{"id":1250904,"date":"2020-11-29T21:23:20","date_gmt":"2020-11-29T21:23:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1250904"},"modified":"2020-11-29T21:23:20","modified_gmt":"2020-11-29T21:23:20","slug":"pelo-nao-voto-eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/11\/pelo-nao-voto-eleitoral\/","title":{"rendered":"Pelo N\u00e3o Voto eleitoral"},"content":{"rendered":"<h4>Entrevista com Camila Jourdan<\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fim de ampliar e qualificar as discuss\u00f5es sobre processos democr\u00e1ticos e garantia de direitos, Pressenza conversou, por email, com pessoas que se identificam com a teoria e as pr\u00e1ticas anarquistas.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es que orientam as entrevistas giram em torno da pr\u00e1tica do n\u00e3o voto eleitoral, que cresce a cada elei\u00e7\u00e3o, no Brasil e no mundo. Um evidente sinal de afastamento da popula\u00e7\u00e3o da democracia representativa.<\/p>\n<p>A primeira conversa foi com Camila Jourdan, Professora Doutora em Filosofia, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Al\u00e9m da teoria que desenvolve na academia e nas obras que escreve, Camila atua em diferentes lutas por direitos: Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, liberdades.<\/p>\n<p>Ao longo da entrevista, a Professora explicitou as fragilidades da democracia representativa, com destaque para a exclus\u00e3o e a exce\u00e7\u00e3o como \u201cfalhas inerentes\u201d ao sistema democr\u00e1tico. Comentou ainda sobre a \u201clegitimidade\u201d de as pessoas sentirem asco pela pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>E, por fim, deixou algumas sugest\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo mais justo: \u201cn\u00e3o vote, se organize, lute!\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_1250917\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1250917\" class=\"wp-image-1250917 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/CAMILA_FINAL.png\" alt=\"\" width=\"1506\" height=\"1033\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/CAMILA_FINAL.png 1506w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/CAMILA_FINAL-300x206.png 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/CAMILA_FINAL-720x494.png 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/CAMILA_FINAL-768x527.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1506px) 100vw, 1506px\" \/><p id=\"caption-attachment-1250917\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito da Imagem: Camila Jourdan, arquivo pessoal.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong><strong> Uma pesquisa realizada na Am\u00e9rica Latina, em 2018, perguntou a pessoas de diferentes pa\u00edses:<\/strong> \u201c<a href=\"https:\/\/www.latinobarometro.org\/latOnline.jsp\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Como \u00e9 a democracia em seu pa\u00eds?<\/a>\u201d.<\/p>\n<p><strong>Das 1.204 pessoas entrevistadas no Brasil, 51% entendem que a democracia brasileira tem \u201cgrandes problemas\u201d. Outros 17% afirmam que o Brasil \u201cn\u00e3o \u00e9 uma democracia\u201d. E 12% n\u00e3o compreendem o que seja uma democracia.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pensando nisso, Professora Camila Jourdan, como explicar para o grande p\u00fablico o que significa democracia representativa? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Bom, como anarquista, eu tenho uma vis\u00e3o bem cr\u00edtica das democracias representativas, de maneira geral. Se formos pensar no que se estabelece discursivamente, bom, acredita-se que deveria ser um governo eleito para representar o povo, em sentido amplo, todas as camadas da sociedade.<\/p>\n<p>Haveria assim a possibilidade de governarmos uns aos outros de maneira rotativa. J\u00e1 aqui h\u00e1 uma premissa: as pessoas n\u00e3o se autogovernam, \u00e9 preciso uma representa\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio pol\u00edtico. A representa\u00e7\u00e3o acaba por valer mais que o representado ao qual n\u00e3o corresponde, salvo por uma grande exclus\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\">\u201ctoda representa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma exclus\u00e3o\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>A pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o exige que ela ocorra de maneira sempre, necessariamente, mais ou menos, imperfeita, ou seja, toda representa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 uma exclus\u00e3o. \u00c9 ainda preciso lembrar que somente o que est\u00e1 n\u00e3o-presente, ou seja, ausente, pode ser representado.<\/p>\n<p>Complementarmente, o exerc\u00edcio do poder separar\u00e1 sempre os interesses dos governantes dos interesses dos governados. Ent\u00e3o, mesmo que os primeiros tenham tido antes uma origem popular, na medida em que ocupam o lugar da representa\u00e7\u00e3o, seus interesses tornam-se outros. Tendo em vista as desigualdades profundas existentes nas sociedades capitalistas, quais possibilidades reais haveria para aqueles eleitos para o exerc\u00edcio pol\u00edtico corresponderem aos interesses das camadas exclu\u00eddas?