{"id":1433356,"date":"2021-09-22T02:00:32","date_gmt":"2021-09-22T01:00:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1433356"},"modified":"2021-09-21T22:52:23","modified_gmt":"2021-09-21T21:52:23","slug":"a-escada-uma-conversa-com-o-poeta-cativo-ilhan-sami-comak-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/09\/a-escada-uma-conversa-com-o-poeta-cativo-ilhan-sami-comak-parte-1\/","title":{"rendered":"A Escada: uma conversa com o poeta cativo \u0130lhan Sami \u00c7omak \u2013 Parte 1"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2014, ap\u00f3s dezesseis anos de ex\u00edlio, pude retornar para meu pa\u00eds natal, a Col\u00f4mbia. Minha m\u00e3e j\u00e1 havia falecido e a \u00faltima vez que a vi foi em 1998, enquanto embarcava em um avi\u00e3o com a promessa de nunca mais voltar.<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por Jhon S\u00e1nchez<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas h\u00e1 sempre uma porta aberta para o retorno. Ao regressar a Medel\u00edn, eu me deparei olhando as fotografias que minha m\u00e3e deixou, suas cortinas, as figuras de porcelana que tanto amava. Dentro de um guarda-roupa, estavam todos os meus ternos, camisas, gravatas e sapatos sociais que usei enquanto exercia a advocacia na Col\u00f4mbia. Primeiro minha m\u00e3e, e depois minha irm\u00e3, assumiram a tarefa de cuidar, passar e at\u00e9 engomar o colarinho das minhas camisas. Tirei a roupa e vesti o primeiro terno que comprei na vida: azul-marinho, com seis bot\u00f5es. Combinei com a mesma camisa e a gravata que usei na minha formatura. Me senti\u2026 pleno. Ap\u00f3s me olhar no espelho, evocando a mem\u00f3ria da minha m\u00e3e, guardei todas aquelas vestimentas em uma mala, entreguei-as para minha irm\u00e3 e lhe pedi que as pusesse para doa\u00e7\u00e3o. A mem\u00f3ria j\u00e1 havia feito seu trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vi uma cena semelhante no document\u00e1rio <\/span><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=8y28eaQOh-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">G\u00f6nderen: \u0130lhan Sami \u00c7omak<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. \u0130lhan \u00c7omak \u00e9 um poeta que est\u00e1 encarcerado desde os 21 anos de idade. Atualmente, ele tem 47 anos. No filme, sua m\u00e3e abre um ba\u00fa de onde tira uma jaqueta cuidadosamente dobrada e mostra uma foto em que \u0130lhan a est\u00e1 usando.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para realizar esta entrevista, foi preciso escrever minhas perguntas, traduzi-las para o turco e envi\u00e1-las para seu advogado em Istambul. Expresso minha gratid\u00e3o ao advogado e \u00e0 tradutora por sua coopera\u00e7\u00e3o com este artigo. Pressenza ir\u00e1 publicar essa conversa quinzenalmente, com a esperan\u00e7a de chamar a aten\u00e7\u00e3o para o caso de \u0130lhan e encorajar uma campanha pela liberdade do poeta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u0130lhan, muito obrigado por nos conceder esta entrevista.<\/span><\/p>\n<p><b>JS: Como est\u00e1 a sua sa\u00fade? Essa \u00e9 uma pergunta importante, principalmente em tempos de Covid, considerando que voc\u00ea faz parte de uma popula\u00e7\u00e3o suscet\u00edvel. Al\u00e9m disso, gostaria de saber se sua poesia foi afetada pela pandemia.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ISC: Acho que seria mais produtivo contemplar essa quest\u00e3o a partir de uma perspectiva maior, desde antes do coronav\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha sa\u00fade geralmente \u00e9 boa, ou talvez deva dizer, milagrosamente est\u00e1 boa. A palavra \u201c\u00eaxito\u201d n\u00e3o descreve corretamente a proeza de sobreviver e de estar bem, por tantos anos, sob as condi\u00e7\u00f5es cru\u00e9is da pris\u00e3o que, por natureza, dilaceram sua vida. Por isso \u00e9 que digo milagrosamente. Quando voc\u00ea est\u00e1 enclausurado de maneira cont\u00ednua por 27 anos, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de uma tortura adicional para o corpo entrar em colapso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse lugar \u00e9, literalmente, um mar de concreto e metal, a terra n\u00e3o tem vegeta\u00e7\u00e3o, nenhuma das flores e \u00e1rvores que colorem a vida. O c\u00e9u \u00e9 medido pelos limites da janela e do p\u00e1tio, n\u00e3o h\u00e1 animais para satisfazer a necessidade de tocar outra criatura viva e partilhar sua solid\u00e3o. As pris\u00f5es devem ter sido criadas para colocar fronteiras em torno do corpo, dos