{"id":1470183,"date":"2021-11-14T16:40:04","date_gmt":"2021-11-14T16:40:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1470183"},"modified":"2021-11-14T16:48:17","modified_gmt":"2021-11-14T16:48:17","slug":"eduardo-sued-ousadias-cromaticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/11\/eduardo-sued-ousadias-cromaticas\/","title":{"rendered":"A Danielian Galeria e a Cassia Bomeny Galeria inauguram exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Ousadias Crom\u00e1ticas&#8221; do artista Eduardo Sued"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">ARTES VISUAIS<\/span><\/h5>\n<p><em><strong>Por CWeA Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pintura de Eduardo Sued ocupa, na hist\u00f3ria da pintura brasileira contempor\u00e2nea, uma posi\u00e7\u00e3o singular, tanto pelo requinte crom\u00e1tico quanto pela extrema complexidade formal. A produ\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e intensa do artista, com o passar do tempo, foi configurando um campo pict\u00f3rico aut\u00f4nomo, marcado pela disciplina estrita da pintura e pelo esp\u00edrito de pesquisa permanente.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eduardo Sued nasceu no Rio de Janeiro, em 1925, filho de imigrantes s\u00edrios da cidade de Homs, situada a nordeste de Damasco. Estudou na Escola Nacional de Engenharia, no Rio de Janeiro, e abandonou a faculdade no terceiro per\u00edodo para total dedica\u00e7\u00e3o \u00e0s artes pl\u00e1sticas. Contr\u00e1rio \u00e0s r\u00edgidas regras tradicionais e acad\u00eamicas, preferiu frequentar as atividades dos cursos livres. Estudou pintura e desenho com o pintor alem\u00e3o Henrique Boese, em Santa Teresa, Rio de Janeiro, em 1949. Nos anos 1950, trabalhou como desenhista no escrit\u00f3rio de Oscar Niemeyer; Sued sempre menciona que a matem\u00e1tica o permitiu cultivar, desde o in\u00edcio, a clareza do pensar e a disciplina na precis\u00e3o do fazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seguida, viajou para Paris, l\u00e1 frequentou a Acad\u00e9mie Julian e a Acad\u00e9mie de la Grande Chaumi\u00e8re, onde havia a predomin\u00e2ncia da Escola de Paris e estavam em curso as principais vertentes do cubismo \u2014 o epicentro da pintura moderna. Em 1953, retornou ao Rio de Janeiro, alinhado com as po\u00e9ticas de fragmenta\u00e7\u00e3o cubista picassianas e com os valores pl\u00e1sticos modernos, adquiridos durante a sua estada europeia. Estudou gravura em metal com Iber\u00ea Camargo, no ateli\u00ea da Lapa, um trabalho minucioso e quase artesanal; aprendeu v\u00e1rias t\u00e9cnicas importantes para a sua forma\u00e7\u00e3o profissional. Passou a produzir gravuras conhecidas como \u00e1guas-tintas, com cores justapostas em tonalidades suaves, realizadas sobre superf\u00edcies granuladas do metal.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A princ\u00edpio, havia, em seu trabalho, a presen\u00e7a de um expressionismo de \u00e2mbito figurativo, derivado da absor\u00e7\u00e3o das linguagens vanguardistas e de seu aprendizado europeu. Segundo o artista:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A espacialidade e\u0301 hoje, em meus trabalhos, a mais forte presen\u00e7a entre os elementos formais da pintura. Dai\u0301 o vazio! Dai\u0301 as paisagens de Monet, Pissarro, os pre\u0301-renascentistas, os planos frontais de Vela\u0301zquez e Rembrandt (\u201cA ronda noturna\u201d), de Matisse (o \u201cAtelie\u0302 vermelho\u201d, as grandes colagens) ou de Picasso (\u201cGuernica\u201d), a me terem vivamente impressionado. [&#8230;] Tudo foi decantado. E a figura perdeu o seu sentido.