{"id":1347211,"date":"2021-04-24T00:58:38","date_gmt":"2021-04-23T23:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1347211"},"modified":"2021-04-24T00:58:38","modified_gmt":"2021-04-23T23:58:38","slug":"mulheres-extraordinarias-mahin-mohammadzadeh-a-fotografa-dos-marginalizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/04\/mulheres-extraordinarias-mahin-mohammadzadeh-a-fotografa-dos-marginalizados\/","title":{"rendered":"Mulheres extraordin\u00e1rias: Mahin Mohammadzadeh, a fot\u00f3grafa dos marginalizados"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela n\u00e3o conhece Carmen Sarmiento, a experiente jornalista espanhola que, com uma c\u00e2mera no ombro, andava pelos lugares mais rec\u00f4nditos do mundo para trazer \u00e0 tona o sofrimento, a discrimina\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m a luta dos \u201cmarginalizados\u201d pela liberdade, igualdade e justi\u00e7a social, mas faz praticamente a mesma coisa do outro lado do mundo e com os mesmos objetivos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mahin Mohammadzadeh, nascida de m\u00e3e e pai curdos na prov\u00edncia de Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o, no Ir\u00e3, \u00e9 a primeira mulher fotojornalista a percorrer a prov\u00edncia mais exclu\u00edda e empobrecida do pa\u00eds, chacoalhando consci\u00eancias sobre as condi\u00e7\u00f5es extremas de vida de sua gente. Conseguir isso n\u00e3o foi nada f\u00e1cil: trata-se da regi\u00e3o mais militarizada do Ir\u00e3, devido n\u00e3o somente ao temor das autoridades da teocracia xiita de que haja um levante popular de seus habitantes exclu\u00eddos, que al\u00e9m de tudo professam em sua maioria o sunismo isl\u00e2mico, mas tamb\u00e9m por ser a principal rota de tr\u00e1fico de \u00f3pio que vai do Afeganist\u00e3o (desde a ocupa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pela OTAN em 2001) e do Paquist\u00e3o para os mercados europeus, bem como pelos atentados terroristas da organiza\u00e7\u00e3o sunita de extrema direita Jundallah, \u201cSoldados de Al\u00e1\u201d, patrocinada pela Ar\u00e1bia Saudita, que opera do Paquist\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nessas circunst\u00e2ncias, Mahin aceitou a incumb\u00eancia da R\u00e1dio Televis\u00e3o do Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o de trabalhar como rep\u00f3rter, apesar das p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es laborais e de um m\u00edsero sal\u00e1rio que n\u00e3o cobria nem os gastos da sua c\u00e2mera fotogr\u00e1fica. Foi assim que ela come\u00e7ou sua aventura e publicou o proibido: mostrar para o resto do mundo, incluindo os pr\u00f3prios iranianos, o rosto monstruoso de uma injusti\u00e7a social exacerbada. Revelou como centenas de milhares de pessoas est\u00e3o privadas, por exemplo, de \u00e1gua pot\u00e1vel; e mulheres e meninas que devem caminhar at\u00e9 quatro quil\u00f4metros para chegar a p\u00e2ntanos cheios de crocodilos-persas que j\u00e1 tiraram a vida de v\u00e1rias meninas; ou o desespero dessas mulheres, cobertas com um inc\u00f4modo xador, que se enfiam nos po\u00e7os para extrair \u00e1gua. A pr\u00f3pria jornalista conta como, em uma aldeia, ela sofreu uma grave intoxica\u00e7\u00e3o ao beber \u00e1gua contaminada, ou como nesse inverno atipicamente frio, a esses iranianos, donos da principal reserva de g\u00e1s do mundo, n\u00e3o lhes chega combust\u00edvel para se aquecerem, e que por isso t\u00eam que fazer filas durante horas e horas para comprar gal\u00f5es de petr\u00f3leo, gasolina ou garrafas de g\u00e1s de cozinha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De fato, o desemprego, que em algumas regi\u00f5es da prov\u00edncia afeta a 60% dos jovens \u2013 incluindo aqueles com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria \u2013, e a falta de infraestrutura obrigou a muitos a empreender viagens longas em seus carros particulares para trazer