{"id":1352222,"date":"2021-05-01T21:56:13","date_gmt":"2021-05-01T20:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1352222"},"modified":"2021-05-01T21:56:13","modified_gmt":"2021-05-01T20:56:13","slug":"o-ser-humano-e-o-problema-do-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/05\/o-ser-humano-e-o-problema-do-ser-humano\/","title":{"rendered":"O ser humano \u00e9 o problema do ser humano"},"content":{"rendered":"<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Discurso proferido por Vito Correddu no 8\u00ba Simp\u00f3sio do Centro Mundial de Estudos Humanistas: \u201cUm novo humanismo por um novo mundo \u2013 interc\u00e2mbios plurais de um mundo em crise\u201d, evento online, de 16 a 18 de abril, com interven\u00e7\u00f5es de v\u00e1rias partes do mundo. A interven\u00e7\u00e3o de Vito Correddu foi no dia 16.<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>O ser humano \u00e9 um problema do ser humano<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao longo da hist\u00f3ria, o humanismo foi considerado um movimento cultural que colocou o ser humano no centro de suas preocupa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o ser humano \u00e9 o elemento central do humanismo, ainda n\u00e3o est\u00e1 claro como e em que medida ele serve de base aos valores que prop\u00f5e. Em outras palavras, o que fundamenta os valores que caracterizam o humanismo no decorrer da hist\u00f3ria, como, por exemplo, liberdade, igualdade, desenvolvimento dos conhecimentos ou recusa da viol\u00eancia? A dignidade do homem do Renascimento repousa sobre o que? No entanto, o ser humano parece um sujeito que n\u00e3o merece qualquer outro coment\u00e1rio e esclarecimento, como se a filosofia, a antropologia, a sociologia, a psicologia e as neuroci\u00eancias j\u00e1 tivessem dito tudo o que havia para se dizer. A antiga defini\u00e7\u00e3o de ser humano, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">zoon logon echon,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ent\u00e3o traduzida por <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">animal racional,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 suficiente para definir o ser humano? Somos animais? Somos m\u00e1quinas termodin\u00e2micas? O que \u00e9 ou o que deve ser o ser humano para o humanismo? Isso que se assemelha a uma disserta\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica n\u00e3o aplic\u00e1vel, tenta responder uma quest\u00e3o que nos toca bem de perto: \u201cquem somos n\u00f3s?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A seguinte apresenta\u00e7\u00e3o visa contribuir, de modo breve, com essas quest\u00f5es, tomando por base o humanismo universalista de M\u00e1rio Luiz Rodriguez Cobos (Silo)<\/span><\/p>\n<p><b>Relato<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Somos humanistas. E o somos porque o ser humano est\u00e1 em nosso cora\u00e7\u00e3o. Nos ocupamos e nos preocupamos com e pelo ser humano. Ao cuidarmos do ser humano, formulamos uma \u00e9tica, uma moral. Definimos valores e com base neles lemos a realidade e formulamos nossas an\u00e1lises, fazemos nossas propostas e denunciamos o desumano e o anti-humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando afirmo que somos humanistas, n\u00e3o me refiro a um humanismo em particular. Todo humanismo que surgiu na hist\u00f3ria humana, todo momento humanista que a hist\u00f3ria conseguiu contar, teve como elemento comum a preocupa\u00e7\u00e3o central com o ser humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, tomamos a liberdade de considerar como humanismos todos aqueles momentos da hist\u00f3ria humana que, nas diversas civiliza\u00e7\u00f5es, viram surgir um certo interesse pelo ser humano. E com o aux\u00edlio dos historiadores e dos antrop\u00f3logos, hoje em dia podemos constatar a exist\u00eancia de momentos humanistas que antecederam o humanismo renascentista, n\u00e3o apenas na Europa, mas tamb\u00e9m no antigo Egito, na Am\u00e9rica pr\u00e9-colombiana, no Islam dos s\u00e9culos VII ao X d.C., ou na China confuciana.