{"id":1116444,"date":"2020-05-24T03:56:42","date_gmt":"2020-05-24T02:56:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.pressenza.com\/?p=1116444"},"modified":"2020-05-24T02:14:58","modified_gmt":"2020-05-24T01:14:58","slug":"a-arte-nunca-foi-tao-necessaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.pressenza.com\/pt-pt\/2020\/05\/a-arte-nunca-foi-tao-necessaria\/","title":{"rendered":"&#8220;A arte nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria&#8221;"},"content":{"rendered":"<h5><span style=\"color: #999999;\">ARTES VISUAIS<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Conversa com Thiago Fernandes, historiador da arte e designer gr\u00e1fico<\/em><\/p>\n<p>Thiago Fernandes \u00e9 um jovem historiador de arte bastante ativo no circuito de artes visuais do Rio de Janeiro; graduado em Design Gr\u00e1fico pela Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1 e em Hist\u00f3ria da Arte pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fez tamb\u00e9m mestrado em Artes Visuais na EBA-UFRJ, na linha de pesquisa Hist\u00f3ria e Cr\u00edtica da Arte, e atualmente faz doutorado no mesmo programa e linha de pesquisa. Realizou curadorias nos anos recentes, voltadas \u00e0 ativar espa\u00e7os inusitados ou perif\u00e9ricos. Conversamos com Thiago sobre sua trajet\u00f3ria, perspectivas e como est\u00e1 encarando a \u201cvirada digital\u201d da pandemia.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Por que a hist\u00f3ria da arte entrou na sua vida? Como pintou o interesse?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O interesse surgiu logo no in\u00edcio da minha gradua\u00e7\u00e3o em design gr\u00e1fico na Universidade Est\u00e1cio de S\u00e1. As disciplinas te\u00f3ricas despertaram um grande prazer em mim e comecei a estudar hist\u00f3ria da arte por conta pr\u00f3pria (investindo em livros, assistindo a filmes, visitando exposi\u00e7\u00f5es, etc.). Sempre tive a consci\u00eancia de que faria uma segunda gradua\u00e7\u00e3o ou uma especializa\u00e7\u00e3o, pois o curso de design gr\u00e1fico na Est\u00e1cio era de gradua\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, com dois anos e meio de dura\u00e7\u00e3o, e o conclu\u00ed com apenas 20 anos de idade. Esse tempo da primeira gradua\u00e7\u00e3o serviu para que eu amadurecesse a ideia sobre a segunda, que \u00e9 onde realmente me encontrei como profissional, embora na \u00e9poca n\u00e3o tivesse essa pretens\u00e3o, e muito menos a de me tornar um acad\u00eamico. Fazer um mestrado sequer passava pela minha cabe\u00e7a, e um doutorado, ent\u00e3o, era algo inimagin\u00e1vel, ainda mais considerando o lugar de onde vim. Fa\u00e7o parte da primeira gera\u00e7\u00e3o da minha fam\u00edlia a conseguir chegar \u00e0 universidade e sou o primeiro (e at\u00e9 ent\u00e3o \u00fanico) a passar para uma universidade p\u00fablica. Devo isso \u00e0 cota destinada a ex-estudantes de escolas p\u00fablicas. Tenho muito orgulho em dizer que fui cotista e com isso ter sido capaz de chegar onde estou hoje.<\/p>\n<p>Eu nunca tive muito contato com artes visuais, at\u00e9 ingressar no curso de design gr\u00e1fico. At\u00e9 ent\u00e3o, eu n\u00e3o frequentava museus, centros culturais ou teatros. Nasci e cresci no sub\u00farbio (em Guadalupe, bairro da Zona Norte do Rio) e l\u00e1 nossas refer\u00eancias culturais eram outras. Infelizmente os equipamentos culturais se concentram no eixo Centro-Zona Sul (e estou falando da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia nos anos 1990 e 2000, quando essa realidade era mais cruel do que hoje) e raramente esses espa\u00e7os s\u00e3o frequentados por quem \u00e9 do sub\u00farbio. Ent\u00e3o meu contato com a hist\u00f3ria da arte se deu de forma indireta, por interm\u00e9dio da gradua\u00e7\u00e3o em design. Fui a uma exposi\u00e7\u00e3o de arte pela primeira vez aos 18 anos, por indica\u00e7\u00e3o de uma professora muito querida do curso de design, como atividade complementar. Foi uma experi\u00eancia que me encantou. Depois disso a visita a exposi\u00e7\u00f5es se tornou um costume.