{"id":1475889,"date":"2021-11-22T21:23:21","date_gmt":"2021-11-22T21:23:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1475889"},"modified":"2021-11-22T21:23:21","modified_gmt":"2021-11-22T21:23:21","slug":"a-libia-de-kadafi-do-apogeu-a-queda-1969-201-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/11\/a-libia-de-kadafi-do-apogeu-a-queda-1969-201-parte-ii\/","title":{"rendered":"A L\u00edbia de Kadafi: do apogeu \u00e0 queda, 1969-201 &#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Olivier Flumian entrevista Vincent Hugeux<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Por v\u00e1rias d\u00e9cadas, o nome da L\u00edbia esteve intimamente ligado ao de seu l\u00edder, Muammar Kadafi. Utilizando seus imensos recursos petrol\u00edferos, o l\u00edder l\u00edbio multiplicou interven\u00e7\u00f5es complexas no cen\u00e1rio internacional: a tentativa de uni\u00e3o com alguns de seus vizinhos \u00e1rabes, o apoio a v\u00e1rios movimentos terroristas em todos os continentes, o financiamento de in\u00fameros projetos na \u00c1frica etc. Suas rela\u00e7\u00f5es com o Ocidente foram amb\u00edguas, muitas vezes tensas, j\u00e1 que o pa\u00eds enfrentou san\u00e7\u00f5es internacionais durante dez anos at\u00e9 ser perdoado.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">No entanto, o regime l\u00edbio entrou em colapso durante o ano de 2011, depois que Kadafi houvesse governado o pa\u00eds durante 42 anos.<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Para entender melhor essa tumultuada hist\u00f3ria, Pressenza entrevista <\/span><\/i><b><i>Vincent Hugeux<\/i><\/b><i><span style=\"font-weight: 400;\">, jornalista independente, rep\u00f3rter s\u00eanior do servi\u00e7o internacional da revista L&#8217;Express de 1990 a 2020, especialista em \u00c1frica e autor de uma biografia do l\u00edder l\u00edbio, cuja vers\u00e3o de bolso foi publicada em mar\u00e7o passado pela Tempus \/ Perrin.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ver tamb\u00e9m:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/fr\/2021\/10\/la-libye-de-kadhafi-de-lapogee-a-la-chute-1969-2011-partie-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">A L\u00edbia de Kadafi: do apogeu \u00e0 queda, de 1969-2011 &#8211; Parte I<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/fr\/2021\/10\/la-libye-de-kadhafi-1969-2011-de-lapogee-a-la-chute-partie-iii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">A L\u00edbia de Kadafi: do apogeu \u00e0 queda, de 1969 &#8211; 2011 &#8211; Parte III<\/span><\/a><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A L\u00edbia foi \u2014 e continua sendo \u2014 um grande produtor de petr\u00f3leo, com 58% do seu PIB proveniente dessa explora\u00e7\u00e3o. O que o regime de Kadafi fez com essa d\u00e1diva do petr\u00f3leo?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o \u201cGuia\u201d da L\u00edbia percebeu, desde muito cedo, os efeitos perversos dessa riqueza. Claro, ele sabia muito bem aquilo que devia ao ouro negro:\u00a0 reservas monet\u00e1rias colossais e um instrumento de influ\u00eancia incompar\u00e1vel, especialmente no in\u00edcio deste mil\u00eanio, \u00fatil na hora de libertar seu pa\u00eds de sua condi\u00e7\u00e3o de p\u00e1ria mundial. Entretanto, o Bedu\u00edno tamb\u00e9m tinha compreendido que a posse de tal tesouro tendia a inspirar as pessoas a viver de rendas, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">algo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">que ele <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">critic<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ava em seus discursos com verve devastadora. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201c<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">De que adianta trabalhar, j\u00e1 que o dinheiro est\u00e1 fluindo livremente? Para que trabalhar, quando grupos de imigrantes da \u00c1frica ou da \u00c1sia se aglomeram para realizar as tarefas mais ingratas?