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sued segue o seu caminho, sem se filiar jamais a nenhum movimento ou programas est\u00e9ticos, mantendo-se independente e distante das discuss\u00f5es entre figurativos e abstratos e\/ou das dissid\u00eancias entreconcretos paulistas. Nos anos 1960, tamb\u00e9m n\u00e3o se submeteu \u00e0 nova ordem figurativa que estava em vigor. As ideias construtivas encontraram um intenso desenvolvimento no cen\u00e1rio da arte brasileira, ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da I Bienal Internacional de S\u00e3o Paulo, em 1951. Os pioneiros construtivistas russos, como Vladimir Tatlin, Rodchenko e Kasimir Malevich, os holandeses vinculados ao neoplasticismo, como Piet Mondrian e Theo van Doesburg, fundadores do De Stijl, e o alem\u00e3o Josef Albers lidavam diretamente com as quest\u00f5es relacionadas com o campo crom\u00e1tico. O cr\u00edtico de arte e seu grande amigo Ronaldo Brito, que acompanha seu trabalho desde os anos 1960, afirmou que \u201cEduardo Sued \u00e9 o grande desinibidor da linguagem abstrata de origem construtiva, na pintura moderna brasileira\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A produ\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica de Eduardo Sued traz as ambiguidades contempor\u00e2neas, evoca as vertentes da vanguarda europeia e reafirma a inclina\u00e7\u00e3o da arte brasileira para a heran\u00e7a hist\u00f3rica do construtivismo. O legado do pensamento construtivo est\u00e1 presente no seu pensamento est\u00e9tico. A pintura \u00e9 a sua linguagem, exaustivamente exercitada, extremamente atuante, que discute, rediscute, desafia a si e a sua obra. Sued soube adequar seu trabalho \u00e0s quest\u00f5es da arte contempor\u00e2nea, enquanto desenvolvia uma linguagem pict\u00f3rica baseada na investiga\u00e7\u00e3o de campos crom\u00e1ticos e na problematiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. A cor \u00e9 o elemento formativo e fundamental de sua trajet\u00f3ria, assim como a geometria estrutura a organiza\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie das telas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1470268\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470268\" class=\"wp-image-1470268 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2017-Oleo-sobre-tela-70x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121089-1.jpg\" alt=\"\" width=\"883\" height=\"771\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2017-Oleo-sobre-tela-70x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121089-1.jpg 883w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2017-Oleo-sobre-tela-70x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121089-1-300x262.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2017-Oleo-sobre-tela-70x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121089-1-820x716.jpg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 883px) 100vw, 883px\" \/><p id=\"caption-attachment-1470268\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Sued_2017 Ol\u00e9o sobre tela 70x80cm Assinado e datado no verso &#8211; Cr\u00e9dito: Jaime Acioli<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele tem um processo ininterrupto de pintura e suas inquietantes geometrias, aliadas aos seus audaciosos contrastes crom\u00e1ticos, apresentam-nos verdadeiros dilemas para as certezas composicionais, com forte evid\u00eancia de um vigor po\u00e9tico. Entre os artistas que marcaram fortemente os seus trabalhos, Sued fala a esse respeito: Klee, Picasso e Mondrian condicionaram-me ao desenvolvimento da percep\u00e7\u00e3o, do meu estar na arte. Tenho grande admira\u00e7\u00e3o por Mir\u00f3, Morandi, Giacometti, Brancusi, L\u00e9ger, De Chirico e o grupo Bauhaus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A sua experi\u00eancia est\u00e9tica do mundo, com sua pluralidade crom\u00e1tica, legitima o sentido da realidade atual. Encontramos, al\u00e9m da gram\u00e1tica do legado construtivo, o car\u00e1ter inquieto