{"id":1297341,"date":"2021-02-13T13:34:08","date_gmt":"2021-02-13T13:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1297341"},"modified":"2021-02-13T13:34:08","modified_gmt":"2021-02-13T13:34:08","slug":"india-250-milhoes-de-agricultores-e-trabalhadores-do-campo-em-greve-generalizada-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/02\/india-250-milhoes-de-agricultores-e-trabalhadores-do-campo-em-greve-generalizada-i\/","title":{"rendered":"\u00cdndia: 250 milh\u00f5es de agricultores e trabalhadores do campo em greve generalizada (I)"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><em>As zonas rurais na \u00cdndia est\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o desde novembro do ano passado. Convocou-se uma greve no setor agr\u00e1rio \u00e0 qual acudiram mais de 250 milh\u00f5es de agricultores e trabalhadores do campo e outros setores tamb\u00e9m se uniram a eles. No foco da disputa, est\u00e3o as mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria aprovada pelo governo. Al\u00e9m dos bloqueios de acesso \u00e0 capital, continua em marcha uma greve de fome, por turnos, dos principais l\u00edderes sindicais do campo. As negocia\u00e7\u00f5es ou entendimento entre as organiza\u00e7\u00f5es agr\u00e1rias e o governo est\u00e3o estancados.<\/em><\/p>\n<p><em>Este artigo ser\u00e1 publicado em tr\u00eas partes. Aqui vai a primeira entrega.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>De onde vem a maior greve da Hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>Desde novembro de 2020, na \u00cdndia, mais de 250 milh\u00f5es de trabalhadores do campo est\u00e3o em greve ou fazendo protestos, apoiados, inclusive, por alguns grandes sindicatos industriais do pa\u00eds. Esse n\u00famero merece uma explica\u00e7\u00e3o mais profunda para entender de onde ele vem. Nada t\u00e3o massivo surge somente das duas regi\u00f5es agr\u00e1rias mais pr\u00f3ximas de Nova D\u00e9lhi, como poder\u00edamos pensar em uma an\u00e1lise apressada. Mas h\u00e1 um processo que explora conflitos com protestos destas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>A convocat\u00f3ria foi seguida por, ao menos, 250 milh\u00f5es de trabalhadores, por isso, pode ser que seja a mais numerosa da Hist\u00f3ria. A origem de tudo \u00e9 a rejei\u00e7\u00e3o da reforma do campo e do mercado agr\u00edcola encabe\u00e7ada pelo Primeiro Ministro Narendra Modi, do Partido do Povo Indiano. Os trabalhadores assalariados do campo e os agricultores acreditam ter s\u00e9rias raz\u00f5es para temer que as reformas sufoquem suas condi\u00e7\u00f5es de vida, sob o pretexto de liberalizar e modernizar o campo.<\/p>\n<p>Os protestos culminaram em uma marcha dos agricultores em Nova D\u00e9lhi e centenas de milhares chegaram a bloquear as entradas da cidade (<u><a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/economia\/protestas-apertura-agricultura-india-cumplen-semana_1_6479601.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3\/dez\/2020<\/a><\/u>). Um bom n\u00famero segue acampando nos arredores da cidade com seus tratores e cortando o tr\u00e1fego constantemente. O governo indiano reprimiu brutalmente os protestos, usando canh\u00f5es de \u00e1gua, g\u00e1s lacrimog\u00eanio e grandes efetivos policiais. Esta repress\u00e3o foi condenada internacionalmente, com destaque para as palavras do Primeiro Ministro canadense, Justin Trudeau, em defesa dos direitos dos trabalhadores de se manifestarem pacificamente.<\/p>\n<p>Isto come\u00e7ou em novembro do ano passado: uma explos\u00e3o de viol\u00eancia na qual uma minoria enfrentou a pol\u00edcia e for\u00e7as de ordem p\u00fablica a pedradas teve, como resultado, uma pessoa morta e v\u00e1rias feridas.