{"id":1158745,"date":"2020-07-12T23:39:23","date_gmt":"2020-07-12T22:39:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1158745"},"modified":"2020-07-12T23:39:23","modified_gmt":"2020-07-12T22:39:23","slug":"muito-barulho-por-nada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/07\/muito-barulho-por-nada\/","title":{"rendered":"Muito barulho por nada"},"content":{"rendered":"<p>Faz-se necess\u00e1rio, antes de muito barulho por nada, dizer que o t\u00edtulo desse artigo foi emprestado do senhor William Shakespeare. Ainda que sejam inquestion\u00e1veis o valor das pe\u00e7as de Shakespeare, o que interessa aqui \u00e9 o seu valor de uso, o seu conte\u00fado simb\u00f3lico. Na pe\u00e7a h\u00e1 um personagem principal chamado Dogberry, um ser fant\u00e1stico em saber enganar, por se enganar tamb\u00e9m e com muito bom humor, com o uso de palavras incorretas que s\u00f3 pelo som parecem corretas, coisa que toma o que, lamentavelmente, se chama hoje de narrativas. Mas tudo bem, o personagem n\u00e3o era presidente da rep\u00fablica, era apenas o sujeito de uma Inglaterra entre os s\u00e9culos XVI e XVII. Faz tempo que, infelizmente, o palco das narrativas, e n\u00e3o o dos conhecimentos, roubam a cena da vida de todos n\u00f3s, seres humanos.<\/p>\n<p>\u00c9 inquestion\u00e1vel o quanto cada pe\u00e7a deste senhor provoca, simb\u00f3licas que s\u00e3o, conhecimentos, quest\u00f5es, pensamentos, sorrisos e choros nas pessoas. Afinal, as pessoas s\u00e3o a raz\u00e3o da vida em sociedade. Por isso \u00e9 de import\u00e2ncia come\u00e7ar por esta contribui\u00e7\u00e3o not\u00e1vel aqui neste pequeno artigo, por ela simbolizar este fen\u00f4meno hist\u00f3rico e universal da mistifica\u00e7\u00e3o narrativa e enganadora em contradi\u00e7\u00e3o com os conte\u00fados relativamente verdadeiros que o conhecimento produz em seu percurso de aproxima\u00e7\u00e3o relativa da verdade. Dogberry \u00e9 express\u00e3o de um sujeito social cujas narrativas s\u00e3o constru\u00eddas sob variadas est\u00e9ticas e bons humores, desprovidas de conte\u00fado. Pura ret\u00f3rica. Por\u00e9m, personagens assim vestem como luva as m\u00e3os invis\u00edveis de sujeitos cujos objetivos s\u00e3o ocultar as suas verdadeiras inten\u00e7\u00f5es e seus mais concretos interesses, dissimulando, pela forma narrativa, o seu pr\u00f3prio conte\u00fado. Aqui, a forma narrativa \u00e9 manifesta\u00e7\u00e3o de conte\u00fados que lhe s\u00e3o contradit\u00f3rios. O mundo das narrativas mistificadoras s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es das personas deste teatro shakespeariano da vida que ocultam o seu pr\u00f3prio conte\u00fado, antag\u00f4nico e latente. Toda narrativa \u00e9 a indument\u00e1ria de um conte\u00fado revestido. E, por isso, o conhecimento exige um mergulho nas profundezas desconhecidas que o mundo das narrativas reveste, transmuta e mistifica. Conhecer exige a desfigura\u00e7\u00e3o das personas, o desfolhar das m\u00e1scaras, o mergulho nos bastidores do teatro das narrativas e o reconhecimento dos personagens que precisam mistificar a vida para domin\u00e1-la.<\/p>\n<p>A vida em sociedade que temos, hist\u00f3rica e socialmente, tem sido imposta pelos poderosos, para que a grande maioria das pessoas sejam empurradas para se metamorfosearem em mercadorias. O mercado assume o grande palco fazendo padecer a vida e inexistir a dignidade. Mas n\u00e3o \u00e9 para todos as pessoas, n\u00e9? H\u00e1 desigualdades. Ent\u00e3o vamos ao mercado para pensar a vida.