{"id":1200738,"date":"2020-09-20T03:55:05","date_gmt":"2020-09-20T02:55:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1200738"},"modified":"2020-09-19T23:32:02","modified_gmt":"2020-09-19T22:32:02","slug":"mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/","title":{"rendered":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">ARTES VISUAIS<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"yiv0250778706ydp46a771ddmsonormal\" style=\"text-align: justify; background: white;\"><span lang=\"PT-BR\">Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as vezes chega \u00e0 beira da pornografia &#8211; tensionando os limites da arte- e vem carregado de uma contundente cr\u00edtica social.<\/span><\/p>\n<p class=\"yiv0250778706ydp46a771ddmsonormal\" style=\"text-align: justify; background: white;\"><span lang=\"PT-BR\">Conheci o trabalho de Paulo Jorge no dia dos trabalhadores, o primeiro de maio de 2019, no Sal\u00e3o Vermelho de Artes Degeneradas, um evento de artes visuais muito bem humorado que teve este nome em um grande deboche ao <i>desgoverno<\/i> rec\u00e9m eleito, que persegue artistas e destr\u00f3i a cultura (o nome do sal\u00e3o foi uma par\u00f3dia do <i>sal\u00e3o de artes degeneradas<\/i>,no qual os nazistas expuseram obras de arte moderna roubadas, comparando a distor\u00e7\u00e3o formal da imagem expressionista, cubista e do que havia de mais de vanguarda na \u00e9poca, com as suas pr\u00f3prias teorias eugenistas de \u201cdegenera\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a\u201d). Em uma entrevista <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/05\/a-arte-nunca-foi-tao-necessaria\/\">que fiz com o Thiago Fernandes<\/a>, um dos curadores da mostra, ele fala mais a respeito: introduziu a palavra <i>Vermelho<\/i> para ironizar a demente persegui\u00e7\u00e3o anticomunista instaurada pela nova direita, no Brasil. Enfim, abro a porta do Atelier Sanit\u00e1rio ( dos artistas Leandro Barbosa e Daniel Murgel) e foi aquele impacto, como um vento quente na cara: as paredes estavam repletas de arte e o sal\u00e3o lotado de visitantes; Eu esperava obras deliberadamente panflet\u00e1rias, talvez at\u00e9 um carro de som de sindicato com algu\u00e9m em cima gritando em voz gutural\u2013 mas n\u00e3o! A surpresa foram corpos, muitas imagens de corpos, genit\u00e1lias, umas imagens sensuais, outras engra\u00e7adas gays, trans, travestis, l\u00e9sbicas. Havia uma verdade escrita na camiseta de uma visitante: \u201cmeu corpo \u00e9 pol\u00edtico\u201d. No alto da parede direita, dominava a cena o trabalho de Paulo. A s\u00e9rie <i>Meninos<\/i> me fez pensar o dia todo, durante a festa, porque era ao mesmo tempo forte, quase pornogr\u00e1fica, entretanto tinha algo de triste como a fome.<\/span><\/p>\n<p class=\"yiv0250778706ydp46a771ddmsonormal\" style=\"text-align: justify; background: white;\"><span lang=\"PT-BR\">A s\u00e9rie Meninos me fez pensar em tudo aquilo que a gente evita ver. O trabalho, devido ao impacto e a repulsa que senti no come\u00e7o me revelou algo important\u00edssimo para a vida: fez encontrar, escondido no arm\u00e1rio, o meu bolsominion interior. E para localizar o GPS deste fascista interno e poder trucid\u00e1-lo, o trabalho de Paulo \u00e9 bem eficaz. <i>Meninos<\/i> \u00e9 uma s\u00e9rie potente que ao longo desta conversa com o artista s\u00f3 se confirmar\u00e1 como tal.<\/span><\/p>\n<p><strong>\u2013 Como a pintura pintou na sua vida? Quem foram suas refer\u00eancias iniciais e quando come\u00e7ou?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como disse j\u00e1 tendo esse apoio eu desde muito novo pude \u201cbrincar\u201d de pintar. Me foi permitido. Era uma crian\u00e7a l\u00fadica e criativa. Estava sempre inventado. Crian\u00e7a de periferia com vasto quintal para aprontar.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabendo que aquele brincar com tintas era especial e tinha um nome, se chamava arte, isso me despertou e fez uma diferen\u00e7a. \u00a0No entanto, nunca me considerei uma pessoa com dom, ou extremamente talentosa, eu me considerei mais como um apaixonado. Foi essa paix\u00e3o, por sinal que desde muito cedo foi que me fez correr atr\u00e1s e superar a falta de talento para poder fazer o que eu mais amava.<\/p>\n<p>Eu corria atr\u00e1s de informa\u00e7\u00f5es como falei, as tais cole\u00e7\u00f5es de recortes. tamb\u00e9m colecionava aquelas revistas semanais de vidas de artistas das bancas de jornal. Isso me ajudou a explorar este mundo. Pude ver mesmo que apenas por imagem, uma gama enorme de estilos, artistas, nas mais variadas \u00e9pocas. Alguns claro me chamava aten\u00e7\u00e3o. Paix\u00e3o absoluta foram de imediato Caravaggio, Michelangelo, Lautrec<em> e Modigliani&#8230;, mas os nomes sempre variavam tamb\u00e9m conforme o interesse. E um em especial era paix\u00e3o mais que absoluta. Paul Klee. Teve \u00e9pocas que eu sabia a vida de artistas de cor. Eu era um jovem bem estranho. <\/em><\/p>\n<p>Cedo tamb\u00e9m comprei minha primeira c\u00e2mera fotogr\u00e1fica (anal\u00f3gica) eu registrava tudo. Paralelo a pintura, a fotografia sempre esteve presente. Tamb\u00e9m desenvolvendo de forma amadora e informal.<\/p>\n<p>Essa aprendizagem toda foi muito quebrada, eu n\u00e3o entrei em cursos. Poderia ter quebrado etapas, principalmente t\u00e9cnicas, mas morando em bairro bem perif\u00e9rico era muito dif\u00edcil um local onde algu\u00e9m jovem poderia desenvolver esse potencial. S\u00f3 anos mais tarde quando podia ir e vir que isso foi superado. E mesmo assim, atravessar todo o caminho da zona norte a zona sul \u00e9 uma dificuldade que muita gente enfrenta e entendo quando desistem.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Quais artistas, quadrinistas, sons, filmes, fil\u00f3sofos, vizinhos e figuras populares que te inspiram?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Muita coisa me inspira, sou ladr\u00e3o. Eu roubo muita coisa e vou armazenando. Aquela mania de juntar mat\u00e9rias de jornais e revistas da inf\u00e2ncia\/adolesc\u00eancia se propagou em mim. Ent\u00e3o estou sempre fu\u00e7ando. \u00e9 dif\u00edcil falar que uma coisa \u00e9 minha influencia absoluta porque eu vou tateando informa\u00e7\u00f5es e aglutinando ao meu trabalho imagens, fontes, pensamentos, quest\u00f5es que me interessam.<\/p>\n<p>Fui muito influenciado por rock, tive banda, toquei baixo, cantava, estudei m\u00fasica, principalmente a est\u00e9tica punk que pude vivenciar na d\u00e9cada de 80. Mas minha fome me fez conhecer todos os estilos, m\u00fasicas experimentais, vanguardas e M\u00fasicas brasileiras.<\/p>\n<p>Quadrinho foi uma baita influencia, sou fissurado, tanto que minhas monografias foram todas em cima do estudo do HQ e a aprendizagem da arte. O cinema me interessa bastante no campo da imagem, da fotografia. Luz<\/p>\n<p>Essa procura de conhecimento n\u00e3o se sustentaria se eu n\u00e3o tivesse uma consci\u00eancia do meu entorno, entender o social, pol\u00edtico e econ\u00f4mico (n\u00e3o como um fetiche como alguns, mais como algu\u00e9m realmente pertencente) do sub\u00farbio e da periferia. Uma cultura do suor como chamo. Isso trago forte para o trabalho. Tem um q do sal da pele que s\u00f3 se encontra em algumas partes do mundo, geralmente n\u00e3o as ass\u00e9pticas.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Que exposi\u00e7\u00f5es mais lhe marcaram? Que exposi\u00e7\u00f5es suas ou trabalhos seus, voc\u00ea considera mais importantes?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Era uma crian\u00e7a e minha irm\u00e3 me levava para ver exposi\u00e7\u00f5es, as gravuras de Picasso no passo, foram um encanto e eu nem compreendia o que era uma gravura de t\u00e3o jovem.<\/p>\n<p>Uma exposi\u00e7\u00e3o que me marcou muito foi a do diretor de cinema Peter Greenaway que tamb\u00e9m produz com desenhos, colagens, pinturas, talvez por n\u00e3o ser um artista visual, mostravam trabalhos sem ran\u00e7o. Aquilo me marcou muito. Influencia e grande est\u00edmulo foi ver as fotos de Mark Morrisroe,<\/p>\n<p>Confesso que ando exausto de exposi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o vejo novidades. Me d\u00e3o muito t\u00e9dio na maioria das vezes. Repeti\u00e7\u00e3o de f\u00f3rmulas de apresenta\u00e7\u00e3o, truques da contemporaneidade. Maneirismos.