{"id":1224152,"date":"2020-10-25T03:56:31","date_gmt":"2020-10-25T03:56:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1224152"},"modified":"2020-10-24T16:33:21","modified_gmt":"2020-10-24T15:33:21","slug":"e-foi-sera-teatro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/10\/e-foi-sera-teatro\/","title":{"rendered":"\u00c9. Foi. Ser\u00e1. Teatro?"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">DAN\u00c7A<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto Ren\u00e9 Magritte, na B\u00e9lgica, manejava as tintas de <em>A reprodu<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o proibida <\/em>(1937), nossa imagem de capa, Walter Benjamin escrevia, na Alemanha, <em>A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t<\/em><em>\u00e9<\/em><em>cnica<\/em> (diversas vers\u00f5es, 1935-1939), publicado somente em 1955. Sabemos que o enigma\/paradoxo ensejado por Magritte n\u00e3o resenha, como obra de arte, a ant\u00edtese dos postulados de Benjamin. Sabemos tamb\u00e9m que, ambos, cada qual no seu dom\u00ednio, jamais poderiam supor aonde o distanciamento social relativo \u00e0 pandemia pelo COVID-19 levaria as artes vivas em sua reprodutibilidade nos meios digitais. Refiro-me ao que, desde as recomenda\u00e7\u00f5es da OMS relativas ao comportamento social em plena pandemia global, vem sendo chamado de migra\u00e7\u00e3o digital das artes vivas.<\/p>\n<p>Frente ao imperativo do confinamento, talvez restasse \u00e0s artes da cena, aquelas que \u00e0 princ\u00edpio dependem da presencialidade, cantar junto com Buarque &#8220;O que ser\u00e1 que ser\u00e1?&#8221;<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Futuro incerto, presente opressivo. Especialmente no Brasil, dado que \u00e0 pandemia pelo Covid-19 ajuntou-se o not\u00f3rio pandem\u00f4nio pol\u00edtico. Vinda de um progressivo desmonte das pol\u00edticas p\u00fablicas de cultura em curso desde o golpe de 2016, a situa\u00e7\u00e3o agravou-se no in\u00edcio de 2020, marcada pela mais absoluta impossibilidade de venda por parte dos trabalhadores da cultura, especialmente dos artistas da cena, de sua for\u00e7a de trabalho. N\u00e3o fosse a for\u00e7a irruptiva da arte brasileira a nos surpreender tanto no campo da luta pol\u00edtica<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> quanto no campo da inventividade criativa, este quadro permaneceria assim at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>No per\u00edodo inicial de toda essa mudan\u00e7a, como agora, a condi\u00e7\u00e3o da sensibilidade social era a de milh\u00f5es de pessoas, qui\u00e7\u00e1 milhares (h\u00e1 sempre que se levar em conta, sobretudo no Brasil, a exclus\u00e3o digital), encerradas em suas casas diante das telas, fossem dos celulares, tablets ou computadores. Passado o primeiro susto e configurada a certeza de que aquela circunst\u00e2ncia n\u00e3o era passageira, come\u00e7ou-se a ouvir aqui e ali iniciativas independentes, ou seja sem contar com apoio do poder p\u00fablico, coletivas ou individuais de artistas da cena sendo realizadas nos meios digitais. O movimento ganhou vulto e a <em>live<\/em> tornou-se lei.<\/p>\n<p>Foi em meio a toda essa circunst\u00e2ncia que aceitei com anima\u00e7\u00e3o o convite do 27\u00ba <a href=\"https:\/\/www.fntguaramiranga.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga<\/a><sup>[3]<\/sup>\u00a0 para curar a sua Mostra Nordeste 2020, junto com Paula de Renor\u00a0 (PE) e Celso Curi (SP). Minha anima\u00e7\u00e3o mediava a cumplicidade da artista e a curiosidade da pesquisadora, uma vez que a equipe do festival decidira corajosamente resistir ao desmonte realizando esta edi\u00e7\u00e3o, e mais corajosamente ainda ela seria toda realizada no modo remoto. Era o festival realizando aquilo que faz de melhor nas suas quase tr\u00eas d\u00e9cadas de exist\u00eancia: re-existir junto com os artistas.<\/p>\n<p>Dos 98 trabalhos submetidos \u00e0 convocat\u00f3ria, t\u00ednhamos que escolher 10 para que o festival compusesse os seus 6 dias de programa\u00e7\u00e3o, ocorrendo de 26\/9 a 1\/10\/2020. A cada noite dupla de apresenta\u00e7\u00f5es seguiam-se, nas manh\u00e3s subsequentes, debates entre os curadores e os grupos ou artistas da noite anterior, mediados pelo jornalista e pesquisador cearense Magela Lima. A programa\u00e7\u00e3o contemplou 5 dos 8 estados do Nordeste representados (infelizmente n\u00e3o havia nenhuma inscri\u00e7\u00e3o do Piau\u00ed). Da apresenta\u00e7\u00e3o na \u00edntegra de performances filmadas, trouxemos Entrelinhas (BA); Trilogia Afeminada (CE) e Respire &#8211; A Manifesta (SE). Das adapta\u00e7\u00f5es de obras originariamente c\u00eanicas para as plataformas, que chamarei aqui de <em>transcria<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, contamos com Metr\u00f3pole On-line (CE), Um Sebasti\u00e3o Flechado (CE) e A Casat\u00f3ria C&#8217;a Defunta (RN). J\u00e1 O Evangelho Segundo Vera Cruz (PE), Fragmentos de um Teatro Decomposto (BA), CL\u00c3_DESTIN@ \u2013 Uma Viagem Cibern\u00e9tica (RN) e Tudo o que Coube numa VHS (PE) responderam pelas proposi\u00e7\u00f5es gestadas de sa\u00edda para os suportes digitais. O <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/results?search_query=fnt+guaramiranga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">canal no YouTube do festival<\/a> serviu de suporte tanto para a exibi\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos, quanto para as obras e debates acontecentes em tempo real na plataforma Zoom via<em> live streaming<\/em>.