{"id":134796,"date":"2014-09-26T02:56:43","date_gmt":"2014-09-26T01:56:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.pressenza.com\/?p=134796"},"modified":"2014-09-26T02:56:43","modified_gmt":"2014-09-26T01:56:43","slug":"bahia-esta-mergulhada-num-mar-de-sangue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2014\/09\/bahia-esta-mergulhada-num-mar-de-sangue\/","title":{"rendered":"&#8220;A Bahia est\u00e1 mergulhada num mar de sangue&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Nesta entrevista concedida ao blog Negro Belchior, da revista Carta Capital e ao jornal Brasil de Fato, Hamilton denuncia as persegui\u00e7\u00f5es sofridas por adotar uma postura intransigente no combate \u00e0 viol\u00eancia policial<\/p>\n<p>Por Paula Farias, Jorge Am\u00e9rico e Douglas Belchior publicada pelo <a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/\" target=\"_blank\">Brasil de Fato<\/a><\/p>\n<p>Em entrevista exclusiva, Hamilton Borges comenta as persegui\u00e7\u00f5es sofridas ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o da II Marcha Nacional Contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro. Rea\u00e7\u00e3o contra o racismo e a viol\u00eancia estatal virou inc\u00f4modo para o Estado.<\/p>\n<p>Desde o dia 22 de agosto de 2014 ficou mais dif\u00edcil ao Estado brasileiro esconder os mortos e encarcerados que antes n\u00e3o passavam de n\u00fameros para as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e para os institutos de pesquisas. Esta \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de Hamilton Borges, um dos organizadores da II Marcha Nacional Contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro, que colocou mais de 60 mil pessoas nas ruas para denunciar o racismo e a viol\u00eancia estatal que fazem milhares de v\u00edtimas todos os anos.<\/p>\n<p>Nesta entrevista concedida ao blog Negro Belchior, da revista Carta Capital e ao jornal Brasil de Fato, Hamilton denuncia as persegui\u00e7\u00f5es sofridas por adotar uma postura intransigente no combate \u00e0 viol\u00eancia policial. Ele se orgulha de ter crescido no Curuzu, em Salvador (BA), \u201co bairro mais negro do mundo depois do Harlem\u201d, em Nova Iorque. A inspira\u00e7\u00e3o para a luta veio da conviv\u00eancia com mulheres que cuidavam da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Hamilton n\u00e3o tem d\u00favidas de que \u201co genoc\u00eddio \u00e9 um fato no Brasil, um crime de lesa humanidade praticado contra um povo que construiu essa na\u00e7\u00e3o e vive cercado de morte, terror estatal e encarceramento em massa\u201d. O militante negro n\u00e3o tem receio em anunciar que \u201ca Bahia est\u00e1 mergulhada num mar de sangue\u201d. Hamilton revela n\u00e3o ter se surpreendido com as amea\u00e7as, pois \u201cessa performance radical \u00e9 muito para a cabe\u00e7a dos policiais acostumados a nos chutar todos os dias desconsiderando nossa humanidade\u201d. Participaram da entrevista Paula Farias, Jorge Am\u00e9rico e Douglas Belchior.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Como voc\u00ea iniciou sua milit\u00e2ncia no movimento negro e como surgiu o Quilombo X e a campanha do Reaja?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Iniciei de verdade minha milit\u00e2ncia, com os exemplos de minha m\u00e3e, av\u00f3 e minha tia que me criaram, cresci vendo mulheres cuidando da fam\u00edlia. Elas me deram exemplo de solidariedade africana, no bairro mais negro do mundo depois do Harlem: o Curuzu, onde foi fundado o Bloco afro Il\u00ea Aiy\u00ea. Depois entrei no MNU, Movimento Negro Unificado, que colocou, desde as escadarias do Teatro Municipal de S\u00e3o Paulo, passando por todo o pa\u00eds, o racismo na agenda nacional sem tr\u00e9guas ou concess\u00f5es. Depois em 2005 retomamos a Quilombo Xis \u2013 A\u00e7\u00e3o Cultural Comunit\u00e1ria, que foi criada em 2001 em BH, como uma organiza\u00e7\u00e3o cultural, mas que se transformou  em uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para impulsionar a \u201cCampanha Reaja ou Ser\u00e1 Morta, Reaja ou Ser\u00e1 Morto\u201d.