<\/p>\n<p>Pratiquei pintura por anos e com a maioria delas fiz uma grande fogueira. Nada que fosse relevante. Farto dos velhos, novos truques da arte. meus \u00faltimos anos esteve marcado na produ\u00e7\u00e3o de gravuras. Uma mesma matriz originando diversas c\u00f3pias e estas, montadas, ocupando o espa\u00e7o. Uma forma de trabalhar a gravura com um pensamento no corpo, vivendo a imagem. Claro que o povo da gravura, t\u00e9cnica cheia de tradi\u00e7\u00f5es, me execrou e nunca levou a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Partindo disso fui criar mantos, mesmos padr\u00f5es que se intercalavam, mais em materiais diferentes e por fim cobriam e ocupavam superf\u00edcies. Tamb\u00e9m vestiam pessoas. O corpo entra. Se representa no trabalho. Come\u00e7o a desenvolver o h\u00e1bito de registar tudo em fotografia. A fotografia passa a ser pe\u00e7a importante do meu pensar.<\/p>\n<p>Series soltas de fotografias se acumulavam e todas tendendo a um homo erotismo. S\u00e9ries com mototaxistas, banhistas, camelos, skatistas, surfistas&#8230; objetos de sedu\u00e7\u00e3o e fetiches do universo er\u00f3tico. Aos poucos um passo maior, gays na pega\u00e7\u00e3o, festas, paradas gays, travestis.<\/p>\n<p>At\u00e9 que surge o trabalho com nus e o tema dos garotos de programa em 2015. A s\u00e9rie dos nus intitulada Meninos que falarei mais adiante.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Quando e como voc\u00ea decide aproximar sua arte \u201co mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel da pornografia gay\u201d? E por que esta proposta t\u00e3o radical?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A pornografia n\u00e3o era algo que eu negava ou nego. \u00c9 algo que me encanta. Sou f\u00e3 de filmes porn\u00f4, das diversas est\u00e9ticas (das mais leves, \u201cbaunilha\u201d \u00e0s mais pesadas) gosto dos filmes heteros e dos filmes gays. Gosto da est\u00e9tica dos amadores e o novo material que surge no onlyfans com exibicionistas que se declaram no twitter para vender sua pornografia nessa plataforma, principalmente os nacionais. Conhe\u00e7o o nome dos diretores, as companhias e os atores do mundo porn\u00f4. Quero fazer series de pinturas usando atores porn\u00f4 como temas. Temos excelentes atores porn\u00f4 brasileiros. Mas tamb\u00e9m sei de toda a pol\u00e9mica que esta ind\u00fastria est\u00e1 envolvida, a explora\u00e7\u00e3o do corpo, envolvimento com drogas, uma certa m\u00e1fia por traz. Nunca nada s\u00e3o s\u00f3 flores.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o e o universo<em> underground<\/em> que sempre foi a menina dos olhos. Cultura <em>punk<\/em>, <em>zines<\/em>, <em>bdsm<\/em>, contra cultura, filmes alternativos, performances, p\u00f3s porn\u00f4, aquela est\u00e9tica de registar de forma anal\u00f3gica as performances nos anos 60 e 70, teatro experimental, filmes experimentais &#8230;. esse embate \u00e9 o que eu percebo de mais caro na arte. A zona de conforto nunca me atraiu.<\/p>\n<p>Sei que com isso afasto muitos do meu trabalho. Eu poderia ter optado por um trabalho homoer\u00f3tico mais higienizado e padr\u00e3o (tipo de beleza de cat\u00e1logo) seria mais f\u00e1cil talvez. Mas gosto do erro e da sujeira, pelo meu pr\u00f3prio hist\u00f3rico e de onde venho e onde moro. Tamb\u00e9m poderia ter feito um trabalho apenas simb\u00f3lico, muitos est\u00e3o fazendo isso. Atualmente estamos vendo uma abertura para representantes de negros e LGBTS que trabalham com a visibilidade de sua minoria. Mas \u00e9 importante salientar que ter mais n\u00e3o significa qualidade. Todas as tem\u00e1ticas est\u00e3o sendo abordadas? Todos os assuntos est\u00e3o sendo ditos? E quando ditas, est\u00e3o sendo ditas com qualidade?<\/p>\n<p>A parte mais pesada desta equa\u00e7\u00e3o continua n\u00e3o sendo aceita. E n\u00e3o adianta passar verniz porque o <em>dark side<\/em> do mundo gay realmente existe. V\u00e1rios rapazes heteros e gays est\u00e3o se prostituindo para completar a renda familiar, assim como travestis acabam tendo na prostitui\u00e7\u00e3o seu \u00fanico ganha p\u00e3o porque n\u00e3o conseguem emprego dados pela sociedade e a sua m\u00e9dia de vida \u00e9 de 35 anos. Ainda quero fazer muito mais coisa. Atualmente estou em processo com uma esp\u00e9cie de revista er\u00f3tica (certamente de um \u00fanico n\u00famero) relembrando as antigas pornografias que se compravam nas bancas e a internet pois fim. Quero fazer novas s\u00e9ries com outros temas, se a pandemia permitir, e por incr\u00edvel que pare\u00e7a fazer um filme porn\u00f4 gay\/arte. Algo bem <em>nonsense<\/em>, se bem que 99% dos filmes porn\u00f4 j\u00e1 s\u00e3o assim.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Certa vez entrei em um evento de arte em Santa Tereza e dei de cara com aquela sua releitura da releitura que a Varej\u00e3o fez da Tarsila do Amaral. Me mijei de rir. Deboche, fina ironia ou um grande f***-se \u00e0 hierarquia invis\u00edvel no circuito de arte contempor\u00e2nea?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Simmm!!!! Foi feito por pura tro\u00e7a.<\/p>\n<p>Deboche, zoeira. Acho a arte contempor\u00e2nea brasileira e o povo envolvido nela um saco de bosta. Gente chata e irritante. Principalmente os \u201cxovens\u201d. Acompanho muito mais a cena internacional. Talvez por ver de longe, me iluda que sejam diferentes. Bendita internet. Mais troco conversas e me aparentam ser pessoas menos soberbas e mais antenadas tentando captar muito mais coisa do que s\u00f3 o farfalhar do seu pr\u00f3prio ego<strong>. <\/strong><\/p>\n<p>Eu percebo que aqui todos querem ser eleitos e chancelados. Passando em um m\u00edsero edital, pronto: a pessoa trocou de fase ou evoluiu tipo um <em>pok\u00e9mon<\/em>, n\u00e3o interessa mais olhar tudo e a todos e sim apenas os pr\u00f3ximos a ela ou os <em>megasuperiores<\/em>. Isso bloqueia di\u00e1logos. O que vale na real todos os editais que passamos? Representam vendas reais? Pre\u00e7o de mercado? Valor em nossa arte? Isto \u00e9 permanente? Conhe\u00e7o artistas que expuseram na bienal de S\u00e3o Paulo e hoje galerias n\u00e3o os representam. Complicado.<\/p>\n<p>Estamos vivendo tamb\u00e9m um novo academicismo, estamos urgentemente necessitando de novas vanguardas para romper com os atuais conservadores. Se voc\u00ea pegar um cat\u00e1logo da bienal parece que todos est\u00e3o pedindo emprego com seus curr\u00edculos, Doutor em&#8230;Mestre em&#8230; PHD em&#8230;. depois, bem depois voc\u00ea olha o trabalho que o indiv\u00edduo faz. N\u00e3o foi contra isso que impressionistas e modernistas lutaram? Uma arte acad\u00eamica. Virou uma nova academia. Existe um novo padr\u00e3o cl\u00e1ssico de arte contempor\u00e2nea, quem estiver fora desta curva est\u00e1 fora.<\/p>\n<p>Existe formas de se fazer arte, tem que ter certos ingredientes, tem f\u00f3rmulas de pinturas, at\u00e9 o gotejar das tintas j\u00e1 virou escola, o grafite j\u00e1 \u00e9 um estilo acad\u00eamico, tem toda uma tradi\u00e7\u00e3o da contemporaneidade e por a\u00ed vai. Ent\u00e3o quando voltei a pintar esqueci dos maneirismos modernos e fui olhar para o Barroco, um claro escuro, uma anatomia ou coisas como Frans Hals, longe de querer e pretender me igualar a genialidade deste tipo, mas se era para pertencer a uma tradi\u00e7\u00e3o vamos a uma com alicerce.<\/p>\n<p>Sem falar que ser um escolhido em arte hoje em dia se refere muito mais aos lugares onde voc\u00ea anda, com quem voc\u00ea convive e conhece e qual a tese que defende nas altas rodas, do que o trabalho que voc\u00ea realiza. O trabalho pode nem existir, isso \u00e9 s\u00f3 um detalhe.