{"id":1293202,"date":"2021-02-07T22:05:39","date_gmt":"2021-02-07T22:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1293202"},"modified":"2021-02-07T22:05:39","modified_gmt":"2021-02-07T22:05:39","slug":"javier-tolcachier-a-comunicacao-alternativa-a-partir-da-experiencia-de-pressenza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2021\/02\/javier-tolcachier-a-comunicacao-alternativa-a-partir-da-experiencia-de-pressenza\/","title":{"rendered":"Javier Tolcachier: a comunica\u00e7\u00e3o alternativa a partir da experi\u00eancia de Pressenza"},"content":{"rendered":"<p><em>No marco do Ciclo de Debates sobre Comunica\u00e7\u00e3o Alternativa, Javier Tolcachier, integrante de Pressenza, nos brindou com uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre a experi\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><em>Esses semin\u00e1rios em forma\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e contra o neoliberalismo educativo, totalmente abertos e gratuitos, s\u00e3o organizados pelo Centro Internacional de Investigaci\u00f3n \u2013 Otras Voces en Educaci\u00f3n (CII-OVE,) em parceria com as organiza\u00e7\u00f5es CEIP-H, MAEEC, Masa Critica, Savia, Kavilando, Mujer Pueblo-Magisterio, vice-reitoria de extens\u00e3o da Universidad de Panam\u00e1, Emancipaci\u00f3n, CIPCAL, coletivo Kaichuk Mat Dha, Red Global\/Glocal pela qualidade educativa e o coletivo CENTRO MARTIN LUTHER KING-Uruguai<\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/sWVBvf-k5CE\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Tolcachier indicou a necessidade de incluir a comunica\u00e7\u00e3o como um t\u00f3pico fundamental da Educa\u00e7\u00e3o, para que se consiga fortalecer o potencial educativo diante do choque permanente de conte\u00fados difundidos pelas m\u00eddias corporativas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de comentar sobre a origem doutrin\u00e1ria da a\u00e7\u00e3o comunicacional de Pressenza, baseado nos ensinamentos do argentino Mario Luis Rodr\u00edguez Cobos, mais conhecido pelo seu pseud\u00f4nimo Silo, mencionou a necessidade de ampliar a difus\u00e3o da n\u00e3o viol\u00eancia preparando o mundo que vir\u00e1, mundo esse \u201cque se anuncia como intensamente multicultural e intercultural, de igualdade, de diversidade, de horizontalidade entre pessoas, g\u00eaneros, povos e culturas\u201d.<\/p>\n<p>Em sua explana\u00e7\u00e3o, desenvolveu as estrat\u00e9gias colaborativas adotadas pela ag\u00eancia, assim como o empenho dedicado em processos formativos na comunica\u00e7\u00e3o para a n\u00e3o viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O colunista enfatizou a necessidade de nos prepararmos e a esse horizonte que desponta atrav\u00e9s da percep\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o estrutural entre a interioridade humana e as situa\u00e7\u00f5es sociais e de trabalhar para transform\u00e1-las, simultaneamente, a partir de um sentido de humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Reproduzimos, a seguir, o texto integral da apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o alternativa e processo educativo<\/strong><\/p>\n<p>O \u00fanico sentido evolutivo poss\u00edvel da Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um sentido emancipador, um sentido que esteja orientado para a transforma\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es dadas e da supera\u00e7\u00e3o daqueles fatores que produzem dor e sofrimento pessoal e social. Um sentido que permita crescer aprendendo sem limites.<\/p>\n<p>Citando Paulo Freire, refor\u00e7a que a educa\u00e7\u00e3o verdadeira \u00e9 \u201cpr\u00e1xis, reflex\u00e3o e a\u00e7\u00e3o do homem sobre o mundo para transform\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>Os processos de comunica\u00e7\u00e3o alternativa buscam um objetivo similar, acompanhando lutas sociais justas, abrindo a consci\u00eancia a novas possibilidades, rebelando-se a discursos monop\u00f3licos cujo prop\u00f3sito \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es indignas e ultrapassadas.<\/p>\n<p>Ambos os processos, o educativo-emancipador e o da comunica\u00e7\u00e3o alternativa t\u00eam em comum algumas ferramentas, como os significantes e significados, que n\u00e3o somente transmitem e transferem conte\u00fados, mas que os desconstroem e reconstroem criticamente para ajudar a forjar novas possibilidades de realidade.