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por\u00e9m, \u00e9 certo que os humanistas do Renascimento europeu n\u00e3o se definiam enquanto tais. Apenas em 1538 a palavra humanista come\u00e7ou a ser usada para designar um certo tipo de estudioso, e apenas em 1808 foi cunhado o termo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">humanismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No decorrer do s\u00e9culo XX houve o florescimento dos humanismos, sobretudo no \u00e2mbito estritamente filos\u00f3fico. No in\u00edcio, ainda n\u00e3o existiam movimentos de opini\u00e3o que se reconhecessem e se autodefinissem humanistas. S\u00f3 a partir dos anos 1980, inspirado no pensamento de M\u00e1rio Luiz Rodrigues Cobos, mais conhecido pelo pseud\u00f4nimo liter\u00e1rio de Silo, nasce o Movimento Humanista, e quase ao mesmo tempo encontramos os primeiros Partidos Humanistas e o nascimento da primeira Internacional Humanista, em 1989.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje em dia, o termo humanismo se desdobra em diversas formas. Fala-se de humanismo n\u00e3o apenas no campo filos\u00f3fico, pol\u00edtico, econ\u00f4mico e educacional, mas tamb\u00e9m na agricultura e, inclusive, na gastronomia, quase sempre acompanhado do adjetivo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">novo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Atualmente o humanismo, ou pelo menos a palavra humanismo, parece alcan\u00e7ar um certo consenso inexistente no passado. E \u00e9 assim que pouco a pouco se ouve falar sobre a necessidade de um novo humanismo nos discursos de diversos l\u00edderes pol\u00edticos e religiosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Longe de n\u00f3s julgarmos a bondade dessas afirma\u00e7\u00f5es, pois isso nos reduziria a censores e portadores ileg\u00edtimos de um suposto verdadeiro humanismo. Ao inv\u00e9s disso, o que nos interessa demonstrar, como j\u00e1 foi dito, \u00e9 que cada humanismo procura colocar o tema do ser humano no centro das aten\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas se o ser humano \u00e9 o centro de nossas preocupa\u00e7\u00f5es e valores, devemos nos perguntar se o que conhecemos do ser humano, se a representa\u00e7\u00e3o, a experi\u00eancia e a defini\u00e7\u00e3o que temos de ser humano, \u00e9 suficiente e igualmente abrangente e completo, ao ponto de ter esgotado e colocado um \u201cfim\u201d \u00e0 necessidade de investiga\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, devemos nos perguntar, assim como afirmavam os Adibe, letrados da Espanha mu\u00e7ulmana, se o ser humano ainda \u00e9 o problema do ser humano?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A hist\u00f3ria do pensamento ocidental, como nos ensina Heidegger, parece ter sido sugada pelo ente, pelo objeto. Em sua cr\u00edtica, Heidegger evidencia como todo humanismo \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma metaf\u00edsica que n\u00e3o conseguiu retirar o ser humano da estreita dimens\u00e3o do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">animal racional<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, ou daquele <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">zoon logon echon<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de mem\u00f3ria aristot\u00e9lica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele escreve em <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Carta sobre o Humanismo<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPor mais que se distingam estas esp\u00e9cies de humanismos segundo as suas metas e fundamentos, a maneira e os meios de cada realiza\u00e7\u00e3o, e a forma da sua doutrina, todas elas coincidem nisto: que a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">humanitas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">homo humanus<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 determinada a partir do ponto de vista de uma interpreta\u00e7\u00e3o fixa da natureza, da hist\u00f3ria, do mundo e do fundamento do mundo, isto \u00e9, do ponto de vista do ente na sua totalidade.