{"id":1234277,"date":"2020-11-08T03:56:09","date_gmt":"2020-11-08T03:56:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1234277"},"modified":"2020-11-08T12:18:24","modified_gmt":"2020-11-08T12:18:24","slug":"um-homem-simples-demais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/11\/um-homem-simples-demais\/","title":{"rendered":"Um homem simples demais"},"content":{"rendered":"<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":sy\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":sz\" class=\"a3s aiL \">\n<h5><span style=\"color: #999999;\">RELATO<\/span><\/h5>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"gs\">\n<div class=\"\">\n<div id=\":sy\" class=\"ii gt\">\n<div id=\":sz\" class=\"a3s aiL \">\n<p>Tarde de janeiro. O ver\u00e3o torrando a mente num calor \u00famido. Certo s\u00f3 a chuva no final do dia. N\u00e3o que refresque a noite.<\/p>\n<p>A chuva lava o povoado levando para os rios todo tipo de lixo jogado pela cidade. Mas o rio vomita de volta tudo que nele jogam.\u00a0\u00a0Comerciantes limpariam a lama, de frente as suas lojas, no dia seguinte. As donas de casa tamb\u00e9m lavariam as cal\u00e7adas. Janeiro era assim naquele lugar, naquela regi\u00e3o que parecia ser vizinha do inferno.<\/p>\n<p>Mas naquele dia o vento n\u00e3o armava as nuvens prenunciando o aguaceiro. A mansid\u00e3o estava insistentemente azul com um sol de rachar cascos de cavalo na terra. Nem as aves ousavam sair dos ninhos pra mergulhar nas \u00e1guas que batiam nas pedras rio abaixo.<\/p>\n<p>Das varandas das casas, alinhadas na rua principal, os moradores tentavam se refrescar num ensandecido abano, j\u00e1 que a brisa n\u00e3o vinha. Sopro s\u00f3 do leques das mo\u00e7as do lugar.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha vento sul e nem nordeste. Os carros, que cruzavam a rua &#8211; eram poucos &#8211; vinham com as janelas fechadas, deixando claro que o ar condicionado estava ligado.<\/p>\n<p>De repente surge na rua Azul\u00e3o, um negro alto de voz gutural, que de t\u00e3o negro parecia ser azul marinho. Seu nome verdadeiro tinha se perdido no tempo passado, ningu\u00e9m sabia, nem ele mesmo.\u00a0\u00a0Azul\u00e3o era respeitado por todos, muito mais por medo, do que por outra coisa. Diziam que ele tinha o dom da adivinha\u00e7\u00e3o, mas que vivia dizendo suas profecias sem que as pessoas ao menos pedissem. Isso causava um certo temor do que ele poderia dizer a revelia,\u00a0\u00a0na frente de todos ou de algum inimigo. Normalmente ele\u00a0\u00a0batia ponto na barbearia. L\u00e1 ele era bem vindo, pois abastecia de assuntos os clientes do lugar. Pr\u00e9via de tudo; de resultado do jogo de bicho a sexo de crian\u00e7a, passando por progn\u00f3stico pol\u00edtico nas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas naquele dia de janeiro Azul\u00e3o agia diferente, olhava para o c\u00e9u como se estivesse esperando um outro tipo de chuva. Seu olhar profundo e a testa franzida demostrava\u00a0\u00a0saber o que estava por vir. Jo\u00e3o da Barbearia percebeu e do outro lado da rua , abriu a porta de vidro do seu estabelecimento, olhou para cima e mandou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 O que diabos voc\u00ea est\u00e1 olhando Azul\u00e3o? Est\u00e1 prevendo chuva?<\/p>\n<p>Azul\u00e3o olhou pra ele e respondeu em voz alta pra todos ouvirem:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Hoje o grande raio vem partir a pedra ao meio.<\/p>\n<p>As mulheres nas varandas se benzeram e desconjuraram o coitado. Jo\u00e3o Barbeiro deu com a m\u00e3o e disse que tinha mais o que fazer, voltando pra dentro da loja.<\/p>\n<p>Mas quem ficou na varanda percebeu uma nuvem sobre a serra da pedra preta se aproximar. Azul\u00e3o apontou pra ela e disse:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Olha l\u00e1!<\/p>\n<p>Nelson Bicudo esticou o pesco\u00e7o e conseguiu ver, sem tirar a bunda da cadeira, a tal nuvem e chamou Margarida, sua mulher, pra ver tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Margarida o repreendeu por dar cr\u00e9dito a um sujeito iletrado que s\u00f3 vivia fazendo previs\u00f5es estapaf\u00fardias no seu entender. Religiosa, ela s\u00f3 acreditava no padre da par\u00f3quia do lugar \u2013 mal sabia ela que o padre escondia um litro de purinha, do alambique do lugar no arm\u00e1rio da sacristia. A hipocrisia fazia parte da cultura local.