<\/p>\n<p>S\u00f3 que certamente ou estamos ou estaremos brevemente vivendo em um tempo de virada. A coisa toda n\u00e3o est\u00e1 se sustentando, a f\u00f3rmula funcionou, mas est\u00e1 mostrando fissuras, o povo nunca foi convidado para esta festa da arte, recebia no m\u00e1ximo uma nota no jornal e a m\u00eddia come\u00e7a a duvidar. Os intelectuais v\u00e3o ter que co\u00e7ar a cabe\u00e7a e pensar novas teorias. Por fim o mercado, sempre ele, vai dar um jeito de lucrar com o que vai surgir.<\/p>\n<div id=\"attachment_1200759\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1200759\" class=\"wp-image-1200759 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-2-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-2-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-2-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-2-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--720x479.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-2-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-1200759\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rie Meninos, Registro em fotografia 2017. Paulo Jorge Gon\u00e7alves.<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013 No contexto atual brasileiro (que momento&#8230;) a quest\u00e3o gay \u00e9 um tema extremante complicado para ser abordado no universo da arte pois falsos moralistas de plant\u00e3o v\u00eam logo debitando em cima dos homossexuais a conta da sua pervers\u00e3o. Houve alguma \u00e9poca um pouco mais segura para se mostrar ou falar destes assuntos?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Em todos os per\u00edodos tivemos artistas gays, em todas as \u00e9pocas tivermos arte gay. Claro, todos enfrentando os limites ou liberdades que lhes eram oferecidos. Donatello foi extremamente gay e seu Davi \u00e9 um exemplo cl\u00e1ssico disso, produziu pe\u00e7as homoer\u00f3ticas consumidas por uma renascen\u00e7a que compreendia e possibilitava esta produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Michelangelo por viver muitas d\u00e9cadas pode vivenciar tamb\u00e9m esta possibilidade no in\u00edcio da carreira e fica claro em pe\u00e7as de escultura e no teto da capela sistina e no final de sua carreira ver como as coisas mudaram com a contra reforma, traduzido na censura do seu ju\u00edzo final.<\/p>\n<p>O moralismo sempre est\u00e1 \u00e0 espreita tentando consumir o pensamento progressista. No Brasil Victor Arruda d\u00e1 um show a muito tempo, com uma arte vanguardista, bomb\u00e1stica, podre e violenta, Leonilson foi forte nos anos 80 deixando uma arte depoimento em forma de poema visual, na fotografia temos o j\u00e1 citado Alair Gomes, mesmo que sua obra s\u00f3 tenha vindo a publico depois de sua morte.<\/p>\n<p>Tudo aparentemente parecia \u201cnormal\u201d at\u00e9 que todos s\u00e3o pegos com a nota violenta que no dia 15 de julho, o performer Maikon K foi preso durante a execu\u00e7\u00e3o de sua performance e a Pol\u00edcia Militar do Distrito Federal informou que o motivo da pris\u00e3o foi &#8220;atentado ao pudor&#8221;. Isso porque Maikon K se apresenta nu. Como assim?<\/p>\n<p>Isso ocorreu duas semanas depois de o banco Santander determinar o fechamento da exposi\u00e7\u00e3o <em>Queermuseu<\/em>m, em Porto Alegre, em meio a uma onda de cr\u00edticas conservadoras, de um bando de aproveitadores surfando na onda para conseguir votos para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. \u00c9\u00a0a performance <em>La B\u00eate,<\/em> apresentada pelo Museu de Arte Moderna de S\u00e3o Paulo, realizada pelo\u00a0core\u00f3grafo carioca Wagner Schwartz, fazia uma releitura da obra <em>Bicho<\/em>, de Lygia Clark, artista historicamente reconhecida. Um v\u00eddeo divulgado nas redes sociais que viralizou, mostrava um trecho da performance, na qual uma mulher e uma crian\u00e7a interagem com\u00a0Schwartz, que se encontra deitado e nu. A garota toca os p\u00e9s e a canela do\u00a0core\u00f3grafo.\u00a0Foi o bastante para a arte ser bombardeada como produtora de pedofilia, imoralidade, degenera\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e teve que prestar depoimento, o artista sofreu amea\u00e7as, depoimentos constrangedores.<\/p>\n<p>Resumindo a \u00f3pera tosca, estamos vivendo um tempo cafona, com uma est\u00e9tica pr\u00f3pria perigosa, mais que n\u00e3o podemos fechar os olhos. O grande problema talvez tenha sido esse, n\u00f3s n\u00e3o os levamos a s\u00e9rio. Os acad\u00eamicos n\u00e3o os levaram a s\u00e9rio pois suas teses loucas n\u00e3o tinham fundamento, n\u00f3s artistas n\u00e3o os levamos a s\u00e9rio porque eram bregas demais e por a\u00ed vai. Eis que o mostro vingativo surgiu com \u00f3dio a todo pensamento progressista, aos valores civilizat\u00f3rios, educativos, cient\u00edficos, sociais, evolutivos e cultuando a barb\u00e1rie. E nesse furac\u00e3o a homossexualidade \u00e9 um dos temas que eles amam perseguir e n\u00e3o v\u00e3o abrir m\u00e3o de odiar.<\/p>\n<p>Porque n\u00e3o abrem m\u00e3o de sua homofobia? Mesmo sabendo que para o com\u00e9rcio e o turismo o dinheiro rosa \u00e9 extremamente positivo. N\u00e3o abrem m\u00e3o, porque tanto a quest\u00e3o do feminismo, o racismo quando da homossexualidade tem a ver com a liberdade do corpo do outro. O controle. Exercer este dom\u00ednio escravocrata, machista, opressor e castrador para dominar a alma e assim subjugar.<\/p>\n<p>Nem na \u00e9poca da ditadura com os c\u00e3es selvagens militares babando e rosnando tivemos um per\u00edodo t\u00e3o ruim, pois n\u00e3o tinha uma press\u00e3o moral religiosa por traz. Tivemos o desbunde, tivemos produ\u00e7\u00f5es teatrais audazes como O Balc\u00e3o e Cemit\u00e9rio de autom\u00f3veis, tivemos os Dzi Croquettes. O que temos hoje?<\/p>\n<p><strong>\u2013 A mesma sociedade que mais mata transexuais e travestis e a que mais consome prostitui\u00e7\u00e3o de travestis e consome videos gays na internet. Como isso se explica, no seu ponto de vista?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Hipocrisia &#8211; a triste realidade nacional. Por um lado, somos uma sociedade extremamente \u201cbrejeira\u201d com excesso de vol\u00fapia. Filhos de degredados Europeus da pior esp\u00e9cie estuprando \u00edndias e negras, de donos da casa grande sodomizando seus escravos por prazer e um povo que rapidamente compreendeu que a forma mais r\u00e1pida de ascens\u00e3o social \u00e9 o sexo.<\/p>\n<p>Por outro lado, temos um peso de uma cultura judaico crist\u00e3 cheia de moralismos, falsas promessas, culpas, intrigas, segredos, fofocas e o h\u00e1bito de tomar conta da vida alheia. Onde estado e religi\u00e3o se misturam.<\/p>\n<p>A homossexualidade j\u00e1 foi estudada e esmiu\u00e7ada pela ci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a e sim algo bem natural na natureza, chegaria a ser cansativo ficar ainda debatendo este tema se n\u00e3o fosse que o homem, \u00fanico animal entre todos os que praticam seja o \u00fanico que apresenta a homofobia. Em algum ponto da sua vida o ser (bicho) humano, pode inverter os papeis e experimentar. N\u00e3o indica que toda sua vida ser\u00e1 pautada pela aquela a\u00e7\u00e3o. Assim como ningu\u00e9m se transforma em homossexual, \u00e9 algo que \u00e9 inativo da pessoa. Transformar isso tudo em uma bigorna nas cabe\u00e7as dos seres humanos \u00e9 que reside o problema.<\/p>\n<p>Uma sociedade adoentada pelo machismo sim \u00e9 uma das principais doen\u00e7as. Crian\u00e7as s\u00e3o mentalmente atormentadas com padr\u00f5es patriarcais e violentos. Meninas j\u00e1 crescem na esfera do medo e da v\u00edtima, meninos s\u00e3o moldados para ser um canalha e os que n\u00e3o se encaixam logo s\u00e3o rotulados e destru\u00eddos mentalmente. A quantidade de doen\u00e7a que este machismo toxico causa \u00e9 imensa. Contra isso se \u00e9 falado, explicado, mais \u00e9 uma sociedade que teima em manter paradigmas baseados na religi\u00e3o e no estado patriarcal.