olhos e tamb\u00e9m da alma. Mas eu ainda tenho sorte, temos a visita de pequenos periquitos, e poder toc\u00e1-los tem sido um escape que refresca minha alma nesse deserto de concreto. \u00c9 uma contradi\u00e7\u00e3o que minha companhia aqui consista em p\u00e1ssaros, logo eles que s\u00e3o conhecidos por n\u00e3o reconhecerem os limites das fronteiras. Por outro lado, seu toque remanescente de liberdade os torna companheiros perfeitos, o que me traz grande alegria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que quero dizer \u00e9, se voc\u00ea quiser conhecer tudo que vai de encontro \u00e0 natureza humana, deve come\u00e7ar a procurar aqui na pris\u00e3o. Mas o horror n\u00e3o para a\u00ed. N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que o corpo e a alma s\u00e3o testados em um mart\u00edrio perp\u00e9tuo, pois tudo acontece com esse objetivo. Sei pela minha pr\u00f3pria experi\u00eancia que existem muitos calv\u00e1rios aqui e que cada um carrega um tormento diferente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas pessoas que est\u00e3o presas h\u00e1 tanto tempo quanto eu n\u00e3o conseguem aguentar essas terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es. Recentemente, eu os presenciei sofrendo de doen\u00e7as s\u00e9rias, das quais nunca v\u00e3o se recuperar. Alguns simplesmente n\u00e3o aguentam mais e morrem. A ideia de morrer, depois de todos esses anos, t\u00e3o perto da liberdade\u2026 me enche de desespero. A dor \u00e9 ainda pior quando eu vejo acontecer com algu\u00e9m que conhe\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com tudo isso em mente, \u00e9 importante destacar a realidade das condi\u00e7\u00f5es aqui quando me refiro a milagres na mesma frase em que digo que, at\u00e9 onde eu saiba, n\u00e3o pade\u00e7o de nenhuma doen\u00e7a s\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 algum tempo, levo uma vida organizada e n\u00e3o me comprometo com autodisciplina. Mesmo conhecendo todas as dificuldades, tentei criar meu pr\u00f3prio espa\u00e7o, usando o poder da imagina\u00e7\u00e3o. Eu me levanto e me deito em hor\u00e1rios regulares, me exercito na minha cela estreita nas primeiras horas da manh\u00e3 e me mantenho ocupado durante todo o dia, com apenas um prop\u00f3sito me guiando. O prop\u00f3sito? A poesia, \u00e9 claro. Escrever poesia, ler e trabalhar para esse fim s\u00e3o o centro da minha vida. A poesia, e a literatura em geral, s\u00e3o meus pilares essenciais para combater esse \u201cregime de maldade\u201d.\u00a0 Organizo minha vida em volta dessas bases e posso dizer, com confian\u00e7a, que a poesia fortalece meu corpo ao manter minha alma jovem e renovada. Todo esse movimento criativo \u00e9 uma grande fonte de resist\u00eancia que me mant\u00e9m vivo. Escrevo poesia e ela me recompensa com um senso de prop\u00f3sito repleto do sentimento familiar de satisfa\u00e7\u00e3o criativa que n\u00e3o pode ser vivenciado de nenhum outro jeito. Ela me prov\u00ea de integridade espiritual por dentro e de sa\u00fade f\u00edsica por fora. Parece que fazemos bem um para o outro, eu aprecio a poesia e acredito que ela me aprecie tamb\u00e9m. E considerando que ela nunca me abandonou, isso deve ser verdade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Covid n\u00e3o causou nenhuma mudan\u00e7a dr\u00e1stica na minha vida. Houve algumas restri\u00e7\u00f5es na pris\u00e3o devido \u00e0 pandemia, mas n\u00e3o grandes consequ\u00eancias se comparadas com as mudan\u00e7as que afetaram a vida das pessoas l\u00e1 fora. No \u00faltimo ano, pessoas do outro lado foram confrontadas com restri\u00e7\u00f5es pela primeira vez e, como vivi a maior parte da vida com as mais rigorosas priva\u00e7\u00f5es, fiquei muito interessado nas rea\u00e7\u00f5es gerais das pessoas \u00e0s mudan\u00e7as. Tamb\u00e9m pensei que, ap\u00f3s um encontro transit\u00f3rio com a vida de um prisioneiro, as pessoas teriam mais empatia e compreens\u00e3o, que elas com certeza teriam uma melhor no\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia ineg\u00e1vel da amizade, do afeto e da vida social. Certamente, as pessoas agora enxergam a relev\u00e2ncia das pequenas vontades que elas n\u00e3o puderam satisfazer, ou que foram obstru\u00eddas, e reconhecem como elas s\u00e3o ben\u00e9ficas para a sa\u00fade de v\u00e1rias maneiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na verdade, a respeito da pergunta sobre se a pandemia alterou a minha poesia, acho que n\u00e3o posso responder agora, porque estamos isolados da brutalidade