{"id":1329350,"date":"2021-03-28T03:08:23","date_gmt":"2021-03-28T02:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1329350"},"modified":"2021-03-28T03:07:25","modified_gmt":"2021-03-28T02:07:25","slug":"legado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/03\/legado\/","title":{"rendered":"Legado"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CONTO<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por C. Alfredo Soares<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trabalhar foi sempre o verbo conjugado com os bra\u00e7os suados naquela fazenda. Salvador, um filho de escravo alforriado, trabalhava\u00a0\u00a0sob sol e chuva na lida di\u00e1ria. O mesmo of\u00edcio do pai e da m\u00e3e.\u00a0 \u00a0\u00a0Os dois se foram cedo pro c\u00e9u, assim como tantos outros que n\u00e3o aguentaram tamanho esfor\u00e7o dia sim e o outro tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A gente do lugar tinha o mesmo tom de pele que ele, e uma alegria, que a princ\u00edpio parecia inconsequente.<\/p>\n<p>Assim como Salvador, habitavam as casas de sape, margeando a estrada que levava ao terreiro grande de terra batida da sede.<\/p>\n<p>Pra aliviar, Salvador se juntou a Maria e tiveram filhos, muito filhos pra ajudar na ro\u00e7a de cana e melhorar a renda, consequentemente renovando a for\u00e7a de trabalho barata que o senhor da fazenda tanto gostava.<\/p>\n<p>Seu Jacinto Silva,\u00a0\u00a0dono de tudo, tamb\u00e9m era dono da venda, onde todos penduravam as compras de m\u00eas &#8211; n\u00e3o \u00e0 toa, todos ali eram \u201cDa Silva\u201d &#8211; quando o dinheiro da safra saia,\u00a0\u00a0e cada chefe de fam\u00edlia ia receber,\u00a0\u00a0todo conto de r\u00e9is ficava l\u00e1 pra honrar as d\u00edvidas, preenchidas a l\u00e1pis num caderno,\u00a0\u00a0renovando o cr\u00e9dito que aprisionava o homem que tinha muitas bocas a alimentar.<\/p>\n<p>Contrariado, Salvador confessou a Maria que queria, merecia mais e convenceu ela pegar as crian\u00e7as e irem embora. A vida ali num prestava pra prosperar.<\/p>\n<p>Salvador n\u00e3o aguentava olhar mais pra casa grande que simbolizava quem mandava e ver aquela gente sem cora\u00e7\u00e3o, rindo alto e fumando charuto.<\/p>\n<p>A casa tinha um alpendre que\u00a0\u00a0circundava a morada.<\/p>\n<p>A cumeeira alta se impunha de longe ver.<\/p>\n<p>Ela tinha sido constru\u00edda em tijolo maci\u00e7o, com \u00f3leo de baleia,\u00a0\u00a0e fora caiada de branco. Alva, como s\u00edmbolo da pureza.<\/p>\n<p>Sua chamin\u00e9 fumegava o tempo todo.\u00a0\u00a0Uma gente, que n\u00e3o se misturava, sempre que aparecia era pra comemorar, em banquetes boquirrotos, os acertos de compra e venda da safra futura e d\u00edvidas do passado.<\/p>\n<p>Aos retintos, como bonus, um saco farinha e a\u00e7\u00facar, que depois de vazios viravam vestes dos moleques.<\/p>\n<p>Ai de quem reclamasse. Ningu\u00e9m ali tinha direito a nada. S\u00f3 deveres. Quem quisesse, podia pegar a trouxa e sair no mundo sem eira e nem beira.<\/p>\n<p>Medo n\u00e3o batia dentro do cora\u00e7\u00e3o de Salvador. Ele tinha orgulho dos seus antepassados. E ouvia o chamado ancestral. Sabia de cada hist\u00f3ria, que enchia seu peito de orgulho e coragem cega. Talvez por isso n\u00e3o pudesse mais esperar. Sabia do seu valor e o tempo das coisas acontecerem.