{"id":1179880,"date":"2020-08-16T03:35:33","date_gmt":"2020-08-16T02:35:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1179880"},"modified":"2020-08-16T01:27:31","modified_gmt":"2020-08-16T00:27:31","slug":"marcha-a-re","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/","title":{"rendered":"Marcha \u00e0 R\u00e9"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">DAN\u00c7A<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais), realizada a cada quatro anos desde 1983, ano do assassinato de Margarida Maria Alves, uma das primeiras mulheres a exercer cargo de dire\u00e7\u00e3o sindical no pa\u00eds. <em>Liberation Day<\/em> da Rua Christopher em Nova Iorque (1970), primeira parada do orgulho LGBT<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref\"><sup>[2]<\/sup><\/a> de que se tem registro. Passeata dos Cem Mil (1968), organizada por estudantes e seguida por intelectuais, artistas e pol\u00edticos de esquerda com franca ades\u00e3o popular pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia de Estado. Marchas de Selma a Montgomery (1965) pelo direito civil ao voto, Martin Luther King na vanguarda da multid\u00e3o que percorreu tr\u00eas vezes os 90 km que separam uma cidade e outra do Alabama. Coluna Prestes (1924-1927) iniciada no contexto militar em resist\u00eancia de esquerda \u00e0 oligarquia brasileira, e se tornaria, de fato, um movimento popular ao longo de seus 25.000 km atravessando 13 estados brasileiros.<\/p>\n<p>O que une todas essas marchas presentes neste pequeno percurso hist\u00f3rico retroativo? Elas avan\u00e7am. N\u00e3o h\u00e1 como cont\u00ea-las. S\u00e3o comunidades transit\u00f3rias de pessoas andando adiante que performam pequenas ou grandes coreografias sociais. Marchar em frente, entretanto, n\u00e3o nos iludamos, nunca foi necessariamente marchar a favor da hist\u00f3ria. O movimento \u00e9 dianteiro mas muitas vezes anda na contram\u00e3o do suposto progresso, outras tantas vai adiante exatamente para cont\u00ea-lo. Quem foi que disse que a hist\u00f3ria anda necessariamente para frente?<\/p>\n<p>Curiosamente, desde 2016, a brasileira parece estar andando para tr\u00e1s na dire\u00e7\u00e3o de 1964. A precisa foto de Laerte Gurgel que abre a coluna \u00e9 quase um enunciado-performance. Trata-se de uma placa situada em preciso cruzamento (adoro duplos sentidos) da Avenida Brasil (adoro ainda mais) com a rua Atl\u00e2ntica, em S\u00e3o Paulo. \u00c9 ver\u00edssima a localiza\u00e7\u00e3o: coloque no <em>Street view<\/em> do Google Maps (<a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/place\/Av.+Brasil,+1916+-+Jardim+America,+S%C3%A3o+Paulo+-+SP,+01430-001,+Brasil\/data=!4m2!3m1!1s0x94ce577eae770c21:0xcf6e22a2b98549d3?sa=X&amp;ved=0ahUKEwih1bWj48_WAhUDh5AKHSz7C-EQ8gEIJjAA.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link para esse acesso no Google Maps<\/a>), clique na foto, ande um pouco para a esquerda (l\u00f3gico!), aproxime e l\u00e1 estar\u00e1! De t\u00e3o certeiro, o numer\u00e1rio do quarteir\u00e3o encrava quase como uma l\u00e1pide, o movimento <em>anarri\u00ea<\/em> no qual nos encontramos.<\/p>\n<p>\u00c9 mesmo uma esp\u00e9cie de sensa\u00e7\u00e3o social, n\u00e3o necessariamente da \u00edntegra do povo brasileiro, nem sei mais o que \u00e9 isso, por\u00e9m, ao menos de 44,87% dos eleitores e eleitoras sa\u00eddos todos perplexos do apocalipse eleitoral de 2018. O processo at\u00e9 o pleito traz, de 2016, intrag\u00e1veis marcos que me privarei de listar aqui. N\u00e3o por mera coincid\u00eancia, data deste mesmo ano a primeira Massa R\u00e9, a\u00e7\u00e3o coletiva proposta pelo artista e pesquisador Elilson<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref\"><sup>[3]<\/sup><\/a> que vem sendo reperformada e desdobrada desde ent\u00e3o. Massa R\u00e9 acontece a partir de um esquem\u00e1tico programa performativo: um grupo de brasileiros e brasileiras, cada qual vestindo camiseta branca com as inscri\u00e7\u00f5es 2016 (frente) e 1964 (costas), caminha lenta e silenciosamente para tr\u00e1s pelas ruas da cidade com as m\u00e3os espalmadas para baixo.