{"id":1507150,"date":"2022-01-22T02:11:12","date_gmt":"2022-01-22T02:11:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1507150"},"modified":"2022-01-22T02:11:12","modified_gmt":"2022-01-22T02:11:12","slug":"nome-e-sobrenome-de-quem-destroi-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2022\/01\/nome-e-sobrenome-de-quem-destroi-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Nome e sobrenome de quem destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Ciclicamente, o mundo inteiro fala da Amaz\u00f4nia brasileira. O fez em ocasi\u00e3o das epidemias introduzidas entre os yanomami por trabalhadores da estrada e garimpeiros, em ocasi\u00e3o do assassinato de l\u00edderes ind\u00edgenas e defensores dos direitos humanos, o faz hoje que inc\u00eandios criminosos est\u00e3o destruindo o que sobrou da floresta. De norma, os ocidentais falam das desventuras amaz\u00f4nicas acusando os que reputam sejam os respons\u00e1veis. Assim culpam os militares que quiseram a abertura de estradas, os donos das serrarias, os garimpeiros, os criadores de gado, os fazendeiros das monoculturas e do agroneg\u00f3cio, os que materialmente botam fogo nas florestas.\u00a0 O bode expiat\u00f3rio para os inc\u00eandios ocorridos nos \u00faltimos tr\u00eas anos \u00e9 o atual, descerebrado presidente do Brasil, que com seus discursos incentiva a viol\u00eancia e o desmantelamento de direitos humanos e civis; direitos cansativamente conquistados e sancionados pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 depois de um feroz, longo per\u00edodo de ditadura militar. Poucas s\u00e3o as pessoas que tentam analisar as causas que levam homens infames a agir com tanta viol\u00eancia contra outros homens e contra a natureza; \u00e9 isso que espero conseguir elaborando este texto, e o farei resgatando situa\u00e7\u00f5es por mim vividas na pele durante os dezoito anos em que operei na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>A estrada Perimetral Norte, quista pelos militares e nunca acabada, que devia ligar o Brasil \u00e0 Col\u00f4mbia, em 1974 cortou ao sul o territ\u00f3rio yanomami. As equipes de desmatamento, contratadas sem qualquer controle sanit\u00e1rio, penetraram maci\u00e7amente na regi\u00e3o, trazendo as primeiras epidemias de gripe e sarampo, mortais para os yanomami.\u00a0 Na regi\u00e3o do igarap\u00e9 Repartimento e rios Ajarani e Pacu, o contato com os trabalhadores da estrada causou a morte de in\u00fameros ind\u00edgenas, reduzindo treze aldeias a oito pequenos grupos de fam\u00edlias.\u00a0 Em 1975, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o das pesquisas geol\u00f3gicas do Projeto RADAMBRASIL, em territ\u00f3rio yanomami desencadeou-se a corrida \u00e0 minera\u00e7\u00e3o, por parte de garimpeiros e grandes companhias de minera\u00e7\u00e3o e pesquisa. Em 1977, o segundo surto de sarampo desde a chegada da estrada matou sessenta e oito pessoas, quer dizer, metade da popula\u00e7\u00e3o dos grupos locais Manihipi, Uxiu e Iropi. Nesse mesmo ano, \u00e1reas tradicionalmente ocupadas pelos yanomami foram inclu\u00eddas no projeto de coloniza\u00e7\u00e3o do Distrito Agropecu\u00e1rio de Roraima, por meio do Projeto Apia\u00fa e do loteamento do INCRA ate o Ajarani II. Atra\u00eddos pelas novidades e pelos bens materiais da sociedade ocidental, naquela \u00e9poca yanomami de todos os grupos locais intensificaram suas visitas \u00e0s fazendas e \u00e0s serrarias situadas na beira da estrada, chegando at\u00e9 a cidade de Caracara\u00ed. Algumas vezes se deslocaram grupos inteiros, com mulheres e crian\u00e7as. O resultado era sempre o mesmo: eram enganados em suas transa\u00e7\u00f5es comerciais; obtinham indumentos usados, contaminados, que transmitiam para eles doen\u00e7as da pele; voltavam para casa com gripe, que rapidamente alcan\u00e7ava todas as comunidades da \u00e1rea. O primeiro per\u00edodo por mim vivido entre os yanomami do Catrim\u00e2ni foi caracterizado por atividades ligadas \u00e0 cura e vacina\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Em agosto de 1987 eu estava preste a voltar entre os yanomami, mas cinco