\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b9<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">humanitas<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> do homem ainda \u00e9 pensada, como diria Heidegger, pelo lado de l\u00e1 e n\u00e3o pelo lado de c\u00e1. No sentido de que continua a ser pensada a partir do mundo, do mundo dos entes, das coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando se pensa o ser humano pelo lado de l\u00e1 n\u00e3o se est\u00e1 mentindo, por\u00e9m n\u00e3o se diz toda a verdade, ou pelo menos, pensa-se o ser humano por um determinado olhar. Em \u00faltima an\u00e1lise, ficamos na metaf\u00edsica e o reduzimos a um ente como qualquer outro, observando-o como um fen\u00f4meno natural qualquer. O problema surge quando aquele determinado olhar se universaliza ou pretende se impor como fundamento da ess\u00eancia do ser humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se ironicamente imagin\u00e1ssemos o sumi\u00e7o do ser humano do planeta Terra, n\u00e3o como eventualidade ou perigo iminente, mas como se isso j\u00e1 tivesse acontecido, estar\u00edamos imaginando a Terra, o sistema solar e o universo inteiro continuando a existir. Podemos tranquilamente imaginar o todo sem a presen\u00e7a do ser humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse exerc\u00edcio imaginativo, o sumi\u00e7o do ser humano, pelos dados que a ci\u00eancia nos fornece, provavelmente n\u00e3o produziria nenhuma mudan\u00e7a relevante no plano c\u00f3smico. Obviamente, no planeta Terra, a natureza recome\u00e7aria a recuperar aquele espa\u00e7o vazio deixado pelo ser humano, mas nada mais do que isso. As leis que sustentam e governam o universo ainda seriam v\u00e1lidas e continuariam a agir sem qualquer transtorno. Se o ser humano \u00e9 um ente como os outros, o seu sumi\u00e7o n\u00e3o seria, ent\u00e3o, de modo algum significativo, n\u00e3o mudaria uma v\u00edrgula na realidade das coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, falar\u00edamos do ser humano como de um epifen\u00f4meno, cuja extin\u00e7\u00e3o, dentro da hist\u00f3ria da vida neste planeta, se somaria \u00e0quela das outras esp\u00e9cies.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No final do jogo imaginativo, ganhamos com precis\u00e3o um ponto de vista externo sobre o ser humano e, como dissemos, um olhar pelo lado de l\u00e1. Um olhar que nos permite pensar a extin\u00e7\u00e3o do ser humano como se n\u00e3o fiz\u00e9ssemos parte dela, como se essa extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o implicasse tamb\u00e9m o nosso pr\u00f3prio sumi\u00e7o. Basicamente, nesse exerc\u00edcio, ser\u00edamos observadores externos. Estar\u00edamos na perspectiva de quem olha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Esse experimento da imagina\u00e7\u00e3o nos \u00e9 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 capacidade de abstra\u00e7\u00e3o do pensamento humano. \u00c9 um pensamento que nos permite tomar dist\u00e2ncia, estacionar o tempo e abstrair (ou talvez, nesse caso, seria melhor dizer \u201cextrair\u201d) elementos de um contexto e tirar da\u00ed as devidas consequ\u00eancias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas o que aconteceria se experiment\u00e1ssemos a mesma coisa de dentro, do lado de c\u00e1? Como, ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel imaginar a mesma cena se o observador n\u00e3o existe mais? Mais precisamente, como \u00e9 poss\u00edvel imaginar aquela mesma situa\u00e7\u00e3o sem o ser-no-mundo?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No primeiro exerc\u00edcio, o g\u00eanero humano tinha desaparecido, mas tinham restado as plantas, os animais, a Terra, os planetas, as estrelas e, da\u00ed em diante, o universo inteiro, mas ainda havia algu\u00e9m observando aquela paisagem, indiferente ao fato de que tudo aquilo lhe dizia respeito. Uma vez que quem observa \u00e9 o nosso pensamento, e se presume que ele n\u00e3o perten\u00e7a a categoria do desumano, do n\u00e3o-humano ou do anti-humano, mas ainda esteja na categoria do humano, o que agora pedimos da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 que subtraia o que ainda resta do humano. Tiramos, ent\u00e3o, a n\u00f3s mesmos de cena.