{"id":1194741,"date":"2020-09-13T03:48:48","date_gmt":"2020-09-13T02:48:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1194741"},"modified":"2020-09-15T19:52:40","modified_gmt":"2020-09-15T18:52:40","slug":"brasil-uma-retrotopia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/09\/brasil-uma-retrotopia\/","title":{"rendered":"Brasil, uma retrotopia"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">DAN\u00c7A<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 30 de agosto tive o prazer de assistir \u00e0 estreia da obra filmogr\u00e1fica Pro Futuro Quilombo, de Calixto Neto<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. O filme foi exibido como parte da programa\u00e7\u00e3o <em>Choreographies of a Split Country<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> organizada e mediada por Nayse Lopez, integrante do evento <em>How To Be Together?<\/em> <em>\u2013<\/em> <em>Conversations on International Exchange and Collaborations in the Performing Arts<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[<\/sup><sup>3]<\/sup><\/a>, uma confer\u00eancia digital de tr\u00eas dias na qual &#8220;renomados artistas e trabalhadores da cultura de todo o mundo trocaram e compartilharam suas experi\u00eancias, ideias e vis\u00f5es baseadas na atual situa\u00e7\u00e3o de pandemia\u201d, assim afirmava <a href=\"https:\/\/www.theaterspektakel.ch\/en\/program20\/production\/how-to-be-together\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o site do evento<\/a>.<\/p>\n<p>No caso de <em>Choreographies of a Split Country<\/em>, a programa\u00e7\u00e3o reunia a exibi\u00e7\u00e3o do curta About Questions, Shames and Scars, de Alice Ripoll + Cia REC, \u00e0 estreia de Pro Futuro Quilombo, obras comissionadas pelo projeto <em>Brazil Highjacked<\/em> (Brasil Sequestrado) em parceria com outros dois festivais<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, seguida por conversa com ambos os artistas. Iniciativa dos curadores independentes Eduardo Bonito e Isabel Ferreira, Brasil Sequestrado \u00e9 um programa art\u00edstico que busca &#8220;dar visibilidade ao projeto de destrui\u00e7\u00e3o da cultura e do pensamento contempor\u00e2neo em curso no Brasil; (&#8230;) gerar contextos de debate sobre essa situa\u00e7\u00e3o e, ao mesmo tempo, apoiar a exibi\u00e7\u00e3o de obras de artistas brasileiros gravemente prejudicados pela crise democr\u00e1tica e econ\u00f4mica que assola o pa\u00eds&#8221;, afirma <a href=\"https:\/\/showcase.dropbox.com\/s\/BRAZIL-HIJACKED-dHoZQLxoYE0nuoWK5Hz6g\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o site do evento<\/a>. A plataforma vale a visita\u00e7\u00e3o por manter dispon\u00edvel online a programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em cria\u00e7\u00e3o t\u00e3o simples quanto contundente, Calixto performa uma esp\u00e9cie de filme-carta endere\u00e7ado ao futuro. Sentado todo o tempo em plano-sequ\u00eancia frontal, l\u00ea a missiva que escrevera sem grandes arroubos de dor ou paix\u00e3o, o que contrasta de modo certeiro com as graves quest\u00f5es abordadas. Sua presen\u00e7a delgada, sob sol terno embalado por leve brisa, faz frente (nos dois sentidos do termo) \u00e0 densa parede de portentosos cortes de troncos de \u00e1rvore empilhados ao fundo.