<\/p>\n<p>Crescemos v\u00edtimas desta loucura, camuflando desejos, condenando semelhantes, punindo o pr\u00f3ximo, torturando f\u00edsica e mentalmente outros seres humanos. Travestis s\u00e3o condenados naturalmente a uma vida de prostitui\u00e7\u00e3o para sobreviver e est\u00e3o expostos a uma viol\u00eancia cruel. Mas ningu\u00e9m pergunta quem s\u00e3o seus clientes. Assim como ningu\u00e9m pergunta quem s\u00e3o os clientes das prostitutas e dos prostitutos. Sim, o reino m\u00e1gico da hipocrisia. Um pa\u00eds que tem salas de bate papo onde pode se encontrar EVANGELICOS procuram EVANGELICOS, tudo na encolha, tudo escondido. Pau, porrada e morte para quem d\u00e1 sua cara a tapa. Longa vida a hipocrisia.<\/p>\n<p><strong>\u2013 A sua s\u00e9rie de fotografias realizadas com garotos de programa \u00e9 contundente. S\u00e3o imagens sensuais, nus, m\u00fasculos, sensualidade, pele&#8230;, entretanto h\u00e1 um limite muito t\u00eanue que as diferenciam da simples pornografia. Algo que est\u00e1 no olhar do fot\u00f3grafo. Como \u00e9 constru\u00edda a rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com estes rapazes para que eles se deixem fotografar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Como falei a est\u00e9tica dos filmes porn\u00f4 me atrai, assim como as fotos er\u00f3ticas, das antigas at\u00e9 as das d\u00e9cadas de 70\/80. Para compor a s\u00e9rie meninos eu n\u00e3o parti do nada, eu j\u00e1 tinha em mente que eu queria fazer algo na esfera do er\u00f3tico, do pornogr\u00e1fico, da sensualidade. A quest\u00e3o era achar a tem\u00e1tica e o processo e com quem iria trabalhar. Eu como falei fiz muitas s\u00e9ries que j\u00e1 tinha um car\u00e1ter extremamente sensual e homoer\u00f3tico, como passar dias em pistas de skate fotografando os jovens suando em suas acrobacias, ou na praia saindo e entrando no mar e tostando na areia. Mas eu queria mais.<\/p>\n<p>Fiz uns trabalhos embrion\u00e1rios que juntavam as antigas formulas das ocupa\u00e7\u00f5es e mantos com pessoas e justamente uma dessas pessoas que ao ser fotografada n\u00e3o teve receio em fazer nu, que me falou que era garoto de programa. Achei assim a pe\u00e7a que faltava. O tema. Os prostitutos seriam meu assunto.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie meninos consiste em entrar no mundo do garoto de programa, e fazer um acordo com ele, o valor do programa, a quantia em dinheiro da minha parte e ele por sua vez ao inv\u00e9s do sexo, posa para mim. Acordamos tamb\u00e9m o que ele pode ofertar em termos de fotografia, muitos n\u00e3o podem revelar o rosto, ou n\u00e3o querem mostrar partes intimas ou uma certa tatuagem. Outros de forma bem narcisa ao ver a c\u00e2mera se oferecem soltos. Fotografo geralmente nas cabines dos pr\u00f3prios clubes ou quando, marcado em mot\u00e9is. O que d\u00e1 as fotos algumas caracter\u00edsticas. N\u00e3o tenho luz pr\u00f3pria para foto, pouco espa\u00e7o, ambiente nada preparado. Mas \u00e9 isso que se trata todo o universo.<\/p>\n<p>Aos poucos muitos \u201ccivis\u201d pessoas que n\u00e3o s\u00e3o os boys, os garotos de programas, ao ver o desenrolar da s\u00e9rie se ofereceram para posar e se colocarem no lugar dos meninos, fotografei engenheiro, bailarino, atores, artistas pl\u00e1stico , pessoas querendo aquela experiencia de se sentir fotografado como um boy na s\u00e9rie.<\/p>\n<p>A confian\u00e7a \u00e9 a pe\u00e7a fundamental nessa equa\u00e7\u00e3o. De inicio eu errei muito, primeiro por estar tateando algo que n\u00e3o conhecia, estar nervoso, perdi dinheiro e material. Depois o conceito do trabalho foi ficando forte e com mais certeza e convic\u00e7\u00e3o eu consegui convencer a eles a participar. Mas \u00e9 algo complicado. Imagine convencer uma pessoa que n\u00e3o tem envolvimento com o mundo da arte a posar nu para algo que o outro est\u00e1 dizendo que vai para a parede ser exposta? Era abstrato. Alguns certamente entraram nessa pensando, vou me aproveitar dele,\u201d vou l\u00e1 tirar fotos e nem trepar e me cansar ser\u00e1 necess\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>Com um certo tempo e frequ\u00eancia e j\u00e1 munido de uma quantidade de fotos no meu celular para mostrar, e tamb\u00e9m resultados das exposi\u00e7\u00f5es, a finalidade final daquele material, a coisa acontecia com mais facilidade e eles perceberam que n\u00e3o era uma loucura fetichista. Outro fator importante foi quando muitos come\u00e7aram a cobi\u00e7ar as fotos. Para quem trabalha com o corpo esse material \u00e9 de grande import\u00e2ncia para mandar para clientes, eles pr\u00f3prios come\u00e7aram a se oferecer ou apresentar amigos para os ensaios, e estes, passaram a funcionar como moeda de troca. Ent\u00e3o eu fazia uma foto mais padr\u00e3o que mandaria para eles e ao mesmo tempo produzia o meu material.<\/p>\n<p>Todos assinam um termo de cess\u00e3o de imagem onde concordam que ter\u00e3o suas imagens usadas para fins art\u00edsticos. Certamente alguns compreendem o n\u00edvel do uso das fotos e muitos at\u00e9 se tornaram amigos de rede social, outros acredito que a muito, j\u00e1 at\u00e9 esqueceram que participaram disso.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como foi sua adolesc\u00eancia, a sua descoberta como gay, rebelde, <em>punk<\/em>, enfrentando um mundo hostil a teu desejo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Essa pergunta \u00e9 \u00f3tima. Explica muita coisa.<\/p>\n<p>Imagine o que era voc\u00ea se descobrir gay no sub\u00farbio na d\u00e9cada de 80? Era a condena\u00e7\u00e3o como ser humano. Era algo impens\u00e1vel. N\u00e3o se falava disso, ou no m\u00e1ximo, tipo, surgia que fulano de tal, filho de algu\u00e9m estava fazendo coisas erradas. E essa pessoa era vista como uma aberra\u00e7\u00e3o. Um depravado perigoso. Sem falar que nos anos 80 est\u00e1vamos vivendo a pandemia da AIDS, ent\u00e3o ser gay era sin\u00f4nimo de morte e de que voc\u00ea era sujo e passava doen\u00e7a aos outros.<\/p>\n<p>Eu fui uma crian\u00e7a protegida e ao mesmo tempo criado sem mal\u00edcia. Eu claro, al\u00e9m da forma delicada, tinha mais atra\u00e7\u00e3o pela beleza masculina que pela feminina. Mas n\u00e3o era do tipo que queria fazer as coisas de menina, minhas vontades eram outras como a arte. s\u00f3 n\u00e3o pensei que seria exposto a isso de uma forma t\u00e3o ruim. S\u00f3 me choquei com a realidade, quando ao passar para o fundamental dois, a antiga quinta s\u00e9rie, mudando de escola, percebi que muitos dos garotos implicavam comigo e queriam me agredir. Eu era andr\u00f3gino demais, me confundiam com menina e isso provocava muita raiva neles. Era como se simplesmente eu n\u00e3o pudesse estar ali com eles.<\/p>\n<p>A minha cabe\u00e7a pirou, claro que eu repeti de ano, era um inferno ir \u00e0 escola. Foi quando eu descobri o que era ser odiado. O pior que eu descobri o que era o preconceito antes mesmo de descobrir minha homossexualidade. Tive crises, desmaios, convuls\u00f5es. Como a homofobia faz mal a mente das pessoas. De um momento voc\u00ea era s\u00f3 uma crian\u00e7a bem l\u00fadica e de outro estava no inferno da n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o e sem entender porque isso estava acontecendo. Nenhuma ajuda me foi dada na escola, n\u00e3o se pensava em algo para combater esse preconceito. Os educadores naquela \u00e9poca n\u00e3o imaginavam que isso podia acontecer, ou simplesmente n\u00e3o se davam conta e certamente achavam normal que os desajustados sofressem esse tipo de preconceito. E toda pessoa que sofre <em>bullying<\/em> tenta camuflar para n\u00e3o ficar remoendo a dor, escondi as agress\u00f5es da minha fam\u00edlia. O que eu falaria para eles? \u2013\u201cOlha, eles me chamam de <em>veado<\/em> e <em>mulherzinha,<\/em> voc\u00ea tem que fazer alguma coisa!\u201d Era vergonhoso expor isso. E estamos falando de uma escola cat\u00f3lica para filhos da classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Eu sou um caso, apenas um. Mas TODOS os homossexuais em algum momento sofrem preconceito e homofobia em sua vida de alguma forma. E imaginem a quantidade de sofrimento que este machismo t\u00f3xico e o n\u00e3o combate a homofobia e consequentemente uma sociedade mais justa, n\u00e3o causa.