<\/p>\n<p>Maria apoiava seu homem, mesmo n\u00e3o sabendo bem como seria a vida noutro lugar. Confiava que melhor seria do que j\u00e1 havia vivido.<\/p>\n<p>Ela tinha\u00a0\u00a0parido seus filhos e, no parto de Z\u00e9 Bento, seu tempor\u00e3o,\u00a0\u00a0quase partiu. Seu grito de dor cortou\u00a0\u00a0l\u00e9guas. O mesmo acontecera com outras mulheres. Algumas n\u00e3o tiveram a mesma sorte. S\u00f3 restava a m\u00e3o boa das santas parteiras e a f\u00e9 em Nossa Senhora do Bom Parto.<\/p>\n<p>A panela, empretecida pela chama da lenha,\u00a0\u00a0quase sempre quase cheia,\u00a0\u00a0ressoava dentro do seu peito e punha l\u00e1grimas no olhar de Salvador. O banzo levara os homens a beber. Amigos seus, irm\u00e3os e primos apagavam as dores do corpo e da alma na cacha\u00e7a barata. Um \u00f3pio poss\u00edvel que nem sempre adormecia o cabloco. Por vezes o fazia revoltado e seus filhos e companheira sofriam com tamanha dor. Morrer sempre foi uma op\u00e7\u00e3o para aqueles homens e mulheres. Salvador n\u00e3o sabia ler, mas fazia conta muito bem, controlava a turma no ro\u00e7ado.<\/p>\n<p>Maria cozinhava muito bem e, tamb\u00e9m era boa de bra\u00e7o.<\/p>\n<p>Juntos pegaram as crian\u00e7as, e os poucos pertences, que cabiam numa trouxa, e se puseram a caminhar. Sa\u00edram logo cedo com a luz do dia e seguiram pro norte, onde tinha uma cidade pr\u00f3spera onde chegariam com a luz da lua.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as exaustas e com fome, Maria preocupada com tudo e toda n\u00e3o podia demonstrar.<\/p>\n<p>Salvador se sentia livre, mesmo sem lugar pra ficar. Um esp\u00e9cie de orgulho retido.<\/p>\n<p>Tudo isso logo ali, a quil\u00f4metros da urbanidade.<\/p>\n<p>Quando veio a decad\u00eancia dos engenhos, a cidade se tornou o caminho natural. O ro\u00e7ado ficou pra traz. N\u00e3o dava mais pra matar a fome.<\/p>\n<p>Os filhos crescendo mereciam coisa melhor. Aquela gente rumou para a cidade.<\/p>\n<p>Muitos por falta de op\u00e7\u00e3o, outros por ilus\u00e3o.\u00a0\u00a0Os sub\u00farbios foram se adensando com aquela gente preta do trabalho duro e m\u00e3os calejadas. Se antes eles n\u00e3o tinham quase nada, ali talvez tivessem alguma coisa. Ledo engano.<\/p>\n<p>&#8211; [ ] O cheiro do asfalto liso, amassado pelas rodas do desenvolvimento, aos poucos levou Salvador a dura realidade dos guetos, favelas, comunidades, sub\u00farbios, onde essa gente sincera, verdadeira, era despejada todos dias, em \u00f4nibus lotados, com seus sonhos de exclu\u00eddos, que at\u00e9 hoje creem em dias melhores. Com o diz o samba do mestre Wilson das Neves, lindo ser\u00e1 \u201co dia que o morro descer e n\u00e3o for carnaval&#8221;.\u00a0\u00a0Salvador e Maria venceram, mesmo vendo que ficaram aqu\u00e9m das suas possibilidades.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CONTO &nbsp; &nbsp; Por C. Alfredo Soares &nbsp; &nbsp; Trabalhar foi sempre o verbo conjugado com os bra\u00e7os suados naquela fazenda. Salvador, um filho de escravo alforriado, trabalhava\u00a0\u00a0sob sol e chuva na lida di\u00e1ria. 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