{"id":1474141,"date":"2021-11-20T01:47:45","date_gmt":"2021-11-20T01:47:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1474141"},"modified":"2021-11-20T01:47:45","modified_gmt":"2021-11-20T01:47:45","slug":"o-racismo-e-complexo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/11\/o-racismo-e-complexo\/","title":{"rendered":"\u201cO racismo \u00e9 complexo\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"padding-left: 40px;\">Ser mulher negra \u00e9 ser diariamente confrontada pela est\u00e9tica \u2013 que n\u00e3o se enquadra no padr\u00e3o de beleza euroc\u00eantrico branco \u2013, \u00e9 ter a intelig\u00eancia questionada a todo momento e enfrentar as tentativas de destrui\u00e7\u00e3o da autoestima, porque o racismo \u00e9 sempre perverso. Ap\u00f3s 133 anos de abolida a escravid\u00e3o no Brasil, \u00e9 este o sentimento de Ivonete da Silva Lopes, Professora Adjunta da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Minas Gerais (UFV), graduada em Comunica\u00e7\u00e3o Social\/Jornalismo, com mestrado e doutorado tamb\u00e9m em Comunica\u00e7\u00e3o, pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Ela \u00e9 autora do livro TV Brasil e a Constru\u00e7\u00e3o da Rede Nacional de Televis\u00e3o P\u00fablica e atualmente pesquisa pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o e diversidade racial; m\u00eddia e racismo; comunica\u00e7\u00e3o, institui\u00e7\u00f5es e ruralidade. Nesta entrevista, Ivonete nos fala sobre quest\u00f5es que permeiam a realidade da popula\u00e7\u00e3o negra no Brasil, com destaque para as mulheres negras, em termos educacionais, socioecon\u00f4micos e pol\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Fale um pouco sobre a sua experi\u00eancia enquanto mulher negra no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 O racismo \u00e9 sempre perverso e permeia as rela\u00e7\u00f5es sociais no Brasil. A minha experi\u00eancia \u00e9 de uma mulher negra com 35 anos vividos na Regi\u00e3o Sul, especificamente em Santa Catarina, onde 80% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 branca (IBGE, 2019). Depois mudei para o Rio de Janeiro para cursar mestrado e doutorado. H\u00e1 quase sete anos moro em Vi\u00e7osa, no interior de Minas Gerais.<br \/>\nEm todos esses lugares me deparei com o racismo, seja no bairro oper\u00e1rio onde cresci ou como docente na universidade p\u00fablica. Hoje, olhando para o passado, consigo perceber que tentam nos fazer sentir diferentes, desvalorizadas em rela\u00e7\u00e3o aos demais e destruir nossa auto-estima. Resumindo, ser mulher negra \u00e9 ser diariamente confrontada pela sua est\u00e9tica que n\u00e3o se enquadra no padr\u00e3o de beleza euroc\u00eantrico branco, ter nossa intelig\u00eancia questionada&#8230;<\/p>\n<p><strong>\u2014 A maioria das mazelas que acometem as mulheres, atingem mais fortemente as mulheres negras. Segundo a Fiocruz, por exemplo, as negras t\u00eam menos acesso a consultas ginecol\u00f3gicas e a exames de pr\u00e9-natal do que as brancas, que recebem com menos frequ\u00eancia recursos para aliviar as dores na hora do parto (como anestesia) e s\u00e3o as que mais morrem em decorr\u00eancia do parto. Voc\u00ea poderia comentar esses fatos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Este \u00e9 um caso do racismo institucional, que n\u00e3o se restringe apenas \u00e0 sa\u00fade, mas est\u00e1 presente em diversas institui\u00e7\u00f5es (educacionais, judici\u00e1rio e outras) que incorporam o racismo nas suas pr\u00e1ticas. Neste caso espec\u00edfico, no meu entender lidamos com o mito da for\u00e7a da mulher negra que precisa de menos anestesia na hora do parto, ou seja, \u00e9 a face brutal do racismo que desumaniza as mulheres negras. Diante disso, \u00e9 preciso destacar a relev\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas focalizadas, como a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra (2009), demandada pelos movimentos sociais negros. Esta pol\u00edtica \u00e9 o reconhecimento pelo Estado brasileiro do racismo institucional como determinantes das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade. A lei, sem d\u00favida, representa um avan\u00e7o, mas muito precisa ser feito. Acho que a forma\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade \u00e9 uma quest\u00e3o central.<\/p>\n<p>Infelizmente, estavamos vivendo um retrocesso significativo. Agora na pandemia, por exemplo, o governo federal n\u00e3o tem coordenado a coleta de informa\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero e pertencimento racial, conforme orienta a Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral da Popula\u00e7\u00e3o Negra e Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade. A aus\u00eancia dessas informa\u00e7\u00f5es impossibilita que se elaborem e desenvolvam pol\u00edticas de aten\u00e7\u00e3o focadas nos grupos mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Ser uma mulher negra e docente universit\u00e1ria faz muitas pessoas afirmarem que \u201cquando a gente se esfor\u00e7a consegue um lugar ao sol\u201d, e que portanto, se queixar de racismo \u00e9 \u201cmi mi mi.\u201d O que voc\u00ea diria a algu\u00e9m que pensa dessa forma?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 O discurso da meritocracia \u00e9 muito arraigado no Brasil. Temos que tomar cuidado para n\u00e3o embarcarmos nele. No entanto, muitos que defendem o m\u00e9rito, pertencem \u00e0s fam\u00edlias que se reproduzem na medicina, no judici\u00e1rio e sobretudo na pol\u00edtica. A pessoa j\u00e1 nasce com o percurso profissional praticamente constru\u00eddo. Ent\u00e3o me pergunto: Qual o m\u00e9rito do sobrenone? Acho que poder\u00edamos come\u00e7ar a discuss\u00e3o da meritocracia pela elite brasileira.