<\/p>\n<p>No final, restou que eu j\u00e1 nasci com um g\u00eanio forte e bem r\u00e1pido cheguei \u00e0 conclus\u00e3o que eu tinha duas op\u00e7\u00f5es: Fenecer com aquilo tudo ou lutar. At\u00e9 suic\u00eddio tinha passado na minha cabe\u00e7a, mas eu decidi n\u00e3o morrer, n\u00e3o queria isso para mim, e a melhor coisa que me aconteceu foi a revolta. Cortei o cabelo de inspira\u00e7\u00e3o <em>hippie<\/em> que minha irm\u00e3 amava e me tornei pior que os garotos que me agrediam. Eu me tornei com todo orgulho o insuport\u00e1vel. Eu virei a pior vers\u00e3o de mim mesmo, agressivo, bruto, grit\u00e3o, brig\u00e3o. Era assustar antes que algu\u00e9m tentasse algo. Ent\u00e3o acabou que ningu\u00e9m queria mais implicar comigo, n\u00e3o valia a pena, eu era quase um louco. As meninas tinham medo de mim e os garotos n\u00e3o queriam amizade. O cara era o estranho da escola. E N\u00e3o s\u00e3o os opostos que se atraem, mais paralelos que se encontram e eu passei a atrair algumas pessoas tamb\u00e9m \u201cdo mal\u201d como eu. E descobrimos o <em>punk rock<\/em>. Ent\u00e3o eram todos maltrapilhos, descabelados e agressivos que gritavam musicas <em>punk<\/em> em uma escola crist\u00e3. Claro que minha educa\u00e7\u00e3o foi complicada, repeti diversos anos, os professores n\u00e3o entendiam como algu\u00e9m que desenhava bem na sala de arte, fazia \u00f3timas reda\u00e7\u00f5es, ganhava o pr\u00eamio de poesia da escola era algu\u00e9m t\u00e3o desajustado. Eu sempre fui um enigma para os professores.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em meio a revolta eu tinha a arte, esta n\u00e3o parou, aulas de viol\u00e3o, baixo, bandas de rock, shows, discos, zines, escrever mat\u00e9rias, hist\u00f3rias em quadrinhos, brigas por bandas, pinturas, desenhos, fotografias&#8230; a arte se mantinha presente e eu ia moldando o meu mundo.<\/p>\n<p>Levei anos para suavizar minha forma de ser, at\u00e9 o meu jeito de falar, que parece sempre nervosa \u00e9 herdeira desse per\u00edodo. Porque ser um monstro o tempo todo cansa. Eu adoraria ter descoberto minha parte gay de uma forma mais encantadora, mais n\u00e3o foi assim, como aposto que n\u00e3o foi com muita gente. Eu relutei e briguei contra minha atra\u00e7\u00e3o sexual por muito tempo, sai com muitas meninas, eu mesmo tinha confus\u00e3o na cabe\u00e7a quanto a isso, pois gostava de estar com elas, passou a ser bom ser uma esp\u00e9cie de <em>bad boy<\/em> , acabava que atraia, mas no fim, eu resolvi , p\u00f4r em pr\u00e1tica aquele desejo. E gostei.<\/p>\n<p>Nada se resolveu porque passei a viver outro dilema e foi assim por muitos anos. N\u00e3o era mais uma quest\u00e3o de sair com meninas para esconder o que eu era e sim eu n\u00e3o sabia o que era.<\/p>\n<p>Muito tempo depois, quando finalmente eu me compreendi como <em>gay<\/em>, tudo melhorou. Eu parei de carregar o mundo nas costas, e foi uma revela\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o sentia mais \u00f3dio de mim e percebi que o mundo n\u00e3o me odiava tamb\u00e9m. Uma boa orienta\u00e7\u00e3o poderia ter me feito chegar a essa conclus\u00e3o de forma bem mais f\u00e1cil&#8230; mais foi o meu caminho.<\/p>\n<p><strong> \u2013 \u201c<\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gGVnK6MU4eU&amp;t=394s\"><strong>Sem tes\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><strong>\u201d \u2013 disse o anarquista Roberto Freire, criador da \u201csomaterapia\u201d. Isso a\u00ed \u00e9 algo que n\u00e3o falta no teu trabalho. T\u00fa acha que t\u00e1 faltando tes\u00e3o na arte contempor\u00e2nea?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acho que est\u00e1 faltando tes\u00e3o no mundo. E em muitos casos faltando arte na arte.<\/p>\n<p>Em se tratando de arte nacional como diz Rita Lee \u201cSucesso no estrangeiro ainda \u00e9 Carmem Miranda\u201d, ou ser\u00e1 Lygia e H\u00e9lio? Mas devemos levar em conta que tes\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 subjetivo, eu posso estar achando que a arte esta sem tes\u00e3o enquanto muita gente por a\u00ed est\u00e1 tendo orgasmos m\u00faltiplos.<\/p>\n<p>Como j\u00e1 falei eu fico incomodado com as f\u00f3rmulas, as bulas a serem seguidas. At\u00e9 as formas de se apresentar os trabalhos nas exposi\u00e7\u00f5es parecem padronizados. Muita pouca gente consegue fugir as regras. Eu consigo \u201cver\u201d as caixinhas que moldam os \u201cestilos\u201d que os artistas atuais t\u00eam que seguir. Um exemplo s\u00e3o os desenhistas, muitos parecem sempre fazer da mesma forma a l\u00e1 Leonilson com grandes espa\u00e7os em branco e o motivo em um canto do papel. S\u00e3o maneirismos que se repetem e se repetem e se repetem. Confesso que a muito venho acompanhando estas quest\u00f5es e estou cansado e isso \u00e9 muito corta tes\u00e3o. E eu mesmo caio em muito dessas armadilhas, v\u00e1rias obras minhas destruo porque enxergo estes maneirismos da contemporaneidade. N\u00e3o quero ser um velho de 70 anos produzindo algo com uma linguagem da MTV dos anos 90. J\u00e1 deu.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds quente como o nosso, tropical e ca\u00f3tico, com um desn\u00edvel econ\u00f4mico e social assustador, uma educa\u00e7\u00e3o seletiva, um caos absurdo, deveria produzir muito mais artistas comprometidos com p\u00e9s no ch\u00e3o e cara no sol. produzindo uma arte que se pare\u00e7a com sua gente, com sua terra e suas dores. Mas o Brasil n\u00e3o olha pra si, tem esse problema. A f\u00f3rmula \u00e9 de fora. Ent\u00e3o a conta n\u00e3o fecha. Falta tempero, falta suor e falta tes\u00e3o. Claro que arte \u00e9 um produto para elite feito atualmente mais por membros da elite, esse povo n\u00e3o sentiu na carne certas experiencias, est\u00e1 olhando em um microsc\u00f3pio o problema e fetichizando.<\/p>\n<p>Vamos encontrar propostas mais verdadeiras nas curvas, nos artistas que n\u00e3o foram preparados para ser artistas ou n\u00e3o trilharam o padr\u00e3o \u201cnormal\u201d da carreira, n\u00e3o \u00e9 de espantar que todos ca\u00edram de quatro por um Arthur Bispo do Ros\u00e1rio. Era sujo era podre, era insano e sem querer parecia muito mais arte contempor\u00e2nea do que todos estavam tentando fazer.<\/p>\n<p>Por que o <em>funk<\/em> carioca \u00e9 fant\u00e1stico? Por que o <em>punk<\/em> paulistano foi inexplic\u00e1vel? Porque o <em>pixo<\/em> em s\u00e3o Paulo merece teses e mais teses nas gradua\u00e7\u00f5es? Quando o Brasil se dispuser a suar mais, teremos uma arte visual mais verdadeira.<\/p>\n<div id=\"attachment_1200749\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1200749\" class=\"wp-image-1200749 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-3-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-3-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-3-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-3-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--720x479.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-3-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-1200749\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rie Meninos, Registro em fotografia 2019 Paulo Jorge Gon\u00e7alves<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013 Como \u00e9 a vida dos jovens que voc\u00ea fotografa?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O personagem no arm\u00e1rio da novela, casado e que esconde seus desejos vai a rua a procura de um garoto de programa para se satisfazer, assim narra a hist\u00f3ria da <em>tev\u00ea do dot\u00f4 Roberto&#8230;<\/em> E nesse contato com o <em>boy<\/em> ele tem o carro roubado pelo prostituto que \u00e9 violento. Isso passou em rede aberta para todo o Brasil n\u00e3o tem muito tempo em hor\u00e1rio nobre. Resumindo, a prostitui\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 implantada no coletivo brasileiro (e certamente de muitas partes do mundo) como um ato praticado por bandidos, b\u00e1rbaros e perigosos.<\/p>\n<p>Claro que a vida de quem faz ponto na rua n\u00e3o deve ser flores e sabemos os caminhos que levam a cometer um crime, mas n\u00e3o existe uma formula de <em>boy<\/em>, os garotos de programa, existe vidas e eu encontrei uma gama muito variada nesse tempo que me dispus a trabalhar com eles.