deles foram massacrados por garimpeiros que invadiram a \u00e1rea ind\u00edgena Paapi U. Dizendo-se preocupada com a integridade f\u00edsica das pessoas que trabalhavam na \u00e1rea, e prometendo evacuar os garimpeiros, a FUNAI \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio retirou da \u00e1rea profissionais de sa\u00fade, cientistas, pesquisadores, mission\u00e1rios cat\u00f3licos. \u00a0Segundo os pr\u00f3prios yanomami, a FUNAI s\u00f3 deixou permanecerem os mission\u00e1rios das Novas Tribos, cujo alienante trabalho sempre se alinhou fielmente \u00e0 pol\u00edtica indigenista oficial. A medida governamental alcan\u00e7ou dois resultados: encorajou garimpeiros de todo o Brasil a invadirem a \u00e1rea yanomami e isolou completamente os ind\u00edgenas de seus aliados, com isso impedindo que houvesse testemunho daquilo que estava acontecendo. Proliferaram pistas de pouso clandestinas. Por conta de oligarquias e pol\u00edticos locais, pequenos avi\u00f5es transportaram milhares de homens em territ\u00f3rio yanomami. A historia ensina que os garimpeiros s\u00e3o usados como bucha-de-canh\u00e3o para \u201climpar\u201d \u00e1reas: uma vez exterminados os ind\u00edgenas, as mineradoras, multinacionais naturalmente, j\u00e1 com os papeis em regra, se substituem aos garimpeiros nos territ\u00f3rios que deixaram de ser ind\u00edgenas. A imprensa local e nacional come\u00e7ou a dar not\u00edcias de doen\u00e7as, epidemias e mortes de yanomami, envenenados pelas \u00e1guas contaminadas pelo processo de extra\u00e7\u00e3o do ouro, ou assassinados pelas armas de fogo dos aproximadamente duzentos mil invasores. A situa\u00e7\u00e3o assumiu as propor\u00e7\u00f5es do genoc\u00eddio. A amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o sempre latente, tornou-se crua realidade.<\/p>\n<p>In\u00fameras s\u00e3o as pessoas que foram assassinadas por defender a Amaz\u00f4nia e seus moradores. Na minha mem\u00f3ria \u00e9 carinhosamente conservada a lembran\u00e7a de Vicente Ca\u00f1as Costa, porque o conheci pessoalmente e juntos participamos de alguns eventos organizados pela OPAN \u2013 Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Nativa, que na \u00e9poca era conhecida como Opera\u00e7\u00e3o Anchieta. Vicente era um mission\u00e1rio jesu\u00edta espanhol, naturalizado brasileiro, chamado Kiwxi pelos \u00edndios m\u1ef9ky. Em 1974, ele e Tom\u00e1s de Aquino Lisboa estabeleceram os primeiros contatos com os ind\u00edgenas enawen\u00ea-naw\u00ea, no Estado de Mato Grosso. Em 1977 Vicente come\u00e7ou a residir entre eles, cuidando da sa\u00fade dos \u00edndios e trabalhando para a preserva\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio tradicional. Foi assassinado, provavelmente, entre os dias seis e sete de abril de 1987. Encontraram o corpo acerca de quarenta dias depois; tinha dentes e cr\u00e2nio fracassados, um furo na parte superior do abdome, os \u00f3rg\u00e3os genitais cortados. Vicente foi sepultado ao lado da barraquinha onde morava. O primeiro ato do processo contra os assassinos aconteceu dezanove anos depois, e todos foram absolvidos; somente em 2017, um novo processo levar\u00e1 \u00e0 condena\u00e7\u00e3o do \u00fanico homicida anda vivo, Ronaldo Ant\u00f4nio Osmar, delegado aposentado da Pol\u00edcia Civil de Ju\u00edna.<\/p>\n<p>Non foi pela imprensa local que fiquei sabendo do assassinato de Chico Mendes, ocorrido no dia 22 de dezembro de 1988. A not\u00edcia chegou alguns dias depois atrav\u00e9s de um boletim informativo que semanalmente uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental do sul do Brasil mandava para seus colaboradores. Fiz logo alguns telefonemas para avisar amigos e conhecidos, me sentindo cada vez mais angustiada pois \u00e0 minha ia se acrescentando a tristeza dos outros. H\u00famidas de pranto ou engasgadas na garganta, as nossas palavras n\u00e3o verbalizaram quanto poder\u00edamos ter dito em memoria de Chico Mendes, ou seja: que tinha sido um s\u00f3lido l\u00edder rural, intr\u00e9pido fomentador de a\u00e7\u00f5es denominadas empates, n\u00e3o corrut\u00edvel vereador, brilhante