<\/p>\n<p>Os racistas s\u00e3o t\u00e3o cru\u00e9is que nos usam como \u201cexemplos\u201d na tentativa de descontruir a discrimina\u00e7\u00e3o racial, com frases do tipo \u201cvoc\u00ea se esfor\u00e7ou e conseguiu\u201d. No entanto, quando n\u00f3s, negros e negras, chegamos \u00e0 doc\u00eancia ou outra posi\u00e7\u00e3o de destaque, geralmente estamos sozinhas nesses espa\u00e7os. Quando entrei na universidade, h\u00e1 seis anos, eu era a \u00fanica negra entre os 32 professores do meu Departamento. Se o racismo fosse menos brutal, talvez pud\u00e9ssemos ter entre docentes, pol\u00edticos, executivos, etc., uma representa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima da realidade racial brasileira, que \u00e9 formada por 56% de negros.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Que papel deve\/deveria desempenhar a Universidade na luta antirracista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Educar para a igualdade. Mas ainda estamos longe disso. Precisamos refletir nosso papel como educadores e o quanto a Universidade ainda contribui para a perpetua\u00e7\u00e3o do racismo. Quantos cursos\/universidades implementaram em suas grades o ensino das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, conforme a Resolu\u00e7\u00e3o 01\/2004 do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o, podemos pensar que uma institui\u00e7\u00e3o que tem dificultado esse tipo de pol\u00edtica n\u00e3o esteja muito preocupada com a nossa luta. Apesar disso, tivemos algum avan\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>\u2014 As cotas colocaram mais negras e negros nas Universidades brasileiras. Mas, h\u00e1 muitos contrastes no mercado de trabalho. Por exemplo, dados do IBGE (2018) mostram que 47,3% dos negros estavam em empregos informais, enquanto entre os brancos o percentual era de 34,6% ; e que de 2012 a 2018 as mulheres negras ganhavam 2,2 vezes menos do que um homem branco. Que reflex\u00e3o podemos fazer sobre esse panorama?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Entrar na Universidade \u00e9 muito importante. Por\u00e9m, precisamos ter mecanismos para cobrar que as empresas tenham diversidade racial e de g\u00eanero. Quando estava em 2019 no p\u00f3s-doutorado, nos Estados Unidos, observei que uma empresa multinacional asi\u00e1tica tinha campanhas de publicidade com mulheres negras, latinos, orientais, etc.. Fui observar o site e vi que tinham pol\u00edticas para diversidade para a contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores naquele pa\u00eds. A mesma empresa no Brasil n\u00e3o adota a mesma pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como voc\u00ea enxerga o Feminismo Negro? Que papel podem desempenhar ou desempenham as feministas negras na luta antirracista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 O feminismo negro ensina muito sobre nossa realidade para a sociedade brasileira e para o feminismo hegem\u00f4nico (branco). As intelectuais negras t\u00eam uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para pensar a sociedade brasileira.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Ultimamente estamos vendo mais pessoas negras, inclusive mulheres negras, na m\u00eddia hegem\u00f4nica. Podemos afirmar que a m\u00eddia brasileira deixou de ser racista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Tenho pensado muito sobre isso. Mudou um pouco por causa da press\u00e3o social, mas continua racista. Quando foi anunciado que Maju Coutinho iria para o Fant\u00e1stico, fiquei na torcida para que um negro ou negra fosse para o Jornal Hoje. No entanto, isso n\u00e3o ocorreu. Na TV Globo, principal emissora aberta do pa\u00eds, temos uma \u00fanica \u00e2ncora negra. Isso \u00e9 muito pouco para 56% de brasileiros negros. Embora o jornalismo seja um espa\u00e7o importante, n\u00e3o podemos deixar de ver com acuidade as telenovelas e os programas de entretenimento. J\u00e1 observei epis\u00f3dios dessa mesma emissora na cobertura jornal\u00edstica criticar o racismo, mas no entretenimento reproduzir a discrimina\u00e7\u00e3o racial. Qual o papel atribu\u00eddo aos negros nas telenovelas e nos programas humor\u00edsticos?<\/p>\n<p><strong>\u2014 As\/os marxistas afirmam que, sem acabar com o capitalismo, n\u00e3o se pode acabar com o racismo. Voc\u00ea concorda?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Acho pouco prov\u00e1vel que o fim do capitalismo acabaria com o racismo. Precisamos perguntar se nas sociedades socialistas h\u00e1 igualdade racial. A minha observa\u00e7\u00e3o (n\u00e3o aprofundada) v\u00ea homens brancos na elite dirigente, como em Cuba, por exemplo. Entretanto, \u00e9 percept\u00edvel que o capitalismo toma vantagem do racismo para nos oprimir e explorar mais enquanto trabalhadores. O racismo \u00e9 complexo. Tentam nos fazer sentir desvalorizadas e destruir nossa auto-estima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser mulher negra \u00e9 ser diariamente confrontada pela est\u00e9tica \u2013 que n\u00e3o se enquadra no padr\u00e3o de beleza euroc\u00eantrico branco \u2013, \u00e9 ter a intelig\u00eancia questionada a todo momento e enfrentar as tentativas de destrui\u00e7\u00e3o da autoestima, porque o 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