{"id":1255132,"date":"2020-12-06T03:00:10","date_gmt":"2020-12-06T03:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1255132"},"modified":"2020-12-05T16:48:27","modified_gmt":"2020-12-05T16:48:27","slug":"avenida-do-contorno-sem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/12\/avenida-do-contorno-sem-fim\/","title":{"rendered":"Avenida do contorno sem fim"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A imagem era de um corpo de mulher, magra e de cabelos castanhos escuros. N\u00e3o era uma tela, mas uma cartolina e parecia ser uma pintura guache \u2013 como as aquarelas que faz\u00edamos nas escolas. Estava em um corredor azul clarinho e nenhuma pessoa circulava. N\u00e3o era sonho, nem del\u00edrio febril, mas caminhava com uma gripe forte, vagando em um corredor de hospital psiqui\u00e1trico.<\/p>\n<p>Foi assim que acordei: depois de uma longa noite, escutando gemidos e sons estranhos, como cadeiras de metal arranhando no ch\u00e3o. Estava em Belo Horizonte e o ano era 1989. Eu tinha apenas 23 anos e a longa avenida do Contorno era a minha fronteira mais distante.<\/p>\n<p>Ao meu lado, enquanto observava a pintura, uma mulher vestida de branco parecia sussurrar em meu ouvido e mantinha a calma, para n\u00e3o me assustar &#8220;Eu que pintei, gostou?&#8221; \u2013 adiantou\u2013se a minha curiosidade diante da pintura &#8220;Meu nome \u00e9 Alice e eu trabalho aqui.&#8221;<\/p>\n<p>Apresentei\u2013me a Alice e expliquei que n\u00e3o era interno. A hist\u00f3ria era complicada, mas insisti \u2013 n\u00e3o sou paciente. Vim visitar um primo, m\u00e9dico, que n\u00e3o estava de plant\u00e3o e havia ficado muito tarde para voltar a Juiz de Fora, onde estava hospedado, porque morava mesmo no Rio de Janeiro. &#8220;Nunca estive l\u00e1&#8221;, disse Alice, olhando fixamente para sua pintura.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2013 Eu sou primo de um m\u00e9dico, n\u00e3o sabia que o hospital estava em greve e ele viajando.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2013 Entendo. Estamos fechados h\u00e1 muitas semanas. Ele n\u00e3o te disse? Perguntou, desconfiada.<\/p>\n<p>Expliquei que h\u00e1 muito n\u00e3o o via e resolvi fazer uma surpresa. Na \u00e9poca, sem celular e sem facilidades de comunica\u00e7\u00e3o, essas surpresas eram sempre arriscadas.<\/p>\n<p>Peguei um \u00f4nibus de alguns cruzeiros que minha av\u00f3 me deu \u2013 &#8220;V\u00e1 sim visitar seu primo&#8221;, ela me incentivou. Levei s\u00f3 uma mochila e um endere\u00e7o na agenda de papel. Na portaria do hospital me deram o endere\u00e7o onde ele vivia \u2013 Vila Cristina, mas n\u00e3o me explicaram muito. Na rodovi\u00e1ria, uma mulher me perguntou: &#8220;Cristina um, dois ou tr\u00eas?&#8221;, revelando que eram bairros planejados e imensos. S\u00f3 consegui voltar para o centro depois de percorrer montanhas, sem sucesso.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2013 Voltar ao hospital e pedir para dormir aqui foi a solu\u00e7\u00e3o porque j\u00e1 n\u00e3o havia mais \u00f4nibus para voltar a Juiz de Fora. Segui explicando.<\/p>\n<p>Alice me olhou com aten\u00e7\u00e3o. Eram seis da manh\u00e3 e eu descabelado, olhando fixamente para uma pintura no corredor. Afinal quem era aquele cara? Tinha raz\u00e3o no olhar de estranhamento.<\/p>\n<p>Percebi que ela prestava aten\u00e7\u00e3o a cada gesto, e que verificava cada vez que eu gaguejava. &#8220;Deve ser nervoso&#8221; \u2013 espere que j\u00e1 volto. De longe vi que falava com um seguran\u00e7a e me olhava, no final daquele corredor distante.<\/p>\n<p>Quando aceitei dormir n\u00e3o sabia que era uma cl\u00ednica psiqui\u00e1trica. Era um imenso hospital p\u00fablico com alas inteiras abandonadas e sem nenhuma circula\u00e7\u00e3o de visitas. Os poucos m\u00e9dicos e funcion\u00e1rios que via eram plantonistas de uma greve que havia paralisado todo o atendimento. O hospital estava fechado, cercado por grades.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ela pensou que sou um louco internado? E se pensa, como vou provar que n\u00e3o sou louco? Claro!, pensei logo. Se estivesse internado, meu nome estaria em alguma lista. Respirei aliviado. N\u00e3o. A\u00ed lembrei do filme argentino de alguns anos antes, que havia assistido: &#8220;O Homem olhando ao sudoeste&#8221;, no qual um m\u00e9dico ficou surpreso ao saber que na sua enfermaria de psiquiatria havia um paciente a mais. O homem justificou que era um extraterrestre e que foi para o manic\u00f4mio porque se fosse para qualquer lugar do planeta seria enviado para um hospital desses. Ent\u00e3o resolveu se adiantar aos fatos. A minha hist\u00f3ria de como fui parar l\u00e1 era t\u00e3o fant\u00e1stica e inacredit\u00e1vel como no filme.