\u201d. O fato \u00e9 que o dinheiro do petr\u00f3leo lhe deu uma margem de manobra invej\u00e1vel, tanto para <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">dot<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ar a L\u00edbia (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> estradas, aeroportos, sem mencionar a constru\u00e7\u00e3o fara\u00f4nica do Grande Rio Artificial \u2014 uma rede de canais que deveria abastecer as cidades costeiras e irrigar vastas \u00e1reas), quanto para comprar a lealdade de dignit\u00e1rios tribais influentes, para mimar um ex\u00e9rcito <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">superdimensionado e ultraequipado, ou para estender seu dom\u00ednio por meio <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">do financiamento, especialmente no continente africano. O dinheiro do ouro negro ainda permitiu a constru\u00e7\u00e3o de mesquitas, de hospitais e de universidades, al\u00e9m de encher os cofres <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">de<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> um mosaico de &#8220;movimentos de liberta\u00e7\u00e3o&#8221; anti-imperialistas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> com dinheiro e armamentos<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A sociedade l\u00edbia se transformou, tornou-se mais rica e urbanizada, e sua popula\u00e7\u00e3o aumentou de 2 milh\u00f5es para 6,5 milh\u00f5es de habitantes em quarenta anos. Que repercuss\u00f5es isso teve nas condi\u00e7\u00f5es materiais de vida e nas rela\u00e7\u00f5es sociais dos l\u00edbios &#8230; e das l\u00edbias?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Repercuss\u00f5es bastante antag\u00f4nicas, para dizer o m\u00ednimo. Na L\u00edbia, mais de 90\u00a0% da popula\u00e7\u00e3o reside ao longo da costa mediterr\u00e2nea. Nessa faixa costeira, a moderniza\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es foi desigual, mas espetacular. Tanto em Tr\u00edpoli como em Sirte surgiram centros de confer\u00eancias de estilos fara\u00f4nicos, t\u00edpicos das desproporcionais ambi\u00e7\u00f5es continentais de Kadafi. No interior, e particularmente nas regi\u00f5es mais desertas de Fezzan (ao sul), a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito mais desfavor\u00e1vel. No papel, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jamahiriya<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 ou o Estado das massas \u2014, pouco povoada, tinha muito a oferecer a seus cidad\u00e3os em termos de bem-estar. Por\u00e9m, na pr\u00e1tica, n\u00e3o foi este o caso. Cada vez que me mudava do centro de uma cidade para explorar um determinado bairro da periferia ou um mais afastado, encontrava l\u00edbios muito pobres que, sob o manto do anonimato, faziam duras cr\u00edticas \u00e0s autoridades. E eram r\u00e1pidos em denunciar, n\u00e3o sem motivos, os delitos de corrup\u00e7\u00e3o, do clientelismo e da burocracia. Quanto ao destino das mulheres l\u00edbias, o hist\u00f3rico do Guia \u00e9 mais uma vez amb\u00edguo. Ele minou, implacavelmente, o patriarcado e, sem d\u00favida, afrouxou a camisa de for\u00e7a social da tradi\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio das \u201cirm\u00e3s\u201d. No entanto, o seu Livro Verde atribui sobretudo \u00e0 mulher a miss\u00e3o de esposa e de m\u00e3e. E Kadafi, um predador sexual impiedoso, continuou a subjugar e a rebaixar aquelas que afirmou ter libertado.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Kadafi permaneceu no poder por 42 anos. Como explicar a longevidade de seu regime?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ferocidade implac\u00e1vel de seu aparelho repressivo n\u00e3o \u00e9 suficiente para explic\u00e1-la. Nos primeiros anos de seu &#8220;reinado&#8221;, o jovem oficial gozou de ineg\u00e1vel popularidade. Ele aparece como um idealista completo e austero, atento ao destino dos desprivilegiados. E encarna uma ruptura radical com aquela monarquia desgastada, percebida como distante, arrogante, sujeita aos ditames de um odiado Ocidente. Dito isso, este estado de gra\u00e7a dificilmente duraria, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">obscurecido por brigas