sindicalista, excepcional organizador do movimento popular no Acre, um dos fundadores nacionais do PT \u2013 Partido dos Trabalhadores. Para os seringueiros e \u00edndios do Estado de Rond\u00f4nia, o asfaltamento da estrada BR-364 tinha sido uma cat\u00e1strofe. Chico Mendes sabia muito bem que, se a estrada fosse naquele momento prolongada at\u00e9 o Acre, sua luta estava perdida. Essa preocupa\u00e7\u00e3o inspirou suas palavras durante a reuni\u00e3o do Banco Interamericano de Desenvolvimento, da qual participou em Miami em mar\u00e7o de 1987. Foi ele, humilde trabalhador, a convencer o banco a suspender os financiamentos para o prosseguimento da BR-364; a partir daquele momento os projetos brasileiros passaram a ser subordinados \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o de equipes especializadas na analise do impacto socioambiental de tais projetos. Chico argumentou que era preciso reconhecer e consolidar o direito de ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios por parte de seringueiros e \u00edndios e que eles mesmos deviam administrar os recursos. Quer dizer que ele n\u00e3o defendeu a inviolabilidade da floresta, mas sua explora\u00e7\u00e3o racional em prol da popula\u00e7\u00e3o local, e \u00e9 justamente esse o princ\u00edpio inspirador das reservas extrativistas, que s\u00e3o \u00e1reas reservadas \u00e0 colheita dos produtos da floresta. As a\u00e7\u00f5es denominadas empates, fomentadas por Chico Mendes, merecem ser lembradas. No Estado do Acre, ao avan\u00e7o dos inc\u00eandios, do latif\u00fandio, da agricultura intensiva, da monocultura e da cria\u00e7\u00e3o de gado, correspondeu a tomada de consci\u00eancia por parte de \u00edndios, seringueiros e coletores: da uni\u00e3o de seus esfor\u00e7os para defender a floresta e seu peculiar jeito de viver, brotou a forma de resist\u00eancia pac\u00edfica chamada empate, termo que significa ato ou efeito do interromper, suspender, mandar parar. Quando se perfilava a amea\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o de uma nova fazenda, homens, mulheres, velhos e crian\u00e7as se deslocavam no local e, com seus corpos, impediam o abatimento da floresta.<\/p>\n<p>As reivindica\u00e7\u00f5es dos l\u00edderes ind\u00edgenas, bem como os documentos finais produzidos durante os encontros e cursos de forma\u00e7\u00e3o de professores ind\u00edgenas, foram levadas em considera\u00e7\u00e3o durante os trabalhos da Constituinte, que os \u00edndios acompanharam criativamente e at\u00e9 fisicamente. A Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil, promulgada no dia 05\/10\/1988, dedica aos povos ind\u00edgenas dois artigos de import\u00e2ncia vital:<\/p>\n<blockquote><p><strong>Cap\u00edtulo VIII, \u201cDos \u00cdndios\u201d, Artigo 231:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cS\u00e3o reconhecidos aos \u00edndios sua organiza\u00e7\u00e3o social, costumes, l\u00ednguas, cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, e os direitos origin\u00e1rios sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo \u00e0 Uni\u00e3o demarc\u00e1-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens<\/em><em>.<\/em>\u201d<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo III, \u201cDa Educa\u00e7\u00e3o, da Cultura e Do Desporto\u201d, Artigo 210, Par\u00e1grafo 2:<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cO ensino fundamental regular ser\u00e1 ministrado em l\u00edngua portuguesa, assegurada \u00e0s comunidades ind\u00edgenas tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas maternas e processos pr\u00f3prios de aprendizagem.\u201d<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o dos dispositivos favor\u00e1veis aos \u00edndios, n\u00e3o foi apenas uma grande vit\u00f3ria do movimento ind\u00edgena, mas representa o marco da mudan\u00e7a na abordagem da quest\u00e3o ind\u00edgena por parte do Estado, que deixa de tentar emancipar, absorver, aculturar os \u00edndios e passa a reconhecer seu direito \u00e0 terra e \u00e0 diversidade cultural.