<\/p>\n<div id=\"attachment_1250927\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1250927\" class=\"wp-image-1250927 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BAKUNIN.png\" alt=\"\" width=\"1502\" height=\"805\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BAKUNIN.png 1502w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BAKUNIN-300x161.png 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BAKUNIN-720x386.png 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/BAKUNIN-768x412.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1502px) 100vw, 1502px\" \/><p id=\"caption-attachment-1250927\" class=\"wp-caption-text\">Mikhail Alexandrovich Bakunin, 1814-1876.<\/p><\/div>\n<p>O que se tem de fato \u00e9 um \u2018governo de alguns\u2019, os mais ricos, visando seus pr\u00f3prios interesses. No geral, um governo das camadas privilegiadas, visando manter seus privil\u00e9gios, que se poderia muito bem chamar \u2018plutocracia\u2019.<\/p>\n<blockquote><p>\u201co abandono de uma concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da esquerda\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>A diferen\u00e7a que se faz entre governo de esquerda e governo de direita, parece sempre entre uma direita envergonhada e uma direita assumida. Por vezes, arrisco dizer que a direita assumida \u00e9 menos nociva \u00e0 luta social, pois \u00e9 importante saber de que lado est\u00e3o nossos inimigos para podermos nos preparar para a autodefesa. Com um governo assumidamente o que \u00e9, as resist\u00eancias se voltam pra base, se preparam para o enfrentamento.<\/p>\n<p>A suposta esquerda institucional tem minado as lutas sociais por dentro, quando coloca as a\u00e7\u00f5es como greves, mobiliza\u00e7\u00f5es e a\u00e7\u00f5es diretas em fun\u00e7\u00e3o da disputa eleitoral. Obviamente, isso n\u00e3o se faz sem o abandono de uma concep\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria da esquerda. \u00c9 uma desist\u00eancia de se modificar a sociedade radicalmente, e de baixo para cima, em fun\u00e7\u00e3o de se conseguir cargos que, quando conseguidos, n\u00e3o servem mais pra nada. Pois pra se conseguir se deixou precisamente de ser aquilo que poderia mudar algo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sem d\u00favida, o problema de se apostar na pol\u00edtica representativa \u00e9 um problema da rela\u00e7\u00e3o entre meios e fins: o que se pretende exatamente? Voc\u00ea pode conseguir por este caminho? Ou ele \u00e9 contradit\u00f3rio justamente com o que voc\u00ea gostaria de conseguir?<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0\u201ccomo tivemos 14 anos de concilia\u00e7\u00e3o de classe e chegamos onde chegamos agora?!\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Eu costumo dizer que se entrega o que \u00e9 mais importante por algo que n\u00e3o se tem qualquer garantia e que n\u00e3o \u00e9 entregue no final. Imagina voc\u00ea vender sua alma por uma perfumaria qualquer e nem essa bobagem voc\u00ea conseguir? \u00c9 mais ou menos isso. Claro que, sem mudan\u00e7as estruturais profundas, e de baixo para cima, qualquer concess\u00e3o pequena que a elite possa fazer ser\u00e1 revista na p\u00e1gina 2. Afinal, como tivemos 14 anos de concilia\u00e7\u00e3o de classe e chegamos onde chegamos agora?! Os anarquistas apostam em uma pol\u00edtica que n\u00e3o \u00e9 da representa\u00e7\u00e3o. Acreditam numa pol\u00edtica do que realmente importa enquanto um fim em si. Nisso colocamos nossa energia.<\/p>\n<div id=\"attachment_1250939\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1250939\" class=\"wp-image-1250939 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI.jpg\" alt=\"\" width=\"1635\" height=\"1020\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI.jpg 1635w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI-720x449.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI-768x479.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_GANDHI-1536x958.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1635px) 100vw, 1635px\" \/><p id=\"caption-attachment-1250939\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Valdir Silveira<\/p><\/div>\n<blockquote><p>\u201cregimes autorit\u00e1rios que se proclamam leg\u00edtimos sob a \u00e9gide da democracia\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda sobre a democracia representativa, gostaria de dizer mais algumas palavras. A realidade \u00e9 que bilh\u00f5es de pessoas vivem sob regimes autorit\u00e1rios que se proclamam leg\u00edtimos sob a \u00e9gide da democracia representativa. Mas a quest\u00e3o \u00e9 que as democracias t\u00eam sido exatamente isso. Da\u00ed, o que se coloca como quest\u00e3o \u00e9: poderia ser diferente? A democracia representativa poderia funcionar? E o dif\u00edcil de discorrer sobre esse t\u00f3pico \u00e9 que sempre partimos da ideia de que existe um funcionamento imperfeito da democracia representativa, devido aos fatores hist\u00f3ricos e sociais da nossa realidade, mas que poderiam ser corrigidos para que ela passasse a funcionar. Ou seja, para que realmente houvesse governos representativos que governassem para os governados. Assim, \u00e9 como se houvesse um funcionamento correto da representa\u00e7\u00e3o e a exclus\u00e3o sist\u00eamica fosse uma falha nela a ser corrigida.