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Barbeiro percebeu o movimento e voltou a cal\u00e7ada. Azul\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o estava no mesmo lugar. Ia adiante apontando pra nuvem que continuava ganhando o c\u00e9u empurrada, agora, por um vento sul. Azul\u00e3o sabia que ia chover, mas insistia que seria diferente, que n\u00e3o ia ter rio pra conter tanta \u00e1gua que ia cair.<\/p>\n<p>Em pouco mais de meia hora o c\u00e9u do lugar estava todo coberto. Uma revoada de andorinhas deixou claro que choveria logo a seguir. Mas o dia estava virando noite antes da hora. Azul\u00e3o gritava que o grande raio iria cair a qualquer momento como pren\u00fancio da enxurrada. As mulheres come\u00e7aram a esvaziar os varais e os homens a recolher os animais.<\/p>\n<p>Margarida, agora preocupada, mandou o marido gritar Azul\u00e3o pra ele explicar melhor o que ele sabia. Nelson Bicudo, obediente e servil, berrou para Azul\u00e3o voltar at\u00e9 a frente de sua casa. Azul\u00e3o disse que n\u00e3o podia.<\/p>\n<p>At\u00e9 que Margarida, astuta, lhe ofereceu um peda\u00e7o de broa de milho com caf\u00e9. Nelson assim fez e fisgou o profeta pelo est\u00f4mago. Azul\u00e3o voltou e sentou-se na escada da casa, dali n\u00e3o passava. Aquela era a melhor paga que o pobre homem podia receber. Era desapegado por demais de bens materiais.<\/p>\n<p>Na mesma hora Jo\u00e3o fechou a barbearia, Maria largou o tanque, Z\u00e9 amarrou o burro e todos foram l\u00e1 escutar aquele que desdenhavam, mas que sabiam s\u00e1bio e especial.<\/p>\n<p>Bicudo p\u00f4s o prato com os peda\u00e7os de broa e a caneca de \u00e1gata cheia de caf\u00e9 fresquinho, antes mesmo de Azul\u00e3o sentar. Azul\u00e3o vestia o mesmo mandri\u00e3o branco encardido e pu\u00eddo de sempre. Tinha uma barba rala e cabelo desgrenhado. Seus dentes eram incrivelmente brancos e conservados.<\/p>\n<p>Margarida, num tom c\u00e9tico e agressivo, come\u00e7ou aquilo que deveria ser uma consulta, mas tinha um ar de tribunal do j\u00fari.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Azul\u00e3o, que hist\u00f3ria \u00e9 essa de raio que vai partir o povoado ao meio? T\u00e1 doido?<\/p>\n<p>Azul\u00e3o, com o peda\u00e7o de broa na boca:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Voc\u00eas sabe que a gente \u00e9 que nem bicho, que nem planta, que nem os peixes du rio.<\/p>\n<p>Margarida, desconfiada:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Eu n\u00e3o sei nada disso n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Mas somu! Tudo foi Deus que fez.<\/p>\n<p>Responde Azul\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Nisso voc\u00ea tem raz\u00e3o. Mas eu n\u00e3o sou que nem bicho n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Ent\u00e3o. A natureza somu n\u00f3s. E n\u00f3s n\u00e3o pode maltratar as coisas do jeito que a gente t\u00e1.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Como assim Azul\u00e3o? Interrompeu Nelson bicudo.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Jogando lixo no mato, derrubando a mata, matando os anim\u00e1, prendendo os passarinho nas gaiola&#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Mas o que isso tem a ver com o tal raio? Quis saber Dorinha.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Tem tudo a ver. N\u00f3s somos mais \u00e1gua que carne.<\/p>\n<p>Margarida, querendo terminar a fala decretou:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Azul, vai direto ao ponto. J\u00e1 escureceu tudo e n\u00e3o demora vai cair um p\u00e9 d\u2019\u00e1gua daqueles. Ali\u00e1s j\u00e1 vimos muitos por aqui.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014Mas esse \u00e9 diferente. Olhe pru c\u00e9u e veja os desenho das nuvens. Como elas se embolotam umas nas outras. Parece que est\u00e3o se engolindo.<\/p>\n<p>Maria e Z\u00e9 do Burro olham pra cima e gritam juntos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Est\u00e3o mesmo!<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Nesta tarde noite a \u00e1gua vai levar gente pra sempre, carro, casa&#8230;o rio vai subir e devolver tudo pra natureza.