\u00a0 Uma vez assegurados esses direitos, o movimento ind\u00edgena canalizou suas lutas na demarca\u00e7\u00e3o das terras; terras que foram regadas com o sangue de in\u00fameros l\u00edderes assassinados. Hoje em dia muitos territ\u00f3rios est\u00e3o homologados, de outros se pede a inclus\u00e3o de lugares que ficaram por fora da demarca\u00e7\u00e3o, para outros se continua a lutar e morrer como no caso dos guarani-kaiow\u00e1 do Mato Grosso do Sul. A demarca\u00e7\u00e3o das terras desencadeou uma nova fase existencial para os povos ind\u00edgenas, gerando tranquilidade e estabilidade social e, consequentemente, avan\u00e7os nas \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, do desenvolvimento sustent\u00e1vel. O dado mais animador \u00e9 que de 220.000 que eram no come\u00e7o dos anos noventa, hoje em dia se fala de 900.000 indiv\u00edduos. \u00a0Pertencentes a v\u00e1rias etnias, eles se organizaram em associa\u00e7\u00f5es; se tornaram professores e agentes de sa\u00fade em suas comunidades, vigiantes de seus territ\u00f3rios. S\u00e3o estudantes e professores universit\u00e1rios; s\u00e3o graduados, mestres, doutores, p\u00f3s-doutores. Seus l\u00edderes, entre os quais sobressaem mulheres corajosas e determinadas quanto as amazonas das quais descendem, percorrem o mundo para manter viva a aten\u00e7\u00e3o sobre problem\u00e1ticas e direitos. S\u00e3o pintores, cineastas, atores, cantores, condutores de r\u00e1dio, jornalistas, advogados. N\u00e3o menos vital \u00e9 o movimento dos escritores ind\u00edgenas que organiza cursos de forma\u00e7\u00e3o para educadores e alunos brancos, apresenta\u00e7\u00f5es de livros, conferencias, debates, dando seu imprescind\u00edvel aporte \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional, sendo que sem os ind\u00edgenas o Brasil n\u00e3o existe. Em n\u00edvel pol\u00edtico temos vereadores de v\u00e1rias etnias, um prefeito ashaninka, a primeira deputada federal ind\u00edgena, a advogada Jo\u00eania Wapichana, eleita 32 anos depois de M\u00e1rio Juruna que foi o primeiro deputado ind\u00edgena do Brasil.<\/p>\n<p>Estava indo tudo um pouco melhor quando, em outubro de 2018, foi eleito presidente da Republica Federativa do Brasil um ser ign\u00f3bil do qual me recuso at\u00e9 de escrever o nome. Como Bosta em portugu\u00eas significa merda, modificando seu verdadeiro nome eu o chamo sempre e somente Bostanaro. Este energ\u00fameno levou sua campanha eleitoral se exibindo no obsceno gesto de apontar a m\u00e3o como fosse um revolver; vomitou palavr\u00f5es contra mulheres, homossexuais, negros, \u00edndios; ele nega que teve ditadura no Brasil e seus her\u00f3is s\u00e3o hediondos ditadores latino-americanos; \u00a0nos minist\u00e9rios colocou seres ignorantes, obtusos, retr\u00f3grados; como presidente continua a falar a toa e a ofender mulheres de presidentes de outros Pa\u00edses e filhos de personalidades assassinadas durante as ditaduras militares latino-americanas. Seus discursos de \u00f3dio, naturalmente, incentivam a viol\u00eancia contra as minorias sobre citadas, especialmente contra os ind\u00edgenas que t\u00eam preservado intacta a floresta amaz\u00f4nica at\u00e9 os nossos dias. Mas n\u00e3o \u00e9 Bostanaro o respons\u00e1vel dos inc\u00eandios na Amaz\u00f4nia. Ele \u00e9 capit\u00e3o do Exercito, o vice-presidente da Rep\u00fablica \u00e9 o general Ant\u00f4nio Hamilton Martins Mour\u00e3o, sete ministros s\u00e3o militares, dois dos quais trabalham diretamente com o presidente. Acerca de cem pessoas provenientes das For\u00e7as Armadas ocupam cadeiras no segundo e terceiro escal\u00e3o de minist\u00e9rios e \u00f3rg\u00e3os federais. Em 1966, o governo da ditadura militar varou o projeto chamado Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia; sonhando transformar o Brasil numa grande pot\u00eancia, e sem se preocupar com as consequ\u00eancias de suas escolhas, os militares seduziram grandes investidores a empregarem seus capitais na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. At\u00e9 o final da ditadura, a gerenciar o poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico no Brasil foram os militares; e \u00e9 aquilo que \u201cdemocraticamente\u201d continuam