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u201ca falha sist\u00eamica da representa\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao seu funcionamento.\u201d<\/p>\n<p>A isso os anarquistas argumentam que n\u00e3o \u00e9 bem assim. A falha sist\u00eamica da representa\u00e7\u00e3o \u00e9 inerente ao seu funcionamento. Eu diria mais, enquanto a pol\u00edtica se fundar em uma separa\u00e7\u00e3o r\u00edgida entre p\u00fablico e privado (<em>polis<\/em> e <em>oikos<\/em>), a exclus\u00e3o sist\u00eamica ser\u00e1 sua marca e de tal modo que, precisamente, aquela materialidade que sustenta a ordem dominante seja sempre colocada fora da sua jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que se chama de \u2018democracia representativa\u2019 nada mais \u00e9 do que um \u2018mercado de consumo\u2019 de siglas e candidatos. Se a participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 reduzida a esse ato de legitima\u00e7\u00e3o da representa\u00e7\u00e3o, funcionando pelo princ\u00edpio da troca, n\u00e3o existem espa\u00e7os de constru\u00e7\u00e3o do que \u00e9 comum e da participa\u00e7\u00e3o direta enquanto coletividade. E, de fato, essa escolha de governos \u00e9 um ato totalmente desprovido de liberdade.<\/p>\n<blockquote><p>\u201ca democracia sempre se manteve pela exclus\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesse sentido, a <em><a href=\"https:\/\/pt.crimethinc.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CrimethInc<\/a><\/em> tem diferenciado a autodetermina\u00e7\u00e3o, praticada por povos origin\u00e1rios e no \u00e2mbito da pr\u00f3pria luta social, da democracia, enquanto aquela nascida na tradi\u00e7\u00e3o ocidental sem qualquer pretens\u00e3o de abolir a fun\u00e7\u00e3o do <em>kratos<\/em>, isto \u00e9, do governo. Diferente de outros autores libert\u00e1rios, como David Graeber, que pretendem associar essa autodetermina\u00e7\u00e3o com uma ideia de \u201cverdadeira democracia\u201d n\u00e3o-representativa, a <em>CrimethInc<\/em> afirma que a democracia sempre se manteve pela exclus\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o em favor da manuten\u00e7\u00e3o do poderio de poucos e da exclus\u00e3o de muitos na separa\u00e7\u00e3o r\u00edgida entre governantes e governados. Ainda que com uma capa de participa\u00e7\u00e3o entre iguais, n\u00e3o houve jamais compromisso real da democracia com a horizontalidade, o fim de toda escravid\u00e3o e dos sistemas patriarcais e racistas de opress\u00e3o disseminados pela sociedade.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Sofremos o maior derramamento de \u00f3leo j\u00e1 registrado no pa\u00eds. Nunca se queimou e derrubou tanta floresta como em 2020. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Na primeira quinzena de novembro, com mais de 163 mil \u00f3bitos, \u00e9ramos o <a href=\"https:\/\/covid19.who.int\/?gclid=Cj0KCQiA-rj9BRCAARIsANB_4AC3h76boFGtI8eF4BkMntSoNR_vjwckPKOuSa-ZyGIoWDOvuoE5-D4aAp_wEALw_wcB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">segundo pa\u00eds em n\u00famero de v\u00edtimas fatais por Covid-19<\/a>. Atr\u00e1s apenas da autoproclamada \u201cmaior democracia do mundo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por aqui, a crise da vez \u00e9 o apag\u00e3o no estado do Amap\u00e1. Mais de 730 mil pessoas violadas em direitos b\u00e1sicos. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Silenciosamente em curso, como se assim fosse poss\u00edvel, convivemos com dois genoc\u00eddios <\/strong><strong>&#8211;<\/strong><strong> negro e ind\u00edgena. Assassinatos por feminic\u00eddio e por LGBTQIA+fobia seguem em alta h\u00e1 anos. Viol\u00eancia contra crian\u00e7as, adolescentes, mulheres e idosos revelada como nunca durante a pandemia. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A cada dia, tornar-se mais evidente que a popula\u00e7\u00e3o sofre pela (in)a\u00e7\u00e3o de representantes que elegeu <\/strong><strong>&#8211;<\/strong><strong> seja em \u00e2mbito nacional, estadual ou municipal. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O que o contexto atual, de m\u00faltiplas viola\u00e7\u00f5es de direitos, revela sobre os limites da democracia representativa no Brasil? \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cser mat\u00e1vel \u00e9 n\u00e3o ser sujeito de direito\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>\u2013 A viola\u00e7\u00e3o de direitos \u00e9 sist\u00eamica e n\u00e3o uma falha no sistema. Entender isso \u00e9 um passo importante para escolher qual caminho trilhar. \u00c9 um aspecto da pol\u00edtica de morte, em que uma parcela enorme de pessoas s\u00e3o tratadas como n\u00e3o-pessoas, como seres mat\u00e1veis. E ser mat\u00e1vel \u00e9 n\u00e3o ser sujeito de direito e n\u00e3o poder contar com a prote\u00e7\u00e3o do Estado. Para quais parcelas da sociedade a legalidade pode valer? Uma parcela muito pequena de fato.<\/p>\n<p>A democracia n\u00e3o \u00e9 incompat\u00edvel com a viola\u00e7\u00e3o de direitos, muito pelo contr\u00e1rio, o chamado Estado democr\u00e1tico n\u00e3o se mant\u00e9m sen\u00e3o pela exce\u00e7\u00e3o, que transforma exclu\u00eddos em alvos. O que se pensa \u00e9: \u201cser\u00e1 que se eu votar em pessoas pretas; trans; ind\u00edgenas; historicamente exclu\u00eddas, n\u00e3o posso mudar isso?. Mas voc\u00ea n\u00e3o pode corrigir a falha na representa\u00e7\u00e3o pela pr\u00f3pria representa\u00e7\u00e3o. O que a elei\u00e7\u00e3o de Obama fez com o racismo no EUA? E a da Dilma com o machismo? O que os anarquistas dizem sobre isso n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o fa\u00e7a diferen\u00e7a. \u00c9 que as modifica\u00e7\u00f5es fundamentais n\u00e3o se dar\u00e3o por a\u00ed.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cela ocupava um lugar de representa\u00e7\u00e3o e foi assassinada\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O assassinato da Marielle Franco, impune inclusive, n\u00e3o \u00e9 um acaso. Dep\u00f5e bem sobre o que \u00e9 o sistema representativo. \u00c9 importante lembrar que ela ocupava um lugar de representa\u00e7\u00e3o e que ela foi assassinada brutalmente no centro da cidade do Rio de Janeiro. Uma cidade sitiada e controlada e, ainda assim, quem investiga \u00e9 c\u00famplice.<\/p>\n<p>Tendo este caso da hist\u00f3ria recente em mente, podemos pensar o que ocorreria com uma pessoa eleita que realmente tentasse governar em favor dos setores sistemicamente exclu\u00eddos. Bom, primeiramente esta pessoa tem que se eleger e, portanto, sua campanha tem que ser financiada. No geral, por corpora\u00e7\u00f5es que investem no processo eleitoral como modo de manterem-se exercendo o poder.<\/p>\n<p>Mas, digamos que houvesse um candidato que n\u00e3o fosse assim financiado, n\u00e3o sendo engessado pelos mantenedores do sistema. Ainda assim, teria que agradar a opini\u00e3o p\u00fablica manipulada e\/ou ter muito dinheiro pra financiar correntes de celular e direcionar dados nas redes sociais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cas alian\u00e7as, os esquemas, toda a estrutura corrompida\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas digamos que apesar disso tudo, o candidato imagin\u00e1rio conseguisse furar a sociedade de controle ou fazer uso dela e, ap\u00f3s se eleger, realmente colocasse pouco a pouco em curso uma pol\u00edtica contr\u00e1ria aos interesses da classe dominante. Bom, ainda haveria as alian\u00e7as, os esquemas, toda a estrutura corrompida na qual ele estaria inserido e em rela\u00e7\u00e3o a qual precisaria responder.<\/p>\n<p>Entretanto, digamos que, ainda assim, ele representasse em algum momento uma perda real para os banqueiros e aqueles que det\u00e9m o grande capital. Voc\u00eas podem s\u00f3 olhar para o que aconteceu com a Syriza, na Gr\u00e9cia, que tentou comprar uma briga com os bancos e foi obrigada a recuar. Mas houve um outro momento hist\u00f3rico no qual isso ocorreu. Podemos lembrar de Salvador Allende, no Chile. O que nos leva a concluir que tal personagem imagin\u00e1rio seria deposto ou morto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1250962\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1250962\" class=\"wp-image-1250962 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_CHOQUE.jpg\" alt=\"\" width=\"1190\" height=\"625\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_CHOQUE.jpg 1190w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_CHOQUE-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_CHOQUE-720x378.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/VALDIR_SILVEIRA_CHOQUE-768x403.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1190px) 100vw, 1190px\" \/><p id=\"caption-attachment-1250962\" class=\"wp-caption-text\">Choque ataca manifestantes. Foto: Valdir Silveira<\/p><\/div>\n<blockquote><p>\u201ca exce\u00e7\u00e3o \u00e9 regra na nossa sociedade\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 problema em usar a for\u00e7a e suspender a apar\u00eancia de Estado democr\u00e1tico sempre que \u00e9 necess\u00e1rio, mesmo que o alvo sejam gerentes do Estado, j\u00e1 que a exce\u00e7\u00e3o \u00e9 regra na nossa sociedade, inclusive para isso.<\/p>\n<p>Sendo assim, n\u00e3o adianta simplesmente se lutar por mais direitos, se os direitos n\u00e3o s\u00e3o respeitados historicamente para grandes parcelas da sociedade e para todas que se colocam contra os poderes constitu\u00eddos.