<\/p>\n<p>N\u00e3o performa ali nenhuma utopia. N\u00e3o \u00e9 desse futuro que se trata. A postura dos bra\u00e7os e da coluna n\u00e3o segura pesada bandeira, apenas sustenta o elegante esfor\u00e7o de reter folhas de papel com uma m\u00e3o, enquanto a outra cede levemente ao lado do corpo ou sobre as pernas. Cria-se naquela ambi\u00eancia-cinema, um lugar outro no lugar; abre-se fresta temporal no espa\u00e7o para que o ontem e o amanh\u00e3 sejam composs\u00edveis, uma heterotopia, portanto. H\u00e1 uma certeza seca, quase austera, que n\u00e3o v\u00ea qualquer dicotomia de ancestralidade e contemporaneidade. \u201cEntre esquerda e direita, n\u00f3s continuamos pretos\u201d, diz uma de suas frases.<\/p>\n<p>Dentre outros temas, traz, na carta, a narrativa colonial sobre o momento do embarque na nau-tumba portuguesa das pessoas capturadas a serem futuramente escravizadas. Compelidas a girar em torno de um baob\u00e1 sem olharem para tr\u00e1s, performavam ali um gesto compuls\u00f3rio de abandono do solo e da referencialidade africanos. Mesma narrativa que, por raz\u00f5es an\u00e1logas, acabou imputando ao fascinante e imponente baob\u00e1, a pecha de \u201c\u00e1rvore do esquecimento\u201d.<\/p>\n<p>Calixto de(s)colonializa tal narrativa quando encerra seu belo contra-discurso filmogr\u00e1fico, \u00fanico lugar de corte do ent\u00e3o plano-sequ\u00eancia, caminhando em torno de portentosa \u00e1rvore. A no\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de <em>re-enactment<\/em> (Lepecki, 2010)<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[5]<\/sup><\/a> aplica-se aqui, pois o int\u00e9rprete-criador n\u00e3o somente reencena a caminhada de outrora: ele reverte o sentido do movimento, andando para tr\u00e1s. Aproxima-se do porvir tal como o povo andino Aymar\u00e1 ou os Maoris da Nova Zel\u00e2ndia cujas representa\u00e7\u00f5es de passado e futuro s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0s nossas. Para ambas as culturas, o passado que conseguimos ver est\u00e1 \u00e0 frente e o futuro, pela l\u00f3gica oposta complementar, est\u00e1 atr\u00e1s. Caminhando de costas, Calixto v\u00ea o futuro com olhos dorsais. \u00c9 sua vers\u00e3o marcha \u00e0 r\u00e9 de resist\u00eancia. \u00c9 sua contra-narrativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso furtar-me de correlacionar este acontecimento aos tantos outros que animaram minha duas primeiras colunas aqui em Pressenza, nisso que, agora, assim espero, seja a \u00faltima banda de um tr\u00edptico. <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/07\/esquerda-direita-volver\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A primeira <\/a>versava sobre as inevit\u00e1veis correla\u00e7\u00f5es entre a hegemonia da destreza e a suposta excepcionalidade da <em>sinistreza<\/em> com suas correspondentes nas posi\u00e7\u00f5es de direita e esquerda pol\u00edticas. <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A seguinte<\/a> apresentava e comentava os trabalhos de Elilson e de Nuno Ramos + Teatro da Vertigem, todos andando para tr\u00e1s mas resistindo, em suas respectivas Massa R\u00e9 e Marcha \u00e0 R\u00e9.