<\/p>\n<p>Temos que fazer um recorte, porque eu trabalhei com <em>boys<\/em> de clubes e saunas <em>gay<\/em> e alguns de internet, mas na maioria s\u00e3o rapazes de origem pobre ou classe m\u00e9dia baixa, mas n\u00e3o de todo de uma vida em estado de mis\u00e9ria e marginalidade. O padr\u00e3o nos clubes de beleza e uma certa postura geralmente \u00e9 alto. Ent\u00e3o vamos encontrar um jovem em sua maioria que tem uma resid\u00eancia, um jovem que malha para manter o corpo, se preocupa com a alimenta\u00e7\u00e3o. Alguns clubes t\u00eam varia\u00e7\u00f5es, alguns s\u00e3o mais elitistas com jovens padr\u00e3o de academia, outros j\u00e1 mostram um ar mais de periferia. O tipo malandro que pode se apoderar de seu celular pode coabitar qualquer um destes espa\u00e7os, mas nos dois tipos, se for pego pela ger\u00eancia est\u00e1 condenado a nunca mais trabalhar naquele espa\u00e7o. Se suja na casa. N\u00e3o se prejudica a clientela nos espa\u00e7os do clube, para n\u00e3o os perd\u00ea-los, n\u00e3o \u00e9 atoa que muitos sentem que ali \u00e9 o \u00fanico lugar onde podem exercer sua homossexualidade com um pouco de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O grande tema que gira e leva os meninos a estarem l\u00e1 \u00e9 claro o dinheiro. Alguns completarem a renda, pois trabalham com outra coisa e para alguns, a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria renda. A prostitui\u00e7\u00e3o como uma sa\u00edda f\u00e1cil de conseguir e levantar uma alta quantia de dinheiro que um emprego formal n\u00e3o daria. Alguns agem por pura necessidade e desemprego, e por absoluta falta de condi\u00e7\u00f5es de conseguir nada al\u00e9m de um subemprego, e uma outra parcela caem na prostitui\u00e7\u00e3o por narcisismo e um ego bastante inflamado. Por fim tem tamb\u00e9m os que me narraram que sempre foram putos e adoram o que fazem porque sentem prazer nisso. Claro que todos estes fatores se misturam e um<em> boy<\/em> pode ter entrado no programa por dois ou mais fatores listados.<\/p>\n<p>Temos um n\u00famero grande de cariocas, de diversas partes. Alguns moram juntos dividindo o mesmo apartamento na zona sul ou centro, outros moram em lugares mais afastados. Muitos s\u00e3o da zona oeste e norte. percorrem grandes distancias para chegar aos clubes como qualquer trabalhador. Uma boa parcela s\u00e3o de outros estados. Outra quantia fica pulando de estado em estado conforme os meses. Passando temporadas em busca de clientes, pois ser novo no clube atrai os clientes, e d\u00e1 mais chance de fazer mais programa.<\/p>\n<p>Alguns conseguem uma renda boa, compram carro, se mantem em uma vida relativamente equilibrada. Mas como eles falam,\u201d todos tem o dia ruim\u201d, o dia que n\u00e3o fazem nada. N\u00e3o levam dinheiro para casa. Um assunto que n\u00e3o \u00e9 muito comentado \u00e9 futuro, existe quase um bloqueio quanto a isso, o tal dia de amanh\u00e3. Geralmente n\u00e3o me narraram nada sobre planos futuros.<\/p>\n<p>Assim como ganham f\u00e1cil, percebo que gastam f\u00e1cil. Uma quantia boa de dinheiro se vai em roupas, produtos de muscula\u00e7\u00e3o e academia, carro, noitada e viver intensamente. A droga esta presente em muitos casos.<\/p>\n<p>Existe a parcela de boys gays assumidos e com consci\u00eancia da sua homossexualidade e uma outra parcela que se consideram hetero, geralmente casados em uma vida de ocultamento. Estas esposas podem saber ou n\u00e3o a vida de prostitui\u00e7\u00e3o do marido. Muitos dos boys tamb\u00e9m enveredam pelo filme porn\u00f4 mais geralmente se arrependeram.<\/p>\n<div id=\"attachment_1200769\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1200769\" class=\"wp-image-1200769 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-1-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"532\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-1-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-1-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-1-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--720x479.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-art-1-Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves--768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-1200769\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e9rie Meninos, Registro em fotografia 2016 &#8211; Paulo Jorge Gon\u00e7alves<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013 O tema da prostitui\u00e7\u00e3o da mulher, nesta sociedade, vai pra baixo do tapete, por\u00e9m \u00e9 mais aceito do que a prostitui\u00e7\u00e3o masculina \u2013 este assunto sofre um apagamento total na m\u00eddia, na cultura e na conversa\u00e7\u00e3o corriqueira da sociedade \u2013 por\u00e9m \u00e9 um tema muito comum. Isso explica o n\u00famero avassalador de crimes contra gays, este desejo de apagamento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Todos sabem que os homossexuais existem, s\u00f3 n\u00e3o querem que eles sejam vistos. Por isso est\u00e1 sociedade (principalmente esta sociedade neofascista que se forma) faz uma press\u00e3o para que o gay seja \u201cpadr\u00e3o\u201d e \u201cde respeito\u201d. O que isso quer dizer? Que ele se pare\u00e7a ao m\u00e1ximo com um homem hetero cis g\u00eanero e que n\u00e3o levante bandeira ou exponha que tem vida ativa sexualmente.<\/p>\n<p>O que sai desse padr\u00e3o \u00e9 odiado. A <em>gay poc poc<\/em> (a mais afeminada) \u00e9 o ponto chave da raiva. Aquele gay ativista que fala que n\u00e3o tem vergonha de ser o que \u00e9, luta pela causa, o outro, tipo que tamb\u00e9m recebe uma boa parcela do \u00f3dio. Junto claro, das trans e travestis que pagam com a vida. Qualquer um que revele para a sociedade: Existimos.<\/p>\n<p>Isso fica claro quando se fala do deputado Jean Wyllys que \u00e9 desprestigiado em nome do passado Clodovil que tamb\u00e9m teve uma vida p\u00fablica. Independente de pensamentos pol\u00edticos a verdade que o \u00f3dio ao Jean \u00e9 por ele verbalizar em pleno congresso e prometer lutar abertamente pela causa LGBTQIA+ e de n\u00e3o ter vergonha de ser o que \u00e9, enquanto Clodovil foi eleito por donas de casa que amavam seu programa de fofoca, e sua plataforma era lutar pela fam\u00edlia. Recha\u00e7ou todos os ativistas <em>gays<\/em> que o procuraram enquanto esteve cumprindo mandato, al\u00e9m de odiar o fato de ser <em>gay <\/em>a ponto de em um programa dizer \u2013\u201cagrade\u00e7am a Deus pelo seu c\u00e2ncer pois isso tirou seu apetite sexual\u201d. H\u00e9teros odeiam ouvir falar que homossexuais transam, mas desejam transar com homossexuais o tempo todo.<\/p>\n<p>Com um novo clima reacion\u00e1rio no ar, onde as pessoas perderam o medo de mostrar seus lados sombrios, homof\u00f3bicos se sentiram embasados para efetuar agress\u00f5es. n\u00e3o que os crimes contra a comunidade eram poucos, sempre se matou LGBT no Brasil, agora a diferen\u00e7a que temos apadrinhamento.<\/p>\n<p>O Brasil tem uma sociedade que vende constantemente sua erotiza\u00e7\u00e3o, seja na m\u00eddia, nos programas culturais ou no dia a dia. Uma sociedade que sempre viveu de forma d\u00fabia como uma carola da missa ao domingo e uma prostituta na cal\u00e7ada. Com o sexo masculino n\u00e3o \u00e9 diferente, somos vendidos como garanh\u00f5es que transam sem cessar.<\/p>\n<p>Por fim temos o recorte dos \u201cevang\u00e9licos\u201d, os neopentecostais que tomam por base a b\u00edblia e seus dogmas. Dogmas estes escritos na idade dos metais. Dogmas de um livro repleto de mentiras, comportamentos escravocratas, machistas, mis\u00f3ginos, beligerante, belicosos, e tamb\u00e9m homof\u00f4nicos. Como me explicaram a b\u00edblia para eles \u00e9 vista como um todo e n\u00e3o importa se Jesus disse amai uns aos outros, eles n\u00e3o podem incluir homossexuais nessa parcela do todo, pois em outros livros, do antigo testamento e em Paulo eles s\u00e3o condenados. Claro que estas mesmas pessoas que seguem este dogma com tanto afinco passam por outros dogmas e fecham os olhos. Mais nessa seletividade a\u00ed conta o fator de uma tradi\u00e7\u00e3o judaico crist\u00e3 que a maioria n\u00e3o quer perder, a de controlar o corpo do outro.