{"id":1383483,"date":"2021-06-20T04:04:25","date_gmt":"2021-06-20T03:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1383483"},"modified":"2021-06-20T02:38:36","modified_gmt":"2021-06-20T01:38:36","slug":"para-nao-esquecer-montevideu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/06\/para-nao-esquecer-montevideu\/","title":{"rendered":"Para n\u00e3o esquecer Montevid\u00e9u"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Marco Dacosta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">&#8220;Ah, que ningu\u00e9m me d\u00ea piedosas inten\u00e7\u00f5es,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ningu\u00e9m me pe\u00e7a defini\u00e7\u00f5es!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ningu\u00e9m me diga: &#8220;vem por aqui&#8221;!<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A minha vida \u00e9 um vendaval que se soltou,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 uma onda que se alevantou,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 um \u00e1tomo a mais que se animou&#8230;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o sei por onde vou,<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o sei para onde vou<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sei que n\u00e3o vou por a\u00ed!&#8221;<\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">C\u00e2ntico negro<\/span><\/span><\/p>\n<h5 style=\"text-align: right;\"><em>(Jos\u00e9 R\u00e9gio)<\/em><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Chegamos ao terminal rodovi\u00e1rio de Montevid\u00e9u ainda pela manh\u00e3, come\u00e7o do ver\u00e3o. Conectado ao shopping &#8220;Tres Cruces&#8221;, o terminal \u00e9 pequeno mas muito eficiente, com todos os servi\u00e7os que um viajante precisa. No meu caso, amante da informa\u00e7\u00e3o, logo percebi uma livraria. N\u00e3o h\u00e1 melhor maneira de se chegar a um pa\u00eds que desfilhar os olhos por suas bancas de jornais e revistas, onde ficam como vitrine as trag\u00e9dias, alegrias e sua pol\u00edtica. \u00c9 a not\u00edcia contada por eles mesmos, que incendeia nossa imagina\u00e7\u00e3o e nos revela suas contradi\u00e7\u00f5es. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Foi l\u00e1, na pequena livraria da rodovi\u00e1ria. entre livros, com cheiro de incenso e erva mate, que esperei um amigo para me receber, hospedar e apresentar a capital uruguaia. Eduardo, que j\u00e1 havia trabalhado comigo no Rio, havia regressado a casa no ano anterior, depois de uma longa temporada estudando e trabalhando no Brasil. Na \u00e9poca da minha visita, trabalhava para um empresa de seguros e como a maioria dos uruguaios, gostava de conversas sobre pol\u00edtica e liberdade. Desde que nos conhecemos em uma manifesta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Cinel\u00e2ndia, no Rio, me surpreendeu com seu conhecimento sobre a pol\u00edtica do pa\u00eds vizinho. Acho que por viverem entre dois gigantes &#8211; Brasil e Argentina &#8211; os uruguaios desenvolveram essa capacidade de mergulharem profundamente na intimidade de ambos, como as vezes fazemos quando moramos em apartamentos de paredes finas, onde somos quase obrigados a escutar as brigas e ru\u00eddos de amor de quem mora ao lado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Eduardo divide com duas amigas uma ampla casa em um bairro pr\u00f3ximo ao centro. A morada com uma grande claraboia central, se abre mecanicamente e sempre \u00e9 apresentado como a surpresa do lugar para as visitas. A casa constru\u00edda nos anos 30 e guarda um enorme charme, com seus quartos compartindo um espa\u00e7o central comum, um p\u00e1tio para ler, conversar e se encontrar. Circulamos entre plantas e livros, ouvindo hist\u00f3rias e gargalhadas. A primeira coisa que se percebe \u00e9 a calma e o ritmo suave da vida na cidade. Para nada h\u00e1 pressa. N\u00e3o \u00e9 um silencio de monotonia, mas ao contr\u00e1rio de algo que se acumula para explodir depois, seja na dan\u00e7a no fim de semana, ou na alegria dos bares de esquina. \u00c9 provinciano sem ser atrasado, \u00e9 moderno sem ser afobado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">N\u00e3o muito diferente de Porto Alegre, mas com uma calma de dar inveja as cidades brasileiras, Montevid\u00e9u repousa entre um rio de \u00e1guas barrentas e os pampas, cercado de imensid\u00e3o. Os olhares parecem seguir esse caminho, numa orla que lembra o malec\u00f3n de Havana, sem o mar azul. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No caminho para a casa de Eduardo, caminhando pelas cal\u00e7adas bem cuidadas, vi casas coloridas, cachorros soltos e esquinas que me lembram as velhas ruas de San Juan ou da Cidade do Panam\u00e1. J\u00e1 a noite, caminhando pela &#8220;Ciudad Vieja&#8221; parei em uma janela aberta para ver o batuque do Candombe, um ritmo proveniente da \u00c1frica, e tem sido parte importante da cultura uruguaia por mais de 200 anos. As roupas brancas, o cheiro de incenso e alegria, tudo se assemelha aos nossos toques de terreiro do Brasil, as casas de dan\u00e7a de Cuba ou de qualquer outra cidade que vive ainda essa forte influ\u00eancia, da rota da escravid\u00e3o e do sofrimento de milh\u00f5es de almas. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Com um sorriso aberto e cercada de amigos uma negra alta e encorpada canta em sua sala de estar, com seus vizinhos sentados no sof\u00e1. A janela baixa da casa antiga me deixou ver toda aquela alegria. Parece que n\u00e3o h\u00e1 medo do outro e nem do desconhecido. A janela descortina um outro mundo, ao som dos atabaques. Na parede pinturas com tigres e um manto dourado sobre o sof\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>\u201c<span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Montevid\u00e9u parece que ainda est\u00e1 nos anos 80\u2033 \u2013 alerta meu amigo Uruguaio, como quem quer me preparar para a despreocupa\u00e7\u00e3o consumista da cidade. H\u00e1 pouco interesse da capital uruguaia pela modernidade das cidades vizinhas latino americanas, acostumadas aos novos pr\u00e9dios de vidro esverdeado, alum\u00ednio das janelas e pain\u00e9is de led. Nada parecido com a aristocr\u00e1tica Buenos Aires, nem t\u00e3o obvia e sensual como o Rio de Janeiro, perdido em meio a pobreza e fantasia, tropical e inseguro. Montevid\u00e9u repousa sem pressa, sem desespero pelo futuro met\u00e1lico e acr\u00edlico. Uma hora se olha e parece uma pra\u00e7a de Belo Horizonte nos anos 60, outra uma esquina de Santiago de Cuba, com suas casas antigas e o som dos tambores. Pelourinhos que falam castelhano e que cheiram\u00a0a patuchouli. A velha senhora pega o \u00f4nibus com calma, o estudante senta-se a pra\u00e7a sem animosidade. A universidade cercada de faixas e manifesta\u00e7\u00f5es de uma esquerda\u00a0viva e que discute pol\u00edtica. Sim, pol\u00edtica em toda parte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Chegamos \u00e0s v\u00e9speras de uma elei\u00e7\u00e3o j\u00e1 consolidada com a vit\u00f3ria da corrente socialista que governa o pa\u00eds h\u00e1 oito anos. A quest\u00e3o da legaliza\u00e7\u00e3o do uso da maconha n\u00e3o \u00e9 novidade e nem surpresa \u201d \u00e9 uma coisa natural, h\u00e1 d\u00e9cadas se usa e se fuma nas ruas sem nenhum estranhamento\u201d explica Eduardo. Para o casamento gay, a mesma explica\u00e7\u00e3o. \u201dApenas foi legalizado o que j\u00e1 era aceito sem problemas. \u201d\u00c9 cultural\u201d explica. O pa\u00eds que possui uma das maiores \u00edndices de pessoas sem religi\u00e3o n\u00e3o enfrenta problemas e resist\u00eancias para avan\u00e7ar com suas reformas liberalizantes. <\/span><\/span><\/p>\n<p>\u201d<span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para n\u00f3s tudo isso \u00e9 natural\u201d, diz uma outra amiga, tragando um baseado.<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif; font-size: medium;\">Espremido pelos gigantes Brasil e Argentina com suas elites conservadoras e sufocantes, a juventude uruguaia n\u00e3o sabe o que \u00e9 guerra de tr\u00e1fico ou viol\u00eancia provocada pela disputa de quadrilhas. A legaliza\u00e7\u00e3o do aborto tamb\u00e9m diminuiu a morte de mulheres pobres e deu fim com a ind\u00fastria das cl\u00ednicas clandestinas. O pa\u00eds enfrenta com coragem o que os vizinhos empurram com a barriga. Cansado de ver a hipocrisia das elites dos irm\u00e3os ricos e poderosos, uruguaios vivem na simplicidade &#8211; da mesma forma que Portugal olha para a Alemanha. Se ganha menos, se vive com menos, se mente menos, se vive mais intensamente e sendo quem s\u00e3o, desprezando as m\u00e1scaras. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O ex-presidente Mujica simboliza com maestria esse esp\u00edrito: falou recentemente sobre a simplicidade que vive e que em certo ponto simboliza a vida uruguaia que percebi nas ruas &#8211; Pobres n\u00e3o s\u00e3o os que t\u00eam pouco. S\u00e3o os que querem muito! Eu n\u00e3o vivo na pobreza, vivo com austeridade, com a ren\u00fancia. Preciso de pouco pra viver &#8211; reafirmou. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E parece que os uruguaios, acostumados ao pequeno pa\u00eds, a n\u00e3o ter doutrina\u00e7\u00e3o nas escolas como \u201d pa\u00eds do futuro\u201d e nem \u201cgigante pela pr\u00f3pria natureza\u201d conseguem viver dignamente sem muita diferen\u00e7a entre pobres e ricos. O Uruguai est\u00e1 classificado entre os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina como um dos melhores pa\u00edses em qualidade de vida. A taxa de analfabetismo \u00e9 baixa, bem como o \u00edndice de pobreza no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, possui uma classe m\u00e9dia muito representativa. A desigualdade n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o percept\u00edvel como na maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. <\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Verdana, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00c9 muito dif\u00edcil descrever qualquer cidade porque todo relato \u00e9 tamb\u00e9m parte do \u201d esp\u00edrito da viagem\u201d, ou seja \u00e9 pela lente do navegante e seu humor que conhecemos um lugar. A capital Uruguaia guarda um tesouro que \u00e9 seu povo e isso \u00e9 f\u00e1cil perceber. Quem sabe sem o peso de ser grande e potencia como seus vizinhos, quem sabe a liberdade e a longa tradi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Pode ser a calmaria de suas ruas arborizadas e o cheiro do mate. N\u00e3o saberemos nunca explicar. Visitar esse lugar n\u00e3o \u00e9 um roteiro comum, para tirar fotos e ir embora. \u00c9 um lugar para fazer, reencontrar amigos, sentar numa mesa de um bar, falar sobre a vida e recuperar a f\u00e9 na humanidade.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; Por Marco Dacosta &nbsp; &nbsp; &#8220;Ah, que ningu\u00e9m me d\u00ea piedosas inten\u00e7\u00f5es, Ningu\u00e9m me pe\u00e7a defini\u00e7\u00f5es! Ningu\u00e9m me diga: &#8220;vem por aqui&#8221;! 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