<\/p>\n<p>Entrei na EBA-UFRJ como um curioso. Acreditava que o curso de hist\u00f3ria da arte alimentaria um prazer pessoal e ofereceria novas refer\u00eancias para meu trabalho como designer, n\u00e3o era meu objetivo atuar profissionalmente nessa \u00e1rea. Entrei com uma &#8220;mentalidade de designer&#8221;, muito interessado no construtivismo russo, na Bauhaus, na art d\u00e9co, na pop art, nos movimentos mais ligados ao design gr\u00e1fico, por\u00e9m meu horizonte se ampliou. Ao longo da gradua\u00e7\u00e3o conheci um universo incr\u00edvel. Fui apresentado, entre tantas outras coisas, ao riqu\u00edssimo campo da arte brasileira, que na minha vis\u00e3o limitada, at\u00e9 aquele momento, se reduzia a meia d\u00fazia de nomes mais conhecidos do modernismo.<\/p>\n<p>Posso afirmar honestamente que me interessei e explorei tudo o que o curso tinha a me oferecer, desde a arte pr\u00e9-colombiana at\u00e9 a arte contempor\u00e2nea. Aos poucos fui encontrando meu lugar e, antes de chegar na metade da gradua\u00e7\u00e3o, eu j\u00e1 havia decidido mergulhar de cabe\u00e7a nessa \u00e1rea e colocar o design gr\u00e1fico em segundo plano.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Sua pesquisa \u00e9 em arte brasileira. Que per\u00edodos mais lhe atraem e por que?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Comentei na resposta anterior que ingressei no curso de hist\u00f3ria da arte como curioso, mas a verdade \u00e9 que nunca deixei de ser. Embora eu pesquise arte contempor\u00e2nea, sou completamente apaixonado pela arte medieval, como tamb\u00e9m adoro conhecer mais sobre a arte colonial brasileira (n\u00e3o consigo passar em frente a uma igreja no Centro do Rio e n\u00e3o entrar), leio bastante sobre Antiguidade, sobre arte ind\u00edgena, tenho uma biblioteca bastante heterog\u00eanea e da qual n\u00e3o consigo dar conta, pois sempre preciso interromper minhas leituras &#8220;curiosas&#8221; para me dedicar a textos mais relacionados \u00e0 minha pesquisa. Mas acho que tudo isso s\u00f3 acrescenta, sempre busco maneiras de ser anacr\u00f4nico e de misturar refer\u00eancias de diferentes contextos nos meus textos e nas minhas aulas. Muita gente da arte contempor\u00e2nea torce o nariz para a produ\u00e7\u00e3o anterior ao s\u00e9culo 20, assim como alguns<\/p>\n<p>estudiosos dedicados a esses per\u00edodos mais long\u00ednquos t\u00eam rea\u00e7\u00f5es negativas diante da arte contempor\u00e2nea. J\u00e1 eu tento dar um jeito de &#8220;infiltrar&#8221; um trabalho da Bia Leite ou do Guga Ferraz numa aula sobre medieval. Quando abordo a iconoclastia na Idade M\u00e9dia, por exemplo, adoro trazer exemplos recentes de interdi\u00e7\u00e3o \u00e0s imagens (como foi o caso da <em>Queermuseum<\/em> e outras exposi\u00e7\u00f5es sabotadas). Ou quando falo sobre a ostenta\u00e7\u00e3o das propriedades e dos modos de vida na pintura \u00e0 \u00f3leo entre os s\u00e9culos 15 e 18, gosto de fazer uma compara\u00e7\u00e3o com a atual cultura das selfies no Instagram e at\u00e9 com videoclipes do &#8220;funk ostenta\u00e7\u00e3o&#8221; de S\u00e3o Paulo. Ao lidar com a arte (ou com as imagens, de modo geral), estamos sempre falando sobre visibilidade e sobre poder (em seus diversos significados). Por mais que a arte tenha se transformado radicalmente, esse \u00e9 um aspecto que se mant\u00e9m e que me permite considerar que n\u00e3o \u00e9 algo t\u00e3o conflituoso a categoria &#8220;arte&#8221; abranger tanto Michelangelo quanto H\u00e9lio Oiticica.<\/p>\n<p>Falando mais especificamente sobre meu campo de pesquisa, sempre me concentrei na virada do s\u00e9culo 21. O que me atrai nesse per\u00edodo \u00e9 a criatividade e a mobiliza\u00e7\u00e3o dos artistas diante das dificuldades encontradas no circuito de arte brasileiro: vemos a sa\u00edda da arte para as ruas, a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os aut\u00f4nomos de arte contempor\u00e2nea, a edi\u00e7\u00e3o de publica\u00e7\u00f5es independentes, a apropria\u00e7\u00e3o subversiva dos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o em massa, etc. Esse \u00e9 um per\u00edodo em que se renovam os debates sobre a dimens\u00e3o p\u00fablica da arte e, ao mesmo tempo, sobre a dimens\u00e3o p\u00fablica dos espa\u00e7os da cidade. A privatiza\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e a publiciza\u00e7\u00e3o do privado s\u00e3o quest\u00f5es que eu abordo atualmente no doutorado. Tenho pensado como a arte pode produzir dissensos na ordem vigente de ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os da cidade, e essa \u00e9 uma quest\u00e3o muito cara \u00e0 gera\u00e7\u00e3o da virada do s\u00e9culo 21. Vemos, por exemplo, o projeto Atrocidades Maravilhosas transformando espa\u00e7os destinados \u00e0 publicidade em palco para manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, a Galeria do Poste interferindo na percep\u00e7\u00e3o sobre um espa\u00e7o p\u00fablico cotidiano, al\u00e9m de diversos artistas que transformaram o espa\u00e7o privado de suas casas em espa\u00e7os p\u00fablicos de exposi\u00e7\u00e3o e\/ou resid\u00eancia art\u00edstica, como a Graziela Kunsch, a Xiclet, o Edson Barrus e tantos outros. A dilui\u00e7\u00e3o de fronteiras entre arte e vida e a contamina\u00e7\u00e3o da arte pelo cotidiano (e vice-versa), quest\u00f5es recorrentes na arte dos anos 1960, ganharam novos contornos.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Voc\u00ea tamb\u00e9m \u00e9 designer. O que t\u00e1 te salvando durante a pandemia: aulas de hist\u00f3ria da arte ou os freelas de design?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Al\u00e9m de ministrar cursos livres em diferentes institui\u00e7\u00f5es, como a Casa do Saber e o Centro Municipal de Arte H\u00e9lio Oiticica, desde 2019 tenho me dedicado a fazer isso de maneira aut\u00f4noma. Investi em um mini-projetor e ofereci um curso de cr\u00edtica de arte e outro de interven\u00e7\u00e3o urbana no Atelier Sanit\u00e1rio (espa\u00e7o dos artistas Daniel Murgel e Leandro Barboza no Centro do Rio), e isso me salvou mais do que os trabalhos de design, que n\u00e3o estavam aparecendo muito.<\/p>\n<p>Ainda adoro o trabalho de cria\u00e7\u00e3o, mas diria que atualmente eu sou mais historiador da arte do que designer, \u00e9 o que tem me dado maior prazer. Na pandemia isso se acentua, pois a busca por servi\u00e7os de design gr\u00e1fico est\u00e1 menor, e, por outro lado, as pessoas necessitam de atividades para ocupar a mente neste per\u00edodo, ent\u00e3o focar na educa\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia com pre\u00e7o popular foi uma sa\u00edda bastante oportuna.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Falando sobre o Atelier Sanit\u00e1rio, em 2019 assistimos a hil\u00e1ria exposi\u00e7\u00e3o Sal\u00e3o vermelho de artes degeneradas, onde ao lado da curadora Bruna Costa e dos s\u00f3cios Leandro e Daniel, voc\u00ea selecionou cerca de cem obras, entre quase trezentos artistas que se inscreveram, e trouxe centenas de visitantes \u00e0 zona portu\u00e1ria do Rio de Janeiro para comemorar de forma debochada e descontra\u00edda, o primeiro de maio de dois mil e dezenove \u2013 primeiro dia do trabalhador do atual cen\u00e1rio pol\u00edtico sombrio. Como surgiu a ideia e qual foi o motivo de tantos artistas se interessarem em participar?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A ideia de fazer o Sal\u00e3o Vermelho surgiu de maneira espont\u00e2nea, numa conversa informal entre amigos no Atelier Sanit\u00e1rio. A inten\u00e7\u00e3o era realizar uma a\u00e7\u00e3o art\u00edstica bem-humorada no dia do trabalhador, brincando com o modelo expositivo tradicional do sal\u00e3o de arte (que remonta aos s\u00e9culos 18 e 19, principalmente). Lan\u00e7ar\u00edamos uma chamada nas redes, convidando artistas a submeterem seus trabalhos. Quando est\u00e1vamos prestes a divulgar a convocat\u00f3ria, me ocorreu a ideia de acrescentar ao nome o complemento \u201cde artes degeneradas\u201d, ficando Sal\u00e3o Vermelho de Artes Degeneradas. Acho que isso ampliou nosso leque, pois com o nome Sal\u00e3o Vermelho imagin\u00e1vamos que muitos artistas enviariam trabalhos com a cor vermelha, ou um tipo de produ\u00e7\u00e3o mais engajada. Ao trazer o \u201cdegenerado\u201d, ironizando o modo como a arte e os artistas s\u00e3o tratados pelo atual governo, acabamos atraindo tamb\u00e9m trabalhos bastante debochados, grotescos, que apelavam mais para o humor e para o bizarro, sem nenhum tipo de pudor. Isso tamb\u00e9m se deve ao texto da convocat\u00f3ria, no qual afirm\u00e1vamos querer \u201cselecionar, avaliar e revelar a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica esquerdopata, doutrinadora, abortista, gayzista, feminazi no territ\u00f3rio nacional\u201d. Ent\u00e3o o resultado foi uma exposi\u00e7\u00e3o bastante divertida e ficamos surpresos com o n\u00famero de inscritos e de pessoas que foram visitar o espa\u00e7o. Acredito que o humor e o clima de festa, mesmo diante de um cen\u00e1rio t\u00e3o sombrio, foram o que atraiu tanta gente (artistas e p\u00fablico). Acabamos criando um lugar de resist\u00eancia diante dos ataques \u00e0s liberdades de express\u00e3o sofridos por artistas no Brasil.