniano sempre apresentou como uma invas\u00e3o e interfer\u00eancia em seus assuntos internos), n\u00e3o foram reconhecidas politicamente por nenhum pa\u00eds. Enquanto a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na regi\u00e3o deteriorava-se, muitos de seus habitantes optaram por partir para a Ucr\u00e2nia e para a R\u00fassia, e aqueles que permaneceram obtiveram passaportes que n\u00e3o eram v\u00e1lidos no exterior. Nos anos que antecederam o reconhecimento de ambas as rep\u00fablicas, em 22 de fevereiro, o governo russo facilitou o processo de concess\u00e3o da cidadania russa a todos os residentes de Donbass interessados, provocando uma rea\u00e7\u00e3o furiosa em Kiev. Na Ucr\u00e2nia, ainda persistiam as esperan\u00e7as de reintegrar esses territ\u00f3rios, pois, ao governo de Kiev bastava iniciar a implementa\u00e7\u00e3o dos termos dos acordos de Minsk. Enquanto isso, a OTAN fornecia \u00e0 Ucr\u00e2nia armas modernas e seus instrutores treinavam o ex\u00e9rcito e os paramilitares para matar, enquanto que toda a m\u00eddia, 24 horas por dia, disseminava o \u00f3dio \u00e0 R\u00fassia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1556110 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_26.jpeg\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_26.jpeg 1440w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_26-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_26-768x1024.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\" \/><\/p>\n<p>Em meados de fevereiro deste ano, a situa\u00e7\u00e3o em Donbass mudou. A artilharia ucraniana abriu fogo pesado em territ\u00f3rio rebelde causando dezenas de v\u00edtimas civis. A evacua\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as para a R\u00fassia foi autorizada. Putin reconheceu a independ\u00eancia das rep\u00fablicas, pondo fim \u00e0 longa espera pelo cumprimento dos acordos de Minsk, e o parlamento russo aprovou o uso de tropas no exterior. Os governos das rep\u00fablicas rebeldes exigiram a retirada imediata das tropas ucranianas de todo o territ\u00f3rio de Donbass. Diante da previs\u00edvel recusa ucraniana, na noite de 24 de fevereiro, for\u00e7as russas e as provenientes de Donetsk e Lugansk atacaram instala\u00e7\u00f5es militares em toda a Ucr\u00e2nia, e for\u00e7as terrestres penetraram em territ\u00f3rio ucraniano ao longo de quase toda a extens\u00e3o da fronteira.<\/p>\n<p>A m\u00eddia internacional armou imediatamente uma campanha antirrussa sem precedentes. Quem dera que todas as guerras travadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas tivessem tido um d\u00e9cimo do fervor pacifista que esta tem demonstrado. \u00c9 a primeira opera\u00e7\u00e3o militar lan\u00e7ada, n\u00e3o pelas pot\u00eancias ocidentais, mas contra seu s\u00fadito mais fiel na Europa. \u00c9 leg\u00edtimo ser contra a guerra, mas seria preciso ser muito ing\u00eanuo para acreditar que os EUA, o Reino Unido e seus aliados, ao imporem todo tipo de san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia, mostrando ao mundo a sua vers\u00e3o da trag\u00e9dia, estariam realmente procurando defender qualquer um dos valores sobre os quais pisotearam sistematicamente ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. H\u00e1 uma campanha midi\u00e1tica meticulosamente elaborada e com a devida anteced\u00eancia, que vai al\u00e9m do pacifismo, pois seu objetivo \u00e9 desumanizar a R\u00fassia e tudo o que venha da R\u00fassia, preparando o terreno no subconsciente coletivo, em \u00e2mbito mundial, para acabar com aquele pa\u00eds, fazendo com que as pessoas o vejam como a fonte de todos os problemas para &#8220;o mundo civilizado&#8221;.