{"id":1145879,"date":"2020-06-28T03:54:19","date_gmt":"2020-06-28T02:54:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1145879"},"modified":"2020-06-28T02:00:45","modified_gmt":"2020-06-28T01:00:45","slug":"as-mangueiras-da-rua-florentina-ja-nao-existem-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/06\/as-mangueiras-da-rua-florentina-ja-nao-existem-mais\/","title":{"rendered":"As mangueiras da Rua Florentina j\u00e1 n\u00e3o existem mais"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CR\u00d4NICA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A vitrolinha toca Stevie Wonder &#8220;All is fair in love&#8221;. Tomo um copo gigante de groselha enquanto olho o disco de vinil girar. Era ver\u00e3o de 1973, muito calor. Minhas primas mais velhas, F\u00e1tima e Cristina, me acompanhavam, simulando uma dan\u00e7a, coladas aos travesseiros. Todas janelas estavam abertas e o vento circulava na casa da rua Florentina.<\/p>\n<p>A Mangueira \u00e9 origin\u00e1ria da \u00cdndia e foi trazida ao Brasil pelos portugueses. Eu n\u00e3o sabia disso quando cheguei para morar em naquela enorme casa rosada, cercada delas.\u00a0\u00a0 Est\u00e1vamos voltando de Juiz De Fora, onde meu pai trabalhou por alguns anos como ferrovi\u00e1rio e a parada naqueles meses, na casa da minha bisav\u00f3, era nossa \u00fanica op\u00e7\u00e3o. Com ajuda dela, meu pai conseguiria alugar uma pequena casa de fundos, em Oswaldo Cruz, n\u00e3o muito longe dali, onde passaria os anos finais da adolesc\u00eancia.\u00a0\u00a0 Mas foi l\u00e1 nessa casa rosada, cercada de verde, com que retorna a mem\u00f3ria, sempre.<\/p>\n<p>A casa, cor de rosa,cercada de \u00e1rvores, seria onde passaria os fins de semana de boa parte da minha inf\u00e2ncia, assistiria minhas primas se tornarem lindas mulheres e se casarem. Minha bisav\u00f3 Iracema, havia comprado o im\u00f3vel os anos quarenta, assim que chegou ao Rio. Ela e seu companheiro Euclides, 22 anos mais jovem, soldado que ficou anos na base de Natal ser embarcado para It\u00e1lia \u2013 mas nunca foi a guerra \u2013 era meu padrinho de batismo e minha melhor companhia na inf\u00e2ncia. Cresci com suas hist\u00f3rias de guerras e paz, tamb\u00e9m sua frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter lutado na guerra. Seu capacete, que levou do quartel como recorda\u00e7\u00e3o era verde oliva, desbotado e muito pesado. Quase n\u00e3o aguentava quando ele colocava em mim para me fazer gostar da ideia de ser militar.<\/p>\n<p>No terreno da grande casa, plantaram seis mangueiras e tr\u00eas jambeiros de cada lado da entrada, que coloria o ch\u00e3o de rosa em todas as floradas. Eles fizeram um pomar nos fundos, que era acess\u00edvel por uma escada longa de cimento \u2013 e que eu tinha medo de ir porque diziam que havia uma cobra que devorava crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m em todo terreno farturas de goiaba, pitanga, jamel\u00e3o e jabuticaba. Uma vez ganhei uma barraca e l\u00e1 acampei na frente da casa, brincava com meus carrinhos naquele imenso terreno que desaparecia at\u00e9 a rua Florentina, onde um muro de grades negras me protegia dos perigos da vida. O caso Carlinhos, um sequestro de crian\u00e7a que abalou o pa\u00eds naquela \u00e9poca, fazia meus av\u00f3s redobrar a vigil\u00e2ncia. Estava, deliciosamente preso em um para\u00edso.<\/p>\n<p>Tudo era imenso na minha mem\u00f3ria, com quatro quartos, um por\u00e3o misterioso e escuro, paredes de azulejos azuis na varanda, cuja minha imagina\u00e7\u00e3o se abriam para todas as minhas fantasias de crian\u00e7a. Quando voltamos j\u00e1 adultos, os c\u00f4modos parecem pequenos, j\u00e1 n\u00e3o mais aquela imensid\u00e3o. A casa da nossa inf\u00e2ncia era um castelo.<\/p>\n<p>L\u00e1 era meu territ\u00f3rio, conhecia cada peda\u00e7o, cada canto. A horta de cebolinhas e salsinha que Iracema fez ao lado da cozinha, a varanda toda azul e a grande janela da sala que ficava a um passo do sof\u00e1, que us\u00e1vamos para sentar e o olhar o mundo. No quarto dos fundos, uma arm\u00e1rio pesado de mogno escuro guardava os segredos. Era o cofre da casa. S\u00f3 eu sabia que os tr\u00eas cadeados eram para enganar os curiosos. Na verdade o arm\u00e1rio n\u00e3o tinha fundo. Iracema fechava a porta, fazia o sinal de sil\u00eancio com o dedo indicador, arrastava um pouco o arm\u00e1rio e l\u00e1 colocava envelopes. Era nosso segredo. Para fazer minhas vontades, at\u00e9 promoveu um &#8220;casamento&#8221; simb\u00f3lico, ela vestida de len\u00e7ol. Depois me divertia tocando acordeon. Era minha &#8220;namorada&#8221;, minha m\u00e3e e av\u00f3. A mulher de todas as nossas vidas.