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Diante desse quadro, cresce o n\u00famero de pessoas que se recusa a participar do processo eleitoral. Voc\u00ea pode informar como surgiu a ideia de n\u00e3o votar das elei\u00e7\u00f5es e ficar de fora chamada \u201cgrande festa da democracia\u201d?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cmuitas pessoas desenvolveram um asco pela pol\u00edtica\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>\u2013 Sim, essa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o crescente em todo mundo. E demonstra, cada vez, como as pessoas n\u00e3o acreditam mais na representa\u00e7\u00e3o. Obviamente, essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o todas anarquistas. Muitas vezes nem t\u00eam profundas convic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Mas esse desencanto com a farsa eleitoral pode ser um primeiro passo para se focar em outras formas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas pessoas desenvolveram um asco pela pol\u00edtica, e elas est\u00e3o certas. Essa pol\u00edtica da representa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o corresponde ao representado, como governo sist\u00eamico do falso, nos provoca mesmo asco. Sem d\u00favida, n\u00e3o s\u00e3o todas anarquistas, mas possuem um sentimento leg\u00edtimo, ou melhor, um sentimento plenamente justificado e que precisa ser afirmado como tal. Obviamente, este sentimento pode ser capturado por <em>fakes antissist\u00eamicos<\/em>, como creio que a chamada nova direita tem operado muito bem. Em grande medida pela incompet\u00eancia da esquerda institucional, que apostou todas suas fichas na representa\u00e7\u00e3o falecida. Inclusive, em alguns casos, ajudando a criminalizar anarquistas, e agora tenta ressuscitar a ideia, em vez de se voltar para um projeto revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Mas o fato desse sentimento ter sido capturado pela nova direita desavergonhada n\u00e3o torna esse sentimento menos leg\u00edtimo. Este fake contrassist\u00eamico, que nada mais \u00e9 do que o sistema tomando vida pr\u00f3pria, \u00e9 mais um fake da representa\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tarda se mostrar, como tal, muito breve.<\/p>\n<p>Os anarquistas sempre criticaram a participa\u00e7\u00e3o no processo eleitoral, a pol\u00edtica pelo voto, para se ocupar um parlamento, como algo que captura e esvazia a pot\u00eancia das mobiliza\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cn\u00e3o vote, se organize, lute\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O \u2018n\u00e3o vote\u2019 \u00e9 uma recusa, uma negativa, mas que sempre vem acompanhada de uma afirma\u00e7\u00e3o: n\u00e3o vote, se organize, lute, etc\u2026 N\u00e3o se trata, portanto, simplesmente de recusar \u201ca festa\u201d, mas de propor uma outra maneira de fazer pol\u00edtica, que \u00e9, sim, do nosso ponto de vista, excludente com a participa\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es. E este \u00e9 o diferencial da posi\u00e7\u00e3o anarquista.<\/p>\n<p>Por um lado, recusar a participa\u00e7\u00e3o no processo eleitoral com base em raz\u00f5es bem determinadas. Por outro lado, n\u00e3o parar nisso, isto \u00e9, n\u00e3o apenas recusar algo, mas afirmar uma outra maneira mais fundamental de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. E, finalmente, afirmar essa maneira como excludente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 participa\u00e7\u00e3o eleitoral.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cisso n\u00e3o as torna menos anarquistas\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Bom, isso n\u00e3o significa que anarquistas n\u00e3o possam votar, eventualmente. Diante da ascens\u00e3o da nova direita, muitas compas votaram, por desespero mesmo. Mas isso n\u00e3o as torna menos anarquistas. Certamente trata-se do que se toma como sendo uma a\u00e7\u00e3o t\u00e1tica e uma a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. \u00c9 uma leitura da realidade, em que vamos apostar nossas fichas, digamos assim, neste processo falido ou na modifica\u00e7\u00e3o de baixo para cima da sociedade? Mas eu n\u00e3o posso fazer as duas coisas? Mais ou menos. Voc\u00ea pode sim votar pontualmente, n\u00e3o \u00e9 este o problema. Mas a luta direta \u00e9 na pr\u00e1tica contradit\u00f3ria \u00e0 farsa eleitoral, a todo investimento (de dinheiro e energia) para se ganhar o pleito e conquistar votos, e a tudo que se faz para isso.<\/p>\n<p>Sobre esse ponto, basta olhar como os partidos atuam na luta concreta. Todo o freio que imp\u00f5em \u00e0s lutas, toda tentativa de se manter nas institui\u00e7\u00f5es as greves que negociam, os processos de baixo para cima que atropelam e, inclusive, as a\u00e7\u00f5es diretas que condenam, etc&#8230; Isso se segue de colocarem os processos eleitorais, as ocupa\u00e7\u00f5es de poucas cadeiras nas institui\u00e7\u00f5es e parlamentos, como fins em si, como mais importantes do que aquilo que deveria ser a raz\u00e3o de estarem l\u00e1, mas que se mostra contradit\u00f3ria com esta pr\u00f3pria perman\u00eancia.