internas no CCR \u2014 Conselho do Comando Revolucion\u00e1rio, o n\u00facleo executivo de seu regime<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> e por tramas reais ou imagin\u00e1rias<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. Como qualquer autocrata, Kadafi batia o p\u00e9 diante das <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">adversidades e fazia o papel de diva, fingindo abandonar um povo que, decididamente, n\u00e3o merecia seu deslumbramento <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">extravagante<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">&#8230; Consequentemente, \u00e9 \u00e0 efic\u00e1cia de seu sistema de seguran\u00e7a e \u00e0s divis\u00f5es de uma oposi\u00e7\u00e3o sufocada e fragmentada que sua excepcional resili\u00eancia deve ser atribu\u00edda.\u00a0 Nunca fui da opini\u00e3o de reduzir a personagem a um doido varrido. Como um louco poderia ter resistido por mais de quatro d\u00e9cadas no tim\u00e3o da L\u00edbia? Isso exigia uma esp\u00e9cie de g\u00eanio pol\u00edtico, por mais cruel que fosse. Um exemplo: esta ci\u00eancia inata da alquimia tribal, sem a qual um l\u00edder de um cl\u00e3 minorit\u00e1rio nunca poderia ter estabelecido seu poder. Mais tarde, o \u201cGuia\u201d soube como jogar habilmente com as aspira\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas do Ocidente e, depois, com o perigo jihadista para poder se livrar de seu <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">status<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> como l\u00edder indesej\u00e1vel, ou de provid\u00eancia para terroristas, e tamb\u00e9m para negociar seu \u2014 ef\u00eamero \u2014 retorno glorioso.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Ele tentou v\u00e1rias vezes unir seu pa\u00eds com seus vizinhos \u00e1rabes. Quais eram suas rela\u00e7\u00f5es com o mundo \u00e1rabe?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa uni\u00e3o delirante reflete o voluntarismo pan-\u00e1rabe, mencionado anteriormente, do homem que queria ser o disc\u00edpulo mais zeloso do nasserismo. Aos seus olhos, o destino das <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ummah<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2014 a comunidade de todos os mu\u00e7ulmanos \u2014 n\u00e3o podia encontrar-se\u00a0 moldado por fronteiras herdadas, em grande parte, da \u00e9poca colonial, cujo tra\u00e7ado artificial fora um arranjo entre as pot\u00eancias ocidentais. Entre 1969 e 1989, o Coronel celebrou, assim, uma dezena de \u201ccasamentos\u201d. A maioria seria ef\u00eamera, natimorta ou mesmo puramente fict\u00edcia. E tudo terminaria em fracassos, se n\u00e3o em div\u00f3rcios<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> motivados por diferen\u00e7as irreconcili\u00e1veis. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Podemos citar, entre as \u201cnoivas\u201d, o Egito, a S\u00edria, o Chade, o Sud\u00e3o, a Arg\u00e9lia e a Tun\u00edsia de Habib Bourguiba. Esses casamentos, celebrados em 1974, durar\u00e3o apenas 48\u00a0horas. O tempo necess\u00e1rio para o \u201cLe\u00e3o de Cartago\u201d desenterrar a disposi\u00e7\u00e3o constitucional adequada para <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">bombardear o projeto. Se os poderosos \u00e1rabes locais n\u00e3o podem condenar <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">diretamente os avan\u00e7os de um Muammar Kadafi venerado entre <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">seus jovens, a for\u00e7a do Le\u00e3o preocupa os l\u00edderes e at\u00e9 os leva ao desespero,<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> principalmente porque, ao longo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">dos anos, os l\u00edbios assumem a postura de minar publicamente a \u201cindiferen\u00e7a\u201d ou a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201ccovardia\u201d de seus hom\u00f3logos. Inclusive, est\u00e3o a favor das c\u00fapulas da Liga \u00c1rabe, que \u00e0s vezes se transformavam em drama, se n\u00e3o em farsa. Essa hostilidade atingiu seu auge em rela\u00e7\u00e3o a Anwar al-Sadat, o sucessor de Nasser, a ponto de culminar na curt\u00edssima Guerra L\u00edbia-Egito, em julho de 1977. Da mesma forma, tudo indica que o Cairo estava, ent\u00e3o, associado ao plano de elimina\u00e7\u00e3o f\u00edsica de Kadafi imaginado por Washington, que contava com o apoio t\u00e1cito de Paris. Sem d\u00favida, o profundo ressentimento inspirado pelas rejei\u00e7\u00f5es de seus &#8220;irm\u00e3os&#8221; \u00e1rabes explica, em parte, a \u201cvirada africana\u201d operada por Tr\u00edpoli no final do s\u00e9culo passado.