<\/p>\n<p>Um dos mais importantes cientistas sociais \u2013 para n\u00e3o dizer o mais importante para aqueles que vivem da venda de sua for\u00e7a de trabalho \u2013 fez a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: \u201cComo valores-de-uso, as mercadorias s\u00e3o, sobretudo, de qualidade diferente; como valores-de-troca s\u00f3 podem ser de quantidade diferente\u201d. Caramba, parece que estamos no mundo das quantidades que se sobrep\u00f5em absurdamente \u00e0s qualidades. Isso explica por que a quantidade absurda de produ\u00e7\u00e3o de um rem\u00e9dio, que comprovadamente n\u00e3o combate o novo coronav\u00edrus que toma o mundo, tenha organizado o presidente da rep\u00fablica com tanta estima pelo lucro, numa narrativa, digamos, dogberryana. Nesta pe\u00e7a teatral, a narrativa precisa mistificar o seu verdadeiro conte\u00fado. O objetivo fundamental \u00e9 o lucro com a venda de uma quantidade gigante de medicamentos que tem prazo de validade e que precisam ser vendidos n\u00e3o pelo seu valor de uso, mas pela fun\u00e7\u00e3o que assumem como mercadorias que, se vendidas, realizam os lucros. E n\u00e3o \u00e9 aqui, de novo, a mesma cena, a do lucro acima da vida?<\/p>\n<p>Mas, de qualquer forma, precisamos, avan\u00e7ar. Para al\u00e9m de crer na pot\u00eancia humana e na curiosidade por conhecimento, precisamos refletir um pouco sobre a nossa vida em sociedade: seres humanos e n\u00e3o humanos, nossas rela\u00e7\u00f5es com a Natureza, a transforma\u00e7\u00e3o dos valores de uso em mercadorias, a organiza\u00e7\u00e3o da cultura, da pol\u00edtica, da justi\u00e7a e do mercado. Pois \u00e9, este mercado que aparece t\u00e3o poderoso, que nos rouba a cena da vida e que transforma o nosso trabalho em mercadorias para o objetivo final de reproduzir os direitos dos lucros e n\u00e3o das vidas.<\/p>\n<p>O mercado: lugar onde as pessoas s\u00e3o livres para vender e para comprar. Vende quem tem mercadoria e compra quem tem dinheiro, que \u00e9 esta mercadoria especial por ter se tornado o espelho universal do valor de todas as outras. Afinal, com 10 reais o ser humano no Brasil pode comprar um picol\u00e9, dois l\u00e1pis, uma caneta, quem sabe at\u00e9 consegue uma quentinha ou fazer mais uma viagem de \u00f4nibus. Mas tudo isso n\u00e3o! Ser\u00e1 preciso escolher. O mercado \u00e9 este lugar que pressup\u00f5e indiv\u00edduos livres, iguais, propriet\u00e1rios e que trocam suas mercadorias. Mas \u00e9, j\u00e1 a\u00ed, curioso que uns tenham uma riqueza imensa de mercadorias para vender (os propriet\u00e1rios dos meios para produzi-las) e que outros, a grande maioria, s\u00f3 tenham o seu trabalho para vender. Dogberry nos agraciaria, talvez, com uma narrativa promissora sobre as cigarras e as formigas de seu tempo, sobre quem mereceu ou sobre quem foi escolhido pelos c\u00e9us para serem os ricos. Mas o conhecimento nos traz outra resposta. Esta resposta est\u00e1 no modo como produzimos na nossa sociedade e na mais-valia.<\/p>\n<p>O que as pessoas produzem por dia em seus trabalhos s\u00e3o propriedades do patr\u00e3o. E vejam, o patr\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um chefe, que pode ser um comandante do mato do s\u00e9culo XXI. O patr\u00e3o \u00e9 o dono, sua classe \u00e9 o conjunto de donos de tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio para produzir as mercadorias e \u00e9, tamb\u00e9m, o dono delas. No mercado ele compra a for\u00e7a de trabalho, a \u00fanica mercadoria que temos para vender. Assim, pelo regime jur\u00eddico que rege o mercado, ele passa a ser dono da for\u00e7a de trabalho. Por isso ele quer consumir a for\u00e7a de trabalho ao m\u00e1ximo. Mas por que? Porque a for\u00e7a de trabalho \u00e9 a \u00fanica mercadoria no mercado que, ao ser consumida, produz valor. N\u00e3o tem nenhuma outra! Rob\u00f4 n\u00e3o produz valor, m\u00e1quinas n\u00e3o produzem valor, eles s\u00f3 transferem valor para as mercadorias. Quem produz valor \u00e9 a for\u00e7a de trabalho e, por isso, o patr\u00e3o a enxerga como meio de valorizar e ampliar a sua riqueza. Mas para isso acontecer, o patr\u00e3o tem, tamb\u00e9m, que vender as mercadorias que a for\u00e7a de trabalho produziu. Mas como isso acontece?