<\/p>\n<p>Assim como o aprendizado n\u00e3o fica circunscrito aos espa\u00e7os educativos formais, tampouco os c\u00f3digos transmitidos neles est\u00e3o imunes ao espa\u00e7o comunicacional. Espa\u00e7o que hoje tudo abarca, desde o momento em que nos levantamos at\u00e9 a hora em que vamos para a cama, onde quer que estejamos.<\/p>\n<p>Portanto, para obter \u00eaxito formativo, entendemos que a educa\u00e7\u00e3o deveria incorporar a comunica\u00e7\u00e3o aos seus objetivos de estudos, j\u00e1 que ela pode ser uma aliada de peso ou uma concorrente letal.<\/p>\n<p>Com certeza, a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o se reduz aos modelos mediado ou intermediado ao que nos estamos referindo at\u00e9 agora. Ainda que seja \u00f3bvio, \u00e9 importante fazer refer\u00eancia tamb\u00e9m \u00e0 fundamental import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o direta, o di\u00e1logo e seu manejo suave por parte de todos os atores de qualquer processo grupal, seja ele educativo ou pol\u00edtico, portanto, a relev\u00e2ncia do tema sugere sempre uma especial aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltando ao eixo central desta apresenta\u00e7\u00e3o, diremos que o \u00e2mbito educativo pode ser um grande aliado da comunica\u00e7\u00e3o no sentido transformador, ao fortalecer desde os primeiros anos de aprendizagem um sentido cr\u00edtico e esclarecedor da inten\u00e7\u00e3o que fundamentam a toda produ\u00e7\u00e3o, seja ela a comunica\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o do protesto, da resist\u00eancia ou a eminentemente subjetiva, como s\u00e3o a informa\u00e7\u00e3o e a comunica\u00e7\u00e3o em seu sentido mais amplo.<\/p>\n<p>Essa revela\u00e7\u00e3o de inten\u00e7\u00f5es, que constituem a verdadeira mat\u00e9ria-prima da hist\u00f3ria humana, leva-nos a comentar a perspectiva da comunica\u00e7\u00e3o que permeia as atividades da nossa ag\u00eancia, a Pressenza.<\/p>\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o a partir de uma perspectiva de n\u00e3o viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>A Pressenza \u00e9 uma ag\u00eancia internacional de not\u00edcias de esp\u00edrito humanista que d\u00e1 visibilidade, prioritariamente, a acontecimentos, iniciativas, propostas e situa\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 Paz, a N\u00e3o Viol\u00eancia, ao Desarmamento, aos Direitos Humanos e \u00e0 luta contra toda forma de Discrimina\u00e7\u00e3o. Posiciona o ser humano como valor e preocupa\u00e7\u00e3o central e celebra a diversidade. \u00c9 assim que prop\u00f5e um jornalismo ativo e l\u00facido que respeite essas premissas essenciais, visando a resolu\u00e7\u00e3o das crises e conflitos sociais em todas as latitudes.<\/p>\n<p>Nesse sentido, divulga estudos, an\u00e1lises e a\u00e7\u00f5es que contribuam para a paz mundial e a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia; priorizando o desarmamento nuclear e convencional, a resolu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de conflitos, sua preven\u00e7\u00e3o e a retirada dos territ\u00f3rios ocupados.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, denuncia todos os acontecimentos e situa\u00e7\u00f5es que provocam dor e sofrimento nas popula\u00e7\u00f5es, tentando decifrar e transformar as causas desses eventos sociais, indo al\u00e9m de sermos meros espectadores.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia nasce em 2008 para servir de suporte informativo \u00e0 1\u00aa. Marcha Mundial pela Paz e a N\u00e3o Viol\u00eancia. Tanto a ag\u00eancia como aquele ato, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de pessoas em n\u00edvel planet\u00e1rio, foram impulsadas pelo Movimento Humanista.<\/p>\n<p>Esse movimento coloca entre seus principais postulados o ser humano como valor e preocupa\u00e7\u00e3o central e tem suas origens nos ensinamentos de Silo, quem, ao longo de 50 anos, desenvolveu uma doutrina e uma pr\u00e1xis com tend\u00eancia \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea do indiv\u00edduo e da sociedade.