{"id":1406679,"date":"2021-07-30T06:00:01","date_gmt":"2021-07-30T05:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1406679"},"modified":"2021-07-28T23:00:30","modified_gmt":"2021-07-28T22:00:30","slug":"embaixador-ali-soltanieh-estrategicamente-a-opcao-por-armas-nucleares-e-um-erro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/07\/embaixador-ali-soltanieh-estrategicamente-a-opcao-por-armas-nucleares-e-um-erro\/","title":{"rendered":"Embaixador Ali Soltanieh: \u201cestrategicamente, a op\u00e7\u00e3o por armas nucleares \u00e9 um erro\u201d."},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O tempo est\u00e1 se esgotando para que se alcance algum tipo de solu\u00e7\u00e3o para o problema do n\u00e3o cumprimento do acordo nuclear iraniano e estadunidense, tamb\u00e9m conhecido como Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunto Global (JCPOA). Por isso, Pressenza entrevistou o embaixador iraniano Ali Asghar Soltanieh. Nesta entrevista, abordamos a hist\u00f3ria do programa nuclear do Ir\u00e3, os benef\u00edcios que um programa desse porte poderia trazer ao povo iraniano e as raz\u00f5es pelas quais o Ir\u00e3 n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de desenvolver armas nucleares. Falamos, ainda, sobre o amparo legal para que tenham instala\u00e7\u00f5es nucleares em opera\u00e7\u00e3o e o que um resultado bem-sucedido para o Acordo Nuclear do Ir\u00e3 poderia significar para as negocia\u00e7\u00f5es da ONU, no sentido de se estabelecer uma zona livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Oriente M\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antecipamos os nossos agradecimentos a David Andersson, de Nova Iorque, pela assist\u00eancia t\u00e9cnica. Convidamos os nossos leitores a assistir ao v\u00eddeo, em nosso canal no YouTube, que \u00e9 legendado e cuja transcri\u00e7\u00e3o editada pode ser encontrada logo abaixo.<\/span><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interview with Iranian Ambassador, Dr Ali Asghar Soltanieh for Pressenza\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fnKyj6MT5h8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ali Asghar Soltanieh foi embaixador do Ir\u00e3 acreditado junto \u00e0 Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA) em Viena. O embaixador Soltanieh \u00e9 f\u00edsico nuclear por forma\u00e7\u00e3o e trabalhou como professor associado em faculdades de ci\u00eancias e rela\u00e7\u00f5es internacionais em v\u00e1rias universidades, entre 1988 e 1997, per\u00edodo em que ministrou cursos de f\u00edsica nuclear.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na d\u00e9cada de 1990, participou, como f\u00edsico nuclear e diplomata s\u00eanior, na qualidade de enviado especial, delegado, negociador principal e palestrante convidado em numerosos eventos internacionais sobre desarmamento e seguran\u00e7a internacional, al\u00e9m de ter trabalhado em estreita colabora\u00e7\u00e3o com as organiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e t\u00e9cnicas internacionais de destaque, como a ONU, a AIEA e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Qu\u00edmicas (OPCW), dentre outras. O embaixador Soltanieh tamb\u00e9m faz parte do programa do Instituto das Na\u00e7\u00f5es unidas para Investiga\u00e7\u00e3o sobre Desarmamento (UNIDIR) sobre o grupo de refer\u00eancia da Zona Livre de Armas de Destrui\u00e7\u00e3o em Massa (ADM).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embaixador Soltanieh, muito obrigado por atender ao convite de Pressenza.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antes de mais nada, poderia nos falar sobre o programa nuclear iraniano, qual o prop\u00f3sito e que benef\u00edcios esse programa poder\u00e1 trazer ao povo iraniano?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 um grande prazer conversar com voc\u00ea. Vou tentar fazer um breve resumo do programa de atividades nucleares do Ir\u00e3 desde o seu in\u00edcio. Esse programa come\u00e7ou com o Reator de Pesquisa de Teer\u00e3 em 1967 e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos EUA. Claro que o mesmo reator foi oferecido ao Paquist\u00e3o, \u00e0 \u00cdndia, a Israel e ao Ir\u00e3, sob um pacote dos chamados &#8220;\u00c1tomos para a Paz&#8221;, express\u00e3o muito usada \u00e0quela \u00e9poca. O primeiro combust\u00edvel deste reator foi 93% enriquecido, ou seja, um reator de pesquisa de 1,5 megawatts. Estava trabalhando antes da revolu\u00e7\u00e3o no reator como cientista nuclear em f\u00edsica de n\u00eautrons, fiz pesquisas sobre a captura de n\u00eautrons a partir de espectroscopia gama e tinha artigos publicados. Esse reator precisava do combust\u00edvel, do novo combust\u00edvel e, antes da revolu\u00e7\u00e3o, t\u00ednhamos um contrato com os EUA para um novo combust\u00edvel. O combust\u00edvel estava pronto para ser enviado. Ent\u00e3o, em 1979, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Isl\u00e2mica do Ir\u00e3, fui nomeado diretor do mesmo centro onde eu trabalhava como pesquisador, o Centro de Pesquisa Nuclear, onde estava localizado o reator.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O fornecedor me informou que o combust\u00edvel estava pronto para ser enviado, mas o governo dos EUA n\u00e3o estaria emitindo a licen\u00e7a de exporta\u00e7\u00e3o. Isso foi um grande impacto, porque j\u00e1 t\u00ednhamos pagado quase tudo e o combust\u00edvel era necess\u00e1rio, uma vez que est\u00e1vamos prestes a produzir is\u00f3topos radioativos para hospitais. Depois disso, fui para Londres. E eles vieram para Londres. Conversamos. Eles me mostrariam todos os documentos comprovando a propriedade do reator, assim eles me disseram. At\u00e9 me convidaram para ir visitar o combust\u00edvel que estava pronto, mas disseram que o governo deveria emitir a licen\u00e7a. E at\u00e9 este exato momento em que converso com voc\u00ea, eles nunca nos devolveram o dinheiro que receberam. Nem eles pagaram e nem n\u00f3s recebemos o combust\u00edvel. Esse \u00e9 um ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Depois