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Como bem define o educador Paulo Freire, a pr\u00e1xis \u00e9 a \u201c<a href=\"http:\/\/www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br\/arquivos\/File\/otp\/livros\/acao_cultural_liberdade.pdf\">unidade dial\u00e9tica entre <\/a><\/strong><strong><a href=\"http:\/\/www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br\/arquivos\/File\/otp\/livros\/acao_cultural_liberdade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">subjetividade e objetividade, pr\u00e1tica e teoria<\/a><\/strong><strong>\u201d. Pensando nisso, de que formas a teoria anarquista reflete sobre e orienta a pr\u00e1tica do n\u00e3o voto eleitoral?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como afirmado na quest\u00e3o anterior, trata-se de uma recusa ativa. As a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas dizem respeito \u00e0 auto-organiza\u00e7\u00f5es coletivas nas c\u00e9lulas da sociedade e \u00e0s a\u00e7\u00f5es de propaganda e de mobiliza\u00e7\u00e3o. Dito de modo mais direto: ocupa\u00e7\u00f5es; coletivos autogeridos; greves; economia solid\u00e1ria; m\u00eddias aut\u00f4nomas; manifesta\u00e7\u00f5es de rua, assembleias de bairro; cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os aut\u00f4nomos e de redes de apoio m\u00fatuo entre estes espa\u00e7os.<\/p>\n<blockquote><p>\u201ca\u00e7\u00f5es que n\u00e3o esperam que algu\u00e9m fa\u00e7a por n\u00f3s\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>S\u00e3o a\u00e7\u00f5es que carregam os princ\u00edpios da sociedade que defendemos. A\u00e7\u00f5es que n\u00e3o esperam que algu\u00e9m fa\u00e7a por n\u00f3s. Mas que pressionam os governos tamb\u00e9m pela a\u00e7\u00e3o direta, pelo j\u00e1 fazer e mostrar que outro modo de vida \u00e9 poss\u00edvel. Sendo assim, n\u00e3o se trata de esperar a sociedade perfeita, mas pela auto-organiza\u00e7\u00e3o coletiva trazer melhoras para a vida das pessoas aqui e agora, ocupando um pr\u00e9dio e gerando moradia popular, por exemplo, oferecendo troca de educa\u00e7\u00e3o e cultura sem o princ\u00edpio do capital. Criar alternativas onde o princ\u00edpio do capital n\u00e3o impere, onde outras maneiras de se relacionar possam ser exercitadas.<\/p>\n<p>De fato, existem lutas di\u00e1rias, todo dia est\u00e3o removendo fam\u00edlias, mesmo em meio \u00e0 pandemia. E existem resist\u00eancias, tamb\u00e9m di\u00e1rias. Por isso dizemos que, no dia a dia, no micro, as pessoas podem atuar a partir dos espa\u00e7os nos quais est\u00e3o inseridas, podem ser agentes das resist\u00eancias, podem ser fomentadores de outra forma de vida, a partir de baixo. Podem ajudar a construir sem precisar reproduzir de novo e de novo o que est\u00e1 posto.<\/p>\n<p>O que a resist\u00eancia precisa, neste contexto, \u00e9 propiciar maneiras de garantir a autodefesa, e quando digo isto estou pensando nos cuidados m\u00fatuos em todos os sentidos. Desde a autodefesa antifascista, no sentido estrito, com t\u00e9cnicas de luta, at\u00e9 a partilha de informa\u00e7\u00f5es e conhecimento nas favelas e periferias sobre a pandemia, por exemplo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cauto-organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 autodefesa\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Quando mulheres se auto-organizam para partilhar informa\u00e7\u00f5es, trocar cuidados e evitar que algumas continuem sofrendo agress\u00f5es, por exemplo, isso \u00e9 autodefesa em uma sociedade feminic\u00edda. O mesmo para coletivos que re\u00fanem pessoas pretas; pessoas trans; quaisquer exclus\u00f5es sist\u00eamicas, ou muitas delas juntas. A auto-organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 autodefesa e, para esta, se faz uso de muitos meios.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Al\u00e9m de adjetiva\u00e7\u00f5es pouco educadas, uma das acusa\u00e7\u00f5es mais comuns a quem se recusa a participar do processo eleitoral \u00e9 a de desvalorizar o direito de votar. Conquista de lutas hist\u00f3ricas <\/strong><strong>&#8211;<\/strong><strong> de popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e de mulheres. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual \u00e9 a sua compreens\u00e3o dessas conquistas? N\u00e3o votar as desvaloriza?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cantes de tudo, uma luta pela vida\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>\u2013 Eu acho que dizer isso das lutas hist\u00f3ricas das popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas e das mulheres \u00e9 que desvaloriza essas lutas. Olha, a luta das pessoas exclu\u00eddas sempre foi, antes de tudo, uma luta pela vida. No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Maria Lacerda de Moura, por exemplo, criticava o movimento sufragista como um movimento burgu\u00eas, das mulheres brancas, porque as luta imediata da mulher preta e prolet\u00e1ria n\u00e3o tinha qualquer rela\u00e7\u00e3o com votar, mas dizia respeito a quest\u00f5es muito mais fundamentais.