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, as reuni\u00f5es com representantes do governo t\u00eam sido infrut\u00edferas. O governo n\u00e3o cede e os representantes do campo tampouco se conformam com as vagas promessas do primeiro ministro Modi. Algumas das a\u00e7\u00f5es previstas pelos representantes dos grevistas para princ\u00edpios de fevereiro foram canceladas.<\/p>\n<p><strong>De onde vem o conflito?<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00cdndia, tudo \u00e9 grande, populoso, colorido e tem uma longa hist\u00f3ria que deve ser contemplada, ainda que seja feita em termos gerais em qualquer an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Desde 2014, o Partido do Povo Indiano, ou Bharatiya Janata Party (BJP), governa a \u00cdndia com maioria absoluta. Essa maioria foi alcan\u00e7ada nas \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es de 2019 (303 de 542 assentos) e segue um forte programa neoliberal, populista, no qual se exacerba o nacionalismo hindu. O partido??? o faz em muitas das suas iniciativas mais pol\u00eamicas, sem debate parlamentar, atrav\u00e9s do que seriam os decretos-lei na Espanha. Esta \u00e9 uma maneira de legislar que apenas passa pelo parlamento, onde pode modificar ou chegar a um consenso sobre as leis.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros, a \u00cdndia \u00e9 um pa\u00eds com mais de 1.360 milh\u00f5es de habitantes, onde quase a metade da popula\u00e7\u00e3o trabalha em zonas rurais ou subsiste nelas; e entre 45 e 80% da popula\u00e7\u00e3o ativa total trabalha em condi\u00e7\u00f5es de informalidade, sem o amparo do direito trabalhista.<\/p>\n<p>Na \u00cdndia, vive aproximadamente um ter\u00e7o dos pobres do planeta, ainda que o PIB do pa\u00eds seja o terceiro maior do mundo, segundo o FMI. N\u00e3o obstante, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a na\u00e7\u00e3o com o maior percentual de pessoas na extrema pobreza: a \u00cdndia cedeu esse posto \u00e0 Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>O setor agr\u00e1rio representa apenas uma quinta parte do PIB, apesar da quantidade da popula\u00e7\u00e3o que vive do que chamamos de zona rural e tamb\u00e9m habita nela. Na verdade, a \u00cdndia \u00e9 a quarta pot\u00eancia agr\u00edcola do mundo. Os principais cultivos s\u00e3o o trigo, pain\u00e7o, arroz, milho, cana-de-a\u00e7\u00facar, ch\u00e1, batata e algod\u00e3o, sendo o principal produtor de alguns destes. Tamb\u00e9m \u00e9 o segundo maior produtor mundial de gado bovino, o terceiro em ovino e o quarto em produ\u00e7\u00e3o pesqueira. Todos estes dados macroecon\u00f4micos e os 1.360 milh\u00f5es de consumidores indianos fazem da \u00cdndia uma fatia econ\u00f4mica interessante.<\/p>\n<p>Interessa entender o mundo agr\u00e1rio do pa\u00eds e fora dele. Interessa porque, na \u00cdndia, t\u00eam um desafio social enorme ligado ao agr\u00e1rio. O governo de Modi n\u00e3o parece enfocar o problema a partir dos interesses majorit\u00e1rios, tampouco a partir de uma l\u00f3gica superadora. O que o Partido do Povo Indiano legisla tem por tr\u00e1s o esp\u00edrito de liberalizar os mercados para que eles assignem os recursos (benef\u00edcios) aos agentes mais din\u00e2micos. Por\u00e9m, a realidade mostra que isso n\u00e3o funciona bem assim. A aflu\u00eancia de capital estrangeiro e a exist\u00eancia de empresas grandes e m\u00e9dias fazem que, unicamente, formem-se uns circuitos nos que os pequenos e m\u00e9dios agricultores ficar\u00e3o sequestrados. O roteiro que os especialistas lhes imp\u00f5em \u00e9 que no futuro a seguran\u00e7a alimentar da \u00cdndia n\u00e3o pode depender de uma agricultura minifundi\u00e1ria ou de subsist\u00eancia. Mas, isso quer dizer que a seguran\u00e7a alimentar da \u00cdndia ou do mundo passa por ceder diante das press\u00f5es das quatro irm\u00e3s do oligop\u00f3lio das sementes em n\u00edvel mundial e das demais corpora\u00e7\u00f5es envolvidas?