<\/p>\n<p>A magia negra da guerra muda as cores e as percep\u00e7\u00f5es da realidade. Com os primeiros m\u00edsseis russos derrubados na Ucr\u00e2nia, seu presidente \u2013 um trapaceiro, vigarista, palha\u00e7o e c\u00famplice dos nazistas \u2013 tornou-se um her\u00f3i nacional. Volodymyr Zelensky finalmente fez a \u00fanica coisa em que ele \u00e9 bom: atuar. O controle da m\u00eddia, multiplicado pelo medo e pela ignor\u00e2ncia, faz com que as pessoas esque\u00e7am todo o resto. E &#8220;o mundo civilizado&#8221;, como nunca antes, &#8220;solid\u00e1rio e pacifista&#8221;, &#8220;solidariza-se&#8221; com a Ucr\u00e2nia, enviando-lhe toneladas de armas e muni\u00e7\u00f5es, encorajando mais mortes e demonizando Chekhov, Tchaikovsky, Gagarin e outros &#8220;eleitores&#8221; de Putin.<\/p>\n<p>Desde a guerra na antiga Iugosl\u00e1via sabemos que os &#8220;m\u00edsseis inteligentes&#8221; n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o inteligentes, e sim, muitas crian\u00e7as e civis morreram, e at\u00e9 mesmo os militares ucranianos enganados tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas, o que \u00e9 terr\u00edvel e compreens\u00edvel o que devem estar sentindo. Mas talvez a pior mentira da m\u00eddia mundial seja insistir que &#8220;a agress\u00e3o russa n\u00e3o seja uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 provoca\u00e7\u00e3o&#8221;. Esta guerra estava sendo buscada, provocada e convocada, a cada minuto desde o triunfo do golpe de Maidan. N\u00e3o foi Zelensky nem seus guardas paramilitares, foram os donos do poder, aqueles que, em seus c\u00edrculos internos, tiram suas m\u00e1scaras pacifistas, congratulam-se pela realiza\u00e7\u00e3o de seu grande sonho: os eslavos matando-se uns aos outros, porque, para satisfazer seus apetites, eles devem desocupar esses enormes territ\u00f3rios com sua imensa riqueza, a fim de alcan\u00e7ar a fronteira norte da China. Uma grande festa fora das c\u00e2meras derramando l\u00e1grimas de crocodilo.<\/p>\n<p>Para eles, os ucranianos s\u00e3o iguais aos russos, com apenas uma diferen\u00e7a: s\u00e3o uma subesp\u00e9cie mais f\u00e1cil de domesticar. Quem sabe se, falando das baixas de civis na Ucr\u00e2nia, fosse mais justo falar, de uma vez por todas, dos milhares de mortos nesta guerra e das centenas de milhares de mortos pelo desastre social planejado e organizado pelo atual governo, que agora tanto mente sobre independ\u00eancia e soberania. A destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica do sistema de sa\u00fade ucraniano \u00e9 apenas um exemplo do genoc\u00eddio econ\u00f4mico contra aposentados, doentes e trabalhadores de outros setores &#8220;n\u00e3o produtivos&#8221;, sob as ordens do FMI.<\/p>\n<p>Quantas pessoas est\u00e3o morrendo por dia? A quantos milhares de quil\u00f4metros de Kiev essas decis\u00f5es foram tomadas, para impor a administra\u00e7\u00e3o sobre os despojos de guerra chamados de Ucr\u00e2nia? Um pr\u00eamio que hoje levanta as bandeiras do patriotismo e pede &#8220;a defesa de sua independ\u00eancia&#8221; diante de um &#8220;ataque n\u00e3o provocado&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo, a maneira mais simples e precisa de explicar a realidade da Ucr\u00e2nia na Am\u00e9rica Latina tem sido falar de uma Col\u00f4mbia no cora\u00e7\u00e3o da Europa. Um pa\u00eds belo e muito rico, com uma localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica imbat\u00edvel, convertido por suas elites vendidas em uma rep\u00fablica de bananas dos EUA. Um pa\u00eds detentor de uma democracia formal baseada no r\u00edgido controle da m\u00eddia, no desmantelamento das obriga\u00e7\u00f5es sociais do Estado, na destrui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, na imposi\u00e7\u00e3o de uma falsa hist\u00f3ria e que tem grupos paramilitares a servi\u00e7o do poder para intimidar e silenciar as poucas vozes dissidentes. A R\u00fassia \u2013 o vizinho mais pr\u00f3ximo e o mais insepar\u00e1vel da Ucr\u00e2nia, cultural, humana, econ\u00f4mica e historicamente \u2013 foi declarado o principal inimigo do seu povo.