{"id":1139829,"date":"2020-06-21T03:57:39","date_gmt":"2020-06-21T02:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1139829"},"modified":"2020-06-20T21:22:35","modified_gmt":"2020-06-20T20:22:35","slug":"o-cinema-autoral-de-carlos-reygadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/06\/o-cinema-autoral-de-carlos-reygadas\/","title":{"rendered":"O cinema autoral de Carlos Reygadas"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">CINEMA<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eu admito que demorei a me aproximar dos filmes de Carlos Reygadas e, pior, em grande parte essa demora foi por puro preconceito. A ideia de me aventurar mais uma vez no cinema gourmet dos diretores mexicanos atuais n\u00e3o era nem um pouco tentadora. N\u00e3o que esses diretores mexicanos filmem mal, pelo contr\u00e1rio, I\u00f1arritu, Cuar\u00f3n, Del Toro, Ezban etc., sabem filmar, mas o estilo <em>neohollywoodiano<\/em> que eles encarnam n\u00e3o me atrai nem um pouco e eu, pregui\u00e7osamente, inclu\u00eda Reygadas nessa lista. Por\u00e9m, seduzido pelo t\u00edtulo de um dos filmes de Reygadas (detalhe que, por sinal, ele utiliza com maestria), venci minha desconfian\u00e7a e assisti a <em>Post Tenebras Lux<\/em>. O t\u00edtulo j\u00e1 \u00e9 bem curioso: <em>Depois das Trevas, Luz<\/em> (frase atribu\u00edda a Jo\u00e3o Calvino e sua Reforma, que com essa senten\u00e7a celebrava a preval\u00eancia do Evangelho sobre a \u201cescurid\u00e3o\u201d). E esse primeiro passo teve um efeito arrebatador, <em>Post Tenebras Lux<\/em> foi a chave para destravar minha desconfian\u00e7a e nos dias seguintes esgotei a filmografia de Reygadas com um inequ\u00edvoco prazer.<\/p>\n<p>Como resumir <em>Post Tenebras Lux?<\/em> Vou evitar aqui buscar palavras ou conceitos chaves que definam o filme numa \u00fanica linha. On\u00edrico, surrealista, cubista etc. foram conceitos usados em diversas resenhas cr\u00edticas, mas que pouco acrescentam a experi\u00eancia de assisti-lo. Um aspecto, por\u00e9m, chama a aten\u00e7\u00e3o de imediato em <em>Post Tenebras Lux<\/em>, a maneira como Reygadas se utiliza dos recursos cinematogr\u00e1ficos para expressar uma ideia. \u00c9 imposs\u00edvel passar inc\u00f3lume pela mistura de certos elementos, com destaque para a narrativa extremamente fragmentada, com elipses que n\u00e3o se completam; os planos externos com foco seletivo, criando uma estranha mistura entre sonho e extremo realismo; a altern\u00e2ncia entre c\u00e2mera na m\u00e3o e planos fixos, com a c\u00e2mera ora seguindo de perto os personagens, ora se demorando em longos planos abertos; o trabalho de som refinado em que sil\u00eancios e sons pungentes se revezam; a utiliza\u00e7\u00e3o pontual do fora de quadro etc. Sem d\u00favida, essa constru\u00e7\u00e3o, aparentemente dispersa num primeiro momento, \u00e9 o cerne das opini\u00f5es polarizadas sobre o filme, aonde n\u00e3o cabe meio-termo. <em>Post Tenebras Lux<\/em> exige (e muito) do espectador, n\u00e3o h\u00e1 frui\u00e7\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, o espectador \u00e9 constantemente reposicionado frente \u00e0s imagens que se sucedem. A sequ\u00eancia inicial, com a c\u00e2mera circulando em torno de uma garotinha (Rut, filha de Reygadas) que vagueia por um campo encharcado, nomeando seres e objetos, rodeada de animais, tendo ao fundo um c\u00e9u primordial com nuvens e rel\u00e2mpagos, comporta um desprendimento e, ao mesmo tempo, um poder de s\u00edntese que s\u00f3 a imagem cinematogr\u00e1fica \u00e9 capaz de propiciar.<\/p>\n<div id=\"attachment_1139889\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1139889\" class=\"wp-image-1139889 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/post-tenebras-lux-8.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/post-tenebras-lux-8.