<\/p>\n<p>Ora, o trabalhador vende sua for\u00e7a de trabalho por um sal\u00e1rio, mas produz um valor muito, muito, muito maior do que o sal\u00e1rio que recebeu. Por exemplo, ele produz 5.000 mercadorias para uma f\u00e1brica por dia, mas recebe o equivalente a apenas uma destas mercadorias por dia. O valor das 4.999 mercadorias ficar\u00e3o com o patr\u00e3o. Isso significa que a mais-valia \u00e9 trabalho n\u00e3o pago, \u00e9 trabalho explorado. Foi o trabalhador que as produziu nas \u00e1rduas, duras, desgastantes e constrangedoras horas de sua vida vendidas como mercadoria. Ele produz, mas n\u00e3o pode usufruir dos frutos de seu pr\u00f3prio trabalho. O trabalhador, assim, produz todos os valores deste mundo: tanto o valor do sal\u00e1rio quanto o valor que excede ao seu sal\u00e1rio e que ser\u00e1 convertido em lucro. Muitos lucros. Bilion\u00e1rios lucros. Mas o regime jur\u00eddico do mundo do mercado os v\u00ea como cigarras e formigas.<\/p>\n<p>H\u00e1 not\u00f3rias e absurdas diferen\u00e7as entre as consequ\u00eancias para cada pessoa. Afinal, quem tem como \u00fanica mercadoria a for\u00e7a de trabalho para vender no mercado, sofre as maiores consequ\u00eancias do mundo organizado pela explora\u00e7\u00e3o. E o teatro de narrativas se imp\u00f5e com for\u00e7a a ocultar a verdade desta escravid\u00e3o contempor\u00e2nea, ajudando a mant\u00ea-la. E esse mundo \u00e9 assim organizado pela pol\u00edtica, pela justi\u00e7a e pela cultura impostas. Essas s\u00e3o criadas por quem quer manter o poder e destruir o amor. Este amor coletivo, t\u00e3o importante para que a vida se torne vida, n\u00e3o coisa comprada e vendida, e assuma o lugar central para o pensamento coletivo, fazendo valer a palavra solidariedade em quaisquer narrativas.<\/p>\n<p>Ou seja, nossos desafios s\u00e3o grandes nesse momento. Para al\u00e9m de organizar o conhecimento acumulado, \u00e9 preciso organizar-se. N\u00e3o \u00e9 natural sofrer, adoecer e morrer por for\u00e7as criadas socialmente e, como no Brasil, principalmente pelas a\u00e7\u00f5es irrespons\u00e1veis e que organizam o lucro acima da vida. Para quem nasceu, viver e morrer s\u00e3o fen\u00f4menos naturais. Mas nada de natural h\u00e1 em como se vive e em como se morre. E em pa\u00edses como o nosso s\u00e3o principalmente as pessoas negras, ind\u00edgenas, que moram em periferia, as que sofrem o maior peso. Mas essa lament\u00e1vel realidade n\u00e3o \u00e9 mais realista que o fato desta grande maioria de pessoas sofrerem as p\u00e9ssimas consequ\u00eancias do peso da organiza\u00e7\u00e3o social para a explora\u00e7\u00e3o. Assim, desaparecem direitos, alegrias e dignidades. E n\u00f3s, ou conquistamos a vida com dignidade em uma grande escala, pela intelig\u00eancia coletiva comprometida com o verdadeiro e com a liberdade, ou sofreremos no tempo vendo a banda passar. O otimismo da vontade grita forte: \u00e9 poss\u00edvel organizar, avan\u00e7ar, mudar o mundo e fazer existir a dignidade humana. Ent\u00e3o vamos fazer muito barulho por tudo que h\u00e1 e pode haver a favor da vida!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Faz-se necess\u00e1rio, antes de muito barulho por nada, dizer que o t\u00edtulo desse artigo foi emprestado do senhor William Shakespeare. 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