{"id":1371229,"date":"2021-05-30T04:08:17","date_gmt":"2021-05-30T03:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1371229"},"modified":"2021-05-30T02:56:30","modified_gmt":"2021-05-30T01:56:30","slug":"todos-os-setembros-sem-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/05\/todos-os-setembros-sem-voce\/","title":{"rendered":"Todos os setembros sem voc\u00ea"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Marco Dacosta<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Um asfalto escaldante nos esperava na Rua Domingos Lopes. Eu e Jane marchamos seguindo o lento ritmo da banda de m\u00fasica, vestidos com um uniforme cor de vinho que odi\u00e1vamos. Era manh\u00e3 em 1982. O Brasil assistia \u201cA mulher do tenente franc\u00eas\u201d. N\u00f3s \u2013 aos 17 anos \u2013 descobrir\u00edamos a democracia e o amor.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O desfile j\u00e1 ia come\u00e7ar e Jane n\u00e3o parava de falar. Eram os planos para o ver\u00e3o daquele ano. O cheiro do mar, o balan\u00e7o do \u00f4nibus lotado a caminho a Barra da Tijuca, as areias finas que entravam em nossos dedos. Romances suburbanos tem gosto de picol\u00e9 de uva do &#8220;china&#8221; no trem, feito com kisuco, beijo com groselha e talco para acalmar a pele depois do domingo no mar. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Foi um namoro que n\u00e3o vingou, como tantos da nossa adolesc\u00eancia. Romances embalados pelas tradu\u00e7\u00f5es das m\u00fasicas em ingl\u00eas, nos programas do Alberto Brizola. Na \u00e9poca gost\u00e1vamos muito de um tema mas n\u00e3o t\u00ednhamos a menor ideia do que se tratava a m\u00fasica. Jane me dava as letras escritas em uma p\u00e1gina de caderno, perfumadas e desenhadas com cora\u00e7\u00f5es. Havia tamb\u00e9m um caderno de perguntas e respostas, que circulava entre as meninas, revelando seus segredos e gostos. Ter acesso a isso tudo era prova de confian\u00e7a e amor. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Jane me apresentou ao misticismo, ao espiritual em uma \u00e9poca que eu me aproximava de ideologias que eram opostas. Fomos a uma casa de uma de suas amigas, uma egipt\u00f3loga. Havia forte cheiro de incenso, est\u00e1tuas na estante e nossos olhares surpresos. Foi a primeira vez que pensei no destino, no futuro, mesmo olhando s\u00edmbolos do passado. Beatriz, se chamava. Os nomes aparecem e desaparecem na mem\u00f3ria, todos ligados a sabores, ao olfato e a imagens. <\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Tutankhamon <\/i><\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">me olhava e eu deslizava meus olhos nas pir\u00e2mides que ela tinha espalhadas pela casa. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Enquanto amigos me levavam a com\u00edcios, reuni\u00f5es clandestinas para derrubar a ditadura, Jane me empurrava para os astros e o desconhecido. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mas naquele setembro n\u00e3o queria falar s\u00f3 de pol\u00edtica, queria ir \u00e0s festas da rua Felizardo Gomes, comer ma\u00e7\u00e3 do amor, dan\u00e7ar na quadrilha da escola, sentir o gosto dos beijos e o calor de um corpo contra o outro. Queria viver a liberdade e independ\u00eancia da juventude e das primeiras experi\u00eancias sexuais. Me deliciava tamb\u00e9m ao ouvir r\u00e1dio, usar roupas que atraiam olhares. N\u00e3o h\u00e1 como descrever um ver\u00e3o em que se descobre o corpo, o amor e as dores que nos causam as primeiras perdas. Jane, com certeza foi a primeira sensa\u00e7\u00e3o de que eu iria experimentar muitas paix\u00f5es e que elas sa\u00edram de mim com a mesma velocidade que entraram, embaladas por can\u00e7\u00f5es e l\u00e1grimas, por disputas, competi\u00e7\u00e3o, compara\u00e7\u00f5es. Amizade e amor se misturam e n\u00e3o sabemos quando uma termina e come\u00e7a a outra. Era muito mais simples quando todos eram somente amigos. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O desfile de sete de setembro nos aproximava da imagem do fim do ano e n\u00e3o sab\u00edamos que a vida iria nos separar. Muitas vezes prometemos que vamos continuar nos vendo, mas a vida nos leva para tantos e diferentes caminhos que fica dif\u00edcil seguir acompanhando com o olhar. Vizinhos mudam-se, amigos deixam de existir, pessoas desaparecem sem rastro, surgem as primeiras mortes e o corpo segue bombardeado por horm\u00f4nios, que nos confundem. Corremos para o colo da inf\u00e2ncia quando temos medo do que vir\u00e1, mas o mundo n\u00e3o nos v\u00ea mais da mesma forma, as espinhas brotam no rosto, os desejos aparecem e quem am\u00e1vamos at\u00e9 ontem, passa \u00e0 nossa frente com outro novo amor. