{"id":1442663,"date":"2021-10-03T04:46:13","date_gmt":"2021-10-03T03:46:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1442663"},"modified":"2021-10-03T04:46:13","modified_gmt":"2021-10-03T03:46:13","slug":"o-futuro-datilografado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/10\/o-futuro-datilografado\/","title":{"rendered":"O futuro datilografado"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p><em><strong>Por Marco Dacosta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 align=\"left\"><em>&#8220;Infeliz \u00e9 o esp\u00edrito ansioso pelo futuro&#8221; <\/em><\/h3>\n<h3 align=\"left\"><em>Seneca<\/em><\/h3>\n<p align=\"left\">\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505; font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Havia um tempo &#8211; n\u00e3o muito longe dos dias que vivemos, quando escrever era uma tarefa artesanal. Desenh\u00e1vamos letras nos cadernos de caligrafia, escrev\u00edamos postais e cartas aos amigos e parentes, cart\u00f5es de Natal e desejos de ano novo. Para alguns de n\u00f3s esse tempo \u00e9 s\u00f3 lembran\u00e7a &#8211; para outros desafia nossa capacidade de superar o passado &#8211; um dia uma amiga me pediu para que a escrevesse, por carta. Recebi o envelope selado, abri e achei lindo mas n\u00e3o consegui responder. Sou um nost\u00e1lgico, amante de tecnologia vintage, vinil, r\u00e1dios e m\u00e1quinas de escrever &#8211; mas nada disso pode voltar. O mundo era muito mais dif\u00edcil sem celular e internet, por mais que minha gera\u00e7\u00e3o tente resgatar esses h\u00e1bitos. Seria como voltar ao amolador de faca e ao fog\u00e3o a lenha &#8211; a lentid\u00e3o nos deixaria irritados. Fomos todos contaminados pelas comodidades e pela rapidez dos novos tempos. <\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505; font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Ainda lembro com ternura da batida das teclas, marcando letra por letra em um papel. Tenho duas m\u00e1quinas incr\u00edveis, espalhadas pelo mundo. Uma, mais antiga, em algum dep\u00f3sito da Fl\u00f3rida e outra nas montanhas da serra do Rio de Janeiro. Inesquec\u00edvel minha visita a uma loja em Oakland na Calif\u00f3rnia, onde me apaixonei pelas dezenas que s\u00e3o l\u00e1 reformadas e vendidas. Quero v\u00ea-las na minha estante, como um trof\u00e9u. Somente assim. <\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505; font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Encontrei Hoje umas anota\u00e7\u00f5es em papel. H\u00e1 muito n\u00e3o escrevo &#8211; digito. H\u00e1 muito n\u00e3o fa\u00e7o ponta no l\u00e1pis &#8211; rabisco. Estou perdendo minha habilidade de escrever ao papel, deslizar a esferogr\u00e1fica azul entre duas linhas. As vezes pego rabiscos antigos e fa\u00e7o viagens no tempo. Olho para o teto, tentando imaginar cenas do passado &#8211; me transportei para um antigo apartamento em uma parte do Brooklyn bastante antiga e preservada, me sinto em algum lugar de Londres &#8211; ou mesmo em uma Nova York de outra \u00e9poca. Minhas janelas laterais est\u00e3o de frente para um pr\u00e9dio tamb\u00e9m como o meu, antigo. Vejo atrav\u00e9s do vidro e cortinas as marcas do tempo. Parece uma f\u00e1brica, de tijolos pesados, entradas em arco. Nada \u00e9 moderno, nem no meu, nem no deles. As janelas, detalhes, piso, acabamentos, tudo como era ou deveria ser nos anos 20 &#8211; quando foram erguidas as primeiras casas da rua. Bristol Street &#8211; sim esse era o nome nos envelopes que recebia &#8211; com certeza inspirado na cidade brit\u00e2nica de mesmo nome, industrial, decadente e vazia. <\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sigo na lembran\u00e7a : Deitado, olhando para as janelas e l\u00e1 fora uma torre de igreja, vejo o mesmo que os que aqui viveram durante d\u00e9cadas. V\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es naquele quarto viram l\u00e1 fora a mesma paisagem, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma casa ou pr\u00e9dio ao redor que pare\u00e7a