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De repente \u00e9 como se apagassem as luzes. A corrente el\u00e9trica \u00e9 interrompida e sofremos um apag\u00e3o. A imagina\u00e7\u00e3o cessa, incapaz de dizer algo sobre aquilo que n\u00e3o \u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mundo n\u00e3o tem mais a nossa presen\u00e7a. Mas o que \u00e9 o mundo sem a nossa exist\u00eancia? N\u00e3o \u00e9 nada. Eis que, de fato, o experimento da imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel para n\u00f3s, n\u00e3o porque n\u00e3o somos capazes de imaginar o nada, mas porque o nada n\u00e3o seria um objeto observ\u00e1vel sem um observador. \u00c9 imposs\u00edvel porque tenho que encarar o fato de que continuo a existir, ou melhor, tenho que encarar aquilo que Heidegger chama o ser-a\u00ed.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que absorvo, o que compreendo, quais consequ\u00eancias eu tiro dessa experi\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p><b>Come\u00e7o a duvidar que o mundo exista para al\u00e9m do ser humano.<\/b><\/p>\n<p><b>Que a ex-sist\u00eancia precede o pensamento de existir.<\/b><\/p>\n<p><b>Que consci\u00eancia e mundo, do ponto de vista existencial, pertencem a uma \u00fanica estrutura: consci\u00eancia-mundo.<\/b><\/p>\n<p><b>Que o ser humano \u00e9 um ser hist\u00f3rico, portador e criador de Sentido e significados. O ser humano \u00e9 um projeto.<\/b><\/p>\n<p><b>Que valores e \u00e9tica devem advir da particularidade da exist\u00eancia humana.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tentaremos agora aprofundar essas considera\u00e7\u00f5es. A primeira: <\/span><b>Come\u00e7o a duvidar que o mundo exista para al\u00e9m do ser humano.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o se est\u00e1, aqui, duvidando do mundo numa l\u00f3gica metaf\u00edsica. N\u00e3o se trata de negar o pensamento cient\u00edfico, portanto, a realidade, mas duvidar de que ele n\u00e3o dependa de um olhar humano. Em outras palavras, n\u00e3o estamos dizendo, por exemplo, que a for\u00e7a da gravidade n\u00e3o exista e que funciona como a ci\u00eancia nos tem mostrado. Estamos dizendo que a for\u00e7a da gravidade existe na medida em que h\u00e1 um ser humano que a experimenta, e que se n\u00e3o fosse um ser humano que a experimentasse, o efeito que ela produziria seria outro (Silo 1981). Nesse sentido, \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar com a hip\u00f3tese, a verificar, de que o pensamento metaf\u00edsico oculta mais do que revela.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segunda considera\u00e7\u00e3o: <\/span><b>Que a ex-sist\u00eancia precede o pensamento de existir<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso quer dizer que a reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria exist\u00eancia \u00e9 uma abstra\u00e7\u00e3o do pensamento. O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">cogito ergo sum<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 uma dedu\u00e7\u00e3o no interior do pensamento metaf\u00edsico. \u00c9 um pensamento que segue a regra da l\u00f3gica, mas, como \u00e0s vezes acontece na l\u00f3gica, ainda que coerente, esconde a arbitrariedade da escolha dos termos sobre os quais se desenvolve.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nietzsche j\u00e1 demonstrava como o cogito cartesiano \u00e9 no m\u00ednimo superficial na sua defini\u00e7\u00e3o, porque resulta de conceitos definidos a priori. Por esse motivo, ele rebate a afirma\u00e7\u00e3o de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Descartes\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">formulando um tipo de circularidade: \u201csum ergo cogito: cogito ergo sum\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ex-sist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 uma dedu\u00e7\u00e3o do pensamento, mas o registro que a consci\u00eancia tem de si, de seu ser-no-mundo, e precede o pensamento e o fazer no mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eis como Heidegger descreve a ex-sist\u00eancia:<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA ex-sist\u00eancia somente se pode dizer da ess\u00eancia do homem, isto \u00e9, somente a partir do modo humano de \u2018ser\u2019; pois, apenas o homem, ao menos tanto quanto sabemos, nos limites da nossa experi\u00eancia, est\u00e1 iniciado no destino da ex-sist\u00eancia. \u00c9 por isso que ex-sist\u00eancia nunca poder\u00e1 ser pensada como uma maneira espec\u00edfica de ser entre outras esp\u00e9cies de seres vivos; isto naturalmente supondo que o homem foi assim disposto, o que deve pensar a ess\u00eancia do seu ser e n\u00e3o apenas elabora relat\u00f3rios sobre a natureza e a hist\u00f3ria da sua constitui\u00e7\u00e3o e das suas atividades.