<\/p>\n<p>Igualmente ao tema aborto, a persist\u00eancia nesses dogmas \u00e9 mais frutos de controle do pr\u00f3ximo que propriamente um fundamente de c\u00e9u\/inferno. O corpo da mulher e do <em>gay<\/em> (minorias e isso inclui negros) deve ser tolhido e controlado.<\/p>\n<p>Matar se tornou uma tradi\u00e7\u00e3o no Brasil, a banaliza\u00e7\u00e3o do mal. E fica f\u00e1cil porque a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade \u00e9 grande. E a omiss\u00e3o tamb\u00e9m. Casos de travestis linchados em pra\u00e7a publica a luz do dia e aos olhos de todos, onde ningu\u00e9m interfere, s\u00e3o comuns. Ningu\u00e9m quer se meter em um assunto t\u00e3o \u201ccomplicado\u201d o cidad\u00e3o comum brasileiro quando n\u00e3o \u00e9 o algoz \u00e9 cumplice.<\/p>\n<p>As estat\u00edsticas est\u00e3o a\u00ed e mostram que ser homossexual no Brasil (assim como ser um jovem negro perif\u00e9rico e favelado) \u00e9 viver com um alvo nas costas o tempo todo. A m\u00eddia n\u00e3o interessa expor essa cat\u00e1strofe, ningu\u00e9m quer tomar conhecimento. Somos uma sociedade extremamente machista e o pior: gostamos de ser machistas e n\u00e3o queremos mudar. Cavucar esse lama\u00e7al vai revelar muita coisa do perfil do brasileiro, quem sabe do pai de fam\u00edlia gente \u201cde bem\u201d, provedor da fam\u00edlia, que consome travestis e <em>boys<\/em> nos intervalos de tempo. O Brasil quer realmente saber disso?<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como voc\u00ea enxerga a percep\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam do teu trabalho no circuito de arte, \u00e9 entendido como provoca\u00e7\u00e3o? \u00c9 visto com mais cautela e aten\u00e7\u00e3o? Ou sofre os mesmos tabus da \u201d tradicional fam\u00edlia brasileira\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Complexo. Primeiro porque o circuito da chamada arte com \u201cA\u201d mai\u00fasculo brasileiro n\u00e3o quis me ver. Nenhum edital que mandei os meninos eu entrei. Passarinhos j\u00e1 me narraram que eu fiquei no quase&#8230; N\u00e3o sei qual a palavra usar aqui se \u00e9 desconforto, inc\u00f4modo, rejei\u00e7\u00e3o, provoca\u00e7\u00e3o, preconceito. Atualmente dei um tempo de editais nacionais.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo l\u00e1 fora, fui bem recebido, estou em v\u00e1rias p\u00e1ginas de arte <em>Queer<\/em>, de projetos <em>Queer.<\/em> Europeus e americanos. No site do Balaclava tem um \u00e1lbum todo com meus trabalhos.<\/p>\n<p>Acho que aqui tem (ainda) um lugar sim para a arte <em>queer<\/em>. Para aparentar uma contemporaneidade cada galeria est\u00e1 com sua cota de artista negro e homossexual. Claro que todos estes, s\u00e3o absorvidos depois de passar pelo vetor nacional que s\u00e3o os editais. Mas percebo que os artistas <em>queer<\/em> que est\u00e3o em atua\u00e7\u00e3o tem que mandar sua mensagem decodificada. Como falei: Voc\u00ea pode at\u00e9 ser, mas n\u00e3o esfregue tanto na nossa cara. Crie s\u00edmbolos, met\u00e1foras, c\u00f3digos, ilus\u00f5es, poemas. Mas ser\u00e1 que queremos ver uma <em>r\u00f4la<\/em> ereta e um olhar de fome? J\u00e1 basta um Alair Gomes no Brasil, o que j\u00e1 \u00e9 complicado.<\/p>\n<p>Na \u201ccomunidade\u201d de artistas que convivemos vejo distintas rea\u00e7\u00f5es. Muitos, claro, n\u00e3o querem ver. Se viram a cara para prostitutos na Cinel\u00e2ndia, porque n\u00e3o virariam para essa criatura ofensiva na parede? Principalmente depois que descobrem a origem das fotos. Eu coloco na parede a foto de uma pessoa com olhar pedinte cheio de tes\u00e3o, nu e suas parte \u00edntimas orgulhosamente expostas. Tente compreender isso na cabe\u00e7a do artista que carrega, apesar de todo seu pedestal de intelecto, tamb\u00e9m traz sua bagagem machista toxica. Isso claro vale para homens e mulheres. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de digerir e ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 absorvido, escolhido ou chancelado.<\/p>\n<p>Uma outra parcela entende a proposta como ato pol\u00edtico e todo conceito embutido por traz e o peso de den\u00fancia, uma parcela absorve pela est\u00e9tica e pelo tes\u00e3o mesmo. O publico feminino \u00e9 o que mais compra para minha surpresa.<\/p>\n<p>Em termos de eu ser chamado por curadores minha expectativa \u00e9 completamente nula, n\u00e3o acredito que muitos queiram comprar essa briga. Nem todos os espa\u00e7os estar\u00e3o dispon\u00edveis atualmente para expor esse tipo de material. Ser\u00e1 que algum dia estiveram realmente?<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como foi participar do <\/strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I5CCtYPctYc&amp;t=171s\"><strong><em>Sal\u00e3o Vermelho de Artes Degeneradas<\/em><\/strong><\/a><strong>, no 1 de maio de 2019?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Vou confessar!!!! Eu detesto mandar qualquer proposta e responder editais, tomei ran\u00e7o. primeiro porque nunca consigo me decidir pelo que mandar e segundo porque n\u00e3o acredito e terceiro cansei de ser <em>gongado<\/em>. Mas gostei do nome deste, da proposta, e era o momento. Tinha um fator ir\u00f4nico cativante. Acho que na verdade tudo foi uma grande pachorra que espero tenha sido bem registrado para no que no futuro possa ser avaliado e discutido.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio nome degenerado falou direto com o que fa\u00e7o, para muitos a prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria degenera\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o da vida humana. E eu conclui que certamente eu seria o \u00fanico que mandaria pe\u00e7as t\u00e3o radicais de nu masculino. O tema do nu seria um assunto importante a ser abordado nesta mostra. A persegui\u00e7\u00e3o a cultura, educa\u00e7\u00e3o e a arte que estamos sofrendo em nosso pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no campo pol\u00edtico ideol\u00f3gico, passa por um v\u00edeis moral hip\u00f3crita. Por sinal a pauta moral foi fundamental para eleger esta direita conservadora extremista. No pa\u00eds do carnaval, da \u201cBaiana \u00e9 que entra no samba de qualquer maneira, que mexe, remexe, d\u00e1 n\u00f3 nas cadeiras. Deixando a mo\u00e7ada com \u00e1gua na boca\u201d como dizia Dorival Caymmi, pode se tornar o pa\u00eds que vai proibir toda e qualquer manifesta\u00e7\u00e3o sensual do corpo. Corremos s\u00e9rios perigos.<\/p>\n<p>Infelizmente como foi um evento fora dos meios oficiais e dos eleitos, teve pouca m\u00eddia e repercuss\u00e3o. No Brasil tem uma cultura estranha de n\u00e3o se absorver as curvas. Isso deveria ter sido mat\u00e9ria de jornal e revista.<\/p>\n<p>Um fruto me foi extremamente positivo, Thales Valoura estava trabalhando em uma monografia que falava justamente da representa\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o na arte contempor\u00e2nea brasileira e encontrando poucos representantes, e se deparou com meu trabalho. Entrou em contato e depois de longas conversas, an\u00e1lises e trocas. Ele apresentou uma excelente conclus\u00e3o na UFRJ onde esmi\u00fa\u00e7a tr\u00eas artistas, e eu sou um deles.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Que pol\u00edticas p\u00fablicas seriam desej\u00e1veis para uma vida digna dos gays, trans, l\u00e9sbicas, (LGBTQ) queer em geral?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Eu ainda acredito na educa\u00e7\u00e3o como patamar na constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade civilizada. Desconstruir essa sociedade extremamente machista toxica que \u00e9 a nossa, poderia sim ser atenuada com orienta\u00e7\u00f5es providas na escola. Orienta\u00e7\u00e3o educacional de qualidade evitaria muitos problemas como gravidez precoce e consequentemente evas\u00e3o escolar, feminic\u00eddio, doen\u00e7as sexualmente transmiss\u00edveis, viol\u00eancia contra a mulher e tamb\u00e9m respeito e igualdade com g\u00eaneros. Evitaria a grande discrimina\u00e7\u00e3o que nossa sociedade tem para com a comunidade lgbtqia+ &#8211; n\u00e3o esquecer a educa\u00e7\u00e3o contra o preconceito religioso \u2013 Infelizmente, esbarramos novamente no plano de governo de controle do corpo, principalmente da sociedade carente. Ent\u00e3o toda a educa\u00e7\u00e3o vai ganhando a cada dia um peso moralizante que jamais vai permitir este tipo de avan\u00e7o. Algo que poderia evitar a barb\u00e1rie de nossa sociedade.