{"id":1173060,"date":"2020-08-05T14:45:33","date_gmt":"2020-08-05T13:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1173060"},"modified":"2020-08-05T14:45:33","modified_gmt":"2020-08-05T13:45:33","slug":"a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/","title":{"rendered":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/reginadepaula.com.br\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Regina de Paula<\/a> \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ.<\/p>\n<p>Em 2018, concebeu <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/355120406\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Teko Haw Brasil<\/em><\/a>, a\u00e7\u00e3o que consistiu no desenho do contorno de um grande mapa do Brasil no solo asfaltado da Aldeia Maracan\u00e3 e na retirada do asfalto de seu interior, dando origem a uma planta baixa do pa\u00eds na terra. O trabalho contou com a parceria de membros da aldeia, artistas, alunas e alunos do Instituto de Artes da Uerj, al\u00e9m de tantos outros colaboradores.\u00b9<\/p>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/aldeia.rexiste\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Aldeia Maracan\u00e3<\/a> \u00e9 uma resist\u00eancia ind\u00edgena localizada na \u00e1rea do antigo Museu do \u00cdndio, ao lado do famoso est\u00e1dio Maracan\u00e3. Em 2013 a aldeia foi invadida, e o terreno asfaltado, numa opera\u00e7\u00e3o promovida pelo Estado que concedeu a \u00e1rea a um cons\u00f3rcio liderado pela Odebrecht. Em 2016 os ind\u00edgenas voltaram a ocupar o lugar, que hoje, reflorestado, \u00e9 um espa\u00e7o de troca de saberes dos povos origin\u00e1rios, em que vem sendo implantada a Universidade Ind\u00edgena Aldeia Maracan\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2212 Como e quando ocorreu o processo de aproxima\u00e7\u00e3o com a Aldeia Maracan\u00e3? Como se deu o encontro com Jos\u00e9 Urutau Guajajara?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 um acontecimento divisor de \u00e1guas na minha trajet\u00f3ria e j\u00e1 at\u00e9 escrevi a respeito: uma viagem a Jerusal\u00e9m no in\u00edcio de 2013. Vivenciar a cidade e a paisagem milenar, de alguma maneira, fez com que eu me voltasse para a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Primeiro comecei a abordar a quest\u00e3o da religi\u00e3o, da hist\u00f3ria, mais especificamente o cristianismo, que \u00e9 a minha bagagem religiosa; da\u00ed para a problem\u00e1tica da catequese foi um pulo.<\/p>\n<p>Pois bem, em 2017, resolvi come\u00e7ar um trabalho, filmando as manifesta\u00e7\u00f5es. Toda semana acontecia pelo menos uma. Assim foi que um belo dia, em 2017, me dirigi \u00e0 Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), acompanhada do fot\u00f3grafo Jo\u00e3o Pacca. Para minha surpresa, em meio ao ato que estava se armando, com carros de som, centrais sindicais, palavra de ordem, como que alheio a tudo e, ao mesmo tempo, totalmente conectado, mas muito absorto em sua pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o, um grupo de ind\u00edgenas acendeu uma fogueira, estendeu uma faixa com as palavras \u201cUniversidade Aldeia Marakan\u00e3\u201d e deu in\u00edcio a uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a ritual. Instigada, eu quis conhecer a tal aldeia .<\/p>\n<div id=\"attachment_1173150\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173150\" class=\"wp-image-1173150 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca-720x405.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Maraka-a\u0300na\u0300n-Joa\u0303o-Pacca-750x422.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173150\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. <em>Maraka \u00e0n\u00e0n, Maraka \u00e0n\u00e0n<\/em> (frame), 2017. Foto Jo\u00e3o Pacca<\/p><\/div>\n<p>J\u00e1 o encontro com Jos\u00e9 demorou um pouco. Nas minhas primeiras visitas \u00e0 resist\u00eancia encontrei outros ind\u00edgenas; alguns j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o mais l\u00e1, voltaram para suas aldeias de origem. Finalmente, encontrei o Z\u00e9 e a Potira Krikati Guajajara, e me lembro bem do dia em que conversamos mais longamente pela primeira vez, e quando, finalmente, comecei a realizar alguns trabalhos gerados por esse contato. \u00c9 importante destacar a sinergia da aldeia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 arte e, tamb\u00e9m, a presen\u00e7a de artistas e acad\u00eamicos da \u00e1rea de arte na aldeia. Como o Z\u00e9 sempre menciona, em n\u00famero bem mais expressivo do que antrop\u00f3logos, categoria cuja frequ\u00eancia ali seria de esperar.<\/p>\n<p><strong>\u2212 Certa vez voc\u00ea comentou que, pelo fato de ser professora em uma universidade cuja comunidade \u00e9 bastante ativa politicamente, est\u00e1 em contato com v\u00e1rios movimentos sociais, mas nunca se sentiu t\u00e3o bem acolhida como pelo pessoal da Aldeia. Ser\u00e1 uma peculiaridade desse grupo que a ocupa e ativa a <em>pluriversidade<\/em> ou talvez seja pr\u00f3prio da cultura dos povos origin\u00e1rios esse trato agrad\u00e1vel?