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Como voc\u00ea encarou a &#8220;virada digital&#8221; da pandemia? Como foi a experi\u00eancia de dar aula \u00e0 dist\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Essa n\u00e3o foi minha primeira experi\u00eancia no ensino \u00e0 dist\u00e2ncia. H\u00e1 um ano atr\u00e1s comecei a dar aulas na N\u00facleo Academy, que \u00e9 uma escola virtual de arte contempor\u00e2nea, ent\u00e3o eu j\u00e1 estava familiarizado com o aplicativo de videoconfer\u00eancia e com a din\u00e2mica da aula \u00e0 dist\u00e2ncia. A novidade, para mim, estava mais nas circunst\u00e2ncias do momento. O curso online &#8220;Hist\u00f3ria da arte e os usos das imagens&#8221;, que ofereci entre abril e maio, me serviu como uma fonte de renda neste per\u00edodo complicado, mas tamb\u00e9m partiu de um desejo de oferecer um conte\u00fado acess\u00edvel a um p\u00fablico amplo, por isso cobrei apenas R$ 50 pelo curso inteiro. Fiquei bastante impressionado com a quantidade de inscritos e com a diversidade regional da turma. Acho que um dos pontos mais positivos dos cursos online \u00e9 o alcance, poder chegar a pessoas de outras cidades e estados que n\u00e3o teriam aquela oportunidade se o curso fosse presencial.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Quem s\u00e3o suas principais refer\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acho que Jacques Ranci\u00e8re \u00e9 minha principal refer\u00eancia no momento, em raz\u00e3o de suas ideias sobre arte e pol\u00edtica. Para Ranci\u00e8re a rela\u00e7\u00e3o entre est\u00e9tica e pol\u00edtica est\u00e1 na capacidade inata a ambas de gerar dissenso e romper o status-quo, questionando as visibilidades e certezas dadas. Gosto muito quando Ranci\u00e8re afirma que o car\u00e1ter pol\u00edtico da arte n\u00e3o est\u00e1 no tema ou numa ideia de participa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do p\u00fablico, mas no pr\u00f3prio exerc\u00edcio do olhar, que n\u00e3o deve, para ele, ser encarado como algo negativo, no sentido do &#8220;espectador passivo&#8221;. Ver tamb\u00e9m \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o o espectador deve ser compreendido como um sujeito ativo, que exerce sua capacidade de ver o que a arte lhe apresenta, de criar associa\u00e7\u00f5es ou dissocia\u00e7\u00f5es com aquilo que conhece e de desenvolver seu pr\u00f3prio percurso diante do objeto art\u00edstico. Isso \u00e9 pol\u00edtica. Tem me incomodado uma certa literalidade recorrente em trabalhos art\u00edsticos que buscam se colocar como pol\u00edticos e acabam por dar pouca margem ao exerc\u00edcio do olhar e \u00e0 subjetividade. Claro que h\u00e1 uma voca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na literalidade, no desejo de ser claro, objetivo e at\u00e9 mesmo did\u00e1tico, mas h\u00e1 mais do que isso a ser explorado na arte, e se entendermos como pol\u00edticos apenas os trabalhos art\u00edsticos que seguem esse caminho, ficaremos limitados e repetitivos. Muitos se preocupam mais com os fins do que com os meios, como se a arte fosse sobre finalidade, sucesso e efic\u00e1cia (caracter\u00edsticas fundamentais para o design e a publicidade, mas n\u00e3o \u00e9 disso que vive a arte, que \u00e9 subjetiva). Devo pontuar que n\u00e3o sou contra a instrumentaliza\u00e7\u00e3o da arte, pelo contr\u00e1rio. Historicamente, a arte sempre esteve vinculada a determinadas fun\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o negar isso seria rejeitar toda a hist\u00f3ria da arte. Mesmo se tratando de arte contempor\u00e2nea, eu poderia listar diversos trabalhos de grande relev\u00e2ncia que possuem algum vi\u00e9s pragm\u00e1tico, inclusive entre meus objetos de pesquisa. O que me incomoda \u00e9 quando essa instrumentaliza\u00e7\u00e3o obscurece o car\u00e1ter subjetivo da arte, ou a reduz \u00e0 mera ilustra\u00e7\u00e3o de um ativismo. A arte tem o poder de produzir pol\u00edtica, de produzir diferen\u00e7as, e n\u00e3o apenas de comunica-las. Ranci\u00e8re \u00e9 um fil\u00f3sofo que tem me ajudado a refletir sobre essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Entre outras refer\u00eancias, pensando ainda fora do contexto brasileiro, n\u00e3o posso deixar de mencionar Marie-Jos\u00e9 Mondzain, Walter Benjamin, Hans Belting e Georges Didi-Huberman, que foram nomes importantes para minha pesquisa de mestrado e continuam presentes nos cursos que ministro.