constru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a segunda guerra. N\u00e3o s\u00e3o casas como as de Brooklyn Heights, que foram da elite da \u00e9poca. Escritores como Capote viveram nelas. A Bristol street \u00e9 uma rua que corta uma regi\u00e3o de classe m\u00e9dia baixa, trabalhadores, oper\u00e1rios. Quem sabe por isso os pr\u00e9dios ficaram intactos e sobreviveram a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria que avan\u00e7a ao norte e ao sul do Brooklyn. Nos anos 60 e 70 v\u00e1rios conjuntos habitacionais destinados aos mais pobres e negros foram ocupando os terrenos abandonados das f\u00e1bricas desativadas ap\u00f3s a segunda guerra. Os anos seguintes seriam de muita viol\u00eancia, revoltas, uma \u00e1rea quase que similar ao sul do Bronx, tomada por gangues e com pr\u00e9dios decadentes. Essa situa\u00e7\u00e3o impediu novamente a gentrifica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Olho ao meu redor, as paredes, os detalhes do rodap\u00e9. As centenas de fam\u00edlias de imigrantes, italianos e poloneses &#8211; primeiros a ocupar a rua foram deixando a regi\u00e3o aos poucos. A rua e o bairro ficaram destinados aos negros que chegavam do sul. Muitos das ilhas do caribe, Jamaica e \u00edndias ocidentais. Os tacos decorados formam estrelas &#8211; j\u00e1 n\u00e3o se faz mais piso assim &#8211; comenta o senhorio. Na entrada do pr\u00e9dio um ch\u00e3o de pastilhas, formam desenhos geom\u00e9tricos. A recente reforma n\u00e3o mudou nada, nem cor, nem textura. Por economia ou pressa em alugar, os tr\u00eas apartamentos seguem com a mesma estrutura e desenho dos anos 20. E tudo isso me faz viajar no tempo.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505; font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Fico imaginando, da minha cama, uma m\u00e1quina de escrever. Quantos toques essas paredes j\u00e1 escutaram? gemidos dos casais, quantas crian\u00e7as nasceram? Quantos amores come\u00e7aram e terminaram nesses c\u00f4modos? A carta que veio do navio, da guerra, chegou aqui pela velha caixa postal. A not\u00edcia da perda do filho, as l\u00e1grimas. A hist\u00f3ria passou por aqui e eu sens\u00edvel a ela, reescrevendo outras p\u00e1ginas, sigo enchendo a casa de amor e ternura. Hoje s\u00e3o os toques do computador, o barulho da garrafa de coca cola, o g\u00e1s. A TV, a internet, a estante que fiz. Restou do passado o som do vinil, o barulho do aquecedor, da \u00e1gua fervendo correndo pela tubula\u00e7\u00e3o para aquecer nossas vidas. Passado e presente, sons, cores, odores.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Viajar no tempo \u00e9 poss\u00edvel. Eu fui l\u00e1 nos anos 20, como um caleidosc\u00f3pio os anos foram passando e transformando as coisas, amores, partos, mortes, partidas, chegadas. Acelerei mais ainda, pela janela vi os hippies, as gangues brigando, avancei mais &#8211; me vi chegar cheio de malas, sair do Uber, subir as escadas, abri a porta. Voltei.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505; font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Suspiro aliviado. Acabou a guerra quente e a fria, acabaram os ataques as torres g\u00eameas, terminaram as pandemias, a m\u00e1scara vai para um museu em breve e ou ser\u00e1 substitu\u00edda por outras, novos v\u00edrus sempre estar\u00e3o a caminho. Volto da viagem e fico feliz por ter penicilina, por ter vacina, por ter antibi\u00f3ticos e sons de rob\u00f4s. Pergunto a Alexia\u00a0qual a temperatura e como ser\u00e1\u00a0o amanh\u00e3. Dia claro, come\u00e7o de outono, ela responde.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #050505;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Que fant\u00e1stico viver o presente. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA Por Marco Dacosta &nbsp; &#8220;Infeliz \u00e9 o esp\u00edrito ansioso pelo futuro&#8221; Seneca Havia um tempo &#8211; n\u00e3o muito longe dos dias que vivemos, quando escrever era uma tarefa artesanal. 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