<\/p>\n<p>Ultimamente tenho observado com curiosidade a recorr\u00eancia de artistas do corpo empenhado(a)s nas obras, procedimentos, interven\u00e7\u00f5es, performances etc. em andarem de marcha \u00e0 r\u00e9. N\u00e3o vejo nisso mera coincid\u00eancia. Suponho tratar-se ali de fabula\u00e7\u00f5es cr\u00edticas e, portanto, pol\u00edticas de tempo (cronia) e lugar (topia) coet\u00e2neos. Frente \u00e0 distopia (anti-utopia ou utopia negativa) que saltou da fic\u00e7\u00e3o para as p\u00e1ginas desta dif\u00edcil atualidade que vivemos, tais artistas parecem querer compor heterotopias, as que inevitavelmente arrastam para si, heterocronias, como afirmava o autor do conceito, Michel Foucault (2013)<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Diferindo da <em>utopia<\/em> (o n\u00e3o-lugar\/lugar-inencontr\u00e1vel), mas tamb\u00e9m de outras no\u00e7\u00f5es cong\u00eaneres como <em>eutopia<\/em> (bom-lugar ou feliz-lugar); <em>udetopia<\/em> (lugar-de-nenhum-tempo); <em>retrotopia<\/em> (progresso como volta ao lugar-passado), as heterotopias apareceriam para n\u00f3s como um fora-do-lugar-no-lugar, ou uma diferen\u00e7a de lugar no lugar, esp\u00e9cie de\u00a0 \u201c<em>contra<\/em>espa\u00e7os\u201d (p.20, grifo do autor). Caso esteja correta no entendimento da correla\u00e7\u00e3o que sup\u00f5e o pr\u00f3prio Foucault, as inextric\u00e1veis heterocronias apareceriam, assim, como um fora-do-tempo-no-tempo, ou uma diferen\u00e7a de tempo no tempo, o que em portugu\u00eas levaria a um trocadilho interessante, esp\u00e9cie de \u201c<em>contra<\/em>tempos\u201d.<\/p>\n<p>O que fazem essas obras, procedimentos, interven\u00e7\u00f5es, performances sen\u00e3o instituir contratempos no tempo supostamente reinante? Diferente da no\u00e7\u00e3o de avan\u00e7o em sua impar\u00e1vel f\u00e9 no progresso, vigente no capitalismo de outrora, vigora hoje, na guinada autorit\u00e1ria das democracias contempor\u00e2neas, certo gosto pela refabula\u00e7\u00e3o do passado \u00e0 la 1984 de George Orwell. Para compreend\u00ea-la, talvez seja \u00fatil nos determos um pouco na retrotopia aqui j\u00e1 mencionada.<\/p>\n<p>Trata-se do preciso conceito de Zygmunt Bauman que intitula seu derradeiro livro publicado postumamente (2017)<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[7]<\/sup><\/a>. Segundo o diagn\u00f3stico, vigora no presente das na\u00e7\u00f5es capitalistas ocidentais certa sensa\u00e7\u00e3o social de absoluta desilus\u00e3o e temor com rela\u00e7\u00e3o ao futuro. As utopias n\u00e3o fazem mais sentido uma vez que o porvir n\u00e3o guarda mais a promessa de um mundo melhor. Vive-se numa esp\u00e9cie de eterno presente, t\u00e3o insuport\u00e1vel quanto inquietante: h\u00e1 mais perguntas do que respostas; excesso de problemas sem solu\u00e7\u00f5es \u00e0 vista. O presente \u00e9 complexo por demais; o futuro, excessivamente incerto. Busca-se ent\u00e3o o tal mundo melhor n\u00e3o mais no futuro a ser constru\u00eddo, mas nas ideias e ideais de um outrora mitificado ao qual deve-se regressar para seguir avan\u00e7ando (retrotopia). Nacionalismos exacerbados; fechamento de fronteiras; vontade e viol\u00eancia acima da raz\u00e3o e do direito; elogio do l\u00edder de conex\u00e3o m\u00edtica com seu povo; globaliza\u00e7\u00e3o como conspira\u00e7\u00e3o; democracia como defeito do capitalismo; e uma intrigante fixa\u00e7\u00e3o no combate \u00e0 pederastia e \u00e0 sodomia (termos usados por essa gente) s\u00e3o lemas que encontram solo f\u00e9rtil neste contexto. O passado como foi, o que merece ser contado, ou seja o passado como deveria ter sido, n\u00e3o se tornaria essa mix\u00f3rdia liberal na qual estamos metidos.