<\/p>\n<p>J\u00e1 entre minhas refer\u00eancias brasileiras, al\u00e9m dos nomes mencionados na resposta anterior, as autoras que mais tenho lido no momento s\u00e3o Lilia Schwarcz e Marilena Chau\u00ed. Estou me dedicando a pensar a especificidade dos espa\u00e7os p\u00fablicos no Brasil, que tendem a ser produzidos de acordo com interesses privados. Os escritos dessas duas grandes pesquisadoras t\u00eam me ajudado muito a refletir sobre nossa cultura patrimonialista, o costume enraizado em nossa hist\u00f3ria de privatizar o que deveria ser p\u00fablico e de publicizar o que \u00e9 privado. \u00c9 o caminho que sigo para tratar de proposi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas que, como forma de dissenso, interferem na distribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is aos quais os espa\u00e7os da cidade s\u00e3o destinados, sejam eles ditos p\u00fablicos ou privados.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Certo dia viajando contigo no trem da Central, voc\u00ea falava que M\u00e1rio Pedrosa, escrevendo sobre H\u00e9lio Oiticica, falou pioneiramente sobre \u201carte p\u00f3s-moderna\u201d nos anos sessenta, antes dos yankees levantarem debates sobre esse termo. Mas eis que veio a roda viva e carregou o pioneirismo dos nossos pra l\u00e1. Trinta e poucos anos e o trabalho de muitos agentes at\u00e9 que os gringos pudessem reconhecer \u2013 em pleno s\u00e9culo vinte e um e com um olhar retrospectivo &#8211; a import\u00e2ncia do neoconcretismo brasileiro. O que tu acha: est\u00e1 consolidado o nosso reconhecimento internacional ou a nossa arte vai afundar no papel\u00e3o subalterno proposto pelo <em>desgoverno do coiso ruim?<\/em> <\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A introdu\u00e7\u00e3o do termo \u201cp\u00f3s-moderno\u201d na arte \u00e9 atribu\u00edda ao cr\u00edtico brasileiro M\u00e1rio Pedrosa, que a faz pioneiramente em 1966 numa s\u00e9rie de artigos publicados no Correio da Manh\u00e3. Pedrosa colocava o Brasil como um precursor, e n\u00e3o mero seguidor de um novo ciclo p\u00f3s-moderno, e deu esse m\u00e9rito aos artistas neoconcretos, como Lygia Clark e H\u00e9lio Oiticica, cujas obras superaram os paradigmas do modernismo. L\u00e1 fora, as discuss\u00f5es sobre p\u00f3s-modernidade na arte s\u00f3 se disseminariam na virada dos anos 1970 para os anos 1980. Podemos afirmar que esse debate n\u00e3o se deu, aqui, de forma isolada, restrito a alguns textos de Pedrosa. Frederico Morais tamb\u00e9m adotou esse termo em alguns de seus textos nos anos 1960 e 1970, al\u00e9m de oferecer no MAM-Rio um curso de arte p\u00f3s-moderna no final da d\u00e9cada de 1960. Numa confer\u00eancia realizada em 1969, intitulada \u201cPlano-piloto da futura cidade l\u00fadica\u201d, Morais chegou a idealizar a cria\u00e7\u00e3o de um museu de arte p\u00f3s-moderna, baseado numa nova mentalidade condizente com as transforma\u00e7\u00f5es ocorridas no campo da arte com o advento da arte conceitual, land art, minimalismo, performance, interven\u00e7\u00e3o urbana e proposi\u00e7\u00f5es participativas, que eram conflituosas com a concep\u00e7\u00e3o moderna de museu. Em alguns textos do in\u00edcio dos anos 1970, Morais tamb\u00e9m antecipou discuss\u00f5es sobre o que viria a se chamar de \u201cest\u00e9tica relacional\u201d, termo cunhado nos anos 1990 pelo cr\u00edtico franc\u00eas Nicolas Bourriaud para dar conta de tend\u00eancias que Morais j\u00e1 havia detectado mais de 20 anos antes, assim como H\u00e9lio Oiticica, em seu famoso texto \u201cEsquema geral da nova objetividade\u201d, escrito em 1967.