{"id":1145891,"date":"2020-06-28T03:53:28","date_gmt":"2020-06-28T02:53:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1145891"},"modified":"2020-06-28T11:37:02","modified_gmt":"2020-06-28T10:37:02","slug":"sobre-as-montanhas-de-selaron-conversa-com-ana-klaus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/06\/sobre-as-montanhas-de-selaron-conversa-com-ana-klaus\/","title":{"rendered":"Sobre as montanhas de Selar\u00f3n. Conversa com Ana Klaus"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">ARTES VISUAIS<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u2013Ana\u00b9, conte-nos um pouco de sua trajet\u00f3ria e de como a pandemia est\u00e1 te afetando.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013As minhas primeiras experi\u00eancias art\u00edsticas foram ainda durante a gradua\u00e7\u00e3o, junto ao Coletivo 13 numa noite que a princ\u00edpio reunia estudantes de artes da EBA UFRJ e da UERJ. O in\u00edcio dos anos 2000 no Rio de Janeiro foi marcado por uma crescente organiza\u00e7\u00e3o de coletivos e eventos art\u00edsticos de car\u00e1ter experimental em que a realiza\u00e7\u00e3o de performances adquiriam contornos de interven\u00e7\u00e3o urbana e ocupavam espa\u00e7os em que a arte institucional n\u00e3o era atuante. Neste sentido, parte da minha forma\u00e7\u00e3o foi \u201cao vivo\u201d atuando no espa\u00e7o p\u00fablico, estabelecendo contato com artistas independentes e outros coletivos, um deles foi o Fil\u00e9 de Peixe. A diversidade de linguagens e a troca intelectual que havia nestes encontros em que participavam cineclubes, grupos de poesia, m\u00fasicos, artistas do corpo e tantas outras formas de express\u00e3o, foram fundamentais para fortalecer minha compreens\u00e3o da pluralidade do fazer art\u00edstico. Concomitante a essas viv\u00eancias pude performar em outros estados brasileiros atrav\u00e9s de editais de resid\u00eancia art\u00edstica e festivais de performance, conhecendo artistas que comp\u00f5e at\u00e9 hoje minha rede de contatos e trocas art\u00edstico-afetivas. <em>\u201cO coletivo n\u00e3o anula o indiv\u00edduo\u201d<\/em> a frase impressa no p\u00fablico por meio de um carimbo durante uma performance do Coletivo 13 numa noite, \u00e9 a transdu\u00e7\u00e3o perfeita da dissolu\u00e7\u00e3o natural do grupo, j\u00e1 que cada artista seguiu com suas pesquisas pessoais. A experi\u00eancia em coletivos foi fundamental para mim, uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio catalizador dos processos criativos e acredito que fortalece a consci\u00eancia da classe art\u00edstica enquanto profissionais da cultura.<\/p>\n<p>Sou professora-artista atuando no segundo segmento do ensino b\u00e1sico do col\u00e9gio Pedro II e busco aproximar a doc\u00eancia da minha pr\u00e1tica art\u00edstica. Minhas aulas e projetos s\u00e3o pensados para apresentar trabalhos de artistas contempor\u00e2neos aos discentes provenientes de diversas classes sociais e regi\u00f5es do estado do Rio de Janeiro. Aproxim\u00e1-los do universo discursivo-visual da arte contempor\u00e2nea, conhecer e experimentar a curadoria e a produ\u00e7\u00e3o de um evento de arte, s\u00e3o alguns dos objetivos do projeto de inicia\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural: <em>Ef\u00eamera \u2013 Semana de Arte Contempor\u00e2nea<\/em> que coordeno junto com o professor-curador Raphael Fonseca, no campus Engenho Novo II. Outro projeto que coordeno no campus \u00e9 o <em>Cartografias Expressivas<\/em>, este em colabora\u00e7\u00e3o Carla Albuquerque, professora da gradua\u00e7\u00e3o em medicina da UNIRIO, e que conheci durante a especializa\u00e7\u00e3o em Arteterapia. Juntas desenvolvemos um projeto de oficinas voltadas para a integra\u00e7\u00e3o sa\u00fade e arte-educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_1145914\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1145914\" class=\"wp-image-1145914 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8-720x406.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8-768x433.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-8-750x422.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1145914\" class=\"wp-caption-text\">Sobre as montanhas de Selar\u00f3n. Fotografia. 2019.<\/p><\/div>\n<p>Em 1977 o artista <a href=\"http:\/\/www.ivaldgranato.