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es podem ter at\u00e9 3 horas de dura\u00e7\u00e3o e ser realizadas em momentos significativos do ano (a primeira, em 1\/4\/2016, data que n\u00e3o se comemora, dia do Golpe de 1964; a segunda em 7\/9, Golpe de 2016 j\u00e1 ensejado \u201ccom Supremo com tudo\u201d e Michel Temer empossado presidente). Os pontos de in\u00edcio e t\u00e9rmino da caminhada s\u00e3o determinados em pontos urbanos hist\u00f3ricos estrat\u00e9gicos fazendo consoarem, e por isso mesmo vibrarem, tempo e lugar, chave da performance. Nos trajes, importava evitar as cores vermelho, verde e amarelo de modo a sustentar desde o in\u00edcio at\u00e9 o fim, a inteligente ambiguidade que a a\u00e7\u00e3o comporta. \u201cMas, afinal, o que voc\u00eas apoiam? Eu n\u00e3o consigo entender se s\u00e3o contra ou se querem 1964\u201d, gritou um transeunte certa vez. Foram diversas rea\u00e7\u00f5es de corpo e de fala dos passantes em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 performance, indo do amistoso ao violento, e para conhec\u00ea-las, recomendo <a href=\"https:\/\/issuu.com\/tremaplataforma\/docs\/revista_14_-_edi__o_da_pol_tica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a leitura do artigo do pr\u00f3prio Elilson<\/a>. De todas elas, \u201cOlha! Um tributo a Michael Jackson\u201d chama-me especialmente a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O gesto das m\u00e3os espalmadas \u00e0 frente do corpo emula mas n\u00e3o imita a rea\u00e7\u00e3o corporal que temos diante de algo incompreens\u00edvel, como quem se pergunta \u201cQue porra \u00e9 essa?!\u201d, ou no bom <em>cearens\u00eas<\/em> que aprendi \u201cDiab\u00e9isso?!\u201d. (E n\u00e3o \u00e9 mesmo <em>isso<\/em> que estamos nos perguntando desde ent\u00e3o?) Elilson responde de dentro de <a href=\"http:\/\/docplayer.com.br\/166003638-Vulnerabilidade-vibratil-arte-da-performance-e-mobilidade-urbana.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sua disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado<\/a> (2018) orientada por Eleonora Fabi\u00e3o: \u00c9 \u201ccomo se o gesto, constituinte do e no corpo que anda\u201d de costas &#8220;pronunciasse: estou sendo empurrado para tr\u00e1s, mas estou resistindo&#8221;.<\/p>\n<p>Sutil jogo de oposi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as corporais, bem distinto daquele performado por Buster Keaton na famosa sequ\u00eancia de seu filme Steamboat Bill Jr. (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XiOiGR7M7XM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do trecho do filme<\/a>) quando tenta marchar \u00e0 frente enfrentando com seu ex\u00edguo corpo a for\u00e7a contraproduzida pelo furac\u00e3o que assola a cidade e faz literalmente o mundo vir abaixo. O enfrentamento \u00e9 realista se levarmos em conta que o cineasta\/int\u00e9rprete rejeitava trucagens e chegou a gastar 1\/3 do or\u00e7amento dispon\u00edvel para produzir os efeitos inacredit\u00e1veis do furac\u00e3o, incluindo o aluguel de seis portentosas m\u00e1quinas e\u00f3licas. A extenuante sequ\u00eancia f\u00edsica, em outra chave, tamb\u00e9m parece pronunciar &#8220;estou sendo empurrado para tr\u00e1s, mas estou resistindo&#8221;. Ganha ares de coreografia social se lembrarmos que o filme \u00e9 de 1928, apenas um ano antes do bota-abaixo-geral no\/do mundo, preconizado pelo <em>crack<\/em> da Bolsa de Nova York.