<\/p>\n<p>Acostumado ao apetite pelo movimento e \u00e0 suposta continuidade espa\u00e7o-temporal do palco, h\u00e1, nas obras, um interessante embate do corpo com os meios (c\u00e2mera fixa; c\u00e2mera m\u00f3vel; enquadramentos; capta\u00e7\u00e3o da voz; lida de fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas exercidas pelos pr\u00f3prios atores etc.) e com as plataformas (Zoom; Instagram; WhatsApp; YouTube; E-mail etc.) para faz\u00ea-los conspirar com a a\u00e7\u00e3o. Como os trabalhos ao mesmo tempo aprendem e nos ensinam, movimento n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de deslocamento; corporeidade n\u00e3o se restringe ao corpo; a presencialidade n\u00e3o \u00e9 prerrogativa para o contato e o encontro; o modo ao vivo n\u00e3o se contrap\u00f5e ao modo remoto. Teatro? As obras se unem \u00e0 pergunta que n\u00e3o quer calar, tamb\u00e9m pronunciada pela organiza\u00e7\u00e3o do festival que elegeu como mote da edi\u00e7\u00e3o 2020, a firme senten\u00e7a: &#8220;\u00c9. Foi. Ser\u00e1. Teatro.&#8221; Interessant\u00edssimas discuss\u00f5es s\u00e3o pass\u00edveis de levantar, mesmo diante de um recorte t\u00e3o pequeno de obras, e s\u00e3o elas o que nos cabe aqui desenvolver, mas, como n\u00e3o poderia ser diferente, feitas caso a caso como requer o respeito ao gesto singular de cada iniciativa. Para isso, ora aqui ora ali, vou citar trechos das sinopses dos trabalhos ou de declara\u00e7\u00f5es dos artistas colhidas nos debates.<\/p>\n<p><strong>Dos v<\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>deos das obras exibidos na <\/strong><strong>\u00ed<\/strong><strong>ntegra<\/strong><\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar por duas mulheres que comparecem ao festival com seus trabalhos-solo, ambas de sa\u00edda parecendo entoar forte o feminismo com Beth\u00e2nia: &#8220;Mexe n\u00e3o\/&#8230;Mexe comigo, que eu n\u00e3o ando s\u00f3\/Eu n\u00e3o ando s\u00f3, que eu n\u00e3o ando s\u00f3\/Mexe n\u00e3o&#8221;, versos da can\u00e7\u00e3o <em>Carta de amor<\/em><a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> lan\u00e7ada em 2012, mesmo ano em que Jaqueline Elesb\u00e3o criou o seu Entrelinhas, \u00fanica obra de dan\u00e7a da programa\u00e7\u00e3o. Antes de continuar, entretanto, pe\u00e7o licen\u00e7a para entrar no seu terreiro sendo eu uma mulher branca, de origem sudestina, cisg\u00eanero e heterossexual, professora universit\u00e1ria, ciente, portanto, do meu lugar privilegiado de fala. O contundente gesto de Jaque, que tem superlativo no sobrenome, obriga-me a tal, assim como outros trabalhos presentes no evento comentados na sequ\u00eancia<\/p>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o de 35min foi gravada especialmente para o festival. A grava\u00e7\u00e3o \u00e9 feliz solu\u00e7\u00e3o audiovisual para a apresenta\u00e7\u00e3o remota do discurso de Jaque ao acompanh\u00e1-la com a c\u00e2mera em tomada geral da cena, por\u00e9m muito pr\u00f3xima de seu corpo, de seus movimentos, de sua pele. O assunto em quest\u00e3o, no entanto, tanto l\u00e1 como aqui, n\u00e3o \u00e9 a cor da pele da int\u00e9rprete, mas a condi\u00e7\u00e3o de negritude que a pe\u00e7a performa. Como condi\u00e7\u00e3o, requisita que seja denunciada a narrativa colonial da &#8220;viol\u00eancia contra a mulher (&#8230;) historicamente silenciada dentro de uma sociedade opressora, machista e de mentalidade escravocrata&#8221;, ao mesmo tempo em que sejam performados os modos contranarrativos atrav\u00e9s dos quais essa mulher ganha voz e resiste. Voz, fala e palavra aqui devem ser entendidas como discurso f\u00edsico j\u00e1 que a obra se comp\u00f5em por uma &#8220;narrativa essencialmente visual&#8221;. Ganha destaque a carateriza\u00e7\u00e3o da int\u00e9rprete e os <em>objetos-corpo<\/em> cuja lida corrompe neles a no\u00e7\u00e3o de objeto c\u00eanico. \u00c9 essa lida que comp\u00f5e a estrutura dramat\u00fargica da obra. Cada objeto performado enuncia estados de corpo transit\u00f3rios e espec\u00edficos de onde saem as dan\u00e7as a eles correspondentes. H\u00e1 conjuntamente, por\u00e9m, um estado de corporeidade constante, cont\u00ednuo e de fundo que de fato prov\u00e9m l\u00e1 do fundo dos nervos e da musculatura compacta de Elesb\u00e3o. \u00c9 o modo como a artista responde criticamente \u00e0 sua forma\u00e7\u00e3o, pasmem!, em sua primeira incurs\u00e3o coreogr\u00e1fica. Trata-se de um corpo outrora eximiamente treinado na dan\u00e7a c\u00eanica branca ocidental, sob a a\u00e7\u00e3o de suas viol\u00eancias psicol\u00f3gicas intr\u00ednsecas e de seu racismo estrutural, que ousou enegrecer a sua <em>mis-en-sc<\/em><em>\u00e8<\/em><em>ne<\/em> &#8220;para n\u00e3o morrer&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224300\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224300\" class=\"wp-image-1224300 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrelinhas.-Foto-de-Joa\u0303o-F.-Tavares-Kawasaki.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrelinhas.-Foto-de-Joa\u0303o-F.-Tavares-Kawasaki.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Entrelinhas.-Foto-de-Joa\u0303o-F.-Tavares-Kawasaki-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224300\" class=\"wp-caption-text\">Entrelinhas. Foto de Joa\u0303o F. Tavares Kawasaki<\/p><\/div>\n<p>Em bitola completamente distinta, Jaque performa &#8220;o que \u00e9 que a baiana tem&#8221;<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>. A int\u00e9rprete traja um ac\u00famulo de suti\u00e3s sobrepostos, uma m\u00e1scara de flandres<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> que lhe cobre a boca e uma tanga-placa com c\u00f3digo de barras, essa que, ao longo da pe\u00e7a, ser\u00e1 momentaneamente substitu\u00edda por uma tanga-cruz, ambas cumprindo a fun\u00e7\u00e3o de cobrir e ao mesmo tempo enunciar o seu sexo. A bunda est\u00e1 sempre \u00e0 mostra para que nosso olhar <em>voyeur<\/em> seja constantemente flagrado e complete sua fun\u00e7\u00e3o como <em>partner<\/em> da obra. Sim, os espectadores somos denunciados na plateia em nosso consumismo do corpo negro. Elesb\u00e3o fala &#8220;com os seus&#8221; e nesta conversa n\u00f3s, brancos consumidores de cultura, \u00e9 que somos objetificados. Durante o debate p\u00f3s-apresenta\u00e7\u00e3o revela seu afrofuturismo projetando o acontecimento de um espet\u00e1culo negro que admita somente negros, negras e negres como p\u00fablico. Mas Jaque n\u00e3o imagina a revolu\u00e7\u00e3o. Ela a faz num <em>continuum<\/em> de arte e vida mediada pelo estado performativo constante de sua negritude mulher. Quando fala de &#8220;uma plateia s\u00f3 de pretos&#8221; n\u00e3o constr\u00f3i somente uma afrotopia. Trata-se de um pr\u00f3ximo projeto que ela mesma diz, &#8220;vai acontecer!&#8221;. Escurece, assim, a intelig\u00eancia de sua proposi\u00e7\u00e3o na qual a cena \u00e9 licen\u00e7a para enunciar a performatividade da especta\u00e7\u00e3o. De volta a Entrelinhas, no longu\u00edssimo, progressivo e brutal striptease de suti\u00e3s que performa, Jaque namora com o horror e somos n\u00f3s que terminamos nus e envergonhados.<\/p>\n<p>&#8220;A roupa \u00e9 branca, a alma \u00e9 branca, o v\u00e9u \u00e9 branco, a lingerie \u00e9 branca, a meia \u00e9 branca, o assassino \u00e9 branco, o sistema \u00e9 branco, o silenciamento \u00e9 branco, o assassinato \u00e9 vermelho.&#8221;, essa declara\u00e7\u00e3o d\u00e1 o tom da jovem e valente Barbara Leite Matias, proveniente do Crato, interior do Cear\u00e1. A autora comparece ao festival com a sua Trilogia Afeminada (60min de dura\u00e7\u00e3o) formada pelos v\u00eddeos das a\u00e7\u00f5es performativas Influxo, L\u00edquida e Carca\u00e7a, exibidos nesta ordem. Em nenhum dos tr\u00eas casos trata-se propriamente de registros dos trabalhos, mas de v\u00eddeos que performam as obras como suporte audiovisual. Em cada uma das delas, Barbara faz uma caminhada pelas ruas partindo sempre de um aclive na dire\u00e7\u00e3o de um declive. Diferente da reden\u00e7\u00e3o ascensional franqueada pela mitologia crist\u00e3, a salva\u00e7\u00e3o da mulher contempor\u00e2nea \u00e9 uma descida. B\u00e1rbara tamb\u00e9m carrega &#8220;os seus&#8221;, melhor dizendo &#8220;as suas&#8221;, pois atualiza no hoje da representa\u00e7\u00e3o o que ela chama de &#8220;ecologia de acolhimento de fazeres&#8221;, sempre em a\u00e7\u00e3o de comunidade de sua Flecha Lan\u00e7ada Arte (nome do coletivo). As remiss\u00f5es ao terreno do sagrado aqui n\u00e3o s\u00e3o gratuitas, pois \u00e9 mesmo disso que se trata: a arte da performance como uma arte de cura.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224290\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224290\" class=\"wp-image-1224290 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Barbara-Leite-Matias-em-Influxo.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Barbara-Leite-Matias-em-Influxo.