do fim da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 vale a pena lembrar aqui que seriam necess\u00e1rios cap\u00edtulos e mais cap\u00edtulos de discuss\u00f5es sobre esse tema \u2013 os EUA e os europeus estavam competindo para ver quem teria um programa de energia nuclear em conjunto com o Ir\u00e3. E o X\u00e1 pretendia ter 23.000 megawatts de energia el\u00e9trica, o que era uma meta ambiciosa demais, \u00e9 claro, para aquela \u00e9poca. Era pura cobi\u00e7a. A demanda da rede el\u00e9trica n\u00e3o chegava a 5.000 MW, mas claro que n\u00e3o se tratava apenas da usina nuclear, mas de todas as diferentes fases de enriquecimento do ciclo do combust\u00edvel. E o que posso dizer \u00e9 que, mais tarde, \u00e9 claro, os EUA at\u00e9 estavam prontos para esse enriquecimento, que seria um enriquecimento a laser. E por conta da Revolu\u00e7\u00e3o, alguns componentes vieram, n\u00e3o eram os mais apropriados e, portanto, formalizamos, \u00e9 claro, uma queixa, mas de qualquer forma eles estavam prontos para trabalhar em todo o processo do ciclo do combust\u00edvel nuclear: desde a minera\u00e7\u00e3o at\u00e9 o reator, incluindo o gerenciamento de res\u00edduos. Mas depois da Revolu\u00e7\u00e3o, tudo parou. E aqui temos mais um ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o primeiro ponto importante \u00e9 que, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o, houve uma discuss\u00e3o s\u00e9ria (soube disso, porque eu estava na \u00e1rea de produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear), sobre se ter\u00edamos que continuar fazendo parte do Tratado de N\u00e3o Prolifera\u00e7\u00e3o de Armas Nucleares (TNP), que foi assinado e ratificado durante o governo do X\u00e1, ou n\u00e3o, porque muitos acordos foram revistos ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o. Por fim, tomou-se a decis\u00e3o no sentido de que, considerando que n\u00e3o t\u00ednhamos a op\u00e7\u00e3o de fabricar armas nucleares, n\u00e3o ir\u00edamos aderir ao tratado. No entanto, decidimos continuar a ser parte do TNP e at\u00e9 mesmo fortalecer nossa rela\u00e7\u00e3o e trabalho com a AIEA. E foi por essa raz\u00e3o que, ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o, decidiu-se que estabelecer\u00edamos uma miss\u00e3o diplom\u00e1tica junto \u00e0 AIEA e eu fui o primeiro embaixador, em 1982, a vir para Viena para fortalecer os la\u00e7os e trabalhar em parceria com a AIEA. E isso \u00e9 apenas uma parte do fato. H\u00e1 algo importante a respeito dessa quest\u00e3o de se o Ir\u00e3 queria ou n\u00e3o fabricar armas nucleares. Um dia, eu estava ouvindo o meu r\u00e1dio de ondas curtas (naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha nada de internet), como fazia todos os dias, em busca de not\u00edcias que pudessem ser \u00fateis \u00e0 minha miss\u00e3o em Viena, quando soube que o pai da Revolu\u00e7\u00e3o, o Aiatol\u00e1 Khomeini, estava falando ao povo. E teve uma coisa muito interessante naquele discurso. Ele estava falando sobre armas nucleares. Ele disse que a s\u00e9ria amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a internacional eram as armas nucleares dessas duas superpot\u00eancias: os EUA e a (extinta) Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. E essa fala foi interessante, considerando que ele estava falando para a m\u00eddia, pois ele disse que convidou estudiosos, escritores e intelectuais de todos os pa\u00edses a se levantarem e se posicionarem junto ao Ir\u00e3 contra essas duas superpot\u00eancias para destruir as armas nucleares. E, portanto, essa foi a primeira mensagem hist\u00f3rica. E at\u00e9 agora raramente se pode encontrar essa importante mensagem, de quem foi o pai da revolu\u00e7\u00e3o, posicionando-se contra as armas nucleares. Esse \u00e9 um ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o decidi que deveria ter acesso a esse texto, imediatamente. Pedi a Teer\u00e3 que me enviasse o texto, traduzi-o e depois o enviei \u00e0 AIEA para redistribu\u00ed-lo entre os estados membros da AIEA. Depois disso, recebi uma nota da AIEA que, como esse tema n\u00e3o era relevante para a AIEA, n\u00e3o poderiam sequer coloc\u00e1-lo nos escaninhos dos representantes das miss\u00f5es de diferentes pa\u00edses, o que foi muito estranho. E eu fiquei, de fato, muito decepcionado. Ent\u00e3o decidi ir a uma das ruas de Viena e encontrei uma editora. Eu publiquei um cart\u00e3o de Natal com a mensagem do Aiatol\u00e1 Khomeini a respeito disso, condenando as armas nucleares. Essa \u00e9 uma mem\u00f3ria hist\u00f3rica de que o Ir\u00e3, desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o, foi contra as armas nucleares. A\u00ed, sim, temos um ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora a quest\u00e3o \u00e9 que as antigas empreiteiras dos EUA e cidad\u00e3os estadunidenses abandonaram os projetos, contrariando suas obriga\u00e7\u00f5es, tanto legais como contratuais. E est\u00e1vamos enfrentando uma grande dificuldade. Um dos grandes projetos foi a Usina Nuclear Bushehr, pela qual os alem\u00e3es j\u00e1 haviam recebido mais de oito bilh\u00f5es de marcos. A usina estava quase 80% conclu\u00edda e esperava-se que entrasse em funcionamento, fornecendo eletricidade em um per\u00edodo de um ou dois anos, talvez. E eles a impediram de entrar em funcionamento. E at\u00e9 mesmo os franceses tinham um projeto em Darkhovin para usinas el\u00e9tricas, al\u00e9m do centro de pesquisa nuclear em Isfahan. Eles tamb\u00e9m deixaram o pa\u00eds sem cumprir suas obriga\u00e7\u00f5es, como mandavam os contratos. E \u00e9 claro que tivemos os projetos relativos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de ur\u00e2nio por canadenses e outros pa\u00edses mas verdade \u00e9 que todos eles deixaram o Ir\u00e3. Lembro-me que foi uma dificuldade s\u00e9ria pela qual passamos. No reator de pesquisa de Teer\u00e3 n\u00e3o t\u00ednhamos combust\u00edvel e, mais do que isso, os operadores do reator de pesquisa de Teer\u00e3 eram estrangeiros e acabaram deixando o Ir\u00e3. E o reator foi desativado. Por\u00e9m, minha