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Bem, n\u00e3o posso generalizar, n\u00e3o sou antrop\u00f3loga. Imagino que os ind\u00edgenas aldeados tenham, de in\u00edcio, desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos brancos; eu teria, se fosse um deles. A Aldeia Maracan\u00e3 \u00e9 muito aberta; se voc\u00ea chegar bem-intencionado, n\u00e3o importa sua origem, credo, cor etc., ser\u00e1 bem acolhido; por isso, muitos que s\u00e3o rejeitados pela sociedade frequentam o lugar e acabam desenvolvendo um sentimento de pertencimento. \u00c9 certo que v\u00e3o observar por um tempo se voc\u00ea aparecer do nada, como foi o meu caso; mas s\u00e3o pessoas com radar para perceber as roubadas.<\/p>\n<p>Estou cursando L\u00edngua e cultura tupi-guarani com o Z\u00e9, uma das atividades remotas da Universidade Ind\u00edgena durante a pandemia. Numa aula ele disse que na l\u00edngua dele, originalmente, n\u00e3o existe uma palavra para agradecer, e acho que isso tem rela\u00e7\u00e3o com a troca, que lhes \u00e9 caracter\u00edstica. Ou seja, se voc\u00ea retribui, n\u00e3o precisa agradecer. Essa foi a minha conclus\u00e3o, \u00e9 um chute. Fato \u00e9 que uma vez a Potira disse que a aldeia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos ind\u00edgenas, \u00e9 de todos os brasileiros, pois \u00e9 a nossa hist\u00f3ria, a nossa ancestralidade, que est\u00e1 sendo preservada e cultivada.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173140\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173140\" class=\"wp-image-1173140 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Regina-de-Paula.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"585\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Regina-de-Paula.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Regina-de-Paula-300x171.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Regina-de-Paula-720x411.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Regina-de-Paula-768x439.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173140\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. Teko Haw Brasil (frame), 2018-2019. Drone Marcus Moura<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 Em 2013 voc\u00ea realizou uma exposi\u00e7\u00e3o intitulada E fiquei de p\u00e9 sobre a areia, com curadoria de Marcelo Campos, ap\u00f3s uma viagem a Jerusal\u00e9m. Seu processo criativo parece se dar por <em>insights<\/em> e <em>links<\/em>, estalos e conex\u00f5es. Do contato com a areia do deserto da Palestina\/Israel, em 2013, lhe veio a ideia de trabalhar com a <em>B\u00edblia<\/em>. No artigo \u201c<a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/ae\/article\/view\/27918\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jos\u00e9\/\/Urutau\/\/Guajajara: ave fantasma<\/a>\u201d\u00b2 voc\u00ea diz que foi \u201catropelada\u201d pelo tema dos povos origin\u00e1rios. Como pintou a ideia de fazer o <em>Teko Haw Brasil<\/em>?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Ent\u00e3o, sempre digo que as ideias me atropelam ou sobre mim despencam, como um fruto maduro. Essas conex\u00f5es v\u00e3o surgindo da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p><em>Teko Haw Brasil<\/em> \u00e9 resultado de minhas primeiras impress\u00f5es da aldeia. Desde o in\u00edcio fiquei impressionada com a gradual retirada do asfalto que foi colocado no terreno logo ap\u00f3s o ataque de 2013. Comecei, desde ent\u00e3o, a realizar alguns trabalhos com essa mat\u00e9ria, at\u00e9 que num dado dia de 2018 tive esta ideia \u2013 por que n\u00e3o realizar um trabalho no pr\u00f3prio terreno asfaltado da aldeia? Que tal desenhar ali o contorno de um mapa do Brasil e quebrar, retirar o asfalto, para revelar o que est\u00e1 encoberto, recuperando o solo da aldeia Brasil? Certos trabalhos j\u00e1 v\u00eam prontos, acho que s\u00e3o inconscientemente elaborados, mas quando aparecem, \u00e9 como um raio, uma vis\u00e3o. Ent\u00e3o tive certa urg\u00eancia em fazer logo, pois parecia t\u00e3o \u00f3bvio. Um dado importante e bonito \u00e9 que quando fui \u00e0 aldeia para dividir a ideia, para saber se haveria ades\u00e3o e tal, com muita pressa, pois estava a caminho da Uerj para dar uma aula, o Jos\u00e9 imediatamente come\u00e7ou a desenhar o mapa com umas pedrinhas. Felizmente me ocorreu registrar o momento numa foto com o celular. Ainda que prec\u00e1ria, \u00e9 uma imagem valiosa, que guardo com muito carinho.