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ivald Granato<\/a> criou um cartaz com a frase <em>\u201cadote um artista, n\u00e3o deixe ele virar professor\u201d<\/em>. A cr\u00edtica quanto a necessidade de fomento do trabalho dos artistas permanece atual, sendo agora acrescida de uma preocupa\u00e7\u00e3o: como ser\u00e3o as atividades culturais e de trocas interpessoais no p\u00f3s-pandemia?<\/p>\n<p>No momento as aulas est\u00e3o suspensas por conta do COVID-19 e o trabalho remoto est\u00e1 sendo direcionado para pensar a doc\u00eancia ap\u00f3s a crise sanit\u00e1ria. Eu fa\u00e7o parte de uma parcela privilegiada da popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 recebendo sal\u00e1rio e realizando o trabalho em casa, por\u00e9m n\u00e3o ignoro a grave situa\u00e7\u00e3o dos artistas e outros profissionais liberais diante do desmonte do minist\u00e9rio da cultura e da pandemia, que est\u00e3o sem perspectivas de retorno ao trabalho.<\/p>\n<p>Voltando no trabalho do Ivald Granato \u00e9 poss\u00edvel perceber que a precariza\u00e7\u00e3o dos profissionais das artes n\u00e3o \u00e9 recente, desde 2016 os projetos de fomento e aparelhos p\u00fablicos de cultura e arte-educa\u00e7\u00e3o tem sido cada vez mais escassos ou vem sofrendo cortes de or\u00e7amento que inviabilizam a continuidade dos trabalhos. Muitos artistas brasileiros exercem a doc\u00eancia n\u00e3o por op\u00e7\u00e3o, mas por necessidade de obter uma renda b\u00e1sica para continuar produzindo e apesar de acreditar no potencial positivo da aproxima\u00e7\u00e3o do artista com a doc\u00eancia \u00e9 preciso reconhecer que o campo de atua\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o possui suas especificidades e conciliar as duas profiss\u00f5es exige um esfor\u00e7o extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Em setembro de 2019 voc\u00ea realizou um trabalho em meio aos turistas e transeuntes que frequentam a escadaria Selar\u00f3n, cart\u00e3o postal da Lapa, no Rio de Janeiro. As pessoas viram aquela artista vestida de vermelho e decalcando exaustivamente os azulejos da escada. A a\u00e7\u00e3o fez parte da exposi\u00e7\u00e3o \u201cQuem sobe esta escada?\u201d\u00a0 e nela reparei que voc\u00ea se referencia em uma cadeia de montanhas. Como foi o processo de cria\u00e7\u00e3o da performance e qual sua rela\u00e7\u00e3o com a montanha.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Conheci a <em>Casa da escada colorida<\/em> em 2019 a partir do convite do Bruno Girardi e das curadoras Camila Pinho e Rachel Balassiano para realizar uma performance durante a abertura da exposi\u00e7\u00e3o <em>\u201cQuem sobe essa escada?\u201d<\/em>. A ideia inicial era realizar uma performance que pudesse criar uma conex\u00e3o entre os espa\u00e7os da escada (fora) e a casa (dentro). A exposi\u00e7\u00e3o coletiva tamb\u00e9m contava com a sua participa\u00e7\u00e3o e a de Rafael Adorj\u00e1n.<\/p>\n<div id=\"attachment_1145994\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1145994\" class=\"wp-image-1145994 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Escadaria-Selaron-Rodrigo-Martinez.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Escadaria-Selaron-Rodrigo-Martinez.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Escadaria-Selaron-Rodrigo-Martinez-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Escadaria-Selaron-Rodrigo-Martinez-720x478.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Escadaria-Selaron-Rodrigo-Martinez-768x510.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-1145994\" class=\"wp-caption-text\">Escadaria Selaron, Lapa. Foto Rodrigo Martinez<\/p><\/div>\n<p>A <a href=\"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/05\/quem-ja-subiu-essa-escada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Casa da escada colorida<\/a> est\u00e1 localizada na escadaria Selar\u00f3n, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Jorge Selar\u00f3n foi um artista chileno que na d\u00e9cada de 1990 se instalou em uma das casas da escadaria que atualmente leva seu nome. Ele ficou conhecido pelo trabalho em mosaico de azulejos aplicado em toda a extens\u00e3o da escada que liga o bairro a Santa Teresa.