responsabilidade como diretor do centro era come\u00e7ar a trabalhar. Pelo menos fazer esse reator funcionar com aquele combust\u00edvel, a menos que receb\u00eassemos o combust\u00edvel. Est\u00e1vamos come\u00e7ando com sucesso e o nosso reator estava funcionando, at\u00e9 ent\u00e3o produzindo radiois\u00f3topos. \u00c9 claro que tentamos conversar novamente com eles. Conversamos com os alem\u00e3es. Lembro-me que uma vez, na qualidade de enviado especial, fui para a Alemanha. Eu vi todo o estoque deles. Equipamentos de milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares e constatamos que estavam prontos para serem enviados para a Usina Bushehr, e estavam at\u00e9 nos cobrando por isso, pelo armazenamento, digo, mas n\u00e3o estavam nos fornecendo o equipamento. Portanto, n\u00e3o tivemos escolha a n\u00e3o ser ir para a (extinta) Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. N\u00f3s fizemos um acordo e eles aceitaram completar e terminar o projeto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quero registrar a minha admira\u00e7\u00e3o pelo fato de que, depois do colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, a R\u00fassia tenha assumido plenamente a responsabilidade. Esse governo continuou com o mesmo compromisso que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinha conosco e tentou terminar este projeto. E voc\u00ea sabe que agora a usina est\u00e1 produzindo eletricidade; algo em torno de uns 1.000 megawatts. E, claro, duas outras unidades, n\u00f3s fizemos o contrato.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Finalmente, est\u00e1vamos enfrentando dificuldades. Tivemos a determina\u00e7\u00e3o de faz\u00ea-lo por nossa pr\u00f3pria conta. Portanto, em todas as diferentes partes do ciclo do combust\u00edvel, tentamos trabalhar a partir das minas de ur\u00e2nio. Um ponto hist\u00f3rico importante, t\u00e9cnico e de seguran\u00e7a, \u00e9 o enriquecimento. Tenho certeza de que muitas pessoas est\u00e3o preocupadas com o motivo pelo qual o Ir\u00e3 foi aprender a enriquecer ur\u00e2nio. Quero lhes dizer que durante os anos 1980, per\u00edodo em que fui embaixador na AIEA, at\u00e9 1987, quase sete anos de negocia\u00e7\u00f5es foram realizados em Viena em um comit\u00ea cuja miss\u00e3o era a garantia do fornecimento de insumos para a produ\u00e7\u00e3o de energia. E havia a expectativa de ter um instrumento juridicamente vinculativo, uma p\u00e1gina de um instrumento jur\u00eddico que conferisse seguran\u00e7a e garantia internacional para o combust\u00edvel nuclear. Infelizmente, devido aos obst\u00e1culos impostos pelos pa\u00edses ocidentais, pa\u00edses industrializados, esse comit\u00ea da AIEA terminou em um total fracasso. Portanto, n\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma garantia de que se tiv\u00e9ssemos uma usina de energia nuclear, o combust\u00edvel estaria assegurado; e isso aconteceu em 1987. E de acordo com as informa\u00e7\u00f5es da AIEA, o que p\u00f4de ser percebido desde o in\u00edcio dessa crise de produ\u00e7\u00e3o de energia, na verdade, foi que o Ir\u00e3 partiu para o processo de enriquecimento de combust\u00edvel nuclear, pensando no acordo p\u00f3s-1987.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso foi exatamente durante a \u00e9poca em que estive em Viena. Naquela \u00e9poca tamb\u00e9m tive que deixar Viena e n\u00e3o tivemos escolha, sen\u00e3o trabalharmos n\u00f3s mesmos no enriquecimento, porque nem os americanos nem os europeus (todos haviam deixado o pa\u00eds), e nem a AIEA, foram capazes de dar qualquer garantia de que se pudesse ter uma usina nuclear como a de Bushehr conclu\u00edda ou o Reator de Pesquisa de Teer\u00e3, para os quais definitivamente precis\u00e1vamos do combust\u00edvel. E falei v\u00e1rias vezes com o Sr. Hans Blix. Hans Blix escreveu a v\u00e1rios fornecedores potenciais e nenhum deles nos forneceu o combust\u00edvel que precis\u00e1vamos e os EUA n\u00e3o nos tinham entregado. Portanto, essa \u00e9 a raz\u00e3o e a origem da decis\u00e3o de partir para o enriquecimento.<\/span><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigado. Pode nos falar sobre os benef\u00edcios que o programa nuclear trar\u00e1 para o povo iraniano?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bem, essa \u00e9 uma quest\u00e3o muito delicada. Como cientista nuclear, posso lhes dizer, para seu distinto p\u00fablico, que a ci\u00eancia nuclear est\u00e1 no mais alto padr\u00e3o, que \u00e9 o ponto de encontro da alta ci\u00eancia com a engenharia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Permitam-me exemplificar de uma forma muito simples. Se seu distinto p\u00fablico for aos padr\u00f5es, os padr\u00f5es industriais para soldagem, para constru\u00e7\u00e3o, para instrumenta\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, se eles procurarem entre os padr\u00f5es mais altos, o mais alto \u00e9 chamado de padr\u00e3o de qualidade nuclear, por causa da ind\u00fastria nuclear. As instala\u00e7\u00f5es nucleares s\u00e3o muito sens\u00edveis devido \u00e0 prote\u00e7\u00e3o e \u00e0 seguran\u00e7a nuclear, portanto, o padr\u00e3o deve ser o mais alto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lembro que mesmo um soldador com mais de, digamos, cerca de duas d\u00e9cadas de experi\u00eancia n\u00e3o foi capaz de passar no exame que quer\u00edamos para algo a ser soldado na ind\u00fastria nuclear, porque a soldagem para a ind\u00fastria nuclear tem uma regulamenta\u00e7\u00e3o e um padr\u00e3o muito rigorosos. Portanto, para qualquer pa\u00eds que embarque na ind\u00fastria nuclear, engenharia nuclear, usinas nucleares, automaticamente, a ci\u00eancia, a tecnologia e o padr\u00e3o dos engenheiros universit\u00e1rios desse pa\u00eds estar\u00e3o em alta. Portanto, esse \u00e9 um dos benef\u00edcios imediatos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Posso lhes dar um exemplo simples, quando estamos em franca atividade, temos operado com sucesso m\u00e1quinas centr\u00edfugas com 1.000 rota\u00e7\u00f5es por segundo \u2013 voc\u00ea pode imaginar 1.000 rota\u00e7\u00f5es por segundo para separar \u00e1tomos de ur\u00e2nio 235 e 238? \u2013 e ent\u00e3o produzir uma m\u00e1quina centr\u00edfuga para obter suco de ma\u00e7\u00e3, por exemplo, isso \u00e9 algo muito simples para n\u00f3s. \u00c9 por isso que no Ir\u00e3 h\u00e1 muitas dessas centr\u00edfugas. Depois de termos tido sucesso no enriquecimento em Natanz, agora muitas ind\u00fastrias, incluindo os hospitais, t\u00eam sistemas de centrifuga\u00e7\u00e3o. Eles v\u00e3o pedir \u00e0 Ag\u00eancia de Energia At\u00f4mica do Ir\u00e3 que apenas lhes aconselhe e n\u00f3s n\u00e3o estamos mais importando esses insumos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">H\u00e1 muitos exemplos como esse, portanto, esse \u00e9 mais um dos benef\u00edcios. O outro benef\u00edcio, como dizem claramente os documentos da AIEA, \u00e9 que a energia nuclear tem uma vantagem como energia limpa e livre de carbono. E, portanto, uma usina nuclear, com parte de um sistema de produ\u00e7\u00e3o e energia, poderia estar inserida em um arranjo de energia mista. N\u00e3o queremos entrar na ambiciosa pol\u00edtica do X\u00e1 que tinha naquela \u00e9poca vinte 23.000 MW, como eu disse, mas agora temos uma rede de mais de 70.000 MW e deste montante temos apenas 1.000 megawatts de energia nuclear. \u00c9 claro que buscamos, modestamente, ter mais usinas nucleares, porque no final das contas os combust\u00edveis f\u00f3sseis se esgotar\u00e3o. E, \u00e9 claro, existe um problema ambiental com combust\u00edveis f\u00f3sseis, algo que o nuclear n\u00e3o tem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 outra vantagem. Mais uma vantagem \u00e9 a tremenda aplica\u00e7\u00e3o da energia nuclear na medicina, na ind\u00fastria agr\u00edcola e, de fato, meu centro foi um dos centros respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos para cerca de um milh\u00e3o de iranianos. E eles est\u00e3o se beneficiando com isso. Esperamos poder export\u00e1-lo para outros pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio tamb\u00e9m.<\/span><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, se pensarmos um pouco mais sobre um programa de armas nucleares, quero dizer que a tecnologia para construir uma arma nuclear remonta \u00e0 d\u00e9cada de 1940, a ci\u00eancia \u00e9 conhecida, a informa\u00e7\u00e3o certamente est\u00e1 dispon\u00edvel em algum lugar. Os cientistas do Ir\u00e3, tenho certeza, t\u00eam a tecnologia, o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">know-how<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para desenvolver um programa de armas, mas tem havido uma mensagem consistente vinda de Teer\u00e3 de que o Ir\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 seguindo por esse caminho. Voc\u00ea se referiu anteriormente ao an\u00fancio do L\u00edder Supremo, feito nos anos 1980, de que isso n\u00e3o fazia parte da ambi\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3, mas h\u00e1 alguma coisa al\u00e9m disso? H\u00e1 algo mais por tr\u00e1s desse desejo do Ir\u00e3 de n\u00e3o desenvolver um programa de fabrica\u00e7\u00e3o de armas nucleares?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sim. Antes de mais nada, quero lembrar ao seu distinto p\u00fablico que, durante a Guerra de Saddam (men\u00e7\u00e3o \u00e0 Guerra Ir\u00e3-Iraque, que durou de 1980 a 1988), ele usou armas qu\u00edmicas contra iranianos. Entre feridos e mortos, foram 100.000 iranianos e todos sabem que nossa ind\u00fastria qu\u00edmica era muito mais avan\u00e7ada do que a do Iraque. \u00c9 claro que o Iraque recebeu essa tecnologia para armas qu\u00edmicas da Europa e de pa\u00edses industrializados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o est\u00e1vamos usando armas qu\u00edmicas. N\u00e3o pudemos us\u00e1-las, porque isso estaria em contradi\u00e7\u00e3o com a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fatwa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u2013 decreto religioso de nosso l\u00edder supremo, o fundador da revolu\u00e7\u00e3o \u2013 e agora, \u00e9 claro, o L\u00edder Supremo, porque ele reiterou que as ADM (armas qu\u00edmicas, biol\u00f3gicas, nucleares que s\u00e3o as armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa) v\u00e3o contra nossas cren\u00e7as religiosas. Isso \u00e9 muito claro para n\u00f3s. Portanto, se o L\u00edder Supremo, que \u00e9, de acordo com nossa Constitui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas nosso principal l\u00edder religioso, mas tamb\u00e9m a mais alta autoridade do pa\u00eds, se ele condena esse uso em uma <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">fatwa<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ningu\u00e9m est\u00e1 autorizado a violar essa decis\u00e3o. A\u00ed, sim, temos um ponto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu disse h\u00e1 alguns anos, em uma confer\u00eancia internacional, que al\u00e9m disso, voc\u00ea poderia argumentar: &#8220;OK, o Ir\u00e3 pode mudar sua decis\u00e3o&#8221;, mas o que quer que seja, eu acho que estrategicamente \u00e9 um erro optar por armas nucleares. Por qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sem armas nucleares, o Ir\u00e3 \u00e9 suficientemente poderoso para sentar-se \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es com os P5+1 e conversar com eles em p\u00e9 de igualdade. Lembrando que essa sigla P5 se refere aos cinco Estados detentores de armas nucleares (China, Fran\u00e7a, R\u00fassia, Reino Unido e EUA), com assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU e mais a Alemanha. Agora vamos supor que o Ir\u00e3 decida optar por ter uma arma nuclear. Ap\u00f3s um ou dois anos, quantas armas ou ogivas poder\u00edamos ter? Uma, duas, ou sei l\u00e1 quantas? Portanto, estar\u00edamos em desvantagem em compara\u00e7\u00e3o com os milhares de ogivas que os pa\u00edses que est\u00e3o do outro lado da mesa disp\u00f5em.