<\/p>\n<p>Sabe-se que as nossas ideias e convic\u00e7\u00f5es se baseiam, acima de qualquer outra coisa, em nossas emo\u00e7\u00f5es. E as emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma rea\u00e7\u00e3o de nossa consci\u00eancia aos sinais emitidos pelos nossos sentidos. Pelos olhos \u00e9 que recebemos aproximadamente 90% das informa\u00e7\u00f5es que circulam no mundo. A atual ditadura da m\u00eddia \u00e9 praticamente ilimitada. Nas guerras de informa\u00e7\u00e3o de hoje, uma simples mentira \u00e9 uma ferramenta do passado. Assim, parece ser uma estrat\u00e9gia muito mais eficiente que a distribui\u00e7\u00e3o e a dosagem das verdades sejam corretas. Qualquer pessoa que tenha tido a experi\u00eancia de colocar seus produtos em um supermercado sabe que o pre\u00e7o que pagam para expor seus produtos em determinadas prateleiras, onde eles ter\u00e3o melhor visualiza\u00e7\u00e3o, pode ser v\u00e1rias vezes maior, mas, economicamente, isso sempre compensa. Nas prateleiras da m\u00eddia de hoje, h\u00e1 praticamente de tudo, mas, para as informa\u00e7\u00f5es mais valiosas temos sempre que ir \u00e0s prateleiras empoeiradas ou atr\u00e1s das cortinas da publicidade alheia, enquanto que toda a comida que n\u00e3o presta estar\u00e1 sempre em exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 venda e ao alcance de todos. A demanda por essas verdades importantes \u00e9 geralmente muito baixa, pois requer outro n\u00edvel de aten\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o geral do cidad\u00e3o-consumidor, coisas que nos ensinam a desaprender, onde quer que vamos. \u00c9 nossa cultura ocidental civilizada baseada em drogas, rem\u00e9dios e \u00e1lcool que constr\u00f3i essa percep\u00e7\u00e3o da realidade como uma hist\u00f3ria em quadrinhos ou can\u00e7\u00e3o de m\u00fasica pop, onde o sistema cultiva e reproduz suas buchas de canh\u00e3o da mais alta qualidade, plenas em patriotismo, orgulho nacional e as respectivas bandeirinhas dos seus patrocinadores, distribu\u00eddas pelas corpora\u00e7\u00f5es e pelos oligarcas de plant\u00e3o.<\/p>\n<p>As pessoas em Donbass s\u00e3o diferentes. A maior conquista da grande civiliza\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica foi a humanidade das pessoas que a viveram. S\u00e3o pessoas simples, verdadeiras, acess\u00edveis, que n\u00e3o vivem no mundo do faz de conta, que sabem olhar as outras pessoas nos olhos, que n\u00e3o falam muito e n\u00e3o fingem ser o que n\u00e3o s\u00e3o. Somente em dois lugares eu senti que estava entre essas pessoas: na Sib\u00e9ria e em Donbass. No discurso nacionalista ucraniano, os habitantes de Donbass s\u00e3o referidos de forma depreciativa como &#8220;os vatniks&#8221;. &#8220;Vata&#8221; \u00e9 algod\u00e3o em russo e em ucraniano, e &#8220;vatnik&#8221; \u00e9 um casaco de algod\u00e3o, t\u00edpico da roupa simples e r\u00fastica usada por oper\u00e1rios sovi\u00e9ticos. Partindo da divis\u00e3o por classes e da ambi\u00e7\u00e3o social da &#8220;classe m\u00e9dia&#8221; de Kiev, que apoiava o nacionalismo, a &#8220;vulgaridade sovi\u00e9tica&#8221; de Donbass era sin\u00f4nimo de atraso e impedia o pa\u00eds de avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o europeia&#8221;. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o chamados de &#8220;separatistas&#8221; ou &#8220;separadores&#8221;. \u00c9 curioso que aqueles que realmente dividiram e dilaceraram a Ucr\u00e2nia, tornando-a invi\u00e1vel para a grande diversidade cultural que a regi\u00e3o sempre representou, acusem aqueles que se rebelaram contra ela de serem separatistas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1556121 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_3.jpeg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1440\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_3.jpeg 1920w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_3-300x225.jpeg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_3-820x615.jpeg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n<p>Foi estranho ver meu pa\u00eds, como se tivesse acabado de sair das cr\u00f4nicas da Segunda Guerra Mundial, s\u00f3 que em cores: a vastid\u00e3o dos campos n\u00e3o cultivados, manchados pelas crateras de minas e de proj\u00e9teis disparados pelos tanques de guerra; as dezenas de quil\u00f4metros de linhas de \u00e1rvores ao longo das estradas, com galhos, cascas e troncos destro\u00e7ados por estilha\u00e7os e pelo impacto de equipamentos pesados; os tanques, caminh\u00f5es e \u00f4nibus queimados entre os postos de controle militar e a sinaliza\u00e7\u00e3o antiga indicando as dist\u00e2ncias para diferentes pontos, em tempos de paz, ainda em ucraniano.<\/p>\n<p>Em 14 de mar\u00e7o deste ano, precisamente \u00e0s 11h31, o centro de Donetsk foi abalado por uma explos\u00e3o. Foi um m\u00edssil &#8220;Ponto U&#8221; ucraniano, abatido pelas defesas antia\u00e9reas da Rep\u00fablica. Esses m\u00edsseis visam destruir equipamentos pesados, que n\u00e3o existem no centro de Donetsk. De acordo com sua trajet\u00f3ria calculada, o &#8220;Ponto U&#8221; se dirigia para um centro comercial, que naquele hor\u00e1rio estava cheio de gente. Os destro\u00e7os dos m\u00edsseis foram parar ao lado do pr\u00e9dio do governo perto de um banco, onde uma fila de pessoas aguardava sua vez no caixa eletr\u00f4nico. Foram 21 mortos e mais de 30 feridos, incluindo v\u00e1rias crian\u00e7as. Felizmente, um parquinho infantil ao lado estava vazio naquela hora. Este foi o 15\u00ba m\u00edssil lan\u00e7ado sobre Donetsk. O &#8220;Ponto U&#8221; \u00e9 uma arma de fragmenta\u00e7\u00e3o. Cada m\u00edssil carrega 50 dispositivos, e dentro de cada um deles h\u00e1 cerca de 316 fragmentos de estilha\u00e7os que podem se dispersar em um raio de at\u00e9 400 metros do ponto de impacto. Neste caso, felizmente (se esta for a palavra adequada) apenas um desses 50 dispositivos foi acionado. As autoridades de Kiev alegaram que o m\u00edssil foi disparado da R\u00fassia como uma provoca\u00e7\u00e3o contra a Ucr\u00e2nia. Para os principais ve\u00edculos de imprensa do mundo, essa not\u00edcia passou praticamente despercebida.<\/p>\n<p>Na escola de n\u00famero 50 em Gorlovka \u2013 uma pequena cidade perto de Donetsk, um dos tristes s\u00edmbolos da guerra que come\u00e7ou aqui em 2014, h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas \u2013, um proj\u00e9til aterrissou em pleno dia de trabalho, matando dois professores que estavam preparando suas aulas. Ao lado das v\u00edtimas, um texto de uma cr\u00f4nica em ucraniano, lembrando a import\u00e2ncia da luz da sabedoria dos livros.<\/p>\n<p>Entre Donetsk e Mariupol \u2013 cidade estrat\u00e9gica na costa do mar de Azov onde agora continuam os combates mais duros desta guerra \u2013, encontra\u2011se, ou melhor, encontrava-se Volnojava. Em 2014, sua popula\u00e7\u00e3o era de 23.164 habitantes.