<\/p>\n<p>Ao investigar as imagens dos azulejos encontrei afixados no espelho de um dos degraus da escada um conjunto de pe\u00e7as coloridas e em alto relevo, reproduzindo uma paisagem montanhosa. Desde 2014 realizo um invent\u00e1rio de paisagens reais ou imagin\u00e1rias relacionadas \u00e0 montanha, compondo uma cole\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias pessoais e coletivas acerca dessa imagem. Iniciei o invent\u00e1rio realizando performances em que ouvia sobre as montanhas de outras pessoas e posteriormente fui buscando refer\u00eancias na hist\u00f3ria da arte, na literatura, cinema&#8230; e depois de certo tempo de pesquisa durante o mestrado, passei a receber \u201cdoa\u00e7\u00f5es\u201d espont\u00e2neas de montanhas. Ent\u00e3o fiquei surpresa por encontrar o conjunto de azulejos na escadaria bem pr\u00f3ximo \u00e0 Casa e motivada a criar uma s\u00e9rie de trabalhos para a exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Montanhas, pinheiros, vales e rios foram transferidos para o papel em desenhos por meio da t\u00e9cnica da frotagem e este procedimento de repeti\u00e7\u00e3o da imagem traduzida em linhas revelou-se como um movimento de resgate da mem\u00f3ria de uma poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o existente entre o criador da escada e a imagem da montanha. Enquanto eu passava algumas horas sentada na escada fazendo a transfer\u00eancia do relevo para o papel, grupos de turistas paravam para assistir e conversar, trazendo para essa dimens\u00e3o do \u201cfazer\u201d uma integra\u00e7\u00e3o da escadaria com a <em>Casa da escada colorida,<\/em> antes mesmo da abertura da <a href=\"https:\/\/artrio.com\/agenda\/quem-sobe-essa-escada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">exposi\u00e7\u00e3o<\/a>. Esse trabalho, portanto, desdobra-se na s\u00e9rie <em>Sobre as montanhas de Selar\u00f3n<\/em>, que inclui os desenhos em frotagem do conjunto de azulejos, na performance que realizei no dia da abertura e na qual fiz a frotagem da escadaria, resultando em um desenho de 5 metros e a fotografia colorida em tamanho real dos azulejos da escadaria.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como os turistas da escadaria receberam a sua performance?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A abertura aconteceu num s\u00e1bado de sol e \u00e0 tarde, neste dia era feriado de 7 de setembro e j\u00e1 havia acontecido pela manh\u00e3 o desfile militar na Av. Presidente Vargas. Diante de um contexto b\u00e9lico de aumento do nacionalismo e de pautas conservadoras, arrisco dizer que foi um dos dias mais movimentados na escada, al\u00e9m de muitos turistas estrangeiros, havia tamb\u00e9m turistas da pr\u00f3pria cidade e do Brasil. A escada fica disputada, muitos fazem fila para tirar fotos enquanto outros se sentam nos degraus para descansar ou jogar conversa fora. Fazer performance na rua \u00e9 sempre um desafio, gera uma ansiedade boa, uma expectativa. Durante seis anos fazendo performance com as artistas Ade Evaristo e Marcela Antunes (tamb\u00e9m do Coletivo 13 numa noite) me ensinaram que a rua \u00e9 imprevis\u00edvel e a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico pode ser muito positiva ou n\u00e3o, portanto uma rede de apoio \u00e9 importante para perceber o \u201cclima\u201d de fora, j\u00e1 que muitas vezes quando estou performando tenho uma percep\u00e7\u00e3o diferente dos acontecimentos. Por exemplo, enquanto eu estava concentrada fazendo a frotagem das pedras e azulejos da escada, me disseram que um homem se aproximou do papel e ficou investigando os desenhos de forma agressiva. Eu n\u00e3o vi isso acontecer&#8230; algumas fotografias que me enviaram depois mostravam pessoas colaborando para o papel n\u00e3o amassar e crian\u00e7as brincando de atravessar o papel, saltando de um lado a outro. Eu achei a recep\u00e7\u00e3o muito boa, as pessoas acolheram o trabalho&#8230;cederam espa\u00e7o para minha passagem, aguardaram o t\u00e9rmino da a\u00e7\u00e3o para continuar suas fotos ou passeio pela Lapa.<\/p>\n<div id=\"attachment_1145894\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1145894\" class=\"wp-image-1145894 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Colletif-les-enfants.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Colletif-les-enfants.jpg 800w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Colletif-les-enfants-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Colletif-les-enfants-720x540.