{"id":1211958,"date":"2020-10-08T00:58:51","date_gmt":"2020-10-07T23:58:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1211958"},"modified":"2020-10-08T00:58:51","modified_gmt":"2020-10-07T23:58:51","slug":"como-uma-greve-de-strippers-em-portland-se-tornou-um-movimento-nacional-antirracismo-nas-casas-noturnas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/10\/como-uma-greve-de-strippers-em-portland-se-tornou-um-movimento-nacional-antirracismo-nas-casas-noturnas\/","title":{"rendered":"Como uma greve de strippers em Portland se tornou um movimento nacional antirracismo nas casas noturnas"},"content":{"rendered":"<p><strong>E<\/strong><strong>ntrevista com <\/strong><strong>uma<\/strong><strong> l\u00edder da Greve de strippers de Portland <\/strong><strong>sobre o<\/strong><strong> movimento crescente por tratamento igualit\u00e1rio e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para dan\u00e7arinas.<\/strong><\/p>\n<p><em>Por<strong> April M. Short<\/strong><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em meio aos protestos do <em>Black Lives Matter <\/em>(Vidas Negras Importam), que explodiu no mundo todo logo ap\u00f3s a morte de George Floyd por policiais em Mineap\u00f3lis no dia 25 de maio, manifestantes em Portland, Oregon, carregavam cartazes com mensagens como \u201cSem Justi\u00e7a, sem bundas\u201d e \u201cN\u00e3o vamos nos apresentar sem reforma\u201d. A <em>Greve das strippers<\/em> tem como foco expor pr\u00e1ticas de trabalho racistas e pedir o tratamento igualit\u00e1rio de dan\u00e7arinas negras e n\u00e3o brancas nos diversos clubes de strip-tease de Portland. A greve local cresceu a ponto de se tornar um movimento trabalhista por justi\u00e7a racial nacional, assim como melhores condi\u00e7\u00f5es para todas as dan\u00e7arinas de clubes de strip-tease do pa\u00eds. Dan\u00e7arinas negras est\u00e3o na lideran\u00e7a, mobilizando o novo movimento trabalhista e desconstruindo estere\u00f3tipos e tabus pelo caminho.<\/p>\n<p>O ambiente problem\u00e1tico dos clubes de strip que dan\u00e7arinas negras e outras n\u00e3o brancas de cor tiveram que enfrentar por anos, de acordo com o movimento, inclui uma grande quantidade de preconceitos raciais velados, como a proibi\u00e7\u00e3o de ouvir hip-hop ou a exist\u00eancia de um local chamado \u201cclube de rock and roll\u201d, o qual refor\u00e7a uma certa est\u00e9tica que tem como efeito afastar dan\u00e7arinas negras e outras n\u00e3o brancas. Al\u00e9m disso, existem outros comportamentos mais aceitos, como clubes que contratam principalmente dan\u00e7arinas brancas, que ganham mais e recebem os melhores hor\u00e1rios. Essas e outras tend\u00eancias t\u00eam se espalhado por toda a ind\u00fastria dos clubes de strip e at\u00e9 h\u00e1 alguns meses receberam pouca resist\u00eancia, em grande parte por medo de retalia\u00e7\u00e3o entre as dan\u00e7arinas. A Greve de strippers de Portland, contudo, chamou a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia para essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Cat Hollis diz que a Greve de strippers e o movimento paralelo que ele inspirou exp\u00f5em e buscam enfrentar as realidades inc\u00f4modas que, at\u00e9 ent\u00e3o, eram apenas discutidas entre as dan\u00e7arinas no camarim ou em t\u00f3picos fechados nas redes sociais. Hollis \u00e9 uma dan\u00e7arina negra de Portland e fundadora da <em><u>Haymarket Pole Collective<\/u><\/em>, que \u00e9 a principal for\u00e7a centralizadora por tr\u00e1s da Greve de strippers. O coletivo, que \u00e9 composto por dan\u00e7arinas, pede por \u201cpol\u00edticas proativas e tratamento igualit\u00e1rio para trabalhadoras negras e ind\u00edgenas, facilitando uma justi\u00e7a restaurativa na ind\u00fastria de entretenimento adulto\u201d. A Haymarket Pole Collective busca proteger os direitos trabalhistas das dan\u00e7arinas que pertencem a grupos marginalizados, incluindo dan\u00e7arinas de cor, queer e\/ou com alguma defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Hollis diz que lutar com garra para proteger aquelas que s\u00e3o mais vulner\u00e1veis d\u00e1 for\u00e7a a toda a ind\u00fastria de dan\u00e7arinas. Como relatado em detalhes por Iman Sultan \u00e0 <u>ZORA<\/u>, as exig\u00eancias da Greve das strippers incluem condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais seguras, sal\u00e1rios justos e prote\u00e7\u00e3o contra abuso sexual. Sultan escreve:<\/p>\n<p><em>\u201cMesmo que as strippers sejam o entretenimento principal de um clube de strip-tease, a maior parte delas s\u00e3o trabalhadoras independentes e pagam taxas de palco para se apresentar. Como resultado, n\u00e3o t\u00eam garantia de seguran\u00e7a, sal\u00e1rio fixo, plano de sa\u00fade ou recursos contra ass\u00e9dio sexual, persegui\u00e7\u00f5es e estupro encarados no trabalho. E para mulheres negras, os riscos do trabalho sexual aumentam com o racismo\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Nos EUA, Portland tem a maior quantidade de clubes de strip-tease per capita, e carrega uma reputa\u00e7\u00e3o positiva e liberal em rela\u00e7\u00e3o ao sexo. Contudo, como a Greve de strippers e a Haymarket Pole Collective revelaram nos \u00faltimos meses, existem preconceitos raciais preocupantes, pol\u00edticas de discrimina\u00e7\u00e3o racial e falta de treinamentos de sensibilidade racial e cultural em muitos clubes de Portland.