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Portanto, acho que isso \u00e9 um erro estrat\u00e9gico para o Ir\u00e3, pois estaremos em uma posi\u00e7\u00e3o mais fraca e ser\u00e1 um erro para n\u00f3s, sem falar no decreto religioso. Essa \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o clara para n\u00f3s. No entanto, ter a tecnologia nuclear sem nenhuma limita\u00e7\u00e3o \u00e9 um direito inalien\u00e1vel, de acordo com o artigo 4 do estatuto da AIEA. N\u00e3o h\u00e1 limite indicado no TNP ou na AIEA, mesmo para o n\u00edvel de arranjo. Poder\u00edamos at\u00e9 mesmo ir a 93% de enriquecimento para ter o combust\u00edvel para o Reator de Teer\u00e3, tal como os EUA planejavam nos fornecer (pelo visto isso ficou s\u00f3 no planejamento).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora, \u00e9 claro, nosso combust\u00edvel para o Reator de Teer\u00e3, n\u00f3s alteramos para 20% quando o recebemos da Argentina e, mais tarde, n\u00f3s mesmos o produzimos. Portanto, \u00e9 claro que ter tecnologia nuclear sob as mais completas salvaguardas da AIEA \u00e9 um direito leg\u00edtimo, mas n\u00e3o vamos optar por armas nucleares, por estas duas raz\u00f5es: compromisso religioso, al\u00e9m do que, estrategicamente, n\u00e3o seria correto para o Ir\u00e3 a op\u00e7\u00e3o pelas armas nucleares.<\/span><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigado. O senhor vem trabalhando h\u00e1 muitos anos na seguran\u00e7a nuclear e na prote\u00e7\u00e3o contra ataques \u00e0s instala\u00e7\u00f5es nucleares. O que \u00e9 necess\u00e1rio, em n\u00edvel internacional, para proteger, n\u00e3o apenas as instala\u00e7\u00f5es iranianas que foram recentemente atacadas, como assistimos na m\u00eddia, as instala\u00e7\u00f5es de Natanz, mas tamb\u00e9m as instala\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses, porque a Ar\u00e1bia Saudita, os Emirados \u00c1rabes Unidos tamb\u00e9m est\u00e3o desenvolvendo seus programas nucleares. O que \u00e9 necess\u00e1rio sob a luz do direito internacional; o que o senhor teria a dizer?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa sim, de fato, \u00e9 uma quest\u00e3o muito importante com a qual estou envolvido h\u00e1 mais de 30 anos. Quando cheguei a Viena em 1982, houve uma discuss\u00e3o pol\u00edtica na confer\u00eancia geral da AIEA, porque no ano anterior, em 1981, Israel havia atacado o reator iraquiano e o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU havia condenado esse ataque em uma resolu\u00e7\u00e3o. E, portanto, a AIEA tamb\u00e9m queria ter uma resolu\u00e7\u00e3o sobre essa quest\u00e3o. E eu tinha acabado de chegar naquela confer\u00eancia e houve uma discuss\u00e3o s\u00e9ria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Gostaria apenas de fazer um breve coment\u00e1rio de que foi muito dif\u00edcil para mim, porque Saddam estava atacando o Ir\u00e3, era uma guerra que foi imposta ao Ir\u00e3. E o representante de Saddam estava conduzindo uma reuni\u00e3o e preparando um projeto de resolu\u00e7\u00e3o contra Israel. E os pa\u00edses como o meu, tamb\u00e9m fui convidado para apoi\u00e1-lo. Portanto, essa foi uma decis\u00e3o hist\u00f3rica. Apesar de o representante de Saddam ali sentado e enquanto massacravam milhares de meus concidad\u00e3os, decidimos e eu apoiei a resolu\u00e7\u00e3o como uma quest\u00e3o de princ\u00edpio, porque \u00e9ramos contra qualquer ataque contra qualquer instala\u00e7\u00e3o nuclear. Infelizmente, ap\u00f3s algum tempo, descobrimos que, naturalmente, enquanto essa discuss\u00e3o estava acontecendo, um representante dos EUA naquela confer\u00eancia amea\u00e7ou a todos que, se houvesse uma resolu\u00e7\u00e3o contra Israel, ent\u00e3o os Estados Unidos deixariam a AIEA. Como 25% do or\u00e7amento regular era proveniente dos EUA, isso significa que a AIEA iria sucumbir quanto \u00e0s suas atribui\u00e7\u00f5es. Aquilo foi uma s\u00e9ria amea\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No dia seguinte, os iraquianos tiveram outra reuni\u00e3o e alguns dos pa\u00edses \u00e1rabes foram pressionados e, portanto, estavam tentando de alguma forma enfraquecer a resolu\u00e7\u00e3o ou adi\u00e1-la. Eu me opus \u00e0quilo e disse: &#8220;N\u00e3o. Essa resolu\u00e7\u00e3o deve seguir, porque \u00e9 uma quest\u00e3o de princ\u00edpio&#8221;. E ent\u00e3o liguei para Teer\u00e3 e obtive a aprova\u00e7\u00e3o \u2013 esse foi um momento hist\u00f3rico em 1982 \u2013, consegui a aprova\u00e7\u00e3o que vou anunciar oficialmente que, se os EUA deixarem a AIEA, ent\u00e3o o Ir\u00e3 compensar\u00e1 com um aporte permanente de 25% do or\u00e7amento. Para que pud\u00e9ssemos aprovar essa resolu\u00e7\u00e3o contra a agress\u00e3o israelense e para impedir que isso se repetisse no futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E, claro, eu estava certo de que aquilo era um blefe pol\u00edtico dos EUA. Ent\u00e3o a confer\u00eancia come\u00e7ou e, de repente, os EUA se opuseram \u00e0 discuss\u00e3o da resolu\u00e7\u00e3o, porque era uma discuss\u00e3o para privar Israel, de acordo com o artigo 19, do direito e privil\u00e9gio do Estado membro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E quando a delega\u00e7\u00e3o dos EUA estava deixando a confer\u00eancia, \u00e9 claro que meu cora\u00e7\u00e3o estava batendo forte, porque a avalia\u00e7\u00e3o que me foi dada por Teer\u00e3 foi que os EUA estariam blefando e n\u00e3o iriam proceder daquela forma. Desde ent\u00e3o, dever\u00edamos ter pagado 25% do or\u00e7amento da AIEA, mas pouco depois de alguns meses, os EUA voltaram com alguma solu\u00e7\u00e3o para salvar sua reputa\u00e7\u00e3o e que Israel poderia prestar alguma forma de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na sequ\u00eancia, o que vimos foi que Saddam infelizmente seguiu o mesmo caminho, a mesma pol\u00edtica de Israel e mais adiante tamb\u00e9m atacou a usina el\u00e9trica de Bushehr.