<\/p>\n<p>Por isso, a grande hegemonia neoliberal, na sua forma de financeiriza\u00e7\u00e3o de toda atividade humana a escala planet\u00e1ria, faz tempo que se fixou na \u00cdndia para impor no pa\u00eds sua teoria econ\u00f4mica, seu credo pol\u00edtico e social e a redu\u00e7\u00e3o ao m\u00ednimo das pol\u00edticas p\u00fablicas, sob o lema das \u00b4virtudes do mercado e a livre competi\u00e7\u00e3o\u00b4. Desde os noventa que toda reforma tem esta tend\u00eancia pela centralidade e n\u00e3o o benef\u00edcio da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em um mundo onde a globaliza\u00e7\u00e3o ultracapitalista j\u00e1 colocou para cotizar todas as mat\u00e9rias primas b\u00e1sicas para a vida, a \u00cdndia \u00e9, portanto, um objetivo priorit\u00e1rio. Interessa como mercado produtor e como mercado importador. Interessa que se desequilibre e abrace o imperante modelo \u00fanico de desenvolvimento, coisa que o Partido do Povo Indiano representa perfeitamente.<\/p>\n<p>O impacto desta tend\u00eancia mundial no aspecto social em um pa\u00eds t\u00e3o complexo e densamente povoado n\u00e3o \u00e9 simples de descrever.<\/p>\n<p>O primeiro que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que\u00a0<strong>\u00e9 seis mil e quinhentas vezes maior que a Espanha<\/strong>\u00a0(6.500). Sua sociedade est\u00e1 muito fragmentada por classe, casta, religi\u00e3o, l\u00edngua e geografia, o que dificulta o auge dos discursos pol\u00edticos progressistas claros e compartilhados. \u00c9 como se na Espanha todos os principais povos, que desde o per\u00edodo neol\u00edtico at\u00e9 agora passaram pela pen\u00ednsula, houvessem sobrevivido. Como se tamb\u00e9m houvessem sobrevivido todas suas etnias, credos, l\u00ednguas e cosmovis\u00f5es. Esse \u00e9 o mosaico compar\u00e1vel a n\u00f3s nos termos mais pr\u00f3ximos. Diante de semelhante fragmenta\u00e7\u00e3o social, falta uma oposi\u00e7\u00e3o que ofere\u00e7a alternativas ao programa oficial e canalize a solidariedade com os mais marginalizados. Tudo est\u00e1 fragmentado, exceto o medo.<\/p>\n<p>O medo ao futuro \u2014 tamb\u00e9m na \u00cdndia\u2014 reaviva nessas terras os movimentos tot\u00eamicos ou diferenciadores. Movimentos que veem o seu como\u00a0<em>o \u00fanico<\/em>. Neste sentido, as castas, religi\u00f5es, l\u00ednguas, etc., dificultam a empatia perante os padecimentos dos que s\u00e3o vistos como \u201cos outros\u201d (ou os\u00a0<em>n\u00e3o eu<\/em>). Este \u00e9 o cen\u00e1rio humano ideal para um governo como o do Bharatiya Janata Party e seu primeiro ministro Modi.<\/p>\n<p>No contexto da greve comentada, as estruturas legais e de costume existentes na \u00cdndia, que t\u00eam aguentado o fr\u00e1gil equil\u00edbrio social at\u00e9 agora, atrapalham as corpora\u00e7\u00f5es da agroind\u00fastria mundial e os fundos de invers\u00e3o mercen\u00e1rios desde os anos noventa.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros macro do pa\u00eds obrigam a andar com cautela dado o tamanho da popula\u00e7\u00e3o e os desequil\u00edbrios sociais que escondem.