\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b2<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Terceira considera\u00e7\u00e3o: <\/span><b>Que consci\u00eancia e mundo, do ponto de vista existencial, pertencem a uma \u00fanica estrutura: consci\u00eancia-mundo<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No experimento imaginativo proposto, quando se subtraiu definitivamente o humano, e a imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguiu mais conceber a exist\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel que tenhamos percebido algo interessante. Podemos ter percebido o ato puro da consci\u00eancia que buscava o objeto, em outras palavras, a intencionalidade da consci\u00eancia. E \u00e9 assim que observamos que a consci\u00eancia est\u00e1 em cont\u00ednua atividade em busca dos objetos que compensem a sua condi\u00e7\u00e3o de finitude.<\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA consci\u00eancia, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma c\u00f3pia de realidade, mas uma transforma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que opera em dois sentidos: de fora para dentro, por meio da representa\u00e7\u00e3o operada pela imagem na paisagem interna, e de dentro para fora, por meio da a\u00e7\u00e3o sobre a paisagem externa. Concebida assim, isto \u00e9, na a\u00e7\u00e3o de coordenar os dados dos sentidos, da mem\u00f3ria e dos centros de respostas, a consci\u00eancia se torna o entrela\u00e7amento destas duas paisagens que definimos como interno e externo segundo os elementos que levamos em considera\u00e7\u00e3o, mas que na realidade acabam configurando uma estrutura \u00fanica, a consci\u00eancia-mundo. O funcionamento da estrutura consci\u00eancia-mundo se explica no corpo.\u201d<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\">\u00b3<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O mundo \u00e9, ent\u00e3o, o destino da consci\u00eancia humana. Uma consci\u00eancia que se constitui e se plasma no mundo, por\u00e9m o mundo a sua volta se constitui e se realiza na consci\u00eancia humana.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apenas essa maneira de entender a rela\u00e7\u00e3o consci\u00eancia-mundo \u00e9 que nos permite superar a dicotomia sujeito-objeto ou pessoal-social e restituir a possibilidade de sair do solipsismo e descobrir a intersubjetividade. \u00c9 ao tomar contato com a ex-sist\u00eancia e, ent\u00e3o, com esta dimens\u00e3o da intencionalidade, que posso reconhecer a intencionalidade do outro e qualific\u00e1-lo como humano.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quarta considera\u00e7\u00e3o: <\/span><b>Que o ser-humano \u00e9 um ser hist\u00f3rico, portador e criador de Sentido e significados. O ser humano \u00e9 um projeto.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Este ser-no-mundo, esta consci\u00eancia-mundo, esta ex-sist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica, est\u00e1 antes em devir. Aquela ideia de morte, que o exerc\u00edcio imaginativo nos prop\u00f4s, n\u00e3o pode aniquilar a intencionalidade da consci\u00eancia que aparece, agora, como constitutiva do ser humano. A ex-sist\u00eancia ou est\u00e1 para o futuro ou n\u00e3o est\u00e1. Nesse sentido, o ser humano se encontra imerso em um processo hist\u00f3rico, ou melhor, ele \u00e9 esse pr\u00f3prio processo hist\u00f3rico, \u00e9 ele mesmo o Sentido que tanto procura. Deste ponto de vista, tanto a paisagem natural (incluindo o corpo), quanto aquela social se tornam o ber\u00e7\u00e1rio de um projeto de humaniza\u00e7\u00e3o. Disso deriva a discrimina\u00e7\u00e3o entre humano, desumano e n\u00e3o-humano. A partir disso se tra\u00e7a o limite entre liberdade e m\u00e1-f\u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A esse prop\u00f3sito, qual \u00e9 a p\u00e1tria do ser humano? Podemos dizer agora que a sua casa \u00e9 a Terra? N\u00e3o \u00e9 preciso dizer antes que a sua casa, o seu ser-a\u00ed, o seu habitar j\u00e1 transcendeu esse limiar?