<\/p>\n<p>A Haymarket Pole Collective tem implementado gradualmente treinamentos de sensibilidade cultural, liderados por dan\u00e7arinas de cor em parceria com clubes locais para refor\u00e7ar as demandas da greve. Hollis diz que participa de reuni\u00f5es on-line regularmente com dan\u00e7arinas e coletivos organizadores que surgiram em todo o pa\u00eds em solidariedade a elas e com inten\u00e7\u00f5es semelhantes para suas respectivas ind\u00fastrias. Os grupos est\u00e3o trabalhando em conjunto para agilizar os processos de treinamento de sensibilidade cultural.<\/p>\n<p>April M. Short, do <em>Independent Media Institute<\/em> (IMI), conversou com Hollis sobre a Greve de strippers, seu impacto na ind\u00fastria do strip-tease e os objetivos e planos a longo prazo de um movimento muito maior pelos direitos das dan\u00e7arinas.<\/p>\n<p><em>A transcri\u00e7\u00e3o da entrevista a seguir foi editada por conta de tamanho e clareza.<\/em><\/p>\n<p><strong>April M. Short: \u2013<\/strong> <strong>Obrigada por falar comigo, eu sei que voc\u00ea esteve muito ocupada dando entrevistas e falando sobre tudo que est\u00e1 fazendo. Espero ouvir de voc\u00ea sobre os seus planos futuros e ideias a longo prazo. E tamb\u00e9m sobre o que j\u00e1 aconteceu devido \u00e0 Greve de Strippers, e o que n\u00e3o aconteceu; o que mudou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Cat Hollis: \u2013 <\/strong>Eu gosto de dizer que a Greve de Strippers \u00e9 um verbo, sabe? E o substantivo por tr\u00e1s da greve de strippers \u00e9 a Haymarket Pole Collectve, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o a esta greve espec\u00edfica [em Portland]. O que tem sido muito legal, conforme crescemos e continuamos influenciando a\u00e7\u00f5es, \u00e9 que estamos encontrando coletivos aut\u00f4nomos de dan\u00e7arinas em todo o pa\u00eds e estamos colaborando muito com eles.<\/p>\n<p>Uma grande parte de mim [se questiona]: \u201cExistem outras pessoas fazendo esse trabalho? Estamos sobrepondo as pessoas que trabalharam duro por anos?\u201d O que eu percebi \u00e9 que mesmo que existam muitos coletivos an\u00f4nimos de dan\u00e7arinas, existem pouqu\u00edssimos coletivos liderados por negras ou focados em pessoas negras, trans e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Eu estava em uma reuni\u00e3o com muitas dan\u00e7arinas diferentes de todo o pa\u00eds, e mesmo que muitas das dan\u00e7arinas fossem pessoas de cor, foi a miss\u00e3o do Haymarket Pole que trouxe \u00e0 tona a necessidade de destacar as lutas das colegas ind\u00edgenas, trans e negras. Foi muito legal poder conhecer esse grupo&#8230; e elas perguntavam se est\u00e1vamos prontas para fazer um esfor\u00e7o colaborativo. Eu fiquei, tipo, eu estou pronta, e voc\u00eas precisam p\u00f4r no papel que est\u00e3o tentando proteger essas comunidades vulner\u00e1veis juntamente com a nossa comunidade. E elas disseram, \u201cClaro, claro\u201d.<\/p>\n<p>Mas eu acho que \u201cclaro\u201d \u00e9 o que acabou deixando essas comunidades para tr\u00e1s. N\u00f3s assumimos que esses direitos s\u00e3o inalien\u00e1veis. E se o poder n\u00e3o fosse real [ent\u00e3o a inclus\u00e3o seria um t\u00f3pico], \u201cclaro\u201d, mas o poder \u00e9 real. Foi \u00f3timo poder dar voz e dar peso \u00e0s vozes das pessoas dessa comunidade que est\u00e3o marginalizadas, al\u00e9m de serem profissionais do sexo. Isso foi muito bom.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Eu acho que \u00e9 um marco da era em que nos encontramos. As pessoas est\u00e3o percebendo que, para que qualquer coisa mude, temos que dizer a coisa ao inv\u00e9s de apenas assumir que est\u00e1 impl\u00edcito.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong>Sim. E um pouco do que eu aprendi com esse processo foi que a falta de uma l\u00edngua ativa que previna a discrimina\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 de fato uma discrimina\u00e7\u00e3o. E isso em n\u00edvel nacional.