<\/p>\n<p>Dentre suas principais contribui\u00e7\u00f5es, est\u00e1 o tema da intencionalidade como elemento definidor do humano, quest\u00e3o que \u00e9 tribut\u00e1ria da fenomenologia husserliana. Indo mais longe, Silo prop\u00f5e como defini\u00e7\u00e3o do ser humano a de \u201cum ser hist\u00f3rico, cujo modo de a\u00e7\u00e3o social transforma sua pr\u00f3pria natureza\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das m\u00faltiplas implica\u00e7\u00f5es dessa defini\u00e7\u00e3o, essa premissa \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia para qualquer processo de transmiss\u00e3o de conte\u00fados, seja ele educativo ou comunicacional.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o da intencionalidade de um ser humano o \u201ccoisifica\u201d, converte-o em objeto e constitui o pano de fundo da viol\u00eancia, em qualquer das suas m\u00faltiplas formas: viol\u00eancia f\u00edsica, econ\u00f4mica, psicol\u00f3gica, \u00e9tnica, religiosa ou moral.<\/p>\n<p>Assim \u00e9 que o humanismo maneja (por coer\u00eancia com sua pr\u00f3pria l\u00f3gica doutrin\u00e1ria) a n\u00e3o viol\u00eancia como \u00fanica metodologia poss\u00edvel para a rela\u00e7\u00e3o entre os seres humanos e seus motivos inerentes para transforma\u00e7\u00e3o de tudo o que lhe \u00e9 atribu\u00eddo.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso aqui expurgar outro preconceito que costuma vir associado \u00e0 n\u00e3o viol\u00eancia, relacionando-a com atitudes passivas, contemplativas, ing\u00eanuas ou reduzidas a um pacifismo desconectado das contradi\u00e7\u00f5es sociais, que est\u00e3o na base do militarismo.<\/p>\n<p>A N\u00e3o Viol\u00eancia \u00e9, eminentemente, ativa, transformadora e, por sua pr\u00f3pria postura, tem a estatura moral indiscut\u00edvel para reunir o apoio dos grandes conjuntos. E, na pr\u00e1tica social, vemos que hoje isto j\u00e1 se consolidou como um consenso entre os povos.<\/p>\n<p>Essa atitude n\u00e3o violenta deve ser comunicada, deve ampliar sua influ\u00eancia, deve fortalecer a compreens\u00e3o e a f\u00e9 no seu potencial transformador. Para instalar uma cultura de n\u00e3o viol\u00eancia, que sirva de sustento para as pr\u00f3ximas etapas da esp\u00e9cie, \u00e9 preciso mostrar que diariamente s\u00e3o suscitados milh\u00f5es de fatos n\u00e3o violentos e geradas matrizes de informa\u00e7\u00e3o que contrabalancem a manipula\u00e7\u00e3o dos aparatos midi\u00e1ticos do poder violento, interessados em justificar sua ileg\u00edtima a\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia.<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o de Pressenza n\u00e3o se esgota ao denunciar a viol\u00eancia estabelecida em suas m\u00faltiplas formas, mas tamb\u00e9m, em um sentido propositivo, visa informar sobre alternativas embrion\u00e1rias ou j\u00e1 em curso, para consolidar horizontes de transforma\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o prop\u00f3sito de comunicar explicitamente a partir da n\u00e3o viol\u00eancia \u00e9 alentar a aderir, de modo consciente, a essa atitude de vida, multiplicando as possibilidades para que os conjuntos possam se unir \u00e0s tentativas de mudan\u00e7a do seu entorno. Da mesma maneira, a comunica\u00e7\u00e3o de uma perspectiva de n\u00e3o viol\u00eancia tem como miss\u00e3o persuadir sobre a necessidade de coer\u00eancia e reflex\u00e3o sobre si mesmo, sobre os conte\u00fados da pr\u00f3pria interioridade que devem acompanhar, mas que, se n\u00e3o forem suficientemente avisados, retardam ou impedem a ansiada transforma\u00e7\u00e3o social e hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>Processos formativos de Comunica\u00e7\u00e3o para a N\u00e3o Viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Um aspecto-chave da a\u00e7\u00e3o da Pressenza \u00e9 promover processos formativos relacionados \u00e0 N\u00e3o Viol\u00eancia e sua tradu\u00e7\u00e3o, no campo da comunica\u00e7\u00e3o. Essa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para atender aos seus prop\u00f3sitos informativos de maneira adequada, mas tamb\u00e9m para difundir e desenvolver metodologias de aprendizagem que ajudem a conformar e consolidar uma atitude humanista como modo de rela\u00e7\u00e3o interpessoal e social.