{"id":1318756,"date":"2021-03-14T03:10:18","date_gmt":"2021-03-14T03:10:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1318756"},"modified":"2021-03-14T01:49:33","modified_gmt":"2021-03-14T01:49:33","slug":"a-luz-acesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/03\/a-luz-acesa\/","title":{"rendered":"A luz acesa"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">OLHARES<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>Por Paolo D&#8217;Aprile<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mil anos atr\u00e1s recebi o convite para escrever um artigo sobre o nosso trabalho. Contei de um menino aninhado em um caixote de papel\u00e3o com um buraco de bala na perna, a infec\u00e7\u00e3o, o pus. Contei que a pol\u00edcia em patrulha n\u00e3o gostou dos meus questionamentos. Contei das m\u00e3os ao alto de frente para a parede, pernas abertas, apalpada geral. O artigo continuava descrevendo a \u00e1rea dos hot\u00e9is de prostitui\u00e7\u00e3o infantil. Os travestis que me entregavam as crian\u00e7as para acompanh\u00e1-las aos abrigos. Na verdade, eu queria escrever de quando n\u00e3o dei os dez reais aquela garotinha: se eu n\u00e3o pagar, eles v\u00e3o me matar. N\u00e3o dei. Dez reais. N\u00e3o dei. Nunca havia dado dinheiro, o pessoal da rua j\u00e1 sabia e ningu\u00e9m pedia mais. Continuei seguindo a regra. N\u00e3o dei. Dinheiro n\u00e3o. Pode pedir qualquer coisa, menos dinheiro. Sempre foi assim, n\u00e3o vou mudar agora.<br \/>\nSoube que foi naquela noite. A menina estrangulada at\u00e9 a morte, bem que avisou: eles v\u00e3o me matar. E eu n\u00e3o fiz nada, ela insistia tentando me convencer de qualquer forma, e eu nada. N\u00e3o fiz nada. Segui a regra: dinheiro nunca. N\u00e3o dei. Era isso o que eu queria contar no artigo. A menina estrangulada at\u00e9 a morte por causa de uma d\u00edvida de dez reais. Lembro do nome, da voz, do rosto, dos olhos claros, lembro de tudo, lembro do corti\u00e7o, lembro da janela do quarto andar, lembro do port\u00e3o da escala, dos c\u00f4modos, do cheiro, dos ratos, dos rostos de todos aqueles que ali moravam um em cima do outro. Lembro de tudo.<br \/>\nEste final de tarde est\u00e1 agora definitivamente perdido. Uma profunda melancolia e um imenso desejo de voltar \u00e0 casa e afundar nos meus livros. Perambulo pela \u00e1rea, um caf\u00e9, um cigarro, \u00e0 toa por a\u00ed, um barzinho vazio, eu, mais vazio ainda.<br \/>\nAo inv\u00e9s de contar da garota assassinada, naquele artigo escrevi sobre a absurda coexist\u00eancia entre o teatro maravilhoso e o bairro mais infame da cidade. Uma sala de concerto imensa com todos os recursos da ci\u00eancia ac\u00fastica, sede da maior orquestra brasileira, onde assisti a exibi\u00e7\u00f5es dos grandes, uma sala onde Villa Lobos encontra Bach para a felicidade de quem pode pagar e meu deleite complacente. Guardada como o maior tesouro da cidade, protegida por guardas armados, surge no cora\u00e7\u00e3o do bairro onde reina o desespero, onde a condi\u00e7\u00e3o humana, feito carne podre, \u00e9 somente a dor, a dor s\u00f3lida, total, a dor-pedra a dor do nada universal.<br \/>\nMil anos depois, aqui estou eu novamente. Tudo como era, como sempre foi. Ou quase. Tudo diferente. Falta a parede onde fui obrigado a apoiar m\u00e3os e rosto, onde fui apalpado com gosto por zelosos policias. O pr\u00e9dio demolido, o quarteir\u00e3o demolido. Os hot\u00e9is fechados. A prostitui\u00e7\u00e3o infantil mudou de endere\u00e7o. Os travestis, o crack, o com\u00e9rcio ao ar livre, as pessoas no ch\u00e3o convulsionando, o desespero carne podre, tudo isso continua. As v\u00e1rias tentativas de interven\u00e7\u00e3o e requalifica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea falharam. No vazio urbano criado pelas demoli\u00e7\u00f5es maci\u00e7as, uma pequena favela. N\u00e3o durou muito. Chuva de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, pessoas baleadas, espancadas. O espa\u00e7o, novamente livre, est\u00e1 pronto para as construtoras concretizarem sua especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<br \/>\nQuerendo ver o c\u00e9u, levanto os olhos, reconhe\u00e7o a janela onde aquela garotinha foi estrangulada at\u00e9 a morte, por dez reais. Mais um caf\u00e9. Ao meu lado, adolescentes de celular na m\u00e3o: risadas irritantes duas oitavas acima do n\u00edvel de seguran\u00e7a auditiva. Uma parede me separa da sala de tortura. Estou na antiga sede da pol\u00edcia pol\u00edtica, hoje centro cultural: memorial da resist\u00eancia. Est\u00e1 tarde, decido voltar a casa a p\u00e9, por aquelas ruas. Dois policiais se aproximam, instintivamente estou quase levantando as m\u00e3os para me colocar com a cara na parede, ao inv\u00e9s disso: &#8220;Senhor, senhor&#8230; n\u00f3s aconselhamos a n\u00e3o passar por aqui, \u00e9 perigoso&#8221;. Fui chamado de senhor. Um senhor de \u00f3culos, quase careca, acima do peso, a p\u00e9, sozinho, no bairro do crack, entre travestis, prostitutas, casas de jogo ilegais, eu, um senhor v\u00edtima potencial, que n\u00e3o sabe onde est\u00e1 se metendo. Obrigado, queria responder, obrigado, mas aqui me sinto em casa. Continuo andando, reconhe\u00e7o cada esquina, cada moc\u00f3, cada muro, cada bueiro, reconhe\u00e7o minha lembran\u00e7a, meu desamparo, minha desola\u00e7\u00e3o total. Reconhe\u00e7o minha covardia. Nunca contei a hist\u00f3ria dela, nunca mais pronunciei seu nome. Dez reais. L\u00e1, naquele pr\u00e9dio aos peda\u00e7os, a janela do quarto onde foi estrangulada. A luz est\u00e1 acesa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>OLHARES &nbsp; &nbsp; Por Paolo D&#8217;Aprile &nbsp; &nbsp; Mil anos atr\u00e1s recebi o convite para escrever um artigo sobre o nosso trabalho. 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