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173080\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173080\" class=\"wp-image-1173080 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/foto-celular-Regina-de-Paula.jpg\" alt=\"\" width=\"920\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/foto-celular-Regina-de-Paula.jpg 920w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/foto-celular-Regina-de-Paula-300x222.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/foto-celular-Regina-de-Paula-720x534.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/foto-celular-Regina-de-Paula-768x569.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 920px) 100vw, 920px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173080\" class=\"wp-caption-text\">Foto Regina de Paula<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 N\u00e3o lhe parece curioso o fato de a Aldeia ter sido asfaltada em 2013, ano em que voc\u00ea teve o estalo de come\u00e7ar a fazer incis\u00f5es descolonizadoras \u2013 me refiro a suas obras com a <em>B\u00edblia<\/em>, que me parecem tratar de soterramento das culturas dos povos origin\u00e1rios e seu ressurgimento pelas brechas, recortes, buracos. Poder\u00edamos considerar que a obra <em>Teko Haw Brasil<\/em> \u00e9 um levante? Um levante da terra?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Sim, de fato \u00e9 curioso, mas nunca havia pensado nessas b\u00edblias nesses termos, a primeira foi dessas ideias prontas, do nada; depois outras foram elaboradas no processo. J\u00e1 <em>Teko Haw Brasil<\/em> tem certa objetividade que n\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstica dos meus trabalhos, \u00e9 muito direto. Por outro lado, ao retirar o asfalto, camadas soterradas, abafadas, s\u00e3o reveladas, e ent\u00e3o o conceito pode se expandir.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1173193 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-2-Wilton-Montenegro.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-2-Wilton-Montenegro.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-2-Wilton-Montenegro-300x197.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><\/p>\n<div id=\"attachment_1173182\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173182\" class=\"wp-image-1173182 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Wilton-Montenegro.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Wilton-Montenegro.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Wilton-Montenegro-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173182\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. Teko Haw Brasil, 2018. Foto Wilton Montenegro<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 <em>Bandeiras<\/em> \u00e9 um v\u00eddeo seu de 2013, que acabou levando-a para a pol\u00edtica. Como isso se deu?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Veja bem, at\u00e9 pouco eu n\u00e3o tinha motiva\u00e7\u00e3o para acompanhar de perto certas quest\u00f5es; era o tipo da pessoa que abria o jornal e ia direto para o segundo caderno, depois passava os olhos nas manchetes e lia por cima uma mat\u00e9ria ou outra. Recentemente passei a me interessar mais por pol\u00edtica; acho que esse fen\u00f4meno aconteceu com parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira. Por outro lado, \u00e9 l\u00f3gico, tudo na vida \u00e9 pol\u00edtica. Hoje observo com interesse certas aproxima\u00e7\u00f5es da religi\u00e3o, ou melhor, da espiritualidade, com a pol\u00edtica, um entendimento por parte de religiosos de diversos matizes que n\u00e3o dissociam o mundo espiritual do estar-no-mundo. Tamb\u00e9m a de estudiosos de outros \u00e1reas, como a filosofia e a psican\u00e1lise, artistas como Emicida, ainda, principalmente, \u00e0 vis\u00e3o dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo <em><a href=\"https:\/\/reginadepaula.com.br\/pt\/obra\/bandeiras-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bandeiras<\/a><\/em> n\u00e3o foi planejado, sequer estava minimamente equipada na ocasi\u00e3o. Quando mirei tr\u00eas bandeiras tremulantes naquele s\u00edtio arqueol\u00f3gico no deserto de Negev, fiquei intrigada e intu\u00ed que ali havia uma quest\u00e3o. S\u00f3 depois fui pesquisar, mas at\u00e9 hoje n\u00e3o posso afirmar o que aquelas tr\u00eas bandeiras \u2013 israelense, da Unesco e uma terceira possivelmente pertencente \u00e0 unidade do ex\u00e9rcito daquele lugar, segundo informa\u00e7\u00e3o mais tarde colhida junto a uma ag\u00eancia de turismo \u2013 representam exatamente. Uma coincid\u00eancia bem interessante foi que nesse dia, para realizar o passeio, contratei um motorista, e assim conheci Mohamed, amigo de Edward Said. Enfim, acho que a arte \u00e9 um campo privilegiado para reflex\u00e3o; voc\u00ea pode simplesmente abordar uma quest\u00e3o sem a fechar; isso me interessa.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173170\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173170\" class=\"wp-image-1173170 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Bandeira-Regina-de-Paula.