<\/p>\n<p>Minhas primas cresciam, eu passaria a me interessar por bailes de rua, &#8220;soul&#8221; no radinho e alma adolescente, sexo, praias e carnaval. At\u00e9 da casa me afastei. Tudo passou muito r\u00e1pido. Os anos da adolesc\u00eancia mudariam nossas vidas para sempre e nos afastar\u00edamos, mas naqueles tempos n\u00e3o havia medo do futuro \u2013 era s\u00f3 uma vontade de n\u00e3o sair mais dali, porto seguro. Ela deve ter sentido muita nossa falta nos anos em que descobrimos as ruas e fomos deixando de brincar entre os jambeiros. Eles eram sombra e luz. Coloriam o ch\u00e3o de rosa, ao lado das flores de outras \u00e1rvores na primavera.<\/p>\n<p>Domingo tinha doce de leite, feito por horas, endurecido no m\u00e1rmore, cortado em quadradinhos irregulares e escondidos no arm\u00e1rio. A casa, sempre cheia de primos e tios, o quintal sempre cuidado, com rosas de todas as cores. Euclides pintava as paredes de tons past\u00e9is a cada fim de ano. Rosa, azul clarinho, verde. Cada c\u00f4modo uma cor.<\/p>\n<p>Um dia fui fazer uma visita e encontrei a casa vazia. Iracema, aos 86 anos, havia partido e depois disso todo aquele nosso mundo ruiu. Passei anos sem voltar \u2013 quase toda adolesc\u00eancia \u2013 e \u00e0s vezes j\u00e1 adulto, parava l\u00e1 na frente para olhar a casa ainda encoberta pelas mangueiras e p\u00e9s de abacate, herdada pelas minhas primas e primos. At\u00e9 hoje tenho sonhos que estou no port\u00e3o a espera de Iracema vir sorrindo abrir o port\u00e3o. \u00c9 minha lembran\u00e7a mais doce daqueles dias.<\/p>\n<p>A casa foi vendida nos anos 90 pelos meus primos, depois que que minha tia\u2013av\u00f3 Dagmar tamb\u00e9m havia nos deixado.\u00a0\u00a0 A mem\u00f3ria tamb\u00e9m habita os pr\u00e9dios e os pomares de nossa vida. Estavam l\u00e1 nas portas as minhas marcas, como aquele risco de l\u00e1pis no portal, que vai marcando o quanto vamos crescendo. Os pr\u00e9dios importam, as \u00e1rvores tamb\u00e9m, principalmente porque n\u00f3s vamos tamb\u00e9m passar e eles, na maioria, ficam.<\/p>\n<p>A casa da rua Florentina e suas mangueiras desapareceram e descobri isso ao visit\u00e1\u2013la virtualmente no Google Earth. durante as tardes de t\u00e9dio da quarentena imposta pela pandemia, quase 40 anos depois, j\u00e1 vivendo em Nova York e achando que estava imune a saudade. N\u00e3o estava, e as l\u00e1grimas escorreram.<\/p>\n<p>Passei com o mouse pela rua e fui reconhecendo cada casa at\u00e9 que percebi que o n\u00famero apontava para um novo edif\u00edcio. Olhei a placa para confirmar. A placa com o n\u00famero foi a \u00fanica coisa que restou. Por ironia, o pr\u00e9dio manteve a cor da casa. O terreno e as mangueiras foram engolidos pelo concreto e \u00e9 a primeira vez na vida que percebi que parte do meu passado desapareceu para sempre.<\/p>\n<p>Sei que \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o que meus bisav\u00f3s e av\u00f3s tamb\u00e9m passaram, que muitos j\u00e1 viveram, \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o estranha de perda. A casa que vem sempre nos sonhos e pesadelos \u00e9 a casa que existe dentro de n\u00f3s, a de lembran\u00e7as mais profundas. A casa da rua Florentina nos abrigou por tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es e cada uma delas h\u00e1 um enorme elenco de l\u00e1grimas e sorrisos. Casas dos sub\u00farbios do Rio, muitas foram engolidas por pr\u00e9dios, casar\u00f5es destru\u00eddos, mem\u00f3rias da cidade e de todos n\u00f3s, evaporadas.<\/p>\n<p>Olhei para o port\u00e3o e parece que foi ontem que minha prima Cristina havia voltado com sua filha Daniele para mostrar a minha bisav\u00f3, chorando de emo\u00e7\u00e3o. Naquela varanda que desapareceu Dona Iracema sentava nas tardes de s\u00e1bado para tocar acorde\u00f3n e corr\u00edamos naqueles campos de p\u00e9talas para buscar abrigo nos bra\u00e7os da minha m\u00e3e que abria o port\u00e3o.<\/p>\n<p>As casas de nossa inf\u00e2ncia carregam hist\u00f3ria, sabor e cheiro. E a imagem casa da Rua Florentina, o doce sorriso de Iracema, as gl\u00f3rias de guerra do soldado Euclides, todos seguir\u00e3o comigo, para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CR\u00d4NICA &nbsp; &nbsp; A vitrolinha toca Stevie Wonder &#8220;All is fair in love&#8221;. Tomo um copo gigante de groselha enquanto olho o disco de vinil girar. Era ver\u00e3o de 1973, muito calor. 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