<\/p>\n<p>Quase 600 milh\u00f5es de indianos dependem do campo e, por sua vez, a metade deles depende dele diretamente para a subsist\u00eancia alimentar di\u00e1ria, em pequenas fazendas pessoais ou familiares. Nestas mini fazendas, o excedente \u2014 se chega a existir \u2014 chega aos mercados locais para sua comercializa\u00e7\u00e3o direta ou informal (economia paralela ou mercado negro). Ali, realizam-se trocas ou vendas ao consumidor para cobrir as outras necessidades dos produtores. E n\u00e3o poderia ser de outro modo porque pouca gente possui conta banc\u00e1ria, cart\u00f5es de cr\u00e9dito ou meios de pagamento eletr\u00f4nicos. De fato, a imensa maioria dos trabalhadores (<u><a href=\"http:\/\/www.cipi.cu\/articuloproceso-de-desmonetizacion-de-la-economia-india-repercusiones\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">86%, segundo o Banco Mundial<\/a><\/u>) recebe seus sal\u00e1rios de maneira informal e em esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Sob o pretexto da luta contra a falsifica\u00e7\u00e3o, a fraude fiscal e a economia paralela, o primeiro ministro Modi mandou, em 2016, desmonetizar a economia indiana, retirando, da noite para o dia, as c\u00e9dulas de quinhentas e de mil r\u00fapias (7 e 14 d\u00f3lares, aproximadamente), substituindo-as por outras novas e provocando que os mais pobres ficassem ainda mais desamparados. O sofrimento humano foi indescrit\u00edvel. A escassez de dinheiro em esp\u00e9cie levou a emerg\u00eancias m\u00e9dicas e pessoais. Os jornais ecoaram o problema. O predecessor de Modi, Manmohan Singh, qualificou o epis\u00f3dio de \u201cpilhagem organizada e roubo legalizado\u201d.<\/p>\n<p><u><a href=\"https:\/\/ideas.pwc.es\/archivos\/20181219\/que-paso-en-la-india-despues-de-eliminar-el-dinero-en-efectivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Segundo um relat\u00f3rio da PWC<\/a><\/u><em>\u00a0\u201cem uma economia amplamente informal, as pessoas mais vulner\u00e1veis n\u00e3o fazem pagamentos digitais. A desmonetiza\u00e7\u00e3o foi, para eles, uma opera\u00e7\u00e3o mal pensada e cruel por causa dos danos causados \u00e0s pessoas e \u00e0 economia indiana. Ao fim de dois anos, os benef\u00edcios n\u00e3o parecem haver compensado as enormes perdas financeiras e o sofrimento humano. Apesar dos meses de ang\u00fastia generalizada para a popula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve dist\u00farbios importantes nem incidentes violentos\u201d.<\/em>\u00a0Em resumo, inclusive a PriceWaterhouseCoopers, empresa de consultoria que est\u00e1 proibida de realizar trabalhos cont\u00e1beis na \u00cdndia durante dois anos, por causa de alguns esc\u00e2ndalos, veio descrever o fracasso da medida ou que o fim n\u00e3o justifica os meios.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2019, neste caleidosc\u00f3pio de religi\u00f5es, etnias, matizes culturais e dos seus conflitos internos e externos, Modi promulga a\u00a0<em>Lei de Emenda da Cidadania<\/em>. Em ess\u00eancia, essa lei regula a concess\u00e3o da cidadania indiana \u00e0s pessoas que sofram persegui\u00e7\u00e3o religiosa em tr\u00eas pa\u00edses vizinhos (Paquist\u00e3o, Afeganist\u00e3o e Bangladesh). A lei exclui, especificamente, os 200 milh\u00f5es de mu\u00e7ulmanos que existem na \u00cdndia e visa que sejam consideradas \u00b4ilegais\u00b4 as pessoas que n\u00e3o possam demonstrar sua origem no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Houve mortos e muitas centenas de feridos nas revoltas contra a controvertida lei que discrimina a popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana minorit\u00e1ria no pa\u00eds e que percebeu na lei um arranque de limpeza \u00e9tnica. Por\u00e9m, o Partido do Povo Indiano, de ideologia nacionalista hindu, perseverou no seu impulso excludente e racista promulgando uma lei, no estado de Uttar Pradesh, que castiga com penas de dez anos pris\u00e3o \u201c<em>os casamentos inter-religiosos cuja inten\u00e7\u00e3o seja mudar a religi\u00e3o da mulher\u201d.