{"id":1180199,"date":"2020-08-16T20:38:40","date_gmt":"2020-08-16T19:38:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1180199"},"modified":"2020-08-16T20:38:40","modified_gmt":"2020-08-16T19:38:40","slug":"o-caminho-o-sorriso-a-dor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/o-caminho-o-sorriso-a-dor\/","title":{"rendered":"O Caminho, o Sorriso, a Dor"},"content":{"rendered":"<p>Tento esconder minha m\u00e1goa atr\u00e1s de um ceticismo bobo e in\u00fatil. Finjo n\u00e3o acreditar nas pesquisas, justifico os frios n\u00fameros com analises sociol\u00f3gicas dignas das piores conversas de boteco. Dizem que a popularidade do respons\u00e1vel direto do mortic\u00ednio cresce, e muito, especialmente entre a popula\u00e7\u00e3o mais afetada: a mesma gente que desde sempre sofre na pele as consequ\u00eancias do abandono, da fome, do desemprego, a mesma gente que morre de Covid tr\u00eas vezes mais de outras faixas populacionais. A pandemia mostra seus dentes e como um deus mesopot\u00e2mico exige sacrif\u00edcios humanos e tributos de sangue. Homo Sacer, homem sagrado, na Roma antiga, era denominada a pessoa despojada de todo o direito por ter cometido delitos contra a divindade, e, portanto, dispon\u00edvel para ser morta por qualquer um que desejasse mat\u00e1-la. Homo Sacer agora \u00e9 a massa de um povo vencido que oferece voluntariamente a cabe\u00e7a ao seu carrasco e subindo os degraus do pat\u00edbulo aplaude entusiasta. Talvez os seiscentos reais do aux\u00edlio fa\u00e7am mesmo toda a diferen\u00e7a. E por seiscentos reais \u00e9 poss\u00edvel negociar apoio pol\u00edtico, consenso eleitoral, alma e dignidade. Mil anos atr\u00e1s vi os caminh\u00f5es de cestas b\u00e1sicas na pra\u00e7a da favela. Entre o esgoto, ratos mortos e ratos vivos, meu povo em fila agradecia e aben\u00e7oava o Odorico Paragua\u00e7u da vez. Ele com amplos gestos, tapinhas nas costas e beijos nas crian\u00e7as, garantia seu poder. O amor do povo era todo para ele: bandido \u00e9 na cadeia e comida mais barata na mesa do trabalhador.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria a seguir n\u00e3o tem nada a ver com isso. Parece que foi ontem, mas aconteceu h\u00e1 muito anos, entre o m\u00eas de dezembro e a semana de carnaval de&#8230; quando o pa\u00eds parecia enveredar por caminhos mais dignos, parecia. L\u00e1 no por\u00e3o, gemiam os corpos indesej\u00e1veis de todas as \u00e9pocas. A hist\u00f3ria a seguir fala de um an\u00f4nimo filho do Brasil, nascido pobre, perif\u00e9rico, negro, um verdadeiro Homo Sacer do nosso tempo, pronto para ser massacrado a qualquer momento, s\u00f3 pelo fato de existir, por viver uma vida fora dos padr\u00f5es, uma amea\u00e7a intoler\u00e1vel. Era como se sua exist\u00eancia, por ser preto, pobre e livre, negasse a iman\u00eancia do Estado: <em>e pobres s\u00e3o como podres e todos sabem como se tratam os pretos&#8230; <\/em>com uma pequena diferen\u00e7a: ele resistiu at\u00e9 o fim.<\/p>\n<p><em>O pen drive \u00e9 minha consci\u00eancia suja. Sei que nas profundezas dos circuitos eletr\u00f4nicos dormem anos de lembran\u00e7as, anos de trabalho, saudades, feridas ainda abertas, pessoas que foram embora para nunca mais. Sei que talvez somente o esquecimento \u00e9 capaz de curar. Sei que n\u00e3o quero esquecer. Edith Moniz, pedagoga, professora \u201ctia de rua\u201d, fundadora do Projeto Lata-ria, a escola itinerante para as crian\u00e7as sem escola, diz que \u00e9 necess\u00e1rio contar a hist\u00f3ria de cada uma delas, n\u00e3o para esculpir palavras no m\u00e1rmore, mas para que o vento as leve, o mais longe poss\u00edvel, at\u00e9 os anjos. Quando a saudade se faz presen\u00e7a viva, n\u00e3o importa quantos anos se passaram. <\/em><\/p>\n<p><em>Para n\u00e3o esquecer. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>O Caminho, o Sorriso, a Dor<\/h4>\n<p><em>Tire o seu sorriso do caminho, que eu quero passar com a minha dor<\/em><\/p>\n<p>Os rascunhos se acumulam como rabiscos em confusos pensamentos. Antes de passar a limpo no computador, caneta e papel para pensar melhor, para fazer fluir fisicamente as ideias, para que cada palavra n\u00e3o seja um bit, mas tenha corpo e consist\u00eancia. Desta vez, por\u00e9m, \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Queria ser um sambista de primeira, um <em>partideiro<\/em>, para saber e poder compor as melodias mais lindas e os versos mais tristes, conseguir junt\u00e1-los numa maravilhosa can\u00e7\u00e3o cantada baixinho e consolar, feito vela no escuro, as trevas da minha alma.