{"id":1348266,"date":"2021-04-25T04:06:52","date_gmt":"2021-04-25T03:06:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1348266"},"modified":"2021-04-25T03:34:44","modified_gmt":"2021-04-25T02:34:44","slug":"o-arqueiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/04\/o-arqueiro\/","title":{"rendered":"O Arqueiro"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CONTO<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por C. Alfredo Soares<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\">Querosene parecia ser um neguinho como outro qualquer.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas seu apelido n\u00e3o fora dado a toa. Moleque arisco bom de bola, de l\u00e1bia e de briga. Cresceu solto, como os outros que moravam no sub\u00farbio, pr\u00f3ximo da mata e das antigas fazendas de gado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Tamb\u00e9m gostava de soltar pipa e ca\u00e7ar passarinhos e pre\u00e1s. Morava com a m\u00e3e &#8211; o pai n\u00e3o conhecia nem de foto &#8211; onde as casas eram cobertas com folhas de bananeira e as paredes com sopapo de lama no bambu tran\u00e7ado. Tudo ao lado do riacho onde tomava banho e pegava \u00e1gua pra cozinhar o feij\u00e3o no fog\u00e3o a lenha.<\/p>\n<p align=\"justify\">\u00c0s vezes, sua \u00fanica refei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas se sentia feliz e pronto pra voar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Retinto como a noite, Querosene queria brilhar feito o sol que esturricava sua pele enquanto pegava no gol no campinho irregular improvisado num antigo pasto.<\/p>\n<p align=\"justify\">A trave improvisada de madeira perigava cair na sua cabe\u00e7a, s\u00f3 mesmo Deus pra evitar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A molecada corria, chutava, gargalhava, sonhava e Querosene defendia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Agarrava com unhas e dentes a pelota. Se jogava sem medo de machucar.<\/p>\n<p align=\"justify\">A escola mais pr\u00f3xima ficava t\u00e3o longe quanto a chance dele conseguir ter sucesso na vida.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas o Neguinho era um lampar\u00e3o ensaboado. Tinha uma \u00e2nsia danada, dif\u00edcil curar. Queria ser arqueiro como seu \u00eddolo Barbosa e no escrete nacional jogar. Ser rico, dar orgulho a sua m\u00e3e fazendo o que amava&#8230; at\u00e9, quem sabe ter uma placa, com suas m\u00e3os gravadas, na cal\u00e7ada da fama do Maracan\u00e3.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sonhar \u00e9 de gra\u00e7a feito o ar que se respira. Um direito natural do homem e daquele menino.<\/p>\n<p align=\"justify\">O tempo passava e o moleque crescia.<\/p>\n<p align=\"justify\">Olhava e n\u00e3o via sua hora chegar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Seus amigos j\u00e1 pegavam no batente pra ajudar os pais, enquanto Querosene, que nem sabia mais seu nome de batismo, corria os sete campos de pelada da cidade, convidado que era pelos in\u00fameros times do lugar. Sua fama corria as cercanias.<\/p>\n<p align=\"justify\">At\u00e9 \u201cbicho\u201d levava por partidas jogadas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas foi a\u00ed aprendeu que podia ganhar perdendo. Era s\u00f3 combinar. Sempre aparecia um pra pagar. Se ali j\u00e1 estava bom, imagina num grande centro?<\/p>\n<p align=\"justify\">Mas a concorr\u00eancia seria grande e a vida adulta se impunha. Ajudar em casa era preciso, sua m\u00e3e vi\u00fava, uma mulher guerreira, estava cansada, ele n\u00e3o podia falhar feito um frangueiro.<\/p>\n<p align=\"justify\">Sem querer desistir da pelota, o rapaz resolveu pegar o trem pra tentar a sorte na capital. Afinal tinha v\u00e1rios amigos jogando por l\u00e1. Querosene pegou os documentos, uma sacola com poucas roupas e sua luva, um bolo de fub\u00e1, duas roscas secas na cozinha, tomou uma caneca de caf\u00e9, deu um beijo na testa de dona Cotinha e embarcou decidido no vag\u00e3o noturno, amanhecendo com a cara e a coragem na porta do tricolor das Laranjeiras. L\u00e1 n\u00e3o passou do port\u00e3o, tentou o time da Colina, outro N\u00e3o. Foi pra Madureira, chegou a Bangu, passou por Campo Grande, acabou na Leopoldina, desiludido, apenas pra morar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Vaidoso, sempre que voltava pra ver sua gente, dizia que tudo estava por acontecer. Falava que treinava numa Associa\u00e7\u00e3o Esportiva grande, apontava fotos de craques no Jornal dos Sports, dizia que conhecia, apenas pra impressionar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desfilava perante os amigos bem vestido e com cabelo penteado. Sempre levava um exemplar do JS debaixo do bra\u00e7o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Lia mais classificados do que as p\u00e1ginas de esporte.<\/p>\n<p align=\"justify\">Usava lo\u00e7\u00e3o boa, rel\u00f3gio dourado. Querosene se tornara um malandro carioca visitando pseudos ot\u00e1rios &#8211; gente simples que mais ouvia do que falava. Que ria das prosas, mas desconfiava.