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; Kadafi se autodenominava \u201crei dos reis tradicionais da \u00c1frica\u201d. Quais eram suas rela\u00e7\u00f5es com a \u00c1frica, com seus l\u00edderes e com suas popula\u00e7\u00f5es?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Aqui, novamente, devemos ser cautelosos com as apar\u00eancias, com a ret\u00f3rica e com os efeitos de palco. Decepcionado com a vaidade da din\u00e2mica pan-\u00e1rabe, o mestre da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Jamahiriya<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> dirige-se resolutamente para o sul, vestindo o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">boubou<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 t\u00fanica africana\u00a0\u2014\u00a0do novo messias do pan-africanismo. Kadafi tem os recursos, e inspira tanto o medo como a gratid\u00e3o, at\u00e9 mesmo esses dois sentimentos. Sua capacidade de causar problemas e suas reservas cambiais garantem a lealdade, muitas vezes temerosa, dos regimes fr\u00e1geis. Quantas vezes eu ouvi, nos bastidores de uma c\u00fapula da Uni\u00e3o Africana (UA) ou nas ante salas de pal\u00e1cios presidenciais subsaarianos, eminentes conselheiros do Pr\u00edncipe que confiavam em segredo: \u201cO que voc\u00ea quer? Seria suic\u00eddio desafiar Kadafi. Ele enche nossos cofres, constr\u00f3i nossas mesquitas e amea\u00e7a armar esta ou aquela rebeli\u00e3o em caso de desobedi\u00eancia\u201d. O fasc\u00ednio que Kadafi exerce <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">post mortem<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> sobre uma fra\u00e7\u00e3o significativa da intelectualidade africana, que segue em busca de \u00edcones desde a morte de Nelson Mandela, tem algo de inusitado. Em particular, se pensarmos nas v\u00e1rias tentativas de anexa\u00e7\u00e3o da franja norte do Chade, que Kadafi sempre considerou parte integrante da Grande L\u00edbia, e que foi objeto de uma grande disputa com a Fran\u00e7a dos ex-presidentes Val\u00e9ry Giscard d&#8217;Estaing e Fran\u00e7ois Mitterrand. De forma particular, ele poderia tratar seus anfitri\u00f5es de pele escura com uma condescend\u00eancia que beirava o desprezo. Na biografia que escrevi, cito o testemunho esclarecedor sobre a quest\u00e3o do gabon\u00eas Jean Ping, chefe da Comiss\u00e3o da UA na \u00e9poca em que Kadafi era o presidente em exerc\u00edcio. Al\u00e9m disso, testemunhei, especialmente no per\u00edodo de 1999-2000, algumas chacinas visando os trabalhadores imigrantes subsaarianos conduzidas por comerciantes l\u00edbios, \u00e0 vista e com o conhecimento de for\u00e7as de seguran\u00e7a que atuaram de maneira passiva, sen\u00e3o c\u00famplices. \u00c9 por isso que elevar Kadafi \u00e0 dignidade de her\u00f3i pan-africano \u00e9, em minha opini\u00e3o, uma farsa.<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">&#8211; O regime viveu os \u00faltimos vinte anos da \u201cGuerra Fria\u201d e, depois, os vinte anos do per\u00edodo \u201cp\u00f3s-Guerra Fria\u201d. Como evoluiu seu posicionamento nas rela\u00e7\u00f5es internacionais?