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quinta e \u00faltima considera\u00e7\u00e3o: <\/span><b>Que valores e \u00e9tica devem advir da particularidade da exist\u00eancia humana?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Se o ser humano n\u00e3o \u00e9 qualquer ente, se o ser humano \u00e9 portador de um projeto, isso que chamamos valores e desvalores e isso que chamamos \u00e9tica s\u00f3 podem partir da ex-sist\u00eancia. Por que defender a liberdade e a dignidade humana se o ser humano \u00e9 apenas um epifen\u00f4meno na f\u00edsica do universo? Por que promover uma igualdade entre os seres humanos e a diversidade pessoal e cultural se o ser humano n\u00e3o \u00e9 outro que um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">animal racional<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, um reflexo de condi\u00e7\u00e3o objetiva, uma m\u00e1quina termodin\u00e2mica, um ser vivo cuja ess\u00eancia \u00e9 determinada por uma s\u00e9rie de elementos como o c\u00f3digo gen\u00e9tico e os circuitos neurais? Por que nunca devemos nos colocar contra a guerra e aspirar a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o-violenta entre os seres humanos se, no final, tudo termina em nonsense?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Toda teoria que anteponha ao ser humano entidades abstratas tais como Deus, o Estado ou o dinheiro, toda teoria que busque interpretar o ser humano de modo natural, ou que no esfor\u00e7o de interpretar o ser humano estabele\u00e7a atrav\u00e9s de dados reais poss\u00edveis analogias com o mundo natural, n\u00e3o s\u00f3 descreve teorias sem fundamento, mas nos oferece, mais uma vez, um humano visto pelo lado de l\u00e1, visto de fora. Essas teorias, que mais poderiam pertencer \u00e0 narrativa mitol\u00f3gica, paradoxalmente s\u00e3o o que h\u00e1 de mais distante da experi\u00eancia do Mito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um Novo Humanismo por um mundo novo exige que seja explicitada a forma como se pensa o ser humano. A qual ser humano estamos nos referindo? Quem somos, ent\u00e3o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A linguagem expositiva nunca conseguir\u00e1 responder satisfatoriamente a essas quest\u00f5es se estiver presa \u00e0s regras da l\u00f3gica e da gram\u00e1tica. Por isso, acho que nem eu mesmo fui bem-sucedido at\u00e9 aqui, porque estamos falando de uma experi\u00eancia fenomenol\u00f3gica, uma experi\u00eancia interna, e qualquer descri\u00e7\u00e3o acaba quase sempre sendo um pensamento metaf\u00edsico. Mas para n\u00e3o reduzir o meu discurso, neste Simp\u00f3sio, a uma mera perda tempo, quero oferecer um trecho de uma obra de Silo que, por meio de uma linguagem po\u00e9tica, nos prop\u00f5e, a meu ver, uma imagem do ser humano que sintetiza o que se tentou dizer aqui.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ele escreve: \u201cCriador de mil nomes, construtor de significados, transformador do mundo&#8230; os teus pais e os pais dos teus pais continuam em ti. N\u00e3o \u00e9s um meteoro em queda, mas uma flecha luminosa que viaja em dire\u00e7\u00e3o aos c\u00e9us. \u00c9s o sentido do mundo. Quando clarifica teu sentido, ilumina a terra. Quando perde teu sentido, a terra se obscura e o abismo se abre.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigado.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00b9 Tradu\u00e7\u00e3o de Rubens Eduardo Frias, Editora Centauro, 2005.<br \/>\n\u00b2 Idem.<br \/>\n\u00b3 Roberta Consilvio \u2013 Psicologia e desenvolvimento da consci\u00eancia: a evolu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel do ser humano (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Traduzido do italiano para o portugu\u00eas por Simone Petry \/ Revisado por de Beatriz Stein<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso proferido por Vito Correddu no 8\u00ba Simp\u00f3sio do Centro Mundial de Estudos Humanistas: \u201cUm novo humanismo por um novo mundo \u2013 interc\u00e2mbios plurais de um mundo em crise\u201d, evento online, de 16 a 18 de abril, com interven\u00e7\u00f5es 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