<\/p>\n<p>Existem tantos direitos pelos quais j\u00e1 lutamos no passado que n\u00e3o est\u00e3o sendo respeitados no presente. Uma das minhas descobertas preferidas \u00e9 que o <em><u>Equal Employment Opportunity Commission<\/u><\/em> (Comiss\u00e3o de Oportunidades de Trabalho Igualit\u00e1rias) diz que se n\u00e3o h\u00e1 uma l\u00edngua <em>ativa<\/em> prevenindo futuras discrimina\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas de resposta, mas uma l\u00edngua proativa que proteja aquelas pessoas mais vulner\u00e1veis, isso j\u00e1 \u00e9 inerentemente discriminat\u00f3rio. \u00c9 t\u00e3o importante, como ponto de partida, come\u00e7armos a incluir isso na nossa l\u00edngua.<\/p>\n<p>&#8230; Eu tenho falado muito sobre fomentar a cultura do consentimento, e acho que uma maneira de as [pessoas], especialmente mulheres brancas, entenderem com mais facilidade porque essas coisas s\u00e3o importantes \u00e9 pensarem sobre a cultura do consentimento. Consentimento \u00e9 simples como escrever FRITAS [<em>do ingl\u00eas FRIES<\/em>]. Ele \u00e9 dado livremente [<em>freely given<\/em>], \u00e9 revers\u00edvel [<em>reversible<\/em>], informado [<em>informed<\/em>], com vontade [<em>enthusiastic<\/em>] e espec\u00edfico [<em>specific<\/em>]. Uma profissional do sexo ainda pode ser estuprada se o seu consentimento n\u00e3o for completamente informado, com vontade ou espec\u00edfico, certo? E isso se voc\u00ea estiver prestes a ter um encontro sexual. A mesma coisa funciona se voc\u00ea quiser tocar a barriga de uma mulher gr\u00e1vida ou o cabelo de uma pessoa negra.<\/p>\n<p>De maneira semelhante, penso que \u00e9 importante que n\u00f3s, como aliados, tenhamos consentimento das comunidades que estamos ajudando. N\u00f3s devemos buscar um consentimento com vontade, espec\u00edfico, informado e revers\u00edvel. Elas querem a nossa ajuda? Do que elas precisam? Acho que as pessoas dessas comunidades t\u00eam uma ideia melhor do que seria um resultado ideal. \u00c9 importante coloc\u00e1-las em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a e em um lugar onde elas possam defender a si mesmas, onde elas liderem as mudan\u00e7as e determinem as oportunidades.<\/p>\n<p>Uma coisa em que penso constantemente \u00e9 como as pessoas est\u00e3o, tipo \u201cAh, eu n\u00e3o acredito que <em>dan\u00e7arinas<\/em> est\u00e3o fazendo isso\u201d. E eu fico, tipo \u201cOk, mas se voc\u00ea nos v\u00ea como \u00faltimos da cadeia, como conseguir\u00edamos fazer esse trabalho, gritar por nossos direitos enquanto voc\u00ea ainda luta contra essa ideia?\u201d<\/p>\n<p>Eu digo que n\u00f3s j\u00e1 cansamos de ensinar as pessoas a pularem os obst\u00e1culos que est\u00e3o l\u00e1 h\u00e1 anos. As pessoas dizem para as comunidades \u201cOlha, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 se esfor\u00e7ando o suficiente. N\u00f3s entendemos que as dificuldades existem, mas vamos te ensinar como pular mais alto\u201d. E \u00e9 tipo \u201cn\u00e3o, cara!\u201d Vamos tirar essas dificuldades do caminho. Conforme seguimos em frente, vamos encontrando esses problemas sistem\u00e1ticos e quebrando o \u201cteto de vidro\u201d, por assim dizer. E decidimos que, toda vez que o encontrarmos, vamos derrub\u00e1-lo para que ele n\u00e3o esteja l\u00e1 para as outras pessoas.<\/p>\n<p>Acho importante que as pessoas escolham de onde <em>elas<\/em> querem que as dificuldades sejam retiradas. Porque eu acho que isso nos remete a l\u00e1 atr\u00e1s, quando os [colonizadores europeus brancos] davam cobertores para os nativos americanos [que foram contaminados com var\u00edola pelos colonizadores], por exemplo. Inten\u00e7\u00e3o e resultado s\u00e3o, no geral, muito diferentes, e muitas das nossas inten\u00e7\u00f5es s\u00e3o inconscientemente prejudiciais para essas comunidades. Os cobertores n\u00e3o s\u00e3o um bom exemplo disso, pois ficaram totalmente associados [\u00e0 propaga\u00e7\u00e3o da var\u00edola], mas, veja bem.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Eu acho que voc\u00ea compartilhou um meme ou post no Instagram sobre uma ideia parecida: receber um \u201clugar \u00e0 mesa\u201d. Dizia algo do tipo: \u201cN\u00f3s n\u00e3o queremos sentar \u00e0 sua mesa; n\u00f3s preferimos uma mesa diferente\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Isso, <em>e<\/em> n\u00f3s sempre <em>tivemos<\/em> uma mesa, apesar da ideia de voc\u00eas de \u201cvamos construir uma mesinha ao lado da nossa\u201d. N\u00f3s dizemos \u201cN\u00e3o, obrigada, n\u00f3s temos a nossa mesa\u201d. E voc\u00eas [dizem], \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o. A nossa comida \u00e9 muito boa\u201d. E n\u00f3s ficamos, tipo \u201cEstou te dizendo que voc\u00ea est\u00e1 espetando o garfo na minha m\u00e3o h\u00e1 500 anos\u201d. E as pessoas ainda [dizem]: \u201cEu n\u00e3o entendo, a nossa mesa \u00e9 ruim?