{"id":1392069,"date":"2021-07-04T04:00:30","date_gmt":"2021-07-04T03:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1392069"},"modified":"2021-07-04T21:24:07","modified_gmt":"2021-07-04T20:24:07","slug":"o-pato-enforcado-no-bonde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/07\/o-pato-enforcado-no-bonde\/","title":{"rendered":"O pato enforcado no bonde"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Marco Dacosta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">O calor estava t\u00e3o intenso que era poss\u00edvel fritar ovos no ch\u00e3o da avenida Presidente Vargas &#8211; pelo menos assim bufava uma senhora no bonde. Euclides respondia com um sorriso e ar pensativo. Estava em uma miss\u00e3o muito nobre: comprar um pato para o almo\u00e7o de domingo. Havia sa\u00eddo de Cascadura naquele dia para garantir a ceia de Natal. Sua mulher Iracema o esperava ansiosa &#8211; ela, uma senhora vinte anos mais velha ganhava a vida na costura, atracada a uma m\u00e1quina Singer. Seus p\u00e9s delicados n\u00e3o paravam de pedalar para que a agulha entrasse e sa\u00edsse costurando pijamas e vestidos. A ceia, um momento de sair da rotina dos tecidos e entrar nos sabores das carnes e ensopados. <\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Euclides era um jovem soldado, vindo da ro\u00e7a, sem muito conhecimento no Rio, mas comprar um pato n\u00e3o haveria de ter ci\u00eancia. Precisava apenas seguir as instru\u00e7\u00f5es de sua patroa. Literalmente patroa, que aproveitava a diferen\u00e7a de idade para agir de forma maternal &#8220;me traga esse pato &#8211; vivo&#8221;. A preocupa\u00e7\u00e3o de Iracema: o casal n\u00e3o tinha geladeira e o bicho n\u00e3o manteria o sabor se n\u00e3o fosse cozido, digamos &#8220;fresco&#8221; ap\u00f3s o abate. <\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No quintal, o pomar e o cercadinho, havia galinhas &#8211; tr\u00eas. Um galo manco, um porco magro e alguns pintinhos que lutavam para sobreviver ao calor do Rio de Janeiro. Espere. Faltou dizer: est\u00e1vamos em 1939, no primeiro ver\u00e3o do casal na cidade maravilhosa, onde haviam chegado meses antes, fugindo do frio e das l\u00ednguas afiadas de Pouso Alegre, no sul de Minas, onde contestavam aquela rela\u00e7\u00e3o com tamanha diferen\u00e7a de idade.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Voltando ao pato &#8211; era necess\u00e1rio que a ave fosse abatida na manh\u00e3 de domingo, para a ceia de Natal. A ordem &#8211; ou melhor &#8220;pedido&#8221; de Iracema: Euclides teria que ir a uma granja que ficava em Vila Isabel, de onde sa\u00edam os melhores patos e frangos. O lugar chamava-se &#8220;Ponto do Pinto&#8221; e havia filas para adquirir as aves, a maioria vivas. Na \u00e9poca, era pr\u00e1tica comum abater em casa e comer depois, j\u00e1 que a maioria das casas, principalmente dos mais pobres, n\u00e3o estavam equipadas com refrigeradores. Fundamental &#8211; repetia Iracema &#8211; que o pato fosse levado a Cascadura naquela tarde de s\u00e1bado e chegasse vivo e em boas condi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Euclides havia explicado sua dificuldade em reconhecer um pato &#8211; \u00e9 como uma galinha mais encorpada? \u00c9 um ganso &#8211; desses que flutuam no Campo de Santana? N\u00e3o sei! Na verdade tinha medo de trazer uma ave diferente j\u00e1 que a viagem era longa. Vai que vem um peru, um ganso. Um trem, dois bondes, anotou em um papel de p\u00e3o: uma parada no M\u00e9ier; depois outro at\u00e9 a Tijuca e finalmente um que passava em Vila Isabel. Pronto, pelo menos o trajeto ele sabia. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Iracema colocou os 20 mil Reis no bolso dele e disse que fosse logo. O espa\u00e7o para o pato no pomar estava reservado. Planejava acordar cedo no domingo e ir calmamente at\u00e9 o lugar, torcer o pesco\u00e7o do bicho e prepar\u00e1-lo com batatas: seus dois filhos do primeiro casamento viriam s\u00f3 para a ceia. A primeira e t\u00e3o especial. O Rio de Janeiro naquele tempo parecia uma babel de sons estrangeiros, de cheiro de incenso. O amolador de faca chega \u00e0s sextas, na esquina de sua casa. Era tudo que precisava para come\u00e7ar a montar a ceia, mas naquele s\u00e1bado ela s\u00f3 queria descansar. Enquanto Euclides se aventurava at\u00e9 o Morro dos Macacos, ela se preparava para dormir cedo e descansar, antes que o sol anunciasse o longo domingo. Am\u00eandoas, castanhas, uvas. S\u00f3 faltava o grito de morte do pato.