combust\u00edvel e revender, arriscando-se a receber multas ou transformar-se em uma bola de fogo caso sofram acidentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em sua visita \u00e0s aldeias da regi\u00e3o, Mahin tirou fotos de uma \u201cescola\u201d sem cadeiras, sem mesa, sem paredes: meninos e meninas (isso, sim, obrigadas a usar um austero hijabe, al\u00e9m disso, preto!) sentados no ch\u00e3o pedregoso, escrevendo em cadernos que colocavam sobre os joelhos, simulando uma mesa dobr\u00e1vel. Aqui, falar em estudo on-line para evitar o cont\u00e1gio da covid-19 seria uma brincadeira de mau gosto. Se milh\u00f5es de crian\u00e7as no restante do Ir\u00e3 n\u00e3o disp\u00f5em de computador ou acesso \u00e0 internet para se conectar, como um bal\u00fachi poderia ter? A pr\u00f3pria Mahin, durante v\u00e1rios dias, n\u00e3o p\u00f4de falar pelo celular com sua fam\u00edlia para dizer que estava bem. Desde o confinamento e o fechamento das escolas, cerca de dez crian\u00e7as iranianas entre 12 e 13 anos tiraram a pr\u00f3pria vida por n\u00e3o poderem se conectar com a escola e enviar suas tarefas: nesse pa\u00eds ultra-elitista, ser pobre \u00e9 uma vergonha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No fim das contas, Mahin teve que abandonar seu duro trabalho e voltar para casa, pois n\u00e3o podia custear suas despesas. No entanto, as fotos que ela publicou sobre o povo do Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o despertaram muito interesse nos c\u00edrculos sociais do pa\u00eds. Foi assim como Mahin recebeu uma bolsa do concurso independente de Sheed Photo, do Ir\u00e3, que anualmente se entrega a dois fot\u00f3grafos de document\u00e1rios sociais, para que completasse a cole\u00e7\u00e3o inacabada sobre essa prov\u00edncia e que ela fosse enviada ao concurso da revista Time. E conseguiu: suas fotos e seu nome apareceram entre as \u201c34 vozes do mundo\u201d de 2017 em comemora\u00e7\u00e3o ao 8 de mar\u00e7o, Dia Internacional da Mulher, proibido no Ir\u00e3 desde 1981 pela teocracia mis\u00f3gina, quando milhares de mulheres foram detidas, n\u00e3o porque reivindicavam o progresso, mas porque queriam impedir que o totalitarismo religioso lhes arrancasse os direitos que haviam conquistado durante a ditadura de Pahlavi.<\/span><\/p>\n<p><b>Uma regi\u00e3o m\u00e1gica para descobrir<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A prov\u00edncia do Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o est\u00e1 situada no sudeste do Ir\u00e3 e faz fronteira com o Paquist\u00e3o e o Afeganist\u00e3o. Conta com quatro milh\u00f5es de habitantes de origem cita e bal\u00fachi, com tradi\u00e7\u00f5es e l\u00ednguas pr\u00f3prias. No passado, fez parte da Rota da Seda, e foi o lugar por onde Alexandre Magno invadiu a \u00cdndia em 326 a.C., em que perdeu in\u00fameros soldados devido \u00e0s duras condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e ao terreno montanhoso da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 a terra da rom\u00e3, do pistache, dos Pirgeles (vulc\u00f5es de lama), das cavernas com arte rupestre de uns 10 mil anos e do m\u00edtico lago Hamun, apelidado pelos moradores locais como o Umbigo da Terra, e uma das reservas da biosfera que secou devido \u00e0 extra\u00e7\u00e3o desenfreada de sua \u00e1gua por parte de empresas de agricultura intensiva do Ir\u00e3 e do Afeganist\u00e3o, que destru\u00edram a vida dentro do lago e no seu entorno.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Baluchist\u00e3o foi descoberta a jazida arqueol\u00f3gica da Cidade das Cinzas, constru\u00edda h\u00e1 5.200 anos, cujo nome faz refer\u00eancia \u00e0 quantidade de res\u00edduos encontrados nos v\u00e1rios fornos que aquela civiliza\u00e7\u00e3o industrial utilizava para fabricar ferramentas e objetos. Trata-se de uma \u00e1rea de 280 hectares com uma grande necr\u00f3pole. Em uma das tumbas foi descoberto o primeiro olho artificial do mundo, incrustado no cr\u00e2nio de uma sacerdotisa, e a primeira anima\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da hist\u00f3ria, em uma vasilha com os desenhos de uma cabra saltando em dire\u00e7\u00e3o a uma \u00e1rvore.