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E isso est\u00e1 no livro que eu publiquei. Espero que voc\u00ea possa v\u00ea-lo aqui na c\u00e2mera. O Museu da Defesa Sagrada do Ir\u00e3 o publicou. \u00c9 um livro todo documental que tamb\u00e9m traz alguns testemunhos sobre o que aconteceu na usina el\u00e9trica de Bushehr, entre 1984 e 1988. Mesmo passados alguns dias ap\u00f3s a resolu\u00e7\u00e3o 598 do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, que estabelecia um cessar-fogo, Saddam tamb\u00e9m atacou e, portanto, este livro tem fotos documentais, tudo e todos os documentos e comunica\u00e7\u00f5es e muito mais. O ponto importante \u00e9 que quando eu quis publicar este livro, que \u00e9 um document\u00e1rio, fui conversar com Hans Blix, pois ele era o Diretor Geral na \u00e9poca do ataque de Saddam. E ele foi muito gentil e me escreveu uma carta a respeito dessa quest\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es nucleares em geral, que est\u00e1 publicada neste livro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Deixe-me ler a parte que \u00e9 muito importante em termos hist\u00f3ricos. Aqui diz que ele foi ativo na elabora\u00e7\u00e3o do que se tornou o artigo 56 de um protocolo adicional \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o de Genebra de 12 de agosto de 1949. Ele estava envolvido com essa quest\u00e3o, mas o importante \u00e9 que, ao concluir, ele diz que nenhum ataque deve ser feito contra instala\u00e7\u00f5es nucleares. E ele tamb\u00e9m diz, \u00e9 claro, que a prote\u00e7\u00e3o dos civis \u00e9 o prop\u00f3sito humanit\u00e1rio mais importante para a elabora\u00e7\u00e3o desse documento. Penso \u2013 isto \u00e9 importante \u2013 ele diz: &#8220;Acho que qualquer a\u00e7\u00e3o beligerante contra instala\u00e7\u00f5es que possam liberar material radioativo, pode ser t\u00e3o grave e ser condenada como um ataque com uma arma nuclear&#8221;.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa \u00e9 uma mensagem muito importante que parte de uma pessoa com tanto destaque internacional, que, por 16 anos, foi o Diretor Geral da AIEA. Ele considerou qualquer ataque contra instala\u00e7\u00f5es nucleares como se uma arma nuclear tivesse sido utilizada, pois haveria libera\u00e7\u00e3o radioativa. E n\u00e3o h\u00e1, de fato, um limite porque poderia ser liberada e chegar a muitos outros pa\u00edses. Portanto, com base nessa resolu\u00e7\u00e3o, propus, em 1990, uma outra. Essa resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada de 533 de 1990. Todos podem pesquisar no Google. De acordo com essa resolu\u00e7\u00e3o, cujo texto tenho aqui \u00e0 minha frente, apesar de o conhecer de cor, por isso acabei de ler a parte que diz que &#8220;qualquer ataque ou mesmo amea\u00e7a de ataque contra instala\u00e7\u00f5es nucleares durante a opera\u00e7\u00e3o ou durante a constru\u00e7\u00e3o constitui uma viola\u00e7\u00e3o \u00e0 carta da ONU, ao estatuto da AIEA e ao direito internacional, e o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU deve agir imediatamente&#8221;. E em outro par\u00e1grafo digo que os outros pa\u00edses devem oferecer assist\u00eancia t\u00e9cnica e humanit\u00e1ria a qualquer outro pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Essa resolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um desenvolvimento hist\u00f3rico fundamental e de iniciativa minha. Eu a digitei. Eu amo essa resolu\u00e7\u00e3o. Sessenta pa\u00edses ou mais. E apesar da oposi\u00e7\u00e3o dos EUA e de alguns outros pa\u00edses ocidentais, essa resolu\u00e7\u00e3o foi adotada. Ent\u00e3o, cerca de 20 anos depois, fui novamente designado como embaixador na AIEA. Em 2009, israelenses e at\u00e9 mesmo estadunidenses amea\u00e7aram atacar as instala\u00e7\u00f5es de enriquecimento de combust\u00edvel em Natanz. Em seguida, quis lembrar-lhes que existe uma resolu\u00e7\u00e3o e, de acordo com essa resolu\u00e7\u00e3o, Israel deveria ser chamado perante o Conselho de Seguran\u00e7a, pois a amea\u00e7a tamb\u00e9m constitui uma viola\u00e7\u00e3o. Em seguida, pedi a inclus\u00e3o de um t\u00f3pico na ordem do dia da confer\u00eancia-geral da AIEA e felizmente ele foi adotado, porque o Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados o apoiou. Finalmente, houve uma declara\u00e7\u00e3o de consenso da presidente da confer\u00eancia, que \u00e9 uma pessoa a quem admirava. Ela era a embaixadora da Nova Zel\u00e2ndia. Ela foi muito honesta e bastante construtiva. E um texto foi lido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela fez muito lobby e promoveu muito debate sobre o tema. Assim, em vez de uma resolu\u00e7\u00e3o, tivemos um texto de consenso da presidente da confer\u00eancia, consenso eu disse, pois todos realmente aderiram ao consenso de que as instala\u00e7\u00f5es nucleares deveriam ser protegidas de qualquer ataque ou amea\u00e7a de ataque.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No ano seguinte, em 2010, fui a Nova Iorque como membro da delega\u00e7\u00e3o \u00e0 confer\u00eancia de revis\u00e3o do TNP. E, portanto, propus novamente textos semelhantes para a prote\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es nucleares. E tenho orgulho de dizer que esse texto tamb\u00e9m foi aceito por consenso. Est\u00e1 no documento final do TNP. Com base nestes tr\u00eas desenvolvimentos e documentos legais hist\u00f3ricos, estou trabalhando para chegar a uma conven\u00e7\u00e3o, porque o Dr. Blix, em sua carta \u2013 n\u00e3o queria tomar mais seu tempo \u2013 na outra parte de sua carta, ele est\u00e1 falando sobre a necessidade de termos uma conven\u00e7\u00e3o. Portanto, ter uma conven\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade; chegar a uma conven\u00e7\u00e3o negociada e direcionada para esse tema e quanto mais cedo, melhor.