dos planos indeterminados e descont\u00ednuos c\u00e9zannianos, as cores decididas e saturadas matisseanas, as fragmenta\u00e7\u00f5es cubistas picassianas, a ordena\u00e7\u00e3o clara e ortogonal da estrutura neopl\u00e1stica de Mondrian. Segundo o artista: \u201clogo percebi que a proposta de Mondrian n\u00e3o era uma extrapola\u00e7\u00e3o impensada, mas um grande salto, n\u00e3o para fora, mas para dentro da pr\u00f3pria pintura\u201d. O cr\u00edtico de arte Ronaldo Brito definiu o seu trabalho como uma pintura reflexiva: \u201cAs telas de Sued preferem se converter em lugares prop\u00edcios ao exerc\u00edcio filos\u00f3fico da vis\u00e3o\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Realizou sua primeira exposi\u00e7\u00e3o individual na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, em 1958, quando apresentou os elementos fundamentais do seu pensamento pl\u00e1stico, as pinturas, guaches e aquarelas, com uma caligrafia crom\u00e1tica e uma linguagem da abstra\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica. Participou da 41\u00aa Bienal de Veneza, em 1984, com um trabalho in\u00e9dito, composto de faixas de seda pura coloridas que substituem as tiras verticais alongadas de cor na superf\u00edcie da tela, como nega\u00e7\u00e3o da profundidade, na fronteira do tridimensional. Acompanho a trajet\u00f3ria de Sued h\u00e1 muitos anos e conheci o seu ateli\u00ea na Rua Viveiros de Castro, em Copacabana, e o ateli\u00ea na Rua da Alf\u00e2ndega, no Centro do Rio de Janeiro, onde realizou o trabalho para a Bienal de Veneza, composto de \u00e1reas crom\u00e1ticas cortadas em tecido de seda pura, que atuam no movimento da superf\u00edcie da obra, como um questionamento dos limites da pintura.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nos anos 1980, surgem novos elementos em seu trabalho. A base da tela rompe o contorno da totalidade da superf\u00edcie e pulveriza o espa\u00e7o constru\u00eddo pela forma do quadrado. Uma esp\u00e9cie de \u201crodap\u00e9 pict\u00f3rico\u201d, no qual as diferenciadas zonas crom\u00e1ticas s\u00e3o divididas em segmentos desiguais, que interrompem a extens\u00e3o cont\u00ednua das cores. Em suas palavras: \u201ca base rompe o contorno do quadro, faz com que ele deixe de ser s\u00f3 um quadrado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No seu pensamento pl\u00e1stico, o ato de pintar tem uma intensa rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica. N\u00e3o trabalha apenas com os olhos, mas com os ouvidos para escutar as exig\u00eancias das telas. As cores servem para serem vistas e ouvidas e menciona que, quando ele est\u00e1 em d\u00favida, fecha os olhos e aproxima o ouvido da tela, pensando nos valores de claro e escuro. As cores desabrocham aos poucos: \u201cOu\u00e7o o que a tela pede. Costumo ouvir as cores para poder fazer a estrutura crom\u00e1tica das telas\u201d. Utiliza essa correspond\u00eancia como met\u00e1fora da sua viv\u00eancia pict\u00f3rica, recomenda ao artista trabalhar com os ouvidos para escutar as exig\u00eancias das telas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O vocabul\u00e1rio Sued \u00e9 baseado em estruturas geom\u00e9tricas e ousadas oposi\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas, uma totalidade pl\u00e1stica original com uma grande liberdade no tratamento da cor, por vezes saturadas, com combina\u00e7\u00f5es ou disson\u00e2ncias crom\u00e1ticas, mas sempre construindo novos direcionamentos.