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Bandeira-Regina-de-Paula.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Bandeira-Regina-de-Paula-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173170\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. Bandeiras (frame), 2014<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 Voc\u00ea sempre trabalha com colabora\u00e7\u00f5es? Como \u00e9 a partilha de uma cria\u00e7\u00e3o t\u00e3o pessoal e \u00edntima com o coletivo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Meu trabalho muitas vezes, mas nem sempre, envolve diversos tipos de participa\u00e7\u00e3o para sua realiza\u00e7\u00e3o. Por muitos anos contei com estreita colabora\u00e7\u00e3o de Wilton Montenegro na realiza\u00e7\u00e3o de projetos, como, por exemplo, a s\u00e9rie de fotos performances que apresentei na exposi\u00e7\u00e3o Diante dos olhos, em 2016, no Pa\u00e7o Imperial, incluindo grande parte dos trabalhos realizados na Aldeia Maracan\u00e3, entre outros. A realiza\u00e7\u00e3o de <em>Teko Haw Brasil<\/em> envolveu, na retirada do asfalto, al\u00e9m de membros da aldeia, a participa\u00e7\u00e3o de muita gente, artistas, estudantes e professores do Instituto de Artes, al\u00e9m de quem foi aparecendo; j\u00e1 no v\u00eddeo, tive a parceria de Fabiano Araruna, Marcus Moura e Wilton Montenegro \u2212 que tamb\u00e9m fotografou todas as etapas \u2212, de In\u00eas de Ara\u00fajo na edi\u00e7\u00e3o, de Vitor Kruter no som direto e de Guilherme Farkas na edi\u00e7\u00e3o de som. Por outro lado, a cria\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria, o sil\u00eancio, esse momento precisa existir, mesmo quando trabalho com outras pessoas; \u00e9 algo que antecede o coletivo. Ent\u00e3o parto disso; depois, eventualmente, as ideias podem tomar outro rumo, sofrer interfer\u00eancias, como foi o caso de <em>Teko Haw Brasil<\/em>. Esse projeto tem um aspecto interessante: quando foi concebido estava no auge a discuss\u00e3o sobre lugar de fala no Brasil, ent\u00e3o fiquei muito atenta. Pois bem, desde o in\u00edcio, como falei acima, o Urutau acolheu minha ideia, concordou com a localiza\u00e7\u00e3o que eu havia imaginado para o trabalho na aldeia, mas inverteu a posi\u00e7\u00e3o do mapa, alegando que, de acordo com os pontos cardeais, que eu sequer havia considerado, estava na posi\u00e7\u00e3o errada. A partir de ent\u00e3o, v\u00e1rias decis\u00f5es foram tomadas conjuntamente, num processo muito rico, como a coloca\u00e7\u00e3o do marco temporal por Dilmar Puri, Jos\u00e9 Urutau Guajajara e Zawaruhu Marcelo Tembe e a realiza\u00e7\u00e3o, por Jos\u00e9 Urutau Guajajara, Potira Krikati Guajajara e Ywyrahu Guajajara, de um ritual dentro do <em>Teko Haw Brasil<\/em>, etapas que eu n\u00e3o havia previsto, mas que foram sendo estabelecidas em di\u00e1logo. Finalmente, o trabalho ganhou vida pr\u00f3pria, passou a ser incorporado a atividades da aldeia. No meio desse teko haw, ali no marco temporal, fogueiras foram realizadas, porque o Brasil est\u00e1 ardendo; em torno desse Brasil participei de rodas de marac\u00e1. Ou seja, o trabalho n\u00e3o \u00e9 mais meu, e isso me alegra. No mais, aquela terra asfaltada hoje floresce.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173203\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173203\" class=\"wp-image-1173203 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-3-Wilton-Montenegro.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-3-Wilton-Montenegro.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-3-Wilton-Montenegro-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173203\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. Teko Haw Brasil, 2018. Foto Wilton Montenegro<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 Areia, pedra, livro. Verdades de outrora, outros lugares. Povos do deserto, rodeados por uma infinidade de areia e pedra; sobre suas cabe\u00e7as reina absoluto o brilho ofuscante do sol. Seria o monote\u00edsmo um del\u00edrio do deserto \u2013 \u201cDeus\u201d \u00fanico, macho e raivoso, uma insola\u00e7\u00e3o coletiva? Como se pode enfiar um Deus desse no maior bioma do planeta Terra e esperar que os povos origin\u00e1rios, integrados \u00e0 beleza da diversidade, engulam essa hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Esta semana assisti ao filme <em>Ex-paj\u00e9<\/em>, <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2019\/01\/evangelizacao-e-ferramenta-para-dominar-territorios-indigenas-desde-1500\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a hist\u00f3ria de um ind\u00edgena paj\u00e9<\/a> que perde seus poderes ao entrar em contato com uma miss\u00e3o evangelizadora. \u00c9 um filme violento e melanc\u00f3lico, ao mesmo tempo muito delicado, e que come\u00e7a com uma cita\u00e7\u00e3o do