de seu impacto total. No final das contas, nossos sentimentos e a subsequente express\u00e3o criativa sempre levam algum tempo para se adaptar aos eventos e as palavras v\u00eam depois. Mesmo assim, n\u00e3o acredito que a minha poesia tenha mudado por causa da pandemia, porque, apesar de toda a press\u00e3o emocional, n\u00e3o tive nenhuma experi\u00eancia nova que afetasse minha escrita. Eu j\u00e1 vivo nesse pesadelo h\u00e1 27 anos de qualquer jeito! A Covid n\u00e3o me trouxe novas palavras ou pontos de vista. Por outro lado, ponderei sobre a dificuldade que \u00e9 fazer o que eu fa\u00e7o na pris\u00e3o, ainda mais ap\u00f3s passar o equivalente a uma vida inteira encarcerado e isso me fez perceber que a minha poesia devia ser apreciada em conjunto com a minha habilidade, perseveran\u00e7a e determina\u00e7\u00e3o constantemente testada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A vida nunca foi f\u00e1cil para mim e a minha poesia experimentou as mesmas dificuldades atrav\u00e9s dessas jornadas. Venho acompanhando as not\u00edcias sobre a Covid e suas incumb\u00eancias letais com grande tristeza. Consequentemente, esse per\u00edodo me fez sentir como um verdadeiro cidad\u00e3o do mundo, me fez sentir uma solidariedade maior e mais pr\u00f3xima com todas as pessoas do planeta. A pandemia tamb\u00e9m nos lembrou de que as pessoas, mais especificamente seus problemas, deveriam ser abordados com m\u00fatua compreens\u00e3o. Ser\u00e1 que todos entenderam esses recados? Eu n\u00e3o tenho certeza, mas estou feliz por perceber que, novamente, a minha \u00e1rdua vida me ensinou algo t\u00e3o sublime quanto respeitar a dor do pr\u00f3ximo. \u00c9 importante ser uma boa pessoa, estar do lado do bem e nunca esquecer de ser solid\u00e1rio. A Covid levou muitas pessoas, mas tamb\u00e9m nos mostrou os valores que precisamos recordar. Vamos nos certificar de nunca mais esquec\u00ea-los.<\/span><\/p>\n<p><b>JS: Voc\u00ea pode nos contar o motivo da sua pris\u00e3o? E de que maneira podemos contribuir para a sua liberdade?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">ISC: Estou na pris\u00e3o por dois motivos: um \u00e9 bem vis\u00edvel e o outro, que pesa mais na balan\u00e7a, permanece escondido a olhos nus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O motivo vis\u00edvel \u00e9 que eu estive envolvido em v\u00e1rios problemas em Bing\u00f6l, onde nasci e cresci. Como se j\u00e1 n\u00e3o fossem o bastante, ocorreram inc\u00eandios florestais em Istambul durante o ver\u00e3o em que estudei l\u00e1. Informantes fizeram declara\u00e7\u00f5es irreais \u00e0 pol\u00edcia, incluindo a den\u00fancia de que eu era respons\u00e1vel pelos inc\u00eandios. Em conjunto com essas declara\u00e7\u00f5es, um relat\u00f3rio oficial contendo os detalhes de praxe, realizado ap\u00f3s me submeterem a um interrogat\u00f3rio e tortura durante 19 dias, transformou-se em acusa\u00e7\u00e3o e tudo foi conclu\u00eddo quando me condenaram em um tribunal regido por um juiz militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As acusa\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s da minha condena\u00e7\u00e3o s\u00e3o incrivelmente inconsistentes, t\u00e3o fora da realidade ou da l\u00f3gica que a minha senten\u00e7a foi anulada duas vezes, em uma dessas ocasi\u00f5es inclusive por um Supremo Tribunal Militar Administrativo. Fui julgado tr\u00eas vezes em um per\u00edodo de 22 anos, mas a senten\u00e7a original, ditada pela comiss\u00e3o de tr\u00eas pessoas do Tribunal de Seguran\u00e7a do Estado, em outras palavras, um tribunal com um juiz militar, nunca foi derrubada. Embora as leis atuais limitem senten\u00e7as que alcancem os 22 anos, fui condenado mesmo assim. Al\u00e9m disso, sou curdo e, por muito tempo, uma pr\u00e1tica cruel, chamada de \u201clei do inimigo\u201d, tem estado em vigor para punir os curdos. Foi isso o que quis dizer quando me referi ao outro motivo menos vis\u00edvel da minha condena\u00e7\u00e3o, esse \u00e9 o que mais pesa na balan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para as pessoas que n\u00e3o se encaixam na defini\u00e7\u00e3o do Estado de cidad\u00e3o de bem, a realidade \u00e9 impiedosa, \u00e9 exatamente o que eu vivi, n\u00e3o \u00e9 algo individual, sob v\u00e1rios pontos de vista. Ningu\u00e9m consegue prever onde vai nascer e quem ser\u00e3o seus pais. Eu nasci de uma m\u00e3e e de um pai curdos e, a partir do momento em que abri meus olhos, esse destino veio acompanhado de um clima de discrimina\u00e7\u00e3o, de opress\u00e3o