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sued busca harmonizar coisas que n\u00e3o se harmonizam; cores que n\u00e3o se irmanam. O artista parece estar sempre provocando novas situa\u00e7\u00f5es, assim como as disson\u00e2ncias musicais, sendo um ouvinte da m\u00fasica de Arnold Sch\u00f6nberg, Alban Berg, Anton Webern, a famosa segunda escola de Viena, que trabalhavam no sentido da dissolu\u00e7\u00e3o do sistema tonal, conhecidos pela nova organiza\u00e7\u00e3o sonora, como uma consequ\u00eancia da inevit\u00e1vel desagrega\u00e7\u00e3o do sistema tonal \u2014 o dodecafonismo, escrita musical em que nenhum dos 12 sons da escala crom\u00e1tica tem maior import\u00e2ncia do que os outros.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1470246\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470246\" class=\"wp-image-1470246 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2006-Grafite-e-recorte-sobre-papel-110x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121119.jpg\" alt=\"\" width=\"401\" height=\"560\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2006-Grafite-e-recorte-sobre-papel-110x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121119.jpg 401w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2006-Grafite-e-recorte-sobre-papel-110x80cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121119-215x300.jpg 215w\" sizes=\"auto, (max-width: 401px) 100vw, 401px\" \/><p id=\"caption-attachment-1470246\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Sued_2006 Grafite e recorte sobre papel 110x80cm Assinado e datado no verso &#8211; Cr\u00e9dito: Jaime Acioli<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que significa romper com um sistema ou situa\u00e7\u00e3o estabelecida. Nas numerosas visitas que realizei ao ateli\u00ea do artista, havia sempre uma m\u00fasica tocando, muitas vezes dissonante. Sued mencionava que a dist\u00e2ncia entre um acorde e outro conseguia entrever a presen\u00e7a de um contraponto na pintura, nos valores de claro\/escuro e luminosidades. Afirmou em uma entrevista:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao ouvir mu\u0301sica, vejo-me ligado aos seus intervalos, acordes e dissona\u0302ncias, aos seus contrapontos e harmonias. Tento promover em mim essa mesma vive\u0302ncia atrave\u0301s das cores, em suas diferenc\u0327as de luminosidades, saturac\u0327o\u0303es e sile\u0302ncios. Os sile\u0302ncios croma\u0301ticos, por exemplo, se referem a\u0300s se\u0301ries branca, cinza e preta. Acho que existem presen\u00e7as distintas de sile\u0302ncio e, portanto, um conceito de sile\u0302ncio. Fico a ver estruturas musicais consistentes em Webern, Hindemith, Alban Berg, Thelonius Monk, Mozart e Bach.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1998, per\u00edodo em que eu era diretora do Centro de Arte H\u00e9lio Oiticica, no Rio de Janeiro, convidei Eduardo Sued para realizar uma exposi\u00e7\u00e3o individual, com curadoria de Paulo Sergio Duarte. Essa mostra reuniu cerca de 40 obras, perfazendo vinte anos de trabalho e algumas pinturas recentes. O artista apresentou uma instala\u00e7\u00e3o intitulada \u201cObjetos\u201d, em homenagem ao pianista e compositor de jazz\u00a0Thelonious Monk. S\u00e3o as intituladas r\u00e9guas, objetos tridimensionais de madeira pintada, geralmente agrupadas e encostadas ou presas na parede.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A obra de Paul Klee teve uma enorme import\u00e2ncia para o seu trabalho e \u00e9 considerado um ponto seminal para o desenvolvimento das colagens, que passam a estar presentes em seus trabalhos a partir dos anos 1970. Recebeu do amigo \u00c2ngelo de S\u00e1, que estudava na Alemanha com Heidegger, um \u00e1lbum de reprodu\u00e7\u00f5es de Klee. Ao folhear o livro, as reprodu\u00e7\u00f5es eram \u00e1reas cobertas de pigmentos prateados e purpurinados, que escorriam pelas p\u00e1ginas do \u00e1lbum. As telas de superf\u00edcies prateadas adv\u00eam da identifica\u00e7\u00e3o de Sued com a mem\u00f3ria das imagens retidas nesse livro de Klee. Eduardo Sued realizou uma exposi\u00e7\u00e3o com esses novos trabalhos na Galeria Prisma, no Rio de