antrop\u00f3logo e etn\u00f3grafo franc\u00eas Pierre Clastres: \u201cO etnoc\u00eddio n\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos homens, mas do seu modo de vida e pensamento\u201d. Isso me levou a pensar no que disse Jos\u00e9 Urutau Guajajara muito recentemente e que serve como resposta a sua pergunta: \u201cJ\u00e1 nos tiraram tudo, nos tiraram quase tudo, [mas] n\u00f3s temos coisa que voc\u00eas jamais v\u00e3o nos tirar, n\u00f3s temos o poder da espiritualidade, n\u00e3o v\u00e3o nos tirar, n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos aqui, nossos esp\u00edritos prim\u00e1rios, primeiros, j\u00e1 estavam aqui quando voc\u00eas invadiram essa terra, [n\u00f3s temos] o poder de constranger voc\u00eas apenas por <em>estarmos vivos<\/em>, voc\u00eas n\u00e3o conseguiram nos matar ainda, ent\u00e3o esse poder voc\u00eas n\u00e3o v\u00e3o nos tirar.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u2212 Voc\u00ea certa vez comentou que seu guia, em Bel\u00e9m, a levou ao muro que divide o territ\u00f3rio ocupado pelos israelenses na Palestina e lhe disse: \u201c&#8230;olha\u201d. Voc\u00ea olhou rapidamente, e ele repetiu, enf\u00e1tico, com um gesto largo de m\u00e3o espalmada: \u201cOlha!\u201d. Sete anos depois assistimos, perplexos, entre as mil cenas <em>ubuescas<\/em> a que nos for\u00e7aram a nos acostumar, o <em>despresidente<\/em> desfilando com a bandeira israelense em punho, em Bras\u00edlia, acenando para sua base fascistizada. Que rela\u00e7\u00f5es voc\u00ea tra\u00e7aria entre o apartheid que o palestino fez quest\u00e3o de lhe mostrar e os recentes ataques de deputados bolsonaristas \u00e0 Aldeia Maracan\u00e3?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Primeiramente, \u00e9 bom pontuar, que nosso despresidente, ao se apropriar da bandeira israelense ofende grande parte dos judeus. Dito isso, penso que a situa\u00e7\u00e3o da Palestina tem paralelos com a quest\u00e3o ind\u00edgena; nos dois casos trata-se de povos que v\u00eam sendo expulsos, empurrados, exclu\u00eddos. O ataque do deputado \u00e0 aldeia foi justamente o n\u00e3o reconhecimento do direito \u00e0 exist\u00eancia. Trata-se de um naco de terra para um povo espoliado que quer apenas cultivar e compartilhar sua cultura. O advogado da aldeia Ar\u00e3o Providencia Guajajara disse num encontro no Museu de Arte do Rio, no ano passado, \u201cn\u00f3s costumamos falar que somos os caseiros, n\u00f3s n\u00e3o somos propriet\u00e1rios e nem queremos romper esse princ\u00edpio constitucional, esses valores; nenhum ind\u00edgena \u00e9 contra (&#8230;). N\u00f3s n\u00e3o estamos lutando por propriedade\u201d, esclarecendo que a terra ind\u00edgena, diferentemente da posse civil, tem a quest\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o para os usos, os costumes e as tradi\u00e7\u00f5es; trata-se, ent\u00e3o, de \u201cdar destina\u00e7\u00e3o \u00e0 vida\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173214\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173214\" class=\"wp-image-1173214 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-5-Wilton-Montenegro.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"481\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-5-Wilton-Montenegro.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-5-Wilton-Montenegro-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173214\" class=\"wp-caption-text\">Teko Haw Brasil (frame). Foto Wilton Montenegro<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 Mudando um pouco de assunto: em 2017 convers\u00e1vamos com In\u00eas de Ara\u00fajo e voc\u00eas comentaram sobre o machismo no campo das artes visuais. Na segunda metade da \u00faltima d\u00e9cada as institui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas brasileiras se voltaram para o debate de g\u00eanero e das rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico raciais, bem como para a quest\u00e3o dos povos origin\u00e1rios. Como voc\u00ea v\u00ea a reverbera\u00e7\u00e3o disso em meio a seus alunos e na produ\u00e7\u00e3o dos jovens artistas que est\u00e3o chegando agora no circuito de arte? Na universidade, nas obras, houve mudan\u00e7a substancial de comportamento, no trato, na maneira de falar, no protagonismo negro, feminino ou ind\u00edgena ou se trata de moda passageira?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Olha, essa quest\u00e3o do machismo \u00e9 bem complicada e dif\u00edcil, est\u00e1 muito entranhada, perpassa todas as rela\u00e7\u00f5es. Eu sou de uma gera\u00e7\u00e3o da qual muitas artistas n\u00e3o se declaravam feministas, acreditando que isso atrapalharia a carreira; era muito chocante. Tenho a felicidade de dar aula na Uerj, onde certas transforma\u00e7\u00f5es e discuss\u00f5es s\u00e3o muito avan\u00e7adas, mas, mesmo assim, percebemos marcas do machismo e tantos outros preconceitos. Certamente houve uma mudan\u00e7a, at\u00e9 mesmo na fala, como o uso do g\u00eanero neutro, algo que vigora na nossa comunica\u00e7\u00e3o oral e escrita, pelo menos no Instituto de Artes.