<\/p>\n<p>O neoconcretismo, que ganha corpo no final dos anos 1950, \u00e9 o primeiro movimento de vanguarda genuinamente brasileiro. Mais do que isso, ele estava na linha de frente na assimila\u00e7\u00e3o de quest\u00f5es como o corpo na arte e a participa\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Essa originalidade viria a atrair olhares estrangeiros mais tarde. A presen\u00e7a da arte brasileira \u2013 sobretudo do neoconcretismo \u2013 em museus e galerias internacionais \u00e9 decorrente da virada dos anos 1980 para os anos 1990. H\u00e1, na verdade, nesse per\u00edodo, um interesse pela arte latino-americana de modo geral. Isso faz parte de um contexto de globaliza\u00e7\u00e3o e de um aquecimento do mercado de arte em diversas partes do mundo. A contribui\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Pedrosa tamb\u00e9m est\u00e1 sendo reconhecida l\u00e1 fora. O cr\u00edtico foi homenageado com uma exposi\u00e7\u00e3o no Museu Reina Sofia, na Espanha, em 2017, com curadoria de Michelle Sommer e Gabriel P\u00e9rez-Barreiro. Em 2015, uma antologia de textos de Pedrosa traduzidos para o ingl\u00eas, organizada por Gl\u00f3ria Ferreira e Paulo Herkenhoff, foi publicada pelo MoMA.<\/p>\n<p>A realidade que vivemos hoje, que veio se moldando desde a d\u00e9cada de 1980, \u00e9 a da aus\u00eancia de um centro hegem\u00f4nico das artes visuais. Se antes tivemos Paris e depois Nova York, hoje n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel eleger uma cidade ou pa\u00eds catalizador da produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, ou um artista que seja considerado o grande \u201cg\u00eanio\u201d de nossa \u00e9poca (como antes fora Picasso e Pollock), ou um movimento que possa ser visto como a tend\u00eancia a ser seguida. Numa bienal somos surpreendidos pela grande quantidade de artistas que at\u00e9 ent\u00e3o desconhec\u00edamos, oriundos dos pa\u00edses mais diversos. Criou-se uma grande rede que \u00e9 o circuito de arte global, onde n\u00e3o existe a dicotomia dentro e fora, todos est\u00e3o dentro, pois isso interessa tamb\u00e9m a um mercado alimentado pelo fetiche do estrangeiro. Quanto ao nosso reconhecimento do ponto de vista hist\u00f3rico, n\u00e3o tenho certeza se a contribui\u00e7\u00e3o da arte brasileira est\u00e1 conquistando o lugar que merece ou se ainda somos um ap\u00eandice da hist\u00f3ria da arte europeia. Isso, na verdade, n\u00e3o me preocupa. A arte brasileira \u00e9 desconhecida pelos pr\u00f3prios brasileiros, ent\u00e3o me interessam mais as pesquisas feitas no \u00e2mbito nacional e as medidas que podem ser tomadas para difundi-las em nosso territ\u00f3rio, alcan\u00e7ando a popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Em suas aulas voc\u00ea fala do forte movimento de artistas e espa\u00e7os de arte alternativos no in\u00edcio do s\u00e9culo vinte e um no Rio de Janeiro. Frente ao prec\u00e1rio, os artistas se mexeram como puderam. Que paralelos poss\u00edveis voc\u00ea tra\u00e7aria com a sua gera\u00e7\u00e3o, jovens artistas e jovens pesquisadores que chegam cheios de g\u00e1s em um cen\u00e1rio t\u00e3o sombrio?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O cen\u00e1rio da virada do s\u00e9culo 21 era bastante prec\u00e1rio aqui no Brasil. Nos anos 1990 houve maior afastamento do Estado no fomento \u00e0 cultura, com o fechamento tempor\u00e1rio da Funarte, o fim do Sal\u00e3o Nacional das Artes Pl\u00e1sticas, a ascens\u00e3o das megaexposi\u00e7\u00f5es (de<\/p>\n<p>car\u00e1ter mais comercial, associadas ao marketing cultural de grandes empresas que privilegiam &#8220;grandes nomes&#8221;), al\u00e9m do fechamento de diversas galerias. O Luis Andrade descreve muito bem esse cen\u00e1rio num texto chamado Rio 40\u00ba Fahrenheit, publicado na revista Concinnitas em 2003 (e dispon\u00edvel online). N\u00e3o que nas d\u00e9cadas anteriores tiv\u00e9ssemos um sistema art\u00edstico bem estruturado, mas a diferen\u00e7a \u00e9 que nos anos 1990 come\u00e7ou a haver maior busca das universidades para a forma\u00e7\u00e3o em artes visuais. Os cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o para artistas estavam florescendo e sendo bastante procurados, como tamb\u00e9m eram os cursos de gradua\u00e7\u00e3o. O que penso \u00e9 que com isso houve um aumento no n\u00famero de artistas e de outros profissionais da \u00e1rea, mas n\u00e3o houve, em contrapartida, uma amplia\u00e7\u00e3o do circuito. T\u00ednhamos ainda um circuito incipiente e que n\u00e3o conseguia acolher a todos, por isso aqueles jovens artistas, em forma\u00e7\u00e3o ou rec\u00e9m-formados, tiveram de criar seus pr\u00f3prios circuitos. Ent\u00e3o esse cen\u00e1rio que acabei de descrever coincide com o &#8220;boom&#8221; de coletivos, de interven\u00e7\u00f5es nas ruas, de espa\u00e7os independentes (Zona Franca, R\u00e9s do Ch\u00e3o, Casa da Grazi, Casa da Xiclet, Edif\u00edcio Galaxi, Agora, Capacete, Galeria do Poste e dezenas de outros exemplos) e de publica\u00e7\u00f5es independentes (Item, O Ralador, Rizoma, Urb\u00e2nia, Revista N\u00famero, etc.).