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora em rela\u00e7\u00e3o ao Oriente M\u00e9dio, s\u00e3o mais ou menos 10 anos, estou envolvido por iniciativa pessoal. Minha iniciativa \u00e9 no sentido de propor imunidade e prote\u00e7\u00e3o para todas as instala\u00e7\u00f5es nucleares no Oriente M\u00e9dio como a primeira medida para fomentar a confian\u00e7a naquela regi\u00e3o. E sempre que propus isso \u2013 na Confer\u00eancia Pugwash, na Confer\u00eancia de Moscou, Confer\u00eancia do Oriente M\u00e9dio no Di\u00e1logo de Atenas \u2013 h\u00e1 quase 10 anos, todos o acolheram e at\u00e9 mesmo em Moscou, em um painel de debates onde eu o propus, havia um estrategista israelense que integrava aquele painel. Ele disse que essa \u00e9 uma proposta muito boa do embaixador Soltanieh, mas como o Ir\u00e3 n\u00e3o reconhece Israel, como poderemos negociar? Eu disse que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de negocia\u00e7\u00e3o, apenas simultaneamente com a coordena\u00e7\u00e3o do Secret\u00e1rio-Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, todos os pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio declaram que n\u00e3o atacar\u00e3o instala\u00e7\u00f5es nucleares. E, portanto, \u00e9 poss\u00edvel dar um primeiro passo hist\u00f3rico para proteger todas as instala\u00e7\u00f5es nucleares daquela regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Infelizmente voc\u00ea sabe que Israel tamb\u00e9m atacou a S\u00edria, em 2007, sob o pretexto de que eles estavam construindo o reator, o que nunca foi provado, mas de acordo com a Resolu\u00e7\u00e3o 533, eles deveriam ter estado diante do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, porque eles alegaram que se tratava de um reator. A S\u00edria, claro, rejeitou isso. A mesma situa\u00e7\u00e3o ocorreu com o Stuxnet em 2012, em Natanz no Ir\u00e3, tenho certeza de que voc\u00ea est\u00e1 bem ciente disso. Sem falar nos recentes casos de Natanz e da sabotagem. E s\u00f3 quero inform\u00e1-los novamente, j\u00e1 que disse que em toda a minha vida estive envolvido com o tema.\u00a0 Em 2012, tamb\u00e9m houve uma sabotagem no enriquecimento, porque uma parte de um componente na ind\u00fastria quando ela comprou parte do combust\u00edvel para as instala\u00e7\u00f5es, eles tinham produzido no interior daquela instala\u00e7\u00e3o, aquela serra usada para destruir uma das bombas foi manipulada para que depois de algum tempo ela explodisse automaticamente e, portanto, causando o apag\u00e3o de todo o sistema de centr\u00edfugas, que acabou sendo desligado.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E normalmente a gente sabe que as centr\u00edfugas, quando est\u00e3o trabalhando muito r\u00e1pido, elas podem se desligar e, quando acontece, isso ocorre de repente, e por isso eu trouxe a resolu\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a nuclear da AIEA. Na \u00e1rea da seguran\u00e7a nuclear, todos os anos, um grupo de pa\u00edses ocidentais traz uma resolu\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a nuclear para a AIEA. Eu perguntei e insisti at\u00e9 o final da noite, quando ainda est\u00e1vamos negociando e, finalmente, o grupo ocidental aceitou ter um par\u00e1grafo inclu\u00eddo. Essa \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o de n\u00famero 10 de 2012 sobre seguran\u00e7a nuclear. E incluo um par\u00e1grafo que pode expressar a preocupa\u00e7\u00e3o de uma sabotagem na ind\u00fastria nuclear em qualquer parte do mundo. N\u00e3o falamos do Ir\u00e3 especificamente, porque uma sabotagem pode gerar um acidente nuclear e uma libera\u00e7\u00e3o radioativa, o que \u00e9 muito perigoso, \u00e9 claro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isto \u00e9 alguma coisa que, novamente, estamos falando em 40 anos ou mais.<\/span><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muito obrigado. Bem embaixador, considerando todos os problemas que o programa nuclear do Ir\u00e3 tem causado a Teer\u00e3 nos \u00faltimos 15 anos e mais um pouco, os ataques, os assassinatos de cientistas, as san\u00e7\u00f5es, e considerando o custo cada vez menor das fontes de energia renov\u00e1veis, por que o programa nuclear ainda \u00e9 uma prioridade pol\u00edtica t\u00e3o importante para o Ir\u00e3?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 falei sobre a vantagem das aplica\u00e7\u00f5es da ci\u00eancia e tecnologia na \u00e1rea nuclear. Permita-me ser repetitivo. A gente n\u00e3o imagina a tremenda aplica\u00e7\u00e3o da tecnologia nuclear, inclusive para o tratamento do c\u00e2ncer. Temos um grande projeto de um c\u00edclotron para a irradia\u00e7\u00e3o de tumores usando \u00edons de carbono e feixes de pr\u00f3tons que est\u00e1 em andamento agora, e muitas aplica\u00e7\u00f5es e, claro, a energia nuclear. Mas h\u00e1 um fato&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea est\u00e1 me perguntando sobre o Ir\u00e3. J\u00e1 se v\u00e3o quase 70 anos desde que iniciamos nossas atividades nucleares. Eu falei em 40 anos sob san\u00e7\u00f5es e mais os problemas decorrentes. Mesmo assim, temos sido bem-sucedidos em dominar a tecnologia de enriquecimento e de fato dominamos todo o circuito de combust\u00edvel nuclear. Como algu\u00e9m pode esperar que o povo iraniano simplesmente desista facilmente desse inalien\u00e1vel direito, ap\u00f3s tantos investimentos na \u00e1rea pol\u00edtica, jur\u00eddica, de seguran\u00e7a, al\u00e9m dos danos infligidos ao Ir\u00e3, para simplesmente desistir? N\u00e3o podemos desistir. Temos que continuar nos passos modestos que estamos dando, sob a vigil\u00e2ncia internacional e sob o controle da AIEA e isso \u00e9, creio eu, muito simples e todos entendem isso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Naturalmente, a respeito do uso de outras fontes de energia e alternativas, como as energias renov\u00e1veis, tamb\u00e9m estamos trabalhando muito e todos os anos voc\u00ea pode ver nas estat\u00edsticas. Posso fornecer-lhe essas informa\u00e7\u00f5es mais tarde. Elaborei um artigo para uma dessas confer\u00eancias internacionais, que diz que, a cada ano, estamos aumentando a participa\u00e7\u00e3o em nossa matriz das seguintes energias renov\u00e1veis: solar, e\u00f3lica e, claro, outras aplica\u00e7\u00f5es que temos para casos mais apropriados ao Ir\u00e3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas, ao mesmo tempo, a energia nuclear deve continuar, como disse, n\u00e3o de forma ambiciosa como foi na \u00e9poca do X\u00e1, mas devemos prosseguir com essa que temos, gradualmente em nossa matriz energ\u00e9tica. E \u00e9 isso o que estamos fazendo.