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Vamos perdendo amigos como se fossem cadernos de escola, amontoados em estantes, alguns que nunca mais vamos ver. Mudamos de casas, de empregos, de amores e vamos perdendo esses cadernos. Naquela \u00e9poca, sem Internet, nosso c\u00edrculo de amigos que estavam em contato eram s\u00f3 os que estavam perto fisicamente. Meu caderno n\u00e3o tinha mais de vinte contatos com telefones fixos. Os cart\u00f5es de Natal eram a recontagem das amizades que sobreviveram. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Durante d\u00e9cadas, o sete de setembro me lembrava Jane e seus \u00f3culos, aquele uniforme vinho insuport\u00e1vel, o desfile que nunca acabava, o cheiro do incenso da casa de Beatriz.. Desisti de achar Jane ainda na d\u00e9cada de 90, quando sa\u00ed do Brasil e achei que n\u00e3o voltaria a ver minha caixa de correspond\u00eancia \u2013 o \u00fanico sobrevivente das minhas mudan\u00e7as. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mantida pela minha m\u00e3e, a caixa estava abandonada e envelhecida, quando resolvi matar as saudades e ver as cartas que recebi naquela d\u00e9cada. L\u00e1 estavam postais, cart\u00f5es de natal, bilhetes de amigos, fotos, muitas coisas que durante anos me recusei a abrir, para n\u00e3o ficar chateado em ter perdido tanta gente ao longo do caminho. Me lembro de bem no in\u00edcio da internet, ainda usando o navegador &#8220;cad\u00ea&#8221; ter iniciado a busca de nomes que estavam l\u00e1 na caixa. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas depois daquela primavera de 1982, abri a caixa para ler novamente as cartas e listar os nomes das pessoas que gostaria de ver novamente. Uma carta de Jane, um postal da escola, uma cartinha de Suely, um bilhete de Aldo \u2013 amigo que se foi em 1999. Numa pesquisa descobri que Elmar havia morrido em um acidente. Parei e respirei fundo. O passado est\u00e1 cheio de desaparecimentos. Segui. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Sabia que seria dif\u00edcil ler aquelas cartas \u2013 respirei fundo e segui garimpando, lendo e me emocionando. Decidi que Jane seria minha prioridade, mas tudo que tinha era saudade e uma carta amarelada de 1982. Quando a gente vai envelhecendo as lembran\u00e7as passam a nos acompanhar nos filmes de fantasmas que possuem hist\u00f3rias inacabadas.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Finalmente localizei Jane no Orkut, em 2008. Nos emocionamos ao telefone, falamos da vida e de tudo que aconteceu nessas duas \u00faltimas d\u00e9cadas. Ela tem dois filhos, est\u00e1 divorciada. Nos encontramos para comemorar a tecnologia que nos deu essas ferramentas t\u00e3o poderosas para unir pessoas. Meses depois fui a um encontro de amigos da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia, quase todos localizados pelo Orkut e e-mails. Todos foram &#8220;transferidos&#8221; para o Facebook nos anos seguintes. Muitos hoje fazem parte de listas no Whatsapp. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Na \u00e9poca do reencontro Jane deu gritos de alegria na frente do computador quando me viu na webcam. Sua filha, com olhar surpreso perguntou por tanta emo\u00e7\u00e3o. Ela \u2013 que pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 conectada aos amigos virtualmente, pode se mudar, pode ir pra China que seguir\u00e1 se comunicando com quem quiser. Mesmo sentimos saudades dos cart\u00f5es de natal, dos bilhetes escritos, dos envelopes com selo, temos que admitir que as redes sociais nos abriram um caminho de reencontro \u00fanico. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ainda n\u00e3o descobrimos todos os recursos que o futuro nos proporcionar\u00e1, mas iniciamos a constru\u00e7\u00e3o do nosso memorial digital, desse acervo imenso de fotos, sons, selfies, imagens que est\u00e3o eternizados em bytes e nuvens, que flutuam sob nossas cabe\u00e7as em, qualquer parte do planeta. <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\"><span style=\"color: #404040;\"><span style=\"font-family: Montserrat, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Jane ainda est\u00e1 em contato, mas sigo procurando muitos outros nomes. \u00c0s vezes vou ao Google, tento no YouTube. Cada reencontro \u00e9 uma pe\u00e7a de um quebra-cabe\u00e7a da nossa mem\u00f3ria e de todos que compartilharam comigo de uma mesma \u00e9poca, experi\u00eancia ou amor. Reconstruir esse mosaico n\u00e3o \u00e9 essencial ao futuro, mas nos d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de que nenhum afeto foi perdido. Todos abra\u00e7os, beijos, carinhos, admira\u00e7\u00e3o que conquistamos ainda est\u00e3o por aqui, pr\u00f3ximos, do outro lado de uma tela, ao clicar em um mouse.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"left\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; Por Marco Dacosta &nbsp; &nbsp; Um asfalto escaldante nos esperava na Rua Domingos Lopes. Eu e Jane marchamos seguindo o lento ritmo da banda de m\u00fasica, vestidos com um uniforme cor de vinho que odi\u00e1vamos. 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