<\/p>\n<p>Muda a chave po\u00e9tica, mas a po\u00e9tica muda do corpo continua a nos interessar, agora, em Silent Movie<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref\"><sup>[4]<\/sup><\/a> (1976), de Mel Brooks \u2013 inteligente e divertida par\u00f3dia dos filmes silenciosos do in\u00edcio do cinema. Em uma curta por\u00e9m marcante cena (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IhhS13sk7eg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do trecho do filme<\/a>), o ex\u00edmio m\u00edmico Marcel Marceau luta contra um vento supostamente muito forte na tentativa de avan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o do telefone que toca. Muito diferente da fisicalidade de Keaton e dos participantes de Massa a R\u00e9, o corpo aqui estabelece com min\u00facia e precis\u00e3o a possibilidade que essa modalidade de m\u00edmica acessibiliza (h\u00e1 outras), a de nos fazer ver o que l\u00e1 n\u00e3o est\u00e1; de ficcionalizar a luta frente a uma for\u00e7a ausente (o vento que balan\u00e7a as cortinas ao meio esquerda do quadro ali est\u00e1 somente como legenda de indu\u00e7\u00e3o ao jogo que se estabelece). Delicioso jogo a que acedemos sem muita dificuldade e que levar\u00e1 a sequ\u00eancia a encerrar-se com Marceau, notabilizado pela pantomima muda, atendendo ao telefone para tornar-se a \u00fanica personagem a pronunciar palavra no <em>silent movie<\/em> de Brooks, um sonoro e retumbante &#8220;Non!&#8221;.<\/p>\n<p>Importam em todos esses exemplos o n\u00f3 perceptivo a que o corpo induz, todas as vezes em que ousa contrapor-se \u00e0 din\u00e2mica <em>alavant\u00fa<\/em> supostamente imperiosa do tempo. Foi o nascimento do cinema, no final do s\u00e9culo XIX, que popularizou algo que a literatura suporia conjuntamente e que a dan\u00e7a ocidental abra\u00e7aria quase como sendo a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de sua aventura ao longo do s\u00e9culo XX: o tempo n\u00e3o \u00e9 \u00fanico; o tempo n\u00e3o avan\u00e7a necessariamente; o tempo \u00e9 uma fabrica\u00e7\u00e3o; o tempo n\u00e3o \u00e9 O tempo. A cronologia \u00e9 uma conven\u00e7\u00e3o, historicamente datada e, como tal, atravessada de pol\u00edtica. Assim, o tempo pode, s\u00f3 pra come\u00e7o de conversa, voltar ou mesmo parar. A no\u00e7\u00e3o do tempo como fabrica\u00e7\u00e3o e, a partir dela, a manufatura de v\u00e1rias temporalidades poss\u00edveis, composs\u00edveis e imposs\u00edveis ser\u00e1 respons\u00e1vel por uma expans\u00e3o inaudita do campo da narrativa nas artes, verdadeira reviravolta, contexto de onde as dramaturgias do corpo e da performance poder\u00e3o aparecer. E s\u00e3o exatamente elas que nos interessam aqui.<\/p>\n<p>Quem nunca gostou de desafiar a equa\u00e7\u00e3o tempo\/movimento descendo a escada rolante ascendente ou andando para tr\u00e1s na esteira rolante dianteira? Ambas as brincadeiras contrariam a funcionalidade para a qual cada um dos dispendiosos dispositivos tecnol\u00f3gicos foram criados. Resta \u00e0 l\u00f3gica do avan\u00e7o\/progresso reinante (ela se precipita no senso mais comum), imputar ao ato do corpo insurgente, a pecha de &#8220;perda de tempo&#8221;. O que dizer quando \u00e9 exatamente na suposta perda de tempo que a arte corporal encontra a sua chave de contradispositivo? Inevit\u00e1vel lembrar do hoje lend\u00e1rio <em>Moonwalk<\/em>, que n\u00e3o sendo de autoria de Michael Jackson foi por ele mundialmente popularizado e, neste movimento, apropriado pela cultura. \u00c9 o que precisamente nos lembra o transeunte quando comenta a Massa R\u00e9 de Elilson.