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Colletif-les-enfants-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><p id=\"caption-attachment-1145894\" class=\"wp-caption-text\">Selaron. Foto Colletif les enfants.<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013 O teu trabalho tamb\u00e9m pode ser considerado uma cartografia expressiva?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 uma dimens\u00e3o biogr\u00e1fica nos meus trabalhos. O meu interesse pela imagem da montanha est\u00e1 relacionado a uma mem\u00f3ria da minha inf\u00e2ncia e durante o mestrado em processos art\u00edsticos pude me aprofundar na dimens\u00e3o po\u00e9tica e psicol\u00f3gica dessa lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>Quando apliquei o projeto para o mestrado eu j\u00e1 tinha parte dessas investiga\u00e7\u00f5es feitas em resid\u00eancias art\u00edsticas \u2013 momento que realizo uma performance em que eu escuto a montanha de outras pessoas e as registro em videodepoimentos. Fiz a performance em resid\u00eancias art\u00edsticas no Esp\u00edrito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e durante a realiza\u00e7\u00e3o da coleta de videodepoimentos recebi muitas lembran\u00e7as, sugest\u00f5es de filmes e livros&#8230; Inspirada pelo trabalho do historiador Aby Warburg, fui formando uma esp\u00e9cie de invent\u00e1rio, uma cole\u00e7\u00e3o de imagens pessoais e coletivas, por isso quando comecei a escrever a disserta\u00e7\u00e3o ficou claro para mim que este trabalho desdobra-se em uma heterobiografia, no encontro das minhas montanhas com as de outras pessoas.<\/p>\n<p><strong>\u2013 O que \u00e9 a montanha para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A montanha para mim \u00e9 como um ponto de vista, um lugar do qual eu posso ter outras perspectivas e tecer reflex\u00f5es que s\u00e3o parte do meu processo criativo. Quando houve o an\u00fancio do isolamento social para conter o Corona v\u00edrus decidi ler o livro <em>A montanha m\u00e1gica<\/em> do Thomas Mann \u2013 como uma estrat\u00e9gia art\u00edstico-liter\u00e1ria para atravessar a quarentena, j\u00e1 que o livro possui mais de 800 p\u00e1ginas e fazia parte da minha biblioteca desde 2015, quando foi indicado para mim pela artista Joana Quiroga durante a resid\u00eancia art\u00edstica na Esta\u00e7\u00e3o Rural de Arte e Tecnologia- Nuvem, no Rio de Janeiro. Gosto de pensar nesse intervalo de tempo entre a resid\u00eancia art\u00edstica e os cinco anos depois em que me abro para a possibilidade de realizar uma leitura performativa deste livro. Vou explorando essa hist\u00f3ria como quem trilha caminhos na montanha e escrevendo um di\u00e1rio em que relaciono algumas passagens \u00e0 sentimentos e impress\u00f5es pessoais sobre os acontecimentos pol\u00edticos, sociais e humanit\u00e1rios, no decorrer da crise sanit\u00e1ria no Brasil.<\/p>\n<div id=\"attachment_1145934\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1145934\" class=\"wp-image-1145934 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-6.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-6.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-6-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-6-720x480.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Ana-Klaus-6-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1145934\" class=\"wp-caption-text\">Sobre as montanhas de Selar\u00f3n. Registro de performance por Ade Evaristo. 2019.<\/p><\/div>\n<p><strong>\u2013 H\u00e1 alguma refer\u00eancia \u00e0 ideia de ascens\u00e3o na montanha, ou como representa\u00e7\u00e3o de n\u00edveis elevados?<\/strong><\/p>\n<p>Diria que h\u00e1 n\u00edveis de profundidade e altitude, mas n\u00e3o sei se compreendi bem sua pergunta. Que tipo de ascens\u00e3o? Geogr\u00e1fica? Espiritual?<\/p>\n<p><strong>\u2013 Espiritual. As montanhas como representa\u00e7\u00f5es de n\u00edveis mais elevados, as grandes aspira\u00e7\u00f5es que guiam a humanidade em determinados momentos hist\u00f3ricos.