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ver\u00e3o de 1969, quando Kadafi assumiu o controle do pa\u00eds, seu perfil nasserista, anti-imperialista e revolucion\u00e1rio o classificou entre os aliados naturais de Moscou, especialmente porque as f\u00e1bricas de armamentos da URSS (Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas) lhe forneciam a maior parte de seu equipamento militar. No entanto, existiam algumas nuances. Como vimos, o Coronel repudia o ate\u00edsmo de Estado ao estilo sovi\u00e9tico e dispensa o capitalismo e o marxismo, doutrinas tamb\u00e9m obsoletas aos seus olhos. Al\u00e9m disso, al\u00e9m de suas arengas incendi\u00e1rias, ele poupa as grandes petrol\u00edferas americanas. Finalmente, seu ardor, sua modernidade e sua aparente integridade atraem a Europa. Quando Kadafi foi recebido no Pal\u00e1cio do Eliseu, em 1973, Georges Pompidou concedeu-lhe, em privado, o t\u00edtulo de &#8220;esperan\u00e7a do mundo \u00e1rabe&#8221;. O endurecimento do regime, a generosidade financeira e militar concedidas \u00e0 nebulosa que representavam os \u201cmovimentos de liberta\u00e7\u00e3o\u201d de todos os matizes, incluindo os mais ex\u00f3ticos e os mais marginais, o uso do terrorismo como instrumento de influ\u00eancia ou de puni\u00e7\u00e3o, tudo vai arruinar o pouco cr\u00e9dito que ele ainda poderia aproveitar no Ocidente e o precipitar\u00e1, de forma duradoura, para o lado errado do futuro \u201cEixo do Mal\u201d. Os massivos ataques, j\u00e1 citados, ordenados pelo governo Reagan em retalia\u00e7\u00e3o ao atentado \u00e0 boate <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">berlinense La Belle, fatal para dois soldados americanos, aos olhos de Kadafi deixam <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">os Estados Unidos na condi\u00e7\u00e3o de inimigo absoluto. Mas s\u00f3 at\u00e9 que ele perceba os efeitos devastadores das san\u00e7\u00f5es que est\u00e3o estrangulando seu pa\u00eds. Para afrouxar o controle, Kadafi aceita \u2014 embora negue qualquer responsabilidade pelos atentados \u2014 pagar uma indeniza\u00e7\u00e3o substancial aos benefici\u00e1rios das v\u00edtimas de dois ataques de hist\u00f3ria sinistra: o do avi\u00e3o DC-10 da companhia a\u00e9rea UTA (N\u00edger, em 1989) e o do Boeing da PanAm (Esc\u00f3cia, em 1988). Dentro dessa mesma linha, ele afirma ter <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ordenado de maneira antecipada um mandado de pris\u00e3o internacional contra Osama bin Laden, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o fundador da Al-Qaeda, e de ter derrotado os maquis isl\u00e2micos, ou membros da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">resist\u00eancia, que operam no Oriente. O resto, j\u00e1 sabemos: mais uma vez &#8220;tolerado&#8221;, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Muammar Kadhafi ser\u00e1 assiduamente cortejado pelo italiano Silvio Berlusconi, pelo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">brit\u00e2nico Tony Blair, pelo chanceler alem\u00e3o Gerhard Schr\u00f6der e, claro, pelo franc\u00eas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Nicolas Sarkozy. Isso at\u00e9 a reviravolta de 2011.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Traduzido do franc\u00eas por Aline Arana \/ Revisado por Gra\u00e7a Pinheiro<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olivier Flumian entrevista Vincent Hugeux Por v\u00e1rias d\u00e9cadas, o nome da L\u00edbia esteve intimamente ligado ao de seu l\u00edder, Muammar Kadafi. Utilizando seus imensos recursos petrol\u00edferos, o l\u00edder l\u00edbio multiplicou interven\u00e7\u00f5es complexas no cen\u00e1rio internacional: a tentativa de uni\u00e3o com&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1719,"featured_media":1475891,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37,113,11390,159],"tags":[96714,63202],"class_list":["post-1475889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa-pt","category-noticias-do-exterior","category-conteudo-original","category-entrevista-pt-pt","tag-kadafi","tag-libia-pt-pt"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A L\u00edbia de Kadafi: do apogeu \u00e0 queda, 1969-201 - Parte II<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Olivier Flumian entrevista Vincent Hugeux Por v\u00e1rias d\u00e9cadas, o nome da L\u00edbia esteve intimamente ligado ao de seu l\u00edder, Muammar Kadafi. 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