\u201d E n\u00f3s respondemos \u201cBem, voc\u00ea j\u00e1 me envenenou \u00e0 mesa umas seis vezes. Por que eu iria querer me sentar aqui?\u201d.<\/p>\n<p>Existe um banquete de oportunidades dispon\u00edvel que pessoas de cor est\u00e3o tentando construir h\u00e1 anos. E ele tem sido derrubado de novo e de novo de v\u00e1rias formas. Acho que \u00e9 realmente importante pensar que, quando ajudamos essas comunidades, n\u00f3s n\u00e3o estamos determinando o seu resultado; n\u00f3s estamos expandindo as oportunidades de escolha dos pr\u00f3prios resultados.<\/p>\n<p>Nem todas as pessoas s\u00e3o iguais, e elas n\u00e3o querem as mesmas oportunidades.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Mudando um pouco de assunto, eu gostaria de ouvir brevemente sobre os treinamentos de sensibilidade cultural que voc\u00ea est\u00e1 organizando, liderados pelas dan\u00e7arinas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Sim, n\u00f3s estamos oferecendo os treinamentos de sensibilidade aos clubes para que os apliquem \u00e0 sua equipe. E, recentemente, ajudamos profissionais do sexo a realizarem esses treinamentos.<\/p>\n<p>Eu, por exemplo, tenho momentos muito dif\u00edceis. Eu irrito muito pessoas brancas porque digo coisas como \u201cpessoas brancas n\u00e3o prestam\u201d. E da\u00ed algu\u00e9m vem e diz \u201cMas e <em>eu<\/em>?\u201d, e eu digo \u201cAh, tudo bem, voc\u00ea n\u00e3o tem problema\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Certo, algumas pessoas levam para o lado pessoal ao inv\u00e9s de olhar para o motivo ou contexto.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>E as pessoas que <em>n\u00e3o<\/em> levam para o lado pessoal j\u00e1 est\u00e3o no caminho em prol de a\u00e7\u00f5es antirracistas. Ent\u00e3o, como abordamos as pessoas que n\u00e3o entendem e est\u00e3o confusas? Confus\u00e3o leva \u00e0 raiva&#8230;<\/p>\n<p>Estou tendo que aprender a dizer coisas, como: \u201cSim, Greg, <em>todas<\/em> as vidas importam, mas n\u00f3s estamos tentando fazer isso e isso&#8230;\u201d Sabe? S\u00e3o habilidades que estou aprendendo. N\u00f3s temos a sabedoria de levar a justi\u00e7a at\u00e9 as nossas comunidades; s\u00f3 precisamos garantir que as pessoas tenham a habilidade de escutar e entender [quando elas lideram esses treinamentos]. Porque esses s\u00e3o os nossos direitos, n\u00e3o \u00e9 um jogo e n\u00e3o \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea pode me falar mais sobre em que parte voc\u00eas est\u00e3o do processo de treinamentos de sensibilidade cultural para as equipes dos clubes e como eles est\u00e3o indo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Sempre temos treinamentos. Temos apoio fiscal do <em><u>YWCA of Greater Portland<\/u><\/em>, o que significa que somos uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos. Eles t\u00eam feito os treinamentos nos clubes. Temos mais tr\u00eas clubes agendados e no processo de realizar esses treinamentos para dar um basta no racismo, em como abordar uma situa\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a racial.<\/p>\n<p>Originalmente os clubes diziam: \u201cN\u00e3o precisamos disso porque n\u00e3o somos racistas.\u201d Bem, quando Dominique Dunn, um homem negro, foi baleado do lado de fora de um clube de strip em Portland [em julho] por um cara branco, acho que aquilo trouxe \u00e0 luz a ideia de que n\u00e3o importa se o seu bartender, seu gerente ou sua equipe s\u00e3o racistas; no clima pol\u00edtico em que nos encontramos, todos vamos, querendo ou n\u00e3o, ter que lidar com tens\u00f5es crescentes relacionadas \u00e0 ra\u00e7a. N\u00e3o importa qual \u00e9 o seu ponto de vista quanto \u00e0 natureza progressiva da libera\u00e7\u00e3o negra, todos conseguimos ver os benef\u00edcios da redu\u00e7\u00e3o de conflitos em nossas comunidades. Aprender como abordar o problema \u00e9 muito importante.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voltando a algo que mencionamos anteriormente, houve algum retrocesso ou dificuldade significante ao abordar as pessoas durante os treinamentos, e\/ou voc\u00ea est\u00e1 tendo um retorno de algo novo ou inesperado da comunidade no geral?