Janeiro, em 1970. Os seus desenhos e pinturas passam a apresentar peda\u00e7os de madeira, recortes de papel e\/ou sobreposi\u00e7\u00f5es de camadas crom\u00e1ticas, que dinamizam a superf\u00edcie planar da tela, evidenciando o uso da colagem, agora incorporada ao seu pensamento. Na estrutura crom\u00e1tica de suas telas, permeada por audaciosos contrastes, passam a habitar tamb\u00e9m perfura\u00e7\u00f5es, metais e outras colagens, que evidenciam a sua nova investiga\u00e7\u00e3o relativa \u00e0s quest\u00f5es da luminosidade e da cor. As colagens derivam diretamente das refer\u00eancias cubistas e da influ\u00eancia dos trabalhos de Klee que permitiu que eu pudesse usar qualquer coisa, qualquer objeto, qualquer ferramenta. Desde que voce\u0302 esteja dentro da criac\u0327a\u0303o, voce\u0302 pode usar o que voce\u0302 quiser: re\u0301gua, compasso, qualquer cor. Tudo esta\u0301 a seu alcance, qualquer coisa, colagem, colar papel e\u0301 livre.\u00a0 Em 1974, realizou uma exposi\u00e7\u00e3o na Galeria Luiz Buarque de Hollanda e Paulo Bittencourt, no Rio de Janeiro, com trabalhos em que as colagens estavam presentes e grandes \u00e1reas de cor, agora de visualidade plena: \u201cN\u00e3o mais anexa coadjuvante de um espet\u00e1culo estrutural, mas como uma das partes formativas essenciais da obra\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1470224\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470224\" class=\"wp-image-1470224 size-large\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_1982-Oleo-sobre-tela-85x300cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121123-820x234.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_1982-Oleo-sobre-tela-85x300cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121123-820x234.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_1982-Oleo-sobre-tela-85x300cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121123-300x86.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_1982-Oleo-sobre-tela-85x300cm-Assinado-e-datado-no-verso_-Credito-Jaime-Acioli-JA-121123.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><p id=\"caption-attachment-1470224\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Sued_1982 Ol\u00e9o sobre tela 85x300cm Assinado e datado no verso &#8211; Cr\u00e9dito: Jaime Acioli<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 os anos 1980, o comportamento do pincel n\u00e3o aparecia na estrutura das telas, que apresentavam diversas tonalidades de cor, com modula\u00e7\u00f5es bem ordenadas, por\u00e9m lisas. Em 1982, na exposi\u00e7\u00e3o de Eduardo Sued no Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, foram apresentadas diversas telas com novas solu\u00e7\u00f5es, agora uma palheta com intensas vibra\u00e7\u00f5es coloridas e pinceladas obl\u00edquas; na opini\u00e3o do cr\u00edtico de arte Wilson Coutinho: \u201cUma pintura de pequenos esc\u00e2ndalos\u201d.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Sued passa a ativar a superf\u00edcie do plano, ao libertar as pinceladas com outros movimentos, alterando a textura e contrariando a lisura praticada nas superf\u00edcies uniformes at\u00e9 ent\u00e3o. A estrutura da superf\u00edcie pict\u00f3rica apresenta uma perturba\u00e7\u00e3o, uma nova visibilidade de sua gestualidade, uma esp\u00e9cie de dist\u00farbio, em contraste com a sua habitual regularidade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na d\u00e9cada de 1990 suas obras apresentam outros dilemas, com as pinceladas espessas e descont\u00ednuas, uma nova oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie planar, adquirindo maior complexidade com o acr\u00e9scimo de recortes de madeira e elementos tridimensionais, como um questionamento dos limites da pintura, contrapostos aos ac\u00famulos de mat\u00e9ria. Sued chama de pintura-relevo, onde existe a jun\u00e7a\u0303o da tela com tocos de madeira e afirma:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Era um desejo de pular um pouco para o espac\u0327o [&#8230;] eu fui levado para a terceira dimensa\u0303o. Mas continua sendo muito pintura. Basicamente picto\u0301rico, eu lido com o espac\u0327o de tre\u0302s dimenso\u0303es como se fosse um plano, o resultado e\u0301 este, uma coisa muito mesclada, um bloco com planos, uma pec\u0327a espacial. Apesar de haver presen\u00e7as ou elementos escult\u00f3ricos, eu sou pict\u00f3rico.