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 At\u00e9 o momento n\u00e3o busquei nenhuma experi\u00eancia espiritual em montanhas. Acho muito interessante a percep\u00e7\u00e3o sobre a montanha como um lugar de transcend\u00eancia, revela o potencial arquet\u00edpico dessa imagem. Durante a minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado relatei uma passagem muito curiosa na minha vida pessoal. Eu fiz primeira comunh\u00e3o em uma igreja cat\u00f3lica chamada Nossa Senhora de Lourdes, que fica em Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Essa igreja possui um conjunto arquitet\u00f4nico ecl\u00e9tico, uma fachada com inspira\u00e7\u00e3o romana e o interior rico em detalhes decorativos, ab\u00f3badas decoradas com pinturas, grandes lustres pendentes e vitrais coloridos ao longo da nave. Logo atr\u00e1s do altar h\u00e1 a reprodu\u00e7\u00e3o de uma gruta em que h\u00e1 a apari\u00e7\u00e3o da santa Lourdes para a jovem Bernadete. Desde crian\u00e7a sempre fui muito encantada por esse altar, que exibe o simulacro de uma natureza sagrada e misteriosa. Lembro-me de que gostava de passar muito tempo olhando cada detalhe da arquitetura, a express\u00e3o no rosto das imagens escult\u00f3ricas espalhadas no interior da igreja, as vestimentas e os m\u00e1rmores coloridos, dos quais gostava de sentir a textura e a temperatura. A igreja era como um museu para mim. Acessar o arquivo de fotos de fam\u00edlia e perceber que essa liga\u00e7\u00e3o com as montanhas podia ser mais antiga do que eu imaginava me deixou surpresa. A amplitude de leituras e recortes poss\u00edveis para investiga\u00e7\u00f5es acerca da imagem da montanha s\u00e3o imensas e isso \u00e9 \u00f3timo, quase todo mundo tem uma hist\u00f3ria com montanha para contar.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Se a montanha n\u00e3o vem a Maom\u00e9; Andes, Himalaias, Serra dos \u00d3rg\u00e3os&#8230; H\u00e1 alguma cordilheira na mira do teu processo criativo&#8230; assim que a economia permitir?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Tenho vontade de conhecer algumas das paisagens que ambientam as obras de artistas e escritores que fazem parte do meu invent\u00e1rio po\u00e9tico de montanhas. Ent\u00e3o gostaria de conhecer o Monte Santa Vit\u00f3ria na Fran\u00e7a &#8211; monte pelo qual C\u00e9zanne revelou sua obsess\u00e3o e tentou captar as for\u00e7as da paisagem em mais 40 pinturas, aquarelas e desenhos. Essa montanha de C\u00e9zanne foi a primeira que tive contato como refer\u00eancia da hist\u00f3ria da arte para iniciar o invent\u00e1rio po\u00e9tico, que segue em processo. Tenho muita vontade de ir a Itabira \u2013 MG, tentar recompor a paisagem retratada na poesia de Carlos Drummond de Andrade e modificada ao longo dos anos pela minera\u00e7\u00e3o das montanhas. Gostaria de conhecer um vulc\u00e3o tamb\u00e9m e esse desejo foi despertado a partir da paisagem gelada da Isl\u00e2ndia retratada do livro <em>A Desumaniza\u00e7\u00e3o<\/em> de Valter Hugo M\u00e3e. E agora a montanha que estou em contato \u00e9 a da hist\u00f3ria da <em>Montanha M\u00e1gica<\/em> que se passa no Alpes Su\u00ed\u00e7os, ser\u00e1 que a economia permite?<\/p>\n<div class=\"post-gallery\">\n\t\t\t<figure class=\"post-gallery-item\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ana-klaus4-720x480.jpg\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<figcaption>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t<figure class=\"post-gallery-item\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ana-klaus-1-720x480.jpg\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<figcaption>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t<figure class=\"post-gallery-item\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ana-klaus-2-720x480.jpg\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<figcaption>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t<figure class=\"post-gallery-item\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ana-klaus-3-720x481.jpg\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<figcaption>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<\/figure>\n\t\t\t<figure class=\"post-gallery-item\">\n\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ana-klaus-5-720x481.jpg\" loading=\"lazy\">\n\t\t\t\t<figcaption>\n\t\t\t\t\t\n\t\t\t\t<\/figcaption>\n\t\t\t<\/figure><\/div>\n<hr \/>\n<h6>\u00b9 Ana Klaus ou Ana Cl\u00e1udia Menezes, \u00e9 formada em licenciatura em Artes pela EBA-UFRJ, especialista em Arteterapia pela cl\u00ednica POMAR, mestre em Estudos Contempor\u00e2neos das Artes pela UFF e arte educadora do Col\u00e9gio Pedro II. 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