<\/p>\n<p>N\u00f3s vivemos um cen\u00e1rio bastante similar, com a extin\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Cultura, a persegui\u00e7\u00e3o frequente \u00e0s artes, o fechamento de exposi\u00e7\u00f5es, a precariza\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es. Isso tem impulsionado o surgimento de novos espa\u00e7os independentes, novos coletivos, novas publica\u00e7\u00f5es. Acho que uma das grandes diferen\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 virada do s\u00e9culo \u00e9 que hoje a arte est\u00e1 se expandindo mais para as periferias. Se as universidades, no contexto dos anos 1990 e 2000, deram origem a uma nova gera\u00e7\u00e3o de artistas, a implanta\u00e7\u00e3o do sistema de cotas gerou outra bastante distinta. Com estudantes de origem perif\u00e9rica tendo a oportunidade de ingressar nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em artes, e considerando que \u00e9 nas universidades que se origina grande parte dos agentes que comp\u00f5em o sistema de arte, \u00e9 natural que esse sistema sofra uma transforma\u00e7\u00e3o. No campo te\u00f3rico, essa gera\u00e7\u00e3o atual tem se interessado em preencher lacunas existentes na hist\u00f3ria da arte brasileira, como a atua\u00e7\u00e3o de artistas negros, suburbanos, mulheres, transexuais e outros sujeitos que estavam \u00e0 margem dessa hist\u00f3ria. J\u00e1 no campo pr\u00e1tico, os artistas t\u00eam se interessado em abordar tem\u00e1ticas como a negritude, as favelas, a exclus\u00e3o social, g\u00eanero, etc. Ent\u00e3o a viv\u00eancia desses corpos agrega novas quest\u00f5es \u00e0 produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica e te\u00f3rica. Al\u00e9m disso, essa gera\u00e7\u00e3o atual n\u00e3o se conforma apenas em se inserir num circuito que sempre privilegiou homens brancos de classe m\u00e9dia ou alta, mas desejam, sobretudo, expandir a penetra\u00e7\u00e3o da arte para zonas perif\u00e9ricas. Da\u00ed ganham destaque a\u00e7\u00f5es no Centro Cultural Ph\u00e1brika (em Acari, Zona Norte do Rio), no Galp\u00e3o Bela Mar\u00e9 (na favela da Mar\u00e9), e em outras regi\u00f5es, at\u00e9 ent\u00e3o \u00e0 margem desse sistema. Acho que vivemos um momento bastante revolucion\u00e1rio e muita coisa ainda ir\u00e1 mudar, pois toda transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo que se d\u00e1 aos poucos.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Quais artistas desta leva (oriundos do processo de democratiza\u00e7\u00e3o da Universidade P\u00fablica) lhe chamam a aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Acho que o coletivo Seus Putos foi um dos acontecimentos mais interessantes na arte carioca dos \u00faltimos anos. O grupo surgiu no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es no campus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que passava por graves problemas financeiros em 2015. Depois o coletivo realizou a\u00e7\u00f5es-v\u00edrus no circuito de arte e diversas interven\u00e7\u00f5es na cidade, que abordavam quest\u00f5es como a gentrifica\u00e7\u00e3o e as contradi\u00e7\u00f5es dos projetos que visavam \u201crevitalizar\u201d o Rio de Janeiro e prepara-lo para receber os Jogos Ol\u00edmpicos. O Seus Putos era composto por estudantes da UERJ, com exce\u00e7\u00e3o de Lyz Parayzo, que era da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e \u00e9 uma artista de grande destaque no cen\u00e1rio aqui tratado. Entre os artistas da EBA-UFRJ, institui\u00e7\u00e3o com a qual tenho maior familiaridade, h\u00e1 v\u00e1rios nomes a serem destacados, como Rafael Amorim, Camilla Braga, Mariana Paraizo, Agrippina Manhattan, Yuri Dias, Iamn, F\u00e1tima Aguiar, M\u00f4nica Coster, Rodrigo Pinheiro, Marcela Cantuaria, Carine Caz, Aleta Valente. Certamente estou deixando escapar alguns nomes. A EBA-UFRJ tem formado muitos artistas que me interessam e cujos trabalhos busco acompanhar de alguma maneira.