<\/em>\u00a0Pretende lutar contra a suposta \u00b4jihad do amor\u00b4 da minoria mu\u00e7ulmana. Esta paranoica teoria conspirativa acusa os homens mu\u00e7ulmanos de enganar e for\u00e7ar \u00e0s mulheres hindus para convert\u00ea-las ao islam. Esta teoria circula h\u00e1 anos entre os extremistas hindus, mas que o governo de Modi d\u00e1 cara de realidade combatendo-a com suas delirantes leis. Os estados de Madhya Pradesh, Haryana ou Karnataka j\u00e1 anunciaram regula\u00e7\u00f5es parecidas.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e3o as coisas na \u00cdndia hoje em dia, em 2021?<\/strong><\/p>\n<p>No dia 12 de janeiro de 2021, o Supremo Tribunal indiano suspendeu as leis que provocaram os protestos dos camponeses.<\/p>\n<p>Os ju\u00edzes tentam, com esta resolu\u00e7\u00e3o, desbloquear o pa\u00eds e as falidas negocia\u00e7\u00f5es entre manifestantes e o governo. Uns pedem, sem ceder, a revoga\u00e7\u00e3o total das tr\u00eas leis que consideram ser anticamponesas. Por sua vez, o governo pediu \u00e0 Justi\u00e7a que declare ilegais os protestos que, desde novembro, bloqueiam algumas das entradas da capital e amea\u00e7am com recrudescer o conflito quando as for\u00e7as de ordem p\u00fablica participam de maneira mais violenta. Mais recentemente, a pol\u00edcia teve uma resposta muito dura diante das a\u00e7\u00f5es das pessoas que acudiram \u00e0 Nova D\u00e9lhi para se manifestar. Do outro lado, alegam que j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o protestos pac\u00edficos.<\/p>\n<p>A resolu\u00e7\u00e3o judicial ordena a cria\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea de especialistas em mat\u00e9ria agr\u00edcola encarregados de solucionar as diferen\u00e7as sobre o alcance da legisla\u00e7\u00e3o e se obriga a escutar as partes envolvidas para orientar os ju\u00edzes na sua decis\u00e3o final sobre as pol\u00eamicas leis. Por\u00e9m, os representantes dos manifestantes se recusam, pelo momento, a participar porque rejeitam os especialistas escolhidos e consideram que tudo est\u00e1 enviesado a favor da vis\u00e3o oficialista. N\u00e3o esperam nada bom desse comit\u00ea. Por isso, n\u00e3o interrompem seus protestos e persistem em greve de fome.<\/p>\n<p>Muitos outros assuntos deveriam chegar ao Supremo da \u00cdndia. Ultrapassa o objetivo deste texto enumer\u00e1-los. Entretanto, \u00e9 evidente que, por tr\u00e1s dos grandes conflitos econ\u00f4micos com impacto social, est\u00e3o os ventos que dominam a financeiriza\u00e7\u00e3o da vida no planeta. Apenas procuram maximizar os benef\u00edcios e forjar um controle f\u00e9rreo de tudo que \u00e9 vital nas m\u00e3os de uns poucos. Uma corrente mental que n\u00e3o atende as necessidades humanas vistas no seu conjunto, para avan\u00e7ar na melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida n\u00e3o somente do ponto de vista da economia. Um atua\u00e7\u00e3o que n\u00e3o elimina os desequil\u00edbrios \u2014 tampouco na \u00cdndia, como se pode ver \u2014 mas que destr\u00f3i como elefante em uma loja de porcelana, eliminando todo estorvo ao que chamam de \u00b4livre com\u00e9rcio\u00b4.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o objetivo fazer aqui uma cr\u00f4nica negativa sobre a \u00cdndia. As coisas est\u00e3o melhor agora do que na \u00e9poca dos ingleses. A \u00cdndia tem oscilado entre crescimento social e desenvolvimento econ\u00f4mico durante os \u00faltimos setenta anos, ainda que as considera\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas sempre hajam superado as sociais.