<\/p>\n<p>Afirma Azul\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Cruzes!<\/p>\n<p>Gritou Jo\u00e3o barbeiro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014Creio em Deus Pai!<\/p>\n<p>Disse outro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Mas \u00e9 em nome de Deus mesmo. Nada ser\u00e1 sem consentimento dele.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Mas isso \u00e9 pra j\u00e1?<\/p>\n<p>Quis saber Isabel, que chegou no meio da prosa.<\/p>\n<p>Azul\u00e3o respondeu com aquele vozeir\u00e3o que mete medo em qualquer um:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Primeiro ser\u00e1 o grande estrondo. O choque entre as grandes nuvens negras. Depois o raio ir\u00e1 cair demarcando o lugar onde a tromba\u00a0\u00a0, cabe\u00e7a d\u2019\u00e1gua vai cair. Ser\u00e1 t\u00e3o intenso que a montanha descer\u00e1 e pedras v\u00e3o alterar o percurso do riacho e das ruas.<\/p>\n<p>Desesperado e com voz fina Z\u00e9 do burro quis saber:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Ser\u00e1 o fim ent\u00e3o? O que devemos fazer?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Devemos ajoelhar e rezar. N\u00e3o adianta correr.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Mas se nem Deus ir\u00e1 nos escutar, por que rezar?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Pra acalmar a natureza e pedir perd\u00e3o por n\u00e3o respeit\u00e1.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Seremos levados pela enxurrada se ficarmos aqui. Constatou Jo\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Sim e n\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Como assim?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">\u2014 Alguns ficar\u00e3o, outros seguir\u00e3o e os que sobrarem contar\u00e3o os fatos\u00a0\u00a0aqueles que vir\u00e3o resgatar.<\/p>\n<p>Quando azul\u00e3o acabou de falar o grande estrondo aconteceu. Foi t\u00e3o alto que Z\u00e9 do burro se urinou todo. Nos quintais cachorros latiam e as galinhas fugiam de uma lado para o outro. Margarida correu pra sua sala, se ajoelhou em frente ao quadro de Nossa Senhora e se p\u00f4s a rezar. Jo\u00e3o correu pra barbearia pra colocar tudo pra cima. Nelson Bicudo, at\u00f4nito, s\u00f3 reagiu depois de ouvir os gritos de Margarida e se colocou de joelhos ao lado dela refor\u00e7ando a rezaria. Z\u00e9 foi soltar seu burro pra ele n\u00e3o morrer enforcado pela corda. S\u00f3 Maria, singela como uma flor, agradeceu a Azul\u00e3o por avisar a todos o que estava por acontecer. Ela n\u00e3o temia, pois sabia que somente aquele homem simples, desdenhado por todos, poderia ser alcan\u00e7ado por tamanha sabedoria e miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como previra, o raio bateu na serra da pedra preta partindo a rocha em duas faces, que se soltaram e atingiram o ch\u00e3o. Choveu tanto que sobraram poucos pra contar. Azul\u00e3o cumpriu sua miss\u00e3o. Seu corpo desceu rio abaixo e nunca mais apareceu. Desencarnou sem nenhum tipo de reconhecimento em vida. Virou barro em algum sumidouro do rio, assim como muitos. N\u00e3o fugiu da sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Azul\u00e3o sabia demais. Desde cedo compreendeu\u00a0\u00a0a natureza como poucos.\u00a0\u00a0Outros iguais a ele est\u00e3o por por a\u00ed sem ser escutados. Se n\u00e3o ouvirmos os sinais, s\u00f3 restar\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o do jeito\u00a0\u00a0que s\u00f3 a natureza sabe realizar. Do barro viemos ao barro voltaremos.<\/p>\n<p>No ano seguinte ao ocorrido nasceu tanta crian\u00e7a naquele lugar que foi uma alegria s\u00f3. O tempo pariu uma nova vida que ir\u00e1 contar, quem sabe, uma outra hist\u00f3ria.<\/p>\n<hr \/>\n<p>* Pintor, cartunista e ilustrador. Tamb\u00e9m \u00e9 professor de desenho.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/d.a_desenhos\/?igshid=3pnm4u7y361t%E2%80%9C\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instagram<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RELATO &nbsp; &nbsp; Tarde de janeiro. O ver\u00e3o torrando a mente num calor \u00famido. Certo s\u00f3 a chuva no final do dia. N\u00e3o que refresque a noite. 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