fazendo hoje em dia se servindo do Bostanaro, que foi eleito \u201cdemocraticamente\u201d atrav\u00e9s de fake news, mensagem compradas e disparadas pelo whatsapp, e at\u00e9 atrav\u00e9s de um presunto atentado \u00e0 sua vida. \u00a0\u00a0Este presidente, t\u00e3o \u201cdemocraticamente\u201d eleito, \u00e9 livre de externar tudo aquilo que atravessa sua mente doentia sendo que, mais tolices ele fala, mais a aten\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 desviada daquilo que realmente est\u00e1 acontecendo. O que est\u00e1 acontecendo? Bostanaro \u00e9 o fantoche, os militares o manobram, o enredo da trag\u00e9dia em curso \u00e9 escrito por um ser obeso e repugnante que se chama Capitalismo Selvagem.<\/p>\n<p>At\u00e9 as palavras, os chav\u00f5es, os conceitos que circulam hoje em dia s\u00e3o os mesmos dos anos da ditadura: os \u00edndios s\u00e3o um obst\u00e1culo ao dito progresso e eles mesmos querem ser \u201cemancipados\u201d, os mission\u00e1rios estrangeiros s\u00e3o espi\u00f5es a mando de pot\u00eancias mundiais, a Igreja cat\u00f3lica quer internacionalizar a Amaz\u00f4nia. At\u00e9 as interven\u00e7\u00f5es dos simpatizantes e amigos dos \u00edndios e da Amaz\u00f4nia s\u00e3o sempre os mesmos: vamos come\u00e7ar a dizer que os ind\u00edgenas reivindicam de serem considerados nossos contempor\u00e2neos, e n\u00e3o seres pr\u00e9-hist\u00f3ricos, ou rom\u00e2nticos e ex\u00f3ticos dos quais se fala usando verbos no passado remoto? Porque se continua a utilizar o adjetivo \u201c\u00faltimos\u201d quando se escreve algo sobre os yanomami enquanto que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9poca em que eu operava entre eles, praticamente dobraram? Sendo nossos contempor\u00e2neos, os ind\u00edgenas t\u00eam algo a nos dizer. Vamos parar de falar deles para come\u00e7ar a ouvi-los? Eles est\u00e3o a\u00ed. Existem. Resistem \u00e0 invas\u00e3o de suas terras h\u00e1 mais de 500 anos. Suas culturas e sociedades n\u00e3o s\u00e3o inferiores, s\u00e3o apenas diferentes. T\u00eam muito a nos ensinar, se s\u00f3 tiv\u00e9ssemos a humildade de escut\u00e1-los por aquilo que s\u00e3o: seres humanos com conhecimentos, experi\u00eancias, direitos, sentimentos, sonhos, mesmo como n\u00f3s somos. Acumulo, consumismo, agress\u00e3o \u00e0 natureza, explora\u00e7\u00e3o selvagem dos recursos naturais, t\u00eam transformado a terra numa desmedida lixeira. N\u00e3o mais conseguimos eliminar os detritos. Aqueles que s\u00e3o t\u00f3xicos envenenam o ar, a \u00e1gua, o subsolo, tudo aquilo que comemos, e nos morremos de c\u00e2ncer. Os peixes morrem sufocados pela pl\u00e1stica; no mar morrem os emigrantes que o nosso ego\u00edsmo rejeita. Paridas por mentes doentias, fara\u00f4nicas centrais hidroel\u00e9tricas e nucleares t\u00eam se transformado em cat\u00e1strofes ambientais, chegando a devastar territ\u00f3rios at\u00e9 muito long\u00ednquos dos lugares onde foram constru\u00eddas; a mesma coisa acontece naquelas \u00e1reas onde os min\u00e9rios s\u00e3o extra\u00eddos a c\u00e9u aberto e em larga escada. Tudo \u00e9 feito em nome do pretenso progresso que, aumentando, s\u00f3 consegue esvaziar o animo dos homens, tornando-os individualistas e desconsoladamente sozinhos. Os guardi\u00f5es da floresta est\u00e3o nos dizendo que n\u00e3o s\u00e3o e n\u00e3o ser\u00e3o os \u00faltimos, porque eles sabem como cuidar da terra, como gozar com ela sem violent\u00e1-la, como engravid\u00e1-la e perpetuar a descend\u00eancia.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>Yanomami, em <em>A conquista da escrita \u2013\u00a0Encontros de educa\u00e7\u00e3o ind\u00edgena<\/em>; L. Emiri, R. Monserrat (org); OPAN\/Iluminuras, S\u00e3o Paulo, 1989.<br \/>\n<em>Dossi\u00ea elaborado em fun\u00e7\u00e3o da Celebra\u00e7\u00e3o dos 50 anos do CIMI<\/em>, Loretta Emiri, 06-2021.<br \/>\n<em>Da oralidade \u00e0 forma\u00e7\u00e3o superior ind\u00edgena<\/em>, Loretta Emiri, 09-2021.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ciclicamente, o mundo inteiro fala da Amaz\u00f4nia brasileira. 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