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Barbara-Leite-Matias-em-Influxo-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224290\" class=\"wp-caption-text\">Barbara Leite Matias, em Influxo<\/p><\/div>\n<p>Em L\u00edquida, a int\u00e9rprete-criadora carrega uma caba\u00e7a cheia de \u00e1gua sobre a cabe\u00e7a e um copo de alum\u00ednio amarrado com barbante a seu pesco\u00e7o. Enquanto anda e canta, convida os passantes a tomar daquele l\u00edquido que gentilmente serve a quem assente e o aceita. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 simples, por\u00e9m muito efetiva, permitindo aos pedestres o acesso \u00e0 hidrata\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce que &#8220;amolece como as m\u00e3os das nossas av\u00f3s&#8221;. Tamb\u00e9m a n\u00f3s espectadores da trilogia, autoriza certa dilui\u00e7\u00e3o do sangue denso, j\u00e1 seco, que testemunhamos escorrer na obra imediatamente anterior. Em Influxo, enquanto caminha, Barbara carrega preso entre os dentes um ralador de alum\u00ednio no qual raspa repetida e continuamente uma beterraba cujo l\u00edquido vermelho, aos poucos, vai escorrendo e manchando a sua alva vestimenta. \u00c9 tamb\u00e9m um trabalho-den\u00fancia dos in\u00fameros feminic\u00eddios que acontecem diariamente no pa\u00eds, como o de Silvany In\u00e1cio de Sousa<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, ocorrido no Crato em 2018 (que ano!). Segundo Barbara, &#8220;feminic\u00eddios s\u00e3o memoric\u00eddios&#8221; na medida em que &#8220;morre o corpo da mulher e morre com ele toda uma mem\u00f3ria com a toda a sua ancestralidade&#8221;. Em Carca\u00e7a, a autora faz uma longa caminhada pela cidade trajando capa de chuva amarela de pl\u00e1stico, botas de cano m\u00e9dio e saltos e, como anuncia o t\u00edtulo, a carca\u00e7a de uma cabe\u00e7a de vaca atada \u00e0 sua fronte. O sol cearense que corta a carne como uma faca desacorda com a vestimenta de uma figura que enseja ao mesmo tempo futurismo e arca\u00edsmo e cuja presen\u00e7a interv\u00e9m no cotidiano mais ordin\u00e1rio da vida p\u00fablica. Terminam o v\u00eddeo e o programa sem muito aviso, e ficamos com Barbara em nosso imagin\u00e1rio, ainda l\u00e1 andando e andando. Junto com ela caminham as tantas de um povo por vir.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224280\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224280\" class=\"wp-image-1224280 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Respire-A-Manifesta.-Foto-de-Manoela-Velo\u0302so.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Respire-A-Manifesta.-Foto-de-Manoela-Velo\u0302so.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Respire-A-Manifesta.-Foto-de-Manoela-Velo\u0302so-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224280\" class=\"wp-caption-text\">Respire, A Manifesta. Foto de Manoela Velo\u0302so<\/p><\/div>\n<p>Respire &#8211; A Manifesta, realizada na Casa 10, sede do grupo Caixa C\u00eanica, de Sergipe, como o pr\u00f3prio nome sugere, d\u00e1-se como linguagem a meio caminho entre a cena e a celebra\u00e7\u00e3o. O trabalho resulta de um processo de colabora\u00e7\u00e3o entre os tr\u00eas atuadores (Audevan Cai\u00e7ara; Diane Veloso; Jonathan Rodrigues) e o diretor carioca Sidnei Cruz. O quarteto mergulha fundo na imers\u00e3o vivencial do suporte instalativo de modo a realizar como festa, o seu manifesto. Para isso se aventuram nos des\u00edgnios da desrepresenta\u00e7\u00e3o e da desmontagem em torno de contos do livro <em>Angu de sangue<\/em>, de Marcelino Freire, para elaborarem um rigoroso roteiro dramat\u00fargico que conta tamb\u00e9m com can\u00e7\u00f5es de Alex Sant\u2019Anna e fragmentos po\u00e9ticos de Allen Ginsberg. O rigor da prepara\u00e7\u00e3o anseia pela desmedida da festa cujo sentido se completa com a chegada dos supostos espectadores. A partir da\u00ed que n\u00e3o se espere do trio, o distanciamento caracter\u00edstico de meros cicerones que tamb\u00e9m s\u00e3o. Do mesmo modo, que n\u00e3o se espere o momento em meio \u00e0 co(n)fus\u00e3o de corpos em que um clar\u00e3o espacial ser\u00e1 aberto para que a cena tenha seu lugar. Como contraparte, n\u00e3o haver\u00e1 circunst\u00e2ncia para que as pessoas realizem por completo a fun\u00e7\u00e3o da especta\u00e7\u00e3o. A festa \u00e9 o melhor motivo para uma obra cuja teatralidade aparecer\u00e1 como &#8220;efeito colateral&#8221; n\u00e3o exatamente indesejado, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deliberadamente provocado. S\u00e3o apari\u00e7\u00f5es ef\u00eameras que cintilam de modo intermitente como vaga-lumes, diz Sidnei, para logo desaparecerem no escuro intensivo das misturas.