<\/p>\n<p>A Campanha Reaja surgiu em 2005 aqui em Salvador, depois de darmos um basta em contar nossos mortos pela viol\u00eancia racial, pela viol\u00eancia estatal, pelos grupos de exterm\u00ednio e grupos paramilitares que a pol\u00edcia legitima, retroalimenta e fortalece, seja pela a\u00e7\u00e3o (quando seus agentes p\u00fablicos tamb\u00e9m s\u00e3o integrantes desses grupos) ou por omiss\u00e3o (quando sabe que h\u00e1 grupos atuando, mas n\u00e3o atua para impedi-lo). Ocupamos as escadarias da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica com gente vinda de todo lugar da cidade e come\u00e7amos a politizar nossa morte, chorar nossos mortos que n\u00e3o passavam de n\u00fameros para as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e para os institutos de pesquisas, ONGs e toda sorte de organiza\u00e7\u00e3o de rapina. Come\u00e7amos a dar nome aos mortos e evidenciar o car\u00e1ter genocida neles contido.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Em todos esses anos dedicados ao movimento negro, voc\u00ea sempre conviveu com intimida\u00e7\u00f5es, mas nos \u00faltimos tempos a situa\u00e7\u00e3o piorou. Voc\u00ea acha que isso \u00e9 um reflexo da Marcha Nacional Contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro, que vem crescendo a cada ano?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Desde o primeiro momento que a Reaja tomou a rua j\u00e1 foi um processo tenso. Negras e Negros de favelas e periferias tomando sua voz, n\u00e3o permitindo media\u00e7\u00e3o de parlamentares ou especialistas bem pagos, isso j\u00e1 criou um ran\u00e7o, estava demonstrada a ruptura, n\u00e3o quer\u00edamos fazer concess\u00f5es com nossa desgra\u00e7a \u2013 e a enfrentar\u00edamos at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias. A\u00ed a Pol\u00edcia, os Governos, eles olharam para n\u00f3s como uma amea\u00e7a a sua cultura de medo e sil\u00eancio e nos trataram como criminosos. Sentimos na pele esse processo de criminaliza\u00e7\u00e3o, pris\u00f5es sem fundamentos, retalia\u00e7\u00f5es, acusa\u00e7\u00f5es infundadas, amea\u00e7as, foi ent\u00e3o que procuramos criar nossas formas de fortalecimento, redes de prote\u00e7\u00e3o fora do Estado, fora do pa\u00eds, pautando a ONU, a OEA, buscando apoio da Justi\u00e7a Global, da Anistia internacional, da imprensa s\u00e9ria.<\/p>\n<p>Claro que a Marcha s\u00f3 poderia resultar em retalia\u00e7\u00e3o. No plano internacional n\u00f3s revelamos ao mundo que o Genoc\u00eddio \u00e9 um fato no Brasil, um crime de lesa humanidade praticado contra um povo que construiu essa na\u00e7\u00e3o e vive cercado de morte, terror estatal e encarceramento em massa. Depois no plano nacional chamamos o movimento negro em especial e o movimento social de um modo geral a reagir, sair para a rua, sem bandeira de partido, sem dinheiro de governo, sem reivindica\u00e7\u00e3o eleitoral. Foi muita ousadia, ainda mais vindo de um grupo que em sua base e em seu comando tem mulheres, mulheres de presos, ex-presos, desempregados, gente de favela, gente do mato (a Reaja \u00e9 Coordenada por um comit\u00ea de mulheres, Dra Andreia , Aline Santos , Jamile , Elaine, Fabia). Os caras disseram aos nossos amigos do exterior que perderam o controle da Marcha, esses caras s\u00e3o os garotos de recado dos governos com seus diplomas e MBA e sua mentalidade de capacho esperando que o pa\u00eds mude a l\u00f3gica racista com programinhas e projetos e a gente dizendo que s\u00f3 muda com outro modelo de Estado, outra na\u00e7\u00e3o e n\u00e3o essa dos brancos.<\/p>\n<p>E no plano dom\u00e9stico, na Bahia, enfrentar os pol\u00edticos que defendem pena de morte e pris\u00e3o perp\u00e9tua, como Oto Alencar, enfrentar a pol\u00edcia matando nossa gente (30 em um m\u00eas no bairro da Suburbana, 21 no Bairro do Engenho Velho de Brotas, 16 no Bairro do Nordeste de Amaralina), enfrentar os cabos eleitorais com suas promessas de coopta\u00e7\u00e3o, e irmos para frente do Quartel mais antigo da Policia Militar do Brasil, aflitos  e dizer que queremos o fim da pol\u00edcia militar, a desmilitariza\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica, justi\u00e7a para os mortos e que naquele dia, 22 de agosto de 2014, eles n\u00e3o matariam nenhum negro ou negra, essa performance radical \u00e9 muito para a cabe\u00e7a dos policiais acostumados a nos chutar todos os dias desconsiderando nossa humanidade.