<\/span><\/p>\n<p><b>Pressenza<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Certo. Muito bem, vamos falar sobre o que o senhor pode nos antecipar sobre os dias atuais. Parece que h\u00e1 sinais muito encorajadores saindo de Viena sobre as conversa\u00e7\u00f5es entre as partes do acordo nuclear iraniano, sobre o JCPOA com os Estados Unidos. Parece que haver\u00e1 algum tipo de resultado positivo em rela\u00e7\u00e3o a esse plano. Quais poderiam ser as consequ\u00eancias para esse resultado favor\u00e1vel das conversa\u00e7\u00f5es da ONU convocadas em 2019 sobre a negocia\u00e7\u00e3o de uma zona livre de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa no Oriente M\u00e9dio?<\/span><\/p>\n<p><b>Emb. Soltanieh<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quero dizer que, naturalmente, provamos nossa vontade pol\u00edtica de negociar e remover qualquer obst\u00e1culo, qualquer d\u00favida sobre nossas atividades nucleares. Durante 7 anos fui embaixador em Viena, n\u00e3o poupei esfor\u00e7os para explicar e falar algumas vezes com todos os meus hom\u00f3logos. Inclusive convidei e levei os embaixadores e representantes de todos os pa\u00edses do chamado Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o Alinhados para as instala\u00e7\u00f5es nucleares na Usina de Enriquecimento de Natanz e o Reator de \u00c1gua Pesada na cidade de Arak, para que eles testemunhem que o Ir\u00e3 est\u00e1\u00a0 cooperando 100% com a AIEA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o outro ponto importante s\u00e3o, obviamente, as negocia\u00e7\u00f5es. Apesar do fato de tudo esteja ocorrendo nessas sete semanas de atividades sob a supervis\u00e3o da AIEA, aceitamos negociar e conversar com outros pa\u00edses, incluindo primeiro a UE3 (que s\u00e3o as tr\u00eas maiores pot\u00eancias da Uni\u00e3o Europeia), com quem estabelecemos negocia\u00e7\u00f5es a partir de 2003. Mas, infelizmente eles n\u00e3o foram capazes de respeitar seu compromisso e n\u00e3o estavam cumprindo honestamente com suas obriga\u00e7\u00f5es. Portanto, tivemos que parar o enriquecimento ap\u00f3s dois anos e meio de que o hav\u00edamos suspendido e aplicamos o protocolo adicional e o c\u00f3digo 3.1 modificado. E ent\u00e3o, em 2006, tivemos que interromp\u00ea-lo, porque n\u00e3o pod\u00edamos continuar. Tudo foi paralisado e a UE n\u00e3o foi capaz sequer de retirar o assunto da pauta do Conselho dos Governadores e de obter alguma coopera\u00e7\u00e3o, fosse de ordem t\u00e9cnica ou econ\u00f4mica. Portanto, chegamos ao n\u00famero de 19.000 centr\u00edfugas, enquanto a UE3 insistia que o Ir\u00e3 sequer poderia ter tr\u00eas centr\u00edfugas, apenas o suficiente para o setor de Pesquisa e Desenvolvimento, e se mostrou disposta a convencer o povo a relaxar; que o povo fosse paciente.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E agora o fizemos novamente, em 2013\/2015, s\u00f3 que negociando com o JCPOA. Pessoalmente, n\u00e3o estou satisfeito com a concess\u00e3o m\u00e1xima que fizemos. Essa \u00e9 uma concess\u00e3o sem precedentes que o Ir\u00e3 fez e n\u00f3s n\u00e3o dever\u00edamos ter ido t\u00e3o longe. Quando leio o JCPOA, tenho muita pena que o Ir\u00e3 seja tratado assim. A inspe\u00e7\u00e3o mais intrusiva da hist\u00f3ria \u00e9 aplicada ao Ir\u00e3 com base no JCPOA. E mesmo com todas essas restri\u00e7\u00f5es, o Ir\u00e3 tentou provar sua vontade pol\u00edtica. Queremos que todos tenham certeza de que tudo \u00e9 para fins pac\u00edficos, exclusivamente para fins pac\u00edficos, e assim o fizemos. E ent\u00e3o, apesar da promessa de remover as san\u00e7\u00f5es, mesmo a administra\u00e7\u00e3o Obama n\u00e3o foi capaz de cumprir com as suas obriga\u00e7\u00f5es. E ent\u00e3o veio o Trump, infelizmente, e todos voc\u00eas sabem que ele retirou os EUA do JCPOA.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E eu disse isso em uma confer\u00eancia, em 2017. Foi na Confer\u00eancia Pugwash, em Astana, uma frase simples, pouco antes da retirada de Trump, eu disse que isso era uma anarquia na hierarquia dos EUA. \u00c9 rid\u00edculo que um presidente venha e diga que tudo o que o presidente anterior tenha exigido foi um desastre: seja um tratado bilateral ou um acordo internacional. Isso sim que \u00e9 um desastre e, portanto, fomos v\u00edtimas dessa anarquia na hierarquia dos EUA. E ent\u00e3o, mesmo durante um ano, o Ir\u00e3 teve a paci\u00eancia estrat\u00e9gica. N\u00f3s n\u00e3o fizemos nada. Continuamos com as nossas obriga\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito do JCPOA, depois tivemos que reduzir gradualmente o enriquecimento, nos termos dos artigos 36 e 26. E, ent\u00e3o, onde estamos agora?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quero mais lidar com isso, mas na verdade provamos nossa vontade pol\u00edtica e a boa vontade de colocar essas quest\u00f5es pol\u00edticas de lado. E \u00e9 claro que essas san\u00e7\u00f5es infelizes e ilegais devem ser imediatamente levantadas, todas as san\u00e7\u00f5es, o que prejudicou muito e, de fato, o povo iraniano se sacrificou durante a pandemia global. \u00c9 f\u00e1cil entender que, em muitos casos, n\u00e3o temos conseguido nem mesmo importar medicamentos para pacientes iranianos. Agora estamos diante de uma quest\u00e3o humanit\u00e1ria, mas esperemos que a sabedoria prevale\u00e7a em Washington e em Bruxelas e que eles entendam que o Ir\u00e3 \u00e9 um parceiro confi\u00e1vel e que lidar\u00e3o de maneira diferente como era de se esperar.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Traduzido do ingl\u00eas por Jos\u00e9 Luiz Corr\u00eaa \/ Revisado por Gra\u00e7a Pinheiro<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tempo est\u00e1 se esgotando para que se alcance algum tipo de solu\u00e7\u00e3o para o problema do n\u00e3o cumprimento do acordo nuclear iraniano e estadunidense, tamb\u00e9m conhecido como Plano de A\u00e7\u00e3o Conjunto Global (JCPOA). 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