<\/p>\n<p>O que vemos no festival, entretanto, \u00e9 tudo isso e ainda mais. Trata-se de uma encena\u00e7\u00e3o-acontecimento audiovisual de 80 min de dura\u00e7\u00e3o que resulta da colabora\u00e7\u00e3o entre o quarteto e a Rolim\u00e3 Filmes, sediada tamb\u00e9m em Aracaju. Nela, as dimens\u00f5es perfomativas tanto da atua\u00e7\u00e3o quanto da imagem se entrela\u00e7am: a c\u00e2mera tem um comportamento lis\u00e9rgico misturando-se aos acontecimentos. Esta \u00e9 a chave para a intelig\u00eancia da formula\u00e7\u00e3o uma vez que o audiovisual abra\u00e7a o caos e \u00e9 por ele abra\u00e7ado: a c\u00e2mera-corpo n\u00e3o distingue frente-tr\u00e1s na gira da comemora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o antecipa, n\u00e3o recorta, n\u00e3o guia. Deixa-se guiar pelo desgoverno da a\u00e7\u00e3o manifesta. Cria, assim, um regime narrativo outro que inverte a l\u00f3gica esperada: de registro da performance torna-se performance de registro. Como no jogo er\u00f3tico de qualquer festa, a c\u00e2mera n\u00e3o sabe de antem\u00e3o como se comportar. E \u00e9 esse (des)comportamento que traz a dimens\u00e3o pol\u00edtica da encena\u00e7\u00e3o original para o contexto remoto arrebentando com o pr\u00f3prio suporte da tela e nos fazendo, sentados nas cadeiras de nossas casas, vivenciar a dimens\u00e3o corp\u00f3rea suada, vertiginosa e intensiva do encontro.<\/p>\n<p><strong>Das transcria<\/strong><strong>\u00e7\u00f5<\/strong><strong>es c<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>nico-digitais<\/strong><\/p>\n<p>Em Metr\u00f3pole On-line (60min de dura\u00e7\u00e3o), os int\u00e9rpretes-criadores Gyl Giffoni e Silvero Pereira, ladeados numa m\u00e3o pela assist\u00eancia de encena\u00e7\u00e3o de Andrei Bessa e na outra pelo texto de Rafael Barbosa, criam uma vers\u00e3o remota para o espet\u00e1culo c\u00eanico Metr\u00f3pole (2012). O trabalho \u00e9 realizado atrav\u00e9s da <em>live<\/em> do Instagram permitindo que diversos espectadores tenham acesso a ele simultaneamente. Conforme determina o suporte da pr\u00f3pria plataforma, os atores, cada qual em sua casa, utilizam-se de duas janelas sobrepostas para compor espa\u00e7o-temporalmente a linha fragment\u00e1ria de sentido da dramaturgia textual. As janelas, que se tornaram met\u00e1fora mundo afora da aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia franqueada no confinamento, s\u00e3o reabertas entre os dois irm\u00e3os, Caetano e Charles, que, outrora <em>apartados<\/em>, tentam agora certa reaproxima\u00e7\u00e3o, quem sabe at\u00e9 uma conversa de fato, gra\u00e7as ao modo remoto e n\u00e3o apesar dele:<\/p>\n<p>&#8220;movem-se por passados, presentes e futuros do quanto a vida e a arte podem pulsar, ou n\u00e3o, numa cidade. Desejo, frustra\u00e7\u00e3o e coragem d\u00e3o a t\u00f4nica dessa Metr\u00f3pole on-line&#8221;, dizem.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224270\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224270\" class=\"wp-image-1224270 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Metro\u0301pole-On-Line.-Foto-de-cena.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Metro\u0301pole-On-Line.-Foto-de-cena.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Metro\u0301pole-On-Line.-Foto-de-cena-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224270\" class=\"wp-caption-text\">Metro\u0301pole On-Line. Foto de cena<\/p><\/div>\n<p>Lembremos: apartamento \u00e9 a mesma palavra que designa a unidade residencial de um pr\u00e9dio e a condi\u00e7\u00e3o de separa\u00e7\u00e3o ou solid\u00e3o. As janelas do Instagram desdobram a mera met\u00e1fora permitindo a cria\u00e7\u00e3o de uma interessante vers\u00e3o contempor\u00e2nea para a <em>geografia criativa<\/em> de Kulechov dos idos do nascimento do cinema. Com isso, a casa confinada de cada um deixa de ser cen\u00e1rio para tornar-se personagem-espa\u00e7o na composi\u00e7\u00e3o da dramaturgia da cena. Assim, a descontinuidade espa\u00e7o-temporal da comunica\u00e7\u00e3o remota torna-se tamb\u00e9m discurso. Ponto para a intelig\u00eancia da formula\u00e7\u00e3o da Inquieta Cia, nome do grupo. &#8220;A encena\u00e7\u00e3o torna-se uma segunda dramaturgia&#8221;, diz o autor Rafael Barbosa. Tudo acontece com bastante economia de meios, com os pr\u00f3prios atores manipulando os recursos de som, ilumina\u00e7\u00e3o, aplica\u00e7\u00e3o de filtros, mudan\u00e7as de registro das chamadas e, claro, performance. Ambos a definem como &#8220;artesania digital&#8221;. O car\u00e1ter <em>alive<\/em> da encena\u00e7\u00e3o virtual garante que comunguemos com eles do risco ao vivo do encontro. \u00c9 teatro ou n\u00e3o \u00e9? (Para assistir a Metr\u00f3pole Online ou a Bixa Viado Frango, nova cria\u00e7\u00e3o mais ou menos na mesma chave, acesse @sala_de_espet\u00e1culos no Instagram que hospeda as temporadas.)