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Nesses casos de persegui\u00e7\u00e3o, amea\u00e7as, invas\u00e3o a sua casa, como voc\u00ea tem lidado com isso? Qual a posi\u00e7\u00e3o das autoridades pol\u00edticas e das lideran\u00e7as dos grupos de outros movimentos negros diante desses fatos? Voc\u00ea se sente respaldado por eles?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Olha tem uma coisa de ano eleitoral que cala a boca de muita gente boa. Tem muita gente boa que foi para o governo e n\u00e3o pode contrariar quem lhe paga o sal\u00e1rio, temos apoio dos movimentos independentes, apoio do exterior, na Espanha  nossa Irm\u00e3, a FOJA, articula em toda Europa uma campanha \u201cSomos todos Hamilton Borges\u201d, dos Estados Unidos a for\u00e7a vem do Texas, vem de S\u00e3o Paulo (Posse Haussa, Uneafro, Quilombagem, Estudantes Negros da USP, Douglas Belchior, CRP-SP, Afropress), do Rio de Janeiro (Justi\u00e7a Global, Anistia Internacional, Coletivo Das Lutas), vem da Reaja de Jo\u00e3o Pessoa, aqui na Bahia sai das comunidades, das vilas, favelas, cadeia. Mas entendemos esse sequestro da solidariedade de certos movimentos, eles est\u00e3o num tipo de pragmatismo eleitoral que tem que fechar os olhos para certas coisas e n\u00f3s somos o oposto disso: n\u00f3s somos o combate.<\/p>\n<p>O Governo Estadual j\u00e1 est\u00e1 sabendo, a Anistia e a Justi\u00e7a Global enviaram of\u00edcios para  a SSP-BA (Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia) e para a SJDH (Secretaria de Justi\u00e7a e Direitos Humanos). N\u00f3s comunicamos por e-mail \u00e0 SEPROMI (Secretaria de Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade), que \u201cdeve cuidar das quest\u00f5es dos negros\u201d, como eles dizem, mas at\u00e9 agora s\u00f3 houve sil\u00eancio do governo, o mesmo sil\u00eancio ocorrido quando policiais tentaram invadir minha casa depois da Marcha de 2013. N\u00f3s da Campanha Reaja nos sentimos respaldados pela solidariedade que vem dos nossos primeiramente, como L\u00e1zaro Ramos que conversou conosco, tirou foto, nos apoiou, coisa que pode parecer simples, mas faz a maior diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Houve algum posicionamento por parte do governo frente \u00e0s den\u00fancias de abuso de autoridade?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: At\u00e9 agora nada. A Bahia est\u00e1 mergulhada num mar de sangue, atos de terror praticado por policiais e bandos criminosos de exterm\u00ednio, e o governo n\u00e3o fala uma palavra, nossa vida n\u00e3o tem valor para essa agenda. Se morresse um jovem branco de classe m\u00e9dia eles escreveriam um tratado pela vida \u2013 e isso s\u00e3o todos os candidatos, com exce\u00e7\u00e3o do \u00fanico candidato negro ao Senado que tem feito um debate solit\u00e1rio sobre direitos humanos e racismo.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Qual a import\u00e2ncia da Marcha Nacional Contra o Genoc\u00eddio do Povo Negro, essa articula\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rios companheiros de luta de diversos estados?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Na verdade s\u00e3o diversos Estados e v\u00e1rios Pa\u00edses. Demos um passo de unidade internacional. Sa\u00edmos da condi\u00e7\u00e3o de mendigar espa\u00e7o na agenda de organiza\u00e7\u00f5es que nos colocam como assess\u00f3rio, despertamos a agenda do genoc\u00eddio como motor da luta negra e podemos construir grandes pontes para repensar a sociedade do ponto de vista das negras e dos negros, sem precisar entregar nossos s\u00edmbolos sagrados (como uma conta de orix\u00e1) a um salvador ou salvadora que pouco se importa com nossa vida desprotegida. O recado que demos \u00e9 que podemos nos organizar sem pedir migalhas.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Fazendo uma reflex\u00e3o sobre a campanha Reaja ou Ser\u00e1 Morta, Reaja ou Ser\u00e1 Morto, quais foram os avan\u00e7os?  