<\/p>\n<p>Gostaria de come\u00e7ar contando a tua hist\u00f3ria, a nossa hist\u00f3ria, mas a \u00fanica coisa que vem \u00e0 cabe\u00e7a \u00e9 a imagem do teu pesco\u00e7o amarrado a uma corda e teu corpo pendurado na grade da cela da pris\u00e3o. E aquela fria e impass\u00edvel nota de duas linhas na internet&#8230;<\/p>\n<p>Pego o \u00e1lbum das fotos, quero colocar teu rosto no fundo dessa p\u00e1gina: A. M. da Cruz, e quatro simples palavras: Amigo, Filho, Cidad\u00e3o, Brasileiro.<\/p>\n<p>Amigo, porque tu eras realmente amigo de todos. Moravas na pra\u00e7a desde que fugistes de casa aos nove anos, quando o barraco em chamas te deixou aquela marca no rosto, bem ali onde o rato deixara a dele. Amigo sim, porque todo mundo te queria bem. Quantas lembran\u00e7as, meu Amigo, quantas lembran\u00e7as! As fotos est\u00e3o todas aqui, as crian\u00e7as sentadas escrevendo, aprendendo a ler apoiadas na mureta, a nossa sala de aula, a nossa escola. Nunca te contei daquela reuni\u00e3o na prefeitura quando tiveram que modificar o projeto original da restaura\u00e7\u00e3o da biblioteca, nunca te contei. O lago e a fonte previstos originalmente, foram substitu\u00eddos por um simples gramado com a grade de prote\u00e7\u00e3o. Estavam com medo que o lago e a fonte se transformassem na tua piscina particular. E tinham toda raz\u00e3o, terias sido o primeiro a mergulhar&#8230; . E quando tivestes medo de assinar o teu nome no RG, lembras? E olha que hav\u00edamos treinado por dias e mais dias: os primeiros tra\u00e7os tr\u00eamulos que, devagar, se transformavam em letras&#8230; , querias desistir bem na frente do guich\u00ea.., querias voltar a p\u00f4r o ded\u00e3o como os analfabetos&#8230;, o medo de n\u00e3o conseguir, a vergonha de fazer feio, de assinar torto&#8230; Que nada! Agora seu documento est\u00e1 comigo, <em>j\u00e1 com tudo dentro<\/em>, diria Chico Buarque, com foto e assinatura, nome, sobrenome e filia\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Filho: todo ano, tua m\u00e3e fazia quest\u00e3o de passar o Natal na pra\u00e7a contigo; era a primeira coisa que me contavas feliz, alegre e orgulhoso: minha m\u00e3e esteve aqui. Tua m\u00e3e&#8230; que n\u00e3o foi avisada, tua m\u00e3e que ainda ignora: ningu\u00e9m lhe disse que o filho dela morreu pendurado pelo pesco\u00e7o, assassinado na cela da casa de deten\u00e7\u00e3o onde estava recluso ilegalmente. Imaginas que um famoso desembargador estava se mobilizando para te tirar dali, faltavam poucos dias para a audi\u00eancia, mas tu j\u00e1 estavas morto. Casa de deten\u00e7\u00e3o: 700 vagas, 1900 os internos, mais que o dobro. Homens transformados em animais. N\u00e3o sei o que aconteceu, a nota do jornal n\u00e3o diz nada, mas os amigos da pra\u00e7a imaginam os pormenores. Fostes escolhido para morrer: um recado aos outros, uma vingan\u00e7a, linchado e depois enforcado. E tua m\u00e3e que nada sabe. Ningu\u00e9m foi capaz de procur\u00e1-la para que pudesse te enterrar, enterrar o filho. Nem a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica que te encarcerou e permitiu a tua morte, nem a pastoral carcer\u00e1ria que d\u00e1 a not\u00edcia via internet. E ent\u00e3o, tu, Amigo e Filho, serei eu que irei at\u00e9 tua m\u00e3e e com ela chorarei o seu pranto, \u00e9 uma promessa. Que pelo menos possa eu cancelar este \u00faltimo insulto que te fizeram: ser enterrado numa vala comum como indigente. A nota da internet diz \u201cmorador de rua\u201d, como se voc\u00ea fosse um vagabundo, um andarilho, como se ningu\u00e9m soubesse que dormias debaixo da segunda marquise do lado esquerdo, o mesmo endere\u00e7o h\u00e1 anos, e que ali na pra\u00e7a trabalhavas como guardador de carros e garoto de recado das lojas. N\u00e3o, meu Amigo, meu Filho, tu eras um grande cidad\u00e3o que se desdobrava para sobreviver, eras um