<\/p>\n<p>A princ\u00edpio alguns aspectos poderiam aproximar as propostas de Metr\u00f3pole On-line e de Um Sebasti\u00e3o Flechado: s\u00e3o dois int\u00e9rpretes em a\u00e7\u00e3o; s\u00e3o duas obras provenientes do Cear\u00e1; os trabalhos s\u00e3o apresentados ao vivo e transcriam, para o modo remoto, propostas originariamente c\u00eanicas. N\u00e3o passaremos da\u00ed, dada a discrep\u00e2ncia po\u00e9tica entre as encena\u00e7\u00f5es digitais. Em Um Sebasti\u00e3o Flechado, a a\u00e7\u00e3o de 40min de dura\u00e7\u00e3o \u00e9 cont\u00ednua, com um plano-sequ\u00eancia de c\u00e2mera fixa situada no ponto de vista de uma terceira pessoa sentada \u00e0 mesa com a dupla. O espectador junta-se a Paula Iemanj\u00e1 e Z\u00e9is para partilharem dos causos que a dramaturgia criada em tempo real enumera. O longo estudo aprofundado e dedicado de obras em prosa e entrevistas de Nelson Rodrigues serviu como prepara\u00e7\u00e3o, por um lado para fazer caber na l\u00edngua de cada um, a embocadura da pros\u00f3dia rodriguiana (a tarefa n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e os dois se saem extraordinariamente bem nela); por outro, para garantir o fluxo livre do pensamento na conversa improvisada que se torna fluxo livre de a\u00e7\u00e3o. A\u00ed reside uma das inteligentes chaves da encena\u00e7\u00e3o que faz aparecer, uma vez acontecendo ao vivo pelo YouTube, certa performance da especta\u00e7\u00e3o que temporariamente suspende a sanha da interatividade barata no chat para n\u00e3o perder o ponto.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224260\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224260\" class=\"wp-image-1224260 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Sebastia\u0303o-Flechado.-Foto-de-cena.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Sebastia\u0303o-Flechado.-Foto-de-cena.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Um-Sebastia\u0303o-Flechado.-Foto-de-cena-300x188.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224260\" class=\"wp-caption-text\">Um Sebastia\u0303o Flechado. Foto de cena<\/p><\/div>\n<p>Nelson cabe como conversa de bar. Desenrola-se ali uma esp\u00e9cie de dramaturgia da amizade em que a picardia e a camaradagem entre ambos os int\u00e9rpretes-criadores, <em>brothers<\/em> de longa data, criam espa\u00e7o seguro para que a delicadeza das dores de amor, de luto, de vida, em resumo, da canalhice melodram\u00e1tica ontol\u00f3gica nacional tenha lugar. E ela n\u00e3o escolhe g\u00eanero. Z\u00e9is e Paula cedem espa\u00e7o, \u00f3timos contadores de hist\u00f3rias que s\u00e3o, para que duas personagens ajam entre si: a m\u00fasica e a pros\u00f3dia de Nelson. Eis que volta e meia, a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o volta-se sobre eles pr\u00f3prios, \u00f3timos atores que s\u00e3o, afinal, quem nunca? Quem nunca morreu de amor, foi tra\u00eddo ou largado pelo(a) amante na sarjeta da indiferen\u00e7a? S\u00e3o t\u00eamperas muito distintas: Z\u00e9is com seu viol\u00e3o maroto faz a contraparte da atriz do quilate de uma Iemanj\u00e1, cuja for\u00e7a da natureza j\u00e1 come\u00e7a no nome. S\u00e3o t\u00eamperas por\u00e9m complementares dividindo a mesma cerveja. A plataforma permite que in\u00fameros espectadores partilhem ao mesmo tempo do trabalho. A encena\u00e7\u00e3o faz com que cada qual sinta-se convidado.a.e individualmente a tomar um copo com eles e se deixar levar no fluxo et\u00edlico da paix\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra po\u00e9tica singular nos chega do Rio Grande do Norte com a Cia P\u00e3o Doce em A Casat\u00f3ria C&#8217;a Defunta (50min de dura\u00e7\u00e3o). O elenco de 5 atores e atrizes (Ligia Kiss, M\u00f4nica Danuta, Paulo Lima, Raull Ara\u00fajo e Romero Oliveira) \u00e9 dirigido por Marcos Leonardo a partir de dramaturgia textual e trilha sonora de Romero Oliveira. A excel\u00eancia musical do grupo n\u00e3o se resume \u00e0s esmeradas qualidades t\u00e9cnicas de cada um(a) dos int\u00e9rpretes, mas estende-se \u00e0 inteligente compreens\u00e3o da m\u00fasica como elemento dramat\u00fargico da encena\u00e7\u00e3o a ponto de ela tornar-se propriamente uma sexta personagem na trama. A transcria\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 radical se levarmos em conta o tr\u00e2nsito desde a bitola de sa\u00edda (Teatro de Rua) at\u00e9 a de chegada (Plataforma Zoom). O trabalho tamb\u00e9m \u00e9 executado ao vivo com o elenco, cada qual em sua casa, gravando em <em>self tape<\/em> sob enquadramento fixo que varia desde o plano americano ao super close.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224250\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224250\" class=\"wp-image-1224250 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-Casato\u0301ria-Ca-Defunta.-Foto-de-Eunilo-Rocha.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-Casato\u0301ria-Ca-Defunta.-Foto-de-Eunilo-Rocha.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/A-Casato\u0301ria-Ca-Defunta.