<\/p>\n<p>No mais, o feminismo est\u00e1 em todas as esferas, mesmo nas aldeias, hoje temos cacicas, mulheres paj\u00e9&#8230; e estamos falando de uma sociedade em que os pap\u00e9is de g\u00eanero tradicionalmente s\u00e3o muito definidos, embora isso n\u00e3o signifique, necessariamente, machismo. N\u00e3o acredito que essas mudan\u00e7as, apesar do momento atual, sejam moda passageira; vieram para ficar.<\/p>\n<p><strong>\u2212 De volta a 2013, em uma academia perto de casa, eu papeava sobre pol\u00edtica, argumentando que n\u00f3s, homens cariocas, perdemos muito tempo e dinheiro tentando parecer mais h\u00e9teros, mais ocidentais, mais brancos, m\u00e1sculos e pat\u00e9ticos; ent\u00e3o enquanto eu aguardava minha vaga no supino, malh\u00e1vamos os acordos do governador com a Odebrecht, quando ressaltei que a pior parte dessa hist\u00f3ria seria a remo\u00e7\u00e3o da Aldeia Maracan\u00e3. Pronto, a raiva de meu interlocutor virou para outro lado: \u201cAquilo \u00e9 um lixo, n\u00e3o tem nada de \u00edndio, \u00e9 um lugar para vagabundos e drogados; tem mais \u00e9 que virar estacionamento logo\u201d. O sujeito, entre uma s\u00e9rie e outra, parecia n\u00e3o s\u00f3 querer apagar seus tra\u00e7os evidentes de homoafetividade \u2013 que era o motor invis\u00edvel de nossa tagarelice \u2212 mas tamb\u00e9m seu fen\u00f3tipo mesti\u00e7o e ind\u00edgena. Que ideia \u00e9 esta, equivocada, de que \u201cse \u00e9 ind\u00edgena tem que voltar pro mato\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a ideia da maioria dos brasileiros; por isso eu penso que a quest\u00e3o ind\u00edgena da Aldeia Maracan\u00e3 \u00e9 ainda mais dif\u00edcil que a dos aldeados. Para muitos os ind\u00edgenas urbanos n\u00e3o t\u00eam direito \u00e0 terra, a um lugar na malha urbana, j\u00e1 que os consideram \u201cadaptados\u201d, s\u00f3 conseguindo assimilar a ideia do ind\u00edgena tutelado. Tem um texto muito interessante do Eduardo Viveiros de Castro, \u201cBrasil, pa\u00eds do futuro do pret\u00e9rito\u201d, que \u00e9 uma aula inaugural na PUC-Rio, em que ele discorre sobre o contato ind\u00edgena com o mundo dito ocidental e o desafio que \u00e9 gerir e controlar a transforma\u00e7\u00e3o. Esse protagonismo, que combate \u201co afastamento em rela\u00e7\u00e3o a si mesmo\u201d \u00e9 praticado pela Aldeia Maracan\u00e3; e, veja bem, at\u00e9 o advogado deles \u00e9 ind\u00edgena; isso vai contra muitos interesses. E \u00e9 justamente essa ponte, o di\u00e1logo entre a nossa cultura e a ind\u00edgena que me interessa, pois \u00e9 uma luta importante para a causa no geral, j\u00e1 que os ind\u00edgenas urbanos est\u00e3o, ainda que a sociedade tenha dificuldade em compreend\u00ea-los, de certo modo, mais protegidos que aqueles no alvo dos madeireiros, do agroneg\u00f3cio, dos garimpeiros. Ent\u00e3o cumprem um papel realmente importante, de dar voz a muitas quest\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u2212 Muito se fala de n\u00e3o viol\u00eancia \u2013 o site Pressenza tem uma predile\u00e7\u00e3o por essa forma de luta; tem-se a refer\u00eancia de Luther King, Gandhi e textos l\u00e1 de fora; pensa-se em sentar o bumbum no asfalto em posi\u00e7\u00e3o de l\u00f3tus diante da tropa de choque. A for\u00e7a da n\u00e3o viol\u00eancia, entretanto, despontou na minha frente de modo contundente quando o pessoal da Aldeia foi \u00e0 Alerj responder aos ataques de um certo deputado nazista que havia feito intimida\u00e7\u00f5es armadas a esse espa\u00e7o de resist\u00eancia. Com faixas, vestidos para a luta e acompanhados do pessoal da m\u00eddia independente e de artistas, sem fazer muito ru\u00eddo \u2013 s\u00f3 sua presen\u00e7a foi respons\u00e1vel por levar o <em>nazitropical<\/em> engravatado a ficar girando em torno do pr\u00f3prio eixo com olhos arregalados. A for\u00e7a da \u00e9tica venceu, evidenciando a covardia nua e crua dos brutamontes. Quem esteve presente, sentiu. N\u00e3o somos ing\u00eanuos, esse foi um pequeno cap\u00edtulo na longa luta da Aldeia Maracan\u00e3 e dos povos origin\u00e1rios. A arte \u00e9 uma aliada neste campo de batalha?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A tenacidade \u00e9 uma for\u00e7a; a presen\u00e7a de ind\u00edgenas e apoiadores da sociedade civil, seja na Alerj ou no TRF, tem at\u00e9 agora garantido a perman\u00eancia da aldeia na \u00e1rea ocupada. Como disse acima, citando Jos\u00e9 Urutau Guajajara, s\u00f3 o fato de existirem constrange.<\/p>\n<p>A arte n\u00e3o muda o mundo concretamente, mas acho que pode mexer com subterr\u00e2neos do pensamento e, finalmente, causar algum abalo. No caso da aldeia, expressiva parte dos apoiadores \u00e9 composta por artistas, ent\u00e3o podemos sim dizer que nesse campo de batalha a arte \u00e9 aliada.