{"id":1343444,"date":"2021-04-18T04:11:50","date_gmt":"2021-04-18T03:11:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1343444"},"modified":"2021-04-18T19:12:27","modified_gmt":"2021-04-18T18:12:27","slug":"miles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/04\/miles\/","title":{"rendered":"MILES DAVIS algum dia foi um rapaz comportado?"},"content":{"rendered":"<h5><\/h5>\n<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Paolo D&#8217;Aprile e Guilherme Maia<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E foi um susto geral.<\/p>\n<p>Velho e doente, continuava a nos surpreender.<\/p>\n<p>Est\u00e1vamos em meados dos anos oitenta e, rodeados pelas habituais formas banais e recalcadas do jazz, velhas de vinte anos ou mais, nossa resigna\u00e7\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o era total pelo amor \u00e0 m\u00fasica. Mas este disco, com sua primeira composi\u00e7\u00e3o perturbadora, bagun\u00e7ou tudo, de novo. Fora o baixo el\u00e9trico e o trompete, os outros sons provinham da infinita possibilidade criativa que a eletr\u00f4nica podia proporcionar, sons in\u00e9ditos, inventados, nunca ouvidos antes, acrescentados aos poucos numa verdadeira engenharia musical, vindos para escancarar as portas do futuro: Tutu, nome de bispo africano, Tutu, nome do disco que me acompanha nessas longas d\u00e9cadas evaporadas no delirante sopro da minha vida.<\/p>\n<p>Poucos meses antes, frente ao \u00eaxtase de milhares de pessoas, no est\u00e1dio da cidade de Perugia, uma longa nota, a mais longa de todas, nascida nas alturas e parida das profundezas do ser, mostrava que a modernidade dos teclados eletr\u00f4nicos podia caminhar junto ao Blues imortal. E assim foi. Naquelas duas horas de m\u00fasica, eu vi <i>The man with the horn, <\/i>o homem com trompete, dobrar-se na fluidez, como um corpo sem \u00f3rg\u00e3os, inundar a noite de estupor e maravilha: a m\u00fasica que fala de si mesma no mundo feito de vontade e representa\u00e7\u00e3o dos sonhos nunca sonhados, das terras imaginadas, da felicidade que poderia ser e ser\u00e1. O castelo sonoro, hino da cria\u00e7\u00e3o humana, bem na minha frente. Milhares de pessoas aquela noite no est\u00e1dio, milh\u00f5es de pessoas hoje pela internet, mas eu sei que foi para mim que ele tocou, foi para mim que mostrou a liberdade compositiva inserida no contesto da eletrifica\u00e7\u00e3o, a subvers\u00e3o das regras por ele mesmo inventadas e desobedecidas para sempre; foi para mim que mostrou o virtuosismo deixado livre de expressar sua urg\u00eancia, foi para mim.<\/p>\n<p>Obrigado, Miles.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Miles Davis - New blues (Umbria Jazz &#039;85)\" width=\"500\" height=\"375\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/F6ql6ojwkdI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando a gente se pega pensando nesse deus do jazz, a primeira ideia que nos assalta \u00e9: mas ele era um jazzman e, de repente, virou um pai de santo, um l\u00edder espiritual, um xam\u00e3?\u2026<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Tudo isso para quem se apega \u00e0s apar\u00eancias. Ora, e o Miles Davis era um artista plural em todos os sentidos. Mais abaixo vou falar sobre o b\u00edblico Kind of Blue, mas, antes, quero desfazer mal entendidos hist\u00f3ricos.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Se formos entender o Miles como um f\u00f3ssil no per\u00edodo anterior \u00e0 sua mudan\u00e7a de indument\u00e1ria, vamos ter de ignorar todas as revolu\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas e r\u00edtmicas do Bebop, do Hard e do Cool Jazz. Seria, por exemplo, John Coltraine, Eric Dolphy e Le Morgan figuras vetustas? E Charlie Parker? NUNCA! E estar\u00edamos nas perigosas plagas da heresia\u2026<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Nesse sentido, vale muito a pena analisar a figura toda do Miles, a come\u00e7ar pela sua Ferrari 275 GTB (apenas 280 exemplares vendidos) e sua Lamborghini Miura. Isso ainda nos 60 e 70. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa \u00e1rea prosaica da vida de Miles n\u00e3o teria import\u00e2ncia se n\u00e3o fosse o caso de ele ser um todo de originalidade. Assim as ostenta\u00e7\u00f5es de sua cole\u00e7\u00e3o de carros passam a formar uma face de sua personalidade como artista. N\u00e3o como uma justificativa de acumula\u00e7\u00f5es absurdas de renda, mas como algo parecido com o Salvador Dal\u00ed e sua Carrer Dali-Gala (rua em catal\u00e3o), onde o artista pl\u00e1stico manteve um castelo na cidade na cidade de Pub\u00f3l, na Catalunha \u2013 presente para a musa Gala.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Surrealisticamente, Miles conseguiu a perip\u00e9cia de tornar ostenta\u00e7\u00e3o em arte como Dal\u00ed o fizera. E isso tamb\u00e9m faz parte do todo da personalidade multifacet\u00e1ria do trompetista.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Isso importa? Agora fiquei na d\u00favida, por que, para mim, falar sobre o Miles Davis \u00e9 dif\u00edcil. Ele \u00e9 muitas coisas!