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Euclides cumpriu a miss\u00e3o &#8211; em parte. Chegou no local at\u00e9 que mais cedo do que pensava. Entrou na fila, comprou o pato. Escolheu um gordinho bem volumoso, imaginando a fartura que seria no dia seguinte. Na volta, aguardou o bonde e embarcou com o bicho envolto em uma folha de jornal, com as patinhas amarradas. O dono da granja disse &#8220;carregue o bicho de cabe\u00e7a pra baixo&#8221;. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Assim que entrou no bonde sentou-se ao lado de duas senhoras &#8211; que calor, uma disse. Que cheiro insuport\u00e1vel, reclamou a outra. A\u00ed veio a tal hist\u00f3ria de fritar ovo na avenida de novo. Cariocas adoram o calor e reclamar dele! Euclides se manteve atento as instru\u00e7\u00f5es da patroa, mas o pato parecia querer lutar pela vida e come\u00e7ou a emitir sons alt\u00edssimos. Disputava com o ranger dos trilhos, chacoalhava a cabe\u00e7a, enquanto Euclides se mantinha im\u00f3vel, apenas apertando cada vez mais o pesco\u00e7o do bicho. E o pato resistia, gritava, cada vez mais sufocado. Todo o bonde j\u00e1 parecia solid\u00e1rio &#8211; solta esse bicho!, gritou algu\u00e9m. Euclides n\u00e3o piscava, respirava pausadamente. Pensou no seu treinamento militar. O pato seria um inimigo de guerra, um trof\u00e9u da batalha. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Um pouco depois de passar pelo M\u00e9ier, o pato n\u00e3o resistiu e caiu morto nos bra\u00e7os de seu algoz. Euclides at\u00e9 que tentou ressuscit\u00e1-lo, jogando um pouco da cacha\u00e7a que trazia em uma garrafinha. Tinha aquela promessa de n\u00e3o voltar a beber, mas carregava um compartimento reserva de emerg\u00eancia, secreto. Ser\u00e1 que algu\u00e9m viu? Ser\u00e1 que v\u00e3o perceber o cheiro forte da caninha? <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">O pato chegou a Cascadura, mort\u00edssimo. Iracema teve que levantar da cama e cozinh\u00e1-lo at\u00e9 as tr\u00eas da manh\u00e3. Patos tem carne dura &#8211; demoram &#8211; dizia, olhando Euclides, com decep\u00e7\u00e3o. No dia seguinte a ceia estava bel\u00edssima e todos ficaram bem felizes com a fartura. Uma renda branca cobria a grande mesa, crian\u00e7as corriam em volta. Era a primeira ceia da fam\u00edlia na cidade. Euclides n\u00e3o conseguiu comer o pato &#8211; &#8220;achei doce demais&#8221; &#8211; revelou nas conversas a noite.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Iracema nunca mais pediu para ele comprar animais vivos e com a chegada da geladeira anos depois, a fam\u00edlia aprendeu a comer sem pressa. Porcos, galinhas, v\u00e1rios foram sucessores do pato na mesa dos Natais, mas ela jamais esqueceu aquela noite que virou cozinhando a ceia porque Euclides n\u00e3o conseguiu manter vivo seu prisioneiro de guerra. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">No ano seguinte Euclides foi enviado a Natal, no Rio Grande do Norte, como preparativo para embarque de guerra. Iracema escreveu uma carta de despedida e o lembrou que lutasse com a mesma for\u00e7a e intensidade que usou para matar aquele pato. Riram e choraram at\u00e9 que para sua desilus\u00e3o, n\u00e3o foi destacado para a for\u00e7a expedicion\u00e1ria que lutaria na It\u00e1lia. Deve ser a vingan\u00e7a daquele maldito pato &#8211; disse em oura carta. A hist\u00f3ria percorreu d\u00e9cadas, virou lenda familiar, hist\u00f3ria de contar antes das ceias.<\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Um dia Euclides foi me buscar na escola &#8211; fui seu bisneto favorito. Quando chegamos a casa, Iracema havia partido. Eu ainda n\u00e3o entendia a morte e o desaparecimento e ele, para me consolar, contou a hist\u00f3ria de como era divertido viver ao lado dela e como foram maravilhosos aqueles anos. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O pato enforcado naquele Natal para ele sempre foi uma met\u00e1fora de todas as coisas que ela havia ensinado e ele n\u00e3o entendido. De todas as li\u00e7\u00f5es que a diferen\u00e7a de idade nos deixa: &#8220;Iracema me ensinou tudo que sei &#8220;, disse, com o cora\u00e7\u00e3o apertado. Aquela noite toda cozinhando &#8211; lembrou &#8211; n\u00e3o era sobre pato, ceia ou fam\u00edlia &#8211; era sobre o nosso amor. <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; Por Marco Dacosta &nbsp; &nbsp; O calor estava t\u00e3o intenso que era poss\u00edvel fritar ovos no ch\u00e3o da avenida Presidente Vargas &#8211; pelo menos assim bufava uma senhora no bonde. 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