<\/p>\n<p>Para desapeg\u00e1-la um pouco de MJ, \u00e9 necess\u00e1rio marcar que a t\u00e9cnica \u00e9 denominada de <em>slide <\/em>(literalmente deslizar) em varia\u00e7\u00f5es a depender da dire\u00e7\u00e3o do movimento: <em>backslide<\/em>; <em>frontslide<\/em>; <em>leftslide<\/em>; <em>rightslide<\/em>. Das quatro, para os temas aqui deste texto, interessa-nos mais o <em>backslide<\/em> (justamente o que imortalizou-se no <em>moowalking<\/em>). O movimento \u00e9 reperformado ostensivamente pelo\/as int\u00e9rpretes de dan\u00e7as urbanas nos cinco cantos do planeta, como se pode ver nestes dois <em>samples<\/em> que destaquei, um de Salif Gueye (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=cIhu6q4guS0\">link do v\u00eddeo<\/a>) (<a href=\"https:\/\/instagram.com\/salif_crookboyz?igshid=u3t1i90bqqxc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Official IG artist<\/em><\/a>), o outro do <em>amazing<\/em> Lin Wenxin<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref\"><sup>[5]<\/sup><\/a> (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5rmb7WhmW30\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do v\u00eddeo<\/a>) ao som de Pascal Letoublon.<\/p>\n<p>No primeiro, reparem no efeito cinem\u00e1tico tamb\u00e9m sem qualquer trucagem produzido pelo simples contraste entre a velocidade dos <em>slides<\/em> de Salif + c\u00e2mera (que se somam e se intensificam) e a dos passantes casuais ao fundo andando no mesmo sentido ou no sentido contr\u00e1rio ao de seu deslocamento. Infelizmente o interessante efeito \u00e9 logo interrompido, pela necessidade irrefre\u00e1vel aos transeuntes de pararem e tornarem-se plateia. \u00c9 justo a marcha supostamente natural dos pedestres, seja no sentido contr\u00e1rio, mas principalmente no mesmo sentido do deslocamento de Salif, que abre uma esp\u00e9cie de fenda na equa\u00e7\u00e3o tempo\/movimento evidenciando o potencial j\u00e1 constante no pr\u00f3prio <em>sliding<\/em>. Coisa que a <a href=\"https:\/\/instagram.com\/robotmjlin_?igshid=l5bcpg69nqdq\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ex\u00edmia t\u00e9cnica de Lin Wenxin<\/a> deixa cristalino: o movimento deslizante\/deslizado de costas cria um n\u00f3 percetivo com a ilus\u00e3o de uma marcha absurda que parece deslocar-se para tr\u00e1s e para a frente ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Todas as insistentes marca\u00e7\u00f5es de traseira e dianteira,<em> anarri\u00ea <\/em>e<em> alavant\u00fa<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref\"><sup>[6]<\/sup><\/a>, marcha \u00e0 r\u00e9 e marcha \u00e0 frente espalhadas pelo texto fazem eco a duas publica\u00e7\u00f5es anteriores de Pressenza que por ora tornaram-se uma s\u00e9rie. \u00c9 Maria Alice Poppe que responde em sua coluna de 2\/8, <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/o-passo-da-queda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>O passo da queda<\/em><\/a>, \u00e0 minha coluna anterior <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/07\/esquerda-direita-volver\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Esquerda-direita volver<\/em><\/a>. Nela, Poppe comenta a hist\u00f3ria contada por seu pai sobre um homem que exibia caminhadas e corridas para tr\u00e1s ao sabor do balan\u00e7o das barcas de travessia da Ba\u00eda de Guanabara. Maria Alice interroga em sua coluna e quase ou\u00e7o como se fossem para mim, as suas quest\u00f5es. \u201cPergunto-me ent\u00e3o se andar para frente n\u00e3o se relacionaria com a ideia de ir na dire\u00e7\u00e3o do progresso, da evolu\u00e7\u00e3o e, portanto, da atitude neoliberal de avan\u00e7o e produtividade. O homem das barcas n\u00e3o estaria evocando o dilaceramento das for\u00e7as progressistas? Seria andar para tr\u00e1s um flerte com o retrocesso ou uma volta ao desconhecido?