<\/p>\n<div id=\"attachment_1173224\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1173224\" class=\"wp-image-1173224 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Foto-Fabiano-Araruna.jpg\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Foto-Fabiano-Araruna.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Teko-Haw-Brasil-Foto-Fabiano-Araruna-300x169.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 720px) 100vw, 720px\" \/><p id=\"caption-attachment-1173224\" class=\"wp-caption-text\">Regina de Paula. Teko Haw Brasil (frame), 2018-2019. Foto Fabiano Araruna<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2212 Em 1999 voc\u00ea desenvolveu a s\u00e9rie de fotografias <a href=\"https:\/\/reginadepaula.com.br\/pt\/obra\/serie-nao-habitavel-sscc\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">N\u00e3o-habit\u00e1vel, imagens de galerias comerciais fechadas ap\u00f3s o hor\u00e1rio de circula\u00e7\u00e3o<\/a>, que evocam solid\u00e3o e inquieta\u00e7\u00e3o, sentimento de estranheza, de algo perturbador. Elas me remetem diretamente \u00e0quilo em que as empreiteiras tentaram transformar a Aldeia Maracan\u00e3: lugar de passagem, estacionamento, uma imensa pizza de asfalto, uma paisagem morta com \u2013 quando muito \u2013 uma lojinha de souvenirs de pl\u00e1stico da Copa do Mundo e da Olimp\u00edada, talvez vendendo algum artesanato ind\u00edgena. Percebo em seu trabalho um desejo de escavar, de revelar algo oculto, como disse Frederico Morais <a href=\"https:\/\/issuu.com\/andersoneleoterio\/docs\/livro_regina_de_paula_-_sobre_a_are\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em texto sobre sua obra<\/a>. Com seria essa ideia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aldeia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acho que a pergunta nos faz pensar na quest\u00e3o de nossa mem\u00f3ria, e o asfalto que as empreiteiras colocaram sobre o solo da aldeia tem tamb\u00e9m esse sentido, porque aquele lugar tem hist\u00f3ria, o solo tem hist\u00f3ria; foi para salgar a terra. Por isso a retirada do asfalto \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o poderosa; e quando os ind\u00edgenas voltaram a ocupar a aldeia, o primeiro gesto foi arrancar um bloco de asfalto.<\/p>\n<p>A nossa mem\u00f3ria desde 1500 tem sido soterrada. Como cantou o samba vencedor da Mangueira em 2019, \u201cDesde 1500 tem mais invas\u00e3o do que descobrimento\u201d, nos lembrando daqueles que n\u00e3o est\u00e3o mais presentes e que n\u00e3o devem ser esquecidos. Podemos ent\u00e3o encerrar nossa conversa com esses versos da minha escola.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Brasil, meu nego<\/em><br \/>\n<em>Deixa eu te contar<\/em><br \/>\n<em>A hist\u00f3ria que a hist\u00f3ria n\u00e3o conta<\/em><br \/>\n<em>O avesso do mesmo lugar<\/em><br \/>\n<em>Na luta \u00e9 que a gente se encontra.\u00b3<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00b9 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/355120406\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/vimeo.com\/355120406<\/a><br \/>\n\u00b2 Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/ae\/article\/view\/27918\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/revistas.ufrj.br\/index.php\/ae\/article\/view\/27918<\/a><br \/>\n\u00b3 \u201cHist\u00f3rias para ninar gente grande\u201d. G.R.E.S. Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira. De Deivid Dom\u00eanico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw Brasil, a\u00e7\u00e3o que consistiu no desenho do contorno de um grande mapa do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1825,"featured_media":1173160,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11390,112,159],"tags":[],"class_list":["post-1173060","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-conteudo-original","category-cultura-pt-pt","category-entrevista-pt-pt"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Pressenza\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-08-05T13:45:33+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"960\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"720\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Carlos Contente\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@contentestudio\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@PressenzaIPA\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Carlos Contente\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"19 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\"},\"author\":{\"name\":\"Carlos Contente\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836\"},\"headline\":\"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula\",\"datePublished\":\"2020-08-05T13:45:33+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\"},\"wordCount\":3896,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg\",\"articleSection\":[\"Conte\u00fado