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o oficial ucraniana, que pode ser encontrada na Wikipedia em ingl\u00eas, diz que a luta por Volnovaja come\u00e7ou em 25 de fevereiro e terminou em 12 de mar\u00e7o de 2022, e se deu entre as For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia, as For\u00e7as Armadas da R\u00fassia e os &#8220;Separatistas de Donbass&#8221; (cujo nome oficial \u00e9 Ex\u00e9rcito da Rep\u00fablica Popular de Donbass!). A Wikipedia nos diz que: &#8220;Durante os primeiros dias da invas\u00e3o russa da Ucr\u00e2nia em 2022, as for\u00e7as russas se dedicaram ao bombardeio indiscriminado de Volnovaja e Shchastia, atingindo \u00e1reas civis. O bombardeio terrorista das cidades violou o direito internacional e ecoou t\u00e1ticas anteriormente utilizadas pela R\u00fassia contra alvos civis na S\u00edria. Foi relatado que Volnovaja estava \u00e0 beira de uma crise humanit\u00e1ria em 28 de fevereiro, e quase destru\u00edda em 1\u00ba de mar\u00e7o, com cerca de 90% de seus edif\u00edcios danificados ou destru\u00eddos. Os moradores sobreviventes foram privados de alimentos, \u00e1gua e eletricidade. Ap\u00f3s o ataque, os corpos permaneceram nas ruas&#8221;.<\/p>\n<p>A Wikip\u00e9dia mente. Estivemos em Volnovaja alguns dias ap\u00f3s a trag\u00e9dia. N\u00e3o sei se foram destru\u00eddos 90%, ou talvez 85%, como dizem outras fontes, mas a cidade n\u00e3o existe mais. Encontramos dezenas de sobreviventes e o que TODOS nos disseram \u00e9 que foi o ex\u00e9rcito ucraniano que destruiu Volnovaja. Retirando-se da cidade sob press\u00e3o dos russos, eles posicionaram seus tanques na frente de cada pr\u00e9dio e dispararam. Eles destru\u00edram a cl\u00ednica e a escola, saquearam casas e lojas. A popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia sair porque os militares ucranianos n\u00e3o permitiriam que ningu\u00e9m sa\u00edsse, usando civis como escudos humanos. \u00c9 a mesma t\u00e1tica que agora est\u00e1 sendo repetida em Mariupol. \u00c9 por isso que TODA a popula\u00e7\u00e3o de Volnovaja, antes dividida sem maiores fanatismos entre pr\u00f3-russos e pr\u00f3-ucranianos, agora acolhe o ex\u00e9rcito russo como seus libertadores. Os militares russos e de Donetsk distribuem comida e \u00e1gua, enquanto o povo dessa cidade fantasma lhes implora para n\u00e3o os abandonar.<\/p>\n<p>De Volnovaja a Mariupol s\u00e3o 66 quil\u00f4metros. Por quest\u00f5es de tempo e de seguran\u00e7a n\u00e3o conseguimos chegar a Mariupol, mas todos (civis e militares) continuam falando disso, seguramente at\u00e9 hoje o maior drama desta guerra. Muitos t\u00eam amigos e parentes em Mariupol. Mariupol \u00e9 uma das principais cidades de Donbass, com quase meio milh\u00e3o de habitantes, e \u00e9 um porto com acesso ao Mar de Azov. Por isso que o controle sobre esta cidade \u00e9 fundamental. \u00c9 tamb\u00e9m o maior local de concentra\u00e7\u00e3o no pa\u00eds do grupo paramilitar Azov, que praticamente controla o ex\u00e9rcito ucraniano nessa regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1556131 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1440\" height=\"1920\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1.jpeg 1440w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1-225x300.jpeg 225w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/IMG_1-768x1024.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1440px) 100vw, 1440px\" \/><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m sabe exatamente quantos s\u00e3o, mas os n\u00fameros oficiais falam em cerca de 700. Ningu\u00e9m acredita nisso, e fala-se que s\u00f3 em Mariupol pode haver at\u00e9 5.000. Eles tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidos por serem declaradamente fascistas e, entre eles, est\u00e3o v\u00e1rios mercen\u00e1rios estrangeiros, oriundos dos EUA, da Europa Ocidental, da Ge\u00f3rgia, da R\u00fassia e de outros lugares. Eles tomaram toda a popula\u00e7\u00e3o civil como ref\u00e9m, n\u00e3o deixam ningu\u00e9m sair e atiram em quem quer que tente abandonar a cidade. Faz semanas que dezenas de civis vivem em por\u00f5es, muitos, h\u00e1 