-Foto-de-Eunilo-Rocha-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224250\" class=\"wp-caption-text\">A Casato\u0301ria C&#8217;a Defunta. Foto de Eunilo Rocha<\/p><\/div>\n<p>Para quem conhece a proposta c\u00eanica original, marcada pela pujan\u00e7a pl\u00e1stica quase barroca de cen\u00e1rios, figurinos e adere\u00e7os tran\u00e7ando entre si a dramaturgia visual da obra, surpreende a economia de meios a que chega o grupo em sua encena\u00e7\u00e3o digital. Caracterizados tal como na obra de partida, atores e atrizes deslocam-se por dentro e mesmo para fora das margens das janelas individuais do Zoom criando dinamismo entre-quadros onde n\u00e3o haveria, e compondo, assim, o fluxo da narrativa. Destaca-se a inteligente op\u00e7\u00e3o pelo fundo negro comum a todos que, por um lado destaca as figuras ressaltando a tridimensionalidade do movimento corporal e ultrapassando a planaridade caracter\u00edstica da plataforma; por outro, e mais importante, cria a ilus\u00e3o de continuidade espacial fazendo-os partilhar de uma cena comum apesar das janelas independentes. O infinito negrume para tr\u00e1s do quadro cria uma via de fuga para o olhar do espectador cansado de um dia inteiro de <em>home<\/em> <em>office<\/em> frente \u00e0s telas, e parece tanto convidar quanto acolher a nossa imagina\u00e7\u00e3o no mais puro exerc\u00edcio ficcional do teatro. Parecem cantar com o Buarque bonito que diz: &#8220;Sei que al\u00e9m das cortinas\/S\u00e3o palcos azuis\/E infinitas cortinas\/Com palcos atr\u00e1s&#8221;<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>. A Cia P\u00e3o Doce nos faz inevitavelmente reconhecer a import\u00e2ncia do teatro de grupo e da pesquisa continuada que comp\u00f5em o esteio seguro para o grupo aventurar-se no que definem como &#8220;a necessidade de repensar e reinventar o fazer teatral para tempos isolados&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Das cria<\/strong><strong>\u00e7\u00f5<\/strong><strong>es j<\/strong><strong>\u00e1<\/strong> <strong>remoto-digitais<\/strong><\/p>\n<p>De Pernambuco, o festival teve a honra de trazer a estreia de O Evangelho Segundo Vera Cruz, do grupo Teatro de Fronteira. O texto, de autoria de Rodrigo Dourado, tamb\u00e9m diretor do trabalho, entretanto, fora escrito bem antes de toda essa circunst\u00e2ncia de pandemia. &#8220;Nasceu de um v\u00f4mito&#8221;, ele diz, logo depois de findo o imposs\u00edvel ano de 2018. Bolsonaro estava eleito e quem n\u00e3o \u00e9 pessoa negra e\/ou LGBTQIA+ n\u00e3o faz ideia da viol\u00eancia iminente ou realizada a que elas foram submetidas na lida social mais comum do dia a dia. Aquele tamb\u00e9m foi o ano em que o espet\u00e1culo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do C\u00e9u, da atriz trans Renata Carvalho<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>, foi censurado em Garanhuns, cidade do interior de Pernambuco. Rodrigo esteve diretamente envolvido na mobiliza\u00e7\u00e3o que acabou levando o trabalho \u00e0 cena em meio a inacredit\u00e1veis acontecimentos que nem mesmo os melhores roteiristas poderiam supor. &#8220;A pe\u00e7a recupera os eventos (&#8230;) para discutir a persegui\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o transg\u00eanera&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_1224240\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1224240\" class=\"wp-image-1224240 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Teatro-de-Fronteira.-Foto-de-Ricardo-Maciel.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Teatro-de-Fronteira.-Foto-de-Ricardo-Maciel.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Teatro-de-Fronteira.-Foto-de-Ricardo-Maciel-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1224240\" class=\"wp-caption-text\">Teatro de Fronteira. Foto de Ricardo Maciel<\/p><\/div>\n<p>O Zoom foi o suporte escolhido pelo grupo para a encena\u00e7\u00e3o que tenta suplantar as janelas da plataforma na busca pela contracena virtual baseada nos di\u00e1logos travados entre seis int\u00e9rpretes. S\u00e3o elxs: Dante Olivier, Elke Falconiere, Jailton J\u00fanior, Joe Andrade, Rodrigo Cavalcanti e Rodrigo Dourado. H\u00e1 alguma explora\u00e7\u00e3o espacial dos diferentes ambientes ocupados por cada um(a) dos atores e atrizes e que servem de cen\u00e1rio, cada qual, \u00e0 sua a\u00e7\u00e3o. Todo o destaque do trabalho recai no assunto e no dado, raro, de o elenco contar com 3 pessoas trans (2 atrizes \u2013 Joe Andrade e Elke Falconiere \u2013 e 1 ator, Dante Olivier), o que devolve de modo pertinente a encena\u00e7\u00e3o \u00e0 abordagem do tema. A fict\u00edcia Vera Cruz faz as vezes de Guaranhuns e a atriz Joe Andrade, o papel de uma fict\u00edcia Renata Carvalho. Apesar do que se poderia imaginar, n\u00e3o h\u00e1 no trabalho metalinguagem, mas intertextualidade, em uma livre reencena\u00e7\u00e3o dos fatos. Naqueles dias s\u00f3 se falava disso, desde a fila da padaria at\u00e9 a antessala do prefeito da cidade, &#8220;momento em que o teatro pautou o debate p\u00fablico&#8221;, afirma o diretor. O espet\u00e1culo de 90min de dura\u00e7\u00e3o marca um momento importante na trajet\u00f3ria do grupo que tamb\u00e9m transiciona de g\u00eanero \u2013 do teatro \u00e0 teatra \u2013 movimento que ganha corpo e voz junto com outres artistas e grupos em todo o pa\u00eds e que vale conferir.