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mas o que quero dizer \u00e9 que Miles Davis sempre foi vanguarda, mesmo quando usava ternos para apresentar-se com o seu cl\u00e1ssico Quinteto montado em 1955 (bem\u2026 <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">John Coltraine; Red Garland; Paul Chambers e \u00a0<\/span><\/span><\/span><span style=\"color: #0000ff;\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Philly_Joe_Jones\" target=\"Philly Joe Jones\" rel=\"noopener\"><span style=\"color: #000000;\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">Philly Joe Jones<\/span><\/span><\/span><\/span><\/a><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><span lang=\"en-US\">). <\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Para conseguir me expressar com mais inteligibilidade, vou direto para o \u00e1lbum Kind of Blues. Este um cl\u00e1ssico absoluto e atemporal. Sempre vanguarda, sempre M\u00daSICA BOA e <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Haute Art<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ressalva: esta minha dificuldade \u00e9 devido a entender Miles Davis como um camale\u00e3o que \u00e9 o mesmo em suas mais diversas adapta\u00e7\u00f5es ao ambiente.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Por isso este texto tem duas linhas-mestras: Miles Davis sempre foi o mesmo Miles Davis sem ser o Miles Davis sempre\u2026 Deu para entender? (Miles confunde um pouco a minha cabe\u00e7a); e, para conseguir analisar um artista t\u00e3o plural, centrar minha aten\u00e7\u00e3o no \u00e1lbum Kind of Blues.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A primeira est\u00e1 exposta nas linhas acima. Sobre a segunda, come\u00e7o logo abaixo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Ano: 1959. Miles Davis, em duas sess\u00f5es de grava\u00e7\u00e3o, encerra uma Obra Prima chamada Kind of Blues. Ali\u00e1s, ele e outros tit\u00e3s da m\u00fasica. A Terra tremeu nesse dia: Cannonball Adderley (Alto Saxofone); John Coltrane (Sax Tenor); Bil Evans (Piano); Paul Chambers (Baixo); Jimmy Cobb (Bateria) e Wynton Kelly (Piano em Freddie Freeloader). <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Esse Jazz tinha uma vestimenta diferente denominada \u201cmodal Jazz\u201d: onde as escalas se imbricavam umas nas outras sucedendo como uma s\u00e9rie de escalas sobrepostas umas \u00e0s outras. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa nova ruptura vinha de para substituir o papel dos acordes e harmonias intrincados nas improvisa\u00e7\u00f5es das jam. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Miles era t\u00e3o vanguarda que fez uma revolu\u00e7\u00e3o sobre o pr\u00f3prio trabalho dele com Gil Evans de 1958 \u201cMilestone\u201d (ou \u201cMiles\u201d para os \u00edntimos), e, tamb\u00e9m no excepcional Porgy and Bess, releitura da sagrada \u00f3pera negra de Gershwin. Nessa \u00faltima, a <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>pi\u00e8ce de resistence <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Summertime foi recalchutada para um desse tipo modal longo sem mudan\u00e7as de acorde.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Essa genialidade transmorfa do Davis nos leva at\u00e9 o conceito de Antropofagia do Oswald e do M\u00e1rio de Andrade: imagina deglutir uma teoria filos\u00f3fica musical e formar uma releitura de <\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>standards<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">: foi o que ele fez.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Lydian Chromatic Concept of Organization\u201d, do compositor e alquimista da alta teoria musical foi uma das refer\u00eancias de Miles, em um primeiro momento com Gil evans, para dominar os limites da complexidade dos acordes e sua intera\u00e7\u00e3o com o improviso jam. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Mas, enfim, este \u00e9 Miles Davis e \u201cSo What\u201d? &#8211; Como est\u00e1 na abertura de Kind of Blues!<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Agora, mais seguro ao falar retomo a ideia de ser esse deus do Jazz sempre uma persona sobre todas as suas roupagens, de Birth of the Cool e Ballads and Blues at\u00e9 os c\u00f3smicos Bitches Brew e Pangaea e, ainda mais, You\u2019re Under Arrest e Amandla: porque o passo \u00e0 frente est\u00e1 em toda a obra dele.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Meu amigo, o italiano mais brasileiro do mundo Paolo D\u2019Aprille, sempre com maestria, fala da fase \u201cTutu\u201d (1986) e The Man With the Horn (1981), fase espetacular e suas \u00faltimas rupturas com tudo at\u00e9 mesmo com sua obra. Que sorte meu amigo teve de poder ver aquele deus do Jazz. <\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Miles sempre foi um<\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i> avant-Miles<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, Miles sempre foi um antiMIles. Nunca deixou de estar \u00e0 frente e, at\u00e9 mesmo agora, est\u00e1 \u00e0 frente de nosso tempo.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; Por Paolo D&#8217;Aprile e Guilherme Maia &nbsp; &nbsp; E foi um susto geral. Velho e doente, continuava a nos surpreender. 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