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Bem, parte do que desacelerou as atividades na rua foi o aumento dos casos da COVID-19, mas isso nos ajudou a sentar e perguntar a n\u00f3s mesmos: n\u00f3s somos capazes de dar o que estamos pedindo a esses clubes? Estamos aprendendo como fazer isso. Por enquanto, estamos pedindo aos clubes para fazerem os treinamentos, e n\u00f3s <em>tamb\u00e9m<\/em> estamos participando. Pedimos aos clubes que tenham pol\u00edticas contra discrimina\u00e7\u00e3o. Bem, agora estamos formando a nossa pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos, ent\u00e3o, como uma pol\u00edtica modelo deve ser? Estamos trabalhando com um comit\u00ea de dan\u00e7arinas de cada clube para ajudar a desenvolver uma pol\u00edtica modelo para todos.<\/p>\n<p>Uma coisa surpreendente para mim \u00e9 que sinto que muitas dan\u00e7arinas est\u00e3o hesitantes de participar dos pedidos de conformidades com a lei por conta da sua falta de participa\u00e7\u00e3o ativa em seus locais de trabalho. E como n\u00f3s fazemos justi\u00e7a para esses grupos? Acredito que a grande mudan\u00e7a que temos visto \u00e9 um padr\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores aut\u00f4nomos querendo entender o que o seu contrato significa e quais s\u00e3o os seus direitos.<\/p>\n<p>Uma parte do retrocesso, sinto que vem da falta de comunica\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o grande problema. No nosso primeiro com\u00edcio, por exemplo, os locais diziam que n\u00e3o entendiam os nossas demandas. Tipo assim, \u201cComo?\u201d.<\/p>\n<p>Acho que o problema real que surgiu com isso \u00e9 que os donos e gerentes desses clubes de strip est\u00e3o tentando dizer que eles n\u00e3o sabiam de nada. E a quest\u00e3o \u00e9, como uma dan\u00e7arina \u00e0s 2 da manh\u00e3 deveria receber aux\u00edlio relacionado a problemas no ambiente de trabalho, \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o, a clientes e coisas desse tipo se foi necess\u00e1rio 9.000 de n\u00f3s para entrar nos clubes? Se eles n\u00e3o se importam que tenha 300 pessoas paradas do lado de fora dos clubes com cartazes, n\u00f3s entregamos nossas demandas, mandamos por e-mail, pelo correio, e mesmo assim [os gerentes dos clubes] ainda n\u00e3o sabem? Ent\u00e3o a grande quest\u00e3o \u00e9: se voc\u00ea n\u00e3o sabe, isso n\u00e3o \u00e9 um problema?\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Claro, a essa altura, como eles podem n\u00e3o saber?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Sim. E se voc\u00ea n\u00e3o nos ouve agora, como queria que as coisas estivessem indo perfeitamente bem antes de tudo isso? Se voc\u00ea realmente n\u00e3o nos ouviu, talvez tenha muitas outras coisas que voc\u00ea tamb\u00e9m n\u00e3o ouviu.<\/p>\n<p>O que me pegou de surpresa foi a receptividade de alguns dos gerentes para melhorar seu neg\u00f3cio. Eu realmente me surpreendi com o apoio, e tem sido incr\u00edvel receb\u00ea-lo. N\u00e3o esperava por isso.<\/p>\n<p>Outra coisa que eu tamb\u00e9m n\u00e3o esperava foi que, mesmo com servi\u00e7os jur\u00eddicos pro bono, mesmo com muitas oportunidades de treinamento, ainda existe uma atmosfera de medo de retalia\u00e7\u00e3o na nossa comunidade. Acho que isso \u00e9 algo que precisa acabar, pois se algu\u00e9m est\u00e1 com medo de dizer n\u00e3o, como v\u00e3o dizer sim pelo que querem?<\/p>\n<p><strong>\u2013 Eu ia te perguntar sobre esse potencial medo de retalia\u00e7\u00e3o, porque, em qualquer segmento de trabalho, \u00e9 dif\u00edcil se opor ao chefe, n\u00e3o importa quem voc\u00ea seja, e neste caso, existem mais camadas de dificuldade enfrentadas pelas dan\u00e7arinas e pelas pessoas de cor, acima de tudo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Exatamente. E, apenas admitindo que existe melhora isso se torna poss\u00edvel. Gostamos de pensar que n\u00f3s [em Portland] somos as melhores, porque temos a maioria dos clubes e muitas oportunidades, mas a pergunta \u00e9, isso \u00e9 o suficiente?&#8230; No come\u00e7o as pessoas estavam, tipo \u201cPelo menos voc\u00eas podem usar t\u00eanis\u201d. Ou o comportamento era de que pelo menos n\u00f3s podemos fazer certas coisas. E eu fico pensando, isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Voc\u00ea acha que aumentar os seus privil\u00e9gios vai te fazer perder algo? Voc\u00ea acha que defender os seus direitos de indeniza\u00e7\u00e3o de alguma maneira vai te fazer renunciar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es que voc\u00ea tem?<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea pode falar um pouco mais, de maneira geral, do porqu\u00ea os direitos de profissionais do sexo e strippers s\u00e3o relevantes e importantes dentro do movimento <em>BLM<\/em> e para a toda a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Acho que a coisa mais importante que as pessoas podem perceber, de qualquer tipo de comunidade vulner\u00e1vel levantando uma quest\u00e3o, \u00e9 que comunidades marginalizadas fazem parte da nossa comunidade. Eles s\u00f3 est\u00e3o \u00e0 margem. Se temos impasses ou problemas dentro das nossas comunidades, as primeiras pessoas a v\u00ea-los s\u00e3o as pessoas exclu\u00eddas. E isso significa que essas coisas chegar\u00e3o at\u00e9 n\u00f3s.