\u201d.<\/p>\n<p>Elilson tamb\u00e9m parece ter ouvido suas perguntas quando diz: \u201cMassa R\u00e9 performa um desvio da forma pr\u00f3pria da constru\u00e7\u00e3o subjetiva da circula\u00e7\u00e3o urbana, profanando a express\u00e3o absoluta e primeira da ordem e do progresso: o andar para frente\u201d. N\u00e3o seria tamb\u00e9m uma resposta insurgente aos lemas positivistas de nossa bandeira, o que performa a Gangue da Marcha \u00e0 R\u00e9? Assim chamada no singular, trata-se na verdade de muitas gangues que h\u00e1 12 anos replicam os mesmos procedimentos pa\u00eds afora. Um carro em grande velocidade vindo de r\u00e9 arrebenta a porta de uma dada loja de madrugada abrindo o flanco aos integrantes do bando para a r\u00e1pida a\u00e7\u00e3o de roubo e subsequente partida \u00e0 frente em fuga.<\/p>\n<p>S\u00e3o muitos os ind\u00edcios que reuni aqui para fazerem par com a contundente interven\u00e7\u00e3o-manifesto Marcha \u00e0 R\u00e9 ensejada por Nuno Ramos, T\u00f3 (Antonio Ara\u00fajo) e o Teatro da Vertigem em S\u00e3o Paulo na semana passada. Queria fazer o meu texto merecedor de abord\u00e1-la, tal a genialidade da proposta. Assisti aos v\u00eddeos da performance com as perguntas de Alice martelando na minha cabe\u00e7a. Procurei aproximar Elilson, Marceau, Keaton, Salif e Wenxin, pois todos falam, cada um a seu modo, de coreografias sociais que performam movimento marcadamente na contram\u00e3o do avan\u00e7o. Como diz Elilson, \u201cAndar de costas significa ver, irremedi\u00e1vel e detalhadamente, tudo que \u00e9 a cidade e que di\u00e1ria e apressadamente deixamos para tr\u00e1s.\u201d 100.000 mortos pela COVID-19 no Brasil n\u00e3o podiam ser deixados no sem-fundo do esquecimento. Era necess\u00e1rio ir ao seu encontro e isso, para os criadores desta marcha, s\u00f3 poderia ser feito retroativamente.<\/p>\n<p>Assim, em 4\/8\/2020, sem qualquer aviso pr\u00e9vio, o centro financeiro e epicentro da pandemia do\/no pa\u00eds \u00e9 atravessado por uma suspens\u00e3o do tempo progressivo e progressista com o <em>acontecimento<\/em> Marcha \u00e0 R\u00e9 chamada inteligentemente de anticarreata. A linha de partida \u00e9 em frente \u00e0 FIESP na Avenida Paulista. Tal como a a\u00e7\u00e3o de Elilson, a localiza\u00e7\u00e3o faz vibrar tempo e lugar, uma vez que foi dali mesmo, em 2016, que come\u00e7amos a andar para tr\u00e1s, aqui no caso, na dire\u00e7\u00e3o da morte. Assim, o Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o (adoro ironias) \u00e9 o ponto de chegada, a cujo port\u00e3o o trompetista Richard Fermino executa o Hino Nacional Brasileiro de tr\u00e1s para frente. O durante da a\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais contundente: 100 carros lenta e coordenadamente (a cerca de 5 km\/h) percorrem os 1,5 km de trajeto em marcha \u00e0 r\u00e9. Das janelas abertas dos autom\u00f3veis, ouve-se o som renitente de respiradores mec\u00e2nicos e monitores card\u00edacos de UTI perfazendo entre si uma sinfonia funesta. 1 carro para cada 1.000 mortos. A lentid\u00e3o dos ve\u00edculos parece tamb\u00e9m pronunciar &#8220;estou sendo empurrado para tr\u00e1s, mas estou resistindo&#8221;.<\/p>\n<p>Misto de performance e protesto, Marcha \u00e0 R\u00e9 se tornar\u00e1 um filme cujo registro \u00e9 feito pelo cineasta Eryk Rocha. Essa ser\u00e1 a obra <em>performada<\/em> por Nuno Ramos e parceiros na Bienal de Berlim deste ano, uma marcha feita por encomenda do evento. Conforme Ramos afirmou \u00e0 Folha de S\u00e3o Paulo (<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ilustrada\/2020\/08\/carreata-em-marcha-a-re-une-arte-e-protesto-contra-bolsonaro-na-paulista.shtml?