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 ent\u00e3o, tinha uma fatura quase impercept\u00edvel, lisa, e a superf\u00edcie da tela come\u00e7a a se agitar, com uma apar\u00eancia mais perturbada e encrespada. Sua t\u00e9cnica passa a adquirir maior espessura, mais densidade e as pinceladas tornam-se mais largas, descont\u00ednuas e mais evidentes. As pequenas perfura\u00e7\u00f5es aparecem em algumas telas, criando uma esp\u00e9cie de descontinuidade na superf\u00edcie. As telas luminosas e prateadas passam a dinamizar a superf\u00edcie das telas, numa tens\u00e3o vibrante de campos monocrom\u00e1ticos.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_1470213\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1470213\" class=\"wp-image-1470213 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2003-Oleo-sobre-telas-coladas-em-madeira-56x55cm-Assinado-e-datado-no-verso_Credito-Jaime-Acioli-JA-121114.jpg\" alt=\"\" width=\"1148\" height=\"1278\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2003-Oleo-sobre-telas-coladas-em-madeira-56x55cm-Assinado-e-datado-no-verso_Credito-Jaime-Acioli-JA-121114.jpg 1148w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2003-Oleo-sobre-telas-coladas-em-madeira-56x55cm-Assinado-e-datado-no-verso_Credito-Jaime-Acioli-JA-121114-269x300.jpg 269w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Eduardo-Sued_2003-Oleo-sobre-telas-coladas-em-madeira-56x55cm-Assinado-e-datado-no-verso_Credito-Jaime-Acioli-JA-121114-820x913.jpg 820w\" sizes=\"auto, (max-width: 1148px) 100vw, 1148px\" \/><p id=\"caption-attachment-1470213\" class=\"wp-caption-text\">Eduardo Sued_2003 \u00d3leo sobre telas coladas em madeira 56x55cm Assinado e datado no verso &#8211; Cr\u00e9dito Jaime Acioli<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O prata \u00e9 o vazio, mas um vazio que \u00e9 o lugar de alguma coisa e cont\u00e9m a presen\u00e7a do invis\u00edvel. O vazio vitalizado representa as coisas sem gravidade e sem peso, e foi se estendendo como uma pot\u00eancia na tela. \u00c9 como se eu estivesse lidando com entes invis\u00edveis e ausentes. Por repudiar algumas cores e conservar outras, o prateado \u2014 um autista muito exigente \u2014 instaura a ordem na tela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2004, realizamos uma mostra individual intitulada \u201cEduardo Sued: a experi\u00eancia da pintura\u201d, no Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, uma curadoria em parceria com Ronaldo Brito. A exposi\u00e7\u00e3o deu \u00eanfase a trabalhos, agora em formatos de grande escala, nos quais Sued agrega \u00e0 sua pintura sarrafos de madeira pintada nas bordas, exaltando uma condi\u00e7\u00e3o p\u00fablica para os seus trabalhos; houve tamb\u00e9m uma sala especial, com obras mais antigas, consideradas exemplares, sendo eleita a exposi\u00e7\u00e3o do ano.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sued tem uma produ\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e incessante, pois mant\u00e9m uma rotina. Trabalha diariamente em seu atelie\u0302, projeto arquitet\u00f4nico de seu amigo Luiz Paulo Conde (1934-2015), situado em um condom\u00ednio em Jacarepagu\u00e1\u0301, no Rio de Janeiro. Considera o lugar da cria\u00e7\u00e3o, o lugar onde as coisas s\u00e3o geradas. Ele declarou que o pr\u00f3prio ateli\u00ea tem o seu mundo. \u201cOs objetos que est\u00e3o dentro desse espa\u00e7o e pertencem a voc\u00ea. Por essa raz\u00e3o, Mir\u00f3 e Giacometti, tamb\u00e9m, gostavam de ter o ateli\u00ea repleto de trabalhos. \u00c9 aqui nesse lugar que o artista resolve fazer alguma coisa.