<\/p>\n<p align=\"justify\">Naquela altura, sabe-se l\u00e1 como, Querosene tinha um fusca azul, usava sapato bico fino, cord\u00e3o grosso no pesco\u00e7o, \u00f3culos Rayban escuro &#8211; igual dos filmes de a\u00e7\u00e3o &#8211; mas v\u00ea-lo perfilado com seu time, em plena segunda feira na banca de jornal, n\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O tempo n\u00e3o para e a vida n\u00e3o cabe em 90 minutos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Querosene sabia e dava seus pulos, fazia suas pontes imagin\u00e1rias. Saltava feito um goleiro de sele\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dia inventou um problema no joelho pra n\u00e3o falar mais de bola. Passou a mancar enquanto andava. Dando um \u201cmigu\u00e9\u201d pra torcida da arquibancada imaginaria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi a deixa exata.<\/p>\n<p align=\"justify\">Nunca mais falou de bola.<\/p>\n<p align=\"justify\">Querosene era gente boa, elegante na sua cal\u00e7a boca de sino, seu cabelo Black Power e sua camisa aberta at\u00e9 o meio do peito raspado a mostra.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o se permitia menos luxo do que via, sentia que aquilo ali tamb\u00e9m deveria ser seu.<\/p>\n<p align=\"justify\">Queria desfrutar do que a vida tinha de melhor. N\u00e3o quis estudar, mas estudar n\u00e3o garantia nada mesmo.<\/p>\n<p align=\"justify\">Solto no Rio, daria seu jeito. Unhas feitas , m\u00e3o macias, algo raro naquele tempo, galanteava as empregadas que vinham pra capital trabalhar e dormia escondido nos seus microquartos, sempre abafados, no fundo dos apartamentos chiques da Zona Sul. Para tanto tinha v\u00e1rias noivas deslumbradas com o pr\u00edncipe que se apresentava.<\/p>\n<p align=\"justify\">Pra sobreviver, Querosene, se deixou levar, vestiu uma fantasia que n\u00e3o mais conseguiria tirar. Apostou errado.<\/p>\n<p align=\"justify\">Atingiu um patamar, entrou pra hierarquia do crime e dali era imposs\u00edvel voltar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Casou com uma, amasiou com outras, teve filhos com todas e n\u00e3o conseguiu se achar. Um sujeito sem acesso, sem tutor e orgulhoso. Querosene se deixou levar pela l\u00e1bia dos verdadeiros malandros das quebradas. Gente do Porto, do jogo, da pol\u00edcia, da agiotagem e ousou achar ser um deles.<\/p>\n<p align=\"justify\">Dava um tombo em um, ia pra outro lugar. N\u00e3o media o perigo a rondar. Se sentia o mais esperto de todos. Mas n\u00e3o tinha padrinho em nenhum lugar.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o era gente igual ao povo que visitava no seu lugar. Aqueles eram profissionais do crime. Gente do submundo.<\/p>\n<p align=\"justify\">De tanto armar pra se dar bem, com a desculpa esfarrapada e delirante de dar uma vida boa pra patroa e crian\u00e7as, quebrou o pacto que n\u00e3o se pode quebrar. Para isso n\u00e3o tem perd\u00e3o. \u00c9 corpo no ch\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">Num domingo \u00e0 noite a conta chegou. Uma bala encontrou seu abd\u00f4men e a outra seu ombro esquerdo, raspando o cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"justify\">O sangue rolou na cal\u00e7ada quente do sub\u00farbio ao som das badaladas do sino da igreja, que anunciava a missa das 18 horas. Os vizinhos ouviram e o acudiram. Todos gostavam dele e das mentiras que nunca parou de contar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Flor, amor de uma vida, da janela viu a emboscada e sem for\u00e7a, n\u00e3o conseguiu ir l\u00e1. Segurou as crian\u00e7as e se p\u00f4s a chorar. Ela sabia que esse dia iria chegar. A vida escorrendo pela sarjeta da cal\u00e7ada, sendo engolida pela boca de lobo da manilha entupida de lixo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O homem forte sobreviveu. Mas conselhos n\u00e3o ouvia nem de quem gostava. Confiava no seu faro, mas esse falhara. Querosene sumiu achando que voltava, que a dist\u00e2ncia lhe daria uns acr\u00e9scimos na partida da vida. Beijou sua Flor e as crian\u00e7as e foi se entocar. Deixou tudo pra tr\u00e1s, at\u00e9 o que n\u00e3o queria deixar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Um dia chegou a not\u00edcia que fora abatido na noite passada. Dizem que seu corpo jazz num val\u00e3o de Caxias. Num mangue negro igual \u00e0 sua cor. Querosene n\u00e3o teve direito nem a um enterro justo, jamais foi encontrado. O homem que queria correr o mundo atr\u00e1s da bola, incendiar a torcida com suas defesas, deu de cara com a realidade.<\/p>\n<p align=\"justify\">Foi executado.<\/p>\n<p align=\"justify\">O esperto virou \u201cpresunto\u201d e n\u00e3o teve obitu\u00e1rio.<\/p>\n<p align=\"justify\">Recebeu um cart\u00e3o vermelho da vida, sendo expulso da peleja sem ao menos entrar em campo. Querosene fora um menino bom e alegre que ousou sonhar.<\/p>\n<p align=\"justify\">Se o \u201cse\u201d entrasse em campo, todo goleiro defenderia o p\u00eanalti do t\u00edtulo e sairia de cena nos bra\u00e7os da torcida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONTO &nbsp; &nbsp; Por C. Alfredo Soares &nbsp; &nbsp; Querosene parecia ser um neguinho como outro qualquer. Mas seu apelido n\u00e3o fora dado a toa. Moleque arisco bom de bola, de l\u00e1bia e de briga. 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