cidad\u00e3o do meu Pa\u00eds, cidad\u00e3o de um Estado que te prendeu numa jaula, te linchou e te deixou pendurado na grade at\u00e9 o \u00faltimo suspiro, um Estado que te enterrou como indigente numa caixa de papel\u00e3o, na cova rasa de um cemit\u00e9rio sem nome. Um Estado que n\u00e3o teve a hombridade de procurar tua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3o. Foi isto que pensei ontem ao receber o teu cart\u00e3o de visita. Os amigos da gr\u00e1fica da pra\u00e7a bolaram a ideia: todo mundo tem um cart\u00e3o de visita, voc\u00ea tamb\u00e9m, e junto com o teu nome e o teu endere\u00e7o est\u00e3o tamb\u00e9m os tr\u00eas cachorros insepar\u00e1veis que te acompanhavam. O cart\u00e3o de visita. A escrita que quero na foto: A. M. da Cruz, Amigo, Filho, Cidad\u00e3o Brasileiro, que levava a Cruz at\u00e9 no nome, como milh\u00f5es de n\u00f3s sempre fizeram e continuam fazendo.<\/p>\n<p>Sem mais palavras, sem mais l\u00e1grimas, cansado de tanta luta, de tanto trabalho, sem mais sorriso, fico com a minha imensa dor. Um peda\u00e7o de mim pendurado na grade ali contigo, sepultado na vala comum, na terra vermelha do meu Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Adeus, meu amigo, adeus.<\/p>\n<p><em>O pen drive onde guardo lembran\u00e7as e saudades, revela o ep\u00edlogo. Quando o tempo cronol\u00f3gico da sucess\u00e3o dos eventos n\u00e3o vale mais, tudo se torna um eterno presente, o que j\u00e1 foi, sempre ser\u00e1. Enquanto l\u00e1 fora a cidade enlouquecia, um punhado de terra vermelha cobria nosso jovem amigo. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O sil\u00eancio de um dia qualquer<\/strong><\/p>\n<p>A busca foi r\u00e1pida o bastante para durar dois meses. Finalmente hoje encontrei o lugar exato, o cemit\u00e9rio, o lote, o tumulo. No geral abandono, jaz o garoto morto pela viol\u00eancia do estado. O meu pa\u00eds mais uma vez demonstrou a implac\u00e1vel capacidade de exterminar os seus filhos mais fracos. Achei o nome dele no registro geral, estava escrito: causa morte \u201cdesconhecida\u201d. Por dez dias o cad\u00e1ver ficou na espera de algu\u00e9m que fosse reconhec\u00ea-lo, algu\u00e9m que dissesse: eu sei quem \u00e9, conhe\u00e7o o nome. Dez dias na c\u00e2mara frigor\u00edfica do Instituto M\u00e9dico Legal, mais uma vez sozinho, totalmente abandonado. E assim foi sepultado, na cova rasa onde agora o mato toma conta, e a solid\u00e3o impera. Constru\u00ed com dois gravetos a cruz, que pelo menos seja sagrada esta pouca terra que te cobre. Uma pequena foto, uma flor, o teu nome.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Agora \u00e9 s\u00f3 o sil\u00eancio de um dia qualquer.<br \/>\nPodem celebrar, irm\u00e3os, \u00e9 carnaval.<br \/>\nAfinal o carnaval \u00e9 para isso,<br \/>\ncelebrar comemorar cantar dan\u00e7ar.<br \/>\nPodem ir em frente a noite inteira<br \/>\ne amanh\u00e3 tamb\u00e9m<br \/>\ncarregados de cerveja<br \/>\ne tambores cegos ao mal<br \/>\ne surdos aos meus gritos.<br \/>\nN\u00e3o me chamem<br \/>\nn\u00e3o me convidem<br \/>\nsejam felizes sem mim.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Eu procurei na terra nua<br \/>\num sinal de um filho meu<br \/>\num filho que vi ser morto<br \/>\nna solid\u00e3o da cela escura<br \/>\npovoada de assassinos.<br \/>\nAgora a terra nua do meu pa\u00eds<br \/>\ncobre o grito n\u00e3o ouvido<br \/>\no desespero nunca consolado.<br \/>\nChuma\u00e7os de grama na cova sem nome<br \/>\ne lama ao redor, lama no mundo,<br \/>\nchuva de lama,<br \/>\nl\u00e1grimas de lama, as minhas,<br \/>\nque o sangue j\u00e1 se foi.<br \/>\nEscrevi o teu nome na lama, meu filho,<br \/>\npara que a terra saiba de ti,<br \/>\nescrevi o teu nome<br \/>\nsem mais esperan\u00e7a, sem lembran\u00e7a.<br \/>\nEscrevi o teu nome na minha carne<br \/>\nfiz da grama cruz, fiz da cruz sinal<br \/>\nNo fim da rua<br \/>\nsomente a dor vazia do esquecimento.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Podem celebrar, irm\u00e3os, \u00e9 carnaval.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tento esconder minha m\u00e1goa atr\u00e1s de um ceticismo bobo e in\u00fatil. 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