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Mesmo sendo dif\u00edcil em um cen\u00e1rio em convuls\u00e3o como o nosso, quais as tend\u00eancias mais fortes em arte para esta d\u00e9cada, que voc\u00ea arriscaria dar um palpite?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 A gera\u00e7\u00e3o que entrou nas universidades por meio das cotas (ou que vivenciou esse processo de democratiza\u00e7\u00e3o do ensino, mesmo sem ser cotista), hoje est\u00e1 ingressando no mestrado e no doutorado. Se o cen\u00e1rio dos pr\u00f3ximos anos n\u00e3o for t\u00e3o tr\u00e1gico (leia-se: se a universidade p\u00fablica n\u00e3o acabar e os concursos n\u00e3o pararem) esses estudantes ser\u00e3o os novos professores universit\u00e1rios e formadores de pensamento. Este \u00e9 um passo muito importante para a consolida\u00e7\u00e3o da democratiza\u00e7\u00e3o do ensino e afeta diretamente o campo da arte. Se h\u00e1 tantas lacunas na hist\u00f3ria da arte brasileira, uma evidente desigualdade no sistema, al\u00e9m da dificuldade da arte em alcan\u00e7ar as periferias, acredito que essa gera\u00e7\u00e3o contribuir\u00e1 muito para a resolu\u00e7\u00e3o desses problemas.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Em quais projetos est\u00e1 envolvido no momento?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Atualmente sou pesquisador-residente no n\u00facleo de curadoria e pesquisa do Museu de Arte do Rio. Estou envolvido com as exposi\u00e7\u00f5es que o MAR abrir\u00e1 ap\u00f3s o fim desse per\u00edodo de isolamento social e me dedicando \u00e0 pesquisa de doutorado.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Se voc\u00ea fosse gravar uma can\u00e7\u00e3o de amor, para lan\u00e7ar num disco voador, como intitularia?<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 Voc\u00ea pegou no meu ponto fraco. Intitular qualquer coisa \u00e9 uma das coisas mais dif\u00edceis para mim. \u00c0s vezes levo apenas um dia para escrever um texto, mas passo uma semana inteira definindo o t\u00edtulo. Para sair dessa enrascada, eu regravaria uma can\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente. Poderia ser &#8220;Vai passar&#8221;, do Chico Buarque. Acho que ela carrega uma mensagem bastante necess\u00e1ria para o momento atual, al\u00e9m de evocar o clima do Carnaval, que tem feito tanta falta.<\/p>\n<p><strong>\u2013 Deixe uma mensagem aos leitores sobre este momento.<\/strong><\/p>\n<p>\u2013 O isolamento social tem provado como a arte \u00e9 fundamental em nossas vidas. Estamos descobrindo que podemos sobreviver sem muitas coisas que fazem parte do nosso cotidiano, mas o que seria de n\u00f3s se n\u00e3o tiv\u00e9ssemos, neste momento de tantas priva\u00e7\u00f5es, o cinema, as s\u00e9ries de TV, a m\u00fasica, a poesia, as artes visuais? Provavelmente perder\u00edamos a sanidade mental. Gostaria de trazer esta reflex\u00e3o para os leitores e compartilhar meu desejo de que o trabalho de nossos artistas seja melhor valorizado de agora em diante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARTES VISUAIS &nbsp; &nbsp; Conversa com Thiago Fernandes, historiador da arte e designer gr\u00e1fico Thiago Fernandes \u00e9 um jovem historiador de arte bastante ativo no circuito de artes visuais do Rio de Janeiro; graduado em Design Gr\u00e1fico pela Universidade Est\u00e1cio&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1825,"featured_media":1116448,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[104,11390,112,159],"tags":[75693,75238,76127],"class_list":["post-1116444","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-america-do-sul","category-conteudo-original","category-cultura-pt-pt","category-entrevista-pt-pt","tag-artes-visuais","tag-caderno-de-cultura","tag-historia-da-arte"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.1.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>&quot;A arte nunca foi t\u00e3o necess\u00e1ria&quot;<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"ARTES VISUAIS &nbsp; 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