<\/p>\n<p>A l\u00facida an\u00e1lise de Bauman acerca de um tal del\u00edrio contumaz encontra eco nos fatos. Basta olharmos a campanha de Donald Trump na corrida presidencial de 2016 com seu slogan MAGA (<em>Make America Great Again<\/em>). Movimento an\u00e1logo ao de Marine Le Pen apenas um ano depois, reclamando como programa de <em>futuro<\/em> governo, o retorno \u00e0 Fran\u00e7a dos velhos tempos, livre de imigrantes e do multiculturalismo \u2013 um passado t\u00e3o ficcional quanto oportuno. Mas \u00e9 Vladimir P\u00fatin quem est\u00e1 antes deles na vanguarda, digamos, <em>retaguardante<\/em> deste movimento, quando escolhe o ide\u00f3logo fascista Ivan Ilyin (1883-1954) como guia, arrancando-o dos escombros da hist\u00f3ria de onde nunca deveria ter sa\u00eddo.<\/p>\n<p>P\u00fatin v\u00ea-se enquanto predestinado das teorias contra-revolucion\u00e1rias ao mal bolchevique produzidas pelo suposto fil\u00f3sofo nas d\u00e9cadas de 1920\/1930 como orienta\u00e7\u00e3o para governantes russos que chegassem ao poder depois do fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A figura do redentor (<em>spasitelnii<\/em>), sim enviado por Deus, sai das p\u00e1ginas de Ilyin para a R\u00fassia p\u00f3s-<em>glasnost\/perestroika<\/em> na figura do Vladimir contempor\u00e2neo designado a restaurar a inoc\u00eancia pr\u00e9-moderna dos idos de 988, quando um xar\u00e1 seu (o her\u00f3i Volod\u00edmir ou Valdemar, grafia antiga de Vladimir) converteu-se ao cristianismo e reuniu <em>para sempre<\/em> as terras da R\u00fassia, da Bielorr\u00fassia e da Ucr\u00e2nia<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[8]<\/sup><\/a>. Sim, a alucina\u00e7\u00e3o retrot\u00f3pica n\u00e3o tem limites! Tr\u00e1gico, quando encontra o aparelho de Estado para exercer-se como tal.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio dizer que isso n\u00e3o se resume \u00e0 qualquer excentricidade russa, mas encontra correspondentes aqui no nosso pa\u00eds dist\u00f3pico-retrot\u00f3pico do presente. Deixarei de comentar o v\u00eddeo publicado pelo primeiro secret\u00e1rio especial de Cultura do Brasil do desgoverno Bolsonaro aludindo a Goebbels, justamente pelo fato do ensejo ali contido n\u00e3o ter ficado no passado nem ter sido superado com a sua deposi\u00e7\u00e3o. No cargo atualmente, o (p\u00e9ssimo) ator Mario Frias estrelou no \u00faltimo dia 3\/9 o epis\u00f3dio-piloto da webs\u00e9rie Um Povo Her\u00f3ico produzida pela Secretaria Especial de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (Secom). Nele, o ator encontra a \u00fanica novela capaz de protagonizar, fina flor da canastrice, da cafonice e, por que n\u00e3o, da calhordice nacional.<\/p>\n<p>A ambienta\u00e7\u00e3o l\u00fagubre de interior de museu por onde o secret\u00e1rio perambula observando documentos da hist\u00f3ria oficial nacional estende-se ao plano americano que domina boa parte da encena\u00e7\u00e3o. Sua postura sentada de vi\u00e9s \u00e0 leitura do quadro, abd\u00f4men relaxado e corpo apoiado seguramente nos bra\u00e7os de imponente poltrona de couro, combina com o olhar que tenta profundidade aliando-se \u00e0s pausas melodram\u00e1ticas de sua fala. Frias anuncia, mesmo que confusamente, as linhas gerais da s\u00e9rie que vir\u00e1. Nela, uma suposta hist\u00f3ria esquecida do Brasil precisa ser contada &#8220;de maneira simples e acess\u00edvel a nossa vis\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_1194743\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1194743\" class=\"wp-image-1194743 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Calixto-Neto-em-Samba-do-Crioulo-Doido-Thereza-Rocha.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Calixto-Neto-em-Samba-do-Crioulo-Doido-Thereza-Rocha.