<\/p>\n<p>As pessoas estavam entrando em p\u00e2nico [com os manifestantes] nas ruas sendo pegos e jogados dentro de ve\u00edculos n\u00e3o identificados. E isso \u00e9 algo que imigrantes e as comunidades nativas e negras j\u00e1 conhecem h\u00e1 s\u00e9culos. Ao acabar com os problemas das nossas comunidades marginalizadas, \u00e9 poss\u00edvel elevar a comunidade como um todo. Pessoas negras s\u00e3o uma comunidade marginalizada, e junto com ela existem muitas outras comunidades vulner\u00e1veis. Pessoas com defici\u00eancia, pessoas trans, profissionais do sexo, s\u00e3o todos vulner\u00e1veis; os perigos s\u00e3o ainda maiores [para elas]. Se podemos dizer que os perigos s\u00e3o ainda maiores, os benef\u00edcios tamb\u00e9m ser\u00e3o se reduzirmos as amea\u00e7as para essas comunidades. Se pudermos fazer isto, poderemos ver qu\u00e3o rapidamente as mudan\u00e7as ser\u00e3o efetivas para toda a comunidade. \u00c9 uma pena que as pessoas n\u00e3o percebam at\u00e9 ser tarde demais, ou que eles venham ajudar depois que uma comunidade j\u00e1 est\u00e1 em crise. O que esse movimento realmente est\u00e1 trazendo \u00e0 tona \u00e9 a necessidade de abordar proativamente esses problemas antes que eles causem uma crise, antes que eles causem algum dano.<\/p>\n<p>Por enquanto, n\u00e3o temos servi\u00e7os de aux\u00edlio, e quando a COVID-19 surgiu, essas comunidades vulner\u00e1veis ficaram ainda mais expostas ao aumento de amea\u00e7as. Portanto, se pudermos melhorar o nosso sistema de sa\u00fade, se pudermos melhorar o nosso sistema de servi\u00e7o social, se pudermos elevar as comunidades, trazer terapia para as pessoas e os servi\u00e7os sociais de que elas precisam, podemos reduzir as amea\u00e7as de maneira que, quando uma comunidade estiver em crise, haver\u00e1 muito menos com que se preocupar.<\/p>\n<p>Uma das coisas importantes que aprendi com o <em>Black Lives Matter<\/em> \u00e9 que <em>todas<\/em> as vidas negras importam. N\u00e3o podemos esquecer a nossa fam\u00edlia trans, nem a nossa fam\u00edlia de deficientes e nem as fam\u00edlias ind\u00edgenas. Porque essas s\u00e3o as pessoas que andam \u00e0 margem. E conforme fal\u00e1vamos antes, estamos tentando arranjar um lugar \u00e0 mesa para elas, e, at\u00e9 certo ponto, por que n\u00e3o as proteger onde elas est\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>\u2013 No site da Haymarket Pole Collective tem um trecho que diz: \u201cNossa exist\u00eancia sempre foi contracultura, lucrando com o olhar masculino e contando com ajuda m\u00fatua. Em um esfor\u00e7o para aliviar as press\u00f5es sistem\u00e1ticas do status quo, agora damos as m\u00e3os, afivelamos o salto e dan\u00e7amos juntas como uma frente unificada\u201d. Eu adoraria ouvir um pouco sobre essa contracultura e ajuda m\u00fatua. Quais s\u00e3o as maneiras que a comunidade tinha, e ainda tem, de ajudar umas \u00e0s outras e como ela faz isso? E por que isso se fez necess\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Acho que uma das coisas de que temos mais orgulho na nossa cultura \u00e9 que o corpo humano foi monetizado de v\u00e1rias maneiras atrav\u00e9s do trabalho. Recentemente tive uma conversa [com a minha m\u00e3e] em que ela me disse: \u201cEu n\u00e3o entendo como posso suportar o fato de voc\u00ea vender o seu corpo\u201d. E eu fiquei, tipo, \u201cnossa, isso \u00e9 contracultura? Porque no sistema capitalista, estamos todos vendendo nossos corpos em algum momento, seja quebrando as costas em um estoque da Amazon ou fazendo um boquete na esquina. Existe trabalho sexual de sobreviv\u00eancia, certo, onde as pessoas est\u00e3o trabalhando para sobreviver, mas existe sobreviv\u00eancia [em] muitos outros tipos de trabalho.<\/p>\n<p>[Esse movimento] \u00e9 sobre reivindicar os meios de produ\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos aproveitando os meios de produ\u00e7\u00e3o onde nossas bundas fazem esses clubes funcionarem. E no que diz respeito \u00e0 profiss\u00e3o mais antiga do mundo, n\u00e3o entendo por que as pessoas acham que ela n\u00e3o vai chegar a lugar algum. Se observarmos como direcionar os problemas apresentados pela cultura patriarcal e capitalista \u2014 porque, basicamente, se algo n\u00e3o funciona de acordo com o sistema em que ele existe, ele \u00e9 expulso \u2014, ent\u00e3o se olharmos para os sistemas que eles j\u00e1 expulsaram, conseguimos ver como desmantelar esse sistema. N\u00f3s queremos ser a pedra na engrenagem dele. Portanto, se estamos determinados a sermos essa pedra, nos colocaremos no meio das engrenagens de qualquer jeito.