\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link da mat\u00e9ria<\/a>). &#8220;A ideia era usar a linguagem bolsonarista, mas \u00e0s avessas\u201d. Por isso, a anticarreata, fazendo contramen\u00e7\u00e3o \u00e0s carreatas dos apoiadores do (des)presidente realizadas em absurda oposi\u00e7\u00e3o ao <em>lockdown <\/em>e ao distanciamento social relativos \u00e0 pandemia. O Hino Nacional era outro pend\u00e3o de apoio a Bolsonaro, tocado aos berros nas sacadas e janelas dos pr\u00e9dios em rea\u00e7\u00e3o aos panela\u00e7os ocorrentes em defesa das pautas humanit\u00e1rias e pelo justific\u00e1vel <em>impeachment<\/em> do &#8220;pior l\u00edder mundial no combate ao coronav\u00edrus&#8221;. Executado no final da a\u00e7\u00e3o ao contr\u00e1rio (bela m\u00fasica dissonante resultou) o contra-hino marcava, agora, \u201ca nacionalidade do pesadelo, com tudo andando em marcha r\u00e9\u201d, de acordo com o artista.<\/p>\n<p>Curioso \u00e9 reparar aos 34s do v\u00eddeo-registro de Marcha \u00e0 R\u00e9 feito pelo ator Wilson de Barros, (<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/CDoiGwEltKS\/?igshid=1it37878kpov5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do v\u00eddeo<\/a>) dois motoqueiros passarem ao lado do comboio, no sentido contr\u00e1rio ao dos carros, ou seja, no sentido correto daquela m\u00e3o da Paulista (o \u00f4nibus que chega \u00e0 esquerda n\u00e3o nos deixa mentir). Percebam o n\u00f3 perceptivo na equa\u00e7\u00e3o de sentido tempo\/movimento que tamb\u00e9m acontece. Notem que um deles porta \u00e0s costas a mochila caracter\u00edstica dos entregadores de aplicativo, modalidade do empreendedorismo escravocrata neoliberal \u2013 sinal contrastante de que a marcha acachapante do capital tem que seguir em frente.<\/p>\n<p>Tudo isso faz-me lembrar das palavras de G\u00fcnter Grass em seu livro <em>Hiroshima est partout<\/em> (<em>Hiroshima est\u00e1 por toda a parte<\/em>) de 1982. Ele dizia dos (d)efeitos das explos\u00f5es de 1945, mas parece estar dizendo de n\u00f3s (tentem ler ouvindo os respiradores de Nuno Ramos):<\/p>\n<p><em>Nossa imagina\u00e7\u00e3o \u00e9 incapaz de considerar as consequ\u00eancias do que produzimos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a nossa raz\u00e3o que tem seus limites (kantianos), n\u00e3o somente ela \u00e9 finita, o mesmo vale para a nossa imagina\u00e7\u00e3o e, mais ainda, para nossas emo\u00e7\u00f5es. Na melhor das hip\u00f3teses, podemos nos arrepender do assassinato de um homem: nossas emo\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ir al\u00e9m disso. Podemos imaginar dez assassinatos: nossa imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ir al\u00e9m disso. Entretanto, destruir 100.000 pessoas n\u00e3o \u00e9 problema algum. Um homic\u00eddio em grande escala ultrapassa largamente a esfera das a\u00e7\u00f5es que podemos imaginar perante as quais podemos reagir com as nossas emo\u00e7\u00f5es e cuja execu\u00e7\u00e3o poderia ser entravada pela imagina\u00e7\u00e3o e pelas emo\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> Hoje LGBTQIA+. A sigla para remiss\u00e3o \u00e0s lutas das minorias de sexualidade e identidade de g\u00eanero se atualiza constantemente, assim como a percep\u00e7\u00e3o da amplitude de sua diversidade. Optei aqui por manter a sigla LGBT em remiss\u00e3o hist\u00f3rica ao in\u00edcio do movimento.