<\/p>\n<p>O ponto de partida desses processos formativos \u00e9 desalojar o preconceito de que a viol\u00eancia \u00e9 parte da natureza no ser humano, j\u00e1 que, caso esse pr\u00e9-di\u00e1logo inflex\u00edvel se afirme, qualquer esfor\u00e7o de supera\u00e7\u00e3o perde todo o sentido. E se esse axioma nocivo se sustenta, ser\u00e1 dif\u00edcil aceitar que as pessoas tamb\u00e9m possam ser generosas ou solid\u00e1rias, ou que possam colaborar entre si, j\u00e1 que uma suposta \u201cnatureza\u201d violenta impediria tais atitudes. E, caso se aceitasse que o ser humano pudesse ser de um modo ou de outro, ent\u00e3o, na sua \u201cnatureza\u201d estaria a possibilidade de escolher ou n\u00e3o a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A assertiva \u00e9 de que a viol\u00eancia \u00e9 intr\u00ednseca \u00e0 conduta humana e a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o da natureza humana tem sido usada para justificar atrocidades e erros, com base em naturezas supostamente diferentes, classificadas por uma ordem supostamente pr\u00e9-estabelecida, cujos int\u00e9rpretes moralistas e mandat\u00e1rios imorais foram geralmente colocados no topo da escala.<\/p>\n<p>Sobre o tema da \u201cnatureza humana\u201d, \u00e9 conveniente ilustrar o particular com uma breve cita\u00e7\u00e3o de Silo:<\/p>\n<p><em>\u201cA amplia\u00e7\u00e3o do horizonte temporal da consci\u00eancia humana permite a ela atrasos diante dos est\u00edmulos e a localiza\u00e7\u00e3o deles em um espa\u00e7o mental complexo, permitindo o posicionamento de delibera\u00e7\u00f5es, compara\u00e7\u00f5es e resultantes fora do campo perceptual imediato.<\/em><\/p>\n<p><em>Em outras palavras: no ser humano n\u00e3o existe \u2018natureza\u2019 humana, a menos que essa \u2018natureza\u2019 seja considerada como uma capacidade diferente da capacidade animal de mover-se entre tempos fora do horizonte de percep\u00e7\u00e3o. Dito de outra maneira: se h\u00e1 algo \u2018natural\u2019 no ser humano, n\u00e3o \u00e9 no sentido mineral, vegetal ou animal, mas no sentido de que o natural nele \u00e9 a mudan\u00e7a, a hist\u00f3ria, a transforma\u00e7\u00e3o. Tal ideia de mudan\u00e7a n\u00e3o se enquadra adequadamente na no\u00e7\u00e3o de \u2018natureza\u2019 e por esta raz\u00e3o preferimos n\u00e3o usar esta palavra como tem sido usada e com a qual numerosas deslealdades para com os seres humanos t\u00eam sido justificadas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>E em um trecho mais adiante ele afirma:<\/p>\n<p><em>\u201cEstamos a uma grande dist\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o de natureza humana. Estamos no oposto. Quero dizer, se o natural havia asfixiado o humano, sujeito a uma ordem imposta com a ideia do permanente, agora estamos dizendo o contr\u00e1rio: que o natural deve ser humanizado e que essa humaniza\u00e7\u00e3o do mundo faz do homem um criador de sentido, de dire\u00e7\u00e3o, de transforma\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong><em>[1]<\/em><\/strong><\/a><\/p>\n<p>A partir da rela\u00e7\u00e3o estrutural entre a consci\u00eancia humana e o mundo, tendo como ponto de partida uma necessidade evidente nos seres humanos de modificar as condi\u00e7\u00f5es de vida, constr\u00f3i-se uma concep\u00e7\u00e3o que permite pensar na din\u00e2mica da evolu\u00e7\u00e3o pessoal e social para sociedades e sujeitos sociais n\u00e3o violentos.<\/p>\n<p>Deste ponto de vista, assim como o ser humano \u00e9 concebido em uma influ\u00eancia \u00edntima e rec\u00edproca com o ambiente que o cerca, da mesma forma que o campo da interioridade humana \u00e9 apreciado em uma liga\u00e7\u00e3o permanente com a exterioridade circundante.<\/p>\n<p>Por isso, a forma\u00e7\u00e3o na atitude n\u00e3o violenta atua para a supera\u00e7\u00e3o de fatores pessoais, interpessoais e sociais que geram dor e sofrimento, fatores que, ao se projetarem, realimentam a viol\u00eancia interna e externa.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, nosso prop\u00f3sito \u00e9 o de que, atrav\u00e9s de processos formativos na n\u00e3o viol\u00eancia e da pr\u00e1tica comunicacional, esse modo de comunicar atue sobre ambos os termos de uma comunica\u00e7\u00e3o dial\u00f3gica, operando transforma\u00e7\u00f5es n\u00e3o somente em quem recebe uma informa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em quem a produz.