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por sua vez, o Sist\u00e3o \u00e9 o lugar de nascimento de Rustam, o grande her\u00f3i da epopeia persa narrada em 60 mil d\u00edsticos no Shahnameh, O Livro dos Reis, do poeta Abu al-Qasim Firdawsi (935 <\/span><b>&#8211;<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> 1020), que reuniu a mitologia persa pr\u00e9-isl\u00e2mica e salvou a l\u00edngua persa da arabiza\u00e7\u00e3o dos ocupantes que chegavam da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica no s\u00e9culo VII. Conta-se que Rustam, s\u00edmbolo de coragem, generosidade e for\u00e7a f\u00edsica (o H\u00e9rcules iraniano), nasceu de cesariana, devido ao seu tamanho extraordin\u00e1rio, depois que os m\u00e9dicos tiveram que anestesiar sua m\u00e3e Rudaba embebedando-a com vinho.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por ser uma atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica \u00fanica na regi\u00e3o, o Governo deu in\u00edcio a projetos de hot\u00e9is de quatro e cinco estrelas e complexos tur\u00edsticos, enquanto a popula\u00e7\u00e3o carece de m\u00ednima infraestrutura de \u00e1gua, eletricidade e centros de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><b>Uma discrimina\u00e7\u00e3o escandalosa<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o \u00e9 o exemplo perfeito da desigualdade geogr\u00e1fica no desenvolvimento humano, onde convergem os graves problemas do Ir\u00e3 \u2013 em pol\u00edtica, economia, g\u00eanero, meio ambiente, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a \u2013; e uma bomba-rel\u00f3gio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O abandono da regi\u00e3o \u00e9 inexplic\u00e1vel: a prov\u00edncia possui minas de antim\u00f4nio, tit\u00e2nio, cobre e ouro, al\u00e9m de petr\u00f3leo e g\u00e1s, mas a expectativa de vida \u00e9 de 60 anos, dez anos menor que a do resto do Ir\u00e3. A maior parte da popula\u00e7\u00e3o se encontra abaixo da linha da pobreza e da seguran\u00e7a alimentar. Apesar de sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, que poderia conectar a prov\u00edncia com seis pa\u00edses sem litoral da \u00c1sia Central ao Golfo P\u00e9rsico, ela carece de infraestruturas, como trens, linhas avan\u00e7adas de \u00f4nibus, hot\u00e9is etc. Chabahar, o \u00fanico porto oce\u00e2nico do Ir\u00e3, poderia ser um centro de com\u00e9rcio para o Oriente Pr\u00f3ximo e o sul da \u00c1sia, mas n\u00e3o o \u00e9.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um pa\u00eds como a Turquia, que carece dos imensos recursos naturais que o Ir\u00e3 possui, tenta progredir, n\u00e3o s\u00f3 com uma ind\u00fastria avan\u00e7ada e uma vasta agricultura, mas tamb\u00e9m oferecendo implantes capilares a pessoas com calv\u00edcie, enquanto as autoridades do Ir\u00e3 perceberam que a teocracia e o progresso s\u00e3o incompat\u00edveis e, portanto, decidiram desfazer o caminho que o Ir\u00e3 havia percorrido nos \u00faltimos dois s\u00e9culos. De modo que come\u00e7aram a cobrar pela educa\u00e7\u00e3o, pela sa\u00fade p\u00fablica (que eram universais e gratuitas), e trouxeram uma repress\u00e3o pol\u00edtico-religiosa de tal magnitude que colocaram o Ir\u00e3, ano ap\u00f3s ano, no primeiro lugar do mundo em fuga de c\u00e9rebros, segundo o pr\u00f3prio governo. Em 2018, pela primeira vez em quase quarenta anos, o Centro de Investiga\u00e7\u00e3o do Parlamento do Ir\u00e3 publicou um relat\u00f3rio sobre a pobreza absoluta no pa\u00eds: no Baluchist\u00e3o, a metade da popula\u00e7\u00e3o vivia abaixo do limiar da pobreza absoluta, privada das necessidades mais b\u00e1sicas, incluindo alimentos, \u00e1gua