muito tempo, sem comida e \u00e1gua, vivendo sob os escombros dos pr\u00e9dios. N\u00e3o se sabe, ainda, mas as v\u00edtimas podem chegar \u00e0s dezenas de milhares. A cidade encontra-se completamente cercada por tropas russas e de Donetsk, e os combates de rua prosseguem. O ex\u00e9rcito ucraniano tenta praticamente todos os dias organizar o resgate de seus comandantes com helic\u00f3pteros que s\u00e3o abatidos pelo fogo russo. H\u00e1 rumores de que estejam tentando evacuar instrutores militares americanos e brit\u00e2nicos. A imprensa internacional continua a mentir sobre a barb\u00e1rie russa.<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a da capital de uma outra rep\u00fablica rebelde, Lugansk, h\u00e1 v\u00e1rios pontos de interesse para o visitante: um deles \u00e9 o pr\u00e9dio do governo, que em 2 de junho de 2014 foi atacado por dois avi\u00f5es ucranianos. Oito pessoas foram mortas pelos m\u00edsseis, incluindo a ministra da Cultura, e outras 28 ficaram feridas. O representante do governo de Kiev disse, na ocasi\u00e3o, que foi uma &#8220;explos\u00e3o do ar condicionado do pr\u00e9dio&#8221;. H\u00e1 tamb\u00e9m um memorial aos jornalistas russos mortos perto de Lugansk em 2014, que \u00e9 representado por uma galeria de fotos de combatentes tombados, defensores da rep\u00fablica, e o monumento ao poeta nacional ucraniano Taras Shevchenko, que parece olhar para esta loucura como se vivesse em um outro tempo, quase que a \u00fanica lembran\u00e7a do nosso grande passado internacionalista sovi\u00e9tico em meio \u00e0 mediocridade que vivemos nos dias de hoje.<\/p>\n<p>E h\u00e1 tamb\u00e9m uma pequena exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica improvisada sobre as atrocidades dos nazistas ucranianos em Donbass. Enquanto as tropas russas e as das rep\u00fablicas avan\u00e7am para o territ\u00f3rio que esteve at\u00e9 recentemente sob controle ucraniano, novos crimes nazistas s\u00e3o descobertos. H\u00e1 um registro detalhado de achados terr\u00edveis, tais como restos humanos com sinais de tortura, s\u00edmbolos fascistas e outras coisas que geram tanta indiferen\u00e7a e desconfian\u00e7a entre os meios de informa\u00e7\u00e3o do &#8220;mundo democr\u00e1tico&#8221;. N\u00e3o se trata de justificar ou julgar esta guerra, mas de entender v\u00e1rios de seus porqu\u00eas, o que a imprensa ocidental simplesmente oculta. \u00c9 tamb\u00e9m para entender por que os habitantes de Donbass pedem, por favor, aos soldados russos que n\u00e3o se detenham.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso pisar no solo de Donbass para sentir o que n\u00e3o se sente estando em Moscou ou em Kiev. Ver que o fascismo n\u00e3o \u00e9 um exagero algum. E sendo absolutamente contr\u00e1rio \u00e0 guerra, h\u00e1 que se fazer, vez por outra, estas malditas perguntas: Ser\u00e1 que a paz \u00e9 realmente paz? Ser\u00e1 poss\u00edvel fazer a paz com um governo que tornou tudo isso poss\u00edvel? Realmente, podia ter sido de outra forma?\u2026<\/p>\n<p>E depois dar adeus aos tanques, que ainda avan\u00e7am rumo oeste, e respirar um pouco do ar de Donbass, antes de voltar \u00e0 realidade paralela deste mundo dominado pelos Goebbels coletivos da m\u00eddia.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Todas as fotos pertencem ao acervo de Oleg Yasinsky<\/em><\/p>\n<p><em>Traduzido do espanhol por Jos\u00e9 Luiz Corr\u00eaa \/ Revisado por Gra\u00e7a Pinheiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Oleg Yasinsky \u00e9 um jornalista que atualmente encontra-se em Donbass. Atrav\u00e9s de seu testemunho comovente, Oleg nos chama a aten\u00e7\u00e3o para as informa\u00e7\u00f5es enganosas divulgadas pela m\u00eddia ocidental. 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