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/post-tenebras-lux-8-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/post-tenebras-lux-8-720x540.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/post-tenebras-lux-8-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1139889\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Post Tenebras Lux<\/p><\/div>\n<p>Contudo, conforme avan\u00e7ava na filmografia de Reygadas descobri que esse car\u00e1ter experimental (se \u00e9 que podemos chamar assim sua rela\u00e7\u00e3o com a t\u00e9cnica e a linguagem do cinema) n\u00e3o era uma especificidade de<em> Post Tenebras Lux<\/em>, mas vale para toda a sua filmografia. Ali\u00e1s, essa \u00e9 uma das principais marcas do que eu definiria como o seu car\u00e1ter autoral. Mas \u00e9 fundamental fazer a ressalva de que em cada filme os elementos dessa experimenta\u00e7\u00e3o se renovam. Seria uma tarefa interessante e instigante percorrer os recursos de linguagem utilizados por Reygadas em cada um dos seus filmes, depurando os efeitos que suscitam. Mas, por enquanto, vou deixar esse assunto para outro texto. No momento, meu foco recair\u00e1 no aspecto sublime que permeia toda a sua obra.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o presente em todos os filmes de Reygadas \u00e9 o embate entre a Vida, entendida como algo maior, que abrange a Natureza (o Cosmos, a <em>physis<\/em>) e a condi\u00e7\u00e3o humana, a \u201ctrag\u00e9dia\u201d humana. A dimens\u00e3o humana \u00e9 o tempo todo confrontada com algo que a desborda. Por\u00e9m, a diferen\u00e7a e a originalidade de Reygadas n\u00e3o est\u00e3o apenas nessa constata\u00e7\u00e3o, pois, em termos gerais, poder\u00edamos aplic\u00e1-la a v\u00e1rios outros cineastas, mas sim na forma como esse embate \u00e9 representado no seu cinema. As situa\u00e7\u00f5es exibidas, as imagens utilizadas por ele, o encadeamento dos planos, as associa\u00e7\u00f5es, a quebra da narrativa, se fazem a partir de uma ousadia que n\u00e3o se limita meramente a determinadas escolhas est\u00e9ticas, mas s\u00e3o orientadas pela produ\u00e7\u00e3o de um fluxo de pensamento que se constr\u00f3i a partir de imagens aparentemente d\u00edspares, aonde determinados planos, num primeiro momento, parecem n\u00e3o ter nada a ver com o anterior, mas que est\u00e3o em perfeita sintonia com a ideia do embate. Com uma vantagem, n\u00e3o s\u00e3o planos \u00f3bvios, n\u00e3o s\u00e3o lugares-comuns. Reygadas produz um tipo de encadeamento que desperta o espectador e exige que ele se esmere nas conex\u00f5es. Os planos extravasam o imediatismo da representa\u00e7\u00e3o, como nos planos-detalhe que se fixam nas min\u00facias da pele nas cenas de sexo, em <em>Batalha no C\u00e9u<\/em>; no enquadramento do transcurso de um trilho de trem que, em sua dura\u00e7\u00e3o, remonta a imagem do escoar de um rio, em <em>Jap\u00e3o<\/em>; no registro mec\u00e2nico do desempenho do motor de um carro, em <em>Nosso Tempo<\/em> etc. Conforme as imagens v\u00e3o se sucedendo na tela elas provocam diferentes ondula\u00e7\u00f5es da mesma ideia, com a figura ultrapassando a mera figura\u00e7\u00e3o, provocando breves disparos de pensamento e sensa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div id=\"attachment_1139869\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1139869\" class=\"wp-image-1139869 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalla-en-el-cielo.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalla-en-el-cielo.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalla-en-el-cielo-300x156.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalla-en-el-cielo-720x375.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/batalla-en-el-cielo-768x400.