<\/p>\n<p>Especialmente a respeito da ajuda m\u00fatua, acho que Tennessee Williams resumiu bem: \u201cEu sempre dependi da boa vontade de estranhos\u201d. Profissionais do sexo t\u00eam financiado coletivamente seu aluguel de 20 em 20 d\u00f3lares muito antes de existir o GoFundMe. Acho que temos v\u00e1rias habilidades \u00fanicas que podem beneficiar as nossas comunidades, e porque fomos deixados de fora da discuss\u00e3o, n\u00e3o fomos capazes de resolver problemas que afetam a todos, incluindo a n\u00f3s mesmos. Ent\u00e3o estamos usando essa borracha, usando essa fric\u00e7\u00e3o, para criar calor e gerar uma fa\u00edsca de mudan\u00e7a para todo trabalho. Estamos cansadas de gotejar, queremos transbordar.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea poderia falar um pouco dos desafios que strippers e profissionais do sexo enfrentam ao tentar acessar servi\u00e7os sociais b\u00e1sicos no caso de desemprego?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> [Dan\u00e7arinas] n\u00e3o podem ser consideradas [desempregadas], porque uma grande parte \u00e9 aut\u00f4noma. [Outra] parte do problema \u00e9 que muitas dan\u00e7arinas t\u00eam dificuldade de providenciar a documenta\u00e7\u00e3o do seu trabalho. Por exemplo, se eu tento me inscrever para um aux\u00edlio do governo como aut\u00f4noma, preciso ter uma c\u00f3pia do meu contrato, e a maioria dos clubes n\u00e3o ir\u00e3o te dar uma c\u00f3pia do seu contrato. Ent\u00e3o, quando eu tento ligar para o clube para que eles confirmem o meu contrato ao Aux\u00edlio Desemprego na Pandemia (<em>Pandemic Unemployment Assistance<\/em> &#8211; PUA), [uma vez que] estou participando da greve, eles dizem que eu nunca trabalhei l\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 um problema que strippers enfrentam h\u00e1 muito tempo: assinamos um contrato e n\u00e3o recebemos uma c\u00f3pia. Acontece que o contrato era de apenas tr\u00eas meses, e dois anos depois de trabalhar sem parar, turno ap\u00f3s turno todos os dias, h\u00e1 uma invas\u00e3o. Eles encontram uma camisinha na sua bolsa. E o clube diz \u201cna verdade ela n\u00e3o tem um contrato\u201d. Da\u00ed voc\u00ea fica como? Eu assinei um contrato. Isso foi h\u00e1 tr\u00eas anos, e eles dizem que sim, mas que esse contrato expirou.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m, por exemplo, quando eu estava alugando uma casa em Mine\u00e1polis, eu dizia que era gar\u00e7onete. Do contr\u00e1rio, eles n\u00e3o iriam me deixar alugar. Na verdade, \u00e9 ilegal discriminar pessoas, no caso de habita\u00e7\u00e3o, por conta do seu trabalho. Meu trabalho era completamente legal, mas era isso que eu precisava dizer. Ent\u00e3o, voc\u00ea sabe, a partir de um momento isso se torna um problema de anonimato.<\/p>\n<p><strong>\u2013 E tudo isso faz parte do que a Haymarket Collective est\u00e1 trabalhando para mudar, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013<\/strong> Sim, e uma das demandas que estamos encorajando outros coletivos de economia a incluir \u00e9 que gostar\u00edamos que os clubes come\u00e7assem a fazer a devida dilig\u00eancia quanto \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o [em pauta]. Se voc\u00ea vai encerrar esses contratos, ent\u00e3o voc\u00ea deveria dar uma justificativa por escrito. Porque, por alguma raz\u00e3o, todas as dan\u00e7arinas negras s\u00e3o demitidas por conta de sua atitude&#8230; E ent\u00e3o a pergunta se torna como voc\u00ea vai atr\u00e1s da retalia\u00e7\u00e3o por discrimina\u00e7\u00e3o quando n\u00e3o h\u00e1 documenta\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A regulamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 uma bola de neve. Imaginamos que, se isto j\u00e1 est\u00e1 acontecendo, de qualquer maneira, gostar\u00edamos de fazer parte disso, definindo como essa regulamenta\u00e7\u00e3o devem ser, pois nesse momento ela n\u00e3o se aplica a n\u00f3s, ela se aplica apenas aos donos dos clubes que ganham milh\u00f5es de d\u00f3lares por ano apenas com taxas de palco. E o ponto \u00e9, esses clubes n\u00e3o s\u00e3o nada sem n\u00f3s. At\u00e9 certo ponto n\u00f3s precisamos aproveitar os meios de promo\u00e7\u00e3o\u00a0, e dizer que sem as nossas bundas eles n\u00e3o ganham dinheiro. E ent\u00e3o n\u00e3o teriam bebidas para vender nem taxas de palco.