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m imaginaria que do nada apareceu um louco a mais em um hosp\u00edcio. Que ideia! \u2013 sorri para mim mesmo. Isso aconteceu em um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica! Olhei novamente e Alice havia desaparecido. Fui olhando a cada porta de enfermaria em busca de uma sa\u00edda. Voltei \u00e0 salinha em que havia dormido: l\u00e1 estava o colch\u00e3o \u2026 e lembrei do nome. Cleber. Foi o seguran\u00e7a que me deixou entrar.<\/p>\n<p>Alice estava atr\u00e1s de mim quando joguei a mochila nas costas. &#8220;Onde voc\u00ea vai?&#8221; me perguntou, em voz alta. Ela mantinha as m\u00e3os para tr\u00e1s e logo imaginei que segurava uma inje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2013 Tenho pavor de agulhas, como \u00e9 mesmo o nome ? \u2013 &#8220;aiquimofobia&#8221; \u2013 completou Alice, mostrando as m\u00e3os livres. \u00c9 isso que voc\u00ea tem ? Sorriu. &#8220;\u00c9, deve ser isso&#8221; \u2013 respondi. Quando era crian\u00e7a uma enfermeira quebrou uma agulha em mim e nunca me esqueci disso. Afinal. Doutora Alice? Enfermeira ?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2013 Psiquiatra, com especialidades em dist\u00farbios do sono.<\/p>\n<p>Ah que bom, respirei aliviado. Por isso me perguntou da minha noite, n\u00e3o \u00e9 ?<\/p>\n<p>Fui me afastando em dire\u00e7\u00e3o a porta e ela falou alto &#8221; Qual \u00e9 o nome mesmo do seguran\u00e7a que deixou voc\u00ea dormir aqui&#8221;?<\/p>\n<p>Respirei fundo: &#8220;Alvaro&#8221;<\/p>\n<p>Doutora Alice olhou para um papel e me respondeu. &#8220;N\u00e3o tem nenhum Alvaro aqui listado na seguran\u00e7a. Voc\u00ea tem certeza?&#8221;<\/p>\n<p>Nesse momento gelei por inteiro. Respirei fundo e imaginei que poderia ficar ali preso, ser sedado e jamais sair. Quem acreditaria em mim? Toda a minha hist\u00f3ria poderia ser um surto e meu nome nas listagens datilografadas facilmente perdido em tantas listas de um hospital em greve.<\/p>\n<p>Virei\u2013me para Alice e respondi com calma: &#8220;Deve ter algum engano. O seguran\u00e7a da guarita me deixou entrar e me indicou a cama para dormir. Eu provei que era parente de um m\u00e9dico do hospital.&#8221;<\/p>\n<p>Ela olhou novamente o papel e sorriu: &#8220;Boa viagem.&#8221;<\/p>\n<p>Desci acelerado as ladeiras que d\u00e3o acesso ao hospital, quase correndo e pensando que seria agarrado por alguns seguran\u00e7as e colocado em alguma sala com camisa de for\u00e7a. A imagina\u00e7\u00e3o e tantos livros de Agatha Christie s\u00f3 encheram minha cabe\u00e7a de tramas e crimes. Naquele momento eu j\u00e1 tinha tra\u00e7ado toda minha hist\u00f3ria \u2013 confundido com louco, sedado, amarrado e preso. Quem afinal iria me livrar dessa situa\u00e7\u00e3o? Meu primo poderia levar meses para voltar e at\u00e9 l\u00e1 eu estaria como um zumbi.<\/p>\n<p>Desci escadas e cheguei a guarita. Quase livre, respirei aliviado. Dois seguran\u00e7as fizeram o sinal de legal com o dedo e abriram os grandes e pesados port\u00f5es. Agradeci.<\/p>\n<p>Andei alguns metros e disse a um deles, gordinho com quepe, que comia um sandu\u00edche. &#8220;Diga por favor a doutora Alice &#8216;o meu muito obrigado&#8217; pela aten\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Doutora quem? Ahh, aquela mulher \u00e9 interna.<\/p>\n<p>Voltei para Juiz e Fora jurando nunca mais voltar a Belo Horizonte. Uma avenida do contorno sem fim, onde voc\u00ea gira at\u00e9 ficar tonto. Um hospital em greve, uma louca que se passa por m\u00e9dica, conjuntos habitacionais com nomes parecidos. A tentativa virou piada familiar durante anos. Mesmo convidado, passei duas d\u00e9cadas com medo de voltar.<\/p>\n<p>A boa lembran\u00e7a naquele dia veio de Dona Alayde. Abri a porta da casa da minha av\u00f3 em Juiz de Fora e ela sorridente me recebeu &#8220;J\u00e1 voltou? Voc\u00ea \u00e9 muito doido&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; A imagem era de um corpo de mulher, magra e de cabelos castanhos escuros. 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