E como tem sido a participa\u00e7\u00e3o dos jovens nessa luta?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Nossa Campanha n\u00e3o \u00e9 geracional, mas evidente que os jovens cumprem um papel importante e elas e eles tem enfrentado bem esse debate, feito avan\u00e7ar. N\u00f3s colocamos v\u00e1rias agendas em foco, sempre afirmando a centralidade do racismo. N\u00f3s popularizamos o debate sobre encarceramento em massa, a revista vexat\u00f3ria e o fortalecimento dos familiares na luta pela mem\u00f3ria de seus entes.N\u00f3s provocamos o governo a criar um programa para enfrentar a morte de jovens negros, mas como sempre o governo federal tem \u201cpudores\u201d em pronunciar a palavra negro e n\u00e3o coloca or\u00e7amento necess\u00e1rio para a boa pol\u00edtica (da\u00ed a coisa  fica focada em encontros e semin\u00e1rios). Mas, sobretudo demos uma arma a nosso povo, somos continuidade de nossos mais velhos, muitas e muitos ainda vivos, que disseram que n\u00e3o pod\u00edamos negociar o racismo, mas combat\u00ea-lo. Quem quer promover igualdade tem que ir \u00e0 porta ao lado, a Reaja \u00e9 outra coisa, \u00e9 Quilombismo.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Neste ano de elei\u00e7\u00e3o como o movimento tem se posicionado? Qual an\u00e1lise fazem das candidaturas \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica? Voc\u00eas t\u00eam alguma esperan\u00e7a em fazer avan\u00e7ar a pauta do combate ao racismo e ao genoc\u00eddio em alguma das candidaturas colocadas?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: N\u00f3s da Reaja n\u00e3o falamos por ningu\u00e9m, mas n\u00e3o vemos alternativa para nosso povo com o que tem a\u00ed. V\u00e1 na Favela do Moinho e pergunte ao povo o que eles acham, e ali \u00e9 a cidade mais rica do Brasil \u2013 S\u00e3o Paulo. O povo vai te dizer que o Estado n\u00e3o existe. Nenhum desses tr\u00eas candidatos mais bem colocados,  em seus debates falam uma linha sobre o racismo ou os direitos humanos ou a situa\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria. As elei\u00e7\u00f5es se tornaram um trabalho subalterno para negros e negras com bandeiras e faixas nos far\u00f3is, os palanques lotados de brancos e empres\u00e1rios. Para n\u00f3s a aposta \u00e9 na organiza\u00e7\u00e3o para a autonomia comunit\u00e1ria e press\u00e3o sobre nossos inimigos.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Diante dos assustadores n\u00fameros de assassinatos de negros, como mostrou o Mapa da Viol\u00eancia 2014, e da neglig\u00eancia por parte do Estado, quais os pr\u00f3ximos passos para esse enfrentamento?<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Temos que cada vez mais internacionalizar o debate e a organiza\u00e7\u00e3o e ao mesmo tempo internalizar, chamar para dentro para o interior, para  as comunidades, levar a mensagem e o m\u00e9todo de solidariedade e autonomia, criar uma organiza\u00e7\u00e3o horizontal, baseada na vida real, criar instrumentos de press\u00e3o e ao inv\u00e9s de seguirmos com pires nas m\u00e3os, enfrentar  as oligarquias, os racistas, sexistas e homof\u00f4nicos com for\u00e7a negra de todas as camadas conscientes e fortalecidas. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 a III Marcha, cuja prepara\u00e7\u00e3o j\u00e1 come\u00e7amos desde o dia 23 de agosto de 2014.<\/p>\n<p>PF, JA e DB: Fa\u00e7a, por fim, as considera\u00e7\u00f5es que achar necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Hamilton Borges: Precisamos de outro modelo de na\u00e7\u00e3o que seja realmente inclusivo e isso n\u00e3o conquistaremos com arranjos, com remendos, precisamos de outra pol\u00edtica, outro Estado que vamos conquistar com luta e solidariedade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista concedida ao blog Negro Belchior, da revista Carta Capital e ao jornal Brasil de Fato, Hamilton denuncia as persegui\u00e7\u00f5es sofridas por adotar uma postura intransigente no combate \u00e0 viol\u00eancia policial Por Paula Farias, Jorge Am\u00e9rico e Douglas 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