pot\u00e1vel, saneamento, sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A ex vice-presidente do Governo, Shahindojt Molaverdi, tinha visitado uma aldeia do Baluchist\u00e3o na qual todos os homens haviam sido executados por realizarem tr\u00e1fico de drogas (como se isto fosse a solu\u00e7\u00e3o), deixando dezenas de mulheres e crian\u00e7as no mais absoluto desamparo. Entre 1988 e 2010, o Ir\u00e3 enforcou pelo menos 10 mil pessoas por causa de tr\u00e1fico ou posse de entorpecentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como se n\u00e3o bastasse, a regi\u00e3o se v\u00ea assolada por graves problemas ambientais. Em 2016, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade identificou a cidade de Zabol como uma das mais polu\u00eddas do mundo, com n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o 18 vezes acima do recomendado. N\u00e3o se trata apenas de mudan\u00e7a clim\u00e1tica, tempestades de poeira produzidas por duas d\u00e9cadas de seca e temperaturas at\u00edpicas, mas tamb\u00e9m de m\u00e1 gest\u00e3o dos recursos naturais dessa terra vasta, que conta com oito portos pesqueiros. No entanto, a pesca e tamb\u00e9m o cultivo de frutas tropicais foram interrompidos para os antigos pescadores e agricultores, e em seu lugar cerca de 2 mil balsas de pesca pertencentes \u00e0 classe alta vinculada ao regime n\u00e3o param.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A somat\u00f3ria dessas circunst\u00e2ncias resultou no deslocamento de, aproximadamente, 84 mil pessoas (e espera-se que se desloquem mais meio milh\u00e3o de pessoas), na pris\u00e3o de milhares de ativistas pelos direitos do povo bal\u00fachi e na desapari\u00e7\u00e3o de centenas deles.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A grande maioria dos habitantes do Sist\u00e3o-Baluchist\u00e3o \u00e9 sunita e vive em um pa\u00eds governado por uma teocracia xiita, que suspeita da fidelidade de todos aqueles que se op\u00f5em a um sistema religioso baseado nos interesses de Deus e seus representantes, e n\u00e3o no interesse dos cidad\u00e3os. A xiitiza\u00e7\u00e3o, a reislamiza\u00e7\u00e3o e a arabiza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada da popula\u00e7\u00e3o por parte do governo, que enxerga os cerca de 40 milh\u00f5es de iranianos n\u00e3o persas e n\u00e3o xiitas como a \u201cquinta coluna do inimigo\u201d e lhes nega o direito de serem educados em suas l\u00ednguas maternas, obviamente fortalecem as tens\u00f5es \u00e9tnicas e as tend\u00eancias centr\u00edfugas de ditas minorias nacionais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho de Mahin valeu a pena. Esse artigo \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o da for\u00e7a e do compromisso da fotografia social e do poder transformador que ela cont\u00e9m em sua mensagem: lembram-se da fotografia de uma menina vietnamita que foge aterrorizada de uma explos\u00e3o da bomba de napalm lan\u00e7ada pelos Estados Unidos? Alguma coisa ela teve a ver para que se pusesse fim \u00e0quela carnificina.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/blogs.publico.es\/puntoyseguido\/6962\/mujeres-extraordinarias-mahin-mohammadzadeh-la-fotografa-de-los-marginados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">Fonte: https:\/\/blogs.publico.es\/puntoyseguido\/6962\/mujeres-extraordinarias-mahin-mohammadzadeh-la-fotografa-de-los-marginados\/<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/rebelion.org\/mujeres-extraordinarias-mahin-mohammadzadeh-la-fotografa-de-los-marginados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0O artigo original pode ser acessado na p\u00e1gina dos nossos parceiros\u00a0<\/span><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Traduzido do espanhol para o portugu\u00eas por Nath\u00e1lia Cardoso \/ Revisado por Gra\u00e7a Pinheiro<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela n\u00e3o conhece Carmen Sarmiento, 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