e de intensas dificuldades econ\u00f4micas. Vivi em um entorno no qual fui proibido de falar a l\u00edngua curda que aprendi com minha m\u00e3e, mas o problema n\u00e3o se limita apenas em ser um cidad\u00e3o de segunda classe. Em retalia\u00e7\u00e3o ao conflito gerado pela proibi\u00e7\u00e3o do uso da l\u00edngua materna e pela incessante opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o, o Estado age sem nenhuma considera\u00e7\u00e3o pela lei ou pelos direitos humanos universais, e eu sinto que preciso salientar que tudo isso ocorre pelo simples fato de sermos curdos. O fato de que estive aqui dentro por todos esses anos \u00e9 o triste resultado desse tipo de exist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tenho certeza de que, como advogado, voc\u00ea j\u00e1 testemunhou isso na Col\u00f4mbia: os fatos n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o relevantes para os poderosos, pois seu objetivo gira em torno de intimidar as pessoas para que aceitem suas palavras como verdade. \u00c9 por isso que existem tribunais nesse pa\u00eds: para ser a m\u00e3o que une a palavra dos poderosos, a m\u00e3o que chega impune na garganta dos marginalizados e os sufoca ao jog\u00e1-los em celas; uma m\u00e3o que reprime os desejos de democracia e de legitimidade, impondo a disciplina e a\u00e7\u00f5es para manter todos na linha ao executar esses tipos de castigo. Como curdo, essa \u00e9 a minha realidade desde que nasci.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora eu seja consciente desse destino predeterminado, tenho tentado por anos provar a minha inoc\u00eancia no tribunal e n\u00e3o consigo descrever como \u00e9 cansativo. Por um lado, conhe\u00e7o a realidade: eu era inocente, realmente era inocente, tenho a necessidade de dizer isso em voz alta. Mas, por outro lado, eu sabia que estava sendo julgado de acordo com a \u201clei do inimigo\u201d e que minhas palavras n\u00e3o seriam ouvidas. Acho que esse \u00e9 meu grande impasse, eu queria tanto ser livre que fui ing\u00eanuo demais para achar que seria ouvido se simplesmente explicasse a realidade, em outras palavras, se explicasse que eu era inocente. Mas isso n\u00e3o aconteceu, n\u00e3o consegui ser ouvido em todos esses julgamentos, nem eles quiseram me ouvir, por isso, ainda estou aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha pena deve terminar em tr\u00eas anos e meio. Em 2014, enviei uma peti\u00e7\u00e3o ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH) e, nos \u00faltimos seis anos, meu processo tem estado no Tribunal Constitucional da Turquia. Estou esperando uma resposta para as minhas apela\u00e7\u00f5es, mas eles continuam em sil\u00eancio, est\u00e3o demorando tanto para chegar a uma decis\u00e3o que, \u00e0s vezes, me pergunto se fui esquecido. Se a decis\u00e3o for positiva, poderei sair da pris\u00e3o, mas n\u00e3o posso cultivar nenhuma esperan\u00e7a. Ao que parece, seria necess\u00e1rio um poder capaz de for\u00e7ar a m\u00e3o do Tribunal Constitucional e do TEDH a agir, algo que n\u00e3o est\u00e1 ao meu alcance. No mais, \u00e9 importante que meus amigos me ou\u00e7am. Talvez, isso n\u00e3o v\u00e1 me libertar, mas deixar\u00e1 meu esp\u00edrito mais livre. Eu n\u00e3o fui esquecido. Juntamente com a minha poesia, eu n\u00e3o fui esquecido. \u00c9 isso que eu quero saber, \u00e9 isso que eu quero que meus amigos me lembrem. Essa \u00e9 a minha esperan\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><b>Eu venho at\u00e9 voc\u00ea, Vida<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0para Ipek \u00d6zel<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E a sombra da \u00e1rvore balan\u00e7a, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">p\u00e1ssaros passam toda sua sabedoria \u00e0s asas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O vento assopra uma sauda\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e do sol vem a car\u00eancia do tato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 a linguagem dessas folhas <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e a do\u00e7ura que abordam, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">agora que o tempo para rebeli\u00e3o chegou.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ainda, nos montes h\u00e1 sempre a gra\u00e7a da priva\u00e7\u00e3o.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Pense no rio quando tiver a chance.