<\/p>\n<p>Uma vez independente, em 1947, o governo de Nehru imp\u00f4s um roteiro pol\u00edtico social-democrata com uma forte planifica\u00e7\u00e3o central. A \u00cdndia passou a ser pa\u00eds democr\u00e1tico regido por umas estritas regras econ\u00f4micas, um governo r\u00edgido centralizado, um mercado e distribui\u00e7\u00e3o controlados e com barreiras para a entrada de empresas e capitais estrangeiros. Para alguns analistas, esta foi a linha seguida at\u00e9 pouco antes dos anos noventa. Este primeiro per\u00edodo trouxe melhorias nos aspectos sociais, tais como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e uma pequena melhora das infraestruturas. At\u00e9 a independ\u00eancia, a Inglaterra s\u00f3 havia constru\u00eddo infraestruturas para a explora\u00e7\u00e3o dos seus recursos e o dom\u00ednio do territ\u00f3rio colonial. Parecido ao que agora faz a China na \u00c1frica e Am\u00e9rica do Sul quando investe nessas zonas do mundo.<\/p>\n<p>Desde os oitenta e noventa, tudo mudou muito. O FMI e as outras for\u00e7as do capital internacional obrigaram a \u00cdndia a se abrir. Muitas ind\u00fastrias que j\u00e1 n\u00e3o eram toler\u00e1veis no Ocidente, por causa do seu impacto ambiental e na sa\u00fade humana, acabaram indo para o Terceiro Mundo. Tamb\u00e9m para a \u00cdndia, ansiosa para crescer. Os capitais voltaram a investir em infraestruturas para a exporta\u00e7\u00e3o e o transporte do que a \u00cdndia aporta ao mundo ou necessita dele.<\/p>\n<p>A respeito desse tipo de modelo de desenvolvimento, \u00e9 necess\u00e1rio recordar aqui o desastre de Bopal, em 1984. Uma limpeza e manuten\u00e7\u00e3o insuficientes provocados pela corrup\u00e7\u00e3o nos organismos de inspe\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a causou uma grande fuga de isocianato de metila em uma planta de pesticidas, propriedade \u2014 em parte \u2014 da estadunidense Union Carbide e do pr\u00f3prio governo da \u00cdndia. Entre 60.000 e 80.000 pessoas morreram na primeira semana depois do vazamento t\u00f3xico. Ao menos outras 12.000 faleceram posteriormente, como consequ\u00eancia direta do desastre. Em total, mais de 600.000 pessoas foram afetadas, al\u00e9m dos milhares de cabe\u00e7as de gado e animais dom\u00e9sticos que pereceram. O meio ambiente ficou seriamente contaminado pelas subst\u00e2ncias t\u00f3xicas e metais pesados despejados, que tardar\u00e3o muitos anos em desaparecer por completo. N\u00e3o h\u00e1 maneira de compreender semelhante Armagedon, ainda que fosse um acidente. Visto a partir da \u00cdndia, este \u00e9 o mundo dos mercadores da morte. Tamb\u00e9m o vemos agora\u00a0<em>em fogo lento<\/em>\u00a0nos nossos oceanos, no ar, terras e aqu\u00edferos. Onde fica essa grande mentira de que o mercado se regula sozinho e que favorece aos mais aptos e eficazes.<\/p>\n<p>O que ocorre nos campos da \u00cdndia e seus homens e mulheres pode ser resumido em uma frase: ang\u00fastia, porque veem que a evolu\u00e7\u00e3o que o governo e as multinacionais lhes oferecem a colheradas tamb\u00e9m lhes deixar\u00e1 na sarjeta. Os primeiros que sentiram o alarme foram as pessoas das regi\u00f5es do Punjab e Haryana, de onde s\u00e3o a maioria dos manifestantes que se mobilizaram.<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o urbana ainda se sente distante do problema. N\u00e3o sabe se estar com eles ou com o governo. Em Nova D\u00e9lhi, a vida decorre com a incomodidade dos agricultores acampados nos arredores, desde novembro. Seus tratores atrapalhando provocar\u00e3o a ira de muitos. Por\u00e9m, esta indiferen\u00e7a \u00e9 imprudente. Que ocorrer\u00e1 se virmos imigra\u00e7\u00f5es maci\u00e7as dentro da \u00cdndia? Que ocorrer\u00e1 com a vida nas cidades se uns duzentos milh\u00f5es de indianos de todas as regi\u00f5es eminentemente agr\u00edcolas acabem migrando maci\u00e7amente para as zonas industrializadas do pa\u00eds? Ser\u00e3o tratados como invasores ou indocumentados e ser\u00e3o repatriados? Mas, se j\u00e1 est\u00e3o na sua p\u00e1tria, o \u00fanico \u00e9 que os indianos mais ricos lhes ter\u00e3o roubado sua vida. N\u00f3s tamb\u00e9m emigrar\u00edamos para as cidades como eles. Na Espanha, sucedeu nos anos sessenta e setenta. S\u00f3 que aqui n\u00e3o somos um pa\u00eds com mais de 1.300 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>A \u00cdndia n\u00e3o fica t\u00e3o longe nem nos \u00e9 t\u00e3o alheia. O nosso campo e nossa ind\u00fastria passaram por uma evolu\u00e7\u00e3o parecida. Nunca houve uma verdadeira transforma\u00e7\u00e3o industrial ou agr\u00e1ria no nosso pa\u00eds. Aqui, a liberaliza\u00e7\u00e3o trouxe, principalmente, concentra\u00e7\u00e3o e oligop\u00f3lios que n\u00e3o nos modernizaram. Nem sequer isso, que \u00e9 o\u00a0<em>slogan<\/em>\u00a0principal dos seus partid\u00e1rios. Cada vez mais, o Estado \u00e9 inoperante na hora de defender os interesses estrat\u00e9gicos ou o bem comum. Algo dif\u00edcil quando, do outro lado, h\u00e1 empresas e fundos com mais poder econ\u00f4mico que o nosso pr\u00f3prio Estado. Passamos a ser um pa\u00eds exportador de produtos do campo, de servi\u00e7os, de sol e de turismo. N\u00e3o parece prov\u00e1vel que tampouco o governo da \u00cdndia encaminhe o conflito a favor do seu povo. O mais prov\u00e1vel \u00e9 que a elite governante e os interesses que representa entregue a \u00cdndia ao mercado em troca de um cr\u00e9dito em curto prazo.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns dias, os manifestantes da maior greve da hist\u00f3ria cancelaram a marcha rumo ao Parlamento que estava prevista para a primeira semana de fevereiro. Os incidentes violentos e enfrentamentos com a pol\u00edcia de uma minoria separada dos grevistas deixaram uma pessoa morta e centenas de feridos. Para deixar claro que rejeitam a viol\u00eancia e que esse n\u00e3o \u00e9 seu caminho, cancelaram a marcha ao Parlamento que se pretendia fazer de maneira firme e multitudin\u00e1ria, por\u00e9m pac\u00edfica.<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<h6><a href=\"https:\/\/www.icesi.edu.co\/india\/contenido\/pdfs\/ponencias\/Crecimiento%20y%20Desarrollo%20Economico%20de%20la%20India%20-%20Hernan%20Betancur.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.icesi.edu.co\/india\/contenido\/pdfs\/ponencias\/Crecimiento%20y%20Desarrollo%20Economico%20de%20la%20India%20-%20Hernan%20Betancur.pdf<\/a><\/h6>\n<h6><u><a href=\"https:\/\/www.eldiario.es\/economia\/supremo-indio-suspende-leyes-desataron-protestas-campesinos_1_6744982.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.eldiario.es\/economia\/supremo-indio-suspende-leyes-desataron-protestas-campesinos_1_6744982.html<\/a><\/u><\/h6>\n<h6><u><a href=\"https:\/\/ideas.pwc.es\/archivos\/20181219\/que-paso-en-la-india-despues-de-eliminar-el-dinero-en-efectivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ideas.pwc.es\/archivos\/20181219\/que-paso-en-la-india-despues-de-eliminar-el-dinero-en-efectivo\/<\/a><\/u><\/h6>\n<h6><u><a href=\"http:\/\/www.cipi.cu\/articuloproceso-de-desmonetizacion-de-la-economia-india-repercusiones\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.cipi.cu\/articuloproceso-de-desmonetizacion-de-la-economia-india-repercusiones<\/a><\/u><\/h6>\n<h6><u><a href=\"https:\/\/santandertrade.com\/es\/portal\/analizar-mercados\/india\/politica-y-economia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/santandertrade.com\/es\/portal\/analizar-mercados\/india\/politica-y-economia<\/a><\/u><\/h6>\n<hr \/>\n<p><em>Traduzido do espanhol para o portugu\u00eas por Gra\u00e7a Pinheiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As zonas rurais na \u00cdndia est\u00e3o em ebuli\u00e7\u00e3o desde novembro do ano passado. 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