<\/p>\n<p>Ser <em>gay<\/em> no Brasil \u00e9 dif\u00edcil, sim. Ser transsexual ainda mais. Mais infinitamente pior \u00e9 ser <em>gay<\/em>, trans l\u00e9sbica, n\u00e3o bin\u00e1rio ou o que for sendo de uma classe pobre e morando em locais de vulnerabilidade. S\u00e3o as bichas pobres que est\u00e3o morrendo na tal estat\u00edstica, s\u00e3o as travestis que tem uma m\u00e9dia de vida de apenas 35 anos. Sem leis urgentes e eficazes combatendo a homofobia e punindo com veem\u00eancia quem as pratique essa popula\u00e7\u00e3o ainda continuar\u00e1 a morrer. Junto a estas leis temos que ter prote\u00e7\u00e3o do estado, nossa pol\u00edcia \u00e9 terrivelmente homof\u00f3bica , esta semana tivemos um caso de uma vizinha que agrediu um <em>gay<\/em> e quando este chamou a pol\u00edcia, ele que foi algemado e prezo, conduzido em um cambur\u00e3o, enquanto a agressora seguia em seu pr\u00f3prio carro.\u00a0\u00a0 Est\u00e1 em v\u00eddeo no <em>youtube<\/em>. Mostra o ponto como o homossexual n\u00e3o tem amparo na justi\u00e7a. E antes a classe m\u00e9dia que se sentia um pouco segura, com esta onda conservadora, come\u00e7a a perceber que \u00e9 t\u00e3o vulner\u00e1vel quanto qualquer outro. No carnaval \u00e9 grande o n\u00famero de agress\u00e3o em bloquinhos, agress\u00f5es muitas praticadas pela pr\u00f3pria pol\u00edcia.<\/p>\n<p>E claro, evitar urgentemente a uni\u00e3o da religi\u00e3o com o estado. Os dogmas da religi\u00e3o crist\u00e3 s\u00e3o homof\u00f3bicos, costumo dizer que um homossexual que carrega uma cruz no pesco\u00e7o \u00e9 o mesmo que um judeu usar uma su\u00e1stica, enquanto persistir esta uni\u00e3o vergonhosa qualquer membro da comunidade lgbtqia+ n\u00e3o ter\u00e1 nenhum direito garantido pelo estado<strong>. <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u2013 Que sonhos poss\u00edveis ou utopias voc\u00ea tem nesta virada da pandemia, rumo a um mundo que jamais ser\u00e1 o mesmo? <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Depois da peste negra na idade m\u00e9dia tivemos a Renascen\u00e7a. N\u00e3o sou muito de utopia , e a hist\u00f3ria foi mostrando que os que conduziram o caminhar agiam por interesses pr\u00f3prios, mas se tivermos um novo movimento em prol da intelectualidade, ci\u00eancia e educa\u00e7\u00e3o e que combata essa onda de retrocesso e fascismo que os \u00faltimos anos t\u00eam demostrado, j\u00e1 estaremos no lucro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para conhecer mais do trabalho de Paulo Jorge Gon\u00e7alves acesse <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/goncalvespaulojorge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">seu instagram<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as vezes chega \u00e0 beira da pornografia &#8211; tensionando os limites da arte- e vem&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1825,"featured_media":1200739,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,11390,112,1255,159],"tags":[75238,18845,26284],"class_list":["post-1200738","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-conteudo-original","category-cultura-pt-pt","category-diversidade","category-entrevista-pt-pt","tag-caderno-de-cultura","tag-diversidade","tag-entrevista"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-09-20T02:55:05+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"564\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Carlos Contente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@contentestudio\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Carlos Contente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"43 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\"},\"author\":{\"name\":\"Carlos Contente\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836\"},\"headline\":\"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves\",\"datePublished\":\"2020-09-20T02:55:05+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\"},\"wordCount\":8687,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg\",\"keywords\":[\"caderno de cultura\",\"diversidade\",\"entrevista\"],\"articleSection\":[\"\u00c1m\u00e9rica do Sul\",\"Conte\u00fado Original\",\"Cultura e M\u00eddia\",\"Diversidade\",\"Entrevista\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\",\"name\":\"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg\",\"datePublished\":\"2020-09-20T02:55:05+00:00\",\"description\":\"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg\",\"width\":1024,\"height\":564},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836\",\"name\":\"Carlos Contente\",\"description\":\"Carlos Contente \u00e9 artista pl\u00e1stico, professor e ama caf\u00e9.\",\"sameAs\":[\"https:\/\/www.instagram.com\/contentestudio\/\",\"https:\/\/x.com\/contentestudio\"],\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/carlos-contente\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves","description":"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves","og_description":"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_published_time":"2020-09-20T02:55:05+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":564,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Carlos Contente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@contentestudio","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"Carlos Contente","Tempo estimado de leitura":"43 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/"},"author":{"name":"Carlos Contente","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836"},"headline":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves","datePublished":"2020-09-20T02:55:05+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/"},"wordCount":8687,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg","keywords":["caderno de cultura","diversidade","entrevista"],"articleSection":["\u00c1m\u00e9rica do Sul","Conte\u00fado Original","Cultura e M\u00eddia","Diversidade","Entrevista"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/","name":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg","datePublished":"2020-09-20T02:55:05+00:00","description":"ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Paulo Jorge Gon\u00e7alves \u00e9 artista pl\u00e1stico e vive no cora\u00e7\u00e3o da zona norte carioca. Seu trabalho aborda a tem\u00e1tica gay e as","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Paulo-Jorge-Gonc\u0327alves-por-Rodrigo-Rekta-Canal-Arte-de-Segunda.jpeg","width":1024,"height":564},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/mastro-ereto-e-um-olhar-de-fome-retratos-quase-pornograficos-de-paulo-jorge-goncalves\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Mastro ereto e um olhar de fome: retratos quase pornogr\u00e1ficos de Paulo Jorge Gon\u00e7alves"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836","name":"Carlos Contente","description":"Carlos Contente \u00e9 artista pl\u00e1stico, professor e ama caf\u00e9.","sameAs":["https:\/\/www.instagram.com\/contentestudio\/","https:\/\/x.com\/contentestudio"],"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/carlos-contente\/"}]}},"place":"Rio de Janeiro, Brasil","original_article_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1200738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1200738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1200739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1200738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1200738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1200738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}