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1139869\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Batalha no C\u00e9u<\/p><\/div>\n<p>Apesar de ser poss\u00edvel identificar esse questionamento de fundo em toda a sua obra, seus filmes s\u00e3o muito diferentes entre si e n\u00e3o apenas formalmente diferentes, mas tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 narrativa e a hist\u00f3ria. Pode-se dizer que Reygadas filma sempre a mesma quest\u00e3o, mas em situa\u00e7\u00f5es e cen\u00e1rios completamente distintos. Essa, ali\u00e1s, \u00e9 uma m\u00e1xima que se aplica a diversos diretores de car\u00e1ter autoral, o que torna inevit\u00e1vel a compara\u00e7\u00e3o de seus filmes com certos autores (em especial Andrei Tarkovsky, Carl T. Dreyer, Lu\u00eds Bu\u00f1uel), mas \u00e9 preciso muito cuidado ao promover essas aproxima\u00e7\u00f5es. Reygadas, inclusive, mostra grande desconforto sempre que os entrevistadores apontam semelhan\u00e7as de seus filmes com Tarkovsky e Dreyer, em particular, e esse desconforto \u00e9 compreens\u00edvel, uma vez que as compara\u00e7\u00f5es acabam, quase sempre, se limitando a aspectos formais, tais como a semelhan\u00e7a da arquitetura de determinadas sequ\u00eancias, o uso de determinada m\u00fasica na trilha etc. \u00c9 evidente que essas semelhan\u00e7as est\u00e3o presentes, elas s\u00e3o vis\u00edveis, mas s\u00e3o apenas o aspecto superficial dessa proximidade. Reygadas tangencia muitas das quest\u00f5es trabalhadas por Tarkovsky e Dreyer e, talvez por isso, o seu incomodo quando comparam seus filmes com os desses cineastas. \u00c9 justo afirmar que, muitas vezes, ele parte de quest\u00f5es suscitadas por esses autores, mas as retrata por outro \u00e2ngulo, a partir de outra perspectiva.<\/p>\n<p>Dreyer, o mais kierkgaardiano dos cineastas, em sua obra-prima <em>A Palavra<\/em>, trabalha, magistralmente, os limites da F\u00e9, reverberando os dilemas levantados por Soren Kierkgaard em seu texto <em>Temor e Tremor<\/em> (poder\u00edamos acrescentar, tamb\u00e9m, <em>O Conceito de Ang\u00fastia<\/em>, entre outros textos), quais sejam, a incapacidade da Raz\u00e3o em dar conta do fen\u00f4meno da F\u00e9, fen\u00f4meno esse que caminha lado a lado com o absurdo. Reygadas, em <em>Luz Silenciosa<\/em>, parte de uma premissa parecida com a de Dreyer para questionar os limites da dimens\u00e3o humana e, em determinados momentos, parece emular o filme de Dreyer, seja no nome comum dos protagonistas (Johan) ou, em especial, na pen\u00faltima sequ\u00eancia, que evoca o final de <em>A Palavra<\/em>, s\u00f3 que, no caso de Reygadas, propondo outro olhar, outra abordagem. No lugar da quest\u00e3o da F\u00e9, temos a trag\u00e9dia humana e seus limites, mas n\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o a Raz\u00e3o, e sim frente ao Cosmos, essa <em>Luz Silenciosa<\/em> que ilumina nossos pequenos dramas que tamb\u00e9m remetem ao absurdo, s\u00f3 que n\u00e3o enquanto extraordin\u00e1rio, como em Dreyer, mas pelo contr\u00e1rio, no que tem de prosaico. <em>Luz Silenciosa<\/em> come\u00e7a e termina com planos de mais de 5 minutos do amanhecer e do anoitecer, conferindo ao filme o car\u00e1ter de um aforismo nietzscheano.<\/p>\n<div id=\"attachment_1139879\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1139879\" class=\"wp-image-1139879 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo.jpg 1024w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo-720x405.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/nuestro-tiempo-750x422.jpg 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><p id=\"caption-attachment-1139879\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Nosso Tempo<\/p><\/div>\n<p>Os filmes de Tarkovsky, por sua vez, remetem ao lamento pela perda do transcendente, seus personagens encarnam no indiv\u00edduo essa perda e se engajam na busca do divino atrav\u00e9s da arte e da rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Em Tarkovsky, a arte \u00e9 a express\u00e3o dessa transcend\u00eancia, \u00e9 a tarefa que aproxima o homem do Criador, para ele, criar artisticamente \u00e9 comungar com a Cria\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a Natureza aparece em constante contraste ao homem, ela \u00e9 a express\u00e3o do divino que exp\u00f5e os limites do homem. Minimizando os feitos humanos frente a sua magnitude, a Natureza tamb\u00e9m \u00e9 a chave da reden\u00e7\u00e3o humana. Em Reygadas, em particular em <em>Jap\u00e3o<\/em>, essas quest\u00f5es s\u00e3o, em parte, retomadas, mas sob outra \u00f3tica.