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias e desenvolvimento da Pressenza<\/strong><\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o, Pressenza se apoiou em virtudes provenientes da acumula\u00e7\u00e3o de processo do Movimento Humanista: a forma\u00e7\u00e3o, o voluntariado de seus integrantes e a possibilidade de contar com correspondentes em distintos pa\u00edses e culturas.<\/p>\n<p>Quanto ao voluntariado, essa n\u00e3o \u00e9 apenas uma caracter\u00edstica de ordem, sem d\u00favida, pr\u00e1tica, que permiti contar com a colabora\u00e7\u00e3o de centenas de comunicadores militantes e expandir-se sem limites. A atitude volunt\u00e1ria implica generosidade, fazendo com que se tenha um estilo de vida pr\u00f3prio que desafia os valores impostos por um sistema mesquinho.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m da necessidade de sobreviv\u00eancia, que poderia ser perfeitamente coberta com a distribui\u00e7\u00e3o equitativa do que \u00e9 socialmente produzido (que atualmente excede em muito as necessidades de toda a popula\u00e7\u00e3o mundial), o humanismo se rebela contra a cren\u00e7a que serve de base a toda forma de aliena\u00e7\u00e3o humana: Ou seja, que toda a\u00e7\u00e3o produtiva deve corresponder a uma retribui\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e que esta retribui\u00e7\u00e3o, portanto, converte-se em uma motiva\u00e7\u00e3o central para a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Por sua vez, a a\u00e7\u00e3o militante volunt\u00e1ria coloca a ag\u00eancia em total liberdade de a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o devendo ajustar sua linha editorial a nenhum mecenas permanente ou ocasional.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 presen\u00e7a internacional, al\u00e9m da import\u00e2ncia de poder proporcionar informa\u00e7\u00e3o a partir de distintos continentes, na atualidade em nove (9) idiomas, contextualiza os acontecimentos com uma vis\u00e3o global, e isso tem um valor intang\u00edvel adicional, que \u00e9 fundamental.<\/p>\n<p>Pela interconex\u00e3o e o contato crescente entre todas as culturas, estamos em presen\u00e7a do nascimento da primeira civiliza\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria da hist\u00f3ria humana. Partindo dessa percep\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio forjar o entendimento, a converg\u00eancia e o sentido de comunidade entre os distintos processos culturais, objetivo esse que a Pressenza aborda a partir da riqueza da diversidade, da resolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta de conflitos, do multilateralismo geopol\u00edtico, da repara\u00e7\u00e3o das injusti\u00e7as hist\u00f3ricas e da reconcilia\u00e7\u00e3o entre os povos como mat\u00e9rias informativas.<\/p>\n<p>Em tempos de ruptura social e tendo presente o mesmo esp\u00edrito de converg\u00eancia sobre os pilares da n\u00e3o viol\u00eancia e da luta contra todas as formas de discrimina\u00e7\u00e3o, a ag\u00eancia abre suas portas para um n\u00famero consider\u00e1vel de colaboradores, com suas reda\u00e7\u00f5es instaladas em diversos pa\u00edses ou atuando sob o prisma dos mais diversos idiomas, assumindo um car\u00e1ter aut\u00f4nomo que lhe confere um importante grau de liberdade de a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E \u00e9 essa caracter\u00edstica de autonomia que lhe permite fixar as prioridades editoriais de relev\u00e2ncia local, nacional, regional ou, inclusive, cultural, adaptando-se \u00e0s necessidades de conjuntura, mas tamb\u00e9m forjar um esp\u00edrito interno de agrupamento da diversidade, incluindo, sem d\u00favida, o debate e aprofundamento em tem\u00e1ticas nas quais n\u00e3o necessariamente h\u00e1 acordo editorial autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>Em sua estrat\u00e9gia de desenvolvimento, a Pressenza tem feito do relacionamento colaborativo um eixo do seu modo de atua\u00e7\u00e3o. A cria\u00e7\u00e3o e a manuten\u00e7\u00e3o de redes de comunica\u00e7\u00e3o, conjuntamente com as m\u00eddias e ag\u00eancias de todas as regi\u00f5es do planeta, criam as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para deslocar a manipula\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o das ag\u00eancias que hegemonizam o discurso p\u00fablico, a tempo de propor novos sentidos comuns de solidariedade, coopera\u00e7\u00e3o e integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Proje<\/strong><strong>\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto continuamos nos exercitando e aperfei\u00e7oando o of\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o comunicacional, enfrentamos atualmente o mesmo desafio que todos aqueles que desejam uma revolu\u00e7\u00e3o profunda e duradoura para uma nova matriz de rela\u00e7\u00f5es, rumo a uma nova organiza\u00e7\u00e3o social de caracter\u00edsticas humanistas e a um novo ser humano.