\u201d Sued mant\u00e9m h\u00e1 muitos anos a mesma rotina: acordar cedo e ir para o seu ateli\u00ea, dizendo sempre que nasceu com essa vitalidade, que o trabalho \u00e9 fundamental, uma necessidade interior de estar sempre se desenvolvendo, e que sai diariamente, exaurido do ateli\u00ea. Nas suas palavras:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cEu acho importante estar no ateli\u00ea, com regularidade. Porque eu me aconte\u00e7o no ateli\u00ea. Se estou em outro lugar eu levo comigo o meu ateli\u00ea, eu fico pensando, a gente esta\u0301 sempre remoendo alguma coisa. Venho todos os dias, mas eu n\u00e3o sou obrigado a produzir todo dia, n\u00e3o existe obriga\u00e7\u00e3o, se pintar este toque, tudo bem, se n\u00e3o pintar, tudo bem, n\u00e3o ha\u0301 problema. A coisa tem que vir naturalmente, silenciosamente, na aus\u00eancia do nada. Quando sua cabe\u00e7a esta\u0301 vazia e\u0301 que acontecem as coisas, relaxa, entra no nada, ali v\u00e3o surgir as coisas, ali dentro e\u0301 que surgem as coisas. N\u00e3o tem que forcar coisa nenhuma. Por isso que eu gosto de dizer que: as portas do c\u00e9u s\u00f3\u0301 abrem para fora\u201d. Essa \u00faltima frase \u00e9 uma refer\u00eancia a S\u00f6ren Kierkegaard, fil\u00f3sofo dinamarqu\u00eas do se\u0301culo XIX, sempre citado pelo artista.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A natureza diversa das cores e suas oposi\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas e contrastes, sua busca permanente pelos tons baixos e opacos e o seu controle da forma e da luminosidade s\u00e3o esclarecidos pelo pr\u00f3prio artista. Sued menciona que introduziu o branco devido a um artigo de Jean-Paul Sartre no \u201cTemps Modernes\u201d, que fala das centelhas do branco.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Menciona, tamb\u00e9m, a forte impress\u00e3o causada pela tela \u201cArtemisia\u201d, de Rembrandt, de 1634, que ele observou no Museu do Prado; nessa obra a superf\u00edcie branca, intensa e luminosa, n\u00e3o permite a penetra\u00e7\u00e3o do olhar. Sued usava o cinza colorido, mas hoje est\u00e1 mais presente o cinza neutro, utilizado por Matisse. Aqui presenciamos tamb\u00e9m um produtivo di\u00e1logo com Giorgio Morandi, um contraste sutil com as tonalidades mais baixas, talvez um repouso interior segundo o artista. Passa a utilizar as cores prateadas e as exuber\u00e2ncias douradas quase bizantinas, em extens\u00f5es coloridas, que aparenta uma identidade crom\u00e1tica pr\u00f3pria, com o seu valor luminoso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas suas vibra\u00e7\u00f5es crom\u00e1ticas, considera o pigmento preto uma presen\u00e7a, e o negro, a transpar\u00eancia. \u201cO amarelo \u00e9 voluntarioso, um autista, um marginal\u201d. A respeito do leque de cores que est\u00e3o presentes em seus trabalhos, ganha uma melhor defini\u00e7\u00e3o em uma importante declara\u00e7\u00e3o do artista, na entrevista dada ao jornalista Ant\u00f4nio Gonc\u0327alves Filho, em mate\u0301ria publicada em O Estado de S. Paulo, em 1999:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cBasicamente utilizo magenta, vermelho de ca\u0301dmio claro, vermelho pu\u0301rpura, ocre vermelho, terra de siena queimada, vermelho de veneza; amarelo de ca\u0301dmio, laranja, ocre amarelo, verde-esmeralda, verde veronese, azul ultramar claro, azul cobalto claro, azul-turquesa, azul da pru\u0301ssia, violeta cobalto claro, preto marfim, preto de marte, branco tita\u0302nio e branco de zinco. Esse conjunto, selecionado a partir do mostrua\u0301rio de cores vendidas pelo come\u0301rcio, constitui o que chamo paleta fi\u0301sica do artista. A paleta real e\u0301, pore\u0301m, indefinida. E\u0301 o conjunto de suas cores, obtidas a partir daquelas. Essas novas cores na\u0303o te\u0302m nome.