Original\",\"Cultura e M\u00eddia\",\"Entrevista\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\",\"name\":\"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg\",\"datePublished\":\"2020-08-05T13:45:33+00:00\",\"description\":\"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg\",\"width\":960,\"height\":720},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Accueil\",\"item\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"name\":\"Pressenza\",\"description\":\"International Press Agency\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization\",\"name\":\"Pressenza\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg\",\"width\":200,\"height\":200,\"caption\":\"Pressenza\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/\"},\"sameAs\":[\"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia\",\"https:\/\/x.com\/PressenzaIPA\"]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836\",\"name\":\"Carlos Contente\",\"description\":\"Carlos Contente \u00e9 artista pl\u00e1stico, professor e ama caf\u00e9.\",\"sameAs\":[\"https:\/\/www.instagram.com\/contentestudio\/\",\"https:\/\/x.com\/contentestudio\"],\"url\":\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/carlos-contente\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula","description":"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula","og_description":"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw","og_url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/","og_site_name":"Pressenza","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","article_published_time":"2020-08-05T13:45:33+00:00","og_image":[{"width":960,"height":720,"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Carlos Contente","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@contentestudio","twitter_site":"@PressenzaIPA","twitter_misc":{"Escrito por":"Carlos Contente","Tempo estimado de leitura":"19 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/"},"author":{"name":"Carlos Contente","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836"},"headline":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula","datePublished":"2020-08-05T13:45:33+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/"},"wordCount":3896,"publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg","articleSection":["Conte\u00fado Original","Cultura e M\u00eddia","Entrevista"],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/","name":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg","datePublished":"2020-08-05T13:45:33+00:00","description":"Regina de Paula \u00e9 artista e professora adjunta do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro \u2013 UERJ. Em 2018, concebeu Teko Haw","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Regina-de-Pauloa-Jose-Urutau-Guajajara-Acervo-Regina-de-Paula.jpg","width":960,"height":720},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/08\/a-artista-na-tensao-entre-a-terra-e-o-asfalto-conversa-com-regina-de-paula\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Accueil","item":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A artista na tens\u00e3o entre a terra e o asfalto. Conversa com Regina de Paula"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#website","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","name":"Pressenza","description":"International Press Agency","publisher":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#organization","name":"Pressenza","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/pressenza_logo_200x200.jpg","width":200,"height":200,"caption":"Pressenza"},"image":{"@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/PressenzaItalia","https:\/\/x.com\/PressenzaIPA"]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/#\/schema\/person\/50a2b2b460478f3470944fbaca4d4836","name":"Carlos Contente","description":"Carlos Contente \u00e9 artista pl\u00e1stico, professor e ama caf\u00e9.","sameAs":["https:\/\/www.instagram.com\/contentestudio\/","https:\/\/x.com\/contentestudio"],"url":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/author\/carlos-contente\/"}]}},"place":"Rio de Janeiro, Brasil","original_article_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1173060","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1825"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1173060"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1173060\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1173160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1173060"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1173060"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1173060"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}