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/Calixto-Neto-em-Samba-do-Crioulo-Doido-Thereza-Rocha-300x129.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1194743\" class=\"wp-caption-text\">Calixto Neto em Samba do Crioulo Doido<\/p><\/div>\n<p>O texto da Secom que acompanha a postagem do video fala por si: &#8220;O Brasil tem Hist\u00f3ria. Uma Hist\u00f3ria com verdadeiros l\u00edderes, respeitados intelectuais e grandes her\u00f3is nacionais. Alguns, conhecidos; muitos, ignorados. Uma Hist\u00f3ria t\u00e3o bela e grandiosa quanto desprezada e vilipendiada por anos de destrui\u00e7\u00e3o da identidade nacional. (&#8230;) O Brasil tem identidade. Uma identidade nacional erigida com amor ao pr\u00f3ximo e \u00e0 p\u00e1tria, com devo\u00e7\u00e3o, sacrif\u00edcio e bondade. Com F\u00e9, Esperan\u00e7a e Caridade.&#8221; Texto e v\u00eddeo preparam de modo confesso o 7 de setembro pr\u00f3ximo, no qual o despresidente da Rep\u00fablica faria pronunciamento ao vivo afirmando a data de 1822 como marco do in\u00edcio da constru\u00e7\u00e3o da identidade nacional unificada pela &#8220;miscigena\u00e7\u00e3o entre \u00edndios, brancos e negros&#8221; a partir da qual \u201creligi\u00f5es, cren\u00e7as, comportamentos e vis\u00f5es [foram] assimilados e respeitados\u201d, e &#8220;o Brasil desenvolveu o senso de toler\u00e2ncia. Os diferentes [tornaram-se] iguais\u201d.<\/p>\n<p>Em discurso tipicamente retrot\u00f3pico, Bolsonaro arranca o mito da democracia racial de seu contexto s\u00f3cio-pol\u00edtico genu\u00edno de nascimento (o Estado Novo) &#8220;esticando a baladeira&#8221;<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[9]<\/sup><\/a> da hist\u00f3ria para tr\u00e1s. Em louvor \u00e0 independ\u00eancia (que ele l\u00ea como insubmiss\u00e3o), refaz tamb\u00e9m a narrativa da d\u00e9cada de 1960 com a luta dos brasileiros contra o comunismo, homenageando a ditadura sem entretanto mencion\u00e1-la, aquela cujo &#8220;erro foi torturar e n\u00e3o matar&#8221;, conforme declarou em entrevista a Jovem Pan (2016) quando ainda n\u00e3o era presidente e, portanto, podia falar o que bem quisesse. Secom, Frias e o Messias brasileiro mais parecem estar fazendo um samba do branco doido em sua narrativa retrot\u00f3pica.<\/p>\n<p>Completamente <em>up to data<\/em>, pol\u00edticos como Trump, P\u00fatin e Bolsonaro protagonizam uma dramaturgia social que avan\u00e7a andando para tr\u00e1s. Pois \u00e9 justamente neste lugar-tempo retrot\u00f3pico que artistas como Elilson, Nuno Ramos + Teatro da Vertigem e Calixto Neto v\u00e3o performar, cada qual a seu modo, uma marcha \u00e0 r\u00e9. Institutem contra-narrativas \u00e0 narrativa s\u00f3cio-pol\u00edtica reinante que, como tal, \u00e9 t\u00e3o normalizada quanto desaparecida. Provocam um deslocamento do lugar no lugar mesmo, um fora do tempo no tempo mesmo. Fabricam, heterotopias, portanto, aquelas que necessariamente arrastam consigo heterocronias. Nos <em>contra<\/em>espa\u00e7os\/<em>contra<\/em>tempos, fazem gaguejar e trope\u00e7ar, o fluxo de realidade que se acredita insuspeito.<\/p>\n<p>No caso de Calixto, que n\u00e3o nos iluda a sua do\u00e7ura seca no filme. Ele \u00e9 o mesmo artista que, em 2018, criou oh! rage, t\u00edtulo que faz corruptela bil\u00edngue entre a \u201cira\u201d do ingl\u00eas e a \u201corage\u201d, \u201ctrovoada\u201d ou \u201ctempestade com trov\u00f5es\u201d, do franc\u00eas. Para a pe\u00e7a, inspira-se livremente no livro da indiana Gayatri Spivak, \u201cPode o subalterno falar?