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> Ele se autonomeia somente a partir do primeiro nome.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> T\u00edtulo em portugu\u00eas: A \u00daltima Loucura de Mel Brooks.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> Agrade\u00e7o aos meus consultores de plant\u00e3o nas madrugadas Loly Pop (<a href=\"https:\/\/instagram.com\/lolypop_dancer?igshid=sarx049qap9l) (Jorge Luiz) e Coreano Dancer (link do insta: https:\/\/instagram.com\/coreano_dancer?igshid=ih7q3cagedg9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do insta<\/a>) (Jorge Luiz) e Coreano Dancer (<a href=\"https:\/\/instagram.com\/coreano_dancer?igshid=ih7q3cagedg9\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">link do insta<\/a>) que me ajudaram a entender melhor o <em>slide<\/em> e a achar a refer\u00eancia de Lin Wenxin.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> <em>Anarri<\/em><em>\u00ea<\/em> e <em>alavant<\/em><em>\u00fa<\/em> s\u00e3o apropria\u00e7\u00f5es da cultura popular brasileira de dois termos provenientes das elegantes dan\u00e7as de sal\u00e3o francesas, sendo o primeiro uma corruptela de &#8220;En arri\u00e8re&#8221; (Para tr\u00e1s) e o segundo, de &#8220;En Avant, Tout&#8221; (todos \u00e0 frente). Indicam movimentos de coro em que todos os participantes se movem juntamente na mesma dire\u00e7\u00e3o. Ambos os termos chegam aos dias de hoje nas quadrilhas juninas, atrav\u00e9s dos comandos de voz do\/a narrador(a).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais), realizada a cada quatro anos desde 1983, ano do assassinato de Margarida Maria Alves, uma das primeiras mulheres a exercer&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1898,"featured_media":1179895,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,11390,112],"tags":[75238,75337],"class_list":["post-1179880","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-conteudo-original","category-cultura-pt-pt","tag-caderno-de-cultura","tag-danca"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Marcha \u00e0 R\u00e9<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Marcha \u00e0 R\u00e9\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-08-16T02:35:33+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"540\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Thereza Rocha\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Thereza Rocha\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\"},\"author\":{\"name\":\"Thereza Rocha\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/ce42cb57dabdd373c8a09b54d3ac5847\"},\"headline\":\"Marcha \u00e0 R\u00e9\",\"datePublished\":\"2020-08-16T02:35:33+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\"},\"wordCount\":2974,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg\",\"keywords\":[\"caderno de cultura\",\"dan\u00e7a\"],\"articleSection\":[\"\u00c1m\u00e9rica do Sul\",\"Conte\u00fado Original\",\"Cultura e M\u00eddia\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\",\"name\":\"Marcha \u00e0 R\u00e9\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg\",\"datePublished\":\"2020-08-16T02:35:33+00:00\",\"description\":\"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg\",\"width\":960,\"height\":540},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Marcha \u00e0 R\u00e9\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/ce42cb57dabdd373c8a09b54d3ac5847\",\"name\":\"Thereza Rocha\",\"description\":\"Pesquisadora de dan\u00e7a e artes da cena; dramaturgista de processos de cria\u00e7\u00e3o. Doutora em Artes C\u00eanicas pela UNIRIO. Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela ECO|UFRJ. Na UFC, \u00e9 professora dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes, onde coordena o grupo de pesquisa Dramaturgias: o que quer e o que pode o corpo?. P\u00f3s-doutoranda no PPGAC da UFSJ, sob a supervis\u00e3o de Alberto Ferreira da Rocha J\u00fanior. Autora do livro O que \u00e9 dan\u00e7a contempor\u00e2nea? (Conex\u00f5es Criativas, 2016). Coautora do livro Di\u00e1logo|Dan\u00e7a (SENAC, 2012), junto com M\u00e1rcia Tiburi.\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/thereza-rocha\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Marcha \u00e0 R\u00e9","description":"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Marcha \u00e0 R\u00e9","og_description":"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_published_time":"2020-08-16T02:35:33+00:00","og_image":[{"width":960,"height":540,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Thereza Rocha","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@PressenzaIPA","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"Thereza Rocha","Tempo estimado de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/"},"author":{"name":"Thereza Rocha","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/ce42cb57dabdd373c8a09b54d3ac5847"},"headline":"Marcha \u00e0 R\u00e9","datePublished":"2020-08-16T02:35:33+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/"},"wordCount":2974,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg","keywords":["caderno de cultura","dan\u00e7a"],"articleSection":["\u00c1m\u00e9rica do Sul","Conte\u00fado Original","Cultura e M\u00eddia"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/","name":"Marcha \u00e0 R\u00e9","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg","datePublished":"2020-08-16T02:35:33+00:00","description":"DAN\u00c7A &nbsp; &nbsp; A marcha da hist\u00f3ria conhece v\u00e1rias marchas hist\u00f3ricas. Para citar apenas algumas: Marcha das Margaridas (trabalhadoras rurais),","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Avenida_Brasil_SP-Laerte-Gurgel.jpg","width":960,"height":540},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/marcha-a-re\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Marcha \u00e0 R\u00e9"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/ce42cb57dabdd373c8a09b54d3ac5847","name":"Thereza Rocha","description":"Pesquisadora de dan\u00e7a e artes da cena; dramaturgista de processos de cria\u00e7\u00e3o. Doutora em Artes C\u00eanicas pela UNIRIO. Mestre em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela ECO|UFRJ. Na UFC, \u00e9 professora dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em dan\u00e7a e do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Artes, onde coordena o grupo de pesquisa Dramaturgias: o que quer e o que pode o corpo?. P\u00f3s-doutoranda no PPGAC da UFSJ, sob a supervis\u00e3o de Alberto Ferreira da Rocha J\u00fanior. Autora do livro O que \u00e9 dan\u00e7a contempor\u00e2nea? (Conex\u00f5es Criativas, 2016). Coautora do livro Di\u00e1logo|Dan\u00e7a (SENAC, 2012), junto com M\u00e1rcia Tiburi.","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/thereza-rocha\/"}]}},"place":"Rio de Janeiro, Brasil","original_article_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1179880","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1898"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1179880"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1179880\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1179895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1179880"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1179880"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1179880"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}