<\/p>\n<p><em>Continua na pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Verso da can\u00e7\u00e3o <em>O Que Ser<\/em><em>\u00e1?<\/em><em> (\u00c0 Flor da Pele)<\/em>, de Chico Buarque, presente no \u00e1lbum Meus Caros Amigos (1976).<br \/>\n<a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Conseguimos aprovar a lei federal n\u00famero 14.017 em 29 de mar\u00e7o de 2020, chamada de Lei de Emerg\u00eancia Cultural Aldir Blanc, que prev\u00ea apoio emergencial ao setor cultural diante do estado de calamidade p\u00fablica, reconhecido pelo Decreto Legislativo n\u00ba 6, de 20 de mar\u00e7o de 2020, em fun\u00e7\u00e3o da pandemia da Covid-19.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Realizado pela Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA), o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT) figura entre os grandes eventos culturais do Pa\u00eds e tem se firmado, no segmento teatral do Nordeste brasileiro, como importante polo de difus\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. Sua relev\u00e2ncia \u00e9 assegurada pela diversidade de sua programa\u00e7\u00e3o que lhe confere, ao mesmo tempo, car\u00e1ter de singular espa\u00e7o de promo\u00e7\u00e3o e acesso \u00e0 produ\u00e7\u00e3o teatral nordestina e eficaz instrumento para o desenvolvimento cultural da regi\u00e3o que o abriga: o Maci\u00e7o de Baturit\u00e9, no interior do Estado do Cear\u00e1. (Dados colhidos no site.)<br \/>\n<a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Tomando de empr\u00e9stimo o conceito de Haroldo de Campos.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Composi\u00e7\u00e3o de Maria Beth\u00e2nia em parceria com Paulo Cesar Pinheiro, com a qual ambos foram indicados ao Grammy Latino de Melhor Can\u00e7\u00e3o em L\u00edngua Portuguesa, em 2014.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Verso da can\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima de Dorival Caymmi, gravada por Carmen Miranda para o filme Banana da Terra, de 1939.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> A m\u00e1scara era usada no per\u00edodo colonial no Brasil para cobrir a boca das pessoas escravizadas. Feita de folha de flandres, era atada \u00e0 fronte com tiras que se uniam na parte de tr\u00e1s da cabe\u00e7a trancadas com cadeado. Foi imortalizada no imagin\u00e1rio popular na figura de uma mulher escravizada supostamente chamada Anast\u00e1cia, a que n\u00e3o se deixou escravizar, conforme menciona a letra do samba-enredo do hist\u00f3rico desfile Kizomba, Festa da Ra\u00e7a, da Escola de Samba Vila Isabel, que transformou o centen\u00e1rio da Lei \u00c1urea em palco de luta contra o racismo. Sua hist\u00f3ria de mart\u00edrio e resist\u00eancia faz dela um dos emblemas da luta dos negros e negras no Brasil.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> A professora Silvany In\u00e1cio de Sousa (26 anos) foi morta a tiros proferidos pelo ex-companheiro na frente do pr\u00f3prio filho, no adro da Igreja da S\u00e9 em cujo interior ocorria uma missa que n\u00e3o foi, entretanto, interrompida.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Versos da can\u00e7\u00e3o <em>Vida<\/em>, de Chico Buarque gravada em 1980 no \u00e1lbum hom\u00f4nimo.<br \/>\n<a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Desde a estreia de seu espet\u00e1culo, em 2016, Renata enfrenta pol\u00eamica, persegui\u00e7\u00e3o, censura e mesmo amea\u00e7as de morte provenientes dos conservadores de extrema direita an\u00f4nimos da internet, e dos conservadores declarados, os profissionais que comp\u00f5em os quadros pol\u00edtico-administrativos, jur\u00eddicos e culturais das localidades onde apresentou ou tentou apresentar o mon\u00f3logo da dramaturga escocesa Jo Clifford, tamb\u00e9m artista transg\u00eanero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; Enquanto Ren\u00e9 Magritte, na B\u00e9lgica, manejava as tintas de A reprodu\u00e7\u00e3o proibida (1937), nossa imagem de capa, Walter Benjamin escrevia, na Alemanha, A obra de arte na era de sua reprodutibilidade t\u00e9cnica (diversas vers\u00f5es, 1935-1939), publicado somente&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1898,"featured_media":1224310,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,11390,112],"tags":[2744,75238,75337],"class_list":["post-1224152","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-conteudo-original","category-cultura-pt-pt","tag-brasil","tag-caderno-de-cultura","tag-danca"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u00c9. 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