<\/p>\n<div id=\"attachment_1250984\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1250984\" class=\"wp-image-1250984 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MLM.png\" alt=\"\" width=\"1502\" height=\"826\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MLM.png 1502w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MLM-300x165.png 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MLM-720x396.png 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/MLM-768x422.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1502px) 100vw, 1502px\" \/><p id=\"caption-attachment-1250984\" class=\"wp-caption-text\">Maria Lacerda de Moura, 1887-1945.<\/p><\/div>\n<p>Tamb\u00e9m a luta contra a ditadura n\u00e3o foi fundamentalmente a luta por votar, isso foi o que ela se transformou depois, sua vers\u00e3o capturada. O que se pretendia era uma projeto revolucion\u00e1rio. Agora voc\u00ea vai minorizar essas lutas hist\u00f3ricas como sendo para ter direito de apertar bot\u00f5es de dois em dois anos e escolher entre o menos pior!? Que desgra\u00e7a seria fazer isso com a luta dos povos em resist\u00eancia.<\/p>\n<p>O voto \u00e9 uma inclus\u00e3o pela exclus\u00e3o que mais legitima um sistema que continua matando os indiv\u00edduos concretos, contando agora com a suposta coniv\u00eancia passiva destes, o que, de fato, permite que ele espelhe as reais reivindica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas desses setores.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cas coisas aparecem como aquilo que elas precisamente n\u00e3o s\u00e3o\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o votar neste sentido \u00e9 afirmar uma n\u00e3o-coniv\u00eancia, e fazer a exclus\u00e3o aparecer como ela \u00e9. Este sentido simb\u00f3lico \u00e9 importante, porque na maior parte das vezes as coisas aparecem como aquilo que elas precisamente n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu tenho dito em v\u00e1rios espa\u00e7os que uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica importante hoje \u00e9 justamente fazer a morte de tantos aparecer como morte matada, pois o estratagema da manuten\u00e7\u00e3o do estado de coisas consiste em fazer com que apare\u00e7am como morte morrida, suicidada. Muito bem ilustrada, inclusive, pela voz passiva nas not\u00edcias dos jornais: as pessoas n\u00e3o s\u00e3o assinadas, elas morrem. Voc\u00ea \u00e9 agente da sua pr\u00f3pria morte, voc\u00ea escolheu, logo n\u00e3o h\u00e1 revolta.<\/p>\n<p>E as pessoas s\u00e3o constantemente engajadas neste processo como uma escolha pelo menos pior. Constantemente engajadas nas suas pr\u00f3prias destrui\u00e7\u00f5es. A um ponto tal que toda resist\u00eancia aparece como n\u00e3o apenas ileg\u00edtima, mas como imposs\u00edvel.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cn\u00e3o precisamos ser agentes ativos de nossa morte\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Afinal, resist\u00eancia contra o que, se n\u00e3o h\u00e1 lado de fora? Todo dia o sistema nos obriga a ser coniventes com nossa pr\u00f3pria morte, a tomarmos parte nela de modo ativo. Todo dia, nos suicidamos um pouco. H\u00e1 a possibilidade da recusa. \u00c9 preciso lembrar isso, \u00e9 preciso lembrar que n\u00e3o precisamos ser agentes ativos de nossa morte. S\u00f3 assim podemos sair da conduta suicid\u00e1ria. E se formos obrigados, seja por um corte de sal\u00e1rio ou por uma multa, seja por amea\u00e7a de pris\u00e3o ou for\u00e7a f\u00edsica, ficar\u00e1 ao menos evidente que h\u00e1 um fora resistindo ao totalitarismo travestido de governo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>N\u00e3o votar \u00e9 apenas um caso desses, obviamente. E nem \u00e9 o mais importante.<\/p>\n<p>\u2013 <strong>Em 2018 tivemos uma candidatura fascista, objetivada em declara\u00e7\u00f5es de menosprezo e humilha\u00e7\u00e3o p\u00fablica de pessoas negras, ind\u00edgenas, mulheres, LGBTQIA+, nordestinas. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Naquele momento, houve diverg\u00eancia entre pessoas que n\u00e3o votam por posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pois algumas foram favor\u00e1veis a votar devido \u00e0s amea\u00e7as que se anunciavam. De que forma voc\u00ea enxerga a diverg\u00eancia entre n\u00e3o votar, em hip\u00f3tese alguma, e votar em determinadas circunst\u00e2ncias? <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201cfocar em ganhar elei\u00e7\u00f5es tira a for\u00e7a e captura a luta concreta\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Votar para anarquistas n\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gia para modifica\u00e7\u00e3o da sociedade e pode, sim, ser contradit\u00f3rio com tal modifica\u00e7\u00e3o na medida em que focar em ganhar elei\u00e7\u00f5es tira a for\u00e7a e captura a luta concreta, minando movimentos e lutas sociais por dentro e direcionando as organiza\u00e7\u00f5es de base para interesses que n\u00e3o s\u00e3o os seus.