<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o tendo necessariamente o direito de retalia\u00e7\u00e3o como muitos empregados, n\u00f3s temos o direito de trabalhar como quisermos. Se um clube n\u00e3o tiver linguagem proativa na sua pol\u00edtica de discrimina\u00e7\u00e3o, essas quest\u00f5es aumentar\u00e3o a quantidade de dan\u00e7arinas brancas e cis. Acabar com essas discrimina\u00e7\u00f5es \u00e9 superimportante para nos proteger como classe.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Eu gostaria de ouvir s\u00f3 mais um pouco sobre os esfor\u00e7os de mobiliza\u00e7\u00e3o nacional. Voc\u00ea disse que se encontrou com um grupo de diferentes dan\u00e7arinas de todo o pa\u00eds. Est\u00e1 acontecendo uma Greve de Strippers nacional. Como voc\u00ea v\u00ea o crescimento desse movimento e o que ele pode trazer futuramente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Tenho chamado isso de biog\u00eanese, que \u00e9 um termo cient\u00edfico para origem simult\u00e2nea de vidas. Atualmente, em nosso cen\u00e1rio cient\u00edfico, dizemos que existiu um organismo de uma c\u00e9lula e ele se dividiu em dois, e ent\u00e3o se desenvolveu em uma planta, e depois em um peixe e ent\u00e3o saiu da \u00e1gua e se rastejou at\u00e9 a terra. E o que a ci\u00eancia mostrou at\u00e9 agora \u00e9 que se as condi\u00e7\u00f5es para a vida forem prop\u00edcias, ela surgir\u00e1 em muitos lugares diferentes ao mesmo tempo. Eu realmente acredito que as condi\u00e7\u00f5es para a mudan\u00e7a est\u00e3o corretas. Existem tantos coletivos que come\u00e7aram completamente sozinhos, e agora estamos nos encontrando, ou existem coletivos que est\u00e3o vendo as a\u00e7\u00f5es acontecerem pelos seus pr\u00f3prios colegas;\u00a0 e vendo o poder deles, e reivindicando seu pr\u00f3prio poder.<\/p>\n<p>\u00c9 maravilhoso ver esses grupos colaborarem. Talvez n\u00e3o tenhamos as mesmas leis ou as mesmas pr\u00e1ticas em nossos clubes, mas muitos dos problemas s\u00e3o os mesmos. Ent\u00e3o, podemos conversar sobre quais t\u00e9cnicas est\u00e3o funcionando, quais n\u00e3o est\u00e3o, e o que queremos. Temos uma lista de demandas de quatro ou cinco estados diferentes. Agora temos um bra\u00e7o do Haymarket em Chicago, que saiu das nossas reuni\u00f5es nacionais que acontecem aos domingos.<\/p>\n<p>Fico animada toda vez que vejo a rebeldia, o empoderamento e as demandas por coisas melhores acontecendo por a\u00ed. Estamos pedindo por isso h\u00e1 tanto tempo. Dan\u00e7arinas eram obrigadas a ficar em apenas um clube, e na verdade n\u00f3s n\u00e3o temos que escolher s\u00f3 um. N\u00f3s n\u00e3o precisamos trabalhar em clubes que s\u00e3o uma merda. Acho que a solidariedade tem realmente funcionado.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Sim, e como voc\u00ea estava dizendo, parece que h\u00e1 um momento agora de evolu\u00e7\u00f5es acontecendo em todos os lugares espontaneamente, ao mesmo tempo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 <\/strong>Exatamente. Porque as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o prop\u00edcias, mas n\u00e3o se trata de coincid\u00eancia ou de um acidente. \u00c9 o barulho da pedra na engrenagem. Fomos todos arrastados para dentro, e agora dizemos \u201cbem, na verdade, que se foda essa m\u00e1quina. Vamos nos rebelar contra ela\u201d. Isso n\u00e3o \u00e9 o que queremos&#8230; Acho que isso realmente \u00e9 uma biog\u00eanese. Uma coisa \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o favor\u00e1veis e outra, \u00e9 que elas n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicas. As coisas que est\u00e3o acontecendo [aqui em Portland] est\u00e3o acontecendo por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse artigo foi produzido por <a href=\"https:\/\/independentmediainstitute.org\/local-peace-economy\/\"><em>Local Peace Economy<\/em><\/a>, um projeto do <em>Independent Media Institute<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<p>April M. Short \u00e9 editora, jornalista e editora e produtora de document\u00e1rios. Ela \u00e9 colaboradora do <em>Local<\/em> <em>Peace Economy<\/em>, um projeto do <em>Independent Media Institute. <\/em>Anteriormente<em>, <\/em>ela foi editora chefe no AlterNet, assim como redatora s\u00eanior premiada do Santa Cruz, jornal semanal da California. Seu trabalho j\u00e1 foi publicado no <em>San Francisco Chronicle, In These Days, Salon<\/em> e muitos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Traduzido do ingl\u00eas por Barbara G\u00e2ndara \/Revis\u00e3o por Gabriela Assis Santos<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista com uma l\u00edder da Greve de strippers de Portland sobre o movimento crescente por tratamento igualit\u00e1rio e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho para dan\u00e7arinas. Por April M. 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