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">O veio fluindo no livro das \u00e1guas, o n\u00f3 querendo ser desatado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu falo do som de algumas cores. Ao negar <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">o ver\u00e3o abrace a\u00a0 primavera e com alguns passos cansados <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">me perdoe. Perdoe essa nuvem trepidante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu venho at\u00e9 voc\u00ea com a dor de m\u00e3os feridas pela lama. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eu venho at\u00e9 voc\u00ea dizendo, deixe a inf\u00e2ncia escalar o muro do jardim novamente.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eu venho at\u00e9 voc\u00ea com a arte de respirar o sono at\u00e9 a alvorada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o derrube o muro do meu jardim.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Deixe o passeio se encher das formas delicadas das folhas.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Deixe a estrada sonhar com a cobertura da relva.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o h\u00e1 cidade para se alcan\u00e7ar. Tudo est\u00e1 aqui.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Abra a janela. Abra enquanto os cavalos relincham <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">na amplid\u00e3o do mundo. Abra sem falar nada<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">da brevidade do ver\u00e3o, a eternidade do inverno.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Abra, para o c\u00e9u se agitar com os s\u00edmbolos ocultos da minha mente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu venho at\u00e9 voc\u00ea dizendo, \u201cAbra a porta para a presen\u00e7a da exist\u00eancia\u201d <\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">enquanto o c\u00e9u se agita em si mesmo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu venho at\u00e9 voc\u00ea dizendo \u201cAbra a porta da mudan\u00e7a.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Abra a porta da exist\u00eancia, para mim.\u201d<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #333399;\"><b>\u0130lhan Sami \u00c7omak <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">(1973) \u00e9 um poeta curdo de Karl\u0131ova, prov\u00edncia de Bing\u00f6l, Turquia. Ele foi preso em 1994. Da cadeia, \u00c7omak lan\u00e7ou oito livros de poesia e se tornou um dos presos pol\u00edticos mais antigos da Turquia. Em 2018, \u00c7omak ganhou o pr\u00eamio Sennur Sezer de poesia por sua oitava colet\u00e2nea, Geldim Sana (Eu Venho at\u00e9 Voc\u00ea).<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333399;\"><b>Caroline Stockford <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Tradutora liter\u00e1ria e juramentada de turco-ingl\u00eas. Tamb\u00e9m trabalha como consultora sobre a Turquia para a organiza\u00e7\u00e3o PEN Norway.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #333399;\"><b>Jhon S\u00e1nchez <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Escritor de fic\u00e7\u00e3o colombiano, o sr. S\u00e1nchez chegou a Nova Iorque buscando asilo pol\u00edtico e agora \u00e9 advogado l\u00e1. Em 2021, a editora e gr\u00e1fica\u00a0<\/span><a style=\"color: #333399;\" href=\"https:\/\/newlitsalonpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">New Lit Salon Press<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> ir\u00e1 publicar sua colet\u00e2nea de contos \u201cEnjoy a Pleasurable Death and Other Stories that Will Kill You\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/2021\/09\/the-ladder-a-conversation-with-the-incarcerated-poet-ilhan-sami-comak-part-1\/#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">[1]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Traduzido do turco para o ingl\u00eas por Caroline Stockford (consultora sobre a Turquia da PEN Norway).<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">*Nota da tradutora: O t\u00edtulo da mat\u00e9ria <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Ladder (<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">A Escada, em tradu\u00e7\u00e3o livre) faz refer\u00eancia a um poema escrito em homenagem a <\/span><b>\u0130lhan Sami \u00c7omak.<\/b><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Traduzido do ingl\u00eas por Ana Carolina Carvalho \/ Revisado por Gra\u00e7a Pinheiro<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2014, ap\u00f3s dezesseis anos de ex\u00edlio, pude retornar para meu pa\u00eds natal, a Col\u00f4mbia. 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