\u00a0 A dimens\u00e3o humana frente \u00e0 Natureza desponta como o grande tema do filme. Os recursos cinematogr\u00e1ficos dos quais Reygadas se utiliza remontam \u00e0 Tarkovsky (longos planos panor\u00e2micos, Bach na trilha musical, a sequ\u00eancia inicial atrav\u00e9s de t\u00faneis, estradas, viadutos, que lembra muito uma passagem de Solaris que foi, por sinal, filmada no Jap\u00e3o etc.), mas o recorte \u00e9 outro, embora caiba na mesma quest\u00e3o. A magnitude da Natureza \u00e9, tamb\u00e9m, o tempo todo contrastada com a dimens\u00e3o humana, mas sem o car\u00e1ter de reden\u00e7\u00e3o presente nos filmes de Tarkovsky. A Natureza n\u00e3o elimina o sentimento de vazio expresso pelo niilismo do protagonista, pelo contr\u00e1rio, sua exuber\u00e2ncia o exacerba ao ponto de nem mesmo a morte aparecer mais como uma solu\u00e7\u00e3o. A busca pela \u201cascens\u00e3o\u201d do personagem em <em>Jap\u00e3o<\/em> remete, por exemplo, a busca pela \u201csalva\u00e7\u00e3o\u201d do personagem de O Sacrif\u00edcio, de Tarkovsky, mas com um sinal invertido. Ao inv\u00e9s da espiritualidade e da f\u00e9 humanista que o sacrif\u00edcio do personagem de Tarkovsky conjura, em <em>Jap\u00e3o<\/em> a expia\u00e7\u00e3o do protagonista acentua a opacidade.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o do humano com a Natureza nos filmes de Reygadas ganha um contorno definitivo quando, quase ao final de<em> Post Tenebras Lux<\/em>, um plano se repete por diversos \u00e2ngulos: uma \u00e1rvore caindo no meio da floresta. Sim, a \u00e1rvore de Reygadas faz barulho ao cair mesmo sem a presen\u00e7a humana para testemunhar! Uma bela maneira de expressar a indiferen\u00e7a da Vida (da Natureza, do Cosmos) frente ao tumulto humano.<\/p>\n<div id=\"attachment_1139859\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1139859\" class=\"wp-image-1139859 size-full\" src=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/japo\u0301n.jpg\" alt=\"\" width=\"848\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/japo\u0301n.jpg 848w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/japo\u0301n-300x179.jpg 300w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/japo\u0301n-720x430.jpg 720w, https:\/\/www.pressenza.com\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/japo\u0301n-768x459.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 848px) 100vw, 848px\" \/><p id=\"caption-attachment-1139859\" class=\"wp-caption-text\">Imagem de Jap\u00e3o<\/p><\/div>\n<p>Outras aproxima\u00e7\u00f5es s\u00e3o pertinentes no que diz respeito ao car\u00e1ter autoral da obra de Reygadas. Ficam, como sugest\u00f5es, a rela\u00e7\u00e3o com os filmes de Lu\u00eds Bu\u00f1uel e o assolamento dos padr\u00f5es burgueses, ou a desdramatiza\u00e7\u00e3o das encena\u00e7\u00f5es, estilo caracter\u00edstico do cinema de Robert Bresson etc. Uma coisa \u00e9 certa, Reygadas \u00e9 um dos principais diretores autorais da atualidade e ser\u00e1 inevit\u00e1vel voltar a abordar seu cinema em textos futuros, pois ainda h\u00e1 muito que explorar. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 nenhum esfor\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CINEMA &nbsp; &nbsp; Eu admito que demorei a me aproximar dos filmes de Carlos Reygadas e, pior, em grande parte essa demora foi por puro preconceito. 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