<\/p>\n<p>Esse desafio consiste em poder travar um contato dial\u00f3gico com os grandes agrupamentos humanos, em conseguir penetrar a capa de superficialidade induzida pela desanalfabetiza\u00e7\u00e3o e incomunica\u00e7\u00e3o de um sistema capitalista cruel, que hoje tenta se reinventar atrav\u00e9s das chamadas novas tecnologias.<\/p>\n<p>O desafio para concretizar esse di\u00e1logo de novos significados se v\u00ea facilitado n\u00e3o apenas pelo decl\u00ednio evidente da situa\u00e7\u00e3o objetiva que vivem os conjuntos na atualidade, mas pelo enfraquecimento cada vez maior dos paradigmas que mantinha de p\u00e9 um tipo de organiza\u00e7\u00e3o social que j\u00e1 foi ultrapassada.<\/p>\n<p>Entretanto, diante da incerteza e instabilidade que a situa\u00e7\u00e3o promove, emerge tamb\u00e9m o retr\u00f3grado, o conservador, como ponto de apoio provis\u00f3rio, como ilus\u00f3ria compensa\u00e7\u00e3o \u00e0 ansiedade de conjuntura.<\/p>\n<p>A humanidade requer, de maneira imperiosa, novas bases sobre as quais assentar seu horizonte futuro, um horizonte que se anuncia intensamente multicultural e intercultural, de justi\u00e7a, de diversidade, de horizontalidade entre pessoas, g\u00eaneros, povos e culturas.<\/p>\n<p>Para concretizar essa imagem, o desafio \u00e9 ent\u00e3o sintetizado na conex\u00e3o com um mecanismo profundo que desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria impulsionou o ser humano entre d\u00favidas e certezas, entre sucessos e fracassos, em dire\u00e7\u00e3o a utopias inalcan\u00e7\u00e1veis que mais tarde se tornaram a realidade mais plena e inquestion\u00e1vel.<\/p>\n<p>Assim nos diria Paulo Freire: \u201cFazendo e refazendo-se no processo de fazer hist\u00f3ria, como sujeitos e objetos, mulheres e homens, tornando-se seres que se inserem no mundo e n\u00e3o de pura adapta\u00e7\u00e3o ao mundo, eles acabaram tendo no sonho tamb\u00e9m um motor a impulsionar a hist\u00f3ria. N\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a sem um sonho, assim como n\u00e3o h\u00e1 sonho sem esperan\u00e7a.\u201d<a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a><\/p>\n<p>E tal como Silo destaca:<\/p>\n<p>\u201cIn\u00fatil e mal\u00e9fica profecia que anuncia a hecatombe do mundo. Afirmo que os seres humanos n\u00e3o s\u00f3 continuar\u00e3o a viver, mas crescer\u00e3o sem limites. E tamb\u00e9m digo que os negadores da vida desejam nos furtar de toda a esperan\u00e7a: o cora\u00e7\u00e3o palpitante da a\u00e7\u00e3o humana.\u201d<a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Tentar, pelo menos, vale a pena.<\/p>\n<p>Muito obrigado.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftnref1\">[1]<\/a> Silo. Acerca de lo Humano. Habla Silo. Editorial Plaza y Vald\u00e9s.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn2\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftnref2\">[2]<\/a> Freire, P. Pedagog\u00eda de la Esperanza. Siglo XXI Editores.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/es\/2021\/02\/javier-tolcachier-la-comunicacion-alternativa-desde-la-experiencia-de-pressenza\/#_ftnref3\">[3]<\/a> Silo. Humanizar la Tierra. Editorial Plaza y Vald\u00e9s.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Traduzido do espanhol por Gra\u00e7a Pinheiro \/ Revis\u00e3o: Jos\u00e9 Luiz Corr\u00eaa<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No marco do Ciclo de Debates sobre Comunica\u00e7\u00e3o Alternativa, Javier Tolcachier, integrante de Pressenza, nos brindou com uma apresenta\u00e7\u00e3o sobre a experi\u00eancia de comunica\u00e7\u00e3o da ag\u00eancia. 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