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar da proximidade com Iber\u00ea Camargo, esclarece que, apesar da admira\u00e7\u00e3o, n\u00e3o usa o pigmento preto da mesma forma que foi utilizado por Iber\u00ea. E faz uma ampla e esclarecedora distin\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O negro e\u0301 uma alta saturac\u0327a\u0303o de preto. O preto que tem uma grande energia negra e\u0301 o negro. Ha\u0301 uma escala do preto do negro com diversas saturac\u0327o\u0303es. Em quase todo quadro onde saturac\u0327o\u0303es e luminosidades criam fortes planos e contrastes. Estas diversas saturac\u0327o\u0303es de preto e negro criam diversos fundos reais, que sa\u0303o elementos, formas da pintura. Um quadro preto e negro tem diversos planos devido a\u0300s saturac\u0327o\u0303es e luminosidades, um e\u0301 mais luminoso, que o outro. A presenc\u0327a de uma cor neste contexto, qualquer cor, inclusive o branco, pode saturar a cor vizinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A imers\u00e3o nos negros e as pinceladas com toques mais espessos passam a ocupar todas as \u00e1reas, com distintos tratamentos. As pinturas que trazem a orquestra\u00e7\u00e3o de negros empolgantes e densas pinceladas dialogam com a plasticidade presente nas obras de Diego Vel\u00e1zquez, Francisco Goya, \u00c9douard Manet. Frequentemente exclama, durante as muitas visitas ao seu ateli\u00ea: \u201cH\u00e1 qualquer coisa espanhola nessas pinturas.\u00a0 \u00c9 a Espanha!! \u00c9 Goya!! \u00c9 o Mediterr\u00e2neo!!\u201d Em uma de suas viagens, a sua pot\u00eancia po\u00e9tica pode ser transcrita atrav\u00e9s dos reflexos luminosos nas \u00e1guas do Gua\u00edba, no Rio Grande Sul, que criaram uma identifica\u00e7\u00e3o sua com o pensamento de C\u00e9zanne: \u201cA cor \u00e9 o lugar onde o Universo e o nosso c\u00e9rebro se encontram\u201d.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Duas exposi\u00e7\u00f5es brotam simultaneamente junto com a materialidade das cores de Eduardo Sued, na Danielian Galeria e na Cassia Bomeny Galeria. Ambas apresentam diversos trabalhos que revelam seus procedimentos e estrat\u00e9gias que apontam para as resolu\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica pict\u00f3rica do seu universo pl\u00e1stico. Permitem um olhar amplo, retrospectivo e reflexivo sobre a trajet\u00f3ria desse grande artista, um pensador e o maior colorista do cen\u00e1rio art\u00edstico nacional. Um turbilh\u00e3o de formas e de cores.\u00a0 Na sua afirmativa: \u201cTudo \u00e9 cor, pode haver sonatas, sinfonias &#8230;\u201d<\/span><\/p>\n<p><b>Vanda Klabin <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 historiadora e curadora de arte. Nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1470280 size-large\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/convite_Eduardo-Sued-820x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/convite_Eduardo-Sued-820x1024.jpg 820w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/convite_Eduardo-Sued-240x300.jpg 240w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/convite_Eduardo-Sued.jpg 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARTES VISUAIS Por CWeA Comunica\u00e7\u00e3o &nbsp; A pintura de Eduardo Sued ocupa, na hist\u00f3ria da pintura brasileira contempor\u00e2nea, uma posi\u00e7\u00e3o singular, tanto pelo requinte crom\u00e1tico quanto pela extrema complexidade formal. 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