<\/p>\n<p>De maneira geral, o foco no processo eleitoral joga a sociedade mais \u00e0 direita. Isso se opera em rela\u00e7\u00e3o interna com o funcionamento mesmo da representa\u00e7\u00e3o, que \u00e9 sempre necessariamente excludente e procede continuamente pela produ\u00e7\u00e3o de um \u00e2mbito elimin\u00e1vel. Dito isso, \u00e9 importante ressaltar que votar pontualmente n\u00e3o suspende a identidade anarquista de ningu\u00e9m.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cn\u00e3o deve ser julgado individualmente, muito menos moralmente\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Eu, particularmente, n\u00e3o vejo como uma a\u00e7\u00e3o nem mesmo t\u00e1tica. Vejo como um desespero, compreens\u00edvel, inclusive, mas que n\u00e3o deve ser julgado individualmente, muito menos moralmente. Ir l\u00e1 e votar em um caso espec\u00edfico n\u00e3o significa tanta coisa, desde que n\u00e3o se perca o foco do que \u00e9 realmente fundamental.<\/p>\n<p>Muitos falam em se escolher o inimigo contra o qual se quer duelar, e muitas vezes eu diria que o pior inimigo n\u00e3o \u00e9 aquele obviamente pior. Mas essa abordagem pode ser boa por se entender que a luta mesmo se d\u00e1 em outro local, em outro \u00e2mbito, e n\u00e3o pelo processo eleitoral.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cmaldito discurso que propaga o medo\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Fora isso, h\u00e1 o maldito discurso que propaga o medo: temos que votar em tal candidato porque de outro modo algo terr\u00edvel vai acontecer. Este discurso \u00e9 feito pelos dois lados. Sempre, tenham medo, votem em algu\u00e9m para evitar uma cat\u00e1strofe. Tenham medo, escolham um senhor para prote\u00e7\u00e3o. Ora, as coisas j\u00e1 est\u00e3o p\u00e9ssimas, muito terr\u00edveis mesmo, e v\u00e3o piorar.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o voto que vai evitar uma cat\u00e1strofe maior. A cat\u00e1strofe est\u00e1 posta. Ela \u00e9 conjuntural. Ela \u00e9 a fase atual do capitalismo, e ningu\u00e9m vai nos salvar. \u00c9 preciso colocar peso nas lutas que acreditamos. E \u00e9 preciso n\u00e3o ter medo tamb\u00e9m para focar no que pode mudar as coisas realmente.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Al\u00e9m do n\u00e3o voto eleitoral, que caminhos se apresentam para a parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira, e mundial, que n\u00e3o acredita mais viver sob um regime dito democr\u00e1tico? O que fazer?<\/strong><\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00e9 da a\u00e7\u00e3o direta e n\u00e3o \u00e9 da representa\u00e7\u00e3o\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Eu gosto da reformula\u00e7\u00e3o da pergunta: n\u00e3o o que fazer, mas o como fazer, pois isso j\u00e1 carrega a ideia de que os meios s\u00e3o os fins. O que a gente faz \u00e9 como a gente faz.<\/p>\n<p>N\u00e3o vejo outro caminho que n\u00e3o seja a constru\u00e7\u00e3o de uma outra pol\u00edtica, na qual os o meios s\u00e3o os fins. O que significa dizer que n\u00e3o separa p\u00fablico e privado, o que significa dizer que \u00e9 da a\u00e7\u00e3o direta e n\u00e3o \u00e9 da representa\u00e7\u00e3o. Esta pol\u00edtica \u00e9 relegada ao \u00e2mbito do imposs\u00edvel porque \u00e9 massacrada, exterminada diretamente, perseguida como um nada, at\u00e9 que apare\u00e7a como ut\u00f3pica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00e9 preciso sair de casa, recusar o que est\u00e1 posto e se auto-organizar\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar disso, ela est\u00e1 viva, tem uma hist\u00f3ria. Ocorrem debaixo de nossos olhos in\u00fameras formas de vida em resist\u00eancia, mas para contribuir com isso \u00e9 preciso sair de casa, recusar o que est\u00e1 posto e se auto-organizar. Largar as telinhas e o conforto de ser uma atomiza\u00e7\u00e3o consumidora por algoritmos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 uma receita e n\u00e3o \u00e9 uma lista de tarefas, mas \u00e9 poss\u00edvel come\u00e7ar onde se est\u00e1. Nas rela\u00e7\u00f5es de amizade, na auto-organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os libertos, onde estamos inseridas e inseridos, nos pequenos grupos e na rede entre estes grupos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com Camila Jourdan &nbsp; A fim de ampliar e qualificar as discuss\u00f5es sobre processos democr\u00e1ticos e garantia de direitos, Pressenza conversou, por email, com pessoas que se identificam com a teoria e as pr\u00e1ticas anarquistas. 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