\u201d (2010)<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[10]<\/sup><\/a>. Mesma obra e autora do conceito <em>othering<\/em>, que descreve os processos pelos quais o discurso colonialista (dominante e estrutural) produz seus outros. <a href=\"https:\/\/www.rfi.fr\/br\/cultura\/20180728-calixto-neto-danca-ira-para-reinventar-corpos-minoritarios-no-festival-camping-em-p\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calixto afirma em entrevista<\/a>: \u201cO corpo negro vem cheio de clich\u00eas, mas meu trabalho \u00e9 justamente no lugar da desconstru\u00e7\u00e3o desses clich\u00eas. Como se eu passasse um marca-texto embaixo dos clich\u00eas para dizer \u2018olha, esses clich\u00eas existem, e eles precisam ser desfeitos\u2019\u201d. Por isso mesmo, pareceu ser o int\u00e9rprete-criador mais adequado para protagonizar, em 2020, a remontagem do hist\u00f3rico solo de Luiz de Abreu, Samba do Crioulo Doido, de 2004. Na pe\u00e7a, Luiz\/Calixto parecem performar o <em>outramento<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[11]<\/sup><\/a> de Spivak no palco mesmo de seu processo, o palco teatral e sua quase inerente espetaculariza\u00e7\u00e3o. Comp\u00f5em, assim, uma contra-narrativa da captura do corpo negro pela cultura hegem\u00f4nica hetero e euronormativa. Mas isso \u00e9 papo para um outro texto onde poderei deter-me minuciosamente na pe\u00e7a e na remontagem, \u00e0 altura de sua genialidade.<\/p>\n<p>A ira\/trovoada de Calixto faz coro a outres negros\/negras que propalam nada mais nada menos que a destrui\u00e7\u00e3o da ordem mundial vigente tendo sido ela ut\u00f3pica, seja hoje dist\u00f3pica ou retrot\u00f3pica. &#8220;Que se exploda!&#8221;, assim dizem. Ainda melhor: que seja explodida com Bolsonaro, com Trump, com P\u00fatin, com tudo. Juntam-se \u00e0 <em>orage<\/em> de Ailton Krenak que encara desafiadoramente a pessoa que o entrevista dizendo: \u201cN\u00f3s estamos em guerra. N\u00e3o sei porque voc\u00ea t\u00e1 me olhando com essa cara t\u00e3o simp\u00e1tica. O seu mundo e o meu mundo est\u00e3o em guerra\u201d, declara\u00e7\u00e3o sampleada na genial obra audio-visual <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=WqCYlME9Dls\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fa\u00e7a uma A\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria<\/a> &#8211; (AR) cuja assist\u00eancia eu recomendo veementemente. Acredito tratar-se de um coletivo perif\u00e9rico cearense cujo programa de revolu\u00e7\u00e3o interdita a personaliza\u00e7\u00e3o de autoria e cujo instagram fluxomarginal tem como subt\u00edtulo: \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/fluxomarginal\/?hl=pt-br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">arte em leg\u00edtima defesa<\/a>\u201d. Como diz(em) no t\u00edtulo de outra obra tamb\u00e9m contundente: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=K4laqjdHuwY&amp;t=317s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cEm tempos de guerra, n\u00e3o durma\u201d<\/a>. #ficaadica.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> Performer, bailarino e core\u00f3grafo, Calixto Neto afirma gostar de pensar o campo de cria\u00e7\u00e3o como lugar de interse\u00e7\u00e3o entre no\u00e7\u00f5es de identidade, representa\u00e7\u00f5es do corpo (negro) e descoloniza\u00e7\u00e3o. \u00c9 formado em Artes C\u00eanicas (UFPE) e Mestre em dan\u00e7a pelo Centre Chor\u00e9graphique National de Montpellier (Fran\u00e7a). Integrou companhias como a Escambo e o Grupo Experimental, em Recife, posteriormente participando por sete anos da Lia Rodrigues Companhia de Dan\u00e7as (2007\/2013) no Rio de Janeiro. Fora do pa\u00eds, colaborou com os core\u00f3grafos Claudio Bernardo, Volmir Cordeiro e Gerard &amp; Kelly, dentre outros.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Coreografias de um pa\u00eds dividido.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><em> Como estar juntos? Conversas sobre interc<\/em><em>\u00e2<\/em><em>mbio internacional e colabora<\/em><em>\u00e7<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o em artes c<\/em><em>\u00ea<\/em><em>nicas, <\/em>confer\u00eancia digital promovida por dois festivais europeus: ZTS | Zucher Teather Spektakel (Su\u00ed\u00e7a) e Tanz im August | Internationales Festival Berlin (Alemanha).<br \/>\n<a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn1\"><sup><span style=\"color: #000000;\">[4]<\/span><\/sup><\/a> ZTS | Zucher Teather Spektakel (Su\u00ed\u00e7a) e Tanz im August | Internationales Festival Berlin (Alemanha).<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[5]<\/sup><\/a> LEPECKI, Andr\u00e9. <strong>The Body as Archive<\/strong>: Will to Re-Enact and the Afterlives of Dances. Dispon\u00edvel em <a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"https:\/\/doi.org\/10.1017\/S0149767700001029\">https:\/\/doi.org\/10.1017\/S0149767700001029<\/a>.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[6]<\/sup><\/a> Foucault, Michel. <strong>O corpo ut<\/strong><strong>\u00f3<\/strong><strong>pico, as heterotopias<\/strong>. S\u00e3o Paulo: n-1 Edi\u00e7\u00f5es, 2013.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[7]<\/sup><\/a> BAUMAN, Zygmunt. <strong>Retrotopia<\/strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 2017.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Dados presentes no livro SNYDER, Thimothy. <strong>Na contram<\/strong><strong>\u00e3<\/strong><strong>o da liberdade<\/strong>: a guinada autorit\u00e1ria nas democracias contempor\u00e2neas. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019, todos fartamente documentados pelo autor.<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[9]<\/sup><\/a> Express\u00e3o cearense para &#8220;for\u00e7ar a barra&#8221;<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[10]<\/sup><\/a> Spivak, Gayatri Chakravorty. <strong>Pode o subalterno falar?.<\/strong> Belo Horizonte: UFMG, 2010<br \/>\n<\/span><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000; text-decoration: underline;\" href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[11]<\/sup><\/a> Tradu\u00e7\u00e3o do termo da autora indiana encontrada no texto M<\/span>ORALES, Renata S.; RAMIRO, Juliana F. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.11606\/issn.2448-1769.mag.2018.154409\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>G<\/strong><strong>\u00ea<\/strong><strong>nero, ra<\/strong><strong>\u00e7<\/strong><strong>a e outramento em <\/strong><strong><em>A question of power<\/em><\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; No \u00faltimo dia 30 de agosto tive o prazer de assistir \u00e0 estreia da obra filmogr\u00e1fica Pro Futuro Quilombo, de Calixto Neto[1]. 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